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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ensino domiciliar no noticiário



Há famílias que optam pelo ensino doméstico por causa das suas convicções, outras devido à violência escolar e outras porque não acreditam que as escolas têm a capacidade para lidar com as necessidades especiais dos filhos.

Deixando de lado os motivos, o facto é que cada vez mais famílias estão optando pela educação em casa. Segundo as regras actuais estas famílias não têm que prestar informações a ninguém sobre o que estão fazendo mas essas regras podem estar prestes a mudar.

O governo britânico está a considerar impôr controlos mais restritos aos pais-educadores depois de rumores que o ensino doméstico poderia ser usado para disfarçar casos de absenteismo escolar ou, em casos extremos, esconder o abuso de menores. Muitos pais sentem-se indignados com as sugestões e prometem resistir a quaisquer regulamentações. Eis a reportagem do nosso correspondente Peter.

Peter: Segunda feira de manhã e Holly e o irmão têm a sua primeira lição, biologia. Não há desculpas para atrasos: a lição é na sala e o professor é o pai deles, Mark. Hoje, Mark, de Leicester, está ensinando, além dos filhos, outras quatro crianças que, como eles, aprendem em regime de ensino doméstico. A Holly e o irmão Daniel nunca foram à escola mas os outros miúdos foram retirados do sistema de ensino.

Holly: Acho que é muito melhor sermos ensinados por uma pessoa e termos "aulas individuais" do que fazermos parte de uma turma de trinta e tal alunos.

Peter: Tens saudades da escola?

Alex: Não.

Peter: Não tens saudades nenhumas?

Alex: Não, porque, vês, a escola é na minha vila e todos os meus amigos que andavam comigo na escola moram na mesma rua que eu.

Mark: Não é que eu não confie nos professores. É que temos de confiar numa série de adultos que estão em contacto com os nossos filhos.

Tracy: Quando ensinamos as crianças individualmente ou em pequenos grupos, como fazemos normalmente no ensino domiciliar, então a qualidade da interacção é, na minha opinião, muito maior.

Peter: No mês passado, dezenas de famílias reuniram-se em Leicester para celebrar o ensino doméstico. Eventos semelhantes ocorreram em Birmingham, Telford, Hereford e Nottinghamshire. Cada vez mais crianças estão a ser educadas em casa. Ninguém sabe ao certo quantas, mas nos Midlands são talvez umas 12 000. Rob, ex-director de uma escola em Leicestershire, supervisiona famílias que optaram pelo ensino doméstico.

Rob: Há famílias que retiram os filhos da escola para evitarem o tribunal devido ao absenteismo escolar dos filhos. Isto acontece em ocasiões.

Peter: E por esse motivo acha que o ensino domiciliar precisa ser regulamentado.

Rob: Sim. O número de crianças educadas em casa está sempre a aumentar. As crianças que nunca frequentaram a escola nem estão debaixo do nosso radar, e ninguém sabe ao certo quantas pessoas estão a praticar o ensino doméstico.

Peter: E de acordo com o Sr Badman as coisas precisam ser mais estritas. Graham Badman conduziu uma revisão do ensino doméstico para o governo e preocupa-se principalmente com a mesma coisa, a salvaguarda das crianças. Badman propõe que todas as crianças em regime de ensino doméstico devem ser registadas na autarquia local, que um plano de ensino deve ser feito anualmente e, mais polémico, que os pais têm de permitir que os inspectores entrem em suas casas (e entrevistem seus filhos na sua ausência).

Ceri: Não há necessidade para aumentar as regulamentações. Nós não vemos inspectores visitando as crianças que têm menos de 5 anos, nem vemos funcionários públicos entrando pelas casas onde moram bebés para inspecionar o seu bem estar. Isso seria uma intrusão desnecessária na vida familiar.

Peter: O DSCF não aceitou a entrevista mas disse-nos que a maior parte dos pais que educa os filhos em casa faz um trabalho excepcional mas têm que balançar os direitos dos pais com o direito preeminente das crianças a uma educação decente num ambiente seguro. Um comité está agora a investigar o modo como a revisão foi conduzida.

Paul, membro do Parlamento: Algumas das propostas talvez sejam necessárias. Temos, por enquanto, o problema de que não há uma obrigação legal de registar as crianças. Por exemplo, se forem de uma zona para outra podemos perdê-las de vista, por isso há algumas questões relativamente à protecção de menores. Mas o que estão a fazer com o ensino doméstico é desproporcionado.

Peter: Os pais dizem que só querem que lhes deixem em paz para poderem continuar a educar os filhos em sossego e há até rumores sobre uma campanha de desobediência civil se o governo interferir.

2 comentários:

*Lisa_B* disse...

Amiga Paula,
fico tão...exaltada quando leio sobre o governo "perder os nossos filhos de vista" quem é que os teve na maternidade ou em casa nós ou o Estado?
Os filhos são nossos e até poderem provar que eles são maltratados nem nos deviam incomodar.
Se os filhos têm comportamentos saudáveis isso nota-se à distancia nos seus rostos.
O meu filho como tantas vezes tenho dito queria morrer na escola...hoje em casa ele tem um sorriso nos lábios o seu rosto mudou , suavizou-se e ele sente-se feliz, só falta que nos deixem em paz para ele se sentir livre e fora de perigo diz ele.
Sabendo que os filhos são eucados, têm formação particular dada por nós pais ou a quem contratamos para explicar as matérias que considerarmos importantes eles saberem...que mais querem dos pais? Que os maltratemos e abusemos deles como se passa nas escolas? Que lhes demos pontapés , murros, cuspidelas, insultos como recebem na escola?
Supervisionar em casa? Alguém s dignou ir às escolas ver como se passam as aulas ? Vão lá identificados e previamente as escolas informadas então todos usam a máscara nesse dia e os miudos portam-se bem, a escola fica limpa e asseada e parece uma maravilha de exemplo educativo mas as queixas estão lá nos conselhos executivos para os avaliadores escolares verificarem mas...verificam?
Querem entrar em casa das pessoas para os intimidar e alguns ainda receberem subornos...digo eu que sei como as coisas se passam.
Bem, já estou a escrever demais lol.
Espero que se revoltem contra essas medidas.
Beijinhos

Paula disse...

Compreendo. As famílias que optaram pelo ensino doméstico no Reino Unido estão furiosas com os pretextos que estão a ser usados para alterar a lei.

Têm planos de desobediência civil e já
notificaram o governo da sua recusa a cooperar. Isto para além das várias petições que andam a circular por todo o país...