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segunda-feira, 29 de novembro de 2010

Ensino doméstico e socialização

Os pais que educam os filhos em casa precisam mesmo de ter sentido de humor, porque sem sentido de humor, quem tem pachorra para este tipo de interação, infelizmente tão comum?



socialização = acto ou efeito de socializar

A palavra socializar tem vários sentidos:
1. Tornar ou tornar-se social ou sociável = sociabilizar
2. Tornar ou tornar-se socialista
3. Reunir ou reunir-se em associação = associar

Pergunto-me muitas vezes a qual destes sentidos se referem...

5 comentários:

Flor de Lima disse...

Hilariante! :)

Paula disse...

Tem piada, sim, mas pergunto-me também, se o homem moderno teve origem há cerca de 200 000 anos e a escolaridade obrigatória começou na Prússia em 1763-5, chegando aos EUA em 1852 e em Portugal por volta de 1956 (mas apenas durante 4 anos e apenas para alunos do sexo masculino e os adultos!), como é que a maioria das pessoas acredita que sem escola o processo de socialização é impossivel? De onde veio essa ideia? Quem a propagou? Quem a assimilou? Quem beneficia? Quem sofre?

E os nossos antepassados? Como conseguiram sobreviver durante os 198 235 anos antes da introdução da aprendizagem forçada? Como aprenderam a se associar? Como se tornaram sociáveis?

Naturalmente? Em casa, em família, no mundo em que viviam?

Mais aqui.

Paula disse...

Excertos de Carl Gustav Jung, The Undiscovered Self


Sob a influência dos preconceitos e dos condicionamentos científicos, não apenas a psique, mas também o homem individual, até mesmo os acontecimentos e as vivências pessoais, sofrem um nivelamento e uma distorção que os desfiguram, reduzindo a imagem da realidade às proporções duma ideia média. E não se subestime a eficácia psicológica que emana duma imagem estatística do mundo: ela recalca o indivíduo a favor de unidades anónimas que se reúnem em agrupamentos de massa. Isto é, em vez do ser individual surgirão os nomes de organizações, no cume das quais figurará a noção abstracta do Estado, encarnando o princípio da realidade política.

E daí resulta, infalivelmente, que a responsabilidade moral do indivíduo é substituída pela razão de Estado. No lugar duma diferenciação moral e espiritual do indivíduo surgem a prosperidade pública e o aumento do nível de vida; nesta perspectiva, a finalidade e o sentido da vida individual (que, insistamos, é a única vida real) já não reside no desenvolvimento e amadurecimento do indivíduo, mas na realização dum conceito abstracto, que tem a tendência, definitivamente, a tirar-lhe toda a vida; em contrapartida ele será, como unidade social, regido, administrado, divertido por uma organização pré-fabricada de lazeres, no seu conjunto culminando numa satisfação e num bem-estar das massas, que é o critério ideal. (…)

É o racionalismo do pensamento científico que se manifesta como um dos principais factores da aglutinação dos indivíduos em massa; de facto, este racionalismo priva a vida individual das suas bases, e, por conseguinte, da sua dignidade e da sua legitimidade, pois o homem como unidade social perdeu a sua individualidade e se transformou num número abstracto da estatística social. Como número, só pode desempenhar o papel duma unidade infinitesimal e intermutável. (…)

Quanto maior é a multidão, mais desvalorizado o indivíduo. E desde que o indivíduo se identifique com o sentimento esmagador da sua pequenez e da sua futilidade, e que ele perca o sentido da sua vida – que não se esgota na noção da prosperidade pública ou dum melhor nível de vida – ele está no caminho da escravatura do Estado e tornou-se, sem o saber e sem o querer, seu promotor. (...)

Na realidade, o Estado não é senão uma camuflagem que utilizam os indivíduos que o manipulam. Por esse facto, a convenção original do Estado escorrega cada vez mais para a situação e uma forma de uma sociedade primitiva, na ocorrência de um comunismo de uma tribo primitiva, submetida à autocracia dum chefe ou de uma oligarquia.

Tradução: Joaquim Reis

Flor de Lima disse...

Embora a minha filha ainda tenha apenas meses de idade tenho lido tudo o que posso acerca de ensino doméstico. Este blogue é a minha referência número 1.
As pessoa já nem se dão ao trabalho de pensar e muito menos de colocar em causa as normas que nos são implícitas desde cedo. Tenho tido dificuldade em explicar a razão pela qual optei em ficar em casa, em vez de ir dar aulas e de colocar a minha filha na creche. Geralmente ouço: mas toda a gente coloca os filhos na creche! Ocasionalmente ouço a pérola: mas ela tem de socializar com outros bebés! De facto, os bebés são exímios comunicadores...
Espero que este blogue continue a crescer e a servir de leme para toda a gente que, tal como eu, decidiu deixar de seguir a "carneirada".
Beijinhos!

Ariany (Dhanna) disse...

esse é o argumento que mais ouço! Na escola uma criança sentada em sua cadeira por 4 ou 5 horas, com 15 minutos de intervalo para lanchar, sobra quanto tempo pra "socializar"?
Socialização acontece no parque, nos locais públicos, entre pessoas de idades diferentes!