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quinta-feira, 30 de abril de 2009

O acto de aprender

Paulo Freire, reflectindo sobre o acto de aprender:

Aprender não é acumular certezas
Nem estar fechado em respostas
Aprender é incorporar a dúvida
e estar aberto a múltiplos encontros

Aprender não é dar por consumida uma busca
Aprender não é ter aprendido
Aprender não é nunca um verbo do passado
Aprender não é um acto findo
Aprender é um exercício constante de renovação















Aprender é sentir-se humildemente sabedor de seus limites,
mas com coragem de não recuar diante dos desafios
Aprender é debruçar-se com curiosidade sobre a realidade
É reinventá-la com soltura dentro de si

Aprender é conceder lugar a tudo e a todos
e recriar o próprio espaço















Aprender é reconhecer em si e nos outros o direito de ser,
dentro de inevitáveis repetições
porque aprender é caminhar com seus pés um caminho já traçado

É descobrir de repente uma pequena flor inesperada
É aprender também novos rumos onde parecia morrer a esperança

Aprender é construir e reconstruir pacientemente
uma obra que não será definitiva
porque o humano é transitório
















Aprender não é conquistar, nem apoderar-se mas peregrinar
Aprender é estar sempre caminhando
não é reter, mas comungar

Tem que ser um acto de amor
para não ser um acto vazio.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Por onde andámos...

O jardim de trás está cheio de "ervas daninhas" e a precisar de uma arrumadela. Vou ter que arregaçar as mangas e aprender a jardinar!

Nem sei o nome das flores que aqui estão mas, na aprendizagem, não saber é o importante, pois é daí que vem a vontade de saber.

Gosto muito destas compridinhas e violetas.

Tenho mesmo muito que aprender! Sei que vou fazer muita "asneira" e isso também é importante. Thomas Edison salientava a importância dos erros. Aprender o que não resulta é parte essencial do processo de descobrir o que resulta. Experimentando é que a gente aprende!

Educação, doutrinação e propaganda

Excerpto do livro A arte da felicidade (abre livro, ver página 111), do Dalai Lama e Howard C. Cutler:

"Uma vez, um refugiado tibetano falou comigo acerca da escola chinesa que foi obrigado a frequentar quando jovem, ainda em crescimento, no Tibete. As manhãs eram dedicadas à doutrinação e ao estudo do "pequeno livro vermelho" do Presidente Mao. As tardes eram voltadas para a apresentação de vários trabalhos de casa, geralmente planeados de modo a erradicar do povo tibetano o espírito do budismo neles profundamente entranhado.

Por exemplo, tendo conhecimento da proibição budista de matar e da crença de que todas as criaturas vivas também são "seres sencientes", um professor deu aos seus alunos a tarefa de matar uma coisa e trazê-la para a escola no dia seguinte. Os alunos recebiam notas. Cada animal morto recebia uma quantidade de pontos - uma mosca valia um ponto; uma minhoca, dois; um camundongo, cinco; um gato, dez; e assim por diante. (Recentemente, quando contei esta história a um amigo, ele abanou a cabeça com uma expressão de nojo e comentou: "Quantos pontos ganharia o aluno que matasse esse professor infame?")"

terça-feira, 28 de abril de 2009

O desejo de ensinar e a arte de aprender

Leiam que vale a pena. Rubem Alves descreve a sua experiência na Escola da Ponte (página 44 em diante). Cliquem no quadradinho de cima mais à direita e o livro ficará do tamanho do monitor. Para voltarem ao blogue cliquem outra vez no mesmo sítio.

Evitar o bullying com o ensino doméstico

Bullying como motivo para educar em casa

Um menino de 11 anos de idade suicidou-se na semana passada. Onze anos! Que tipo de desespero esmagador o teria levado ao suicídio? De acordo com a família, ele era vítima de constantes e repetidas agressões, tanto físicas como emocionais. Onde? Na escola!

Não consigo imaginar o que os pais estarão sentindo. A morte de um filho é sempre trágica e horrível. Os pais nunca deveriam ter de enterrar um filho. Nunca. Mas uma criança matar-se devido ao ambiente social da escola, isso é mais que trágico: é revoltante.

A escola que Jaheem frequentava tinha um programa anti-bullying, e muitas escolas têm uma política de tolerância zero ao assédio moral. Mas é óbvio que aquilo que os adultos vêem e aquilo que as crianças estão experienciando parece ser muito diferente.

Aqui fica o link para o artigo, que é curto, mas reparem, nos comentários, a quantidade de pessoas a recomendar o ensino doméstico para estas preciosas crianças que estão sendo vítimas de bullying.

Que tragédia sem sentido!

Por Melissa Caddell

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Encontro sobre a Educação Intuitiva

No dia 18 tive a oportunidade de ir à reunião da Educação Intuitiva, moderada pela Natália Fialho, em Alcabideche, Cascais.

Como a Isabel (foto abaixo) já disse, em desencontros e encontros, foi tudo muito à última da hora: tinhamos nos encontrado no dia anterior, e foi assim que vim a saber da reunião.

Já agora aproveito para recomendar a todos interessados no ensino doméstico que visitem o blogue da Isabel porque hão-de lá encontrar muita informação e muitos, muitos exemplos desta forma alternativa de educar os nossos filhos.

Mas voltando ao encontro sobre a educação intuitiva, conhecida aqui no Reino Unido como attachment parenting: encontrar a casa da Natália, com tantas obras e desvios nas estradas, não foi assim tão fácil! Parece-me que em Portugal as obras nunca acabam! O esforço valeu bem a pena: que bom que foi ver um grupo de pais tão dedicados à busca de novos caminhos...

Também tive a oportunidade de conhecer a Rute (foto à esquerda), do publicar para partilhar, blogue que recomendo a todos que se interessem pelo vegetarianismo: está cheio de receitas deliciosas!

E já agora aproveito a oportunidade para agradecer à Rute a nomeação para o Lemonade Award, e à Meninheira pelo Prémio Symbelmine!

domingo, 26 de abril de 2009

Crueldade, comparação e educação

Aqui fica mais uma citação de Krishnamurti:

"A crueldade é uma doença infecciosa que é absolutamente necessário evitar. A crueldade tem muitas formas: um olhar, um gesto, uma frase cortante e, acima de tudo, a comparação.

Todo o actual sistema de 'educação' está baseado na comparação. A é melhor que B, e portanto deve ser como A, deve imitá-lo. Isto na sua essência é crueldade, e esta, em última análise, é expressa pelos exames."

Por onde andámos...

Quando estivemos em Portugal passámos uns dias perto de Lisboa

por isso não perdemos a oportunidade de ir até lá e ao Museu Calouste Gulbenkian.

Vimos a colecção do Centro de Arte Moderna e uma exibição de Heimo Zobernig.

Este quadro (na foto acima) fez-me lembrar o meu filho que, aí há uns 3 anos atrás, no primeiro ano do ensino doméstico, durante uma conversa sobre arte conceitual e art bollocks, virou-se para mim e disse: "I'm going to paint a white canvas in white paint, call it 'Emptiness' and sell it for loads of money!"

Gostei de revisitar os jardins. Em Portugal, infelizmente, não é fácil encontrar espaços verdes. Jardins como este, bonitos e agradáveis, são bem raros.

Gostei especialmente do percurso do lago...

sábado, 25 de abril de 2009

Como funciona o ensino doméstico VI

O futuro: universidade ou não?

Continuação: a 1ª parte deste artigo está aqui, a 2ª aqui, a 3ª aqui, a 4ª aqui e a 5ª aqui.

Para os pais que estão a pensar na possibilidade do ensino doméstico para os filhos, uma das maiores preocupações é a universidade. Essa questão aparece quase sempre na lista de "perguntas mais frequentes" dos sites relacionados ao ensino doméstico: "O aluno que seguiu o ensino doméstico entrará na faculdade?" A resposta a esta pergunta parece ser um sonoro "Sim!"

Em vários livros e na internet encontramos muitas estórias de sucesso sobre alunos educados em casa que foram para a universidade dos seus sonhos, incluindo as do grupo 'Ivy League', como Harvard, Yale e Princeton. Tal como qualquer aluno da escola tradicional, os alunos do ensino doméstico devem começar a escolher o curso e a universidade que pretendem frequentar durante o 9º ano (ou seu equivalente). Além disso, podem e devem fazer os exames do 12º ano. Atenção especial deve ser dada à manutenção das fichas destes alunos e cartas de recomendação de mentores, tutores, instrutores e assim por diante devem ser obtidas.

Ainda que a aprendizagem, especialmente a aprendizagem para toda a vida, pareça ser o foco de muitos métodos do ensino doméstico, a universidade não é necessariamente o objectivo de todos os jovens que seguem o ensino doméstico. Sem estarem presos às programações rígidas do ensino tradicional, os jovens que aprendem em casa podem começar a pensar noutras alternativas. Como já seguiram uma metodologia não convencional, hesitam muito menos em continuar a fazê-lo. Para estes jovens de mente aberta para a vida, o "método da não-universidade" pode ser o caminho em frente.

No seu livro "Alternativas à universidade: carreiras incríveis e aventuras surpreendentes fora da universidade", a autora Danielle Wood apresenta várias possibilidades para os jovens que decidem não fazer um curso universitário.

Neste livro bem organizado, aqueles que não estão preparados para abdicar totalmente da experiência universitária encontrarão sugestões para actividades entre o 12º ano e a entrada para a universidade. O livro também inclui muitas informações relativas a programas de aprendizagem alternativa e programas para estagiários.

Aqui fica um exemplo do que se pode fazer em vez da universidade:

Aluno do ensino doméstico torna-se autor mais vendido

Aos 15 anos de idade, Christopher Paolini havia completado o ensino médio e estava pronto para entrar para um colégio e, depois, para uma universidade. Milhares de leitores estão felicíssimos devido ao falhanço dos seus planos.

Em vez de escrever teses para a faculdade, Paolini decidiu escrever a sua primeira obra de ficção: Eragon. O resultado? Obteve um contracto para três livros com a Knopf e vendeu os direitos para o filme à FOX 2000 - o seu futuro não poderia ser mais brilhante. O jovem autor atribui o seu sucesso ao ensino doméstico:

"O que fiz só foi possível porque os meus pais foram dedicados e gostavam de nós o suficiente para matricularem, a mim e à minha irmã, no ensino doméstico.

A minha mãe, uma ex-professora do métido Montessori e autora de vários livros para crianças, arranjou tempo para nos ensinar todos os dias. Além das lições dos livros escolares, ela deu-nos muitos exercícios para estimular a criatividade".


FIM

Flower power

Mais umas fotos (das que tirei no Algarve):

Acho que estas são corriolas-rosadas (Convolvulus althaeoides),

estas duas não sei os nomes,

mas se vocês souberem, digam!

E estas, acho que são malmequeres das praias (Anthemis maritima)...

sexta-feira, 24 de abril de 2009

Toffler fala sobre a educação



Toffler
: "Precisamos de fazer a transição da educação em massa para um modelo mais individual, que ofereça uma diversidade de formas de ensino. Recentemente recebi um e-mail de um jovem asiático muito articulado que dizia: “A escola está a preparar-me para um futuro que não ocorrerá. Deixei de aprender lá. Acho que seria melhor educar-me a mim mesmo. Quero deixar a escola. O que o senhor sugere?”. Esse garoto é realmente inteligente."

Por onde andámos...

e os animais que vimos (fotos tiradas no Algarve, em Alvor):





quinta-feira, 23 de abril de 2009

Instead of Education - John Holt

Aqui fica mais um livro de John Holt, espero que gostem. (Se clicarem no quadradinho de cima mais à direita o livro ficará do tamanho do monitor. Para voltarem ao blogue é só clicar outra vez no mesmo sítio).

A compulsão na educação

Ontem devorei outro livro que trouxe da biblioteca: desta vez foi Escola e Sociedade de Bertrand Russell. Embora o livro não mencione o ensino doméstico, o argumento usado contra o ensino obrigatório é partilhado pelas famílias que optam pelo unschooling. Ora vejam:

"Outro efeito da compulsão na educação é destruir a originalidade e o interesse intelectual. O desejo de saber, pelo menos por uma quantidade razoável de saber, é um fenómeno natural nos jovens, mas que é geralmente destruído pelo facto de lhes ser ministrado mais do que aquele que desejam ou que são capazes de assimilar.

As crianças que são obrigadas a comer em breve adquirem uma forte detestação pela comida, e as crianças que são obrigadas a aprender adquirem de igual modo uma detestação pelo saber.

Quando pensam, não o fazem espontaneamente, da mesma forma que correm, saltam ou gritam; pensam tendo em vista agradar a um adulto e, por conseguinte, tentando fazê-lo de forma correcta mais do que a partir de uma curiosidade natural. Esta destruição da espontaneidade é particularmente desastrosa no domínio das artes."

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Citações: Krishnamurti

Ontem acabei por passar na biblioteca. Saí de lá com alguns livros, entre eles, Cartas às Escolas, de Krishnamurti. Aqui ficam umas passagens:

"O conhecimento não leva à inteligência. Acumulamos muitos conhecimentos sobre muitas coisas, mas parece ser quase impossível agir inteligentemente em relação àquilo que se aprende.

Escolas, institutos, universidades cultivam o conhecimento acerca dos nossos comportamentos, do universo, das ciências e da tecnologia, sob todas as formas.

Esses centros de educação raramente ajudam um ser humano a saber viver a vida de todos os dias."

E esta a seguir, embora não se refira ao unschooling, descreve muito bem o seu espírito:

"Todo o movimento da vida é aprender. Não há tempo nenhum em que não haja aprendizagem. Em toda a acção há esse movimento de aprender, e toda a relação é aprendizagem.

Para aprender a arte de viver é preciso tempo disponível, tempo de observação. Só a mente não ocupada pode observar."

terça-feira, 21 de abril de 2009

O ensino doméstico na sociedade do conhecimento

Tenho andado a ler "O Sistema de Ensino em Portugal", um livro que reune textos de palestras dadas em 1996 num Curso de Verão organisado pelo Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa.

Num dos textos, Roberto Carneiro fala da questão do ensino, dos seus desafios actuais e da emergência de um novo paradigma. O que achei engraçado é que o ensino doméstico daria resposta a muitos destes desafios, embora não tivesse sido mencionado.

A páginas tantas, por exemplo, o autor diz-nos que o Prof. Agostinho da Silva costumava dizer que "o ideal de uma escola é uma instituição que está aberta 24 horas por dia, 7 dias por semana, 365 dias por ano. Para quê? Para eu poder lá ir perguntar, a qualquer momento, aquilo que eu não sei."

Pensei imediatamente na internet: qualquer criança ou adolescente que aprenda em casa (e aqui tenho de clarificar que no ensino doméstico a sala de aulas não se limita à casa, ao lar - no ensino doméstico "o mundo é a sala de aulas") e que tenha acesso ilimitado à internet andaria na escola ideal do Prof. Agostinho da Silva!

Mas voltemos ao texto, que fala também da sociedade do conhecimento (ou sociedade cognitiva) em que vivemos e da necessidade de novas competências. A escola actual não ajuda ninguém a desenvolver estas competências porque é baseada no modelo fabril.

"Na sociedade cognitiva, abre-se definitivamente a crise do modelo fabril inspirado na sociedade industrial e na seriação fordiana, em que há uma matéria prima que passa por uma linha de montagem, para se inculcar valor acrescentado."

Os nossos filhos são a matéria prima a ser transformada em capital humano.

"Em termos metafóricos é esta a nossa herança. Trinta crianças numa sala de aula, altamente disciplinadas, passivamente aprendendo aquilo que o professor, senhor da autoridade do conhecimento e do saber, lhe transmite... esta era a forma mais hábil e consentânea com as necessidades da sociedade fabril e industrial, onde o modelo de produção era essencialmente assente numa rotina de trabalhos para a qual se pretendia que as pessoas fossem disciplinadas e obedientes."

A escola tradicional visava formar trabalhadores obedientes. Mas com a globalização as necessidades são outras. O mercado de trabalho exige trabalhadores inovadores e criativos, capazes de imaginar novas possibilidades e alternativas, capazes de resolver problemas, de analisar situações complexas, de fazer mediação de conflitos, de comunicar com pessoas de outras culturas, de desaprender modelos obsoletos e tornar a aprender ao longo de toda a vida.

"Como é que estas novas competências são adquiridas num mundo mergulhado na informação, onde a escola não tem mais o monopólio da sua transmissão? Na verdade, a informação chega hoje por todos os lados: pela TV, pelos novos media, pelos CD ROM's, pelos jornais, pela comunicação global e total que tem lugar no nosso mundo, onde muitas competências são adquiridas individualmente por métodos totalmente não formais. Não estará longe o dia em que qualquer pessoa, pela internet, pode estudar línguas, desenho de máquinas, história, ou qualquer outra disciplina do conhecimento."

Bem, para nós, e para muitas famílias, esse dia já chegou! Através da internet, de grupos de trocas de conhecimentos e recursos educacionais, de redes sociais, de encontros com outras famílias que optaram pelo ensino doméstico, e assim por diante, o acesso à aquisição dessas competências é fácil. Não que o objectivo seja que os filhos venham a ter sucesso trabalhando para corporações multinacionais, pois muitas famílias que optam pelo ensino doméstico estão plenamente conscientes da insustentabilidade da sociedade de consumo e colocam as suas energias, como dizia Gandhi, "sendo a mudança que querem ver no mundo".

Seguidamente, o texto fala do problema da ausência de sistemas de reconhecimento e de acreditação dessas competências porque as instituições académicas e escolares têm o monopólio na emissão de diplomas. Para mim, como para vários outros, a falta de acreditação não é necessariamente um problema. Mas isto dava muito que falar e hoje já não tenho tempo. Está um dia bonito demais para ser desperdiçado na internet! A campainha está a tocar e a sala de aulas para onde vou é a praia!

sábado, 18 de abril de 2009

Teach Your Own: Livro de John Holt

Como hoje, no encontro sobre a educação intuitiva, vi que várias pessoas pareciam estar interessadas nas ideias de John Holt, deixo-vos aqui um dos livros dele, em inglês.

teachyourown

Como funciona o ensino doméstico V

Estilos de aprendizagem

Continuação: a 1ª parte deste artigo está aqui, a 2ª aqui, a 3ª aqui e a 4ª aqui.

Já ficámos com uma ideia geral das várias metodologias que o ensino doméstico pode adoptar. Agora, antes de optarmos por um determinado método, devemos ter em conta o estilo de aprendizagem dos nossos filhos.

Basicamente, existem quatro maneiras de aprender:

* A criança visual é aquela que precisa de ver as coisas para as compreender bem. As crianças visuais respondem bem a diagramas, imagens, gráficos, livros com gravuras e assim por diante. Às vezes gostam de responder a novos conhecimentos criando representações visuais deles.

* A criança auditiva é aquela que aprende ouvindo e falando.
Devido ao seu elemento narrativo, o método de Charlotte Mason é um bom exemplo da metodologia usada para as crianças auditivas.

* A criança táctil é aquela que aprende através do tacto. Uma boa maneira de ocupar estas crianças é através de viagens pelo campo, experiências, projectos artesanais e assim por diante.

* A criança cinestésica precisa de estar intimamente envolvida com aquilo que está a aprender. Por exemplo, se estiver a ler uma história sobre barcos quer ir logo ver os barcos de verdade ou aprender a remar.

Vocês já devem ter uma ideia de qual o tipo de criança os vossos filhos são mas se não a tiverem, comecem a observá-los com atenção. E tentem também descobrir como é que vocês, os pais, melhor aprendem, para estarem conscientes da maneira como influencia a maneira em que vocês naturalmente educam os vossos filhos.

Para os pais, o ensino doméstico é um processo de aprendizagem tanto quanto para os filhos. Vocês não precisam ficar vinculados a um método para sempre. Se resolveram usar o método estruturado mas estão a achá-lo muito rígido, tentem as unidades de estudo. Se essas não derem certo, tentem o método eclético.

De acordo com vários sites e livros sobre o ensino doméstico, muitas famílias avaliam o processo educativo regularmente: nunca é tarde demais nem cedo demais para o ensino doméstico e se não der resultado podem sempre tornar a matricular os vossos filhos numa escola mais tradicional.

Acaba aqui.

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Por onde andámos...

Praia da Rocha, Portimão

Casinhas típicas de Alvor

Praia de Alvor

terça-feira, 7 de abril de 2009

Como funciona o ensino doméstico IV

Continuação: a 1ª parte deste artigo está aqui, a 2ª aqui e a 3ª aqui.

Método Charlotte Mason


Este método baseia-se nos princípios de Charlotte Mason, descritos na sua obra em 6 volumes "The Original Home Schooling Series" (abre livro, em inglês).

O estudo das belas artes e da natureza é parte integral deste método, além das matérias mais comuns. O elemento que se destaca nesta obra, porém, não é tanto um método de ensino mas a forma de avaliar os conhecimentos adquiridos. Para quantificar a aprendizagem, em vez de usar a forma comum de perguntas e respostas, utiliza um processo chamado "narração" .

A autora Catherine Levison explica:

Pedimos à criança que nos conte tudo o que sabe a respeito do Canadá, da polinização, do sistema endócrino, da divisão polinomial ou qualquer outro assunto que estudámos durante o dia, semana ou ano. Isto ajuda os pais a saber imediatamente se os filhos compreenderam o material que estão estudando. A ideia principal é que não podemos narrar aquilo que não sabemos e só conseguimos narrar o que realmente sabemos.
Método Waldorf

O método Waldorf baseia-se nas pesquisas e trabalhos do cientista austríaco Rudolf Steiner. Preocupado em educar a "criança completa", Steiner enfatizou uma variedade de tópicos criativos que as escolas tradicionais geralmente consideram secundários, tais como as belas artes (pintura, música e teatro), idiomas estrangeiros, costura e até jardinagem. O estágio de desenvolvimento dos alunos dita os objetos de estudo e os trabalhos de grupo. Algumas pessoas referem-se a este método como o método da "cabeça, coração e mãos".

Aqui ficam umas ligações (livros e palestras de Rudolf Steiner):

The Education of the Child
A Educação Da Criança
Educação na puberdade (O ensino criativo)

Unidades de estudo

As unidades de estudo podem ser consideradas como o método multi-tarefas do ensino doméstico. Um tópico ou tema específico é examinado, durante uma semana ou um semestre, através de várias disciplinas académicas. O tópico ou tema pode ser qualquer coisa: um livro (como "Harry Potter"), um feriado, um desporto ou um animal. Esse tema é pesquisado através de várias disciplinas como a história, literatura, matemática e ciência. Este método pode ser bastante activo; os pais podem encorajar os filhos a decidir as actividades a incorporar à unidade de estudo: experiências científicas, cronologia, visitas a museus, pesquisas em bibliotecas, leitura de livros, programas ou documentários especiais na TV e assim por diante.

Unschooling


Também denominado aprendizagem direccionada pela criança e aprendizagem natural, o termo unschooling foi originalmente usado por John Holt. O método é exatamente esse: nada de escola.

Unschooling é um dos métodos do ensino doméstico, muito bem aceite por famílias norte-americanas e europeias. As crianças que seguem o ensino doméstico não vão à escola para aprender. Toda a aprendizagem é feita a partir de casa. O unschooling é ainda mais livre, apregoando que na aprendizagem as crianças devem seguir os seus próprios ritmos. A aprendizagem torna-se simplesmente uma parte natural da vida. Todos os dias é a criança que decide o que quer fazer, se quer ir à biblioteca ler sobre baleias ou passar o dia fazendo experiências científicas na cozinha.

À medida em que crescem começam geralmente a integrar aulas e cursos externos. O importante é que são os jovens que controlam os seus horários e que fazem os ajustes necessários para os cumprir. Como observa um jovem que não frequentou escola: "estou a planear o que fazer. Tenho um grande sentido de responsibilidade naquilo que faço. Em vez de me forçarem a andar de actividade em actividade e me obrigarem a fazer determinadas coisas em determinados dias e horas, sou eu quem decide". Com esse poder de decisão vem a responsabilidade da gestão do tempo.

Os pais estão sempre à mão para dar apoio. Eles encorajam e ajudam a manter o ambiente de aprendizagem rico e real, respondendo a perguntas e funcionando como uma fonte de ideias, mas seguindo sempre as directrizes dos filhos.

Método eclético

Esta metodologia é como um menu de métodos. Na abordagem eclética, os pais selecionam uma série de elementos de alguns (ou todos) estilos do ensino doméstico e criam um método personalizado. A vantagem desta metodologia é que ela é muito flexivel, podendo ser facilmente adaptada a qualquer estilo de aprendizagem.

Além de todos estes métodos, existem ainda mais possibilidades para quem segue o ensino doméstico. Várias escolas - públicas, privadas e escolas virtuais - oferecem oportunidades de aprender à distância através da internet. Os estudantes do ensino doméstico também podem fazer cursos, por correspondência, disponibilizados por universidades de todo o mundo.

Agora que já têm uma ideia das várias metodologias e de como encontrar mais informações sobre cada uma delas, há ainda um outro elemento crucial em que devem pensar: os estilos de aprendizagem.

Continua aqui.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

Como funciona o ensino doméstico III

Continuação: a 1ª parte deste artigo está aqui e a 2ª aqui.

Os primeiros passos

Entrem em contacto com outras famílias que já praticam o ensino ensino doméstico e ponham-se a par da legislação.

Métodos usados no ensino doméstico I

Muitas pessoas, quando pensam no ensino doméstico, imaginam três ou quatro crianças sentadas à volta duma mesa na cozinha escrevendo freneticamente nos seus cadernos com a mãe ali por perto. Embora às vezes esse seja o caso, a verdade é que no ensino doméstico não existe um dia típico. Com tantos ramos do pensamento sobre os processos educativos, existem, no ensino doméstico, tantos métodos didáticos e filosofias de educação quanto famílias que os utilizam. Vamos agora descrever alguns desses métodos.

Ensino doméstico estruturado

Conhecido como homeschooling, escola em casa ou método tradicional, é exatamente o que o nome descreve: um ambiente semelhante ao que o estudante encontraria numa escola tradicional. Os pais desempenham o papel de "professor", utilizando um conteúdo programático que se aproxima ou é igual ao que o aluno estaria seguindo numa escola tradicional pública ou privada. Com este método, os pais podem comprar uma série de materiais didáticos que acompanham o currículo nacional.

Educação clássica

Este método baseia-se em dois princípios fundamentais:
* Há três fases ou estágios de aprendizagem que dependem uns dos outros:

Gramática: alunos com "idade para aprender gramática" concentram-se na memorização e colecção de factos.

Lógica: alunos mais crescidos concentram-se no pensamento crítico, colocando os pedaços de informação que colheram dentro de um contexto.

Retórica: alunos mais velhos avaliam as informações e são capazes, a partir delas, de formular um argumento bem articulado .

* Essas fases de aprendizagem são concentradas na linguagem e dependentes da palavra (escrita e falada), em vez da aprendizagem visual, que utiliza imagens tais como fotos, vídeo ou filmes.

Para uma explanação minuciosa deste método consultem o livro "The Well-Trained Mind: A Guide to Classical Education at Home", de Jessie Wise e Susan Wise Bauer.

O método Montessori


Baseado nas pesquisas e textos de Maria Montessori, este método vê a criança como professor e aluno. A aprendizagem é vista como um processo natural e auto-dirigido. Os princípios deste método concentram-se no que Montessori chamou "mente absorvente". A criança é livre para aprender no seu próprio ritmo, interagindo e respondendo ao ambiente. O pai ou professor, agindo como "guardião do ambiente", tem a função de criar uma situação que encoraja e leva a criança a explorar o ambiente à sua volta. Para os mais pequeninos, isto inclui proporcionar materiais didáticos do tamanho das crianças, por exemplo, pequenas cadeiras e mesas. Aqui fica o livro dela, em inglês.

The Montessori Method

Continua aqui...

domingo, 5 de abril de 2009

Como funciona o ensino doméstico II

A primeira parte do artigo encontra-se aqui.

A decisão de educar os filhos em casa


Educar os filhos em casa é uma decisão importante. Como em qualquer outra decisão, o essencial é pesquisar o tópico falando, idealmente, com pessoas que já têm alguma experiência e perguntando-lhes o que elas gostam - e não gostam - do ensino doméstico. Se não conhecem ninguém, tentem saber se os vossos amigos ou vizinhos conhecem. Também existem vários sites, fórums e grupos-yahoo sobre o ensino doméstico onde podem entrar em contacto com famílias que já praticam o ensino doméstico.


As bibliotecas também podem ser úteis. Além de livros de referência, como o Homeschooling Almanac de Mary e Michael Leppert, e Homeschooling for Success, de Rebecca Kochenderfer e Elizabeth Kanna, pode ser que consigam encontrar livros como Real-Life Homeschooling, de Rhonda Barfield, que conta a história de 21 famílias muito diferentes que praticam o ensino doméstico.

Se estiverem a pensar no ensino doméstico como uma possível via para os vossos filhos, vale a pena reflectir em algumas questões. Se quiserem, podem escrever as vossas respostas para futura referência.

Por que é que querem praticar o ensino doméstico?

Se decidirem optar pelo ensino doméstico, a resposta a esta pergunta vai ajudar-vos a escolher o método ou estilo. Portanto, é boa ideia serem o mais claros possível.

A vossa família tem condições para o ensino doméstico?

Os custos financeiros dos materiais necessários para o ensino doméstico variam muito: entre umas centenas de euros por ano ou muito, muito mais. Normalmente o maior custo é o de um salário perdido. Nas famílias que praticam o ensino doméstico é normal um dos pais ficar encarregado da educação dos filhos. Isso geralmente significa que não terá muito tempo disponível para o trabalho remunerado. Contudo, como cada vez mais pessoas trabalham em casa, este não é o único cenário. Na verdade, há famílias onde ambos os pais conseguem trabalhar, como por exemplo quando trabalham por conta própria a partir de casa. Nesta situação, com uma programação criativa, os pais podem adoptar o papel de "professor" do ensino doméstico e ter também outro emprego.

Sentem-se preparados (as) para educar os vossos filhos?

Notem que a pergunta se concentra no que VOCÊS sentem, e não no que o Estado ou a Direcção Regional de Educação acha. O que VOCÊS sentem é essencial, pois a auto-confiança é muito importante. Se a ideia de assumir responsibilidade pela educação dos vossos filhos vos arrepiar, isso é algo que não devem ignorar.

O que é que os vossos filhos sentem e pensam a respeito do ensino doméstico?

Quer os vossos filhos tenham sete anos de idade quer sejam adolescentes, esta pegunta é importante. Se vocês não têm reservas quanto ao ensino doméstico e se os vossos filhos também concordam, isso já é um grande avanço. Mas se os vossos filhos não estiverem completamente seguros de que é isso que querem, se não estiverem prontos a optar pelo ensino doméstico e a planejar o material, tentem descobrir porquê. Façam uma lista dos prós e contras e, conversando, tentem identificar os pontos que estão influenciando a decisão final. Poderão convencer os vossos filhos de que o ensino doméstico seria a melhor decisão ou eles poderão convencer-vos que não. Pode ser que decidam experimentar por algum tempo. Tomem nota destas discussões iniciais e voltem ao tema no final do primeiro ano do ensino doméstico. Este processo pode ser o vosso primeiro projecto educativo.

A partir de agora, para efeitos deste artigo, vamos supor que vocês optaram pelo ensino doméstico. Qual é o passo seguinte? Identificar os requisitos legais para o ensino doméstico.

Continua...

Por onde andámos...

Domingo de manhã. Corridas de cães, pelo que parece.

Não está muita gente, mas a que aqui está leva isto a sério!

Os ingleses adoram cães... e levá-los a passear...

Também gostam de jogar futebol. Eu não, nem que me pagassem!

Prefiro ver os corvos,

e a paisagem...

A maré estava completamente vazia

mas as árvores já estão em flor.

Bonito, não? Sabem que árvore é?

sábado, 4 de abril de 2009

Como funciona o ensino doméstico I

Tradução livre de um artigo de Katherine Neer sobre o ensino doméstico nos E.U.A.

Introdução

O Centro Nacional de Estatísticas da Educação dos E.U.A. (NCES) diz-nos que em 2003 cerca de 1,1 milhão de estudantes estava no ensino doméstico, aprendendo em casa em vez de frequentarem escolas públicas ou privadas. Várias organizações do ensino doméstico sugerem que na verdade o número é muito maior, chegando a atingir o dobro, pois embora normalmente as famílias tenham de notificar as Direcções Regionais de Educação, em 9 Estados a lei não exige que o façam.

Grupo de ensino doméstico visitando o Serviço Meteorológico

Nos E.U.A., em 2002-2003, 1,1 milhão de alunos era o equivalente a 0,5% da população em idade escolar. A percentagem, embora talvez não pareça, é significativa quando nos apercebemos do que tem vindo a acontecer: há 20 anos o ensino doméstico era ilegal nos Estados Unidos. Em meados da década de 90, graças a algumas famílias muito activas em relação ao ensino doméstico e a alterações na legislação, o movimento acelerou e desde então tem sido uma bola de neve.

No ano lectivo de 1985-1986, o número de alunos inscritos no ensino doméstico em North Carolina era 809. Em 1990-1991 o número aumenta para 4.127, e em 1995-1996 atingiu os 13.801. No ano 2000-2001 já eram 33.860 e em 2003-2004 aumentou para 54.501.

Mas porque é que o ensino doméstico está a ganhar popularidade? Porque é que os pais preferem educar os filhos em casa? Num inquérito ao ensino doméstico realizado pela NCES em 2003, os pais foram questionados sobre os motivos que os levaram a optar pelo ensino doméstico por grau de importância:

31% decisão devido à preocupação com o ambiente das escolas.

30% fazem-no para transmitir valores morais e crenças religiosas.

16% optaram pelo ensino doméstico devido à insatisfação com a qualidade do ensino nas escolas.


Neste artigo vamos falar sobre o significado do ensino doméstico, os vários métodos praticados e o que os pais precisam saber se estiverem a pensar educar os filhos em casa.

O que é o ensino doméstico?


Nos E.U.A., a definição de ensino doméstico, por razões legais, é diferente de Estado para Estado. Em North Carolina, por exemplo, a definição é a seguinte:

"uma escola privada na qual 1 ou mais crianças de não mais de 2 famílias recebe instrução acadêmica dos pais, tutores ou alguém de uma das casas."

Em Portugal, a lei define o ensino doméstico como:

"aquele que é leccionado no domicílio do aluno, por um familiar ou por pessoa que com ele habite."


Como nos E.U.A. a definição muda consoante o Estado, as exigências legais para o estabelecimento de uma “escola privada” para o ensino doméstico também mudam. Essas leis entram geralmente em vigor quando as crianças atingem os 7 ou 8 anos de idade. Por curiosidade, uma pequena lista das coisas que as crianças aprendem no ensino doméstico antes da idade escolar:

falar
andar
correr
brincar
cantar
vestir-se
amarrar sapatos
contar até 10, 20 ou mais
recitar o alfabeto
reconhecer as letras do alfabeto
soletrar o nome

Estas são só algumas coisas básicas. Há muitas crianças que sabem ler, fazer contas, tocar um instrumento musical, nadar, dançar, etc, antes de terem idade para entrar na pré-primária. Geralmente, é um familiar (os pais, avós, irmãos mais velhos) que as ajuda a aprender a fazer essas coisas. Qualquer passeio em contacto com a natureza, mostrando várias plantas, insectos e animais, é uma experiência de aprendizagem. Qualquer ida ao jardim zoológico é uma experiência de aprendizagem. Até as actividades diárias, como fazer compras na mercearia e cozinhar, são experiências de aprendizagem.

Se as crianças aprendem naturalmente em casa, se é em casa que começam a aprender, porque é que há tanta preocupação com a educação? A resposta é simples: o ensino doméstico não é para todos. Mas, para alguns, é a melhor opção.

Jovens em regime de ensino doméstico visitando uma plantação de ananás em Maui

Existem montes de livros na internet demonstrando que o ensino doméstico pode ser uma experiência positiva para toda a família. Porém, como exige um enorme compromisso por parte dos pais e dos filhos, é uma decisão que não deve ser tomada levianamente.

A seguir vamos falar sobre o tipo de coisas que devemos ter em conta se estivermos a pensar seriamente no ensino doméstico.

Continua aqui...

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Ensino doméstico: um vídeo


As fotos foram tiradas hoje à tarde, em Ashton Court.
Fizemos uma photostory com informação sobre o ensino doméstico (a que está no cabeçalho e o que diz a lei) e colocámos no nosso canal do YouTube.

A música, Music of the Medieval Pilgrim on the Way to Bethlehem, é sufi, dos "dervixes rodopiantes" do Egipto. Se gostaram podem baixar gratuitamente aqui.

Por onde andámos...





Um cemitério para animais de estimação.