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segunda-feira, 30 de novembro de 2009

domingo, 29 de novembro de 2009

A corrida dos ratos

O termo “Corrida dos Ratos” refere-se à gaiola onde os ratos correm dentro dela até ficarem estoirados mas sem nunca chegarem a lugar nenhum.



“Se você observar a vida das pessoas de instrução média, trabalhadoras, você verá uma trajetória semelhante. A criança nasce e vai para a escola. Os pais se orgulham porque o filho se destaca, tira notas boas ou altas e consegue entrar na universidade. O filho se forma, talvez faça uma pós-graduação, e então faz exatamente o que estava determinado: procura um emprego ou segue uma carreira segura e tranquila. Encontra esse emprego, quem sabe de médico ou de advogado, ou entra para as Forças Armadas ou para o serviço público. Geralmente, o filho começa a ganhar dinheiro, obtém um monte de cartões de crédito e começam as compras, se é que já não tinham começado.

Com dinheiro para torrar, o filho vai aos mesmos lugares aonde vão os jovens, conhece alguém, namora e às vezes casa. A vida é então maravilhosa porque actualmente marido e mulher trabalham. Dois salários são uma benção. Eles sentem-se bem-sucedidos, seu futuro é brilhante, e decidem comprar uma casa, um carro, uma televisão, tirar férias e ter filhos. O desejo se concretiza. A necessidade de dinheiro é imensa.

O feliz casal concluiu que suas carreiras são da maior importância e começam a trabalhar ainda mais arduamente, tornam-se funcionários melhores. Voltam a estudar para obter especialização e ganhar mais dinheiro. Talvez arrumem mais um emprego. Seus salários aumentam, mas também aumentam o imposto de renda, o imposto predial da casa, as contribuições para a Segurança Social e os outros impostos. Eles se perguntam para onde todo esse dinheiro vai. Aplicam em alguns fundos mútuos e pagam cinco ou seis anos e é necessário poupar não só para os aumentos das mensalidades escolares, mas também para a velhice.

O feliz casal, nascido há 35 anos, está agora preso na armadilha da Corrida dos Ratos pelo resto de seus dias."

Robert Kiyosaki, trecho do livro “Pai Rico Pai Pobre”.

sábado, 28 de novembro de 2009

A escola é melhor do que o homeschooling

10 razões

1. A maior parte dos pais foram educados no sistema de ensino público e por isso não são suficientemente inteligentes para educar os seus próprios filhos.

2. As crianças que recebem uma educação personalizada em casa, com aulas individuais ou em pequenos grupos, aprendem muito mais do que as outras, o que lhes dá uma vantagem injusta no mercado de trabalho, e isso seria anti-democrático.

3. Como é que as crianças poderão aprender a defender-se se não lhes dermos a oportunidade de lidar diariamente com a violência escolar?

4. Ridicularização por outras crianças é importante para o processo de socialização.

5. As crianças que frequentam a escola obtêm mais experiência em "Dizer Não" às drogas, cigarros e álcool.

6. A iluminação fluorescente pode ter significativos benefícios para a saúde.

7. Ter que pedir permissão publicamente para ir à casa de banho ensina aos jovens o seu lugar na sociedade.

8. A indústria da moda depende da pressão de grupo que só as escolas podem gerar.

9. A escola é um mecanismo de transmissão cultural, mantendo importantes tradições, como por exemplo as praxes.

10. As crianças educadas em casa podem não aprender competências necessárias para as suas futuras carreiras, como por exemplo ficarem sentadas à secretária durante 6 horas por dia.

Original aqui.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ensino doméstico: acesso ao ensino superior

Uma das perguntas mais frequentes em relação ao ensino doméstico, especialmente em relação ao unschooling, é: mas, e as qualificações? se não fizerem os exames do 11º e 12º ano como é que podem entrar para a universidade? Bem, uma das opções é usar um College.

Colleges são instituições de ensino para maiores de 16 anos (embora vários já ofereçam algumas opções para jovens dos 14 aos 16) que oferecem vários cursos a vários níveis (mais ou menos do 10º/11º ano ao bacharelato), part time ou full time, que se podem fazer de dia ou de noite.

As fotos que aqui vêem são do Bristol City College. Fomos lá a semana passada fazer a matrícula para o curso de PC Servicing que vai começar em Janeiro.

Para ficarem com uma ideia, este College tem 8 departamentos e oferece mais de 1,000 cursos. Tem mais de 30.000 alunos e destes 7000 são jovens dos 16 aos 18 anos.

Em Colleges como este podemos fazer os cursos de preparação /entrada para a Universidade, úteis para quem optou pelo unschooling e quer ter acesso ao ensino superior sem ter que seguir a via tradicional do 11ºano e 12ºano. Estes cursos de acesso ao ensino superior podem ser feitos num ano full time ou em 2 anos part-time.

Há, no entanto, várias pessoas educadas em casa que entram para a universidade simplesmente através do seu portfolio e da entrevista inicial. Mas isso, claro, é aqui no Reino Unido. Em Portugal e no Brasil não sei...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Necessidades Educativas Especiais

Por todo o Reino Unido há vários exemplos de escolas com instalações excelentes para crianças com necessidades educativas especiais. No entanto, muitas destas crianças, que entram para a escola na pré-primária cheias de esperança quanto ao futuro, vêem as suas expectativas arrasadas porque as escolas que frequentam não têm a capacidade de lidar com os seus problemas específicos, sejam eles a dislexia, dispraxia, a síndrome de Asperger, TDAH ou deficiências físicas.

Badman reconhece isto e, embora não dê referências, menciona pesquisas que apontam para a grande quantidade de pais que, muitas vezes num desespero, retiram os filhos da escola quando se apercebem que esta não tem a capacidade de ir ao encontro das necessidades dos filhos.

Ben Grey, especialista em protecção de menores, é um destes pais. Ben tem dois filhos: um de 11 anos com autismo de alto funcionamento, que está actualmente a ser educado em casa, e um de 8 anos que vai para a escola.

Testemunho de Ben Grey

Eu, pessoalmente, como pai de uma criança com necessidades especiais, gostaria de chamar a atenção para a quantidade de pessoas educando os filhos em casa devido à falta de adequada provisão para as necessidades especiais, especialmente em relação ao autismo (onde o desenvolvimento das crianças não "encaixa" na provisão do ensino regular nem na do ensino especial). Embora muitos pais optem pelo ensino domiciliar por princípio, a situação que estou descrevendo não é a da educação em casa por escolha.

Informalmente, a nossa Direcção Regional de Educação diz-nos que na nossa área não existe provisão adequada para o nosso filho. As nossas opções são, portanto, colocá-lo numa escola inadequada, onde ele não irá alcançar o seu potencial, colocá-lo num internato especializado (e caro) ou irmos viver para outra área. Muitos pais educam os seus filhos especiais em casa (poupando ao Estado esse enorme custo) porque querem proteger os filhos da violência escolar e de outros desafios que estes enfrentam em escolas inadequadas. Se o governo estivesse realmente preocupado sobre a vulnerabilidade das crianças educadas em casa, então porque não corrige as deficiências do sistema de ensino que às vezes deixa os pais com tão pouca escolha?

As preocupações dos pais em relação ao bem-estar e segurança dos filhos na escola são frequentemente justificadas pois são eles que têm de cuidar deles quando ficam gravemente deprimidos ou ansiosos devido às suas experiências do sistema de ensino.


Dr John Ballam é o director do curso de Escrita Criativa da Universidade de Oxford e um autor com vários livros publicados. Tem três filhos: o mais velho está numa escola para superdotados e os outros dois são educados em casa.

Testemunho de Dr. John Ballam, Oxfordshire

Nós educámos os nossos 3 filhos em casa durante a primária. A nossa experiência é que o ensino domiciliar é positivo e benéfico. Os nossos filhos têm "excepcionalidade dupla", ou seja, são muito inteligentes mas necessitam de educação especial para compensar dificuldades de aprendizagem muito específicas. Além disso, musicalmente, são muito talentosos. O ensino público recusou-se, pura e simplesmente, a reconhecer as suas necessidades e quando finalmente aceitou que tinham necessidades muito específicas não tinha condições para satisfazê-las.

O ensino doméstico permitiu-nos dar aos nossos filhos o ambiente e os recursos que eles precisavam para florescer. Inicialmente, começou com um período de recuperação e reconstrução da sua auto-estima e auto-confiança. Quando vai ao encontro do ritmo das crianças, a aprendizagem fornece as oportunidades necessárias para a superação das dificuldades sem a humilhação de serem separadas do resto do grupo como "falhanços". Além disso, a informação pode ser transmitida em formatos que vão ao encontro do estilo de aprendizagem de cada criança, de modo que o seu empenhamento e entusiasmo pela aprendizagem é estimulado. Finalmente, a educação em casa dá às crianças o tempo que precisam para desenvolver os seus talentos específicos. O ensino domiciliar é uma forma positiva de apoiar os nossos filhos e suas necessidades pessoais específicas.

Dr Ballam escreve sob o nome de J. D. Ballam. Ele é mais conhecido pela sua autobiografia The Road to Harmony.

sábado, 21 de novembro de 2009

Por onde andámos...

Winscombe, uma vila em Somerset, na Inglaterra




sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Pesquisa sobre o ensino domiciliar

Os argumentos a favor do ensino domiciliar IV

Os argumentos dos acadêmicos: Conclusão (1ª parte aqui)

Pesquisa sobre o ensino domiciliar no Reino Unido

Pesquisas acadêmicas e independentes, baseadas no Reino Unido, foram realizadas por Blacker (1981), Webb (1990, 1999); Lowden (1993), Paterson (1995), Brunton (1996), Bates (1996), Page (1997), Thomas (1998 ), Petrie, Windrass, e Thomas (1999), Taylor e Petrie (2000) Rothermel (2002), Arora (2002), Gabb (2004), Kendall e Atkinson (2006), Hopwood, O'Neill, Castro e Hodgson ( 2007), Thomas e Pattison (2008), Yusof (2009) Eddis (2009) e Barson (2009).

Thomas (1997, 1998) descreveu um estudo sobre os processos de aprendizagem informal das crianças. A pesquisa utilizou a educação em casa como o veículo sobre o qual basear teorias da aprendizagem informal das crianças que obviamente não poderiam ser tão bem testadas em alunos das escolas. Thomas desafiou a ideia de que as crianças em idade escolar, para aprender, precisam de ser ensinadas. Foram realizadas uma centena de entrevistas com home educators (pais que educam os filhos em casa) da Austrália e do Reino Unido nas quais os pais descreveram como ensinavam os filhos e como estes aprendiam.

Thomas descobriu que com o passar do tempo a maior parte das famílias que praticam o ensino domiciliar começava a adoptar padrões de aprendizagem menos formais do que os que haviam estabelecido no início. Ele atribuiu essa mudança a uma manobra das crianças, possivelmente sem intenção consciente, a fim de orquestrar um programa de aprendizagem que fosse ao encontro das suas necessidades: assim como os pais respondem aos sinais de seus bebês, observou que os pais que educam os filhos em casa respondem aos sinais dos filhos já em idade escolar e em situações de aprendizagem mais avançadas, evitando a necessidade de ensino formal. Thomas colocou a hipótese de que, ao entrarem para a escola, as crianças perdem a arte da aprendizagem informal, pelo menos ao nível experienciado pelas crianças que nunca frequentaram a escola.

O tipo de aprendizagem que ocorre naturalmente é muito diferente do que ocorre na escola; em casa, as crianças têm liberdade para seguir correntes de pensamento ligadas à vida quotidiana e embora este estilo de aprendizagem possa ser lento e nem sempre aparente, conexões são feitas progressivamente que se revelam em datas posteriores.

Thomas observou que mesmo quando a aprendizagem em casa é formal, temas de interesse não necessariamente relacionados com a lição a ser abordada no momento vêm à superfície e são debatidos. Desta forma, as crianças desenvolvem uma motivação para a aprendizagem independente. Thomas não negou que na escola os alunos também aprendem desta maneira, mas propõe que se calhar as crianças não precisam de submeter-se ao estilo de aprendizagem normalmente associado às escolas. Thomas concluiu que, principalmente durante os primeiros anos, o desenvolvimento intelectual pode ocorrer de maneira natural e incidental sem nenhuma aprendizagem formal e que se esse tipo de educação não é melhor do que a aprendizagem escolar é pelo menos do mesmo nível.

As descobertas de Thomas parecem expor as teorias construtivistas de Bruner e Vygotsky. Thomas acredita que a aprendizagem natural que observou não ocorria de forma isolada mas que era o resultado de interacções, sendo necessário algum nível de intervenção pelo menos para facultar a aprendizagem que, por sua vez, permitia o desabrochar e a maturação do desenvolvimento. Este ponto de vista é ecoado, por exemplo, em Thomas (1998 pp 71, 129) e trabalhos mais tardios de Thomas e Pattison (2008).

Webb (1999) entrevistou 20 adultos que haviam sido educados em casa, com o objectivo de determinar como o seu desenvolvimento havia ocorrido. Nenhum dos jovens adultos estava desempregado e 3 tinham obtido licenciaturas da Universidade de Oxford. Apenas cerca de 30% contemplavam a ideia de educar seus filhos em casa. Este achado contrasta com o de Knowles (1991), que constatou que dos 10 adultos (educados em casa em crianças) por ele entrevistados os que já eram pais (n = 7) tinham escolhido educar os filhos em casa [7 dos adultos educavam em casa cerca de 20 crianças].

Os netos de um participante estavam sendo educados em casa, criando uma terceira geração de homeschoolers. Webb, porém, explicou que muitos acreditavam que os pais tinham feito «sacrifícios» que eles não gostariam fazer. Foram positivos sobre a educação em casa, acreditando terem beneficiado da experiência. Socialmente, Webb, tal como Knowles (1991), descobriu que os educados em casa estavam à vontade com uma vasta secção da comunidade e descreveu suas competências sociais como "em geral altamente excepcionais" e que, além disso, eram pensadores independentes.

A pesquisa mais extensa do Reino Unido é a de Rothermel (2002). Este estudo envolveu a disseminação de cerca de 5.000 questionários através da internet, organizações de apoio e autarquias locais. Os destinatários foram convidados a fornecer os seus pormenores para que pudessem ser contactados mais tarde mas não receberam informações sobre o que lhes poderia ser solicitado. Assim, embora houvesse um elemento de auto-seleção, como acontece com qualquer pesquisa sobre um grupo desta natureza, as famílias não se auto-selecionaram sabendo que iriam ser convidadas para um programa de avaliação. Com efeito, os inquiridos não faziam ideia deste aspecto da investigação. Mais de 1.000 respostas foram recebidas e destas 419 foram analisadas, sem nenhuma ordem em particular.

A intenção era analisar todas as respostas mas limitações de tempo e os custos envolvidos limitaram a amostra a 419 famílias e 1099 crianças. Rothermel analisou as respostas ao inquérito e, após esta fase, implementou um programa de avaliação envolvendo 238 avaliações de 196 crianças. Para cada avaliação, todas as crianças que caíram na categoria da idade apropriada foram convidadas a participar e, de todas estas, apenas uma família se recusou a continuar a participar.

Os resultados quantitativos mostraram que 64% das crianças educadas em casa com idade escolar para a pré-primária (n = 35 testadas duas vezes) obtiveram mais de 75% em seus PIPS Baseline Assessments (obtido por 5,1% das crianças a nível nacional). Os resultados das avaliações do Projecto de Alfabetização Nacional revelaram que 80,4% das crianças educadas em casa estavam ao nível dos 16% do topo (de uma curva bell de distribuição normal) (n = 49), e que 77,4% das crianças educadas em casa avaliadas com o PIPS Year 2 alcançaram esse nível (n = 19).

Resultados dos instrumentos psicossociais confirmaram que as crianças educadas em casa são competentes a nível social e não apresentam problemas de comportamento significativamente acima do normal (n = 136).

No todo, a amostra demonstrou níveis elevados de sucesso e boas competências sociais. Comum a todas as famílias envolvidas era a sua abordagem flexível e Rothermel concluiu que as crianças beneficiam da atenção dos pais e da liberdade de desenvolver as suas capacidades ao seu próprio ritmo. Ela observou que estas famílias têm laços fortes e que os pais estavam empenhados em proporcionar um ambiente de carinho aos filhos.

A análise dos dados do questionário não revelou nenhum 'tipo' específico de home-educator, com famílias provenientes de diversos backgrounds sócio-econômicos.

Independentemente da motivação inicial (havia mais ou menos uma divisão igual entre as crianças que haviam sido retiradas da escola e as que nunca tinham frequentado a escola), a educação em casa tendia a transformar-se numa opção de estilo de vida, em vez de uma posição sobre o ensino público. Rothermel descobriu que as crianças de grupos sócio-econômicos mais baixos superavam suas contrapartes mais ricas, enquanto que as diferenças de desempenho entre meninos e meninas eram insignificantes.

Ela colocou a hipótese de que as famílias mais pobres tendem a sucumbir às pressões da família e que por isso estavam mais propensas a seguir o currículo nacional, em contraste com as famílias em melhor situação, que tendiam a não se preocupar se os filhos atingiam "a tempo" objectivos relacionados a certas idades. Contudo, Rothermel conclui com isto que diferenças onde é esperado que as crianças mais pobres tenham um aproveitamento mais fraco e que as meninas superem os meninos são, muito mais provavelmente, o resultado da escolarização.

Outras pesquisas (por exemplo, Hanna e Quinn 2004; Sylva, Melhuish, Sammons, Siraj-Blatchford e Taggart, 2003) descobriram que o nível de escolaridade dos pais e seu estatuto sócio-económico são dois dos principais indicadores dos resultados dos alunos. No entanto, na pesquisa sobre a educação domiciliar, nenhum destes factores desempenham um papel tão central no sucesso. Assim, parece que o estatuto sócio-económico e as qualificações dos pais são indicadores de sucesso apenas para as crianças que frequentam a escola e que a importância do seu papel, por si só, na aprendizagem das crianças, não deve ser presumido.

Dos resultados mais elevados do que o normal alcançados pelas crianças em idade da pré-primária, Rothermel conclui que nesta altura a aprendizagem pode ser maturacional e que a escola pode até deprimir o desejo natural de adquirir novas informações. Isto, argumenta ela, prova os benefícios de começar a escola mais tarde, como fazem em algumas partes dos E.U.A. e na Suíça.

Pesquisa Internacional
A nível internacional, o interesse e actividade na pesquisa sobre o ensino domiciliar é grande. O International Home Education Research Network reúne acadêmicos de todo o mundo que utilizam o fórum de discussão on-line para compartilhar e divulgar suas pesquisas. Acadêmicos envolvidos vêm da Colômbia, Espanha, México, África do Sul, Afeganistão, Índia, França, Estónia, China, Austrália, Suécia, Noruega, Dinamarca, Alemanha, Suíça, para citar apenas alguns exemplos.

Conclusão
Alguns críticos estão prontos a rejeitar imediatamente o considerável corpus de pesquisa acadêmica com crianças educadas em casa e suas famílias no Reino Unido. No entanto, os resultados dessas pesquisas não são especialmente surpreendentes e, em geral, encaixam bem com os resultados de pesquisas com crianças que frequentam a escola. Que as crianças que frequentam a escola beneficiam do tempo passado com os pais é geralmente um dado adquirido, que as pessoas aceitam facilmente. No entanto, quando exactamente a mesma conclusão é obtida a partir de pesquisas sobre a educação em casa, ela carrega consigo um elemento de desconfiança para o qual não existe justificação óbvia.

Da mesma forma, quando as crianças aprendem ao seu próprio ritmo e com os pais a seu lado durante os anos pré escolares, poucos questionariam a sua capacidade e motivação para aprender. No entanto, quando pesquisadores como Thomas e Rothermel descobrem que as crianças continuam a aprender produtivamente depois desta altura, dúvidas são lançadas sobre a qualidade do seu trabalho apesar de muitos outros acadêmicos e cientistas em vários campos de conhecimento por todo o mundo apoiarem o valor da aprendizagem motivacional, maturacional e informal.

Continua aqui.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Os argumentos a favor do ensino domiciliar IV

Os argumentos dos acadêmicos

Dra Paula Rothermel contribuiu este capítulo. Ela é psicóloga educacional na Universidade de Durham e tem escrito, publicado e falado muito sobre o tema da educação em casa. Ela, sozinha e juntamente com outros, tem escrito relatórios e avaliações para tribunais relativamente a casos envolvendo crianças educadas em casa e suas famílias, assim como para famílias e autoridades locais. A bibliografia estará disponível após o seu retorno da Suíça. Ela não esteve envolvida na produção do resto deste documento e as opiniões aqui expressas não são necessariamente as suas.

A importância do envolvimento dos pais na aprendizagem dos filhos

Investigação centrada na aprendizagem das crianças fora da escola mostra que o valor do envolvimento dos pais não deve ser subestimado (Rothermel, 2002). O que realmente motiva as crianças é o amor, que pode ser interpretado em termos do envolvimento dos pais (Rothermel 2008). Investigação científica tem demonstrado que o desenvolvimento do cérebro está inseparavelmente ligado ao amor (Gerhardht 1994). Em termos da promoção da aprendizagem, o envolvimento dos pais pode consistir na sua presença na vida vida dos filhos, respondendo ou ajudando a responder as perguntas à medida que estas vão surgindo e facultando recursos e actividades (Thomas 1999, Rothermel 2002, Thomas e Pattison 2008).

Tizard e Hughes (1984), no seu estudo sobre diálogos nas salas de aulas, constataram que os pais tinham a vantagem de compreender o contexto da vida dos filhos de uma maneira que os professores nunca seriam capazes, e concluiram que está realmente na altura de mudar a ênfase: em vez do que os pais podem aprender com os profissionais, a ênfase deveria ser colocada no que os profissionais poderiam aprender se observassem pais e filhos aprendendo em casa (p 267). As conclusões de Tizard e Hughes apoiam a ideia de que o envolvimento dos pais não é apenas uma útil ferramenta de apoio mas sim uma poderosa fonte do potencial de aprendizagem das crianças.

Em um estudo posterior, Tizard, Blatchford, Burke, Farquhar e Plewis (1988) concluiram que os professores respondem melhor às crianças cuja companhia mais gostam, e muitos pais sabem como é importante para os filhos terem um professor de quem realmente gostam. Em termos do que os pais, professores e educadores podem oferecer, é evidente que quem tem mais investimento no desenvolvimento dos filhos são os pais. Em geral, os pais respondem bem aos filhos e estes provavelmente retribuem essa delicadeza. Outra pesquisa (Georgiou 1999) descreveu este fenómeno como um ciclo de atribuição positiva.

Embora uma das críticas recentemente formuladas contra os resultados favoráveis da educação domiciliar argumente que as crianças educadas em casa superam as da escola porque os pais estão fortemente dedicados ao desenvolvimento dos filhos (Badman 2009), muitos pesquisadores de educação (escolar e domiciliar) argumentariam que esta é uma vantagem fundamental para todas as crianças, sejam elas educadas em casa ou na escola.

A pesquisa sobre a educação domiciliar descobriu que o envolvimento e dedicação dos pais é uma característica importante. Podemos portanto afirmar que se as crianças educadas em casa têm resultados pelo menos tão bons como as crianças educadas na escola e muitas vezes melhores do que elas (Blok 2004), então este alto nível de dedicação é um dos principais factores contribuintes.

O que talvez seja particularmente interessante sobre a pesquisa de Rothermel sobre a educação em casa no Reino Unido (2002) é que demonstrou que um bom nível sócio-econômico não significa necessariamente um elevado nível de dedicação por parte dos pais. Ou seja, os pais menos abastados, motivados pelo desejo de incentivar a aprendizagem dos filhos, tornam-se pais motivados e envolvidos, e o resultado é que os filhos beneficiam em termos do seu desenvolvimento acadêmico, social e psicológico. Ignorar os seus bons resultados dizendo que têm pais motivados e dedicados é uma crítica fora do comum.

O professor Peter Hannon (Hannon, 1994) também apoiou a ideia de que a aprendizagem em casa desempenha um papel essencial no desenvolvimento das crianças mais pequenas. Citando a sua pesquisa anterior ele descreve os aspectos da aprendizagem em casa como sendo respostas ao interesse e à necessidade, sem esforço, espontâneos e flexíveis, e contrasta-os à aprendizagem escolar, moldada por objectivos curriculares, esforçada, com horários definidos e fixos. Descreve também a importância dos relacionamentos na aprendizagem: em casa a proporção adulto-criança é alta, e os relacionamentos são próximos e contínuos. Em forte contraste, na aprendizagem escolar há uma baixa proporção de adultos em relação a crianças, as relações são distantes, descontínuas, e com muitos adultos diferentes.

Alan Thomas (1998), falando sobre o amor pela literatura que observou durante os seus estudos das crianças educadas em casa, atribuiu-o à exposição das crianças ao "diálogo" e ao modo em que os pais respondem aos filhos como individuos que são. Ele escreveu: "O melhor suporte para a proposta de que as crianças de idade escolar continuam a aprender tal como aprenderam durante a infância vem daqueles pais que quando os filhos atingem a idade escolar continuam simplesmente a fazer o que já estavam fazendo. [...] Esses pais estão simplesmente continuando a preparar os filhos para a cultura em que vivem." (pp. 67-68).

Mais recentemente, a professora de psicologia Marueen Callanan argumentou que "as conversas entre pais e filhos são muito mais que periféricas para o desenvolvimento" porque são "uma componente essencial do mecanismo da mudança no desenvolvimento" (Jipson e Callanan 2003).

A professora Annette Karmiloff-Smith descreveu o modo em que as crianças assimilam as informações do mundo externo, reorganizando-as internamente e combinando-as através do conflito e/ou acordo com conhecimentos previamente internalizados até alcançarem o domínio sobre a situação. Ela descreveu este processo como "redescrição representacional" (RR) e é este processo que se encaixa tão bem com a ideia de que os pais estão numa posição óptima para apoiar a aprendizagem personalizada dos filhos, como concluiu Rothermel (2002). Mais especificamente, esta ideia defende os benefícios que podem ser derivados da aprendizagem autónoma, como propostos por Thomas (1998). Em relação à aprendizagem informal, Rothermel (2002) e Thomas e Patterson (2008) concluem que no contexto da educação domiciliar as crianças absorvem os seus conhecimentos gradualmente, através da repetição informal, e a assimilação ocorre através da aprendizagem quotidiana, envolvendo o processo natural do diálogo e da descoberta. Outros pesquisadores também chegaram à conclusão de que este estilo de aquisição de informação é benéfico (Edmondson 2006).

Numa meta-análise de 14 estudos realizada por Desforges e Abouchaar (2003), os pesquisadores concluíram que "o envolvimento dos pais através de uma boa parentalidade em casa" tem um efeito positivo significativo no ajuste e sucesso dos filhos mesmo depois de todos os outros factores que moldam o sucesso terem sido retirados da equação"(p. 4).

O Family and Parenting Institute, financiado pelo DCSF, suporta esta conclusão, afirmando: "Agora está bem evidenciado que o ambiente de aprendizagem em casa é mais influente na determinação do resultado das crianças do que a ocupação, o nível monetário e o nível educacional dos pais" (FPI 2009).

As conclusões alcançadas pela pesquisa descrita acima servem para salientar a verdadeira importância, para as crianças, da aprendizagem informal e auto-motivada. Além disso, as famílias envolvidas na pesquisa de Rothermel (2002) descrevem a "alegria" e "divertimento" resultantes da decisão de educar em casa. O valor da felicidade tem sido abordado pelo famoso economista Professor Layard, que descobriu que a felicidade traduz-se em ganhos financeiros positivos. Assim, através da participação dos pais na aprendizagem informal dos filhos, estes ficam não só mais motivados e capazes mas também mais felizes, o que por sua vez lhes trará mais benefícios em termos de prosperidade (Layard 2003).

Continua aqui.

Por onde andámos - Cheddar

Cheddar é uma vila inglesa do distrito de Sedgemoor, em Somerset, situada na margem sul dos Mendip Hills.

Hoje é um local muito turístico, com vários espaços culturais,

várias lojas, restaurantes, cafés e casas de chá,

como esta "tea room", na foto acima...

É famosa por ter o maior desfiladeiro do Reino Unido, com suas grutas magníficas (podem ver fotos aqui),

e pelo queijo Cheddar, o tipo de queijo mais popular no Reino Unido. Agora feito no mundo inteiro, só permanece na vila um produtor.

Que mais? Esta zona tem sido ocupada desde tempos neolíticos

e pelos vistos é um dos principais centros de cultivo de morango.

Para nós, um sítio bem lindo e relativamente perto; fica a uns 40 kms de distância (45 mns de carro)!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Apresentação sobre a educação em casa

Este trabalho universitário foi feito pelas alunas da Madalen

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Por esses campos fora...

Vamos lá saindo, por estes campos fora

que a manhã vem vindo, dos lados da aurora.
Lembram-se dessa canção? Só que não estamos no Alentejo mas em Somerset. Hoje deixo-vos umas fotos da paisagem desta zona e dos animais que fomos vendo pelo caminho...

Ovelhas, carneiros e cordeirinhos...

Não sei se conseguem ver a cabra ou não, mas ela está lá...

Os peixinhos são mais fáceis de ver...

"O que é o homem sem os animais? Se todos se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais também afeta o homem. Tudo está relacionado entre si." - Chefe indígena da tribo Seattle, 1854

Educar em casa dia a dia

Mais um livro sobre o ensino domiciliar, desta vez em espanhol!

O livro da ALE (Asociacion para la Libre Educacion), é um compêndio de experiências de famílias espanholas e do resto da Europa, compilado a partir da tradução do livro Learning Unlimited, coordenado por Leslie Barson, que recolheu experiências do Reino Unido, Suíça, França e Alemanha.

O livro também inclui o valioso contributo dos estudos realizados por Paula Rothermel, referência obrigatória no campo do homeschooling europeu, e a contribuição de Madalen Goiria, Professora de Direito Civil na Universidade do País Basco.

Conteúdo: A aprendizagem em casa; Depoimentos de famílias que educam em casa; Exemplos diários de homeschooling; Aprendizagem autónoma no ensino domiciliar; Estudos sobre o ensino doméstico.

Se estiverem interessados, podem encomendar o livro aqui.
Tradução daqui.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Transformando a aprendizagem em estilo de vida

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa:

A educação em casa não separa a aprendizagem da vida mas transforma-a num estilo de vida

Kerrin, 17 anos, de Hampshire
A vida é uma sala de aulas e aprender é muito mais do que livros e exames. Uma educação personalizada, relevante e contextualizada é algo que é realmente muito precioso.

Andy, 23 anos, residente na Nova Zelândia
Agora vejo que “escola em casa” é a expressão errada. A educação em casa tem a ver com a remoção da “mentalidade de escola” das nossas mentes e com o abraçar da educação como um simples aspecto da vida, integrando-a na maior parte dos aspectos da nossa vida - sem a necessidade de especificar que horas do dia estão reservadas para a "aprendizagem".

Jazmin, 15 anos, Oxfordshire
Eu adoro ser educada em casa e quero que todos compreendam como é que o unschooling funciona para que possam ver as suas vantagens e compreender como é que a interferência por parte do Estado só levaria a mudanças intrusivas e desnecessárias do nosso estilo de vida.

Chloe, 16, de West Sussex
Sou educada em casa mas este não foi sempre o caso; eu comecei a frequentar a escola aos 4 anos, como a maioria das outras crianças. Contudo, os meus pais retiraram-me de lá um pouco antes do meu 9º aniversário - eu estava muito estressada, ficando muito reclusa e dormindo mal, e os meus pais decidiram experimentar o ensino doméstico.

Para mim, aprender em casa era como se fosse um sonho maravilhoso, cheio de jogos, amigos de verdade de todas as idades que não me batiam nem gozavam comigo, e coisas diferentes para fazer todos os dias.

Eu fazia trabalhos formais - talvez 1 ou 2 horas, de manhã, quando a minha mãe pacientemente me ensinava geografia e matemática. E às vezes também aprendia com o meu pai à noite, embora de uma maneira menos formal: aconchegados no sofá, conversávamos sobre ciência e o sentido da vida.

O resto do tempo era passado lendo livros no meu quarto, ajudando a minha mãe na cozinha, apanhando bichinhos no jardim, convivendo com amigos de todas as idades e backgrounds, trepando árvores, participando nos eventos organizados pelo nosso grupo do ensino doméstico, frequentando clubes (ginástica, danças folclóricas, etc), e fazendo uma série de outras actividades. Posso sinceramente dizer que não passei um momento de tédio!

Porém, depressa voltei para a escola, a tempo parcial, para fazer o último ano da primária. Os meus pais acharam que não me podiam ensinar a nível do secundário e queriam facilitar o processo do regresso à educação institucional.

Fui falar com o director de uma escola perto da nossa casa e chegámos a um acordo em relação aos termos da minha presença - eu iria à escola 3 dias por semana, ajudaria a turma da pré-primária uma vez por semana, só faria os trabalhos de casa que achasse interessantes e usaria o uniforme da escola com a minha bandana (a que estava muito apegada naquela época).

Lembro-me do receio que senti ao pensar que se calhar não iria estar ao nível das outras crianças, pelo menos nas áreas em que não tinha estudado muito. Essas preocupações eram infundadas: eu estava no topo da classe em tudo! Pela primeira vez, também fiz algumas amizades através da escola, embora fossem muito mais inconstantes do que as amizades entre os jovens educados em casa, e um pouco previsíveis por serem todos da mesma idade...

Nos dias em que não ía à escola a minha vida manteve-se inalterada, com o mesmo fluxo de trabalho e lazer. No final do ano fiz os exames e passei com óptimas notas. Ganhei uma bolsa de estudos para uma pequena escola privada só para meninas. Escolhi essa escola porque as turmas eram pequenas - 12 alunas em cada classe.

Assim, comecei a frequentar a escola em tempo integral. Não funcionou. A classe inteira era estritamente cristã e muito mais rica do que eu. Quase todas as meninas já tinham seus grupos de amigos bem estabelecidos e embora inicialmente não tivesse sido vítima de violência escolar não me consegui relacionar com nenhuma das minhas colegas, e as meninas no ano seguinte não queriam ser vistas com meninas mais novas que elas.

Quanto ao ensino, não estava adequado ao meu calibre, nem podia estar - de todas as minhas colegas, só 2 não tinham necessidades especiais, e 3 tinham dificuldades de aprendizagem graves. Tive de suportar lições de uma simplicidade que só me entorpecia a mente: o trabalho era fácil mas, se acabasse depressa só me davam mais trabalhos do mesmo tipo. Aprendi a trabalhar devagar e a manter a minha cabeça baixa, mas não estava feliz.

No final do ano os meus pais deixaram-me pedir a transferência para uma escola diferente e no início do 8º ano entrei para uma escola secundária normal - uma escola grande para raparigas perto de um dos bairros sociais da cidade.

Foi outro desastre. Não reconheceram a minha capacidade e colocaram-me inicialmente num grupo muito fraco. Depois, com grande firmeza, ignoraram as minhas queixas sobre a violência escolar de que era vítima. Eu andava cheia de tédio, mesmo quando me mudaram para o grupo mais avançado, e não tinha amigas porque não estava interessada nas mesmas coisas que as minhas colegas, e elas não gostavam de mim porque eu não encaixava. Depois do 2º período fiquei doente devido ao estresse e a escola ainda não tinha feito nada para acabar com o bullying. Relutantes, os meus pais, uma vez mais, retiraram-me da escola.

Levei cerca de 6 meses a recuperar dessa experiência, a aprender que podia confiar nos outros e a recuperar o amor à aprendizagem. Depois decidi estudar para o exame de ciências do 11º ano e acabei fazendo o de matemática também porque por engano o meu pai inscreveu-me em ambos. Tendo estudado por menos de um ano, fiz os exames numa escola aqui perto e tive notas óptimas nos dois.

Depois decidi começar a estudar física e matemática do 12º ano. Fiz os exames 2 anos mais cedo do que o normal. Ah, e também fiz latim do 11º ano. Paralelo a tudo isso fiz outros estudos menos estruturados, aprendi alemão com uma amiga da nossa família e fui a vários eventos organisados pelo nosso grupo do ensino doméstico. O ritmo da vida era fácil, o espírito era inquisitivo e sociável.

Agora que terminei os exames com excelentes resultados podia continuar a fazer outras disciplinas do 12º ano mas duvido - estou mais interessada nos cursos de curta duração oferecidos pela Universidade Aberta. Além disso, agora tenho dois empregos – ensinando matemática e inglês, e pesquisando para um livro. E também ando muito ocupada com o meu trabalho como presidente do Home Educated Youth Council, com o movimento cidades em transição e com o curso de taquigrafia.

Adicionem a isso os meus estudos não-progressivos - eu escrevo, toco piano, desenho, faço jóias, cozinho, etc. -, os meus amigos (espalhados por todo o país mas ainda visitados regularmente) e todos os projectos para o futuro - experiência de trabalho em duas fazendas leiteiras, um curso de açougue, aprender alfaiataria e a trabalhar o couro, escrever um romance, fundar a minha própria escola e aprender carpintaria - e torna-se óbvio que realmente não tenho tempo para seguir a rota mais tradicional ou planejar o que fazer a seguir.

A minha educação pode não ser a do currículo nacional, mas isso não parece estar a prejudicar as minhas perspectivas. E não tenho que me submeter àquele tédio entorpecedor que experimentei na escola. Tenho interesses demais para seguir um caminho pré-definido e adoro ter uma interacção social variada.

Assim, para mim, a educação em casa é ideal. Permite-me adquirir uma educação excelente apesar da minha vasta gama de interesses. E as qualificações que não tenho? Bem, eu confio que o meu comportamento irá demonstrar a minha competência, e deixarei que as pessoas me julguem pelo que sou e não pelos papéis que acumulei.

domingo, 15 de novembro de 2009

Por onde andámos: arte em Winscombe

Hoje fomos até Winscombe ver a exposição de Ray Hopley

no Sidcot Arts Centre, adjacente à Sidcot School.

Ray também trabalha como arte-psicoterapeuta em prisões e hospitais psiquiátricos.

Além disso, estuda tai chi com o Alan - por isso é que o conheço...

Segue-se a photostory que fizemos depois do regresso casa.
Espero que gostem.

video
A música é Despair, de Toshiro Masuda.

sábado, 14 de novembro de 2009

Preservando o prazer de aprender...

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa:

Aprender em casa é agradável


Kerrin, 17 anos, de Hampshire
A infância que recebi foi uma oferta inapreciável de meus pais; é um período que nunca mais viverei. Lembro-me dessa época como um tempo despreocupado, em que tive a liberdade de descobrir a vida ao meu próprio ritmo. Infelizmente, na nossa sociedade, muitas crianças nunca experienciam uma verdadeira infância e nem sabem o que é brincar...

George, 7 anos, de Hampshire
A coisa mais agradável é que aprendemos muitas coisas e aprendemos matemática fazendo coisas. E não temos que parar durante as férias de Verão! Ser educado em casa é muito mais divertido: podemos ir de férias na época mais calma quando os museus e espaços abertos não estão cheios de gente.

Arthur, 8 anos, Hampshire
Eu gosto de ser educado em casa porque posso aprender de uma maneira divertida e, até certo ponto, escolher o que quero aprender. Também desperdiçamos muito menos tempo e podemos cuidar do jardim, cozinhar e aprender no mundo real. Podemos fazer montes de coisas que os miúdos da escola não podem fazer, especialmente à noite, porque não nos temos de levantar tão cedo como eles.

Daisy, 12 anos, de Suffolk
Eu gosto da educação em casa porque não existem limites nem fronteiras. É agradável e divertida porque não tenho que esperar para fazer os projectos que quero fazer. Acabei agora de fazer um curso profissional de Revisão de Textos. Demorei 9 meses a completá-lo, trabalhando ao meu próprio ritmo, e obtive um diploma para o meu futuro. Se toda a gente frequentasse a escola e aprendesse as mesmas coisas o mundo seria um lugar muito chato.

Continua aqui.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Dia Mundial da Gentileza



"Ainda ninguém compreendeu plenamente o tesouro de simpatia, gentileza e generosidade escondido na alma de cada criança. O esforço de toda verdadeira educação deveria ser abrir esse tesouro."


Emma Goldman


Educação em casa é muito mais do que acumular conhecimentos. Como pais-educadores, temos sempre a oportunidade de introduzir uma série de actividades que promovem a formação do carácter. Hoje, a sugestão é a de fazermos actos inesperados de bondade - random acts of kindness.

A palavra kindness, em inglês, traduzida aqui como gentileza, significa aquela disposição natural que nos leva a ter consideração pelos outros, a perdoar, a fazer bem e nunca mal. Uma das melhores maneiras de "ensinar" a gentileza é, claro, através do nosso exemplo, porque geralmente as crianças fazem o que vêem fazer...

Mas há uma diferença enorme entre agirmos delicadamente com cortesia por hábito ou por um sentimento de "dever", e agirmos dessa maneira devido ao afecto genuino que sentimos pelos outros. Afinal, a mesma acção pode ser motivada pela esperança de obter algo em troca, por hábito ou pelo desejo sincero de beneficiar o outro.

Como é que podemos ir além da fineza superficial e ajudar os nossos filhos a descobrir esse tesouro de ternura, carinho e afecto profundo que têm dentro de si? Uma das maneiras é observar, prestar atenção e reflectir sobre as inúmeras formas em que os outros nos beneficiam, sejam elas intencionais ou não, porque quando nos apercebemos da bondade que recebemos dos outros a vontade de retribuir surge naturalmente.

Por exemplo, vamos à padaria comprar pão. Podemos observar que o pão que comprámos é resultado de muito trabalho e como estamos beneficiando do trabalho de quem arou e regou o campo, de quem debulhou o grão e assim por diante... Ou está chovendo lá fora e nós estamos protegidos dentro de casa; podemos observar que a casa onde moramos também é o resultado da bondade de tanta gente: arquitectos, construtores, carpinteiros, vidraceiros, electricistas, canalizadores, etc.

Deste modo começamos a entender que a nossa própria existência está interconectada com tudo e todos. Apercebemo-nos que não vivemos isolados, que não somos independentes mas profundamente interdependentes do mundo e dos outros; que o que fazemos aos outros fazemos a nós próprios e que, por essa razão, beneficiar o outro é beneficiar a nós próprios...

Enfim, este é um dos métodos que nós usamos.
Adorava saber os vossos! ;-)
Se quiserem ler mais sobre este tema, cliquem aqui:



Obrigada Luciana pelo convite para esta blogagem coletiva!

Educação em Casa com Gentileza

Uma católica descobre o unschooling

A mistura de ansiedade, dúvida, confiança no marido e na fé é uma manifestação muito cativante do amor de Suzie Andres a Deus, à sua família e aos livros.

Ela procura orientação em bons sítios: Santa Teresinha do Menino Jesus, Aristóteles, John Holt, natureza, vários especialistas do ensino domiciliar e sua própria experiência. O que Suzie defende não é para todos, mas para aqueles que gostam de ter os filhos a seu lado e adoram ensinar-lhes através da realização das simples tarefas da vida diária. E para os que estiverem dispostos a cultivar em si mesmos a capacidade de confiar no desejo natural de aprender que Deus incutiu em todos nós e na graça que Ele tão abundantemente nos concede. - Janet Smith


Homeschooling with Gentleness é um livro estimulante sobre as possibilidades de um unschooling católico. Útil a todos que pretendem trabalhar com seus filhos à medida que os vão educando em casa. - Patrick Farenga, autor de Teach Your Own: The John Holt Book of Homeschooling

Suzie Andres é uma escritora com sentido de humor e uma clara compreensão do que realmente importa. Sua gestão dos aspectos religiosos da educação em casa – e da vida - é original e muito, muito reconfortante. - John Taylor Gatto, autor de The History of American Education Underground

Este pequeno livro sábio e espirituoso é uma introdução suave à educação domiciliar. Qualquer leitor que aborde este tema com preocupações verá esses receios serem rapidamente dissipados pela argumentação brilhante e positiva de Suzie. Aqui você não vai encontrar nenhuma agenda contra a escolaridade obrigatória. Em vez disso, a educação em casa é vista como a maneira natural e a forma fundamental em que as crianças devem ser ensinadas. Suzie Andres fala aos pais católicos que vêm o seu papel como abrangente. A Igreja sempre insistiu que os pais são principais educadores dos filhos. Este pequeno livro explicita as implicações disso. - Ralph Mclnerny, Autor renomado, Professor de Estudos Medievais e Director do Centro Jacques Maritain da University of Notre Dame

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Um meio social mais amplo e diversificado...

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa:

O ensino doméstico dá acesso a um contexto social mais amplo e diversificado


Kerrin, 17 anos, de Hampshire
Como não estão apenas (ou predominantemente) na companhia de pessoas da sua idade, as crianças educadas em casa aprendem a relacionar-se confortavelmente com pessoas de todas as faixas etárias. Tenho um bom amigo que tem 47 anos e uma menina de 9 anos considera-me uma das suas melhores amigas - até já fui convidada a passar a noite na casa dela! Tenho amigos que andam na escola, amigos que estão na universidade e amigos que são educados em casa. Tenho amigos em vários países, amigos cristãos e amigos sikhs, e amigos que não seguem nenhuma religião.

Hannah, 15 anos, de Cambridgeshire
Pensa-se frequentemente que as crianças educadas em casa são privadas de uma boa vida social, mas a minha experiência é completamente o oposto. Eu tenho uma óptima vida social, tal como a da maioria, ou até de todos, os meus amigos educados em casa. Todas as semanas participo no grupo do ensino domiciliar, no grupo de jovens, na igreja e geralmente em várias outras coisas, como grupos de encontro e assim por diante. Tenho muita facilidade de falar com pessoas que não estão na mesma faixa etária que eu.

Jo, 20 anos, de Hampshire
Eu fui educada em casa durante o ensino secundário mas frequentei um colégio part-time para fazer algumas cadeiras do 11º ano. Agora estou na universidade. Em retrospecto, acho que certas disciplinas são mais dificeis de fazer em casa, por exemplo, educação física e química. Por outro lado, temos a oportunidade de focalizar nas áreas que mais nos interessam e fazer projectos nessas áreas. De certa forma, podemos acabar "vivendo numa bolha", da qual um dia temos que sair. Mas a verdade é que quando fui para a universida não tive quaisquer problemas de socialização. Pode ser que seja devido ao facto de eu ser, por natureza, uma pessoa razoavelmente social, mas a educação em casa não me afetou de forma negativa. E pode até ter-me ajudado porque estou sempre disposta a falar com qualquer pessoa!

Continua aqui.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Fortalecendo os laços familiares ...

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa:

A educação em casa fortalece os relacionamentos familiares


Kerrin, 17 anos, de Hampshire
Um dos resultados do ensino domiciliar é que pais e filhos têm a oportunidade de partilhar suas vidas e por essa razão têm um melhor entendimento entre si. Os pais estão mais envolvidos na vida dos filhos adolescentes, tornando-se seus guias e mentores durante esse período crucial. E os irmãos têm a oportunidade de aprender a serem bons amigos apesar das diferenças de personalidade entre si. Os irmãos mais velhos tendem a envolver-se na educação dos irmãos mais novos. Eu tenho ajudado a tomar conta e a educar as minhas irmãs e, como resultado, tenho uma relação muito próxima com elas.

Jack, de 4 anos, de Londres
Eu acho que a educação em casa é muito legal porque gosto de estar com minha mãe. E gosto das coisas que fazemos fora de casa.

Toby, 18 anos, da Escócia
Como gostava de física, li muitos livros e resolvi estudar a matéria do 11º ano sozinho. Se tivesse frequentado a escola teria tido dificuldades devido à natureza estruturada do curso. Este ano resolvi não me candidatar a exames mas quando tenho tempo livre sento-me muitas vezes com o meu irmão de 10 anos conversando sobre física. Ele está a começar a ficar interessado: quer saber como é que as coisas funcionam e compreender o mundo que lhe rodeia. Na idade dele isto não seria viável na escola.

Continua aqui.

Desenvolvendo habilidades essenciais à vida...

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa:

A educação domiciliar reforça o desenvolvimento de habilidades essenciais à vida

Kerrin, 17 anos, de Hampshire
Como o ensino doméstico é centrado no lar e na vida de família, as crianças aprendem as competências necessárias à vida de uma forma natural e relevante, vendo que os pratos têm que ser lavados, que os irmãos mais novos precisam de assistência e que o jardim precisa de ser cuidado. Eu e os meus irmãos somos muito eficientes em todas as tarefas domésticas, o que vai ser muito útil quando um dia tivermos a nossa própria casa.

Hannah, 15 anos, de Cambridgeshire
Eu tenho aprendido muito e não só em termos acadêmicos. Tenho desenvolvido também competências essenciais à vida, como por exemplo cozinhar, limpar, cuidar de bebês e dos mais pequeninos (dois dos meus irmãos nasceram depois de eu ter começado o ensino domiciliar), e assim por diante.

Aprendi que educação não é uma tarefa mas um estilo de vida. Agora gosto muito mais de aprender do que quando andava na escola. Eu aprendo não só a partir de livros mas também com as situações que ocorrem e as pessoas à minha volta. Às vezes um passeio no parque pode ser tão educativo como a leitura de um livro didático. No ano passado, porém, candidatei-me aos exames de matemática e literatura inglesa do 11º ano e tirei muito boas notas em ambos. A educação em casa é, na minha experiência, uma maneira magnífica de aprender e estou muito grata aos meus pais por se terem disponibilizado a ensinar-me em casa.

Daniel, 21 anos, de Londres
Sendo de uma família numerosa, diria que aprendi as habilidades referidas frequentemente como necessárias à vida. Lavar os pratos, ajudar na limpeza da casa e a cuidar do jardim, tudo isso eram coisas que faziam parte da nossa rotina diária. Se estivesse fora de casa das 8 às 15 horas dia após dia, como a maioria das crianças, não teria tido tempo nem a energia necessária para o desenvolvimento dessas competências.

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terça-feira, 10 de novembro de 2009

Promovendo a auto-estima dos filhos...

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa:

A educação domiciliar produz, em última instância, indivíduos auto-direcionados e confiantes


Kerrin, 17 anos, de Hampshire
Quando as pessoas se sentem respeitadas e valorizadas elas desenvolvem um senso de identidade pessoal. Nós precisamos de pessoas que não baseiam o seu valor apenas na opinião alheia mas nos seus sentimentos profundos sobre o que a vida realmente é. Essas pessoas são bem sucedidas na vida; elas sabem quem são e ninguém lhes pode roubar essa confiança, mesmo que não tenham seguido o caminho mais percorrido. Estou cada vez mais convencida de que se tiverem auto-confiança e amor à vida, todas as pessoas irão fazer a sua contribuição, seja ela qual for.

No início do ano passado passei uma semana navegando à vela com o Ocean Youth Trust South. Depois disso fui convidada a trabalhar como voluntária e patrocinaram a minha formação. Desde então, já fiz cinco viagens no "John Laing" como contramestre substituto. Isso deu-me a oportunidade de obter qualificações e conhecimentos (eu terminei RYA Start Yachting, Competent Crew, e a maioria do currículo Watch Leader) e, ao mesmo tempo, ajudar e dar apoio a quem lá aparecia - indivíduos, grupos de jovens, grupos das escolas privadas e grupos de adolescentes portadores de deficiência e/ou economica e socialmente desfavorecidos. As competências de trabalho em equipe e relacionamento interpessoal que desenvolvi devido a ter crescido com 4 irmãos provaram sua utilidade ao navegar com 17 outras pessoas. Gosto de trabalhar com OYT e por isso hei-de continuar.

George, 12 anos, de Lancashire
Agora que sou educado em casa não tenho de me sentar na mesa dos miudos que dão problemas. Eu não era desobediente mas como não conseguia acompanhar o resto da classe tinha de me sentar com eles, o que tornava as coisas ainda mais difíceis para mim pois estavam sempre a distrair-me.

Agora que sou educado em casa a minha mãe ajuda-me sempre que preciso: ela explica-me as coisas que eu não entendo e tem sempre tempo disponivel para se certificar que eu entendi. Quando eu estava na escola o professor nunca tinha tempo e nem sequer ouvia quando eu dizia que não compreendia. Tinha que passar o tempo do recreio tentando recuperar.

Agora que sou educado em casa posso fazer as coisas ao meu próprio ritmo sem a preocupação de acompanhar os outros. Agora que sou educado em casa tenho muito mais confiança na minha capacidade de aprender e fazer os trabalhos. Agora que sou educado em casa eu posso finalmente ser quem sou!

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segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Criando suas próprias oportunidades...

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa

Os jovens educados em casa são pró-activos na criação das suas próprias oportunidades de aprendizagem

Kerrin, 17 anos, de Hampshire
Há pessoas que pensam que como não frequentamos a escola estamos perdendo oportunidades. Julgam que na escola há muitas oportunidades. Isso pode ser verdade mas nós temos outras oportunidades. Como fui educada em casa, eu tive a oportunidade de aprofundar o meu interesse em cavalos e avançar a um ritmo muito mais rápido do normal porque tinha tempo disponível para tal.

Completei o 1º estágio do BHS e agora estou a estudar o nível 3 de Parelli Natural Horsemanship. Estou especialmente interessada em cavalos com problemas comportamentais: no que é que os levou a esses comportamentos e no que se pode fazer para ajudá-los a resolver essas problemas. Estive em muitas clínicas de Natural Horsemanship, como espectadora e participante. Passei inúmeras horas trabalhando (voluntária e remuneradamente) em vários estaleiros equestres. Também tive a oportunidade de trabalhar com um instrutor de equitação, o que foi muito útil. Tive os meus próprios cavalos e ajudei a treinar os cavalos de outras pessoas. Ganhei dinheiro suficiente para comprar um pequeno ponei que eu mesma treinei e apoiei desde o princípio - ele tem agora 4 anos e está pronto para ser vendido a uma casa especial. Tenho muito orgulho do trabalho que fiz com ele. Além disso, ensinei as minhas irmãs mais novas quase tudo o que sabem sobre cavalos e equitação, o que tem sido muito gratificante.

Em alguns casos raros, os jovens educados em casa podem não ter a “oportunidade” de aprender em grupo. Mas desenvolvem outras competências, como flexibilidade e concentração - sou capaz de aprender tanto com a minha irmã de 8 anos como sentada num seminário destinado a adultos. Dito isto, porém, como tive a possibilidade de concluir os exames do 11º ano com um grupo de adolescentes educados em casa que eram mais ou menos da minha idade, eu, pessoalmente, não perdi oportunidades em relação à dinâmica de grupo. Além disso, também faço parte de um grupo de teatro onde trabalhamos com pessoas de todas as idades. Estou no mesmo grupo de teatro que a minha irmã mais nova, o que é muito divertido porque todos os meus amigos acham-na um amorzinho.

Muitas famílias que praticam o ensino doméstico reúnem-se uma ou duas vezes por semana para estudarem em conjunto, criando um ambiente de aprendizagem muito cooperativo. Há sempre pais devidamente qualificados em certas matérias que ajudam as crianças nessas áreas – um pode orientar um grupo de matemática enquanto uma das mães orienta um grupo de literatura... As crianças mais velhas podem ajudar a cuidar dos pequeninos enquanto os pais trabalham com os adolescentes, ou os adolescentes podem concentrar-se nos seus projectos enquanto os mais novinhos brincam.

No entanto, como já vos disse, a aprendizagem não ocorre apenas dentro dos limites da sala de aula - ídas semanais à piscina pública podem ser igualmente educativas. As famílias que praticam o ensino domiciliar juntam-se frequentemente e vão a muitos passeios. Actividades em que já participámos incluem: cursos de orientação, visitas a museus, edifícios históricos e jardins zoológicos, actividades artísticas e artesanais, centros de aprendizagem prática, dias desportivos, viagens a grandes cidades, concertos, teatro, cinema e dias na praia. As excursões são uma das características da educação em casa; andamos sempre em viagens de um tipo ou de outro. Como estruturalmente os grupos são normalmente mais pequenos e mais informais do que na escola, estes passeios podem ser mais personalizados.

Eu tive muita sorte em ter tido a oportunidade de seguir os meus interesses sob a tutela de pessoas que são altamente qualificadas e adoram o que fazem. Os meus pais esforçaram-se por ajudar-me a ter acesso aos peritos dessas áreas.

Malchus, 19 anos, vive agora na Alemanha
A educação em casa deu-me a oportunidade de abordar matérias de forma intensa e durante o tempo necessário. Foi-me possível abordar estas disciplinas sozinho com acesso a assistência quando precisava.

Através das minhas inúmeras viagens entrei em contacto uma variedade enorme de pessoas e fui exposto a diversas culturas e estilos de vida. Aprendi várias línguas naturalmente, sem necessidade de aulas ou professores. Já terminei a minha licenciatura e agora estou a preparar-me para trabalhar por conta própria. Sou muito feliz.

Continua aqui.

domingo, 8 de novembro de 2009

Transformando sonhos em realidades...

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa

Os jovens educados em casa são capazes de concretizar suas metas e objectivos



Kerrin, 17 anos, de Hampshire
Inicialmente os pais apoiam e facultam as experiências de aprendizagem dos filhos mas à medida que eles vão crescendo, eles vão se tornando capazes de gerir a sua própria aprendizagem. Como sabem o que querem e estão motivados, têm a perseverança necessária para suceder.

Nos 17 anos em que fui educada em casa eu desenvolvi um interesse pela aprendizagem como estilo de vida, e não como algo separado da minha vida diária, e tenho em aberto várias opções de carreira.

Completei com sucesso várias cadeiras do 11º ano, exames da British Horse Society e de Parelli Natural Horsemanship, obtive certificados da Royal Yachting Association, de ballet e de sapateado. Agora estou planejando passar alguns meses com uma associação que trabalha com crianças órfãs na Tanzânia e, depois disso, estou a pensar fazer uma licenciatura com a Open University.

Peter, 13 anos, de Suffolk
Agora, a minha curiosidade sobre qualquer assunto pode ser satisfeita a qualquer hora e sem me desviar das minhas próprias ideias sobre o que eu quero aprender. Eu adoro a educação em casa, que me tem dado a liberdade de aprender ao meu próprio ritmo. É uma maravilha!

Daniel, 21 anos, de Londres
Até aos 11 anos o meu horário consistia num simples conjunto de exercícios tirados de livros didáticos: matemática, inglês, geografia, italiano, francês e educação física (correr à volta do jardim em tricículos). Quando acabava os exercícios estava livre para brincar com o meu irmão mais velho. Mas a aprendizagem não terminava na "sala de aula"... A regra de ouro era não ver televisão ou coisas desse tipo antes do almoço.

Depois dos 11 anos as coisas tornaram-se ligeiramente mais estruturadas. Das 9 às 11 horas tinhamos inglês, ciências e história da Bíblia com a minha mãe e depois eu e o meu irmão fazíamos trabalhos que eram corrigidos e avaliados pelos nossos pais. Esta foi a norma até termos acabado o 11º ano. Tive boas notas a francês e espanhol e notas razoáveis a matemática e inglês.

Jenni, 19 anos, de Hampshire
Há algo muito poderoso na liberdade de escolher os nossos próprios objectivos, em ter essa responsibilidade, essa compreensão directa do motivo específico que nos leva a decidir fazer algo. Para mim, é um factor muito importante na auto-motivação porque eu prefiro isso muito mais do que receber ordens de alguém, ou do que fazer algo apenas "porque" alguém me mandou fazer, ou porque alguém achou que era o melhor para mim, ou porque todo mundo faz...

Eu pergunto-me constantemente: "por quê"? Por que é que estou fazendo o que estou a fazer, como é que estou crescendo e a que é que isso me conduzirá? Eu prefiro avaliar o meu progresso com base em onde é eu estava e como tenho vindo a melhorar do que comparando-me aos feitos dos outros. No entanto, a vida de certas pessoas traz muita inspiração ao meu percurso pessoal e acredito que há benefícios na aprendizagem em grupo.

Na primeira parte da minha vida as minhas ferramentas de aprendizagem foram ecléticas: um texto de matemática, várias fichas de trabalho, montes de livros, viagens e experiências educativas muito práticas na vida real e na internet. Fiz e experimentei coisas que as crianças que frequentam a escola não têm a oportunidade de fazer ou experimentar.

Estudei latim durante um ano. Não gostei muito mas ainda bem que fiz. Depois de ter feito 14 anos comecei a pensar fazer algumas cadeiras do 11º ano e gostei de ter uma certa estrutura formativa na minha aprendizagem. Também fiz dois anos de formação profissional de balé (2007 e 2008) numa companhia de balé e não na escola por isso a ênfase da formação não era acadêmica.

No entanto, no 2º ano decidi fazer duas cadeiras do 12º ano por correspondência que terminei este ano. Acabo de sobreviver ao 2º dia da minha 2ª semana na Universidade de Winchester, onde estou a estudar jornalismo, coreografia e dança, e estou a dar-me bem.

Concluindo, acho que a minha jornada levou-me com sucesso ao ensino sperior, mas a jornada foi muito diversificada e interessante - o que a torna, em si mesma, valiosa. Foi-me dada a oportunidade de explorar ideias sem a distração da pressão de grupo. Como não tive de me submeter às normas da sociedade, vi o mundo a partir de uma perspectiva mais ampla. A educação em casa permitiu-me desenvolver um forte sentimento de identidade pessoal.

Continua aqui.

sábado, 7 de novembro de 2009

Consolidando o sentimento de si...

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa

A educação em casa promove a auto-consciência e o sentido de identidade



Kerrin, 17 anos, de Hampshire
Como a individualidade da criança é aceite e respeitada, a criança aprende a confiar em si própria – no seu próprio senso de quem ela é e do que ela gosta e não gosta.

Os meus pais permitiram que a minha aprendizagem fosse baseada nos meus interesses. Podiam ter-me forçado a estudar as matérias que eu achava horríveis e impossíveis quando tinha nove anos e podiam ter-me obrigado a fazer vários testes a fim de me “prepararem” para o "mundo real". Mas a que custo? Ao custo de destruirem a pessoa dentro de mim por causa de um mero exame? E eu, teria aprendido a gostar dessas matérias?

Podem argumentar que não foi justa a pressão a que eu fui submetida quando fiz exames escritos pela primeira vez ao nível do 11º ano; que se eu tivesse frequentado a escola teria estado melhor preparada para tal. No entanto, eu estava pronta para o desafio e senti-me em controle porque a decisão foi minha. Numa fase anterior e sem liberdade de escolha, penso que a pressão teria causado um bloqueio emocional e intelectual. Em vez disso, eu tive uma infância maravilhosa cujo fruto é o meu forte sentimento de identidade.

Ao esperar, os meus pais enfrentaram um risco, porque tiveram de confiar em mim, na minha motivação intrínseca e na minha capacidade inata de aprender. Ao fazê-lo, demonstraram a capacidade de viver com a incerteza do que eu iria fazer com a minha vida. Muitas pessoas acreditam que se não forem obrigadas as crianças não aprendem. Os meus pais sabiam que se me obrigassem a aprender eu não aprenderia. Não conheço nenhum jovem educado em casa que tivesse abusado este tipo de liberdade em relação à sua aprendizagem. Afinal, o que há para abusar quando é o que queremos fazer?

Jenni, 19 anos, de Hampshire

Eu fui, desde sempre, educada em casa ou através do ensino à distância. Estes métodos de ensino ensinaram-me a ser independente e a tomar responsibilidade pelos meus estudos. Embora os meus pais me tivessem dado as orientações necessárias à minha aprendizagem, na nossa casa houve sempre uma forte ênfase, em cada indivíduo, na descoberta da sua própria paixão, daquela centelha que faz a vida valer a pena e no uso dessa paixão como guia na busca de conhecimentos e competências. Um efeito maravilhoso desta abordagem é que eu tenho um forte sentimento de quem eu sou e do que eu quero da vida.

Continua aqui.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

O ensino domiciliar na casa moral

Introdução aqui.

À medida em que o século 19 foi avançando, o Reino Unido, líder mundial do poder industrial e imperial, foi-se tornando cada vez mais urbano, industrializado, densamente populado e poluido. Mas o lar permanecia o centro moral, o infantário da próxima geração de cidadãos, e a educação em casa não era para brincadeiras.

A educação, para todos nós, começa em casa mas até ao final do século 19 a casa era a única sala de aulas para a maior parte das crianças, especialmente se fossem raparigas.

"A história da educação limita-se à história do triunfo da escola e tende a ignorar o treinamento básico e informal que as raparigas podiam obter em casa."


Mas será que a aprendizagem doméstica era fraca e superficial? Será que era inferior à escolaridade formal, como muitos parecem pensar?

As mães foram, desde sempre, as primeiras e as melhores instrutoras dos filhos. Rapazes, assim como raparigas, aprendiam ao colo de suas mães, embora os rapazes escapassem o poder pedagógico delas por volta dos 7 anos, quando muitos íam para escolas residenciais. Era suposto que a escola os iria transformar em homens. Mas para as raparigas, as escolas eram muito mal vistas, consideradas um meio repleto de artíficios e vícios.

"A virtude feminina é uma planta demasiado delicada e não devemos arriscar a expô-las a esse método destrutivo. A mãe é, por natureza, a única governanta. Como as raparigas estão destinadas a uma vida doméstica e privada, a sua educação deve corresponder ao seu destino."

Este tipo de comentário levou à ideia errada de que a educação em casa era descuidada, superficial e inadequada. Mas o que é que o ensino doméstico realmente envolvia?

Os escritos pessoais de várias mulheres demonstram que o ensino domiciliar era altamente regulamentado e sistemático, e que a aprendizagem era muitas vezes uma disciplina auto-imposta. No século 18 esta tradição já estava fortemente embutida.

Lady Mary Montague estudava latim na biblioteca de seu pai às vezes durante 8 horas por dia e Jane Austin, aos 11 anos, depois de um ano e meio numa escola, regressou a casa para adquirir uma educação clássica e informal.

Jane Austin era excepcional, claro, mas todas as raparigas podiam receber uma educação sistemática em casa.

Na biblioteca de Lancastershire foram encontrados os diários de uma jovem, que revelam perspectiva das próprias crianças, mais dificil de encontrar.

Maria, filha de um comerciante quacre, foi educada em casa com sua irmã na década de 1770. Tinham aulas 6 dias por semana: metade do tempo era passado em aulas e o resto em tarefas e na brincadeira. Aos 10 anos Maria começou a aprender história, geografia, biologia, lógica, e aritmética. Lia também textos romanos traduzidos.

"Estamos a ler a biografia de Cáio Mário. Oh, que nobre general ele foi, e com que nobreza enfrentou os problemas que surgiam durante as suas campanhas."


Maria parece ter sido uma menina muito dócil e fácil de ensinar. Mas escrever o diário era, em si, um exercício educacional dado pela tia, que o lia regularmente. Por isso Maria tinha que prestar atenção à ortografia até no seu diário privado!

Algumas mulheres dedicavam-se à instrução dos filhos com admirável diligência e competência profissional.

Ana era esposa de um funcionário público. Em Londres, ela tinha a seu cargo o enteado Simão e 2 filhos mais novos, João e Jorge. Através dos seus diários, escritos a partir de 1790, descobertos numa biblioteca da Califórnia, ficamos a conhecê-la.

Nessa altura Ana tinha 34 anos e os filhos 14, 7 e 4. Ela considerava um dever, e até um prazer, educar os filhos como cristãos na tradição clássica mas estava aberta à aprendizagem moderna.

Antes de terem ido para a escola eles receberam lições diárias de sua mãe mas mesmo depois de terem ido para a escola eles continuaram a aprender em casa nas férias durante a adolescência.

"Segunda feira, 27 de Fevereiro de 1790. Rosa, como era de esperar, fez alguns trabalhos domésticos, tomou o pequeno almoço e ensinou João e Jorge, fazendo com que eles lessem, repetissem estórias das escrituras e as memorizassem.

Geografia: ir buscar o mapa da Inglaterra; aprender as cidades, distritos, produtos, etc. Em conversa, João repete o trabalho de gramática inglesa e latina.

Terça feira, 5 de Janeiro de 1790 (durante as férias): Passei 2 horas a ler sobre a história da França e li um livro de Shakespeare mas o Simão não entendeu o humor, bocejou e foi-se embora."


Jorge respondia melhor à educação. A 1ª descrição que temos é a de Ana ouvindo-o ler aos 4 anos. Dois anos depois:

"Quinta feira, 19 de Janeiro de 1792: Ensinei Jorge a ler e escrever e um pouco de Latim. João leu sobre os israelitas , o êxodo do Egipto, travessia do mar vermelho, etc. Depois foram buscar o mapa da Ásia e nele traçaram a rota dos israelitas, os vários países que atravessaram, o Egipto, o mar vermelho, etc. Para a alegria das crianças a aula durou 1 hora! Temos de saber tanto p
ara ensinar os outros!"

Nesse verão, Ana ensinou multiplicação e a história da Inglaterra. Em 1793, com 7 anos, Jorge foi para uma escola em Surrey mas Ana continuou a dar aulas diárias durante o Verão: ortografia, gramática, latim e vocabulário francês.

Aos 11 anos os conhecimentos do filho ultrapassaram os da mãe mas ela persistiu:

"26 de Julho 1797. Instruí Jorge da seguinte maneira: primeiro, ouvi os verbos em grego, depois traduziu 4 frases do inglês para o latim. Agora, eu não entendo nem grego nem latim mas consigo, devido ao hábito e por observação e reflexão, reconhecer os caracteres do primeiro. Ele precisa manter-se ocupado. Averiguar exercícios em línguas que não compreendemos é devoção para além do dever!

Ana também usou a ideia do Iluminismo da aprendizagem através de conversas.

"Terça feira, 30 de Outubro de 1792. Buscar o mapa da Europa, encontrar o nome dos locais. Todo o tempo foi ocupado com conversas sobre o mapa em geral, talvez mais produtivamente do que com a nossa rotina usual."

Embora mencionadas no diário cada vez menos, as lições de Jorge continuaram durante anos, até que finalmente, em 1804, elas terminaram. Jorge tinha agora 18 anos e entrou no mundo dos negócios. Foi lançado numa gloriosa carreira como futuro político e baronete.

Os diários são uma prova da fantástica educação holística que Ana tentou dar aos filhos. Em casa, ensinou-lhes gramática, línguas, os clássicos, história, ciências, matemática. Além disso, ajudou-os a desenvolver a sensibilidade artística e a devoção cristã. Passava pelo menos 3 horas por dia cumprindo seu dever pedagógico. Lia e analisava todas as últimas teorias educacionais, estruturava planos de aulas, lia o que as crianças iriam ler, tomava apontamentos detalhados do progresso dos filhos e dos métodos de maior sucesso. Enfim, orientava todos os aspectos da aprendizagem em casa.

Não há como fugir ao facto de que a inspiração por trás da educação domiciliar para raparigas era conservadora. As escolas tinham a função de produzir cidadãos activos, masculinos, capazes de participar no debate público, em instituições, no comércio, no governo e no império, enquanto que o ensino doméstico era mais pacífico, preparando para um destino arrecadado, centrado na família e nas crianças.

Mas, na prática, o ensino domiciliar podia ser incrivelmente impressionante. Liberto da aprendizagem do tipo repetição-memorização e do restrito currículo clássico da escola, a educação em casa podia ser muito mais abrangente em matérias, métodos imaginativos e alegre em espírito. Não era necessariamente inferior a nível intelectual, especialmente com professoras como a formidável Ana para manter os meninos na linha!