Este blog partilha informação sobre o homeschooling e o unschooling - ensino doméstico ou educação domiciliar. Para navegarem o site, usem os links acima e, para os posts de 2011, o botão da pesquisa na barra direita. Facebook: Aprender Sem Escola Email: aprendersemescola@gmail.com

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O movimento anti-escola

Uma pergunta comumente feita aos homeschoolers é: mas então vocês são anti-escola? A maioria responde que não, que não são anti-escola, que são, sim, a favor da liberdade na aprendizagem. Alguns preocupam-se com a violência escolar. A verdade é que o movimento anti-escola existe, e embora este movimento contra a escolaridade obrigatória não esteja necessariamente relacionado com o ensino doméstico, vale a pena estarmos a par dos seus argumentos. Por isso, resolvi traduzir o artigo que encontrei aqui. Espero que gostem!

Escola como sistema de controlo político

Um método de ensino sem currículo nem instrução foi defendido por Neil Postman e Charles Weingartner no seu livro Teaching as a Subversive Activity (abre livro). Na educação através do inquérito, os estudantes são incentivados a fazer as perguntas que são significativas para eles, perguntas que muitas vezes não têm respostas fáceis; os professores são encorajados a evitar dar respostas.

O filósofo Herbert Spencer fala sobre o despotismo inerente à educação:

Que significa dizer que o governo deve educar o povo? O povo deve ser educado porquê? Qual é o objectivo dessa educação? É óbvio que é para moldar as pessoas para a vida social - para torná-las bons cidadãos. E quem é que define "bons cidadãos"? O governo: não há outro juiz. E quem é que decide como produzir estes "bons cidadãos"? O governo: não há outro juiz. Daí, a proposição é convertível ao seguinte: o governo deve moldar as crianças em bons cidadãos, utilizando a sua própria definição de "bom cidadão" e decidindo a forma de se moldar as crianças. Tendo feito isso, tem de elaborar o sistema disciplinar que melhor produzirá o tipo de cidadão que concebeu. O governo é então obrigado a cumprir este sistema de disciplina até o fim. Porque, se não o fizer, permitirá que as pessoas se tornam diferentes daquilo que, na sua opinião, se devem tornar, falhando assim na obrigação que lhe diz respeito cumprir.

[é neste sentido que a socialização das crianças educadas fora da escola é questionada - a preocupação não é se elas estão felizes, se têm amigos, oportunidades para conviver e acesso a actividades de grupo; não, o problema é a possibilidade de não se transformarem no tipo de cidadão mais conveniente ao Estado, ou no tipo de recursos humanos mais úteis para a minoria que controla o governo]

Murray N. Rothbard argumenta que a história do motivo para a escolaridade obrigatória não é orientada pelo altruísmo, mas pelo desejo de forçar a população ao molde desejado pelo Estado [ver Education: free and compulsory].

John Caldwell Holt afirma que os jovens devem ter o direito de controlar e dirigir a sua própria aprendizagem, e que o actual sistema de escolaridade obrigatória viola um direito básico e fundamental do ser humano: o direito de decidir o que meter na nossa cabeça. Ele acha que a liberdade de aprendizagem faz parte da liberdade de pensamento, um direito humano ainda mais fundamental do que a liberdade de expressão. Em especial, ele afirma que a escolaridade obrigatória é uma grave violação das liberdades civis (Holt, 1974).

Nathaniel Branden diz que o governo não devia ser autorizado a retirar as crianças de suas casas à força, com ou sem o consentimento dos pais, e sujeitá-las a métodos e técnicas de ensino que os pais podem ou não aprovar. Diz que os cidadãos não deviam ter seus bens expropriados para suportar um sistema educacional com o qual podem ou não concordar, nem pagar a educação de crianças que não as suas. Afirma que qualquer pessoa que compreende o princípio dos direitos individuais vê que isto é verdade.

Continua aqui...

2 comentários:

Paula disse...

Este documentário demonstra como somos transformados em recursos humanos. Aos 40 mns John Taylor Gatto aborda o tema do sistema escolar, começando por afirmar que a chave está na palavra compulsão / obrigatório, explicando depois o contexto histórico da implementação da escolaridade obrigatória, os motivos por trás das leis da aprendizagem forçada (criar hábitos de obediência e não questionamento das ordens), a resistência por parte dos pais durante este período, etc, etc.

Anónimo disse...

As vezes vejo a escola como um lugar opressor, o tempo inteiro estao exigindo de você, é uma pressão sem fim, sem contar com a autoridade dos professores e algumas humilhaçoes feitas pelos mesmos na sagacidade de rebaixar aqueles que não conseguem acompanhar o sistema, fico estarrecido com isso, entrei esse ano no 3 ano do ensino médio, em uma escola de muito status por ter muitos aprovados no vestibular, porém estou me sentindo mal lá, cai na depressão no ínicio do ano e agora estou entrando na conformidade.... O maior problema é que esse tipo de ambiente em que a escola enaltece o aluno de boas notas e ignora o de baixas notas é muito desestimulante e as escolas estão formando um exército de pessoas que se acham incapazes...