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sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Jovem educada em casa vai ao parlamento defender a inviolabilidade de domicílio

Um dos argumentos que o governo britânico está a usar na tentativa de justificar a intrusão na vida familiar dos praticantes do ensino doméstico é que há sempre a possibilidade, por muito rara que seja, que alguma família de uma minoria étnica possa vir a usar a educação em casa para esconder o casamento forçado das filhas. E, sem o direito de invadir o domicílio sem necessidade de mandado judicial e interrogar as crianças na ausência dos pais, como poderia o Estado protegê-las desses possiveis casamentos?

Felizmente a educação domiciliar produz jovens capazes de irem ao parlamento defender os direitos dos pais e as nossas liberdades civis, como a inviolabilidade de domicílio.

Já vos tinha falado da Chloe Watson aqui. Chloe é uma jovem educada em casa, presidente da Associação de Jovens Educados em Casa e pesquisadora educacional. Com 17 anos acabadinhos de fazer, Chloe foi ao parlamento como representante da HEYC, que não apoia a proposta-lei e decidiu optar pela desobediência civil caso seja implementada.

Segue-se um trecho do debate que ocorreu há 3 dias:

Mrs. Cryer: Gostaria de sugerir ao painel que há questões importantes que não estão necessariamente relacionadas com a educação em casa. Temos de saber onde as crianças estão. Em certas zonas, como em Bradford, há crianças que são retiradas da escola e enviadas de volta ao Paquistão ou a Bangladesh durante períodos muito longos. [Resumo: Na pior das hipóteses, estas jovens podem ser sujeitas a casamentos forçados. Como vivem no Reino Unido deveriam receber o mesmo tipo de apoio que os outros sectores da comunidade.] Alguém gostaria de comentar sobre isso?

Chloe Watson: Há um problema com o facto de que como os filhos estão, com efeito, sob a jurisdição dos pais, é óbvio que se são educados em casa a autoridade local não tem nada a ver com isso. Eles estão com seus pais e isso é suficiente. Se os pais decidem levá-los a dar a volta ao mundo por três anos, visitar seja onde for e fazer seja lá o que for, essa é uma decisão que pertence aos pais. Claro, seria bom que consultassem os filhos e que estes tivessem concordado, mas não é ilegal nem algo com que nos deveríamos preocupar.

Caroline Flint: Não, não é ilegal. Se a criança tiver idade escolar e os pais dizem: "Queremos dar uma volta ao mundo", eu não tenho necessariamente qualquer objeção - pelo menos sabemos qual é a situação. Noutras circunstâncias, poderia não ser uma experiência educativa mas possivelmente forçar uma jovem mulher ou rapariga a um casamento que ela não quer. Sabendo onde as crianças estão, pelo menos haveria uma conversa. Não concordarias com isso?

Chloe Watson: Quando perguntamos aos pais para onde estão levando os filhos, eles podem dizer uma coisa e fazer outra. Como não podemos forçar as pessoas a dizerem a verdade sobre onde os filhos estão, perguntar-lhes não seria produtivo, seria apenas um peso desnecessário sobre as autoridades e os pais. E revela que [o Estado] não confia nos pais.

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