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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Aprender a Ler Sem Escola: 7 Princípios

Há umas semanas atrás convidei os leitores do meu blogue que praticam o unschooling ou seguem o modelo da escola Sudbury a partilharem as suas histórias sobre a aprendizagem da leitura sem instrução formal. Dezoito pessoas - a maioria das quais se identificaram como pais de unschoolers - gentilmente compartilharam suas histórias comigo. Cada história é única. Tal como os meus alunos descobriram em suas pesquisas em Sudbury Valley, parece não haver um padrão no modo como as crianças que actualmente não frequentam a escola aprendem a ler.

No entanto, ao listar e organizar os temas principais de cada história, consegui extrair o que me parecem ser 7 princípios que talvez nos possam ajudar a compreender, de uma forma geral, o processo de aprender a ler sem escola. Optei por organizar o resto deste artigo em redor destes princípios e exemplificar cada um deles com citações das histórias que me enviaram. Algumas das pessoas que me enviaram histórias pediram-me para usar apenas os seus nomes e não os nomes dos seus filhos, por isso resolvi usar essa convenção.

Aprender a Ler Sem Escola: 7 Princípios


1) Para as crianças que não frequentam a escola, não existe um período crítico ou uma idade ideal para aprender a ler.

Para as crianças nas escolas normais é muito importante aprender a ler na altura ditada pela escola. Se não aprenderem nessa altura, acompanhar o resto do currículo torna-se mais difícil e poderão vir a ser rotuladas como "fracassos", como alguém que tem de repetir o ano ou que tem alguma deficiência mental. Nas escolas, aprender a ler é a chave para o resto da aprendizagem. Primeiro você "aprende a ler" e depois você "lê para aprender." Sem saber ler você não pode aprender a maior parte do resto do currículo, porque grande parte dele é apresentado através da palavra escrita. [...]

Mas a história é completamente diferente para as crianças sem escola. Elas podem aprender a ler a qualquer altura, sem aparentes consequências negativas. As histórias que me enviaram incluem 21 casos diferentes de crianças aprendendo a ler. [...] Destes, dois aprenderam aos 4 anos, sete aprenderam aos 5 - 6 anos, seis aprenderam aos 7 - 8 anos, cinco aprenderam aos 9- 10 anos e um aprendeu aos 11 anos.

Mesmo dentro da mesma família, crianças diferentes aprenderam a ler em idades muito diferentes. Diane escreveu que a sua primeira filha aprendeu a ler aos 5 anos de idade enquanto que a sua segunda filha aprendeu aos 9 anos; Lisa W. relatou que um dos seus filhos aprendeu aos 4 e outro aos 7 anos e Beatriz contou que uma filha aprendeu antes dos 5 e a outra aos 8 anos.

Hoje, nenhuma dessas crianças tem dificuldades na leitura. Beatriz relata que a filha que só aprendeu a ler aos 8 anos e que agora tem 14 anos "lê centenas de livros por ano, escreveu um romance e ganhou vários prêmios de poesia." Esta filha, no entanto, havia demonstrado outros sinais de precocidade literária muito antes de ter aprendido a ler. De acordo com Beatriz, aos 15 meses de idade ela recitava de memória todos os poemas no livro Complete Mother Goose.

A mensagem mais frequentemente repetida nestas histórias de aprendizagem da leitura é que as crianças têm uma atitude positiva relativamente à leitura e à aprendizagem em geral porque não foram obrigadas a ler contra a sua vontade. Isto talvez tenha sido transmitido mais claramente por Jenny, que escreveu, em relação à filha (que tem agora 15 anos) que não leu até aos 11 anos: "Um dos melhores resultados de ter-lhe deixado aprender a ler ao seu próprio ritmo e a partir da sua iniciativa foi que ela tomou controle do processo e através dessa experiência apercebeu-se que se podia aprender a ler sozinha podia aprender qualquer coisa. Nós nunca lhe pressionamos para aprender, nunca, e por causa disso a sua capacidade de aprender manteve-se intacta. Ela é muito esperta, muito viva, curiosa e interessada no mundo que a rodeia."

Continua AQUI...

Trecho de Children Teach Themselves to Read: unschoolers' accounts of how their children taught themselves to read, por Peter Gray, professor e pesquisador de psicologia no Boston College. Parte 1 aqui.

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