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domingo, 31 de janeiro de 2010

11 anos, educado em casa, nas telas do cinema

Para muitos actores, aparecer nas telas do cinema é uma luta enorme. Para Tendal Mann, rapaz de 11 anos que aprende em casa, o percurso foi muito mais fácil e rápido: apareceu no seu primeiro filme depois de apenas 4 anos de trabalho nos palcos de Atlanta.

A família, os amigos e fãs de Tendal reuniram-se no domingo passado para a primeira exibição nos EUA de "Who Do You Love", um filme biográfico sobre o pioneiro da indústria musical Leonard Chess. Tendall aparece em nove cenas, como filho de Leonard.

Esta não foi a primeira vez que Tendall se viu na tela do cinema. "O filme estreou no Festival de Filme de Toronto há um ano e fomos à estreia", disse Tendal. "Foi uma grande gala. Eu entrei pelo tapete vermelho e assinei autógrafos. Diverti-me imenso!"

Tendal obteve o papel depois da sua primeira audição, devido aos diversos papéis que o haviam tornado confortável à frente do público.

Entre shows, Tendal faz parte do movimento de desescolarização - unschooling -, que é diferente da tradicional escola-em-casa. Ele tem várias aulas dadas por especialistas. Este ano está a aprender chinês mandarim, mas as suas disciplinas preferidas são a história e ciências.

O horário flexível proporciona-lhe o tempo necessário para actuar. "Se temos de sair da cidade é muito mais fácil. Posso levar os livros comigo."

Quando não está a estudar ou a actuar, toca bateria num grupo com dois amigos. Mas passa a maior parte do tempo livre aperfeiçoando a sua arte.

"Actuar dá montes de trabalho mas eu gosto", disse ele. "Mantém-me ocupado e até ganho dinheiro para gastar."

Adaptado daqui.

sábado, 30 de janeiro de 2010

É possivel uma nova liberdade educativa?

Há dois anos, quando ouvimos falar do incrível caso de Natascha Kampush, a jovem alemã que viveu mais de 8 anos presa sem sair nesse tempo da casa de seu raptor, a mídia salientou um facto que, para muitos, talvez tivesse passado despercebido: refiro-me a que Natasha, apesar de não ter frequentado a escola durante todo esse tempo, demonstrou uma maturidade e nível de vocabulário e expressão bem acima dos de qualquer adolescente da sua idade. Teria algo a ver com o facto de não ter frequentado a escola?

Continua aqui, em espanhol.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

EUA dá asilo a refugiados educacionais

O casal de alemães Uwe e Hannelore Romeike, com cinco filhos, fugiram para os Estados Unidos no Verão de 2008. Pouco tempo depois pediam asilo para se manterem no país. O motivo: discriminação contra o facto de quererem ensinar os seus cinco filhos em casa, na Alemanha-natal. Um juiz do Tennessee acabou por lhes dar razão. É o primeiro caso de asilo por razões educativas nos EUA [...], onde cerca de 1,5 milhões de crianças americanas são ensinadas a partir de casa.

“Este juiz olhou para as provas, ouviu os testemunhos e sentiu que a maneira como a Alemanha está a tratar as pessoas que optam por ensinar os seus filhos em casa está errada. Os direitos que estavam a ser violados eram direitos humanos básicos”, disse [Mike Connelly, HSLD].

Em Portugal é possível ensinar os filhos a partir de casa e estima-se que haja actualmente várias dezenas de crianças e jovens a estudar em regime de ensino doméstico. As autoridades educativas nacionais estimam ainda que esta modalidade está a ganhar cada vez mais adeptos.

Leiam o artigo na íntegra aqui.
Já tinha chamado a atenção para este caso aqui.

Homeschoolers trocam de casas para férias

Já ouviram falar deste sistema alternativo de férias?
Segundo este artigo, Ruaridh, que tem 11 anos e é educado em casa, adora a experiência. As férias que faz com os pais, em vez alguns dias, duram por vezes meses:

"Bem, se vocês pensam que é difícil, estão errados", disse ele. "A educação em casa ensina-nos realmente que podemos tomar as nossas próprias decisões sobre isso; só precisamos de pensar no que queremes fazer, [porque o ensino doméstico] dá-nos a oportunidade de fazer tudo que queremos. "

Links
Intervac
Troca Casa
A melhor alternativa de férias (video)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Educação em casa: a família De Pree

Se quiserem provas que a educação em casa resulta basta lerem a história da família De Pree.

As três irmãs foram educadas em casa desde o jardim de infância até a graduação do ensino secundário (Br: ensino médio). Agora, uma é professora universitária, outra é advogada, e outra é violinista e professora de música.

Erin, a professora universitária de 28 anos, orgulha-se do facto das três carreiras serem tão diferentes:

"Que bom sermos tão diferentes! Significa que os nossos pais ajudaram-nos realmente a descobrir os nossos pontos fortes e a dar o nosso melhor sem perdermos a nossa individualidade."

Essa é uma das vantagens da escola em casa - o currículo pode ser adaptado ao aluno. Erin teve a oportunidade de dedicar-se à ciência, uma disciplina em que se destacava, e teve o tempo que precisava para dominar a escrita, que não era o seu forte.

Joanna, 27 anos, diz que o ensino doméstico preparou-a muito bem para a faculdade, a carreira e a vida:

"Acho que o que realmente aprendi foi a pensar e a processar informação e não apenas a regurgitá-la. Uma das grandes vantagens da educação domiciliar é que aprendemos a pensar e não apenas a fazer, produzir, executar. A grande maioria nunca aprende a pensar."

Heather, 25 anos, disse-nos que quando era pequena teve dificuldades em aprender a ler mas que com o violino era completamente diferente, aprendia com uma facilidade enorme. E a aprendizagem em família foi essencial:

"É muito provável que se tivesse ido para uma escola regular eu teria sido rotulada, colocada numa classe especial e nunca ter tido a oportunidade de desenvolver as minhas potencialidades."

Começou a aprender a tocar violino aos 7 anos de idade e agora é violinista, professora de música e toca numa Orquestra.

Kathy, a mãe, decidiu educar as filhas em casa depois de ler o livro "Home Grown Kids", de Raymond e Dorothy Moore. Publicado em 1981, o livro defende o ensino doméstico.

"Eu queria ter tempo com as minhas filhas, queria ser a principal influência na vida delas, criar esse vínculo especial... e foi muito bom para a nossa família".

Estudos sugerem que os De Prees são a regra e não a excepção. Em 2003, uma pesquisa feita pelo National Home Education Research Institute estudou cerca de 7.300 adultos que haviam sido educados em casa.

O estudo descobriu que mais de 74% de adultos de 18-24 anos que haviam aprendido em casa tinham cursos universitários, em comparação com 46% da população em geral. Cerca de 71% dos inquiridos participavam activamente nas suas comunidades, passando o tempo livre fazendo trabalho voluntário, em comparação com 37% da população em geral.

A tradução é livre e parcial mas podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O meu filho não vai à escola: aprende em casa

Mandas os teus filhos para a escola? Muitas famílias não, educam-nos em casa. Algumas delas foram denunciadas às Comissões de Menores por "negligência". É legal? E se não tivesses frequentado a escola?

OIÇAM O DEBATE (em espanhol) aqui.

Participaram do debate:

- Carlos Cabo (autor de uma tese sobre homeschooling):
"54% dos pais que educam em casa têm cursos universitários"

- Madalen Goiria (Professora de Direito da UPV): "Os juízes dão razão às famílias, porque vêem que não são casos de negligência"

- Sorina Oprean (mãe que educa os filhos em casa):
"É uma maneira de aprender em família"

- Ketty Sánchez (mãe que educa seus filhos em casa): “Superprotegidos? Em vez de estarem fechados numa sala de aulas eles observam o mundo directamente!"

Traduzido daqui.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Prêmio de robótica para homeschoolers


Equipe de jovens educados em casa ganha prêmio de design num campeonato de robótica no Reino Unido. Foi a esta equipe que o Alan ofereceu o seu adorado kit de robótica, por isso ficou todo satisfeito ao ouvir as boas notícias.

Os Tech HEds ganharam o prêmio de Design Técnico nas finais, decorridas na Universidade de Loughborough em 23 de Janeiro de 2010; e agora foram convidados para a competição internacional, em Istambul, 22-24 Abril de 2010!

Mais uma história de sucesso para o ensino doméstico!
Podem ler mais e ver fotografias aqui.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ensino doméstico: uma bola de neve

Mais uma tradução livre e parcial de um artigo sobre o ensino domiciliar nos EUA:

Quando a Annabelle, de 7 anos, estuda frações e a conversão de litros em decilitros, ela vai com a mãe para a cozinha e começa a cozinhar. Para a lição sobre as lagartas, as duas vão observar directamente os bichinhos no quintal. Annabelle aprende em casa; isso significa que a "escola" é em casa.

No ano passado Angela decidiu educar a filha, que se tornou numa das muitas crianças que decidiram abandonar a escola - pública e/ou privada - para aprender em casa.

No ano lectivo que passou, só na Flórida foram cerca de 4.300 as crianças que começaram a ser educadas em casa - de acordo com um relatório recente do Departamento de Educação este foi o maior aumento desde 2005, elevando o número total de homeschoolers na Flórida aos 60.913.

No Lake County, a subida foi ligeira no ano passado mas estimativas recentes mostram um grande aumento neste ano lectivo. No início deste mês, Lake tinha 1.508 alunos matriculados no ensino doméstico - em vez dos 1.245 de Janeiro passado, disse Jay, que supervisiona o departamento encarregado pelo monitoramento dos números de homeschoolers no Estado. Isso corresponde a um aumento de 21% em Lake. Porém, não se sabe bem o que está causando esta verdadeira bola de neve.

Ninguém tem estudado este fenómeno recente, que está ocorrendo em todo o lado. Líderes educacionais dizem que é provável que a economia esteja por trás disto. Com a recessão económica muitos pais já não se podem dar ao luxo de mandar os filhos para escolas particulares. Mas como não querem os filhos em escolas públicas, resolvem educá-los em casa.

Durante anos, uma das principais razões por trás do ensino doméstico foi a insatisfação com as escolas públicas - e isso não mudou, disse um funcionário da Associação de Pais Educadores da Flórida. Mas também já ninguém estranha a educação domiciliar.

Antes o homeschooling era visto como uma opção escolhida principalmente por comunidades religiosas mais conservadoras ou por hippies mais libertários. Mas hoje, dezenas de milhares de famílias de várias origens étnicas, econômicas e religiosas educam seus filhos em casa.

O acesso cada vez maior a programas educacionais na internet e grupos de apoio aos pais online tornou o ensino doméstico mais fácil e menos intimidante. E estudos provam que as crianças educadas em casa têm melhores resultados acadêmicos, devido em parte à atenção pessoal que recebem.

Esse tipo de arranjo é mais acessivel em termos financeiros para as famílias que apreciam o ambiente das escolas privadas. Alguns pais, contudo, escolhem o homeschooling porque estão descontentes com as escolas públicas.

Gary Weaver, presidente da Associação de Pais Educadores da Flórida, disse que muitas famílias estão cansadas de lidar com os problemas das escolas públicas, que estão completamente fora do seu controlo, como a indisciplina, a violência escolar e as drogas.

Podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Sucesso do jovem inventor educado em casa

Este inventor foi educado em casa, sem nunca ter posto os pés numa escola. Tem apenas 15 anos mas já se pode orgulhar de ter imaginado um sistema à base de algas cuja finalidade é nada menos do que satisfazer todas as necessidades humanas, desde as energéticas às alimentares, em zonas do planeta que ainda estão à espera que o progresso chegue.

"Adoro inventar coisas", diz o rapaz americano Javier Fernandez-Han, vencedor do concurso Invente your world. O prêmio foi concedido pela Fundação Lemelson.

A mãe, de origem mexicana, e o pai, de Taiwan, conheceram-se na prestigiada Universidade de Brown (Rhode Island). Optaram pela educação em casa, convencidos de que a escola iria limitar as potencialidades dos filhos. Os pais explicam que a educação domiciliar permite que os jovens se concentrem nas suas paixões.

Javier: "Eu fui educado de uma maneira diferente mas faço o que gosto e tenho muitos amigos envolvidos no projecto Inventors Without Borders. As pessoas da minha idade poderiam fazer mais, mas não sabem quais são as suas paixões.

Podem ler o artigo na íntegra, em espanhol, aqui.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Educação domiciliar no parlamento britânico

Podem ver o vídeo (3hrs, em inglês) do inquérito sobre a educação em casa no parlamento britânico, com a Comissão de Crianças, Escolas e Famílias e representantes de organizações de apoio ao ensino doméstico, que decorreu na passada terça feira dia 19 de Janeiro de 2010, aqui.

Se preferirem ler, a transcrição está aqui (usem os botões previous e continue, o documento é longo!)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Legumes, vegetais e frutos biológicos à porta

Olhem só, não são bonitas, as caixas da Riverford [videos aqui e aqui] cheias de legumes e fruta que chegaram esta manhã?

Além das 2 caixas, encomendámos mais uns items extras: cherovias, leite, iogurte e ovos. Tudo biológico! E a entrega é gratuita.

Estas caixas, distribuidas uma vez por semana, incluem sempre folhetos com receitas, o que dá sempre jeito,

especialmente para os ingredientes a que não estamos muito habituados, como o celeriac (não sei bem como se diz em português: aipo-rábano? aipo nabo? aipo-de-raíz? em latim é apium graveolens rapaceum), que podem ver na foto acima entre as bananas e a couve.


Em Portugal, o supermercado biológico Brio também faz entregas ao domicilio. Em Aveiro, têm o Al Cabaz e, caso estejam interessadas, o site da Agrobio tem uma lista de mercados biológicos.

Jovem educada em casa vai ao parlamento defender a inviolabilidade de domicílio

Um dos argumentos que o governo britânico está a usar na tentativa de justificar a intrusão na vida familiar dos praticantes do ensino doméstico é que há sempre a possibilidade, por muito rara que seja, que alguma família de uma minoria étnica possa vir a usar a educação em casa para esconder o casamento forçado das filhas. E, sem o direito de invadir o domicílio sem necessidade de mandado judicial e interrogar as crianças na ausência dos pais, como poderia o Estado protegê-las desses possiveis casamentos?

Felizmente a educação domiciliar produz jovens capazes de irem ao parlamento defender os direitos dos pais e as nossas liberdades civis, como a inviolabilidade de domicílio.

Já vos tinha falado da Chloe Watson aqui. Chloe é uma jovem educada em casa, presidente da Associação de Jovens Educados em Casa e pesquisadora educacional. Com 17 anos acabadinhos de fazer, Chloe foi ao parlamento como representante da HEYC, que não apoia a proposta-lei e decidiu optar pela desobediência civil caso seja implementada.

Segue-se um trecho do debate que ocorreu há 3 dias:

Mrs. Cryer: Gostaria de sugerir ao painel que há questões importantes que não estão necessariamente relacionadas com a educação em casa. Temos de saber onde as crianças estão. Em certas zonas, como em Bradford, há crianças que são retiradas da escola e enviadas de volta ao Paquistão ou a Bangladesh durante períodos muito longos. [Resumo: Na pior das hipóteses, estas jovens podem ser sujeitas a casamentos forçados. Como vivem no Reino Unido deveriam receber o mesmo tipo de apoio que os outros sectores da comunidade.] Alguém gostaria de comentar sobre isso?

Chloe Watson: Há um problema com o facto de que como os filhos estão, com efeito, sob a jurisdição dos pais, é óbvio que se são educados em casa a autoridade local não tem nada a ver com isso. Eles estão com seus pais e isso é suficiente. Se os pais decidem levá-los a dar a volta ao mundo por três anos, visitar seja onde for e fazer seja lá o que for, essa é uma decisão que pertence aos pais. Claro, seria bom que consultassem os filhos e que estes tivessem concordado, mas não é ilegal nem algo com que nos deveríamos preocupar.

Caroline Flint: Não, não é ilegal. Se a criança tiver idade escolar e os pais dizem: "Queremos dar uma volta ao mundo", eu não tenho necessariamente qualquer objeção - pelo menos sabemos qual é a situação. Noutras circunstâncias, poderia não ser uma experiência educativa mas possivelmente forçar uma jovem mulher ou rapariga a um casamento que ela não quer. Sabendo onde as crianças estão, pelo menos haveria uma conversa. Não concordarias com isso?

Chloe Watson: Quando perguntamos aos pais para onde estão levando os filhos, eles podem dizer uma coisa e fazer outra. Como não podemos forçar as pessoas a dizerem a verdade sobre onde os filhos estão, perguntar-lhes não seria produtivo, seria apenas um peso desnecessário sobre as autoridades e os pais. E revela que [o Estado] não confia nos pais.

Fonte

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A escola está fora de questão

Mais uma tradução livre e parcial de um artigo sobre o ensino domiciliar publicado ontem no Reino Unido.

Preocupações sobre o bullying, um atendimento deficiente a crianças com necessidades especiais e um currículo limitado e irrelevante são apenas algumas das razões por trás do número crescente de famílias a educar os filhos em casa.

Contudo, novas propostas do Governo para a regulamentação da educação em casa podem vir a tornar a saída da escola difícil para as crianças. Em Essex, os pais-educadores estão furiosos com estas propostas, que estão neste momento a ser debatidas no Parlamento. Eles querem explicar porque é que o ensino domiciliar é tão importante e acabar com as ideias erradas que as pessoas têm em relação aos pais que educam os filhos fora do sistema escolar.

Michelle Cook, 32 anos, é mãe e ensina a filha Kate, de 6 anos, em casa. Para as duas não há dois dias iguais pois combinam a aprendizagem com visitas regulares à biblioteca, passeios em vários parques e reservas naturais, e encontros com outras crianças educadas em casa para actividades lúdicas. Para Michelle, manter a filha em casa é a coisa mais natural do mundo:

"Eu ensinei Kate desde que ela nasceu, por isso pareceu-me natural continuar a fazê-lo. Desta forma, ela pode aprender aquilo que ela quer ao seu próprio ritmo. Em geral, investigamos as coisas que lhe despertam o interesse. O ano passado andou fascinada pelo espaço. Escrevemos histórias sobre o espaço mas também aprendemos matemática. Até aprendemos geografia, pesquisando a localização das estações espaciais como as da NASA. Eu ensino-lhe a ler e escrever mas não acho que haja mais nada que ela tenha categoricamente de saber. Se ela estiver interessada, então investigamos juntas."

Michelle, que também tem um filho de 2 anos de idade, diz que um dos principais equívocos sobre a educação em casa é a ideia de que os jovens que não frequentam a escola não têm uma vida social:

"Kate tem aulas de balé todas as semanas, vai aos Rainbows e faz parte de um clube de exploradores de animais selvagens. Ela tem muitos amigos e também temos outras famílias que educam os filhos em casa com quem nos reunimos regularmente. Ela interage constantemente com adultos e outras crianças. A minha filha é uma criança muito feliz e sociável."

No entanto, se as propostas do Governo forem implementadas, a educação em casa teria que mudar. Segundo as novas regras os pais terão que registrar os filhos anualmente com a autarquia local e entregar uma declaração especificando o que pretendem ensinar aos filhos durante o próximo ano e como pretendem fazê-lo. Os inspectores iriam então fazer uma visita anual para certificar-se que esse plano está a ser seguido e interrogar individualmente as crianças sem os pais estarem presentes.

Michelle acrescentou: "Estas propostas são tão extremas! Querer interrogar as crianças na ausência dos pais é ridículo. O que vão conseguir com isso? Se são vítimas de maltratos não é a um desconhecido que vão dizer. Se estão tão preocupados com a possibilidade das crianças serem maltratadas fora da escola, então também têm de começar a entrevistar todas as crianças em idade escolar durante as férias."

Ann Newstead, 39, porta-voz da Education Otherwise, uma organização beneficente criada para apoiar os home educators, disse:

"Obviamente, abuso infantil é algo que pode acontecer mas isso são coisas que geralmente acontecem em famílias com distúrbios, que já são conhecidas pelos serviços sociais. A educação em casa está a aumentar em parte porque as pessoas estão a ficar cada vez mais cientes de que é uma opção legal. A maioria das pessoas pensa que tem que enviar os filhos à escola, mas não é verdade."

Ann disse que muitos pais optam pelo ensino doméstico porque os filhos têm necessidades educativas especiais. Ela começou a educar em casa depois de um dos seus 4 filhos ter sido tão maltratado na escola que começou a se automutilar.

Se quiserem, podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

"Escola em Casa" no Médio Oriente

Mais uma tradução, livre e parcial, de um artigo sobre a "escola em casa" publicado ontem no Arab News.

Natalie Komitsky vive na Arábia Saudita há 6 anos. Dos E.U.A., foi viver para Riade com o marido, nascido em Meca, e mais tarde mudaram-se para Jidá. Além de educar os 3 filhos, com idades entre os 4 e os 11, Natalie é escritora, revisora de textos e coach de aprendizagem.

Querendo proporcionar-lhes uma das melhores opções possíveis em termos de uma educação que possa ser adquirida em qualquer parte do mundo, ela, tal como outros, optou pela "escola em casa" - regime em que os pais ou tutores ensinam currículos credenciados aos filhos em vez de enviá-los para a escola. Ela tomou esta decisão quando vivia ainda nos E.U.A. para poder incluir estudos islâmicos no currículo mas decidiu continuar neste regime depois de ter ido viver para a Arábia Saudita.

Em muitos países existem opções credenciadas de ensino domiciliar que oferecem aos pais a liberdade de explorar interesses individuais e áreas de estudo específicas, e a oportunidade de dar atenção individual aos filhos e transmitir os valores da família durante todo o processo de aprendizagem. Outra vantagem é o fortalecimento dos laços familiares e o acompanhamento da educação dos filhos. Mas na Arábia Saudita os pais têm dificuldade de encontrar este tipo de recursos porque esta forma de ensino ainda não é reconhecida.

"Os expatriados sentem-se muito frustrados", disse Natalie. "Eles gostariam de educar em casa mas sentem-se frustrados com a falta de recursos e oportunidades educacionais e acabam por ter que pesquisar bastante para preencher essa lacuna".

Natalie tomou esta difícil decisão por um número de razões. A primeira é que é a situação ideal. Há um professor por aluno (ou por 2 ou 3 alunos, dependendo do tamanho da família). Além disso, outra vantagem é que quando o professor conhece muito bem os alunos, sabe se compreendem determinados conceitos suficientemente bem ou se é preciso recuar e/ou tentar novamente numa data posterior.

"Se necessário, podemos utilizar um tutor para certas disciplinas. É assim que as pessoas foram educadas durante a maior parte da história da humanidade", diz Natalie.

Além disso, a "escola em casa" é considerada a melhor opção pelas famílias muçulmanas dos E.U.A. que querem dar aos filhos uma boa base em inglês e árabe e, mais importante, uma aplicação prática do Islão - especialmente em partes dos Estados Unidos onde o número de muçulmanos que querem ter essa oportunidade não é suficiente para sustentar um sistema ensino primário islâmico, privado e credenciado. Outras razões que levam os pais a optar pela "escola em casa" é quando os filhos têm necessidades especiais ou quando não ganham o suficiente para poderem pagar os custos do ensino privado.

Quando Natalie e o marido retornaram à Arábia Saudita ela continuou a educar os filhos em casa e incentivou outros a fazerem o mesmo. Começou a organizar reuniões semanais com outras crianças que também aprendem em casa para proporcionar actividades de grupo.

"Eu criei uma conta de e-mail chamado KSA home-schoolers e outra chamada Muslim home-schoolers worldwide. A dada altura tinha uma livraria em casa que incluía livros infantis de ficção e não-ficção."

Michael Smith, presidente da Home School Legal Defense Association dos E.U.A., relatou recentemente no Washington Times que os alunos que estudam em casa superam os que frequentam a escola pública.

"O estudo mais recente, Home-school Progress Report 2009 [abre pdf], realizado por Brian Ray do National Home Education Research Institute, examinou mais de 11.000 alunos que aprendem em casa e demonstrou que a média dos home-schoolers em testes padronizados é 37 pontos percentuais superior à média da escola pública", escreveu Smith.

Com base em estudos, Smith afirma que os estudantes educados em casa, além do sucesso académico alcançam também sucesso como membros da sociedade.

"As famílias que praticam a educação domiciliar estão liderando o caminho na educação canadense e americana, e este novo estudo demonstra claramente que os pais que educam os filhos em casa estão no caminho certo", escreveu ele.

Mas na Arábia Saudita este caminho pode levar a um beco sem saída. Uma mãe de três filhos, que pediu para permanecer anônima, retirou os 2 filhos da escola durante um ano quando eles manifestaram interesse no ensino doméstico. Após um ano de escola em casa ela decidiu matriculá-los de novo na escola mas a escola recusou-se a aceitá-los.

"Não os queriam aceitar porque o nosso ano em regime de ensino domiciliar não estava registrado oficialmente em lugar nenhum. Tivemos de ir ao Ministério de Educação buscar uma carta que autoriza os meus filhos a regressar à escola. O ministério nem sequer sabe o que o ensino doméstico é, quanto mais reconhecê-lo! Foi extremamente difícil", disse esta mãe.

Natalie diz que a disponibilidade de materiais educativos para educação em casa é outro dos desafios enfrentados na Arábia Saudita.

"Muitas famílias vêm para a Arábia Saudita com a intenção de viver sob um governo islâmico, onde as crianças possam aprender árabe e observar a aplicação diária do Alcorão e Sunnah pelo povo. Infelizmente, juntam-se a outros na sua frustração depois de tentativas falhadas de encontrar escolas que se adaptem às suas necessidades".

Para que a escola em casa seja reconhecida na Arábia Saudita e para que o processo se torne mais suave para os pais, Natalie sugere a criação de um posto cuja função seria a de supervisionar o ensino domiciliar.

"Eles podiam administrar testes padronizados para avaliar o nivel acadêmico dos estudantes, dar uma prova certificada do seu progresso ao Ministério da Educação e facilitar a vida das famílias que optam por educar os filhos de forma independente".

Isto, acrescenta Natalie, levaria provavelmente ao desenvolvimento de empresas locais cujo objectivo seria o fornecimento de recursos educacionais para as famílias e o estabelecimento de centros de actividades educativas, onde as famílias poderiam aprender de uma maneira divertida e com entusiasmo.

"Com a situação extrema que o Ministério está enfrentando por causa do aumento populacional, estou confiante que soluções alternativas quanto à educação terão de ser consideradas e que estas irão beneficiar todos os estudantes da Arábia Saudita, elevando-a aos mais altos niveis, assegurando a prosperidade económica da nação ", conclui Natalie.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Sydney, 4 anos, aprende em casa

Mais uma tradução livre e parcial de um artigo sobre o ensino domiciliar nos E.U.A.:

Sydney, 4 anos, é como a maior parte das meninas da sua idade. É simpática, carinhosa, gosta dos pais e adora aprender coisas novas. A diferença é que Sydney não é abandonada na escolinha pelos pais a caminho do trabalho todas as manhãs. Ela aprende em casa, a professora é a mãe e a lição do dia é exposta num quadro fixado numa das paredes.

Tal como outras crianças em Sandwich, Sydney aprende em casa. Courtney, a mãe, está sempre a pensar em maneiras de estimular os interesses da filha. A letra do dia está exposta no meio da mesa da cozinha e todos os aparelhos rotulados em espanhol. Além dos números, cores e padrões, Sydney está a aprender espanhol e linguagem gestual. Courtney diz que também faz planos de educar a filha mais nova em casa.

“Tantas pessoas na Europa sabem falar mais que um idioma; penso que as minhas filhas seriam prejudicadas se não aprendessem outras línguas. E todas as pesquisas dizem que é melhor começar desde cedo."

Courtney diz que o ensino domiciliar tem sido uma experiência positiva para as filhas e já faz planos de continuar a ensiná-las quando chegar a altura do ensino secundário. Embora não seja professora de profissão, os seus pais ensinaram em escolas públicas e privadas. O pai, inclusivé, era director.

Courtney, que tem um blogue sobre a sua experiência do ensino doméstico, elabora seu próprio currículo com base em pesquisas que faz e orientações que recebe através do grupo-yahoo do ensino domiciliar de Cape Cod. A rede da apoio aos home-schoolers de Cape Cod, Plymouth e Wareham organiza classes, clubes, visitas de estudo e outras actividades.

A Associação da Aprendizagem em Casa em Massachusetts também oferece informação aos pais. Bill Heuer, membro da associação, diz que o ensino doméstico ajuda as crianças a tornarem-se individual learners.

“Penso que a maior vantagem do ensino doméstico é que ajuda cada indivíduo a tornar-se auto-motivado e a aperceber-se que é responsável pela sua educação para o resto das suas vidas."

Diz que o criticismo comum de que os jovens educados em casa não socializam é falso, e que a maior parte dos home-schoolers tendem a “socializar através de grupos etários” incluindo crianças mais novas e adultos porque trabalham com eles voluntariamente.

Se quiserem, podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

domingo, 17 de janeiro de 2010

A justiça volta a dar razão aos "homeschoolers"

Outro passo a favor da liberdade de aprendizagem e do direito dos pais a optar pela educação em casa: o processo contra uma família de San Sebastian foi arquivado.

* Homeschooling: uma opção legítima
* ALE agradece a contribuição cívica das HO à liberdade educacional

Segundo Ketty Sanchez nos informa no seu blogue Mariposas Multicolores, Arantza Sestayo, residente em San Sebastián (Guipúzcoa), uma mãe que optou pela educação em casa (homeschooling) para o filho de 7 anos, começou o ano com a boa notícia de que o seu caso foi arquivado.

O caso contra esta mãe começou quando o Departamento de Educação de San Sebastian entrou em contacto com ela dizendo-lhe que não podia educar o filho em casa e que tinha de o mandar para a escola. Mas ela manteve-se firme na sua decisão e o processo foi remetido ao Tribunal de Menores em San Sebastian, onde teve de ir prestar declarações no passado 16 de Dezembro.

Desta vez podemos também de celebrar o facto de que o processo não foi demorado: esta semana Arantza recebeu a resolução final do Ministério Público: ARQUIVADO. Outra família de homeschoolers que agora pode dormir mais tranquila.

Original aqui.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Livro: Vantagens Sociais do Homeschooling

Mais um livro sobre o ensino doméstico e as suas vantagens, especialmente em relação à socialização das crianças:

Well-Adjusted Child: The Social Benefits of Homeschooling por Rachel Gathercole.

Actualmente, a socialização é, muito provavelmente, um dos aspectos mais importantes da educação. Com altas taxas de divórcio (e constantemente a aumentar!), abuso de drogas, violência juvenil, alcoolismo, promiscuidade entre os adolescentes e assim por diante, não nos podemos dar ao luxo de ignorar esta questão.

Agarrarmo-nos à ideia de que o que hoje nós fazemos é o melhor para todas as crianças apenas porque é aquilo a que estamos acostumados é fechar os olhos a outras possibilidades que poderão trazer muito mais felicidade, sucesso, paz e segurança aos nossos filhos.

Numa altura em que as pessoas sentem-se mais desconectadas do que nunca, não nos podemos dar ao luxo de ignorar ou fechar os olhos a uma opção que oferece enormes benefícios, incluindo uma vida social rica, gratificante e saudável, que os nossos filhos bem poderão precisar no futuro. A educação domiciliar oferece enormes vantagens sociais para as crianças, os jovens e os pais. E quando nos apercebermos disto quem irá beneficiar vão ser os nossos filhos.

Link: site da autora

India: Homeschooling cada vez mais popular

Mais uma tradução livre e parcial de um artigo publicado ontem:

Os teus filhos odeiam a escola? Andam estressados, sobrecarregados, sob uma enorme pressão? Estás farta do sistema de ensino convencional? Simples, não lhes mandes para a escola. Experimenta o homeschooling - é o que os pais em Bangalore estão a fazer cada vez mais.

Em cidades como Mumbai e Pune muitos pais deixaram de mandar os filhos para a escola. Em vez disso, aprendem sozinhos em casa ou são ensinados pelos pais e/ou tutores. Em Bangalore há mais de 50 crianças no ensino domiciliar e até há um fórum online onde os pais interagem e apoiam-se uns com os outros. Todos eles têm razões diferentes para optar por este sistema.

Para o agricultor Vivek Kariappa, foi ter-se apercebido que o ensino convencional é preconceituoso em relação ao sistema rural. Os filhos não seguem livros didáticos mas um currículo orientado para a agricultura. São encorajados a ler, a buscar informações, a enfrentar problemas e a encontrar soluções.

Há um ano, quando o filho, que estava interessado em esportes, queixou-se que não tinha tempo para dedicar-se à sua paixão, Sunil Ruthnaswamy decidiu retirá-lo da escola. "Agora tenho tempo para tudo. Estudo 3 horas por dia, e isso equivale a um dia na escola. Dedico-me ao críquete e remo 6 horas por dia (3 horas cada) e estou bem feliz!", disse Joshua Ruthnaswamy, 14.

No entanto, para muitos, o que os leva a optar pelo homeschooling é a aversão ao sistema convencional. Amit Mathur, um profissional de software, diz: "Nem eu nem a minha esposa estávamos satisfeitos com a educação que recebemos. Não confiamos no actual sistema de ensino, e eu não quero ver os meus filhos crescer sem pensar."

Há também crianças com distúrbios de aprendizagem para quem o homeschooling é uma opção melhor.

COMO FUNCIONA

Não existe um currículo separado para crianças que aprendem em casa. A maioria dos pais com quem falámos segue livros didáticos. No entanto, nem todos fazem isso, pois há quem crie o seu próprio currículo.

Em geral não inundam os filhos com livros. "Quando o meu filho estava na primeira classe eu costumava levá-lo às lojas e fazê-lo compreender adição e subtração. Mais tarde usei livros de exercícios. Foi assim que lhe ensinei matemática", disse Chetana Keni. As crianças são encorajadas a descobrir as coisas por si mesmas e a apreciar o prazer de aprender coisas novas.

Embora a maioria dos pais oriente os filhos quando eles estão na primária, também usam tutores quando sentem que não podem lidar com certas matérias. "Nós temos um fórum. Cada pai é bom em determinadas matérias. Eu, por exemplo, adoro matemática. Assim, quando uma criança precisa de ajuda com a matemática, eu ajudo", disse Amit Mathur, programador de software.

Quando chegam ao ano 10, os jovens podem fazer exames inscrevendo-se no National Institute of Open Schooling ou International General Certificate of Secondary Education. O diploma é reconhecido em todo o mundo.

DE NOVO EM CASA

A maioria das crianças tem um horário que não é regimentado. Estudam durante determinado número de horas (entre 2 a 6 horas), ocupam o tempo dedicando-se às suas áreas de interesse, com amigos e sozinhos.

"A maior vantagem é que o horário é flexível. As crianças podem aprender o que querem, quando querem. Podem aprofundar os conhecimentos tanto quanto quiserem. Aprendem ao seu ritmo e à sua maneira. Tomam responsibilidade pela sua aprendizagem. Vivem e aprenderm sem estresse", disse Aditi Mathur, um forte adepto de métodos de ensino alternativos.

[...]

O que dizem os psicólogos:

Considerando o sistema que as nossas escolas estão a seguir, o homeschooling é uma boa opção. As escolas estão a abarrotar - quer nas actividades curriculares quer nas extra-curriculares. Em família, o ambiente é mais relaxado e, portanto, mais propício para a aprendizagem. Há quem diga que a pressão a que as crianças estão submetidas na escola é boa. Mas, em 90% dos casos, essa pressão não faz bem nenhum.

- MS Thimmappa, psicólogo clínico e ex-vice-reitor da Universidade de Bangalore University

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ataque à Educação Domiciliar no Reino Unido

Hoje deixo-vos aqui uma tradução livre e parcial deste artigo, publicado ontem no Guardian. Mas antes, gostaria de chamar a vossa atenção para o artigo XII da Declaração Universal dos Direitos Humanos:

Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

***
As propostas do governo britânico para licenciar, regular e fiscalizar as famílias que educam os filhos em casa têm provocado uma furiosa oposição. O governo bem se tem esforçado por ignorar o criticismo de que a proposta legislação irá violar as liberdades civis dessas famílias, em particular o seu direito à vida privada e familiar. À medida que os detalhes dos planos do governo vão surgindo, estas tentativas de retratar o esquema como "light touch" vão-se tornando cada vez menos credíveis.

Se aprovada, a lei irá obrigar os funcionários municipais a fazerem visitas anuais ao lugar onde a educação é fornecida (normalmente a casa da família). Os funcionários, se assim o entenderem, terão o poder de entrevistar as crianças sozinhas, sem a presença dos pais. Os pais podem recusar mas essa recusa formará uma das 7 razões que a autoridade local pode usar para revogar a sua aprovação e impor uma ordem de frequência escolar.

Esta semana o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos considerou que a falta de garantias adequadas contra os abusos de poder no uso do stop-and-search é uma violação do Estado de Direito e, portanto, do artigo 8. Nas propostas do governo em relação à educação em casa, os funcionários do Estado, para inspecionarem as casas das famílias ou interrogarem os filhos na ausência dos pais, nem sequer precisam demonstrar que tal procedimento seja de facto "necessário". E os funcionários do Estado, antes de "pedirem" para inspeccionar as casas de família, também nem sequer vão precisar demonstrar que existem suspeitas razoáveis (ou mesmo subjectivas!) quanto ao bem-estar ou à educação das crianças que aprendem em casa. O regime aplicado às "famílias-problema" e às crianças com um histórico de absentismo escolar será igualmente imposto àqueles onde não existem suspeitas senão a de estarem fazendo um bom trabalho.

Os sinais por enquanto não são animadores. Em vez de estabelecer limites contra a interferência arbitrária por parte dos funcionários do Estado, os dados publicados pelo governo indicam que os inspectores das autoridades locais terão de se certificar que os lares estão livres de "quaisquer" factores que possam interferir no processo educativo.

Annabel Wynne estava certa ao descrever as propostas do governo para a educação em casa como uma solução para um "não-problema". Nos últimos anos, a Nova Zelândia e Ontário concluíram que as inspecções obrigatórias para todas as crianças educadas em casa eram desnecessárias e substituiram-nas por regimes de notificação verdadeiramente "leve". Infelizmente, parece que Mr Balls está determinado a seguir outro caminho e gastar centenas de milhões de libras para submeter as famílias à interferência arbitrária do Estado, não por serem suspeitas de quaisquer irregularidades mas simplesmente porque decidiram educar os próprios filhos.

Lara, 14 anos, conta a sua história II

Continuação (começa aqui)...

Depois de um ano em casa estou a encontrar o meu niche na comunidade do ensino doméstico. Em relação aos objectivos acadêmicos, sou eu quem os decide e quem tem a última palavra. Depois de decidir a que exames do 10 e 11º ano quero autopropor-me no final de cada ano, eu e o meu pai examinamos metódicamente os programas curriculares correspondentes, fazemos listas e um plano de acção com prazos a cumprir.

A coisa mais próxima que tenho de um horário escolar é um plano trimestral que o meu pai elabora umas semanas antes do início de cada período acadêmico. Especifica os meus objectivos para as semanas que se seguem e inclui coisas como listas de livros para ler, vídeos para ver e fontes para consultar. Mentalmente, eu divido esse plano em coisas a fazer em cada semana e em cada dia. Digamos que a minha capacidade de gestão do tempo melhorou drasticamente durante este ano!

Muitas famílias homeschoolers vêem os exames do 11º ano como um obstáculo, algo onde a sua expertise não é suficiente, mas eu não concordo. Eu estou a fazer um curso por correspondência, o que me dá a liberdade de estudar quando e como quero, mas recebo orientações quanto a prazos, leituras e preparação para os exames. Sim, temos de completar muitos trabalhos mas a flexibilidade da aprendizagem em casa dá-nos as condições ideais para isso.

Aprende-se muito mais sobre auto-motivação e disciplina do que na escola. Quando somos nós a estabelecer os nossos objectivos nada nos pode parar.

Eu vou fazer dois exames este Verão e o ensino doméstico tem sido fantástico para os meus estudos. Tenho o tempo necessário para me dedicar ao estudo, completar os trabalhos e aprofundar cada disciplina como deve ser. Na escola, quando é que podemos fazer isso?

Continua...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ataque ao ensino domiciliar em New Hampshire

Home educators nos E.U.A. protestaram ontem contra as propostas do governo que fariam de New Hampshire o pior Estado para a prática do ensino domiciliar. O vídeo mostra uma fascinante mistura de pessoas com as mais diversas perspectivas politicas, sociais e religiosas reunidas para fazer uma frente unida contra os seus supostos representativos.



1. Estou aqui hoje para manifestar-me contra esta proposta que, se for implementada, vai transformar N.H. no Estado em que o ensino doméstico é mais regulamentado.

2. Eu sou Denise, de Strafford, e estou aqui para dar o meu apoio ao ensino doméstico porque o governo não tem nada que se meter na educação domiciliar. É isto que está em causa neste "país da liberdade". O ensino doméstico não precisa ser regulamentado e esse direito não deveria ser retirado aos pais. Esta lei vai restringir severamente o ensino domiciliar e impor mais regulamentações legais à educação em casa. Não é necessária, não precisamos dela, o ensino doméstico funciona, os homeschoolers estão a sair-se muitíssimo bem em todo o lado, não precisamos disto para nada.

3. As crianças com necessidades especiais é que vão sofrer com isto mais que ninguém; os miúdos que não tiverem bons resultados nos testes não vão ter chances nenhumas! E tirar o controlo das mãos dos pais, dizer-lhes "isto é o que vocês têm que ensinar, isto é quando têm que ensinar", isso é fazer "escola em casa" [transformar o lar numa escola em miniatura], em vez de ajudar os miúdos que precisam de ajuda e que não deveriam frequentar as escolas públicas.

4. O meu nome é Laurie (...) Acho que é absolutamente imperativo que as crianças e jovens tenham o direito de aprender e viver em liberdade. Ninguém pode ensinar o meu filho melhor do que eu; além disso, é anticonstitucional o Estado controlar a educação dos meus filhos. Quem melhor conhece o meu filho sou eu, quem sabe quais são as suas necessidades sou eu. O meu filho está a escrever 2 livros, aliás, já acabou de escrever o primeiro, e tem o seu negócio desde os 12 anos anos (tem agora os 16). É um activista, músico, canta no coro juvenil de N.H. e protege os direitos dos menores. Ele não poderia fazer tudo que faz se estivesse encurralado numa sala de aulas. A escola, como diz o poster ali daquela Sra., prejudicou o meu filho. Destruiu completamente o amor que tinha pela aprendizagem e foi preciso vários anos de "detox" antes dele recomeçar a escrever. O ensino doméstico tem constantemente demonstrado que produz estudantes excepcionais, de inteligência e criatividade excepcionais, enquanto que a escola pública demonstra continuamente que só os emburrece e faz com que os miúdos comecem a desprezar a aprendizagem. Sei porque trabalhei com escolas públicas, fazendo consultoria e assessoria pedagógica durante vários anos. Não só os professores são abusivos mas os alunos tornam-se abusivos uns com os outros nesse ambiente opressivo.

5. Eu pratico a educação em casa aqui em N.H. há 23 anos e durante estas 2 últimas décadas o movimento do ensino domiciliar funcionou muito bem sob as leis que temos. As opções no final do ano, enviar um relatório, o portfólio, fazer testes padronizados ou um outro método de avaliação do ano, concordado mutuamente, com a pessoa com quem decidimos lidar... se esta proposta for implementada o Estado vai passar a controlar o que fazemos no final do ano e exigir um portfólio e exames padronizados. O funcionamento do ensino doméstico pode vir a mudar, tudo por causa destas familias, imaginárias e não substanciadas, que estão supostamente a ficar para trás, colocando um enorme fardo nos ombros daqueles que fazem um bom trabalho. É legislar demais e é contra isto que lutamos.

Ler mais aqui. UPDATE: A proposta foi rejeitada com 324 votos contra (34 a favor das) alterações da lei actual. Mais uma victória para a educação em casa!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Lara, 14 anos, conta a sua história

Hoje deixo-vos a tradução livre de um trecho do livro Free Range Education: How Home Education Works. Se quiserem podem encomendar o livro aqui. Espero que gostem. Aqui vai:

Há um ano que aprendo em casa e posso dizer, com toda a honestidade, que nunca mais olhei para trás. Quando saí da escola estava estressada, infeliz e completamente exausta. Porém, agora, a minha situação é totalmente diferente.

A minha jornada em direcção à liberdade começou há vários anos, quando adoeci com febre glandular (mononucleose infecciosa). Durante meses fui alvo de todas as constipações e gripes que íam aparecendo e os meus professores e colegas habituaram-se às minhas ausências frequentes da escola. Estava sempre cansada, deprimida e cheia de ansiedade.

Naquela altura o ensino doméstico soava-me a algo para prodígios ou não-conformistas. Como não encaixava em nenhum desses grupos pensava que a educação domiciliar não era para mim. Mas algo dentro de mim fez com que eu não perdesse a esperança. Algures, no fundo do meu coração, sabia que tinha de haver outra alternativa. Afinal, a educação deveria ser uma benção. Eu sabia que não devia ser algo que apenas tornava a minha vida num inferno.

À medida que as semanas foram passando o meu desespero foi aumentando mas graças à internet e à comunidade global online comecei a aprender cada vez mais sobre a realidade do ensino doméstico. A comunidade era muito maior do que tinha antecipado - fiquei abismada com a quantidade de pessoas que, tal como eu, não frequentam a escola! Armei-me com informação, troquei inúmeros emails com homeschoolers de todo o mundo e pensei bastante. A escola certamente não estava a melhorar, nem a minha saúde. Mas como poderia uma miúda de 12 anos convencer os pais a deixá-la não frequentar a escola?

Tive muita sorte porque os meus pais têm mentes abertas. Com um certo cepticismo concordaram investigar o assunto. Estavam convencidos que iriam dizer não mas como queriam ser justos resolveram pesquisar esta alternativa educacional. A pesquisa dominou a maior parte das férias do Verão. Consultámos livros, sites na internet e entrámos em contacto com várias organizações. Quase todas as manhãs o carteiro trazia-nos material de organizações (como a EO e a HEAS) e pouco a pouco a atitude dos meus pais começou a mudar. Tal como eu, ficaram surpreendidos com tudo que o ensino doméstico tinha para oferecer e quando chegou a hora da decisão deixaram-me dizer adeus à escola. Com o apoio dos meus pais, estava felicíssima da vida!

Contudo, os meus pais deixaram a decisão final ser minha. Enquanto o meu coração estava desesperado por se libertar da escola, a minha cabeça contemplava as enormes mudanças que o ensino doméstico iria trazer; mas, armada com tantos conhecimentos sobre o mundo fora da escola, acho que não poderia ter voltado para a escola para sempre. Optei pela educação em casa e frequentei a escola durante mais um período antes da despedida final, no Natal.

Adeus escola, olá liberdade!

Continua aqui.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Manual de Libertação dos Adolescentes

Em muitos países os jovens sentem-se encurralados e impotentes nas escolas que são obrigados a frequentar. Infelizmente, a maioria parece não estar ciente da possibilidade de aprender fora do sistema de ensino. Apesar de odiarem a rotina escolar acreditam no que lhes foi dito, que sem escola e sem diplomas as suas vidas serão arruinadas. Esta crença, baseada no medo, vem de tempos antigos.

Os pais, em geral, ao ouvirem as queixas dos filhos respondem algo do gênero: "Pois, eu compreendo, também detestava a escola mas infelizmente é o que temos de fazer. Temos de aceitar as coisas como elas são".

Teenage Liberation Handbook, escrito por Grace Llewellyn para adolescentes, tem sido muito eficaz em alterar estas crenças negativas e destrutivas. A intenção do livro é ajudar a consciencializar as pessoas sobre as vantagens da aprendizagem natural (aprendizagem autónoma e unschooling).

Original aqui. E, aqui (abre video em inglês), Taliesin, um rapaz de 13 anos que leu o livro, encoraja outros jovens a descobrirem o que mais lhes inspira e entusiasma.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Carta aberta no Guardian

No Reino Unido, os esforços para manter a indepêndencia do ensino doméstico, proteger a diversidade educacional e defender os direitos das crianças e famílias continuam.

Mais de 1000 assinaturas acompanharam esta carta aberta sobre as alterações que o governo britânico propõe na área do ensino domiciliar. São assinaturas não só de pais que educam os filhos fora do sistema escolar mas de psicólogos, cientistas, escritores, representantes de várias organisações, membros do parlamento britânico, professores universitários especializados nas áreas da sociologia, educação, psicoterapia /acompanhamento psicológico e assim por diante (ver a lista completa aqui).



Todos eles acreditam que o schedule 1 da children, schools and families bill representa uma inaceitável imposição de controlo Estatal sobre a família. Embora o alvo sejam as crianças educadas fora do sistema escolar, a lei, se implementada, teria implicações para todas as famílias.

Apesar da maioria dos pais não pensar no ensino doméstico para os filhos - muitos nem sequer sabem da existência desta alternativa e, mesmo se soubessem, não teriam disposição para isso nem as condições necessárias -, qualquer família pode vir a precisar desta opção: todos sabemos que, infelizmente, por uma série de razões (como o bullying / violência escolar, a resultante fobia escolar, escolas sem capacidade de lidar com necessidades educativas especiais, alunos dotados passando o tempo entediados na escola, etc.), a severidade do impacto negativo que a escola pode ter nos nossos filhos é algo que não podemos ignorar. Por enquanto, no Reino Unido, esta opção está disponível a todos os pais. Se esta proposta for ávante, a lei iria pela primeira vez transferir a responsabilidade pela educação das crianças dos pais para o Estado. Esta é uma questão que nos deveria preocupar a todos.

A carta aberta explica que não há necessidade de mudar a lei uma vez que actualmente ela já exige que os pais dêem uma educação adequada à idade, aptitudes, capacidades e quaisquer necessidades especiais que os filhos possam ter. Além disso, as autoridades locais já têm o poder de interferir caso os pais não cumpram as suas obrigações.

Os especialistas, profissionais e praticantes chamam a nossa atenção para as várias pesquisas que já demonstraram o sucesso do ensino doméstico e dos diversos métodos educacionais usados. São métodos geralmente centrados na criança e fora dos paradigmas educacionais prevalentes nas escolas.

Lembram-nos também que a diversidade na educação é absolutamente essencial para a sustentabilidade de qualquer democracia e que precisamos de leis que protejam esta diversidade e os interesses das crianças enquanto indivíduos.

Alertam-nos também para o facto de que os interesses das crianças estão completamente ausentes desta proposta, cujo objectivo é o estabelecimento de um sistema burocrático administrado pelas autoridades locais que obteriam o poder de, a qualquer momento, negar aos pais autorização para educar os filhos a não ser que se conformem aos ditames e currículos estabelecidos pelo Estado.

E, claro, se esta proposta de lei for implementada, os residentes do Reino Unido poderão acabar em situações como esta, em que um casal americano de homeschoolers foi preso por não ter preenchido a devida papelada!

domingo, 10 de janeiro de 2010

sábado, 9 de janeiro de 2010

Em Vez da Escola, a Casa

Aprender em casa. Com as novas tecnologias, com a Internet e com a impaciência com que os pais olham para as escolas porque não devolver à família a tarefa do ensino? Este é só um cenário, polémico, para a "escola de amanhã".

Uma vez que o conhecimento está tão disponível através dos novos meios tecnológicos e de informação como a Internet, por exemplo, as famílias mais educadas poderão começar a desprezar as escolas. O especialista [David Hargreaves, da Universidade de Cambridge, Inglaterra] dá o exemplo do "home schooling", o ensino em casa, modelo preferido pelos pais que perderam a réstia de fé nos estabelecimentos de ensino e se atemorizam perante o perigo da violência e das drogas nas escolas. Sem essas más influências, estudar em casa teria ainda a vantagem de estreitar os laços familiares e a passagem de valores.

É que o tempo em que os professores das escolas eram essenciais- quando tinham acesso ao conhecimento e ao material negado à maioria dos pais - já passou. As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) permite o acesso a um volume inimaginável de informação. Muitos dos pais que optam por ter os filhos a estudar em casa são utilizadores das TIC: "Porque é que hão-de enviar as crianças para a escola onde os professores têm medo das TIC?" Para além do mais, poderia haver sempre o recurso a professores, escolhidos pelos pais, que educariam os filhos nos aspectos concretos e com as orientações precisas determinadas por quem os contratava.

Mas mais importante (...) é que as crianças educadas em casa têm mais probabilidades de desenvolver as capacidades, atitudes e posturas de auto-confiança, sendo capazes de se adaptarem a novas realidades e de trabalhar em rede. Tudo características indispensáveis num mercado de trabalho flexível, de auto-emprego, do próximo século e que "apesar da retórica oficial são muito difíceis de alimentar nas escolas e classes convencionais".

Trecho deste artigo por Dulce Neto, 1998

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Universidade de Cambridge oferece lugar a jovem de 14 anos educado em casa

Um prodígio da matemática está para bater o recorde de 237 anos tornando-se o estudante mais novo da Universidade de Cambridge desde William Pitt, primeiro ministro da Grã-Bretanha durante a era napoleónica.

Arran Fernandez, de Surrey, Inglaterra, recebeu a oferta de um lugar depois de passar os exames de entrada para a universidade. Arran tem 14 anos, é educado em casa e já fez os exames do 12º ano de matemática:

"Desde que me lembro, a matemática tem sido a minha disciplina preferida. Gosto do ensino domiciliar porque estou muito mais envolvido e ajudo o meu pai a decidir o currículo."

Tornou-se famoso em 2001 quando, aos 5 anos, obteve as melhores notas nos exames de matemática. Arran diz que a sua ambição é encontrar a solução para a hipótese de Riemann - teoria ainda por resolver sobre padrões de números primos que tem deixado os matemáticos intrigados há 150 anos . Fonte: Aqui (Guardian); mais aqui.

Faz-me lembrar a estória de Ruth Lawrence que, aos 13 anos, obteve uma licenciatura da Universidade de Oxford e um prémio por ter completado a licenciatura em 2 anos. E, ainda mais interessante, pelos menos para nós, defensores do ensino doméstico, é que a adolescente também nunca tinha frequentado a escola: em vez disso, tinha aprendido em casa com o pai (ver aqui).

Outro link:
El alumno más joven de Cambridge

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Citações... e imagens desta manhã

Em uma sociedade livre, não podemos ficar enfiando conteúdos na cabeça dos outros para cumprir os papéis que desejamos que eles cumpram. ~ Augusto de Franco

A tua vida, o teu tempo e o teu cérebro deviam pertencer a ti e não a uma instituição. ~ Grace Lwellyn, dirigindo-se aos jovens.

As crianças não são propriedade de ninguém: não são propriedade de seus pais nem tão pouco da sociedade. Pertencem apenas à sua própria futura liberdade. ~ Mikhail Bakunin

As crianças, afinal, não são apenas adultos "in-the-making". São pessoas cujos direitos, experiências e necessidades actuais devem ser levados a sério. ~ Alfie Kohn

É uma perda de tempo falar sobre liberdades civis [ou direitos infantis] com adultos que, na sua adolescência, foram sistematicamente ensinados que não as tinham; e uma hipocrisia total chamar tais pessoas defensores da liberdade. ~ Edgar Friedenberg

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Ivan Illich: Depois do deschooling, o quê?

After Deschooling What - Ivan Illich

E não pára de nevar!

Está um frio danado! Lá fora, tudo coberto de neve!

E dizem que esta noite a temperatura vai atingir os -7°C!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Introdução ao Freeskilling

Freeskilling? O que é isso? Mmmm, como começar a explicar? Talvez pela necessidade que todos temos de contribuir para um mundo melhor, de conectar com os outros, de partilhar os nossos interesses e talentos. Uma espécie de casamento entre as ideias da economia gratuita e alguns aspectos das redes educacionais de que já falava Ivan Illich.

Na prática é um servico gratuito de troca de conhecimentos: alguém encarrega-se de encontrar um grupo de pessoas que gostariam de partilhar os seus conhecimentos, encontrar um local adequado para esse efeito e arranjar maneira de fazer com que as pessoas interessadas saibam dos eventos. Com a internet - redes sociais, grupos yahoo e coisas desse tipo - esta tarefa fica bem mais fácil!

Aqui em Bristol o Freeskilling está de volta depois das férias de Natal. Todas as terças feiras às 19hrs no The Better Food Company, que disponibiliza o espaço. É gratuito e para todas as idades, como sempre!

Resolvi partilhar por várias razões: porque uma destas "aulas" é sobre o ensino doméstico, para inspirar quem queira organisar algo semelhante, e porque este modelo de troca de conhecimentos é frequentemente usado por grupos de familias que optam pela educação domiciliar. Eis o programa para as próximas 8 semanas:
Frees Killing Poster Jan Feb 2010

Espero que isto vos inspire a criar um projecto semelhante e que estejam ansiosos por mais um ano de aprendizagem!

sábado, 2 de janeiro de 2010

Caminhando ao ar livre

Esta tarde, em Ashton Court...