Este blog partilha informação sobre o homeschooling e o unschooling - ensino doméstico ou educação domiciliar. Para navegarem o site, usem os links acima e, para os posts de 2011, o botão da pesquisa na barra direita. Facebook: Aprender Sem Escola Email: aprendersemescola@gmail.com

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A escola está fora de questão

Mais uma tradução livre e parcial de um artigo sobre o ensino domiciliar publicado ontem no Reino Unido.

Preocupações sobre o bullying, um atendimento deficiente a crianças com necessidades especiais e um currículo limitado e irrelevante são apenas algumas das razões por trás do número crescente de famílias a educar os filhos em casa.

Contudo, novas propostas do Governo para a regulamentação da educação em casa podem vir a tornar a saída da escola difícil para as crianças. Em Essex, os pais-educadores estão furiosos com estas propostas, que estão neste momento a ser debatidas no Parlamento. Eles querem explicar porque é que o ensino domiciliar é tão importante e acabar com as ideias erradas que as pessoas têm em relação aos pais que educam os filhos fora do sistema escolar.

Michelle Cook, 32 anos, é mãe e ensina a filha Kate, de 6 anos, em casa. Para as duas não há dois dias iguais pois combinam a aprendizagem com visitas regulares à biblioteca, passeios em vários parques e reservas naturais, e encontros com outras crianças educadas em casa para actividades lúdicas. Para Michelle, manter a filha em casa é a coisa mais natural do mundo:

"Eu ensinei Kate desde que ela nasceu, por isso pareceu-me natural continuar a fazê-lo. Desta forma, ela pode aprender aquilo que ela quer ao seu próprio ritmo. Em geral, investigamos as coisas que lhe despertam o interesse. O ano passado andou fascinada pelo espaço. Escrevemos histórias sobre o espaço mas também aprendemos matemática. Até aprendemos geografia, pesquisando a localização das estações espaciais como as da NASA. Eu ensino-lhe a ler e escrever mas não acho que haja mais nada que ela tenha categoricamente de saber. Se ela estiver interessada, então investigamos juntas."

Michelle, que também tem um filho de 2 anos de idade, diz que um dos principais equívocos sobre a educação em casa é a ideia de que os jovens que não frequentam a escola não têm uma vida social:

"Kate tem aulas de balé todas as semanas, vai aos Rainbows e faz parte de um clube de exploradores de animais selvagens. Ela tem muitos amigos e também temos outras famílias que educam os filhos em casa com quem nos reunimos regularmente. Ela interage constantemente com adultos e outras crianças. A minha filha é uma criança muito feliz e sociável."

No entanto, se as propostas do Governo forem implementadas, a educação em casa teria que mudar. Segundo as novas regras os pais terão que registrar os filhos anualmente com a autarquia local e entregar uma declaração especificando o que pretendem ensinar aos filhos durante o próximo ano e como pretendem fazê-lo. Os inspectores iriam então fazer uma visita anual para certificar-se que esse plano está a ser seguido e interrogar individualmente as crianças sem os pais estarem presentes.

Michelle acrescentou: "Estas propostas são tão extremas! Querer interrogar as crianças na ausência dos pais é ridículo. O que vão conseguir com isso? Se são vítimas de maltratos não é a um desconhecido que vão dizer. Se estão tão preocupados com a possibilidade das crianças serem maltratadas fora da escola, então também têm de começar a entrevistar todas as crianças em idade escolar durante as férias."

Ann Newstead, 39, porta-voz da Education Otherwise, uma organização beneficente criada para apoiar os home educators, disse:

"Obviamente, abuso infantil é algo que pode acontecer mas isso são coisas que geralmente acontecem em famílias com distúrbios, que já são conhecidas pelos serviços sociais. A educação em casa está a aumentar em parte porque as pessoas estão a ficar cada vez mais cientes de que é uma opção legal. A maioria das pessoas pensa que tem que enviar os filhos à escola, mas não é verdade."

Ann disse que muitos pais optam pelo ensino doméstico porque os filhos têm necessidades educativas especiais. Ela começou a educar em casa depois de um dos seus 4 filhos ter sido tão maltratado na escola que começou a se automutilar.

Se quiserem, podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

3 comentários:

*Lisa_B* disse...

Querida Paula,

excelente reportagem...os filhos dos que vão à escola, teriam de ser também entrevistados para saber se são maltratados senão é favorecer uns e prejudicar outros (intimidando)

Espero que continuem a lutar pelo que é legal e não deixem isso mudar nunca, pelo bem das crianças.
Enquanto não tiverem uma medida de controlar o bullyng isso nem devia estar em cima da mesa para sequer ser discutido.

Beijos

Paula disse...

Oi Lisa_B,

Sabes, estou convencida que esta história dos "maltratos" não passa de mais uma desculpa do Governo para impor as suas propostas.

Nos debates sobre o ensino domiciliar aqui no parlamento britânico já questionaram, mais do que uma vez, as estatísticas usadas na tentativa de impor estas medidas.

Todos sabem que não são de confiança porque já demonstraram que o que as estatísticas revelam, ao serem interpretadas correctamente, é que os abusos e/ou maltratos de menores nas famílias que educam os filhos em casa é raríssimo, menos de metade do que na população em geral.

E, como dizes, se estivessem realmente preocupados com o bem estar dos jovens, os filhos dos que vão à escola também teriam de ser entrevistados para se certificarem de que não estão a ser maltratados durante as férias, os fins de semana, à noite e assim por diante!

Mas o que nos deveria preocupar a todos é que, devagar devagarinho, dezenas de leis andam a ser introduzidas, leis que dão ao Estado uma série de desculpas (só aqui no Reino Unido são mais de 1200!) para entrarem pelas nossas casas adentro, seja para se certificarem que os nossos filhos estão a ser educados adequadamente, que os nossos animais de estimação estão a ser bem tratados ou que os arbustos no nosso jardim não estão altos demais!

Bjs

*Lisa_B* disse...

Pois é querida Paula,
tens toda a razão...
qualquer dia mandam nas especies de lantas que devemos cultivar no jardim e nas cores e roupas dos nossos filhos...porque na nossa já eles "mandam" julgando-nos pela aparência dos trapos de ou sem classe...
Beijo