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terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Homeschooling e Socialização

Quando eu e o meu marido começámos a pensar em educar os nossos dois filhos em casa, a reação mais comum dos nossos amigos e familiares foi: "E a socialização?" É uma pergunta legítima.

Cada família aborda a questão da socialização de forma diferente. Experiências diárias, semanais e mensais variam bastante, mesmo dentro da mesma família. Quando ouvi o termo "homeschooling" pela primeira vez, associei-o imediatamente à Casa da Pradaria - crianças vestidas em trajes tradicionais obedientemente sentadas em secretárias antigas numa sala isolada durante longas horas, replicando a experiência da escola na privacidade do lar. Alguns dos nossos dias são passados em casa, admito, mas muitos são passados lá fora, no mundo, aprendendo através de experiências muito práticas. Eu, e outros pais que educam os filhos a partir de casa, prefiro o termo "educação independente" - que dá uma imagem muito mais precisa do que fazemos.

Com as últimas estatísticas indicando que cerca de 2,5 milhões de crianças são educadas em casa nos EUA, as oportunidades sociais disponíveis para as famílias que optam pelo homeschooling estão se expandindo cada vez mais. A maioria das crianças educadas em casa participam numa enorme variedade de actividades extracurriculares - esqui, patinação artística, aulas de música, coros, desportos colectivos, equipes de debate, campanhas políticas, escuteiros ou guias, Odyssey of the Mind, teatro, dança, karatê, cooperativas, etc. No ano passado, os meus filhos fizeram natação, tiveram aulas de arco e flecha, de ciência, esqui, arte, futebol, basebol, ginástica - isto sem falar dos passeios na natureza, dos eventos do dia-a-dia e encontros com outras crianças para brincar. Todas estas actividades foram feitas na companhia de outras crianças e famílias, proporcionando uma rica variedade de interacção social e experiências.

Uma grande vantagem da educação em casa é que a socialização ocorre naturalmente entre grupos etários diferentes. Surpreendentemente, a discriminação etária entre crianças educadas em casa é muito rara - não vemos cliques, sentimentos de superioridade em relação às crianças mais novas, bullying ou exclusão. Em vez disso, vemos que os miúdos educados em casa gostam de brincar com crianças e jovens de todas as idades e aprendem uns dos outros com alegria. Interacções entre crianças da mesma idade também ocorrem mas é normal vermos um miúdo de 11 anos divertindo-se a jogar com um de 5 anos. Também já vi um grupo de meninas com idades entre os 7 e os 12 incluindo uma de 3 anos nas suas brincadeiras. É uma ocorrência comum.

Observo também que os homeschoolers vêm de todos os backgrounds. Desde que começámos a nossa jornada no mundo do ensino domiciliar, eu e os meus filhos já conhecemos e fizemos amizades com um grupo diversificado de pessoas: protestantes, católicos, ortodoxos, muçulmanos, ateus e agnósticos; africano-americanos, caucasianos, asiáticos, latino-americanos e pessoas do Oriente Médio; liberais e conservadores, democratas e republicanos. Com eles, os meus filhos já tiveram muitas oportunidades de expandir e enriquecer a sua experiência da enorme diversidade existente fora do núcleo familiar.

Comos todos os pais, os que optam pelo ensino doméstico fazem tudo o que podem para dar aos filhos todas as oportunidades para aprenderem as habilidades que irão precisar na vida adulta; entre elas, competências sociais. Recordando a minha experiência escolar, a maioria das competências sociais que adquiri foram obtidas fora das salas de aula - no recreio, durante o almoço, nos corredores e em actividades depois das aulas terem acabado. Pelo que tenho visto, o mesmo ocorre com as crianças educadas em casa. Eu reconheço que ensinar os meus filhos a promover bons relacionamentos com os outros dá trabalho. Tanto os meus filhos temos que tomar a iniciativa a diferentes alturas e de maneiras diferentes. Mas penso que a situação seria a mesma se tivesse optado por mandá-los para a escola. Por enquanto, porém, posso dizer, com alegria, que tanto o nosso calendário acadêmico como o social estão cheios.

A tradução é livre e parcial mas podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui. Kristin, a autora deste artigo, faz parte da Billerica Homeschooling Association.

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