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terça-feira, 31 de março de 2009

Por quê acusar os pais que educam em casa?

Este artigo apareceu hoje no Guardian e resolvi traduzí-lo. Face à última tentativa de demonização do ensino doméstico, por parte do governo britânico, Dr. Bernard Trafford, (director de uma escola secundária e presidente da Associação de Directores de Escola) vem à defesa dos pais que educam os filhos em casa:

"Hoje em dia já muito se fala sobre a sociedade de vigilância. Organização após organização vai-se tornando parte do mecanismo, por isso não nos devemos admirar que o mais recente instrumento de vigia às famílias sejam as escolas.

Cedendo à pressão que, após a sucessão de casos de maus tratos a menores, pôs os mídia numa grande gritaria, exigindo que algo seja feito e levando por sua vez à criação de mais e mais carradas de procedimentos para a protecção de menores, o governo pediu a Graham Badman - presidente da Comissão de Haringey de Protecção das Crianças que veio substituir Sharon Shoesmith, despedida após o inquérito Bebé P, - para examinar a protecção e apoio às crianças e jovens educados em casa.

Um artigo recente citou a ministra das crianças, Delyth Morgan: "Se existem problemas, temos de analisar os factos. O ensino doméstico é uma parte pequena mas importante na adequada manutenção da protecção de menores."

Na tempestade de indignação que se seguiu à tragédia do Bebê P, a procura de um bode expiatório depressa começou. Inexplicavelmente, dedos estão sendo apontados às famílias que optam pelo ensino doméstico. Neste momento, os 20 000 pais que decidiram educar os próprios filhos estão sendo acusados de motivos que são, na melhor das hipóteses, suspeitos, e, na pior, abusivos.

Porque se tornaram subitamente o alvo não é claro. As mais horríficas alegações são feitas e aparentemente aceites sem a devida análise. The Independent descreve o medo que as Direcções Regionais de Educação têm, de que os pais possam estar a usar o ensino doméstico para mascarar o absentismo escolar, ocultar casamentos forçados ou o trabalho forçado (pondo, por exemplo, os filhos mais velhos a tomar conta dos mais novos). Um porta-voz da NSPCC observou: "Não temos nenhuma opinião sobre o ensino doméstico, mas sabemos que para descobrirmos se as crianças estão sendo mal tratadas precisamos ter acesso a elas." A insinuação é feita. A lama pega.

A sugestão é que só nos podemos assegurar de que as crianças não estão sendo mal tratadas pelos pais se elas frequentarem as escolas, mas esse pressuposto moralista e presunçoso é injusto e incorrecto. Victoria Climbié (uma menina torturada pela tia e pelo amante, que a deixaram morrer de fome em 2000), não frequentava a escola nem estava matriculada no ensino doméstico quando morreu. Eunice Spry foi presa depois de maltratar as crianças de quem tomou conta durante 19 anos: dizem que ninguém notou as nódoas negras das crianças porque eram educadas em casa. Mas Eunice nem sequer era a mãe delas... e onde estavam os trabalhadores sociais?

Os pais que educam os filhos em casa merecem um tratamento melhor. Eu sei porque fui um deles. Entre 1991 e 1996, depois de ter sido nomeado director de uma escola secundária, a minha mulher ensinou as nossas duas filhas em casa. Estes cinco anos foram os mais felizes da nossa vida, cheios da alegria da descoberta e da aprendizagem constante. Mais tarde elas próprias resolveram frequentar a escola secundária e hoje são adultas, felizes, cheias de auto-confiança, com boas qualificações e bons empregos.

Funcionou para nós, mas muitos achavam que nós éramos estranhos. Alguns amigos e colegas de trabalho sentiam-se profundamente incomodados com a nossa decisão. As pessoas têm receio do desconhecido, do diferente, mas muitas vezes os pais voltam-se para o ensino doméstico precisamente porque os filhos são diferentes e, como resultado, facilmente se tornam vítimas de bullying na escola. Outros educam os filhos em casa por princípio ou, como nós, porque estão convencidos de que podem oferecer algo melhor. Para nós, o problema era o currículo nacional, que arrasou o ensino básico.

A imagem muitas vezes pintada, de um certo secretismo, é enganosa: a maioria dos pais que praticam o ensino doméstico fazem-no abertamente e estão em contacto com os mais variados grupos. Talvez alguns "escondam" os filhos; também há uns quantos fundamentalistas religiosos entre eles. Eu não gosto dessas duas abordagens mas acho que ninguém tem o direito de as proibir. Talvez uma minoria muito pequena de pais-educadores maltrate os filhos. Estatisticamente, uma percentagem minúscula de juízes, políticos, médicos, advogados, líderes religiosos, professores e até trabalhadores sociais devem também mal tratar os filhos, mas não banimos essas profissões. E lembrem-se: as famílias que praticam o ensino doméstico já são inspeccionadas.

Paranóia sobre os falhanços do sistema na protecção de menores está a levar a sociedade a demonizar alguns espíritos mais livres. Não nos devemos surpreender. Nós vivemos num mundo onde somos filmados em CCTV onde quer que vamos. Entre a reacção histérica aos grandes fracassos na protecção das crianças, os direitos de algumas famílias que se recusam a seguir o rebanho será visto como um sacrifício aceitável no altar da obsessão pela segurança."

Eis um dos comentários:

"Obrigado, obrigado, obrigado. Alguém com bom senso! Eu, como muitos outros pais-educadores, sinto-me incrivelmente perseguida por causa desta campanha contra o ensino doméstico. É bom saber que há alguém disposto a vir à nossa defesa. Obrigado! Eu educo o meu filho em casa porque ele tem necessidades especiais que não foram satisfeitas na escola, apesar de lhe terem dada o estatuto Acção Escolar Plus. Ele teve um esgotamento nervoso e tornou-se violento contra mim devido à frustração que sentia na escola (ele está no espectro autista). Agora, graças ao ensino doméstico, ele é outra vez a criança feliz, curiosa e confiante que era. Em casa, ele pode fazer as coisas ao seu próprio ritmo e conviver com pessoas quando se sente bem. Se alguém o mal tratou foi a escola!"

segunda-feira, 30 de março de 2009

A superstição da socialização

Mais um artigo de Roland Meighan.
Podem ler o original, em inglês, aqui.

H G McCurdey realizou, na Universidade de North Carolina, E.U.A., um estudo sobre os factores que contribuem para o desenvolvimento das pessoas de maior sucesso. O estudo foi relatado no livro Education and Ecstasy, de George Leonard. São pessoas que chegam a ser conhecidas como gênios. Três factores foram identificados. O primeiro foi um elevado grau de atenção individual dado pelos pais e outros adultos, expresso em actividades educativas acompanhadas por muito afecto. O segundo factor foi umambiente que valoriza a imaginação e a fantasia. O terceiro foi o contacto limitado com outras crianças, mas muito contacto com adultos genuinamente interessados.

McCurdey concluiu que a escolaridade obrigatória, uma escola de massas baseada em métodos formais e organização rígida, é o mais prolongado experimento na maior redução possivel destes 3 factores: o resultado é a supressão do alto desempenho.

Bertrand Russell, que havia sido educado em casa, fundou a sua própria escola em Beacon Hill quando se apercebeu que nenhuma das escolas disponíveis tinha o tipo de ambiente que queria não só para os seus filhos mas também para os filhos dos outros. Em retrospecto, porém, disse que a escola não tinha alcançado o sucesso que esperava pois havia seriamente sobre-estimado a quantidade de tempo que as crianças precisam de passar na companhia umas das outras.

15,000 é o número de horas que as forçamos a passar na companhia de um número seleccionado de colegas; no entanto, os adultos continuam a insistir que essa socialização vale a pena. Pode ser socialização, mas a sua qualidade é altamente suspeita.

Aqui estão alguns artigos que apareceram recentemente (os 4 exemplos seguintes foram modificados para reflectirem a realidade portuguesa):

1) Pais preocupados com violência nas escolas - Os alunos agora consideram o bullying como parte integral da vida escolar. De acordo com um estudo conduzido pela psicóloga Sónia Seixas e divulgado na 4ª Conferência Internacional sobre Violência Escolar e Políticas Públicas, o bullying envolve 65% dos alunos.

2) Ministério da Educação tem conhecimento de armas nas escolas - ASPP confirma que já foram apreendidas armas nas escolas: “Já aconteceu a apreensão de armas de fogo em alguns adolescentes”. Sete armas são apreendidas por cada dez dias de aulas. Já em 2005, o relatório da PSP alertava para a dimensão crescente deste fenómeno.

3) Escola Segura: apreendidas 20 mil doses de droga - Há escolas que decidem ignorar o problema e não informar a polícia para proteger a sua reputação. Para os meninos da escola primária, a fonte de informação sobre as drogas são os coleguinhas. Mais tarde, ao crescerem, são eles quem os iniciam no tabaco, álcool, drogas, junk food e a última moda.

4) Professor lança petição para responsibilizar os pais nos casos de absentismo e abandono escolar - A luta contra o absentismo escolar chegou a Portugal. Campanhas deste tipo são muitas vezes vistas como medidas para combater a exclusão social. "Exclusão de quê?", somos tentados a perguntar. "Armas, drogas ou bullying?"

Um dos grandes defensores da escola como meio de socialização foi o pedagogo americano John Dewey, mas ele queria escolas democráticas com elevados níveis de participação e partilha de poder, e não escolas com regimes totalitários baseados na coersão e imposição. O modelo obrigatório das nossas escolas não fazia parte do seu plano.

No entanto, a maior parte da população surpreende-se quando os pais retiram os filhos da escola e começam a educá-los em casa! "E a socialização?" perguntam imediatamente. A resposta, baseada em factos em vez de superstições, é a seguinte: "Exatamente! O melhor é evitá-la!" Porque se surpreendem tanto? Será que somos uma nação de cegos e surdos incapazes de compreender o significado de notícia após notícia após notícia sobre a socialização negativa das escolas?

A verdade é que, ao praticarem uma educação centrada na família, as famílias que optam pelo ensino doméstico proporcionam aos filhos uma vida social de maior qualidade. Como? De três maneiras:

Em primeiro lugar, usam o lar apenas como base para a interacção com a comunidade em que vivem, usando bibliotecas, museus e locais de interesse, seja na cidade ou no campo. No processo, interagem com pessoas de todas as idades enquanto que nas escolas os alunos estão fechados dentro de salas de aula com um número limitado e pouco diversificado de colegas e adultos.

Em segundo lugar, juntam-se aos escoteiros, guias e Woodcraft Folk, vão a aulas de artes marciais e natação, participam em grupos de história natural, e assim por diante.

Em terceiro lugar, entram em contacto com outras famílias que praticam o ensino doméstico, organisam encontros ocasionais ou, como é cada vez mais o caso, actividades semanais. Em Londres, por exemplo, estabeleceram The Otherwise Club, aberto duas vezes por semana a todas as famílias que lá querem ir.

Mas outra questão relacionada com a superstição da socialização é a discriminação contra os introvertidos. Quando vou a festas acabo muitas vezes num canto falando com alguém que também acha a procura de atenção social cansativa e o interminável fluxo de conversa corriqueira cada vez mais chato. Tenho verificado que geralmente os introvertidos são pessoas muito mais interessantes, compostas e reflexivas e que, na verdade, alguns dos mais prolíficos contribuintes de novas ideias têm este temperamento.

Portanto, se os vossos filhos se sentem bem sozinhos, na sua própria companhia e na vossa, isso não é automaticamente motivo de preocupação. Com efeito, a política habitacional do Reino Unido não teve outro remédio senão aceitar o facto de que são cada vez mais as pessoas que decidem viver sozinhas e que a procura de pequenos apartamentos é cada vez maior.

Na escola, os introvertidos tornam-se muitas vezes vítimas de bullying, pois normalmente a expectativa gerada pela superstição da socialização é a de que nos devemos juntar ao grupo. Isto pressupõe que o grupo de colegas criado artificialmente pela escola é um grupo que realmente vale a pena aderir. No liceu em que andei achei que esse grupo não valia a pena e preferi ter o meu círculo de amigos fora da escola. No entanto, o meu jeito para o desporto manteve-me em contacto com o grupo da escola mas sem ser submergido por ele. Outros não tiveram tanta sorte.

Um amigo meu, director de uma escola, oferece uma perspectiva sobre a socialização. Ele diz que o principal motivo que leva os pais a pedir que a escola mantenha o uso obrigatório do uniforme escolar é porque os protege contra a combinação letal das forças do mercado com a pressão dos colegas, que leva os filhos a pedir que os pais comprem os ténis mais caros e as roupas da última moda!

sábado, 28 de março de 2009

Conversa intencional na aprendizagem

Como esta semana tenho mencionado Roland Meighan e a importância do diálogo no ensino doméstico, resolvi traduzir este artigo. É um bocado longo, mas espero que gostem.

"Vivemos numa era em que a mudança é contínua e a revisão de conhecimentos constante. Por isso é preciso que os pais pesquisem e investiguem constantemente, para que se mantenham a par dos últimos livros e ideias. Vou partilhar três ideias que desafiam, informam e desenvolvem novas interpretações sobre a educação.

Embora estas ideias sejam, à primeira vista, sobre o ensino doméstico, elas levantam questões fundamentais sobre a educação em geral. E já que, enquanto pais, todos nós educamos os nossos filhos em casa, pelo menos a part-time, quando eles não estão na escola, estas ideias dizem respeito a todos nós.

A mais recente aparece no livro Educating Children at Home por Alan Thomas (Cassell, 1998), um psicólogo interessado em métodos de aprendizagem personalizada. Como as escolas têm grandes dificuldades em implementar estes métodos, ele voltou-se para famílias australianas e britânicas que optaram pelo ensino doméstico, onde a aprendizagem personalizada é a norma.

Observou uma quantidade enorme de conversas surgindo espontaneamente, e o que mais lhe impressionou foi o grau de aprendizagem que ocorria através do diálogo com um adulto. Eu, pessoalmente, prefiro a expressão "conversa intencional" para a distinguir da conversa corriqueira. Thomas fala de uma pesquisa que demonstrou que a educação das crianças superdotadas inclui muita atenção individualizada e aprendizagem através do diálogo intencional, factores considerados cruciais no desenvolvimento intelectual acelerado.

A pesquisa de Alan Thomas, baseada em 100 famílias que educam os próprios filhos, demonstra que em casa as aulas são concentradas e intensas. Pouco tempo é desperdiçado com o tipo de distrações que absorve tanto tempo nas salas de aula. Com o aumento da eficiência, as lições são curtas e muitas vezes limitadas às manhãs, o que deixa bastante tempo livre para conversas intencionais. Mas nem todas as famílias dão aulas formais aos filhos; essas têm ainda mais tempo para o diálogo intencional.

Assim, aprender em casa torna-se um processo interactivo, em vez de uma série de trabalhos a completar. Deste modo, os erros, em vez de bloquearem a aprendizagem, tornam-se passos no caminho para a iluminação. Nessa interacção, conceitos são adquiridos, competências são melhoradas e novos conhecimentos são obtidos no decorrer das actividades quotidianas ou através de temas que capturaram o interesse dos filhos.

Pais e filhos podem não estar conscientes da eficácia e do poder dos seus métodos de aprendizagem. Os pais observaram que era só quando, depois de algum tempo, olhavam para trás - ou quando mantinham um registro minucioso -, que conseguiam ver o volume e o alto nível de aprendizagem que havia ocorrido.

Thomas diz-nos que "as preocupações iniciais que os pais-educadores têm sobre o desenvolvimento social dos filhos vão desvanecendo gradualmente à medida em que observam o aumento da sua auto-confiança, os vêem relaxados na companhia de adultos e capazes de se relacionar com crianças de todas as idades." Os pais apercebem-se que na realidade é a escola quem está afastada do mundo.

A conclusão da sua pesquisa é que os pais-educadores oferecem-nos uma visão da educação que, em vários aspectos, é muito diferente da educação escolar. A sua abordagem tem o potencial para provocar a mudança mais radical na educação desde o advento da escolarização universal, no século XIX. Mas, para que isso aconteça, precisamos que um novo tipo de instituição substitua as escolas.

O segundo livro é Strengths of Their Own: home schoolers across America, por Brian D. Ray. Em 139 páginas repletas de informação e análise, o Dr. Brian Ray, director do Instituto Nacional de Pesquisa do Ensino Doméstico nos E.U.A., apresenta os resultados do seu recente estudo sobre o ensino doméstico. Usou uma amostra à escala dos E.U.A., de 1.657 famílias e seus 5.402 filhos, com os 50 Estados representados. Os resultados confirmaram as suas descobertas anteriores: que o ensino doméstico é a melhor opção disponível, e que a escola, seja pública ou privada, passou para segundo plano. Segundo a Associação de Apoio Legal ao Ensino Doméstico, o Dr. Brian Ray disse que:

"... os pais que assumem pessoalmente a responsabilidade pela educação e socialização dos filhos acabam com crianças excepcionais e bem preparadas para conduzir este país para o próximo século."

O crescimento do ensino doméstico nos E.U.A. parece ser imparável. Inicialmente estimava-se que os números iriam parar em 1% da população de idade escolar. Agora que ultrapassou os 5% em vários Estados já há quem pense que há-de chegar aos 10%. Mas as boas notícias contagiam e agora já se prevê que dentro de uma geração a aprendizagem de metade das crianças há-de ser baseada em casa, pelo menos durante metade do tempo da escolaridade obrigatória.

A pesquisa identifica os resultados positivos do ensino doméstico em áreas tão variadas quanto o desempenho acadêmico, desenvolvimento social e psicológico e o desempenho dos adultos que haviam sido educados em casa. Normalmente, estes estão empregados em vez de desempregados, têm um espírito independente e empresarial, e pensam positivamente sobre a sua experiência do ensino doméstico.

O estudo arrasa com o mito do "problema da socialização". As crianças estavam envolvidas numa grande variedade de actividades sociais, passando uma média de 10 horas por semana em coisas como aulas de música, actividades lúdicas fora de casa, actividades desportivas, grupos organisados pela igreja, escuteiros e guias.

Num estudo anterior, 58% das famílias tinham computadores em casa. No estudo mais recente, por Ray, a percentagem atingiu os 86%. As crianças utilizam os computadores para fins educacionais mas a única área em que havia uma significativa diferença positiva era a da leitura, pois os que utilizam computadores obtiveram melhores resultados nos testes de leitura.

Um currículo personalizado e auto-concebido foi utilizado por 71% dos alunos (em vez de um currículo fixo e pré-determinado). Tal como Thomas, Ray examinou os métodos de aprendizagem e também identificou a conversa intencional como uma das principais razões para o sucesso do ensino doméstico.

Ray sugere que o ensino doméstico pode eliminar, ou pelo menos reduzir, a potencialidade dos efeitos negativos do background de certas crianças. Ele demonstra que o baixo salário familiar, baixo nível académico dos pais, falta de formação pedagógica por parte dos pais, raça ou etnia, sexo, ausência de computador em casa, começo tardio da educação formal, pertencer a uma família numerosa... nenhum destes factores afecta o sucesso das crianças educadas em casa. Assim, destrói outro mito - o mito de que o ensino doméstico é para os ricos. A média do salário das famílias que optam pelo ensino doméstico situa-se abaixo da média nacional.

Finalmente, demonstra que "as famílias que aprendem juntas permanecem unidas"; como resultado da prática do ensino doméstico as famílias mostram sinais de maior estabilidade, satisfação pessoal e felicidade.

O terceiro livro é The Art of Education: reclaiming your family, community and self, por Linda Dobson, (Home Education Press, 1995). Para Linda Dobson, a escola destrói capacidades essenciais, como a curiosidade, imaginação, criatividade, paz interior, humor, talentos, auto-motivação e intuição. Em contrapartida, oferece "doutrinação em ideias feitas".

A escola desenvolve maus hábitos: tornando-nos, por exemplo, dependentes de especialistas para a resolução dos nossos problemas. Para Dobson, o ensino doméstico é centrado na família, onde todos desenvolvem a auto-suficiência e um cepticismo saudável em relação a profissionais e especialistas.

O ensino doméstico usa os princípios da educação natural, requerindo apenas um orientador para encorajar, apoiar e orientar quando os filhos estiverem prontos para a descoberta de valores e a criação de metas que lhes são pessoalmente significativas. No apêndice A do livro, a lista de adultos famosos que foram educados em casa inclui sete presidentes dos Estados Unidos e vários cientistas, inventores, autores, exploradores e empresários.

Dobson propõe que o ensino público é inadequado e que a educação centrada na família é superior, e destrói vários mitos sobre o ensino doméstico ao descrever um dia na vida de um pai-educador. A riqueza da aprendizagem que enumera é "atingida no ambiente seguro, afectuoso e terno do lar. Sem campaínhas, sem testes, sem pressão de grupo, sem competição! Atenção individual, progresso individual, escolha individual! A educação como arte - pura , sem stress, ocorrendo naturalmente ... "

Lendo, aprendemos como a família Dobson resolveu optar pelo ensino doméstico. A breve estadia do filho mais velho num jardim de infância público depressa revelou uma série de aspectos preocupantes. Primeiro, o stress de iniciar a aprendizagem formal cedo de mais. Depois, os efeitos da pressão de grupo no comportamento do filho. A seguir, os efeitos da disciplina escolar na sua personalidade. Finalmente, o efeito desmorecedor do tédio e da irrelevância.

O ensino doméstico resultou não só para os filhos mas também para ela:

"À medida em que os meus filhos foram adquirindo as competências básicas - leitura, escrita, aritmética - os seus interesses expandiram. E os meus também. O seu sentimento de admiração floresceu. O meu também. As suas habilidades multiplicaram. As minhas também. A confiança deles aumentou. A minha também."

"Alguns dos meus amigos ficaram impressionados mas dizem que não aguentariam estar com os filhos dia após dia. Não percebem que o comportamento irritante deles é causado pelo processo de escolarização.

Tenho outros amigos que gostariam de praticar o ensino doméstico mas preocupam-se com os custos. No entanto, os custos são flexíveis, especialmente agora que vivemos numa sociedade tão rica no que toca à informação, onde temos à nossa disponibilidade, gratuitamente, uma quantidade enorme de recursos."

Outra vantagem são os fortes laços familiares que se desenvolvem. "As nossas instituições continuam com palavras ocas, dizendo que a família é o alicerce mais importante da sociedade. Mas, ao destruirem o ciclo natural de amor e respeito inerente à vida de família com as suas exigências que as crianças 'socializem' em ambientes institucionais artificiais cuja importância é incrivelmente exagerada, estão contribuindo para a destruição da própria sociedade."

Linda acredita que os seres humanos são capazes de tomar decisões inteligentes quando não são paralisados por hierarquias autoritárias ou estruturas impessoais que diluem a responsabilidade individual.

Segue-se a ideia radical de que a educação poderia ser melhorada através de uma simples reforma - acabar com as escolas. Em vez de escolas, podíamos estabelecer centros de aprendizagem dedicados a satisfazer as necessidades únicas de todas as crianças e jovens que aceitaram o convite de participar. Vários exemplos destes centros de aprendizagem são descritos: Paris, Lexington Virginia, Providence Rhode Island, Kansas City e o Centro de Educação Personalizada, que está apoiando o estabelecimento de centros deste tipo no Reino Unido."

sexta-feira, 27 de março de 2009

Pão, nutrição e o diálogo intencional na aprendizagem

Hoje o pão saiu mais leve, bem mais fofinho...

Afinal, é a fazer que a gente aprende, e não há nada que não se torne mais fácil com a prática!
O pão é uma fonte saudável de energia; essa ideia de que o pão engorda é um disparate - o que engorda é o que comemos com ele, como a manteiga, por exemplo.

Mas hoje o que eu queria era deixar mais um exemplo da aprendizagem dialógica (gostei desse palavrão, resolvi começar a usar ;-)).

Ontem, à mesa, a conversa foi parar às vitaminas e aos minerais.

Às tantas lá fomos tirar uns livros da prateleira para rever a importância das vitaminas, suas funções, fontes, papel na saúde, quantidades diárias recomendadas, sintomas de deficiência e excesso, etc.

Como na Inglaterra os invernos são longos e passam-se semanas em que o céu está completamente encoberto, a conversa acabou por se concentrar na vitamina D, porque como sabem sem a exposição aos raios solares a síntese de vitamina D na pele é afetada. Daí a importância, para nós, de incluir fontes de vitamina D na dieta.

Um dos livros (esse à esquerda) sugere ovos, atum, salmão, sardinhas, margarinas fortificadas e óleo de fígado de bacalhau. (Isabel, tens ideias para os vegetarianos?)

O exemplo não é nada de especial, mas mostra como vamos vivendo e aprendendo no dia a dia... Roland Meighan explica bem melhor do que eu:

"Nem todas as famílias dão aulas formais aos filhos: isso significa que têm ainda mais tempo para o diálogo intencional. Aprender em casa torna-se um processo interactivo, em vez de uma série de trabalhos a fazer. Nessa interacção, conceitos são adquiridos, competências são melhoradas e novos conhecimentos são obtidos no decorrer de actividades quotidianas ou através de temas que tenham capturado o interesse dos filhos."

Ensino doméstico: japonês

A prática do hiragana continua:

Mas também já se pratica Katakana:



e as datas em japonês...

quinta-feira, 26 de março de 2009

Aprendizagem dialógica no ensino doméstico

Lá fora, no quintalinho, os primeiros sinais da Primavera, mas o filhote não está nem nessa! Ah, os adolescentes... com as suas questões existenciais e o despertar da inteligência espiritual nem se dão conta do desabrochar das flores! Que paradoxo, né?

Apesar de ter andado em escolas primárias cristãs, umas associadas à igreja anglicana outras à católica (estranho como aqui no Reino Unido as escolas primárias e secundárias estão sempre associadas à igreja), e apesar do meu interesse pela filosofia budista, nunca se identificou nem com o cristianismo nem com o budismo.

De vez em quando inicia conversas estimulantes e engraçadas sobre o fenómeno religioso. E eu, é claro, estou sempre numa de conversar, especialmente com um cházinho de especiarias!


Desta vez, desceu as escadas correndo e começou a falar sobre o criacionismo... Não compreende as pessoas que interpretam a Bíblia literalmente, acreditando, por exemplo, que a Terra foi criada em seis dias. E em relação ao diálogo entre os neocriacionistas cristãos e os evolucionistas, diz que o criacionismo não pode ser considerado ciência e explica por quê. Mas a conversa não ficou por aí; os tópicos foram mudando e, depois das várias concepções de Deus, depressa passámos ao ateísmo e aos argumentos de Epicuro:

“Deus quer impedir o mal mas não pode? Então não é omnipotente.

Deus pode mas não quer?
Então é malévolo.

Deus pode e quer?
Então de onde vem o mal?

Ou será que nem quer nem pode?
Então porque chamá-lo Deus?”

No ensino doméstico, especialmente na abordagem da aprendizagem autónoma, ou unschooling, o diálogo intencional é essencial - aqui chamam-lhe purposive conversation.

Os filhos, sejam eles crianças ou jovens, são levados a sério. E nesse diálogo, horizontal e entre iguais, o que importa é questionar, perguntar, partilhar ideias, reflectir, investigar, pesquisar, imaginar... tudo menos menos regurgitar "respostas certas", previamente memorizadas, a fim de obter uma recompensa, seja ela a aceitação condicional de que falava Carl Rogers, um futuro emprego ou seja lá o que for.

Esse diálogo surge naturalmente da busca de sentido e da vontade inata de saber quem somos e de compreender o mundo em que vivemos... Não precisa ser iniciado por outras pessoas, direccionado por um curriculo pré-determinado ou forçado por pais-educadores. Precisa apenas, ao surgir espontaneamente, que lhe deixem fluir livremente, por aqui e acolá, à descoberta...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Desafio 6ª Foto

A Rute, do blog Publicar para Partilhar, desafiou-me a ir ao 6ª arquivo de fotos no computador e publicar a 6ª foto, escrevendo um pouco sobre ela. A minha foto é esta:

Foi tirada há quase um ano, durante as nossas férias no Algarve, à saída da praia de Alvor. Estava um dia bem bonito!

Fica aqui um convite aberto a 6 amigas: se quiserem participar, estejam à vontade!

Um video que encontrei no YouTube

Eis a introdução feita pela pessoa que fez o upload:

"Selecionei duas cenas de "Esperança e Glória" de John Boorman (Ing/1987). Elas se passam na Londres que os alemães tentam conquistar na 2ª guerra mundial. A escola é autoritária e tradicional. Os alunos a odeiam, mas se submetem. Chegam a ponto de agradecer Hitler por tê-la posto abaixo num dos bombardeios. Mas nem toda lucidez está perdida: Tiram todo bom senso da cabeça deles e depois a enchem de besteiras, diz o avô ao deixar o menino na Escola."

segunda-feira, 23 de março de 2009

Ensino doméstico, economia solidária e moedas locais

Seguindo o tema da prática do ensino doméstico e seu custo financeiro, hoje quero falar do LETS porque, para pais-educadores e filhos que aprendem fora da escola, este é um óptimo sistema para se ter acesso às mais variadas formas de conhecimento sem se gastar um tostão.

Mas então
o que é o LETS? LETS é o acrónimo de Local Exchange Trading Scheme. Não sei bem como traduzir para o português: já vi traduzido como Sistemas Locais de Emprego e Comércio mas não gosto nada dessa tradução. Comércio significa troca de valores ou de produtos com o fim de obter lucro e o objectivo do LETS não é o lucro, muito pelo contrário, trata-se de uma espécie de economia gratuita baseada na generosidade e no desejo que todos temos de contribuir para o bem de todos. E emprego... essa palavra também não se enquadra nada bem aqui.

O LETS é um sistema de trocas a nível local que possibilita a partilha de talentos, produtos, serviços ou conhecimentos em determinada comunidade sem o uso de dinheiro. No Reino Unido há mais de 650 sistemas destes, cada um com a sua moeda local. Estes esquemas fortalecem o espírito comunitário pois aproximam as pessoas umas das outras.

Quando morei em Bath, fiz parte do Bath LETS, e mais tarde, quando fui para Somerset, juntei-me ao Taunton LETS e ao Wellington LETS. Agora que vim viver para Bristol estou no processo de me juntar ao Southville LETS. É muito simples: telefonei à coordenadora (encontrei o contacto dela na internet) e disse-lhe que me queria juntar ao sistema. Perguntou-me o nome e a morada e enviou-me este folheto pelo correio.

Na parte de trás, o folheto explica o que é o LETS e como funciona: depois de preenchermos e enviarmos a ficha de inscrição - nome, morada, contacto, lista de ofertas e pedidos, e seis euros (3 para os desempregados) para cobrir os custos administrativos anuais -, mandam-nos uma "caderneta de cheques" e um livrinho, uma espécie de lista telefónica, onde estão listados os vários membros, aquilo que oferecem e o que gostariam de receber. Eu, por exemplo, posso oferecer aulas de piano, educação musical e português. Em troca, receberei 5 squids por hora.

A moeda local só é obtida através de trocas: só depois de ajudar alguém é que poderei depositar squids na minha conta. Se precisar de algo, por exemplo, aulas de japonês para o meu filho, vou ao livrinho, e se alguém as estiver oferecendo, é só telefonar e negociar o "preço", em unidades locais de troca (ou moeda local) - neste caso, squids. Em Bath seriam olivers... em Somerset, tones...

A minha conta vai começar em zero, mas não preciso de ganhar squids antes de os poder gastar, pois estarei a ajudar outra pessoa a contribuir para o sistema. Quando começar a receber "cheques", terei de os enviar para a coordenadora, que anota as transações entre os membros.

Hoje fico por aqui mas estejam à vontade para fazer perguntas.

Aqui ficam uns links para quem estiver interessado:
A nova economia das redes solidárias
O renascimento de moedas regionais

Educação alimentar: pão integral

O blogue da Rute inspirou-me a tirar a máquina do pão do armário!

Resolvemos experimentar fazer um pão integral.

Aqui está o resultado! Nada mal para a primeira tentativa...

Por onde andámos...

Mais umas fotos de Clevedon, desta vez, da praia...






domingo, 22 de março de 2009

Por onde andámos...

Hoje fomos pela primeira vez até Clevedon, uma pequena cidade à beira mar, no norte de Somerset. Tirei estas fotos no parque. Aqui na Inglaterra há muitos espaços verdes onde as crianças - e os adultos! - podem brincar e passear...






Educar para a paz através da música

Playing for Change é um movimento que usa a música para unir a humanidade.



Se gostaram, há mais aqui.

sexta-feira, 20 de março de 2009

A prática do ensino doméstico

Através do grupo-yahoo do ensino doméstico da nossa área entrei em contacto com uma mãe que, além de várias outras coisas, dirige um coro de música antiga.

Conversa puxa conversa, disse-lhe que no passado tinha estudado canto gregoriano e cantado em vários coros. A páginas tantas convidou-nos para um concerto na Igreja de Todos os Santos.

Dois coros do departamento de música da Universidade de Bristol interpretaram temas do século XV e XVI: Josquin des Prez, Jean de Ockeghem, Jean Richafort e Philippe Rogier.

O filhote disse "Obrigado pelo convite mas não estou interessado."

Eu, é claro, não deixei de ir! A foto acima mostra um dos coros.

Resolvi partilhar à mesma porque é mais um exemplo:

1) das inúmeras oportunidades de aprendizagem disponíveis fora da escola;

2) de eventos abertos ao público e completamente grátis - a partir de agora hei-de fazer questão de partilhar os custos ocorridos porque parece-me que grande parte das pessoas pensa que o ensino doméstico só é possivel para quem é rico!

3) de uma das funções do educador segundo a perspectiva do unschooling: oferecer oportunidades sem pressionar nem forçar...

4) da criação de redes de aprendizagem, apoiadas pelas novas tecnologias, de que falava Ivan Illich - através dos grupos-yahoo o encontro entre pares torna-se possível. Por exemplo: Pai A tem um filho que quer aprender teoria da música e, através do grupo-yahoo vem a saber que Mãe B, ex-professora de música, teria muito prazer em partilhar seus conhecimentos. Mãe B tem um filho interessado em aprender animação, e o Pai A tem bastante experiência nessa área. Não vivem na mesma zona mas isso não é um problema: decidem fazer a partilha ou troca de conhecimentos através do Skype. Uma vez mais, o acesso à aprendizagem é completamente gratuito!

Sei que o exemplo acima é o de uma troca directa por isso quero deixar bem claro que há muitos dispostos a dar sem expectativas de receber algo em troca. E também existem outros sistemas que permitem trocas indirectas - ainda hei-de fazer um post sobre isso...

5) e finalmente, trata-se de um exemplo da possibilidade de aprender directamente dos mestres e praticantes ou, pelo menos, de ser inspirado pela paixão que sentem por aquilo que fazem! Precisamos apenas de um pouquinho de iniciativa própria para entrarmos em contacto com eles.

Nas escolas, os professores andam tão estressados e desanimados que o seu entusiasmo pela matéria que ensinam e pelo ensino depressa esmorece. Isto para não falar da quantidade de alunos com que têm de lidar diariamente: 30 e tal alunos cada 50 mns - são quase 200! Os alunos sabem que são apenas mais um número. Comparem essa experiência com a do encontro genuino, um-a-um, de uma criança ou jovem com alguém completamente apaixonado por aquilo que faz.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Religiões do mundo: encontro inter-religioso

Ontem celebrámos a diversidade de expressão religiosa!

Quem precisa de ir para a escola ter aulas de religião e moral quando podemos entrar em contacto com praticantes das mais variadas religiões e aprender directamente deles?

Num encontro organizado pelo grupo inter-religioso, budistas, muçulmanos, pagãos, hindus, sikhs, judeus, cristãos, quakers, baha'í, etc, reuniram-se uma vez mais, promovendo o diálogo e o espírito de tolerância e de respeito mútuo.

Através da partilha de música, dança, leituras e orações baseadas nos ensinamentos comuns das várias comunidades religiosas presentes, vimos que todas estas vias espirituais têm pontos de encontro.

Já quase no final, Javed e Tal, um muçulmano britânico e um israelita judeu, falaram sobre a Rádio Salaam Shalom. O projecto (abre vídeo clip em inglês) estimulou o diálogo entre estas duas comunidades - só em Bristol há pelo menos 600 judeus e cerca de 30.000 muçulmanos!

E para acabar, nada melhor que um buffet multi-cultural! Mas voltando ao tema do ensino doméstico, gostaria de salientar que este evento foi completamente gratuito - digo isto para aqueles que pensam que o ensino doméstico é só para gente rica!

Educação Biocêntrica

"Educar é permitir o desenvolvimento pleno do ser humano e sobretudo a capacidade para a felicidade. O educador ensina a ser feliz, o educador tem de ensinar a viver porque a educação actual ensina matérias mas não ensina a viver." Roland Toro



Aqui fica um link para quem estiver interessado:

Educação Biocêntrica, por uma educação centrada na vida

A dança da vida

Descobri a biodança recentemente, há 3 ou 4 meses, sob a orientação de Elizabeth Barnett. Recomendo a todos!

Bio significa vida e dança significa movimento repleto de significado. A biodança é um sistema de integração do ser humano através da música, movimento, emoção e expressão.

O sistema biodança foi criado na década de 1960 por Rolando Toro, um professor de Psicologia e Antropologia Médica na Universidade de Santiago, Chile, que continua desenvolvendo e propagando a Educação Biocêntrica por todo mundo.

"A base conceitual da biodança provém de uma meditação sobre a vida, ou talvez do desespero, do desejo de renascer dos nossos gestos despedaçados, da nossa vazia e estéril estrutura de repressão. Poderíamos dizer com certeza: da nostalgia do amor. Mais que uma ciência, é uma poética do encontro humano, uma nova sensibilidade face à existência." Roland Toro

segunda-feira, 16 de março de 2009

Citações: Lao Tzé


Na busca do conhecimento, todos os dias algo é adquirido,
Na busca do Tao, todos os dias algo é deixado para trás.
E cada vez menos é feito
até se atingir a perfeita não-acção.
Quando nada é feito, nada fica por fazer.

Domina-se o mundo deixando as coisas seguirem o seu curso.
E não interferindo.

Se quiserem, podem ler o livro Tao Te Ching aqui.

sábado, 14 de março de 2009

Japonês - Hiragana

Por onde andámos...

Mais umas fotos!


sexta-feira, 13 de março de 2009

Massacre escolar: a escola assassina

O trágico tiroteio na escola de Winnenden obriga-nos a perguntar mais uma vez: o que está acontecendo nas escolas? Na tentativa de compreender o que se está a passar - este massacre não é o primeiro (abre cronologia dos tiroteios) nem será o último - sociólogos e educadores têm sugerido várias possíveis causas.

Este artigo, por exemplo, diz-nos que "o massacre na escola de Winnenden, perto de Estugarda, provocou um debate sobre a prevenção de crimes deste tipo, desde o uso de perfis psicológicos à lei das armas, do acesso a jogos de vídeo violentos ao estado geral das escolas."

C. Bradley Thompson, professor universitário no departamento de ciências políticas na universidade de Clemson, está convencido de que não estamos a ver o óbvio.

Num artigo intitulado Nossas Escolas Assassinas, diz o seguinte:

"Os tiroteios têm uma coisa em comum: todos eles ocorreram na escola. Os jovens não mataram ao fim de semana, não mataram depois das aulas, nem, por exemplo, no centro comercial. Então o que se está a passar? Porque é que os jovens estão cheios de raiva, e porque estão expressando essa raiva através de actos tão violentos?

Que todos mataram na escola é um facto que merece reflexão. A explicação para todos estes tiroteios pode ser facilmente encontrada na destruição das mentes e espíritos dos jovens por estabelecimentos de ensino determinados a usar os nossos filhos como cobaias para as suas bizarras experiências de escolarização. A verdade inegável é que actualmente a grande maioria das escolas públicas são desertos morais e intelectuais.

O estabelecimento de ensino reage a esta crise transformando as escolas em algo que mais se assemelha a uma prisão do que a um ambiente de aprendizagem. Arame farpado, detectores de metal, cartões de identidade, circuito fechado de televisão, polícia e guardas são, hoje em dia, características comuns da escola. Pior ainda, o sistema escolar trata os nossos jovens da mesma forma que o sistema penal trata os prisioneiros. A maior parte das escolas funcionam como meros centros de supervisão para os adolescentes e as piores escolas como centros de detenção."

Citações - Ivan Illich

“A igualdade de oportunidades na educação é meta desejável e realizável, mas confundi-la com obrigatoriedade escolar é confundir salvação com igreja. A escola tornou-se a religião universal do proletariado modernizado, e faz promessas férteis de salvação aos pobres da era tecnológica.

O Estado-nação adoptou-a, moldando todos os cidadãos num currículo hierarquizado, à base de diplomas sucessivos, algo parecido com os ritos de iniciação e promoções hieráticas de outrora. O Estado moderno assumiu a obrigação de impor os ditames de seus educadores por meio de inspectores bem intencionados e de exigências empregatícias; mais ou menos como o fizeram os reis espanhóis que impunham os ditames de seus teólogos pelos conquistadores e pela Inquisição”.

Illich, Ivan. Sociedade sem Escolas, P.35 Petrópolis: Vozes Editora, 1973.

Que diria sobre o alargamento da escolaridade obrigatória até o 12º ano?

quinta-feira, 12 de março de 2009

A escola dos animais

Havia uma vez uma escola para os animais. A escola tinha um currículo igual para todos, composto por quatro disciplinas obrigatórias: correr, trepar, voar e nadar. Todos os animais eram forçados a estudar as mesmas disciplinas.

O pato nadava muito bem, nadava até melhor do que o professor. Em correr e voar, passou à rasquinha, mas como trepar não conseguia, fizeram com que ele deixasse de nadar para passar mais tempo aprendendo a trepar. Depressa começou a tirar “suficientes” em natação, mas “suficientes” eram aceitáveis para a escola, e ninguém se preocupou muito com isso, ninguém excepto o pato.

A águia era considerada um aluno-problema. Na aula de trepar era sempre a primeira a chegar ao topo da árvore, mas o seu método era contra as regras. Acabava por ficar sempre de castigo, escrevendo "não é permitido fazer batota" quinhentas vezes. Por isso não tinha tempo para voar alto, até chegar ao céu, sentindo o vento na cara, que era o que mais adorava fazer; não tinha tempo porque os trabalhos de casa eram considerados mais importantes do que essas brincadeiras!

O urso reprovou. Os professores disseram que ele era muito preguiçoso, especialmente no inverno.
Para ele, a melhor estação do ano era o Verão, mas nessa altura a escola estava sempre fechada.

A zebra baldava-se muito às aulas porque os póneis gozavam das suas listras, e isso fazia-lhe muito infeliz.

O canguru, quando entrou para a escola, era quem melhor corria, mas ficou desencorajado quando lhe mandaram correr com as 4 patas, como os outros animais.

O peixe desistiu porque achou a escola uma seca. Para ele, as quatro disciplinas não eram matérias separadas ou diferentes, mas ninguém o compreendia pois nunca tinham visto um peixe.

O esquilo era quem melhor trepava, mas o professor de vôo obrigava-o a começar do chão para cima, e não do topo das árvores para baixo. As suas pernas ficavam tão feridas ao praticar descolagens que deixou de ser capaz de trepar e correr.

A abelha era um caso dificil para os professores, por isso mandaram-na ao doutor Coruja. O doutor Coruja disse que as asinhas dela eram demasiado pequenas para voar e que, além disso, estavam no lugar errado. A abelha nunca viu o relatório do doutor Coruja, por isso continuou a voar à sua maneira. Tenho a certeza que todos nós conhecemos uma abelha ou duas...

O pato é a criança que é boa a matemática mas tira más notas a português, e por isso os professores dão-lhe explicações extras de português enquanto os outros alunos têm aulas de matemática. Deixa de ser excelente a matemática, mas pelo menos consegue passar a português, mesmo que seja à rasquinha.

A águia é a criança que é transformada em aluno-problema por ter o seu "próprio método" de fazer as coisas. Embora não esteja fazendo nada de "errado", o seu não-conformismo é considerado problemático, e por isso é punida.

Quem não reconhece o urso? O garoto que é incrivel na natureza, ao ar livre, na rua e em casa, que adora todas as actividades extra-curriculares, mas que esmorece quando chega a altura dos estudos académicos.

E quanto à zebra, a menina tímida, pesada, alta ou baixinha, ninguém se apercebe que o seu fracasso escolar é causado por sentimentos de inadequação social. O canguru é a criança que em vez de perseverar desiste e torna-se a criança descorajada cujo futuro desaparece por não ter sido devidamente apreciada.

O peixe é a criança que necessita de uma educação especial e que nunca poderia brilhar nas salas de aulas.

O esquilo, ao contrário do pato que lá se consegue desenrascar, torna-se um fracasso.

A abelha, oh, a abelha, essa é a criança com que a escola não consegue lidar mas que, apesar de tudo, contra todas as probabilidades e com o apoio dos pais, tem auto-motivação suficiente para se sair bem, embora todos dissessem que ela nunca chegaria a lugar nenhum.


Tive o enorme prazer de conhecer muitas abelhas.

FIM - Vejam o vídeo, em inglês, aqui.

Cada criança possui uma personalidade e uma mistura talentos única, encontrada em mais lado nenhum. Algumas são intelectualmente capazes, outras são abençoadas emocionalmente e muitas nascem com uma criatividade artística incrivel. Cada criança possui a sua própria colecção exclusiva de talentos.

Os nossos filhos não nascem com um manual de instruções. Os pais mais eficazes estão sempre aprendendo, estudando e adaptando as “instruções” às personalidades únicas dos seus filhos. Cada criança é tão única como as suas impressões digitais; são verdadeiros diamantes de incomparável beleza.

Não deixem que os vossos filhos se transformem em cangurus!

Traduzido daqui.

quarta-feira, 11 de março de 2009

Ensino doméstico: um exemplo

Paigle nunca frequentou a escola; em vez disso, foi educada em casa pela mãe, Bev. A sua educação não seguiu o currículo tradicional - a ênfase foi sempre colocada nas matérias em que ela estava naturalmente interessada e, assim, mais motivada a aprender - incluindo psicologia, que começou a estudar aos 12 anos.

"A minha mãe orientava a minha educação, mas eu estava muito motivada e tendia a organizar os meus próprios estudos."

Paigle concentrou-se nas matérias que adorava: inglês, psicologia e teatro. Mas a sua educação também incluía outras disciplinas mais tradicionais, como a matemática e a ciência.

Agora, com 16 anos, quer fazer o 12º ano e está escolhendo uma escola e investigando o que é preciso para a matrícula. Sem as qualificações formais do 11º ano, Paigle terá de provar à escola que tem a capacidade de estudar ao nível do 12º ano:

"Estou totalmente convencida de que não terei dificuldades nenhumas de estudar a esse nível. Muitos dos jovens que seguem o ensino doméstico decidem a certa altura fazer o 12º ano. Isto agora é completamente normal, e a maior parte das escolas e universidades esperam receber alunos que foram educados em casa. Não considero o ensino doméstico como sendo uma desvantagem.

Os benefícios, para mim, foram óptimos! Como era eu a decidir o meu horário de estudos, tive a oportunidade de fazer muito trabalho voluntário. Estou convencida que se tivesse frequentado a escola não teria a experiência de vida que agora tenho. Se alguém estiver a pensar educar os filhos em casa, aconselho-os a encontrarem a solução que melhor se adequa aos seus filhos. O ensino doméstico resultou muito bem comigo, mas não é para toda a gente. Há jovens que respondem melhor a professores do que, por exemplo, a mães-educadoras".

Original aqui (parte final do artigo).

Por onde andámos...

Hoje fomos até Portishead!