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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Citações - Samuel Butler


"Fico às vezes imaginando como é que o mal causado pela escola às crianças e jovens não deixa, a maior parte das vezes, marcas mais claramente perceptíveis, e como é que os moços e as moças conseguem crescer tão sensatos e bons, a despeito das deliberadas tentativas feitas pela escola de entortar ou mesmo interromper o seu desenvolvimento.

Alguns, sem dúvida, sofrem tantos danos que sentem os seus efeitos até o fim da vida. Mas muitos parecem não se deixar afectar pela vida da escola e uns poucos até se saem bem. A razão disso parece ser que o instinto natural dos jovens se rebela de forma tão absoluta contra a formação que recebem na escola que, não importa o que possam fazer os professores, nunca conseguem que seus alunos os levem suficientemente a sério".

[Samuel Butler, em Erewhon, passagem citada por Karl Popper como moto de uma secção de "Replies to My Critics", in The Philosophy of Karl Popper, org. por Paul Arthur Schilpp (Open Court, La Salle, IL, 1974), Vol. II, p. 1174]

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Leo Tolstói - a escola

"As crianças, em todos os lugares do mundo, são obrigadas, pela força, a frequentar a escola.

Na verdade, os pais são obrigados a enviar os filhos à escola, seja pela severidade da lei, seja porque se lhes prometem vantagens, seja por uma retórica que os ludibria.

Fora da escola, as pessoas, em geral, em todos os lugares do mundo, aprendem e estudam por vontade e iniciativa própria e consideram a educação como algo bom. Como é que isso se dá?

A necessidade da educação é sentida por todos os homens. As pessoas adoram aprender, amam a educação e a buscam, da mesma forma que amam e buscam o ar que respiram. O governo e a sociedade têm enorme desejo de educar o povo. E, todavia, a despeito do uso da força, da persistência do governo e da sociedade, e de todas tentativas de ludibriar o povo a aceitar a importância da escola, as pessoas do povo constantemente manifestam insatisfação com a educação que lhes é fornecida na escola e só se submetem a ela pela força, quando a escolarização é tornada obrigatória.

É possível provar a justiça do método actual da escolaridade compulsória? É difícil descobrir se existem métodos melhores, porque até aqui as escolas nunca foram realmente livres. É verdade que no nível mais alto do processo de escolarização – a universidade – tenta-se implantar um regime mais livre. Será que, talvez, nos níveis inferiores a escolarização deva ser realmente obrigatória? Será que, talvez, a experiência um dia ainda nos vá provar que escolas de frequência compulsória são boas? Vamos examinar essas escolas, não pela consulta às tabelas estatísticas que nos são fornecidas, mas tentando descobrir o que elas realmente são e fazem e qual o seu real impacto sobre as crianças do povo.

Quando examinamos as escolas de frequência obrigatória, é isto que a realidade nos mostra: as escolas apresentam-se às crianças como uma instituição destinada a torturá-las – uma instituição em que elas são privadas do seu principal prazer e necessidade: a movimentação livre; em que obediência e silêncio são exigidos como condição de permanência; em que elas precisam de autorização especial para ‘sair um minutinho’ da sala de aula; em que qualquer acção errada é imediatamente punida.

Quanto aos resultados da acção da escola sobre as crianças do povo, se atentarmos para a realidade e não para as tabelas estatísticas, somos forçados a concluir: nove décimos da população escolar retiram da escola apenas um conhecimento mecânico da leitura e da escrita; por outro lado, saem da escola com uma aversão tão grande em relação aos caminhos do conhecimento que foram obrigadas a trilhar que nunca mais na vida põem as mãos num livro.

A escola consegue não só inculcar nos alunos uma aversão à educação, como também os induz a praticar a hipocrisia e a trapaça, em decorrência da posição não-natural em que os coloca.

A educação deve ser apenas uma busca de resposta às questões que a vida nos coloca. Mas a escola não só não permite que os alunos ali levantem questões que lhes interessam como se nega a tentar ajudar os alunos a responder às questões que a vida fora da escola os força a confrontar. Ela fica eternamente respondendo às mesmas questões – mas essas são questões que não são levantadas pela mente das crianças.

Basta olhar para as crianças em casa ou na rua, e na escola. Em casa ou na rua vemos crianças vivazes, curiosas, sorrindo, explorando e tentando aprender tudo, da mesma forma que exploram e buscam prazeres, expressando os seus pensamentos com as suas próprias palavras, com clareza e, frequentemente, com força e eloqüência.


Na escola, observamos seres como que aposentados da vida, cansados e com expressões de fatiga, tédio, enfado e por vezes terror, repetindo palavras estranhas numa língua estranha – seres cuja alma, como nos caracóis, se esconde dentro da própria casa.

Basta comparar estas duas condições em que observamos as crianças para constatar, sem sombra de dúvida, qual delas é mais vantajosa para o seu desenvolvimento. A natureza compulsória da frequência à escola impede que a criança ali se eduque."

[Leo Tolstoi, "Sobre Educação Popular", em Artigos Pedagógicos, 1862, traduzido do Russo para o Inglês por Leo Wiener (Dana Estes & Co., Boston, 1904), passagens retiradas das pp. 7-18 (ênfases acrescentadas). Citado apud Daniel Greenberg, Announcing a New School: A Personal Account of the Beginnings of the Sudbury Valley School (The Sudbury Valley School Press, Framingham, MA, 1973, p. 175)]

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

A vontade natural de aprender

por Jan Hunt, psicóloga e directora do Natural Child Project.
Versão original, em inglês, aqui.

Nós educamos o nosso filho em casa. Às vezes pergunto-me quem mais aprende com o processo, se nós ou ele. O termo "aprender em casa" ou "ensino doméstico" é enganoso. As crianças que seguem este regime não passam a maior parte do tempo fechadas em casa; além disso, os métodos de aprendizagem são diferentes dos usados nas escolas. Na verdade, muitos dos pressupostos do ensino público são opostos aos da auto-aprendizagem.

O elemento mais importante para o sucesso da aprendizagem autónoma é confiar. Confiar que as crianças sabem quando estão prontas para aprender aquilo que querem aprender e confiar que sabem aprender. Embora este modo de pensar possa parecer estranho, todos os pais sabem que é assim que os filhos aprendem nos 2 primeiros anos de vida: eles aprendem a andar, a falar e a fazer uma série de outras coisas importantes e difíceis, sem grandes ajudas de ninguém.

Os pais não perdem tempo preocupando-se que se calhar o bébé é preguiçoso, indisciplinado ou sem vontade de aprender; partem do princípio que nasceu com vontade de aprender tudo que precisa saber para participar no mundo que o rodeia. Estes pequenos especialistas ensinam-nos vários princípios da aprendizagem:

As crianças são curiosas por natureza e a vontade de aprender sobre o mundo que as rodeia é intrínseca.

John Holt, no seu livro 'Como as Crianças Aprendem', descreve como as crianças aprendem naturalmente:

"As crianças são curiosas. Elas querem compreender as coisas, descobrir como é que as coisas funcionam, desenvolver capacidades e obter controle sobre si mesmas e sobre o seu ambiente - querem fazer tudo o que vêem os outros fazer. São receptivas, perspicazes e empíricas. Não se limitam a observar. Não se fecham para o mundo estranho e complexo que as rodeia. São audaciosas e não têm medo de errar. São pacientes e conseguem tolerar níveis incríveis de dúvida, confusão, ignorância e suspense... A escola não é um sítio que ofereçe tempo, oportunidade ou recompensa para o modo de pensar e de aprender das crianças".

As crianças sabem qual é, para elas, a melhor maneira de aprender.

Se as deixarmos à vontade, as crianças sabem instintivamente qual é o melhor método para elas. Pais zelosos e atentos depressa aprendem a confiar nisto. Dizem para o bébé: "Oh! que interessante, estás a aprender a descer as escadas de costas!", em vez de: "Assim está errado". Sabem que há várias maneiras de aprender a mesma coisa e confiam nas escolhas dos filhos.

As crianças precisam de solitude e privacidade.

Pesquisas demonstram que as crianças que mais fantasiam aprendem melhor e têm mais facilidade de lidar com a frustração do que as que perderam essa capacidade de fantasiar. Mas fantasiar requer tempo, e o tempo é um dos valores mais ameaçados das nossas vidas. A programação intensiva do horário escolar e das actividades extracurriculares não deixam muito tempo para sonhar, pensar, encontrar soluções para problemas e enfrentar situações de estresse, e nutrir a necessidade universal de solitude e privacidade.

As crianças não têm medo de não saber nem de cometer erros.

John Holt observou que quando convidava crianças de idade pré-escolar para tocar violoncelo elas aceitavam imediatamente enquanto que as mais crescidas e os adultos recusavam.

As crianças que seguem a abordagem da auto-aprendizagem, livres da intimidação da exposição pública de notas baixas, continuam a querer explorar novas áreas. As crianças aprendem fazendo perguntas e não respondendo às perguntas dos outros. Antes de irem para a escola, e nos primeiros tempos em que lá andam, fazem muitas perguntas mas depressa aprendem o triste facto de que na escola é mais importante protegerem-se, escondendo que não sabem, do que tentarem compreender melhor determinado tema - por mais interessante que seja.

As crianças têm prazer em aprender por aprender.

Não é preciso motivar as crianças com recompensas, como boas notas ou estrelinhas nos cadernos, sugerindo que, em si, as actividades são difíceis ou desagradáveis. Os pais mais sensatos dizem: "Adoras esse livro!" e não "Quando acabares de ler o livro vais ganhar um chocolate".

As crianças aprendem a relacionar-se com os outros convivendo com pessoas de todas as idades.

Os pais não dizem aos filhos: "Só podes falar com crianças da tua idade. Este menino tem dois anos. Podem olhar um para o outro, mas não podem conversar nem brincar!"

John Taylor Gatto, eleito Professor do Ano do estado norte-americano de Nova Iorque, afirma: "É absurdo, é anti-vida... estarem sentados e fechados em salas com pessoas exactamente da mesma idade e classe social. Esse sistema consegue alienar-nos da enorme diversidade da vida".

As crianças aprendem sobre o mundo quando elas próprias o experienciam.

Nenhuma mãe diria ao filho: "Pára de olhar para essa lagarta! Vai já lá para dentro, senta-te na secretária e estuda o livro sobre as lagartas". No ensino doméstico, seguindo a abordagem da auto-aprendizagem, as crianças aprendem em contacto directo com o mundo. O meu filho diz que aprender em casa é "aprender-fazendo em vez de ser-ensinado". Ironicamente, a objecção mais comum ao ensino doméstico, por pessoas que não o entendem, é que as crianças "são privadas do mundo real".

As crianças precisam de tempo com a família.


O professor Gatto alerta: "O tempo das crianças é completamente devorado pela escola e pela televisão. Isso destruiu a família norte-americana". As crianças educadas em casa têm consciência de que o convívio com a família é um dos maiores benefícios dessa vivência. Do mesmo modo que presenciei os primeiros passos e as primeiras palavras do meu filho, também tive a honra de partilhar o mundo das suas ideias. Aprendi mais sobre a vida, a aprendizagem e o amor durante os anos que passei com ele do que poderia ter aprendido de outra fonte.

O estresse interfere com a aprendizagem.

Einstein escreveu: "É um erro gravíssimo acreditar-se que o prazer de observar e pesquisar pode ser desenvolvido através da coerção". Quando, no processo de aprender a andar, um menino de 1 ano cai, dizemos: "Muito bem!!" Os pais mais atentos não dizem: "Um bébé da tua idade já devia saber andar! Quero ver-te a andar antes da próxima sexta-feira!"

A maioria dos pais compreende que é difícil aprender seja o que for quando somos pressionados, ameaçados e nos dão más notas. John Holt alerta que "quando sentimos medo ou ansiedade ficamos bloqueados e até incapazes de pensar e de agir ... quando amedrontamos as crianças, bloqueamos totalmente a sua aprendizagem".

Enquanto as crianças mais pequenas nos ensinam imenso sobre o processo de aprendizagem, as escolas adoptam princípios muito diferentes, devido às dificuldades de se ensinar quantidades enormes de crianças da mesma idade num ambiente coercivo. A estrutura da escola (frequência obrigatória, matérias e livros escolhidos pela escola e frequentes avaliações do desempenho das crianças) parte da premissa de que as crianças não aprendem naturalmente e que precisam de ser ensinadas à força.

Ninguém precisa dessa estrutura. O sucesso da aprendizagem autónoma (crianças educadas em casa superam as que frequentam escola em termos de desempenho acadêmico, socialização, confiança e auto-estima) prova que os métodos padronizados inibem tanto a aprendizagem como o desenvolvimento pessoal.

O ensino doméstico é uma tentativa de seguir os princípios da aprendizagem natural e de ajudar a preservar a curiosidade, o entusiasmo e o amor de aprender que todas as crianças possuem.

A aprendizagem autónoma é, nas palavras de Holt, uma questão de fé. "A fé que somos, por natureza, animais que aprendem. As borboletas voam, os peixes nadam, os seres humanos pensam e aprendem. Nós não precisamos de motivar as crianças a aprender através de subornos, elogios e castigos. Não precisamos de continuar a esmiuçar as suas mentes para nos certificarmos de que estão a aprender. Precisamos apenas de lhes dar a ajuda e a orientação que nos pedem, de ouvi-las atentamente quando querem falar e depois deixá-las à vontade. Podemos confiar que elas farão o resto".

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Livro de John Taylor Gatto

Aqui fica mais um livro, desta vez em inglês...

Jean Jacques Rousseau - Educação

"Que pensar então dessa educação bárbara que sacrifica o presente a um futuro incerto, que cumula a criança de cadeias de toda espécie e começa por torná-la miserável a fim de preparar-lhe, ao longe, não sei que pretensa felicidade de que provavelmente não gozará nunca?" (Emílio, Livro II)

terça-feira, 24 de fevereiro de 2009

Alvin Toffler sobre a educação

“Os analfabetos do futuro não serão aqueles que não sabem ler ou escrever, mas aqueles que não sabem aprender, desaprender, e reaprender.”

sábado, 21 de fevereiro de 2009

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

O que é o dinheiro?


Continua aqui.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

sábado, 14 de fevereiro de 2009

Pedagogia Do Oprimido - Paulo Freire

Aqui fica mais um livro. Se clicarem no quadradinho em cima à direita as páginas ficarão do tamanho do ecrã. Depois de aberto, se quiserem voltar ao blog, cliquem na cruzinha em cima à direita. Versão PDF aqui.

Por onde andámos

Mais um passeio em Portishead...





sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Desescolarizar a sociedade

Tal como Ivan Illich, também eu “espero que os vossos netos hão-de viver numa ilha onde já não será necessário ir à escola assim como hoje [não é necessário] ir à missa”.

“A escola, que funcionou no século passado para derrubar o feudalismo, tornou-se agora um ídolo opressor que só protege aqueles que já educou. As escolas qualificam e, portanto, desqualificam. E fazem o desqualificado aceitar a sua própria sujeição”.

“Sociedade sem escolas” de Ivan Illich

Podem ler este livro AQUI

Educação espiritual

Robert Happé fala sobre os problemas do actual sistema de ensino 19mns depois do início da entrevista.



"Temos de perceber que todos nós fomos programados para pensar de determinada forma. O governo parece ser nosso amigo, os professores parecem ser nossos amigos, mas não transmitem o que é bom para nós, não nos ensinam o nosso valor, as nossas qualidades, não nos lembram que somos seres criadores.

Em vez disso, ensinam a copiar. Por isso poucas crianças gostam da escola, pois elas sentem que algo está errado. Os jovens não são convidados a questionar e a melhorar as coisas, apenas a repetir.

Nesse modelo, em que
somos constantemente examinados, somos tratados como números. Quando as crianças fazem os testes são bons robôs. As que são criativas escrevem aquilo que pensam e, por isso, são maus robôs. Com essa manipulação, roubam a identidade às crianças.

Temos de fazer com que as pessoas saibam que não são robôs, mas seres criadores. Damos valor aos conhecimentos acadêmicos, mas precisamo-nos lembrar de quem somos. Esse é o conhecimento que devemos adquirir."

Mais sobre a educação espiritual aqui.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

As causas do bullying

De onde vem a mentalidade bully?

Este artigo de Roland Meighan foi publicado na revista Parentalidade Natural em Junho de 1998. Podem ler o original aqui.

"O problema com a maioria dos debates sobre o bullying é que se concentram no problema imediato de como lidar com a última crise. Como agora já existem muitos livros, folhetos e artigos sobre essa questão, pretendo ir além dos sintomas e examinar as causas desta doença.

As causas do bullying são normalmente ignoradas ou disseminadas como alguma fraqueza de carácter. Contudo, Alice Miller, em livros como For Your Own Good, propõe que a mentalidade bully é aprendida.

Ela conclui, a partir da sua pesquisa, que "todos os perseguidores foram, no passado, vítimas", e demonstra como todos os membros do Terceiro Reich tiveram o mesmo tipo de educação, uma educação baseada na constante dominação (relação dominante-dominado), a que ela chama “pedagogia venenosa”.

Não pretendo analisar o regime de Hitler mas o que se está passando actualmente. A escola, baseada no actual modelo de centros de confinamento obrigatório, é, ela própria, uma instituição bully. Numa democracia ninguém deveria ser detido contra sua vontade a não ser que tenha cometido um crime. Que crime cometeram as crianças para justificar a detenção? O único “crime” parece ser a sua tenra idade.

Tendo detido as crianças por compulsão, excepto os que optaram pelo ensino doméstico, as escolas utilizam um currículo bully – um Currículo Nacional obrigatório ou outro programa qualquer que impõem de igual modo. Poderíamos usar um currículo democrático, se quiséssemos; o currículo-catálogo, por exemplo, proporciona um leque mais-ou-menos ilimitado de possibilidades na aprendizagem e permite que os alunos sigam os seus próprios interesses.

A noção da imposição, por parte dos adultos, daquilo que consideram como "boa" educação, está tão enraizada que quando uma escola decide operar de outra forma a reacção é enorme. Os alunos de Sudbury Valley High School, nos E.U.A., não têm horários nem lições até as pedirem ou decidirem organizá-las. A escola usa currículos direccionados pelos alunos.

O currículo bully é imposto pela pedagogia bully, cada vez mais preferida, do ensino formal dominado pelo professor. Muitos concordam com Alice Miller, que este tipo de pedagogia é venenosa.

Rosalind Miles intitulou o seu livro As crianças que merecemos. Paul Goodman escolheu o título de Deseducação Compulsória e Chris Shute usa o conceito da Síndrome da Escolaridade Obrigatória. Noutro livro, Emburrecendo-nos cada vez mais: O Currículo Oculto da Escolaridade Obrigatória, John Taylor Gatto, diz o seguinte:

"Comecei a perceber que as campainhas e o confinamento, as sequências sem sentido, a segregação etária, a falta de privacidade, a vigilância constante e todo o resto do currículo nacional e do sistema escolar foram planeados como se alguém tivesse decidido fazer tudo para que as crianças não aprendessem a pensar e agir a fim de as tornar dependentes."

Decidiu mudar o seu estilo de ensino, dar às crianças espaço, tempo e respeito e ver o que aconteceria. O que aconteceu foi que as crianças aprenderam tanto que ele foi nomeado professor do ano em Nova Iorque várias vezes.

Gatto apercebeu-se que estava a ser pago para ensinar um currículo oculto, não explícito. Viu que este currículo oculto é composto por sete ideias. A primeira é a confusão. Era obrigado a ensinar factos desconectados em vez de significados, fragmentação em vez de coesão, ferramentas de jargão superficial em vez de entendimentos genuinos. A segunda ideia é a classe. Ao forçar os alunos a participarem na competição manipulada pelo sistema escolar estava ensinando-os a aceitar o seu lugar . A terceira lição é a da indiferença. Apercebeu-se que era pago para ensinar as crianças a não se interessarem por nada.

A quarta lição é a dependência emocional pois, através de notas e avaliações, certos e errados, estrelinhas e autocolantes, sorrisos e más caras, era obrigado a ensinar as crianças a submeterem a sua vontade à autoridade. A ideia seguinte é a dependência intelectual. Os alunos têm de aprender que as boas pessoas esperam que os especialistas lhes digam o que fazer e o que acreditar. A ideia seguinte vem daqui - ensinar que a auto-estima é dependente dos outros. A auto-estima é determinada por aquilo que os outros dizem sobre nós nos relatórios e avaliações. Os jovens habituam-se à ideia de que o seu valor equivale ao valor que os detentores do poder lhes dão; aprendem desse modo a ignorar qualquer auto-avaliação. A última, a sétima lição, é que não se podem esconder. São vigiados constantemente por professores, pais e outros alunos, e a privacidade é desaprovada.

As respostas à sua análise são previsíveis, diz Gatto, afirmando que “não poderia ser de outro modo”: "O grande triunfo da escolarização pública, obrigatória e em massa, é que, mesmo entre os meus melhores colegas professores, e entre os pais dos meus melhores alunos, apenas um pequeno número é capaz de imaginar uma maneira diferente de fazer as coisas. "

A escola, conclui Gatto, é uma sentença a 12 anos de prisão onde maus hábitos são a única coisa que realmente se aprende. A escola 'escolariza' muito bem, mas na prática não educa nada. Toda essa escolaridade, no entanto, é a preparação ideal para acreditarmos nas outras instituições que nos controlam, como por exemplo a televisão.

O actual sistema de ensino é reforçado por um agressivo sistema de avaliação e inspecção obrigatória. A mensagem não explícita mas poderosa deste sistema é a de que os adultos obtêm o que querem através do bullying. Há pelo menos três tipos de resultados deste modelo de escolaridade. Os alunos de 'sucesso' tornam-se os bullies oficialmente sancionados em posições dominantes de autoridade; tornam-se os políticos, médicos, professores, funcionários, jornalistas e afins, seguindo agressivamente as suas carreiras.

A maioria dos "menos sucedidos" aprende a aceitar a mentalidade de vítima – a atitude mental submissa e dependente. Essas pessoas precisam que alguém lhes diga o que pensar e fazer, porque o sistema fez com que nunca aprendessem a conectar os factos.

O terceiro resultado é a produção de grupos de bullies free-lancer que se tornam problemáticos e acabam em situações problemáticas. Até substituirmos este modelo de dominação por um modelo diferente, as causas do bullying continuarão. Como Jerry Mintz relata dos EUA: "Os miúdos americanos gostam de ver violência na TV e nos filmes, porque são vítimas de violência, tanto na escola como em casa. Isso cria uma raiva enorme... O problema não é a violência na TV. Esse é um sintoma ... O verdadeiro problema é a violência dos lares punitivos e sem carinho, e da escolaridade obrigatória, arrasante e destrutiva, ambas apresentadas, incompreensivelmente, com um sorriso."

Nós podemos fazer melhor do que o ensino baseado na dominação; eu aplaudo o trabalho de professores como John Taylor Gatto, que começam a afastar-se da dominação em direcção à participação, partilha do poder e relacionamentos democráticos. Eles organizam grupos que funcionam democraticamente. A participação dos pais é genuína. Elaborarem lições e aulas com base em princípios de cooperação. Fazem com que as crianças, como disse o meu filho, consigam "encontrar pedaços do tesouro nos destroços." Mas a consciência de que este sistema é um destroço é crucial para que as crianças e os jovens consigam sobreviver à experiência e encontrar algo de positivo nela. Como disse um jovem, depois de ler um livro de citações sobre a educação: "Agora que sei que existem outras pessoas que vêem que a escola não vale nada, consigo lidar com isto."

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Bullying nas escolas

... é o título de um artigo que saiu ontem no jornal. Aqui fica o parágrafo inicial e o link:

"Alunos tímidos e “diferentes” são os que mais sofrem. Medo, submissão, baixa da auto-estima, são algumas das consequências do bullying sentidas pelas vítimas. De acordo com a UNESCO, 25 a 50 por cento da classe estudantil portuguesa é vítima deste fenómeno, que inclui agressões, insultos, humilhações e provocações verbais de forma repetida e sistemática. Um problema social a que muitos preferem fechar os olhos."

Ler mais...

Citações: Herbert Spencer

Que significa dizer que o governo deve educar o povo? O povo deve ser educado porquê? Qual é o objectivo dessa educação? É óbvio que é para moldar as pessoas para a vida social - para torná-las bons cidadãos. E quem é que define "bons cidadãos"? O governo: não há outro juiz. E quem é que decide como produzir esses "bons cidadãos"? O governo: não há outro juiz.

Daí, a proposição é convertível no seguinte: o governo deve moldar as crianças em bons cidadãos, utilizando a sua própria definição de "bom cidadão" e decidindo como se devem moldar as crianças.

Herbert Spencer, 1850

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Ensino público - nove mitos


1. As escolas públicas são essenciais para a coesão social, que de outra forma não poderia existir. A ordem pública, burocratizada, é a nossa defesa contra o caos e a anarquia.

2. A socialização das crianças em grupos vigiados por agentes do Estado é essencial; sem esse processo as crianças não aprenderiam a lidar com outras pessoas numa sociedade pluralista.

3. Crianças de origens diferentes e de famílias com crenças diferentes devem ser misturadas. Robert Frost estava errado ao afirmar que "bons muros produzem bons vizinhos".

4. O conhecimento oficialmente certificado dos professores é superior ao dos leigos, incluindo ao dos pais. A protecção das crianças contra os não-licenciados é algo de interesse público.

5. A coerção em nome da liberdade é um uso válido do poder do Estado. Obrigar as crianças a arrebanharem-se em grupos pré-determinados durante períodos pré-determinados, estudando textos pré-determinados com supervisores pré-determinados não interfere no processo da aprendizagem.

6. As crianças, à medida que vão crescendo, inevitavelmente desenvolvem crenças diferentes das dos pais; este processo deve ser apoiado e incentivado, diluindo a influência parental e desencorajando a atitude, por parte das crianças, que os pais são soberanos em espírito e moralidade.

7. O mundo está cheio de pais malucos que vão arruinar os filhos. Uma das grandes preocupações da escola é a de proteger as crianças contra os pais.

8. As famílias não se devem preocupar muito com a educação dos seus filhos, mas devem fazer todos os esforços para contribuir financeiramente para a educação de todos.

9. O Estado é responsável pela educação, moral e crenças. As crianças educadas fora do seu escrutínio tornam-se frequentemente anti-sociais e acabarão na pobreza.

John Taylor Gatto

www.johntaylorgatto.com

sábado, 7 de fevereiro de 2009


Pyzam Family Sticker Toy

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Por onde andámos...





Questionar supostos conhecimentos

Em relação à síndrome de Asperger, Jan Fortune Wood não acredita em rótulos; e no que toca à educação, acredita na autonomia: os seus 4 filhos aprendem em casa.

É autora de dois livros sobre parentalidade não-coerciva e autonomia na educação, ambos publicados pela Educational Heretics Press.

Contribuiu também para o livro Home Educating Our Autistic Spectrum Children com um capítulo intitulado "Viver sem o rótulo". Aqui fica um parágrafo:

"As crianças rotuladas com a Síndrome de Asperger não precisam de mais estrutura e orientação nas suas vidas, muito pelo contrário!

Necessitam, principalmente, de não serem vistas como produtos ou objectos definidos por uma lista de observações subjetivas. Necessitam de pais que estão sempre do seu lado, pais que não lhes impôem nem as suas próprias agendas nem as agendas de supostos especialistas em nome de apoio amoroso; pais que simplesmente as ajudam a viver as suas próprias vidas, vidas em processo, intrinsecamente motivadas.

Isso exige que os pais estejam radicalmente dispostos a questionar e abandonar uma série de suposições tidas como verdades absolutas sobre a educação, a psicologia e a parentalidade, isto para citar apenas algumas àreas. Exige que vão contra a corrente e, muitas vezes, contra as opiniões de supostos especialistas. Não é um caminho fácil. Não é um caminho negligente. É um caminho moral."

O site da família, sobre o ensino doméstico, encontra-se aqui.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Esta manhã

Quando acordámos, estava tudo branquinho...
Felizmente cá dentro de casa está muito mais quentinho!

"A neve e as tempestades matam as flores,
mas nada podem contra as sementes".

Khalil Gibran

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O que temos andado a fazer

Tem feito um frio danado, e hoje ainda não parou de nevar!

Mas lá por isso não deixámos de ir à aula de japonês com a Megumi, perto desta rua. O Daniel gostou e quer continuar.

Eu, é claro, não consegui acompanhá-lo. De vez em quando ficava de boca aberta ouvindo-o responder em japonês, o quê exactamente não me perguntem que não sei!

Durante a aula a Megumi só fala japonês. Eu lá consegui reconhecer uma palavra ou outra mas a maioria entrava-me por um ouvido e saia-me pelo outro. A diferença? A motivação! Ele está motivado, eu não. Ele quer aprender japonês, eu não... Por isso ele retém a informação e eu não.

Dos anos de alemão e latim que "aprendi" na escola não me lembro de nada! Na escola aprendi a passar testes, a memorizar, temporariamente, para esquecer logo de seguida. As notas dos testes não significam nada. Em alemão tive 17, em latim passei à rasquinha. A verdade é que não sei falar nem alemão nem latim. Mas quando vim para aqui os "problemas de memória" desapareceram - do inglês não me esqueço, não! Como Platão dizia, os conhecimentos adquiridos sob compulsão não ficam na memória.

Voltando à cultura japonesa, andámos a explorar as origens de um dos seus sistemas de escrita, chamado kanji. Além disso, como tinhamos planeado, fomos experimentar noodles num restaurante japonês. Delícia!!!



Que mais? Em casa, andámos a usar o microscópio e a cozinhar: o Daniel foi comigo às compras, fez esparguete com pesto verde e queijo ralado, e partilhou os chocolates que tinha comprado - a generosidade também se aprende!

Educação Asperger

Mais um testemunho de uma mãe que optou pelo ensino doméstico para o seu filho aspie, traduzido livremente daqui:

"O nosso filho tem seis anos; é um menino lindo, inteligente, articulado e engraçado. Mas também tem complexas dificuldades de aprendizagem, problemas de coordenação e equilíbrio, e características da Síndrome de Aspergers.

Optámos pelo ensino doméstico porque para ele não havia sítio pior do que a escola. Aos cinco anos, depois de ser arrastado para a escola aos gritos e pontapés durante um ano, estava completamente arrasado e infeliz, e a ansiedade que sentia estava afectando o seu comportamento em casa de uma maneira horrivel. Escondia-se da família, puxava a pele dos dedos, tornou-se muito pálido – era uma dor vê-lo assim.

Fomos a muitos especialistas e chegámos a tentar outra escola, mas ele estava num estado terrível. Ver que não acompanhava os colegas na leitura e escrita destruiu-lhe a auto-confiança. O facto de que era bom em matemática não contava porque não conseguia escrever as respostas. O facto de que era excelente na construção de modelos e que sabia tudo sobre o sistema imunitário do corpo também não era considerado importante.

Além disso, não conseguia suportar o ruído, nem o regime, nem as outras crianças, especialmente no recreio. Devido às dificuldades de interacção, aprendizagem, equilíbrio e coordenação motora, era impossível aprender numa sala de aula, mesmo que o grupo fosse pequeno. Todos diziam que ele precisava de apoio individualizado e a escola só lhe proporcionava 20 minutos por semana. Lutámos para obter um plano educativo especial, pensando que isso poderia ajudar, mas assim que conseguimos apercebemo-nos de que a escola nunca poderia proporcionar a mesma qualidade de ensino individualizado do que nós em casa.

Semanas depois de termos descoberto que o ensino doméstico era legal apercebemo-nos que, na verdade, era a única opção - sabíamos que em casa ele seria muito mais feliz, teria a oportunidade de recuperar a auto-estima e de fazer algum progresso. Assim que tomámos a decisão um peso enorme caiu dos nossos ombros. Temos também uma filha com quase quatro e a diferença é óbvia - ela quer aprender a ler e escrever, adora brincar com grupos de crianças e já está ansiosa para ir para a escola.

Geralmente sentimo-nos seguros do que estamos a fazer, mas de vez em quando temos momentos de pânico, pensando na grande responsabilidade que assumimos ao optar por este regime e que se calhar o nosso filho não está aprendendo o suficiente, mas quando acalmamos e tornamos a examinar a situação apercebemo-nos que o ensino doméstico continua a ser, pelo menos por enquanto, a melhor opção para ele.

As dificuldades de aprendizagem que ele tem são muito complexas e o tempo que passou na escola destruiu-lhe a vontade de aprender. Isso significa que as coisas não são como tinhamos imaginado. Ele não aceita sugestões, tem problemas de concentração e parece ser incapaz de aprender tópicos que não sejam do seu interesse – temos que trabalhar com isto e aproveitar todas as oportunidades de aprendizagem.

De momento brincamos muito e tentamos ajudá-lo a aprender usando os seus interesses. E a verdade é que está a aprender muitas coisas - sobre o mundo, ciências, negócios, dinheiro, alimentação, natureza e história. Também está a aprender a seguir instruções e a usar computadores. Lembrem-se que ele só tem seis anos de idade - por isso brincamos muito e, para encorajar novos interesses, passeamos, vamos ao parque, visitamos castelos, bosques, museus e assim por diante.

Para incentivá-lo a passar tempo com outras pessoas ele tem várias sessões, embora de curta duração, com dois professores. Fazem actividades pré-leitura/pré-escrita de uma forma divertida, usando arte, artesanato e jogos. Uma adolescente que também aprende em casa vem cá duas vezes por semana "brincar" com ele. A irmã também brinca com ele às vezes.

Tentamos ir às actividades organisadas pelo grupo do ensino doméstico aqui da zona mas o meu filho não está muito interessado. Ele brinca com uns quantos amigos da escola em que andava e brinca também com as crianças que encontramos no parque e na piscina.

Está muito mais feliz e sereno, e a recuperar a curiosidade e vontade de aprender. A nossa vida de família também está muito mais calma e estamos apreciando a vida outra vez! As necessidades educativas especiais que ele tem fazem com que o seu comportamento seja difícil de entender. Uma das melhores coisas do ensino doméstico é que o tempo que passamos com os nossos filhos ajuda-nos a compreendê-los muito melhor.

Esperamos que um dia ele volte para a escola, talvez na altura do secundário, mas por enquanto estamos muito desapontados com as escolas. Elas não têm a capacidade de lidar com as crianças Aspergers como deve ser. Graças a Deus que por enquanto podemos educar em casa!"

domingo, 1 de fevereiro de 2009

Uma canção para vocês!



First I was afraid I was petrified.
Kept thinking I could never teach ´cause I´m not certified.
But we spent so many nights reteaching homework that was wrong.
I grew strong, so now I teach my kids at home!

We study math and outer space.
I just kept on despite the fear
with a big smile across my face.
I bought a set of Base Ten blocks.
I bought books with answer keys.
My parents think we´re nuts,
but they don´t even bother me

Come on, let´s go walk out the door.
We´re on the road now, 'cause we´re not home much anymore
My friends would laugh and say we´d be unsocialized.
I heard one mumble that I´d give up by July.

Oh no, not I! I will survive!
As long as I know how to read
I know we´ll be alright.
I've got all my life to learn.
I've got energy to burn.
and I'll survive. I will survive.

It took all the strength I had not to fall apart.
Decided to attend a play day at the local park,
and I met oh so many moms who offered eagerly to help.
They used to cry. Now they hold their heads up high,and so do we!

My kids are cool!
They´re not those chained up little people stuck inside at school.
So if you feel like dropping by and just expect us to be free
you´d better call ahead first´cause we´re probably busy!