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quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Entrevista com uma unschooler adolescente

Unschooler Cheyenne La Vallee: "Todo mundo tem a capacidade inata de ser entusiasmado e motivado."

Bem-vindo a esta entrevista com uma jovem unschooler! Se quiserem ler outras entrevistas com outros jovens que optaram pelo unschooling, cliquem aqui. E agora, apresento-vos Cheyenne La Vallee:


Eu sou uma jovem Skwxwú7mesh-Kwakwaka’wakw de British Columbia. Fui criada na comunidade Skwxwú7mesh (Squamish) de Xwmelch’stn (Capilano), em North Vancouver, mas os meus antepassados também vem da nação Kwakwaka’wakw na parte norte da Ilha de Vancouver. Durante o ano que passou tenho trabalhado com o meu irmão, irmã e outros membros da comunidade para reavivar a nossa cultura, língua e tradições. Especificamente, o trabalho que tenho estado a fazer envolve agricultura urbana, hortas comunitárias e conhecimentos tradicionais de plantas.

Quando te tornaste unschooler?
Tornei-me unschooler aos 13 anos de idade, quando deixei a escola depois de ter lido o Manual de Libertação dos Adolescentes de Grace Llewelyn. Mas, honestamente, todos nascem com as habilidades dos unschoolers, só que essas capacidades são arrasadas depois de alguns anos de escolaridade e consumo dos mass mídia. Todo mundo tem, em si, a capacidade de ser entusiasmado e motivado.

Há quanto tempo não frequentas a escola / praticas o unschooling?
Eu pratico o unschooling há 4 anos.

Quantos anos tens agora?
Tenho 17 anos de idade.

Se decidiste deixar a escola, podes falar um pouco sobre o que te levou a essa decisão, e como correu o próprio processo de saída (como reagiram os teus pais, amigos, professores, etc? Que desafios enfrentaste, e como os superaste?).

Na altura em que deixei a escola, a minha mãe foi eleita oficialmente na nossa comunidade e eu estava começando a prestar atenção às conversas ao meu redor, e ao que se estava a passar no mundo. Eu comecei a tomar consciência que as ideias e noções comuns que me haviam transmitido ao longo da minha vida não correspondiam à verdade, por isso quando numa tarde o meu irmão me emprestou o livro, foi como se me tivesse dado mais uma peça do puzzle. E também foi a ideia mais sã que já tive!

Nem todos concordaram, especialmente a minha mãe. Ela fez-me um ultimato, voltar para a escola ou arranjar um emprego, mas depois deixou passar. Eu enfrentei muita resistência dos membros mais velhos da família e dos pais dos meus amigos. Afectou os meus relacionamentos, o que é compreensível, pois era muito fora do comum. Eu tinha 13 anos e ninguém me conseguiu convencer, ameaçar ou subornar para voltar para a escola. A minha vontade era forte e estava escolhendo que tipo de vida queria viver. Em retrospecto, eu provavelmente teria abordado as pessoas de forma diferente.

Para ti, qual é a melhor coisa do unschooling?
Unschool é viver, pura e simplesmente. É sentir "fogo na barriga" e a mente a explodir, é estar sentado na sala numa noite de neve com uma xícara de chá lendo o nosso livro preferido até às tantas da manhã. É acordar às 5 da manhã para ver o sol nascer e depois voltar para a cama. É ver o estranho sentado ao teu lado tornar-se o teu melhor amigo numa hora. É viajar para ouvir o teu autor preferido dar uma palestra noutra cidade. É fazer trabalho voluntário na galeria de arte ou na livraria anarquista. É a vida e o que queres que ela seja.

As corridas de canoa este Verão.

Para ti, qual é a pior coisa do unschooling? Ou a mais difícil?
No início, eu tinha muitas perguntas (o quê, onde, como) e não tinha ferramentas para encontrar as respostas. Também tinha muito pouco apoio ou compreensão das pessoas de que eu mais precisava. Mandarem-te calar quando tentas falar sobre o unschooling realmente só faz perder a esperança, especialmente quando estamos fazendo algo praticamente sozinhos.

Que empregos ou maneiras de ganhar dinheiro tens - ou tiveste?
O meu primeiro emprego foi um programa de emprego e formação contra a opressão, baseado nas artes, oferecido por um centro de artes e mídia dirigido por jovens. Depois disso, trabalhei para um jardim comunitário, a cuidar do jardim, capinar e plantar, mas também fazendo perguntas sempre que podia. O último trabalho foi com uma organizacao sem fins lucrativos, Environmental Youth Alliance, como estagiária durante seis meses. Foi um trabalho tão gratificante! Éramos cerca de 12 estagiários, cuidando de três hortas comunitárias. Aprendi imenso sobre a cidade em que vivo, outras maneiras de viver e comer, jardinagem, e quão valiosos são os lugares comunitários.

Encontraste trabalho gratificante e agradável?
Definitivamente!

Achas que o unschooling teve impacto na facilidade ou dificuldade de arranjar emprego ou ganhar dinheiro?
Para mim, tornou mais fácil arranjar trabalho. Eu só tento arranjar trabalhos que me interessem, ou pelo menos que tenho motivos para querer faze-lo, como por exemplo querer economizar para determinado fim. Meu entusiasmo e obvio e acho que isso aumenta as minhas chances de arranjar o trabalho.

Achas que o unschooling teve um impacto nos métodos de ganhar dinheiro ou arranjar empregos que usas?
O material que li e encontrei on-line, como o livro de Grace Llewelyn, College Without High School de Blake Bole e seu site Zero Tuition College, assim como outros blogs sobre o unschooling ajudaram-se a descobrir maneiras diferentes de fazer as coisas em geral. Também me ajudaram a perceber que ganhar um salário mínimo não é a minha única opção. Há outras maneiras de arranjar dinheiro para fazer coisas bem legais.

Que impacto achas que o unschooling teve na tua vida?
Tem sido extremamente positivo. Ajudou-me a atravessar aquele reino superficial do que significa ser uma mulher indígena a viver nos tempos modernos. Antes, tudo que sabia sobre quem eu era, de onde vim, e o que eu queria ser, era controlado pela escola e pelos meus colegas, que é um lugar horrível para descobrirmos quem somos. O objetivo principal da escola e dos mídia, especialmente para as pessoas das Primeiras Nações, é assimilar-nos na sociedade ocidental. Depois de deixar a escola, comecei a participar mais na comunidade, participando em eventos culturais e aprendendo a minha língua, território e política.

Eu, o meu irmão e a minha irmã.

Se pudesses voltar atrás, mudarias algo no teu percurso educacional?
Não, não mudaria nada; acho que não teria tanta compreensão sobre a vida sem os erros e os desafios que enfrentei. Mesmo que pudesse ter perdido alguma oportunidade por fazer coisas aparentemente não produtivas, existem e sempre existirão milhões de oportunidades no futuro.

Se tivesses filhos, farias o unschooling?
Sem dúvida, eu nunca mandaria os meus filhos para a escola obrigatória. Isso iria contra toda a minha vida!

Que conselho darias aos jovens que querem deixar a escola?
Sejam pacientes convosco, mas corajosos. Oiçam as pessoas que questionam se vocês estão certos ou errados mas depois sigam em frente. Só vocês podem definir a vossa vida.

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