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segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Carta aberta no Guardian

No Reino Unido, os esforços para manter a indepêndencia do ensino doméstico, proteger a diversidade educacional e defender os direitos das crianças e famílias continuam.

Mais de 1000 assinaturas acompanharam esta carta aberta sobre as alterações que o governo britânico propõe na área do ensino domiciliar. São assinaturas não só de pais que educam os filhos fora do sistema escolar mas de psicólogos, cientistas, escritores, representantes de várias organisações, membros do parlamento britânico, professores universitários especializados nas áreas da sociologia, educação, psicoterapia /acompanhamento psicológico e assim por diante (ver a lista completa aqui).



Todos eles acreditam que o schedule 1 da children, schools and families bill representa uma inaceitável imposição de controlo Estatal sobre a família. Embora o alvo sejam as crianças educadas fora do sistema escolar, a lei, se implementada, teria implicações para todas as famílias.

Apesar da maioria dos pais não pensar no ensino doméstico para os filhos - muitos nem sequer sabem da existência desta alternativa e, mesmo se soubessem, não teriam disposição para isso nem as condições necessárias -, qualquer família pode vir a precisar desta opção: todos sabemos que, infelizmente, por uma série de razões (como o bullying / violência escolar, a resultante fobia escolar, escolas sem capacidade de lidar com necessidades educativas especiais, alunos dotados passando o tempo entediados na escola, etc.), a severidade do impacto negativo que a escola pode ter nos nossos filhos é algo que não podemos ignorar. Por enquanto, no Reino Unido, esta opção está disponível a todos os pais. Se esta proposta for ávante, a lei iria pela primeira vez transferir a responsabilidade pela educação das crianças dos pais para o Estado. Esta é uma questão que nos deveria preocupar a todos.

A carta aberta explica que não há necessidade de mudar a lei uma vez que actualmente ela já exige que os pais dêem uma educação adequada à idade, aptitudes, capacidades e quaisquer necessidades especiais que os filhos possam ter. Além disso, as autoridades locais já têm o poder de interferir caso os pais não cumpram as suas obrigações.

Os especialistas, profissionais e praticantes chamam a nossa atenção para as várias pesquisas que já demonstraram o sucesso do ensino doméstico e dos diversos métodos educacionais usados. São métodos geralmente centrados na criança e fora dos paradigmas educacionais prevalentes nas escolas.

Lembram-nos também que a diversidade na educação é absolutamente essencial para a sustentabilidade de qualquer democracia e que precisamos de leis que protejam esta diversidade e os interesses das crianças enquanto indivíduos.

Alertam-nos também para o facto de que os interesses das crianças estão completamente ausentes desta proposta, cujo objectivo é o estabelecimento de um sistema burocrático administrado pelas autoridades locais que obteriam o poder de, a qualquer momento, negar aos pais autorização para educar os filhos a não ser que se conformem aos ditames e currículos estabelecidos pelo Estado.

E, claro, se esta proposta de lei for implementada, os residentes do Reino Unido poderão acabar em situações como esta, em que um casal americano de homeschoolers foi preso por não ter preenchido a devida papelada!

2 comentários:

Lara Gisela disse...

É um assunto que nos deve preocupar a todos. Passar a responsabilidade da educação dos pais para o Estado é completamente absurdo e perigoso. Obrigada por nos manteres sempre a par do que se vai passando nesta área.
Bjs

Paula disse...

Lara, estou plenamente de acordo contigo. A responsabilidade da educação dos filhos deve ser dos pais e nunca do Estado.

Como dizia Bertrand Russell, "a grande maioria dos pais sente afeição pelos filhos, e este factor estabelece um limite ao mal que lhes podem causar. Mas as autoridades educacionais não sentem qualquer afecto pelas crianças; na melhor das hipóteses são motivadas por um espírito cívico que se dirige à comunidade no seu conjunto e não apenas às crianças; na pior das hipóteses, trata-se de políticos empenhados a lutar por votos."

Bjs