



Fotos: esta manhã, Combe Dingle.
A maior parte dos pais manda os filhos para a escola sem saber que tem o direito de os educar em casa. Em Portugal, como em vários outros países, o ensino doméstico é legal, definido como "aquele que é leccionado no domicílio do aluno, por um familiar ou por pessoa que com ele habite".
Essa é a rotina normal de Kuti e Ruwenzori Ra, de 9 e 7 anos, respectivamente. Para eles a escola é em casa, onde são ensinados por sua mãe, Kamau Mahakoe. Mahakoe, professora particular, jornalista e autora, e o marido, Omari Ra, conhecido pelos amigos por "African", decidiram educar os 4 filhos em casa, pelo menos durante a primária. African é artista e professor de artes cênicas e visuais.
A opção de educar os filhos em casa é reforçada pelo sucesso de Tchakamau, a filha mais velha que também foi educada em casa antes de entrar para Escola Secundária da Imaculada Conceição, uma prestigiada instituição para raparigas onde ela agora é uma estudante de honra.
Tchakamau entrou para a prestigiada escola devido aos excelentes resultados que teve nos exames a que se candidatou. Para entrar na Escola Secundária da Imaculada Conceição os estudantes têm de ter uma média de 90% nos exames.
"O sistema de ensino não tem qualidade nenhuma. Os miúdos têm de ter aulas extras aos sábados e domingos", disse Mahokoe, que é uma das professores particulares que dá aulas extras de preparação para os exames. Depois de completar o secundário em 1993, Mahakoe, uma verdadeira autodidacta, trabalhou no Banco Comercial Nacional por um ano e deu aulas na pré-primária antes dos filhos nascerem.
A educação domiciliar é apenas uma das várias opções não-convencionais da família, que escolheu nomes africanos para os filhos, tem uma dieta vegetariana e resolveu não aderir a nenhuma religião organizada. Mahakoe, no entanto, descreve-se como uma pessoa muito espiritual.
A família também está perturbada pelo nível de violência e mau comportamento que os jovens estão expostos na escola. Dizem que o ensino doméstico permite-lhes proteger os filhos da obscenidade nos meios de comunicação, transportes públicos e amizades destrutivas.
"A escola de hoje é um lugar perigoso. Há jovens que são mortas e violadas na escola", disse Mahaoke.
Ela não está preocupada com a possibilidade dos filhos estarem a perder oportunidades para participar em actividades artísticas, culturais e desportivas:
"Acho que as escolas colocam demasiada ênfase no desporto, que pode tornar-se uma grande distração. Embora seja importante que os nossos filhos conheçam a sua cultura, os meus filhos não perdem oportunidades disso. O pai trabalha na área das artes, eles entram em várias competições e lêem muito", disse ela.
Uma impressionante colecção de troféus que ganharam em competições de leitura e outras áreas reforça o seu ponto.
"Nós promovemos a ciência de uma maneira muito prática. Por exemplo, em vez de nos limitarmos a mostrar-lhes fotografias de instrumentos que aparecem nos livros, tentamos obtê-los para que eles os possam utilizar. Temos microscópios, telescópios e várias outras coisas para eles ligarem a teoria à prática", disse a mãe.
Africano, que estava no trabalho quando o inspector educacional visitou sua casa, deixou um relatório onde explicou:
"Introduzimos ciência, tecnologia e história bem cedo. Queremos que as crianças negras saibam que podem inventar, criar e transformar as suas vidas através da mobilização de recursos naturais e humanos para a sua sobrevivência. Como povo, não podemos escapar a marginalização sócio-cultural pelo desporto e entretenimento que são, na melhor das hipóteses, subprodutos dos ricos e ociosos, e na pior, um obstáculo ao desenvolvimento do povo negro."
Esta rejeição de desporto e entretenimento está bem enraizada na família. As crianças quase não assistem televisão e usam a internet apenas para fazer pesquisas.
Kuti e Ruwenzori mostram-se interessados em demonstrar o que sabem e deram ao inspector uma breve mas detalhada palestra sobre répteis antigos e dinossauros, os seus tamanhos, dietas e os períodos em que viveram.
"A minha ambição é ser paleontólogo, zoólogo, biólogo marinho ou um arqueólogo", disse Kuti, antes de se sair com definições precisas de cada uma dessas opções.
Achamos que temas importantes como a matemática, as ciências e a história negra não são adequadamente investigados, principalmente nos primeiros anos de escola. O sistema de ensino tem muito poucas expectativas das nossas crianças", opina African, depois de explicar que nestes últimos 15 anos o homeschooling cresceu imenso nos Estados Unidos precisamente porque o sistema de ensino público está em crise.
Quanto à falta de interacção social, cooperação e aprendizagem em grupo, Mahakoe diz que os filhos interagem com as crianças e jovens que vêm ter aulas extras e, claro, "têm-se uns aos outros".
O Ministério da Educação está ciente de que a educação domiciliar existe na Jamaica e actualmente não está acompanhando o processo.
O porta-voz do Ministério de Educação disse que na Jamaica não existe nenhuma política em relação ao homeschooling; a política do governo é assegurar que todas as crianças recebam uma educação. Observou também que a Convenção sobre os Direitos da Criança e outras leis relacionadas falam do direito que as crianças têm à educação mas que não há nada contra a educação domiciliar.
"Desde que as crianças não sejam vítimas de abusos e maus tratos e não precisem de cuidados e proteção especiais, o governo deve evitar intervir na vida privada da família. A não ser que as crianças manifestem comportamentos desviantes que possam estar directamente relacionados à sua educação, nós não podemos interferir. Os pais são os responsáveis pelos filhos e o Estado só interfere em casos de negligência e abuso", disse ele.
Embora o ministério não disponha de dados sobre o número de crianças educadas em casa, o porta voz disse que "ficaria surpreendido se houvesse mais de 50 jovens" ao nível do secundário, mas que o número de crianças educadas em casa ao nível da primária é maior, embora se tenha recusado a sugerir uma estimativa.Mahakoe e African admitem prontamente que a educação domiciliar não é para todos; muitos pais podem não ter condições por causa do empregos, outras responsabilidades e recursos. Mas dizem que o cepticismo inicial dos familiares e vizinhos depressa se transformou em admiração.
"Nós não acreditamos em fazer as coisas de uma maneira normal. Os nossos objectivos têm de ser excepcionais", disse Mahakoe.
No ensino doméstico, a educação é dirigida pelos pais. São eles que decidem como é que os filhos devem ser educados, com base nas suas personalidades únicas. A atenção que as crianças recebem é muito superior à que receberiam numa sala de aulas.
Tricia explica: "As crianças, quando pequenas, ainda não têm a capacidade de atenção desenvolvida. Quando [o ensino] é feito um-a-um, podemos adaptar o método de ensino-aprendizagem para se adequar à capacidade das crianças.
Zachary, por exemplo, que tem 5 anos, tem dificuldades de se sentar quietinho quando alguém lhe está contando uma estória. Ele gosta de ouvir e colorir ao mesmo tempo. Os professores não poderiam permitir que isso acontecesse numa sala cheia de alunos pois a situação poderia tornar-se caótica."
A família usa um currículo chamado Sonlight, que consiste num ano lectivo de 36 semanas e 16 semanas de férias. Eles têm aulas 5 dias por semana, das nove ao meio-dia, embora também haja oportunidade para aprender durante os fins de semana. Tricia ensina seus filhos, concentrando-se na religião, história, matemática, leitura, línguas, arte e ciências. Sonlight fornece todo o material necessário para completar o currículo anual, juntamente com orientações sobre o modo de estruturar a sua implementação. Foram atraidos pelo Sonlight por ser baseado em literatura e ensinar os alunos a pensarem por si mesmos.
Depois de Tricia ler uma estória aos filhos, eles discutem cada faceta e fazem pesquisas na internet sobre o país em que a estória ocorre. Às vezes, brincando, imitam partes das estórias, como fizeram com a estória de uma criança que ficou cega devido a um acidente com fogo de artifício. Brincaram “às cegas” andando pela casa com os olhos tapados para terem uma ideia do que seria se não pudessem ver.
Às vezes as pessoas pensam que estes miúdos perdem oportunidades essenciais para socialização, mas a verdade é que as crianças e os jovens não precisam estar rodeados de outras crianças e jovens de manhã à noite. Tricia conhece outras famílias que educam em casa; elas juntam-se e organizam excursões e passeios para as 12 crianças do seu grupo. Além disso, os miúdos também brincam regularmente com os amigos deles que andam na escola.
As famílias que optam pela educação domiciliar têm a vantagem de poupar dinheiro que podem depois usar para uma variedade de actividades extra-curriculares. A sua filha Gabrielle, por exemplo, anda no balé, tênis, francês, piano, natação e ginástica. Através destas actividades ela criou muitas amizades com crianças da sua idade.
Temos muitas vezes a percepção errada de que o ensino doméstico produz filhos estranhos e anti-sociais. Este não é o caso. Na verdade o mais provável é serem muito bem-educados. Quando as crianças passam 6 horas por dia e 5 dias por semana rodeadas por uma multidão de alunos, acabam assimilando uma série de maus hábitos. No ambiente familiar eles são influenciados pelos valores dos pais. Além disso, não estão sob pressão para comprar os itens que os colegas levam para a escola, como celulares e iPods.
Tricia diz que os filhos "estão felizes com o que têm e apreciam as coisas que têm. Não são vítimas de bullying e violência escolar. Continuam a ir a festas de aniversário e actividades com crianças que frequentam a escola. Não têm saudades nenhumas da escola."
As pessoas às vezes pensam que é preciso ser-se um tipo especial de pessoa para ter a paciência de fazer o que Tricia faz, mas ela insiste que não:
"Eu andava muito mais estressada quando os meus filhos andavam na escola. Tínhamos de nos levantar antes das 6 da manhã e era sempre uma correria louca para sairmos de casa às 7:15hrs. Agora eles acordam entre as 7 e as 7: 30 e podem preparar-se e tomar o pequeno almoço sem pressas. "
Os filhos de Tricia e Julian estão a ser muito bem educados. São inteligentes e curiosos sem serem arrogantes,e as suas habilidades sociais são impecáveis. Pelo que observei, a educação domiciliar tem ajudado estas crianças a crescer e a tornarem-se pessoas íntegras e maravilhosas.
Parece que afinal existe uma verdadeira alternativa, e de maior qualidade, às escolas privadas / particulares.
Links: Homeschooling works for Jamaican family
A lei permitia a educação domiciliar até ao final do ano 6 (até aos 12 anos). Em 2005 o Centro Estoniano do Ensino Doméstico foi estabelecido. Este centro de apoio à educação em casa tem organizado conferências e publicado uma série de artigos desde então.
O seu objectivo inicial era mudar a lei para que os jovens pudessem ser educados em casa. Porém, o governo surpreendeu o grupo ao publicar um documento que tornou o ensino doméstico possível até aos 16 anos, ou seja, até ao final da escolaridade obrigatória. Essa lei entrou em vigor em Setembro de 2008.
Se quiserem saber mais sobre a educação em casa na Estônia, podem visitar o site aqui. As fotos que aqui vêem foram retiradas desse site, e o artigo é uma adaptação deste.
Home School Legal Defense Association enviou um pedido formal ao director dos serviços sociais da Suécia e a vários outros funcionários públicos suecos e americanos, para que investigassem o caso de Annie e Christer Johansson.As famílias de Bristol que educam os filhos em casa reuniram-se ontem de manhã para um piquenique como parte de uma campanha nacional para informar o público sobre a aprendizagem em casa.
No piquenique para celebrar o não-regresso à escola, um entre vários organizados por todo o país, o objectivo era tanto passar a mensagem como o entretenimento - com as crianças correndo e soprando bolhinhas de sabão pelo parque.
Mãe de 2 filhos, Anita MacCullum, 35, disse:
"Tive inúmeras razões para optar pelo ensino doméstico; para nós foi definitivamente a escolha certa. Nós fazemos parte da comunidade, temos muito apoio e encontramo-nos frequentemente para participar em actividades de grupo. Nós vemos a educação como um processo constante de aprendizagem, e não como algo que só acontece quando estamos sentados nas aulas."
Holly Crossland, 25, estava no piquenique com a filha Isis, de 7 anos de idade. Holly, que vive sozinha com a filha, disse:
"As pessoas dizem que as crianças educadas em casa não têm a oportunidade de socializar, mas a Isis está-se divertindo imenso, brincando com todas estas crianças e pessoas de todas as idades.
As palavras “casa”, “doméstico” ou “domiciliar” são bastante enganadoras porque a casa é o lugar onde passamos menos tempo, uma vez que estamos muito com outras famílias e grupos. Quando chegou a altura em que eu podia ter enviado Isis para a escola, não me pareceu que isso fosse o melhor quando eu trabalho com crianças todos os dias."
George MacGregor, 14, foi educado em casa a maior parte da sua vida. Ele disse:
"Eu convivo com muitas pessoas de todas as idades - inclusive algumas que andam na escola. Eu gosto de aprender em casa, mas exige muita auto-motivação da minha parte e da dos meus pais."
Original aqui. Mais notícias sobre a celebração da liberdade de educação no Reino Unido aqui.
Até produziram folhetos informativos, como este. As fotos que se seguem foram tiradas esta manhã, no piquenique aqui em Bristol. Infelizmente não tirei nenhuma foto que mostre a quantidade de famílias, crianças e jovens que participaram, mas podem dar uma olhada aqui, no artigo que saiu no jornal, embora o tamanho seja pequeno.
Tive a oportunidade de me encontrar com a Anita, que vêem aqui toda concentrada a ensinar a usar a máquina fotográfica. O filho dela tem a síndrome de Asperger e para ele a escola seria um verdadeiro pesadelo. Conhecia-a há uns 12 anos, quando ela estava a acabar o curso de community arts, o que me faz lembrar o bate papo de ontem, pois às tantas reparámos que a maioria entre nós estava envolvida numa forma de arte ou outra...
O resto deste post vai ser a tradução da parte de trás do folheto informativo. Aqui vai:
A educação em família é muito diferente da escola pois as crianças e os adolescentes podem aprender de uma maneira menos formal. Às vezes resolvem ir para aqui e acolá - a museus, reservas naturais, ir ler para o parque - outras vezes preferem ver um DVD e ter a oportunidade de fazer uma série de perguntas aos pais sobre o que viram. Noutras ocasiões querem aprender com as mãos na massa, fazendo algo ou participando activamente em vários projectos.
Todas estas abordagens funcionam muito bem quando as crianças têm liberdade para escolher o que querem aprender e como querem aprender. Quando têm a liberdade de aprender desta forma elas tendem a aprender depressa e com prazer.
Algumas perguntas comuns sobre o ensino doméstico:
E a socialização? Muitas crianças e jovens que fazem a transferência da escola para a educação domiciliar descobrem que a sua vida social e competências sociais desenvolvem-se melhor e mais naturalmente do que quando passavam a maior parte dos dias sentados numa sala com 30 miúdos da mesma idade. As crianças e jovens educados em casa dão-se e encontram-se com pessoas de todas as idades onde quer que vão. Muitas áreas têm grupos onde se podem encontrar para brincar. Além disso, reunem-se em casa umas das outras, juntam-se para dar passeios e fazer "visitas de estudo", e participam em grupos como os escuteiros, as guias, clubes desportivos, clubes de teatro, etc.
Mas os pais têm que ser professores, não? Não, não têm. Os professores precisam de formação para educar de uma forma específica grandes grupos de crianças. Em casa, se uma criança fizer uma pergunta e os pais não souberem a resposta, os pais podem não só mostrar como é que ela pode descobrir a resposta - usando a internet, por exemplo.
e resolvemos entrar no Heritage Centre
para ver a exibição de arte.
A foto acima foi tirada no "museu", antes de irmos para o café
beber hot chocolate com toasted teacakes...
E para acabar, uma foto que tirámos no parque,
especialmente para o Alexandre, que adora comboios!
Esta é a 1ª vez que Portugal vai participar neste evento global. Juntem-se a nós, aqui, para um bate papo online como celebração do Dia Internacional da Liberdade na Educação, na terça feira dia 15 de Setembro às 15:00 hrs.
Em Portugal praticamente ninguém está a par do ensino doméstico e no Brasil as famílias que optam pela educação domiciliar correm o risco de ser perseguidas pela justiça.
Os pais que educam os filhos em casa são frequentemente estereotipados por profissionais “preocupados” e por outros que fazem suas afirmações com base em crenças e não nos resultados das várias pesquisas que já foram feitas sobre o ensino doméstico. Características como excêntrico, arrogante, ignorante, de classe média e hippy são frequentemente associadas aos pais que educam os filhos em casa. Estão também, e cada vez mais, sendo representados como um potencial perigo para seus filhos, tanto a nível emocional como físico, ao ponto de ter sido sugerido que se deva vigiá-los. Isso leva à questão: que tipo de pessoas opta pelo ensino doméstico?