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sábado, 31 de janeiro de 2009

Ensino doméstico vs más escolas

Forçados a educar os filhos em casa para não os mandarem para más escolas - este é o título do artigo de Graeme Paton que apareceu hoje no Telegraph. Aqui fica a tradução de uns quantos parágrafos:

"Seis famílias juntaram-se e resolveram contratar tutores privados em vez de colocar os filhos numa escola avaliada oficialmente como uma das piores da Inglaterra.

Durante os últimos cinco meses, os pais, entre eles um fabricante de mobílias para jardins, uma florista, um comerciante e o ex-proprietário de um café, têm pago cerca de £100 por semana aos professores privados. Dizem que o seu caso expõe o mito das alegações do Partido Trabalhista de que os pais podem mandar os filhos para as escolas que querem.

Mais de 55.000 jovens são presentemente educados em casa - seus pais decidindo abandonar completamente o sistema escolar convencional. No início deste mês, o Governo anunciou uma investigação ao ensino doméstico, alegando que algumas crianças poderiam não estar "recebendo a educação que precisam" – e que o ensino doméstico poderia ser, em casos extremos, uma cobertura para o abuso infantil.

Mas Holly O'Toole, 39, insiste que o seu filho Harry, de 12 anos, está recebendo uma educação muito melhor em casa. Ela disse que as crianças - quatro rapazes e duas raparigas - estão aprendendo tão bem que o tutor estava considerando propô-las para fazer o exame do 11º ano de inglês este Verão, quatro anos mais cedo. "Todas as crianças são espertas e devido à atenção que recebem estão progredindo muito mais depressa do que se estivessem na escola", disse ela.

Jacqui Hatchett, 39, dona de casa casada com um engenheiro, disse que a família saiu de Londres para conseguir uma boa escola para o filho. "O Governo dá a entender que as famílias tem poder de escolha no que toca à escola secundária, mas esse não é o caso", disse ela. "A nossa única opção foi a do ensino doméstico."

Os seis jovens são agora ensinados pelos pais. Três manhãs por semana frequentam o centro da Kip McGrath, e passam o resto do tempo aprendendo em casa. Quatro professores particulares dão aulas de inglês, francês, matemática e ciências. As mães e os pais, apesar de não terem experiência docente, também ensinam."

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Ki Aikido


Esta semana experimentámos Ki Aikido, uma arte marcial japonesa cujo objetivo não é vencer o oponente mas adquirir a unificação da mente e corpo. Gostámos e resolvemos continuar.

Em relação ao japonês e à cultura japonesa, planeamos também:

1) Ter uma aula de japonês com Megumi
2) Visitar o Clube Bristol-Japão
3) Ir a um restaurante japonês

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Custo do ensino doméstico

O ensino doméstico não é só para os ricos: optar por esta via custa tanto ou tão pouco quanto estivermos dispostos a gastar.

O Estado não subsidia as famílias que optam pelo ensino doméstico e por isso algumas despesas são inevitáveis. No entanto, quando educamos os filhos em casa não temos de comprar uniformes escolares, pagar transportes nem fazer outras despesas relacionadas com o ensino público ou privado.

Além disso, vivemos na sociedade de informação. O acesso à informação e ao conhecimento nunca foi tão fácil como agora. Podemos comprar quantidades enormes de recursos educativos mas também podemos ter acesso a eles gratuitamente – as bibliotecas, a televisão, os museus e os edifícios históricos estão disponíveis a todos nós – só precisamos de investigar o que está à nossa volta e aproveitar todas as oportunidades para aprender.

O uso regular das bibliotecas significa que não precisamos comprar muitos livros. Algumas famílias gostam de usar livros didáticos. Para as crianças mais novas estes geralmente não são caros. Mas também podemos organisar partilhas e trocas de materiais e livros entre nós.

Hoje em dia todos temos muitos recursos disponíveis em casa. Por exemplo, na cozinha temos uma série de equipamentos para medir, pesar e fazer simples experiências científicas. À vezes também temos ferramentas para trabalhar a madeira e outros materiais.

E em todas as vilas, aldeias e bairros existem profissionais e amadores em várias artes dispostos a partilhar os seus conhecimentos técnicos e amigos ou vizinhos dispostos a transmitir conhecimentos específicos ou recursos educacionais. Se não conseguimos encontrar o que procuramos deste modo, há sempre cursos nocturnos, professores particulares, cursos por correspondência, livros, recursos na internet, etc.

As visitas de estudo e os encontros com amigos envolvem algumas despesas, mas, juntamente com outras famílias, podemos tentar arranjar descontos para viagens a locais de interesse. Certos clubes, como os escuteiros e as guias, são muito populares, tanto com os pais que mandam os filhos para a escola como com aqueles que optam pelo ensino doméstico, por isso essas despesas aconteceriam à mesma.

Adaptado daqui.

Prodígios do ensino doméstico

Notícia da CNN sobre Akiane Kramarik. Esta menina prodígio não frequenta a escola. Em vez disso, ela aprende em casa com os quatro irmãos.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Flexibilidade na aprendizagem

Aqui no Reino Unido há casos de famílias que conseguem convencer as escolas e direcções regionais de educação a concordarem que os seus filhos frequentem a escola a meio-tempo. Na prática, isso significa que praticam o ensino doméstico em part-time, embora não o façam oficialmente. Os casos não são numerosos mas existem.

Hoje deixo-vos o testemunho de Mike Stanton, autor de "Aprendendo a viver com autismo de alto funcionamento"

"O meu filho Mateus tem a síndrome de Asperger. Oficialmente não está no ensino doméstico mas falarei sobre isso mais daqui a pouco.

A quantidade cada vez maior de pais com filhos com a síndrome de Asperger que se sentem forçados a educá-los em casa é impressionante.

Uso a palavra "forçados" porque acho que para muitos pais o ensino doméstico não é uma verdadeira escolha. Uma coisa é não estarmos satisfeitos com o sistema escolar e decidirmos que podemos fazer melhor. Outra, bem diferente, é as escolas e direcções regionais de educação serem tão insensíveis às necessidades dos nossos filhos que se tornam uma ameaça à sua saúde mental.

Como professor numa escola para alunos com necessidades educativas especiais, eu achava que o sistema podia satisfazer as necessidades do meu filho e que devia ser obrigado a fazê-lo. Agora já não acredito que tenha essa capacidade...

A verdade é que muitas vezes o ensino doméstico é a única opção para os jovens com a síndrome de Asperger. Mais injusto ainda é o facto de que isso liberta as direcções regionais de educação (DRE) da sua responsibilidade de financiar a educação dos nossos filhos. Essa é uma das razões porque nunca optámos pelo ensino doméstico. Em vez disso, lutámos para fazer com que a DRE reconhecesse que a síndrome de asperger tinha uma influência directa nas suas necessidades educativas.

Mesmo depois dessa vitória, o meu filho atravessou um período terrivel em que não conseguia encarar a escola mas o seu desejo de pertencer era tal que achava que devia lá andar. Agora estamos na fase em que a DRE e a escola aceitam que ele só aguenta a escola em part-time, para aprender umas quantas disciplinas. O resto do tempo ele aprende em casa sozinho, lendo livros e revistas científicas, devorando jornais, vendo documentários na televisão e navegando na internet.

Assim, não estamos oficialmente a educá-lo em casa mas também não estamos participando completamente no sistema. Eu chamo a isto escolarização flexivel, ou flexi-school, mas há quem pense que negociar com a DRE é negociar com o diabo."

Traduzido daqui.

Optar por casa

... é o título de mais um livro sobre o ensino doméstico e a síndrome de Asperger

Martha Kennedy Hartnett tem um filho com a síndrome de Asperger e teve a coragem de educá-lo em casa. O livro é baseado na sua experiência pessoal mas inclui também histórias de várias famílias na mesma situação.

Estas partilham o seu percurso, desde as tentativas diárias de sobreviver o abuso e violência escolar ao sucesso do ensino doméstico.

Hartnett responde a uma série de perguntas: O ensino doméstico não vai limitar o desenvolvimento emocional e social do meu filho? Como é que sei se a minha orientação é suficientemente boa? E se eu não aguentar? Este é um livro de esperança e encorajamento a todos os pais interessados no ensino doméstico.

Podem folhear o livro aqui, e podem encomendá-lo aqui ou aqui.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

O que é o unschooling?

"Também denominado aprendizagem direccionada pela criança e aprendizagem natural, o termo unschooling foi originalmente usado por John Holt. O método é exatamente esse: nada de escola.

Unschooling é um dos métodos do ensino doméstico, muito bem aceite por famílias norte-americanas e europeias. As crianças que seguem o ensino doméstico não vão à escola para aprender. Toda a aprendizagem é feita a partir de casa. O unschooling é ainda mais livre, apregoando que na aprendizagem as crianças devem seguir os seus próprios ritmos. A aprendizagem torna-se simplesmente uma parte natural da vida. Todos os dias é a criança que decide o que quer fazer, se quer ir à biblioteca ler sobre baleias ou passar o dia fazendo experiências científicas na cozinha.

À medida em que crescem começam geralmente a integrar aulas e cursos externos. O importante é que são os jovens que controlam os seus horários e que fazem os ajustes necessários para os cumprir. Como observa um jovem que não frequentou escola: "estou a planear o que fazer. Tenho um grande sentido de responsibilidade naquilo que faço. Em vez de me forçarem a andar de actividade em actividade e me obrigarem a fazer determinadas coisas em determinados dias e horas, sou eu quem decide". Com esse poder de decisão vem a responsabilidade da gestão do tempo.

Os pais estão sempre à mão para dar apoio. Eles encorajam e ajudam a manter o ambiente de aprendizagem rico e real, respondendo a perguntas e funcionando como uma fonte de ideias, mas seguindo sempre as directrizes dos filhos."

Por Katherine Neer, adaptado daqui.

domingo, 25 de janeiro de 2009

Apreciando os dias em casa

Este artigo de Alexandra Frean apareceu no Times há 5 dias.

"Há quase dez anos, Ross Mountney decidiu educar os filhos em casa. Depois de sete anos de ensino doméstico, a sua filha mais velha, Chelsea (18 anos), está agora a estudar artes cênicas num colégio.

A sua outra filha, Charley (15 anos), gosta de passar os dias em casa com a mãe, estudando biologia (neste momento estão a estudar os efeitos das drogas ilícitas) e inglês, escrevendo cartas e ensaios.

À tarde Charley leva o cão a passear, trabalha num projecto de fotografia, faz natação ou, com outros jovens educados em casa, participa em visitas a museus e galerias de arte, organizadas por uma rede local de pais.

"Os meus filhos estavam extremamente infelizes na escola e isso estava destruindo a sua sede de aprender", disse a Sra Mountney.

A Sra Mountney, que se formou como professora e é a autora de Aprender Sem Escola, acredita que qualquer pai pode educar os filhos em casa. As famílias que optam por esta via podem obter apoio através de organizações como a Education Otherwise, que as põe em contacto umas com as outras para partilharem experiências.

Os seus filhos não vão fazer os exames do ensino secundário: ela acredita que há outras maneiras de demonstrar as competências que têm acumulado."

sábado, 24 de janeiro de 2009

O que temos andado a fazer

Ontem lá fomos outra vez ao Sítio de Aprender, onde a comunidade de educadores domésticos se reune semanalmente.

Esta foi a única foto que encontrei na internet, é pena não mostrar o parque onde o edifício se encontra, as crianças correndo e brincando, os adultos bebendo chá e trocando ideias, os adolescentes conversando e as famílias aprendendo juntas...

Aqui por casa o interesse pelos desenhos animados japoneses, ou animê, continua, Bleach e Naruto sendo as séries preferidas. Esse interesse vai-se expandindo para outras áreas, como por exemplo as histórias aos quadradinhos japonesas - mangá.

Ontem, por exemplo, devorou estes dois livros. O mangá e o animê são verdadeiras formas de arte. Reparei no tempo que passou com o livro abaixo à esquerda e sugeri: que tal experimentarmos a desenhar Ichigo?

No papel ou computador?

Computador, é claro!

Que software precisamos?

Manga sudio ou corel painter?

Depois de darmos uma olhada nos dois resolvemos instalar corel painter...

Falando em computadores, o dele teve um health check e tem uma placa gráfica nova. Alegria! Ficou com vontade de aprender a diagnosticar e reparar problemas nos computadores e ando agora a ver se encontro um cursinho para ele fazer, num colégio ou à distância através da internet.

Mas voltando ao tema dos desenhos animados, ou seja, ao tópico de levar os interesses das crianças a sério, sem os dividir em "educação" e "brincadeira" ou "passatempos", reparem como o animê levou à arte digital, a novos programas de computador e às artes marciais, que parecem ser uma constante - daí termos ido os dois fazer kick boxing. Havemos de ir a mais uma ou duas aulas mas andamos a pensar experimentar aikido...

O interesse pelo japonês também veio dos animê: já completámos a lição 9 e continuamos a usar jogos educacionais para aprender, como por exemplo este, para aprender as partes do corpo, e este para aprender direcções.

Mas também nos entretemos com inglês - revendo aspectos da gramática, como o uso das vírgulas -, e matemática, fazendo exercícios de multiplicação mental.

E que mais? Ah! amizades: a amiga dele veio cá passar uma tarde no fim de semana passado e ontem conhecemos cinco adolescentes que também aprendem em casa. Além disso, continuamos fotografando. Aqui está uma foto tirada pelo Daniel:

E eu? Experimentei biodança, adorei e hei-de lá voltar. A biodança já chegou a Portugal, por isso experimentem que vale a pena! Além disso, andei a filmar, tivemos uma aula de chi-kung aqui em casa e fui a uma sessão de meditação. Experimentei uma receita do Médio Oriente, lentilhas com espinafres e cominhos - estava uma delícia!

Ah, como a vida é bela quando somos livres para aprender o que queremos, quando queremos, onde queremos, com quem queremos!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Blog de Ouro

Recebi da minha amiga Luisa o prémio Blog de Ouro atribuído só a mulheres. As regras, para quem recebe, são as seguintes:

1. Exibir a imagem do selo;
2. Escolher 6 mulheres diferentes a quem entregar o BLOG DE OURO;
3. Deixar um comentário nesses blogues para que saibam que ganharam o prémio.

Destaco como premiados os seguintes blogues:

Pés na relva
A escola é bela
Dálle un coliño
Dende a outra beira
O vento nas papoilas
Mossãmedes do antigamente

Ensino doméstico em Bristol

Na semana passada fomos, pela primeira vez, ao Sítio de Aprender do ensino doméstico, em Bristol. O projecto foi iniciado por um grupo de pais que queria mais oportunidades para se reunir e trabalhar uns com os outros. O objectivo é o de oferecer actividades educacionais a todas as idades - por exemplo, grupos de estudo, clubes ou oficinas (workshops) -, que podem ser orientadas pelos próprios pais, por profissionais ou trabalhadores voluntários.

À chegada deram-nos uns quantos folhetos informativos:

"Somos um grupo de famílias que optou pelo ensino doméstico e queremos apoiar-nos uns aos outros na educação dos nossos filhos. Esperamos que você e a sua família possam não só participar nas nossas actividades como também contribuir para elas. Venham conhecer-nos e ver o que fazemos. A nossa abordagem é a da não-coersão - isso significa que ninguém é pressionado a participar.

Temos regularmente reuniões onde tratamos de questões relacionadas ao funcionamento do grupo e em que planeamos o programa de cada período. Nestas reuniões valorizamos todas as contribuições.

Reunimo-nos todas as semanas às segundas e sextas feiras durante os períodos escolares, desde meados de Setembro ao final do mês de Maio. Durante todas as actividades os pais continuam sendo responsáveis pelos filhos.

Todos temos ideias diferentes no que toca à educação dos nossos filhos. Não estamos aqui para promover nenhuma ideologia mas para dar apoio mútuo em matérias do ensino doméstico."

Nesta foto podem ver o tipo de actividades disponíveis. Às sextas feiras o dia começa com meia hora de jogos e brincadeiras e, em seguida, 1hr de inglês, dança, história ou trabalhos manuais (por exemplo: fazer velas, crachás e props - objectos que depois são usados em peçinhas de teatro), etc. Embora a página do site precise ser actualizada, podem ver o tipo de actividades disponiveis aqui.

Quando lá chegámos, depois do almoço, a maioria dos adolescentes já se tinha ido embora.

Mas tivemos a oportunidade de conhecer algumas famílias, incluindo uma cujo filho mais velho tem a síndrome de asperger e outra cuja filha tinha sido diagnosticada com autismo mas que, seguindo uma dieta rigorosa, ficou completamente melhor.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

As crianças educadas em casa são mais vulneráveis?

Anda um grande reboliço na comunidade de educadores domésticos.

Começou, há uns dias atrás, o que já vi descrito como uma verdadeira campanha de demonização do ensino doméstico, com o governo insinuando que as famílias que optam por esta via podem estar a fazê-lo com o objectivo de camuflar várias formas de violência doméstica contra os próprios filhos. Exemplos dados incluem trabalho forçado, casamentos forçados, negligência e abuso sexual.

Baronesa Morgan, a ministra das crianças, usou este pretexto para lançar uma revisão do ensino doméstico no Reino Unido. Segue-se a tradução de um artigo, por Neil Tweedie, em que uma mãe fala em defesa do ensino doméstico.

Shara Ouston em casa com a filha Anna
(Foto: Solent News & Photo Agency)


"A opinião de Shara Ouston é clara: as crianças que frequentam a escola são mais propensas a sofrer abusos e negligência do que as educadas em casa. A Sra Ouston educou os 6 filhos, dois deles adoptivos, em casa. Tudo começou quando ela e o marido decidiram retirar Jack, o filho mais velho, da escola depois de lá ter andado três meses.

"Jack tinha necessidades especiais e estava sendo vítima de bullying na escola", disse ela. "Se o tivessemos lá deixado ele teria ficado completamente arrasado. O principal motivo que nos levou a optar pelo ensino doméstico foi o ambiente social nas escolas modernas. Não queríamos os nossos filhos submetidos à pressão dos colegas e dos professores. Nós não acreditamos que o sistema escolar produz jovens equilibrados e felizes."

A Sra Ouston diz-nos isto após a ministra das crianças ter decidido ordenar, esta semana, uma revisão do modo como as 55.000 crianças educadas em casa são tratadas. Porém, o debate tem girado à volta dos comentários da baronesa: que os pais podem estar usando o ensino doméstico para encobrir negligência, abuso ou casamentos forçados.

A Sra Ouston disse que a sua abordagem proporcionou aos filhos muitos benefícios. Jack, que agora tem 18 anos, estuda Arte e Design num colégio perto de casa. A irmã, Holly, de 16 anos, irá brevemente começar a frequentar o Colégio Agrícola. Toby, 14, e Anna, 11, continuam a aprender em casa juntamente com as 2 irmãs adoptivas.

A família Ouston acredita que a educação deve ser flexível; a sua abordagem permite que os filhos desenvolvam os seus interesses e recebam ao mesmo tempo uma instrução adequada na escrita e matemática. Diz que transmitiu o amor pela leitura aos filhos lendo-lhes muitas estórias e tendo muitos livros espalhados pela casa. Nem a Sra Ouston nem o marido possuem licenciaturas em pedagogia. Mas têm a sua própria abordagem à aprendizagem, que inclui "tempo na secretária", onde os mais novos aprendem as coisas básicas. Mas a aprendizagem é feita principalmente através de discussões informais e de projectos que frequentemente envolvem a internet.

"Eu não os ensino - não sou professora", diz a Sra. Ouston. "Eu converso com os meus filhos. Conversamos sobre coisas que vemos na internet e em livros e eles aprendem através da conversa."

"Nós achamos que as crianças não devem passar horas sentadas em secretárias aprendendo a escrever as letras. Se querem fazer isso, então óptimo - mas não devem ser forçadas a fazê-lo."

A educação do Jack e da Holly incluiu cursos à distância da Universidade Aberta. Nesta época obcecada por qualificações, a falta de certificados iria desconcertar alguns pais – a nível do secundário Jack só fez Inglês e Holly fez apenas Inglês e Matemática -, mas a mãe deles diz que não sofreram como resultado. "Faculdades e empregadores estão muito interessados nos jovens que seguiram o ensino doméstico porque tendem a ser mais auto-motivados e maduros", diz ela. "Tendem a fazer boas entrevistas."

Mas não sente que está privando os filhos das experiências sociais que a escola proporciona? "Jack tem muitos amigos - vai a festas e esse tipo de coisas. Holly não gosta da ideia da violência escolar nem da falta de respeito que a maioria da juventude de hoje tem pelos pais."

Um inspector da Direcção Regional de Educação visita a família uma ou duas vezes por ano, mas a segunda entrevista é muitas vezes feita ao telefone.

E o que é que ela acha da sugestão da Baronesa Morgan de que as crianças educadas em casa são muito mais vulneráveis a abusos?

"Acho isso um disparate. Coisas acontecem atrás de portas fechadas quer as crianças frequentem a escola ou não. As escolas agora são enormes e as crianças são muitas vezes reduzidas ao status de um número. Ouvi falar que descobriram, três meses depois de ter sido retirada da escola, que uma rapariga era vítima de abuso - mas quando estava na escola ninguém reparou nisso."

“Os políticos, professores e pais que acreditam que a escolarização em massa é o único modelo aceitável estão esquecendo o fundamental,” diz ela. "Estão esquecendo as crianças. Falam e falam sobre normas, mas esquecem-se das necessidades das crianças. No ensino doméstico a família toda aprende - é uma coisa de família. Os pais que optam pelo ensino doméstico colocam os filhos no centro do seu universo."

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Por onde andámos...

Vou traduzindo e depois acabo por não ter tempo para falar de outras coisas!

Apesar do frio os passeios continuam.

Com as crianças enjauladas nas escolas o parque estava vazio.

Aqui vêem o Blaise Castle, onde filmei o Alan a fazer tai-chi,

e lá em baixo o riacho Hazel, cortando o desfiladeiro.

Citações - Doris Lessing

Doris Lessing, Prémio Nobel de Literatura 2007:

"Vocês estão num processo de endoutrinação. Nós ainda não conseguimos desenvolver um sistema de educação que não seja um sistema de endoutrinação. Pedimos desculpa, mas é o melhor que podemos fazer.

Aqui, o que vos estão a ensinar é uma amálgama dos preconceitos da época e de escolhas da nossa cultura actual. A mais pequena olhadelha à história mostra como são impermanentes. Vocês estão a ser ensinados por pessoas que se acomodaram a um regime de pensamentos estabelecido pelos seus predecessores. É um sistema auto-perpetuante.

Os mais fortes e individualistas entre vós são incentivados a sair daqui e a encontrar maneiras de se educarem a si próprios - de educarem o vosso próprio julgamento. Aqueles que aqui ficarem devem lembrar-se constantemente de que estão a ser moldados e padronizados para satisfazerem as necessidades específicas e asfixiantes desta sociedade."

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Ensino doméstico em Portugal

O que diz a lei portuguesa?

(I) Declaração Universal dos Direitos do Homem


Artigo 26.º, n.º 1: "Toda a pessoa tem direito à educação...."

Artigo 26.º, n.º 3: "Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos"


(II) Constituição da República Portuguesa (Lei Constitucional 1/2002, de 12 de Dezembro de 2001)

Artigo 36.º, n.º 5: "Os pais têm o direito e o dever de educação e manutenção dos filhos"

Artigo 43.º, n.º 1: "é garantida a liberdade de aprender e ensinar

Artigo 43.º, n.º 2: "O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas"

Artigo 43.º, n.º 4: "é garantido o direito de criação de escolas particulares e cooperativas"

Artigo 67.º, n.º 1: "A família, como elemento fundamental da sociedade, tem direito à protecção da sociedade e do Estado e à efectivação de todas as condições que permitam a realização pessoal dos seus membros"

Artigo 67.º, n.º 2, c): "Incumbe, designadamente, ao Estado para protecção da família: (...) c) Cooperar com os pais na educação dos filhos"

Ensino Doméstico na Inglaterra

O que diz a lei inglesa sobre o ensino doméstico?

● A maioria dos pais manda os filhos para a escola, mas têm o direito de os educar em casa. Os pais têm de fazer com que os filhos, a partir dos 5 anos de idade, recebam uma educação a tempo inteiro

● Para educarem os filhos em casa, os pais não precisam ser professores licenciados

● Os filhos não são obrigados a seguir o Currículo Nacional nem a fazer exames nacionais, mas os pais têm, por lei, de proporcionar aos filhos uma educação a tempo inteiro adequada às suas idades, capacidades e aptidões

● Quaisquer necessidades especiais que os filhos possam ter na aprendizagem devem ser reconhecidas

● Os pais, para educarem os filhos em casa, não precisam de receber nenhuma autorização especial das escolas ou das Direcções Regionais de Educação; precisam apenas de notificar a escola por escrito de que estão retirando os filhos da escola

● Não é necessário seguir o horário nem o calendário escolar

● Não é necessário seguir um calendário fixo, nem dar aulas formais

● O governo não subsidia os pais que decidem educar os filhos em casa

● As Direcções Regionais de Educação podem fazer inquéritos informais aos pais que praticam o ensino doméstico para se assegurarem de que a educação dada aos filhos é adequada

● Se as Direcções Regionais de Educação tiverem razões para pensar que as crianças não estão recebendo uma educação adequada, podem obrigá-las a frequentar a escola

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Mais um sucesso para o ensino doméstico

Excerto deste artigo, publicado no Milton Keynes Citizen.

"Ficámos inspirados com esta história. Um estudante superou a dispraxia, venceu os bullies e obteve o prestigioso prêmio Aluno do Ano 2008 no Colégio de Milton Keynes.

Mateus, com 18 anos, foi educado em casa após ter atravessado um período dificil na escola. A sua educação ao nível do secundário foi completamente orientada pelos pais.

Em 2006 resolveu matricular-se no Colégio de Milton Keynes pois queria voltar a integrar-se no ensino tradicional.

"Tive fases em que me senti incrivelmente assustado e aterrorizado pelo ambiente completamente diferente do colégio", admite Mateus. "Pensei desistir várias vezes mas resolvi continuar e desde então tenho adorado cada minuto."

Falando sobre o prêmio que recebeu, disse: "Fiquei espantado quando anunciaram o meu nome pois não estava à espera disso. O meu percurso tem sido uma verdadeira montanha russa! Tendo sido educado em casa durante 5 anos depois do terrível sofrimento na escola por causa dos bullies, agora sinto que venci. Eles estavam errados e eu estava certo, acreditei em mim e agora venci".

Mateus espera vir a trabalhar para a televisão."

domingo, 18 de janeiro de 2009

Mãe educa as Direcções Regionais de Educação

sobre a legalidade do ensino doméstico.

Segue-se a tradução de um artigo publicado há 2 dias no Pendle Today.

"Uma senhora de Barnoldswick foi à televisão explicar as vantagens do ensino doméstico. Alison Sauer educa o seu filho Johannes em casa há 10 anos e agora faz consultoria a nível nacional, elucidando as Direcções Regionais de Educação sobre a legalidade do ensino doméstico.

Ela foi convidada para fazer parte num programa da BBC Noroeste na segunda-feira para comentar sobre o anúncio feito pela Câmara de Lancashire de que o número de crianças educadas em casa está a aumentar à força toda.

"Tornou-se evidente, quando falou sobre as responsabilidades das Direcções Regionais de Educação - que na realidade simplesmente não existem - que, em relação ao ensino doméstico, o vereador não está a par da lei", disse a Sra. Sauer. "O que muitas pessoas não compreendem é que na legislação britânica a educação das crianças é responsabilidade dos pais. A maioria delega essa responsabilidade para as escolas mas, como nós, um número cada vez maior opta por manter essa responsabilidade."

Sendo educado em casa, Johannes (12) não tem de seguir o Currículo Nacional nem fazer exames, mas a mãe disse que isso não afectou o seu desenvolvimento; muito pelo contrário, pois acha que foi precisamente devido ao ensino doméstico que ele se tornou o rapaz confiante e bem articulado que é.

"A educação dele pode ser orientada para seus interesses; assim, por exemplo, ele está a fazer um curso na Universidade Aberta sobre planetas, como parte dos seus estudos de ciência e matemática", disse a Sra. Sauer. "O principal é moldar a educação à criança, e não o contrário."

Após ser entrevistada pela televisão foi convidada para falar com a Direcção Regional de Educação de Lancashire."

sábado, 17 de janeiro de 2009

Ensino doméstico no jornal

Li ontem um artigo de jornal sobre uma família de cristãos-renascidos que optou por educar os filhos em casa e resolvi fazer uma tradução livre da parte relacionada com o ensino doméstico.

Stephen e Debbie ensinam os seus 12 filhos em casa.

"Debbie está grávida. Quando o bébé chegar, será o 13º filho de Debbie, 44, e seu marido Stephen. Rigorosos cristãos-renascidos, as suas crenças derivam do controverso movimento americano Quiverfull.

Reunidos na sala, os filhos são incrivelmente bem-educados. Vemos o Tom, de 20 anos de idade, o Joe com 19, a Rhiannon com 17, Jed com 13, Ike com 12, Zac com 10, Charis com 9, Jim com 8, Liberty com 6, Talitha com 4, Nat com 3 e Madalena com 15 meses.

Debbie diz: "Quando o Tom foi para a escola, aos 4 anos, observámos uma grande mudança na sua personalidade. Tornou-se tímido, envergonhado e triste. Depois de dez dias tirámos-lhe da escola e optámos pelo ensino doméstico. Nunca mais olhámos para trás e resolvemos educar todos os nossos filhos deste modo. Cobrimos todas as disciplinas importantes, mas o lado acadêmico é feito juntamente com brincadeiras e actividades criativas."

Talvez a maioria dos pais tenha um certo receio de que o ensino doméstico deixe os filhos sem quaisquer qualificações. Mas Rhiannon, de 17 anos, não acha que isso seja um problema: "Eu não quero uma carreira. Para mim isso não é o mais importante. Gosto de costura, de arranjo de flores e de artesanato, de coisas relacionadas com o lar. Quero ter uma família grande, como os meus pais, por isso não vou ter muito tempo para exercer uma profissão. Talvez forme uma empresa vendendo colchas decorativas, algo que possa fazer no meu tempo livre."

Stephen e Debbie levantam-se por volta das 7h da manhã para preparar o pequeno almoço, que todos tomam juntos às 8 horas. Depois fazem leituras bíblicas e orações às 9h, e depois, às 11h, começa o ensino doméstico.

O almoço, que é a refeição principal da família, é servido à 1h da tarde. As crianças mais velhas preparam a comida em turnos. Após lavarem a loiça todos têm tarefas e, depois, tempo livre até a hora do jantar, por volta das cinco e meia da tarde.

Às 6h Stephen dá banho aos 3 mais pequenos e em seguida lê-lhes estórias antes de os pôr na cama às 7h. Os filhos do meio deitam-se cerca das 8h e os restantes seis às 10h.

Stephen diz: "Os meus pais divorciaram-se quando eu tinha seis anos. Não cresci com este tipo de vida familiar. É uma correria louca, mas cada minuto vale a pena!"

Podem ler o original, em inglês, aqui.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Ensino doméstico nas notícias


Quando deixar a escola e aprender casa é o melhor para os nossos filhos - este é o título de um artigo escrito por Sally Jones para o Worcester News.

O artigo apareceu no jornal há 3 dias. Aqui fica mais uma tradução livre:

"A decisão de remover os nossos filhos do sistema escolar e ensiná-los em casa é difícil de fazer. Mas para algumas crianças os benefícios são enormes.

Já faz mais de três anos que Edward Kimberley não vai à escola mas agora, com 13 anos de idade, pode vangloriar-se das boas notas que obteve em duas disciplinas que estudou ao nível do 11º ano - e espera obter bons resultados no exame de literatura inglesa no final deste mês.

Edward também tem um diploma em literacia adulta e outro em computadores que equivale a uma disciplina do 11º ano. Além disso, está neste momento a estudar ao nível do 12º ano – geralmente frequentado por jovens de 17 anos de idade.

Mas o que espanta ainda mais é que Edward, apesar da sua incrível inteligência, sofre da síndrome de fadiga crônica e da síndrome de Asperger, uma forma de autismo.

Sua mãe Sheila disse: "Há dias em que Edward está simplesmente cansado demais para fazer qualquer trabalho, mas nós aceitamos isso como algo normal. Temos um padrão de trabalho que funciona para nós. A prova está nos resultados incríveis que Edward está alcançando."

A Sra. Kimberley e o seu marido Christopher tomaram a decisão de remover Edward da escola quando ele tinha 10 anos. Ela disse: "Desde a creche que Edward nunca encaixou. Andava sempre triste o pavor de ir para a escola era constante. Com 10 anos foi diagnosticado com a síndrome de fadiga crônica, que, juntamente com o autismo, fez com que tivesse grandes dificuldades de lidar com o ambiente escolar e a quantidade enorme de pessoas. Então, um dia, no final do ano 5, virou-se para mim e disse: “Viver não vale a pena”. Nesse momento soube que tínhamos de fazer alguma coisa."

Edward estava sendo vítima de bullying na escola. Ele disse: "Eu tinha um medo terrivel dos bullies. Por isso não gostava de estar na escola e não estava alcançando os resultados que podia obter." A Sra. Kimberley pesquisou minuciosamente o ensino doméstico antes de decidir que era a melhor opção para Edward. "Entrei em contacto com o grupo de apoio ao ensino doméstico e desde esse dia nunca mais olhámos para trás", disse ela.

A Sra Kimberley disse que Edward está estudando história, inglês e economia ao nível do 12º ano. "Nós não sentimos necessidade de fazer todas as disciplinas do 11º ano antes das do 12º ano", disse ela. "Como ele é capaz de estudar a esse nível resolvemos seguir em frente. Em vez de fazer dez exames aos 16 anos e três aos 18 andamos a fazer um ou dois de cada vez." O Sr. e Sra. Kimberley têm de pagar os exames que Edward faz, que custam cerca de £300 cada um.

Edward segue um horário semanal, com alemão, francês, piano e violoncelo, e tenta acabar certos trabalhos de outras disciplinas durante a semana. "Se me disserem para fazer alguma coisa, acho isso muito difícil", disse Edward. "Mas, se sei que tenho tarefas a fazer durante a semana, consigo lidar com isso e fico satisfeito comigo próprio quando acabo esses trabalhos depressa e tenho tempo de sobra para relaxar".

A Sra Kimberley disse: "O que funciona para nós pode não funcionar para todos. Mas descobrimos que este método funciona melhor para Edward".

Além de ter grandes capacidades a nível acadêmico, Edward também tem talento para a música. Recentemente passou com distinção o exame de canto e está actualmente a preparar-se para fazer exames de violoncelo, piano e teoria musical.

"Edward tocou em frente de Margaret Thatcher e Julian Lloyd-Webber", dissa a Sra Kimberley. "Edward podia ter-se especializado muito cedo em música, inglês ou história, mas queríamos que ele tivesse, como base, uma educação ampla. Levamos a sua educação a sério, pois sabemos que Edward tem um potencial enorme."

Edward quer ir para a universidade de Oxford e ser músico ou escritor. "Adoro escrever. Gosto de temas onde se pode formar uma opinião e debater."

Aprender japonês em casa

Ontem, num site de jogos educacionais, descobrimos vários jogos para aprender japonês.

O Daniel escolheu o jogo das cores em japonês e o jogo para testar o conhecimento de um dos alfabetos silábicos (silabário) da língua japonesa: hiragana. Não descansou até atingir os 100%!

Outro site que vale a pena visitar é o Genki Japan. No outro dia andámos a aprender adjectivos e a rever saudações.

Em português há o site do Projecto Otaku, cujo objectivo é "ensinar japonês de uma forma fácil porém completa".

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Vantagens do ensino doméstico

para as crianças e adolescentes com a Síndrome de Asperger

O que se segue é a tradução livre de um artigo, cujo autor optou pelo anonimato, oferecido a Homeschool:

"Muitos pais, especialmente depois de se aperceberem do impacto negativo da escola na saúde dos filhos, chegam a conclusão de que o ensino doméstico é, para eles, a melhor opção. Alguns, não sabendo que as vantagens do ensino doméstico superam as desvantagens, receiam que os filhos possam vir a perder aspectos importantes da educação.

Vantagens do ensino doméstico:


1. Em casa é possivel proporcionar um ambiente tranquilo e sem stress, onde as crianças e adolescentes com a sindrome de Asperger podem trabalhar ao nível dos seus potenciais. A ansiedade faz com que muitos aspies não atinjam o seu melhor. Essa ansiedade pode ser causada pelo uso de transportes públicos, bullying (assédio moral), pela sobrecarga de factores ambientais (luzes, sons, cheiros, muitas pessoas, uma combinação de alguns ou todos estes factores), mudanças frequentes, confrontos de personalidades, ignorância das necessidades dos aspies, problemas do dia-a-dia, viagens em transportes públicos ou privados, obsessões, cansaço, calor e doenças.

2. Normalmente o comportamento do tipo Jeckle e Hyde, que alguns aspies exibem como resposta à enorme carga de ansiedade provocada pela escola, deixa de ocorrer no ensino doméstico. O medo e a desconexão a que os aspies são submetidos no sistema escolar, sistema que é hostil às suas necessidades, são substitudos pela confiança e paz interior, e isso faz com que andem menos cansados, menos defensivos e menos anti-sociais.

3. Em casa, as crianças podem trabalhar ao nível da sua maturidade e compreensão. Quando comparados aos seus contemporâneos, os aspies revelam nestas áreas um desfazamento de cerca de 5 anos. Como resultado, muitos rejeitam os seus contemporâneos a preferem associar-se com pessoas mais velhas ou mais novas.

4. O relacionamento a dois estabelecido no ensino doméstico proporciona rotina, previsibilidade, apoio e o envolvimento paciente de um dos pais. Estes factores são muito beneficiais às crianças quando elas experienciam dificuldades relacionadas com a aprendizagem. Os pais podem disponibilizar mais tempo para ajudar os filhos a encontrarem soluções e a compreenderem os conceitos abordados. Além disso, os pais também são capazes de perceber quando os filhos estão experienciando mal-estar pois compreendem os seus maneirismos verbais e não verbais melhor que ninguém.

5. O relacionamento um-a-um oferece ao aspie a atenção não-dividida de um dos pais que neste caso age como professor e assistente. Nas escolas, ter uma assistente às vezes só causa mais stress e ansiedade, pois os jovens são vistos como diferentes pelos colegas. Assim, o ensino doméstico permite que os aspies obtenham uma educação não limitada pelo medo de serem ridicularizados ou vistos como diferentes.

6. Comportamentos agressivos, desde a falta de respeito à violência física, são experienciados por alunos de todas as idades. Nas escolas, as crianças aspies aprendem a copiar esses comportamentos, primeiro como vítimas, depois reagindo com estas reacções aprendidas. Durante a puberdade estes comportamentos aprendidos são geralmente manifestados para seu detrimento. O ensino doméstico é livre deste aspecto negativo do ensino público.

7.Quando as crianças, ou adolescentes, estão doentes ou atravessando dias difíceis, o impacto das crises que aconteceriam na escola é muito menos grave. Normalmente, com o ensino doméstico estas situações deixam de ocorrer. Nas raras ocasiões em que acontecem o tempo perdido pode ser recuperado depois de acalmarem.

8. O ensino doméstico permite que os pais controlem o progresso do desenvolvimento dos filhos. Nas escolas muitas crianças andam perdidas, sem rumo; a maioria tem pouca ou nenhuma influência nas lição dadas pelos professores; as restantes não avançam devido à incapacidade de iniciar e de filtrar as distracções, devido à falta de incentivos e devido a serem ignoradas à medida que as horas passam.

9. Os aspies estão internamente programados para trabalharem isoladamente. Embora alguns possam querer ter amigos ou praticar desporto, mesmo quando capazes de o fazer são geralmente rejeitados pelos outros. A maioria dos trabalhadores adultos com a síndrome de Aspergers preferem trabalhar sozinhos. É nesta situação que funcionam no seu melhor. Como não têm competências sociais, a escola e reuniões sociais funcionam como uma distracção. Por outras palavras, as escolas têm 3 aspectos: o programa acadêmico, o programa social e a sobrecarga sensorial. No ensino doméstico predomina o programa acadêmico; a socialização é feita principalmente em casa onde o impacto sensorial é suave em vez de severo.

10. Os aspies que aprendem em casa dizem preferir o ensino doméstico ao contacto com a escola pois, especialmente quando ainda jovens, libertam-se do peso da ansiedade crónica causada pelo regime escolar. Quando chega a altura do 12º ano muitos voltam para a escola: fortalecidos pelo período que passaram em casa, associam-se mais facilmente com os colegas, que agora estão mais maduros, menos inclinados a incomodar e mais abertos a ajudar. Alguns aspies são educados em casa até ao final do 12º ano - preferem evitar o mau ambiente, o laxismo moral e a pobre ética de trabalho presente em muitas escolas públicas e privadas."

Roland Munyard © Copyright 2006

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Emburrecendo-nos cada vez mais

Várias famílias que optam pelo ensino doméstico fazem-no conscientes do possivel impacto, nos seus filhos, do currículo oculto da escolaridade obrigatória.

"O currículo oculto é constituído por todos aqueles aspectos do ambiente escolar que, sem fazer parte do currículo oficial, explícito, contribuem, de forma implícita para aprendizagens sociais relevantes."(Silva, 2001:78)

Num discurso dado por ocasião da sua nomeação como New York State Teacher of the Year de 1991, John Taylor Gatto explicou o tipo de atitudes, comportamentos e valores que as crianças aprendem através desse currículo oculto. Deixo-vos aqui parte desse discurso:


Ensinar significa coisas diferentes em lugares diferentes, mas sete lições são ensinadas universalmente desde Harlem a Hollywood Hills.

Estas sete lições constituem um currículo nacional que é pago de muitas formas, mais do que as que consegue imaginar, por isso, não perde nada em saber como é.


A 1ª lição que eu ensino é a confusão.

Tudo o que ensino está fora de contexto. Ensino o não relacionável de tudo. Eu ensino desconexões. Ensino demasiado: a órbita dos planetas, a lei dos grandes números, escravidão, adjectivos, desenho arquitectónico, dança, ginásio, canto coral, assembleias, convidados-surpresa, exercícios de salvamento, linguagens de computador, as noites de pais, dias de trabalho de equipa, programas desactualizados, reuniões de orientação com pessoas que os meus alunos podem não voltar a ver, testes padronizados, segregação etária ao contrário do que se passa no mundo externo…O que é que estas coisas têm a ver entre si?

Até mesmo nas melhores escolas, um exame pormenorizado do currículo e suas sequências revelarão uma falta de coerência, um grande número de contradições internas. Felizmente as crianças não têm palavras para definir o pânico e a fúria que sentem face às violações constantes da ordem natural e sequencial que lhes são impingidas como educação de qualidade. É lançada a confusão nas crianças por muitos adultos estranhos, cada qual trabalhando por si, praticamente não se relacionando com os outros colegas, simulando, a maior parte deles, um saber que não possuem.

Eu ensino o não relacionável de tudo, uma fragmentação infinita, o oposto da coesão; o que faço está mais relacionado com a programação de televisão do que com a elaboração de um esquema ordenado. Num mundo onde a residência é só um fantasma, porque ambos os pais trabalham, ou por causa de muitas mudanças ou muitas trocas de emprego e muita ambição, ou porque qualquer outra coisa deixou toda a gente muita confusa para manter uma relação familiar estável, ensino os alunos a aceitar a confusão como o seu destino. Essa é a primeira lição que eu ensino.


A 2ª lição que eu ensino é a posição certa.

Ensino que os alunos têm de ficar na turma a que pertencem. Não sei quem é que toma essa decisão, mas isso também não é o meu trabalho. As crianças são numeradas para que se alguma escapar possa ser devolvida à turma certa. Ao longo dos anos, a variedade de modos como as crianças são numeradas pelas escolas aumentou dramaticamente, até que se chegou ao ponto de ser difícil ver claramente os seres humanos debaixo do peso dos números que eles transportam. Numerar crianças é uma grande e vantajosa tarefa, no entanto, aquilo que esta estratégia pretende realizar engana. Nem sei como é que os pais, sem nenhuma discussão, permitem que isto seja feito aos seus filhos.

Em todo caos, isso não é o meu trabalho. O meu trabalho é manter as crianças nas salas de aula juntamente com outras crianças que têm também têm um número como elas. Ou, pelo menos, ajudá-las a suportar isto de bom grado. Se fizer bem o meu trabalho, as crianças nem sequer se imaginam noutro lugar qualquer, porque ter-lhes-ei mostrado como invejar e temer as melhores turmas e como desprezar as turmas mais fracas. Debaixo desta disciplina eficiente, a turma autopolicia-se para que tudo funcione como está estipulado. Isso é a verdadeira lição de qualquer competição por equipas como é a escola. Aprendemos a conhecer o nosso lugar.

Apesar de as normas gerais das turmas estipularem que noventa e nove por cento das crianças estão na sua turma para ficar, ainda assim esforço-me explicitamente em exortar as crianças para níveis mais altos de sucesso, sugerindo uma eventual transferência de uma turma mais elementar como recompensa. Lembro-lhes com frequência o dia em que um empregador os contratará com base em pontuações e resultados, embora a minha própria experiência diga que os empregadores são completamente indiferentes a tais coisas. Nunca minto completamente, mas apercebi-me de que a verdade e o ensino são, no fundo, incompatíveis.


A 3ª lição que eu ensino é a indiferença.

Ensino as crianças a não se preocuparem muito com nada, embora elas queiram demonstrar que o fazem. O modo como o faço é muito subtil. Faço-o, exigindo que estejam totalmente envolvidas nas minhas aulas, prendendo-lhes a atenção, competindo vigorosamente entre si para me agradar. É animador quando elas fazem isso; impressiona qualquer um, até mesmo a mim. Quando estou no meu melhor, planifico as aulas muito cuidadosamente, de modo a produzir estas manifestações de entusiasmo. Mas quando a campainha toca, insisto que deixem tudo o que estávamos a fazer e prossigam depressa para o posto de trabalho seguinte. Elas ligam-se e desligam-se como um interruptor de luz. Nunca se consegue acabar nada de importante na minha turma, nem em qualquer outra turma que eu conheça. Os alunos nunca têm uma experiência completa, excepto no plano das recompensas.

Na verdade, a lição das campainhas é a de que nenhum trabalho vale a pena ser concluído, por isso, por que motivo nos havemos de preocupar muito com qualquer coisa?


A 4ª lição que eu ensino é a dependência emocional.

Através de elogios e reprimendas, sorrisos e caretas, prémios, honras e humilhações, eu ensino as crianças a renderem a sua vontade à predestinada cadeia de comando. Podem ser concedidos ou recusados direitos por alguém com autoridade, sem direito a apelo, porque os direitos não existem dentro de uma escola – nem mesmo o direito de opinião, como declarou o Supremo Tribunal – a menos que as autoridades escolares o permitam. Como professor, eu intervenho em muitas decisões pessoais, permitindo aquelas que considero legítimas e iniciando um processo disciplinar para os comportamentos que ameacem o meu controlo. As crianças e os adolescentes estão constantemente a tentar afirmar a sua individualidade, mas a individualidade é uma contradição para as teorias sobre as turmas, uma maldição para todos os sistemas de classificação.


A 5ª lição que eu ensino é a dependência intelectual.


Os bons alunos esperam que um professor lhes diga o que fazer. Eis a lição mais importante de todas: temos de esperar que outras pessoas, melhor preparadas do que nós, dêem significado às nossas vidas. O expert é que toma todas as decisões importantes; só eu, professor, posso determinar o que os meus alunos têm de estudar, ou melhor, só as pessoas que me pagam podem tomar essas decisões, que eu depois confirmo. Se me dizem que a evolução é um facto e não uma teoria, eu transmito isso como me foi ordenado, castigando aqueles que resistem a aceitar o modo como é suposto pensarem. Este poder de controlo sobre o que as crianças pensarão permite-nos separar muito facilmente os alunos com sucesso dos alunos com insucesso.

As crianças bem sucedidas aprendem a pensar como lhes mando com o mínimo de resistência e a dose certa de entusiasmo. Das inúmeras coisas interessantes que há para estudar, eu decido quais as poucas que temos tempo para estudar, embora, na verdade, isto seja decidido pelos meus superiores sem rosto. As escolhas são deles – porque deveria eu discutir? A curiosidade não é importante para o meu trabalho, só a conformidade.

Os maus alunos contestam isto, evidentemente, embora lhes faltem os conceitos para saber o que é que estão a contestar, lutando por poderem decidir por eles próprios o que aprenderão e quando o aprenderão.

As boas pessoas esperam que um especialista lhes diga o que fazer. Não é exagero dizer que toda a nossa economia depende do facto de esta lição ser bem aprendida.

Não se precipite a votar numa reforma radical da escola, se quiser continuar a receber um salário no final do mês. Nós construímos um modo de vida que depende das pessoas fazerem o que lhes é dito, porque não sabem dizer a si mesmas o que fazer. Esta é uma das maiores lições que eu ensino.


A 6ª lição que eu ensino é o condicionamento da auto-estima.

O nosso mundo não sobreviria por muito tempo a uma invasão de pessoas confiantes, por isso ensino que o auto-respeito das crianças deveria depender da opinião de um especialista. Os meus alunos são constantemente avaliados e julgados.

Embora algumas pessoas pudessem ficar surpreendidas com o pouco tempo ou reflexão que estes registos requerem, o peso cumulativo destes documentos aparentemente objectivos estabelece um perfil que condiciona as crianças a tomar certas decisões pessoais e outras decisões sobre o seu futuro, baseadas no julgamento casual de estranhos.


A 7ª lição que eu ensino é que ninguém se pode esconder.

Ensino aos alunos que eles estão sempre sob vigilância, que cada um deles está a ser constantemente vigiado por mim e pelos meus colegas. Não têm nenhum espaço privado; não têm nenhum tempo privado.

O significado da vigilância constante e da negação de privacidade consiste em não se poder confiar em ninguém, e que a privacidade não é legítima. A vigilância é um antigo imperativo: as crianças devem ser observadas de perto se quisermos manter a sociedade sob apertado controlo central. As crianças seguirão um tambor privado se não as conseguirmos colocar numa banda de marcha uniformizada.

Podem comprar o livro aqui.

www.johntaylorgatto.com

sábado, 10 de janeiro de 2009

O frio continua

Está tanto frio que lá fora a água continua congelada,

não sei se dá para ver bem nas fotografias...

Um close-up da urze, pelo Alan,

e uma foto tirada pelo Daniel - conseguem ver o cão?

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Número de crianças educadas em casa aumenta

Neste artigo, Ross Watson diz-nos que depois de um relatório ter revelado que o número de crianças educadas em casa em Lancashire duplicou nos últimos oito anos, para mais de 450, a Direcção Regional de Educação formou um grupo de trabalho para investigar o fenômeno.

Fiona Nicholson, presidente de Education Otherwise, a principal Associação do Ensino Doméstico no Reino Unido, aprecia a possibilidade de maior diálogo entre os praticantes do ensino doméstico e as Direcções Regionais de Educação. Acredita no entanto que as famílias que optam por esta via não precisam de ser regulamentadas pelas Direcções Regionais de Educação:

"Isso seria restringir o direito dos pais e colocar a responsabilidade legal de produzir resultados nas Direcções Regionais de Educação. De momento, o ensino doméstico continua a ser responsabilidade dos pais".

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Ensino doméstico na prática

Aprender em casa? Mas como?

As maneiras de abordar o ensino doméstico são tantas quanto o número de famílias que o praticam! A decisão do método de aprendizagem a adoptar pertence às famílias, aos pais e filhos, que podem usar qualquer método que considerem adequado.

Muitas pessoas acreditam que o sucesso na educação pode ser alcançado através de uma série de abordagens diferentes das usadas nas escolas - esta perspectiva é apoiada por pesquisas sobre a aprendizagem, e casos que chegaram a tribunal têm vindo a demonstrar que os requisitos necessários a uma educação efectiva podem ser cumpridos por várias abordagens diferentes.

Os métodos usados pela maioria das famílias que educam os filhos em casa tendem a cair algures entre os dois "extremos" da estrutura e da autonomia. Normalmente as famílias optam por determinado método no início mas à medida que a sua experiência e auto-confiança aumentam os métodos tendem a mudar.

Aprendizagem estruturada: Alguns pais gostam de ensinar formalmente, usando horários fixos, seguindo os períodos escolares e um currículo baseado nas disciplinas tradicionais ou até no currículo nacional. Às vezes esta abordagem é escolhida quando as crianças são retiradas da escola, altura em que a família aprecia a sensação de estabilidade proporcionada pela rotina habitual.

Quando os filhos vão provavelmente um dia regressar à escola, muitas famílias preferem seguir um programa de ensino semelhante ao escolar, com referências ao currículo nacional. Há casos em que são as próprias crianças que preferem uma abordagem estruturada.

Aprendizagem autónoma: Outras famílias tiram vantagem do facto de que as crianças que seguem o ensino doméstico não têm de seguir nem horários fixos nem o currículo nacional, o que lhes proporciona muito mais flexibilidade. Assim, optam por uma abordagem autónoma e, utilizando como ponto de partida os interesses e a curiosidade natural dos filhos, deixam-nos decidir o que aprender, como aprender e quando aprender. Frequentemente as crianças e adolescentes cujo entusiasmo pela aprendizagem foi seriamente afectado por problemas escolares beneficiam desta abordagem mais descontraida e centrada nos seus interesses.

Não obstante esta flexibilidade, as famílias que optam pela aprendizagem autónoma dão geralmente atenção à leitura, escrita, matemática e competências sociais. Tópicos podem ser estudados, por exemplo, através de uma árvore genealógica ou de um projecto sobre a área em que vivem.

Há famílias que gostam de se informar sobre as diferentes filosofias e sistemas educacionais antes de optarem por uma abordagem em particular. Muitas vezes isto acaba por inspirá-las a combinar uma série de ideias num sistema eclético perfeitamente adaptado às necessidades únicas dessa família.

Não existe nenhum sistema educativo adequado a todas as crianças e a todas as famílias, pois todas as crianças são diferentes, aprendendo de formas diferentes e em velocidades diferentes, e as próprias famílias têm estilos de vida diferentes umas das outras. É essencial que os pais e os filhos escolham o tipo de educação apropriado para eles, mas também é importante que sejam flexíveis e se adaptem às mudanças das necessidades dos filhos.

Hoje em dia, numa época em que a informação depressa muda e rapidamente se torna inválida, os pais não precisam "saber tudo" – o mais importante é aprender a aprender, aprender a pensar e aprender a pesquisar. Com o ensino doméstico as famílias tornam-se mais engenhosas, usam mais iniciativa, aprendem umas com as outras e apreciam o prazer da curiosidade e da descoberta.

(tradução livre - ver original aqui)

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Ensino doméstico: por quê?

Porque é que certas famílias decidem educar os filhos em casa?


Para algumas famílias, a decisão de educar os filhos em casa é o resultado de um longo processo reflexivo feito muito antes dos filhos alcançarem a "idade escolar". Embora possam haver vários motivos para a decisão, sejam eles filosóficos, religiosos ou outros, todas as famílias que optam pelo ensino doméstico sentem que, em casa, podem proporcionar uma educação mais adequada aos filhos. É também a escolha natural para os pais que, tendo apreciado um envolvimento activo no desenvolvimento dos filhos desde a nascença, não vêem motivos para abdicar dessa responsabilidade quando estes atingem a idade escolar.


Há pais mandam os filhos para a escola mas depois vêem a infelicidade que isso lhes causa. Nem todas as crianças se adaptam à escola. Às vezes têm dificuldades de "encaixe", algumas podem ter problemas ou necessidades especiais como a dislexia e a síndrome de Asperger, outras são vítimas de violência escolar, sofrendo diária e gravemente nas mãos de bullies, outras têm ataques de ansiedade e, em casos extremos, desenvolvem a fobia escolar.

Às vezes, as crianças ou adolescentes sentem que há um grande desfazamento entre o modo como a escola ensina e o modo em que melhor aprendem; e muitas vezes os pais não estão satisfeitos com a educação dada nas escolas. Várias famílias estão convencidas que, em casa, podem atender às necessidades individuais dos filhos muito melhor do que a escola o poderia alguma vez fazer.

Estes são alguns dos motivos que levam certas famílias a optar pelo ensino doméstico. É uma decisão que só vocês podem tomar, mas conversar com outras famílias que praticam o ensino doméstico e passaram pela mesma situação pode ser útil.

Na internet há um grupo do ensino doméstico, "dedicado a quem pretenda saber mais e contribuir para um ensino alternativo às escolas, a jovens com necessidades especiais e a pais que acreditam que podem contribuir de forma positiva para uma sociedade melhor educando os seus filhos em casa". Se quiserem saber mais e entrar em contacto com o grupo, só precisam de clicar aqui.

(A maior parte da informação aqui contida foi adaptada daqui.)

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

O que é o ensino doméstico

"O ensino doméstico é uma alternativa à escola; qualquer família pode optar por esta via. No ensino doméstico, os pais decidem ser os principais responsáveis pela educação dos seus filhos em vez de a delegarem à escola - por lei, este é um dos seus direitos.

A maioria das pessoas manda os filhos para a escola para estes serem educados mas, ao contrário da crença popular, educar os filhos em casa é legal e razoável. Se vocês pensam que não são suficientemente ricos para educar em casa, lembrem-se que milhões de famílias pelo mundo fora estão, neste momento, praticando o ensino doméstico.

A maioria dos pais-educadores não são professores de profissão. Ao penetrarem nesta via depressa descobrem como a realidade do ensino doméstico é diferente das expectativas ou medos que inicialmente tinham. Quando começam a praticar o ensino doméstico descobrem que podem concentrar-se apenas nas áreas que querem, quando querem, que não é caro, que as crianças não se sentem sozinhas, que podem fazer exames se quiserem, e que é possível educar crianças com necessidades especiais.


E a socialização?


A palavra socialização, ao contrário de algumas opiniões, não significa passar os dias da semana competindo com trinta e tal outros seres humanos da mesma idade. Nas comunidades naturais, as crianças passam os dias com pessoas de todas as idades, desde bebés a idosos.

Elas não competem; em vez disso, aprendem a estar conscientes das necessidades dos outros e a ajudá-los a viver e aprender. Esta faixa etária mista e este hábito de ensinar e ajudar os outros, e de ser ajudado e ensinado por pessoas mais jovens ou mais velhas, é parte natural do ensino doméstico."

Original: aqui e aqui.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Ele não devia estar aqui!


é o título de um artigo escrito por Kevin Foley, autor de Asperger Solution.

Aqui fica um excerpto da introdução:

Sabemos que o icebergue está ali - mas continuamos seguindo em frente, a pleno vapor!

Existe uma alta incidência de depressão entre os jovens com a Síndrome de Asperger.

A ansiedade crónica pode levar à depressão.

Para a maioria dos adolescentes com a Síndrome de Asperger, a escola secundária é causa de ansiedade crônica.


Não faz sentido ignorar a ligação entre os níveis de ansiedade e depressão experienciados pelos jovens autistas nas escolas secundárias. No entanto, ignorar é o que fazemos.

Escrevo como alguém que passou 25 anos preparando jovens para a universidade e os últimos 4 educando o meu filho em casa. Quando ele chegou à "beira do abismo", 2 anos depois de ter entrado para a escola secundária, não tive outra alternativa senão optar pelo ensino doméstico.

O ensino doméstico tem sido muito bom para o Sean, que recentemente obteve um diploma em história com notas muito boas. Mais importante do que o resultado foi o processo - ele próprio organisou o seu programa de revisão e aderiu a ele, demonstrando grandes melhoras na sua capacidade executiva.

O seu interesse por história transformou-se numa paixão pela genealogia; ele agora tem um site na internet e uma lojinha no mercado de produtos de cultivo orgânico aqui da zona.

Se tivéssemos aderido a uma via mais convencional, este seu projecto, que tanto beneficiou a sua auto-estima, nunca se teria concretizado; estou convencido que teria sucumbido à depressão e muito possivelmente arruinado o seu futuro."

Tradução livre, publicada com permissão do autor.

domingo, 4 de janeiro de 2009

Tony Attwood: ensino doméstico e aspergers

No artigo que mencionei aqui, Kevin Foley cita Tony Attwood, um verdadeiro guru no que diz respeito à Síndrome de Asperger.

Aqui fica uma tradução livre dessa citação:



"Temos tido casos de sucesso na redução da ansiedade - e na aprendizagem em geral - com a implementação de dias de folga durante o ano lectivo, escola a meio-tempo ou transferência para o ensino doméstico.

Os pais e professores estão muitas vezes conscientes de que os períodos escolares são demasiado longos para as crianças e adolescentes, e dos sintomas de ansiedade crônica que frequentemente demonstram.

Assim como os alunos que estão doentes ficam alguns dias em casa, os alunos com a síndrome de Asperger precisam de dias de folga regularmente pois isso permite-lhes sobreviver o ano lectivo.

Quando a ansiedade é extrema, o ensino doméstico tem sido um sucesso, especialmente com os adolescentes. Seguindo esta abordagem, esta alternativa positiva, podemos evitar o uso de medicamentos fortes e possiveis internamentos em hospitais psiquiátricos."

sábado, 3 de janeiro de 2009

O ano que passou...

Janeiro 2008 - 3 semanas na India


Fevereiro 2008 - muitos passeios à beira do canal e do rio.


Março 2008 - ensinamentos de Rizong Rinpoche,

um fim de semana explorando a mente com Tony Williams (photostory aqui) e muitos passeios, em Saltford, Bath, no canal de Bathampton, à beira do rio Avon, etc...

Abril 2008 - 2 semanas no Algarve

Photostories aqui e aqui.

Maio 2008 - 5 dias em Nottingham,
ouvindo os ensinamentos do Dalai Lama durante a sua visita à Inglaterra.


Junho 2008 - retiro com Alan Wallace,

num centro budista no País de Gales (mais fotos aqui), acampando num quintal onde cultivam vegetais orgânicos...

(ver mais aqui e aqui).

E, já me esquecia, através de um grupo-yahoo que criei há 2 anos e continuo a moderar, 53 famílias que seguem o ensino doméstico em Bath e arredores conseguiram entrar em contacto umas com as outras e começaram, a partir deste mês, a organisar actividades educacionais e sociais para as crianças.

Julho 2008 - começámos a visitar Bristol


Agosto 2008 - 2 semanas em Bristol a pintar paredes...

(não gosto nada desta foto mas é a única que tenho desta fase...)

Setembro 2008
- mais 2 semanas a pintar paredes: 3 quartos, 2 salas, a cozinha, casa de banho, 2 corredores e já nem sei quantas portas!


Outubro 2008 - o Daniel fez 15 anos (photostory aqui), eu fiz 42,

e as traduções de textos budistas que fiz para o Dr. Berzin foram publicadas na internet.

Novembro 2008 - os meus pais passaram cá umas semanas

e, após o seu regresso a Portugal, as preparações para a mudança continuaram,

comigo a esvaziar o apartamento, dando as mobílias que tinha através do freecycle.

Dezembro 2008 - Mudanças, Natal e Casamento!

Finalmente mudámos de casa! Mesmo à última da hora, lá conseguimos organisar o Natal e o casamento: o Daniel foi o fotógrafo, o "senhor dos anéis" e uma das testemunhas do nosso casamento.

E assim se passou mais um ano! Só faltou mencionar Raising Aspies, um grupo de apoio às famílias que vivem com a síndrome de Asperger - encontramo-nos uma vez por mês.