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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Aulas na cozinha: a situação na Alemanha

Na maioria dos países europeus o ensino doméstico - "homeschooling" - é permitido ou, pelo menos, tolerado. Não há praticamente nenhum país que se agarre tão obstinadamente à escolaridade obrigatória como a Alemanha - com todas as consequências para as pessoas em causa.

Quando Moritz começou a reagir agressivamente e a ficar doente depois de ir para a escola, os pais Dagmar e Tilman Neubronner cederam aos sintomas do filho que na altura tinha 8 anos e cancelaram a matrícula na escola. Desde essa altura Moritz aprende em casa com o irmão Thomas - apesar da lei alemã afirmar que a escolaridade é obrigatória.

Thomas frequentou a escola pública apenas durante duas semanas.

Escapar a escolaridade obrigatória
Quando as autoridades se aperceberam do que se estava a passar, impuseram aos Neubronners uma série de multas exorbitantes sob pena de outras medidas arbitrárias se não enviarem os filhos para a escola. Com medo de perder a guarda dos filhos, a família abandona a Alemanha e, até hoje, reside em outros países europeus.

Os pais continuam a lutar incansavelmente para que os filhos tenham liberdade de aprendizagem e para que a família possa voltar ter uma vida normal na cidade de Bremen, sua terra natal. Moritz e Thomas têm hoje 12 e 10 anos e estariam na 7ª e 5ª série. Em vez disso, estão a aprender em casa voluntariamente, determinando seus próprios objectivos. Os Neubronners praticam o que é muitas vezes referido como unschooling. Acreditam que as crianças aprendem melhor em liberdade, sem restrições e, portanto, sem perder o amor à aprendizagem.

Luta pela liberdade de aprender
Rosemarie e Jürgen Dudek também são contra a escolaridade obrigatória. Educam os filhos em casa como se numa escola com uma sala de aulas. O horário está em conformidade com o currículo oficial. De momento, 4 dos 7 filhos são obrigados a frequentar a escola.

Os Dudeks querem viver de acordo com as suas crenças em relação a Deus e à Bíblia. Por esta razão não querem que os filhos andem em escolas públicas, onde não encontram os seus valores.
Ao contrário de certos cristãos, os Dudeks não pertencem a nenhum grupo religioso nem tentam manter os filhos afastados do mundo. Eles têm relações sociais com os bombeiros voluntários, no clube de natação e nos escuteiros.

Como a maioria dos pais, Rosemarie e Jürgen Dudek também querem o melhor para os filhos. Para que o filho mais velho Jonathan terminasse o ano escolar com uma graduação do Estado, ele frequentou, no ano passado, uma escola secundária (Realschule) na segunda metade do 10 º ano. Ele obteve notas excelentes e acabou o ano como o melhor aluno da escola.

Pena de prisão para os pais
Entretanto, Rosemarie e Jürgen Dudek ensinam os filhos em casa há quase dez anos. Devido às mudanças de residência não foram descobertos pelas autoridades durante muito tempo. No ano passado foram condenados a três meses de prisão, e não a liberdade condicional. Os Dudeks apelaram e por enquanto ainda não foram para a prisão. Estão agora à espera do veredicto final.

Podem ver o vídeo, em alemão, aqui (30mns).
Original aqui.

2 comentários:

Ariany (Dhanna) disse...

O caso dos Dudeks se assemelha a um caso, no Brasil, de uma família que mora em Anápolis/GO.

Apesar dos filhos terem notas excelentes, o governo insiste em condenar os pais.

A justiça não pode ser tão cega, ao ponto de tropeçar nos próprios pés!

Paula disse...

The greatest of all injustice is that which goes under the name of law.
- Sir Roger L'Estrange

Não são só os pais que educam os filhos em casa que são perseguidos.

Na Alemanha, 8 pais foram presos por não consentirem que os filhos fossem às aulas de educação sexual, isto no nível básico. O governo parece pensar que as crianças lhes pertencem; os pais podem fazer de babysitters desde que o façam de acordo com os ditames do Estado:

German officials "view the children as belonging to the State, particularly during the time they are in school" and for that reason parents' beliefs and authority over their children takes second place to the interests and mandates of the State.