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domingo, 28 de fevereiro de 2010

Por onde andámos: País de Gales





Aprender a Ler Sem Escola II

Trecho de Children Teach Themselves to Read: unschoolers' accounts of how their children taught themselves to read, por Peter Gray, professor e pesquisador de psicologia no Boston College. Começa aqui.

2. Crianças motivadas passam muito rapidamente da não-leitura à leitura fluente.

Em alguns casos, as crianças que aprendem fora da escola parecem aprender a ler de um dia para o outro. Por exemplo, Lisa W. escreveu: "O nosso segundo filho, que pensa em imagens, só aprendeu a ler aos 7 anos. Durante anos, ou conseguia compreender o que precisava saber a partir de pistas pictóricas ou, quando não conseguia, pedia ao irmão mais velho para ler. Lembro-me do dia em que começou a ler. Tinha pedido ao irmão mais velho para ler algo no computador e o irmão respondeu: "Tenho mais que fazer do que ler para ti", e virou-lhe as costas. Passado uns dias já estava a ler bastante bem."

Diane, escreveu: "A minha primeira filha não sabia ler quando fez os 5 anos em Março mas no final desse ano já sabia ler fluentemente em voz alta, sem pausas nem hesitações." E Kate relata que aos 9 anos o seu filho "aprendeu sozinho a ler" num mês. Nesse intervalo de tempo ele trabalhou deliberadamente na leitura por sua iniciativa própria e progrediu imenso, deixando de ser um leitor fraco e hesitante ele passou a ler com muita fluência, muito para além do que seria esperado numa escola normal."

Tais progressões graduais na habilidade de leitura pode ocorrer, pelo menos em parte, porque fases de aprendizagem menos óbvias tinham passado despercebido pelo observador. Karen atribui o rápido desabrochar que observou no filho a um ganho repentino de auto-confiança. Ela escreveu: "Durante o Verão passado, filho A [agora com 7 anos] deixou de esconder a sua capacidade e passou a ler capítulos de livros. Num verão! Agora, seis meses depois, ele sente-se suficientemente confiante na sua capacidade de leitura. Frequentemente dou com ele lendo em voz alta para a irmã quando me levanto de manhã. Ele até se oferece para ler para mim e para o pai. Que bom que nunca o pressionámos! "

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Ensino doméstico a bordo de um barco

Já conhecem a história de Heloísa Schürmann? A professora e proprietária de uma escola de inglês que circunavegou o mundo num veleiro com a família, educando os 3 filhos no barco? Ela agora faz parte da nossa rede do Ning e gostaria de partilhar as suas experiências conosco. Há pouco tempo fez uma entrevista, que podem ler aqui na íntegra. Entretanto, deixo aqui um trecho.

Heloísa Schürmann: “A disciplina foi o fator fundamental para que desse certo. Eles tinham um horário para as aulas, para o lazer e para fazer deveres. Eles tinham aulas todos dias, podia ser de manhã ou a tarde. O que ajudou muito para o aprendizado deles foi o fato de que, desde cedo, as crianças gostavam de ler. Fazíamos muita pesquisa de campo, trabalhos em bibliotecas e contamos com ajuda de velejadores que nos ajudavam nas matérias que tínhamos dificuldades. As crianças se tornaram autodidatas, pesquisaram e aprenderam diversos assuntos que eles tinham interesse e não estavam em nenhum currículo escolar”.

O que dizem os filhos?

Wilhelm Schurmann (agora com 33 anos): “Eu passei 10 anos no mar e minha mãe foi minha professora. No início, eu tinha 7 anos, foi bem difícil, pois eu queria ir nadar, brincar na praia e com um dia bonito eu tinha que ficar no barco estudando. Mas aos poucos fui vendo que todos meus amigos também tinham que estudar nos seus veleiros e, então, combinámos todos de ter aulas de manhã e sair à tarde. Aprendi que se eu adiantasse meus deveres, os que eu podia fazer sozinho, as redações, geografia, história, ciências, e alguns de matemática, me sobrava mais tempo para fazer windsurf. Eu aproveitava os dias de chuva, ou quando estávamos navegando, para adiantá-los. Funcionava bem. Eu estudei o segundo grau pela escola de correspondência da Nova Zelandia e me formei em Desenho Técnico. Às vezes, eu ficava várias noites tentando resolver um problema. Fazia desenho, fazia a miniatura e resolvia a questão. Pra mim, estudar a bordo foi melhor do que ir na escola, pois eu aprendi muito mais do que se eu estivesse na escola.

Pierre Scchurmann (agora com 41 anos): “Eu tinha 15 anos quando a viagem começou e naveguei com a família por três anos. Aos 18, fui para os Estados Unidos para ingressar numa universidade, onde cursei administração de empresas. A vida no barco, viajando, me trouxe duas experiências distintas. Uma delas foi o contato com as diferentes culturas de outros povos e a importância de se relacionar com eles para sobreviver. A outra foi a do relacionamento interno, dentro do próprio barco, com a família.

David Schurmann (agora com 35 anos): "Eu tinha 10 anos quando comecei a viajar com minha família e aos 16 anos fiquei na Nova Zelândia, onde estudei Cinema e Televisão, na Universidade de Auckland. Aprendi cedo a não tentar entender a cultura com meus olhos, porque do meu binóculo eu vou achar tudo sempre estranho. Quando você viaja e fica um bom tempo em cada lugar, começa a compreender por que as pessoas são de um jeito e pensam de uma maneira.

O grande problema da humanidade é que as pessoas querem impor as suas maneiras de viver e dizem que o resto está errado.

O preconceito acaba quando você compreende o outro. Eu mudei a minha visão do mundo. As pessoas gostam de ver a vida como um túnel. Gostam de estar num trilho de trem que tem um caminho certo, porque acham que é mais fácil e seguro, não querem enxergar outras paisagens. Enquanto eu acho que o mais belo na vida é exatamente deixar meu barco ser guiado pela correnteza, pelo coração”.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Aprender a Ler Sem Escola: 7 Princípios

Há umas semanas atrás convidei os leitores do meu blogue que praticam o unschooling ou seguem o modelo da escola Sudbury a partilharem as suas histórias sobre a aprendizagem da leitura sem instrução formal. Dezoito pessoas - a maioria das quais se identificaram como pais de unschoolers - gentilmente compartilharam suas histórias comigo. Cada história é única. Tal como os meus alunos descobriram em suas pesquisas em Sudbury Valley, parece não haver um padrão no modo como as crianças que actualmente não frequentam a escola aprendem a ler.

No entanto, ao listar e organizar os temas principais de cada história, consegui extrair o que me parecem ser 7 princípios que talvez nos possam ajudar a compreender, de uma forma geral, o processo de aprender a ler sem escola. Optei por organizar o resto deste artigo em redor destes princípios e exemplificar cada um deles com citações das histórias que me enviaram. Algumas das pessoas que me enviaram histórias pediram-me para usar apenas os seus nomes e não os nomes dos seus filhos, por isso resolvi usar essa convenção.

Aprender a Ler Sem Escola: 7 Princípios


1) Para as crianças que não frequentam a escola, não existe um período crítico ou uma idade ideal para aprender a ler.

Para as crianças nas escolas normais é muito importante aprender a ler na altura ditada pela escola. Se não aprenderem nessa altura, acompanhar o resto do currículo torna-se mais difícil e poderão vir a ser rotuladas como "fracassos", como alguém que tem de repetir o ano ou que tem alguma deficiência mental. Nas escolas, aprender a ler é a chave para o resto da aprendizagem. Primeiro você "aprende a ler" e depois você "lê para aprender." Sem saber ler você não pode aprender a maior parte do resto do currículo, porque grande parte dele é apresentado através da palavra escrita. [...]

Mas a história é completamente diferente para as crianças sem escola. Elas podem aprender a ler a qualquer altura, sem aparentes consequências negativas. As histórias que me enviaram incluem 21 casos diferentes de crianças aprendendo a ler. [...] Destes, dois aprenderam aos 4 anos, sete aprenderam aos 5 - 6 anos, seis aprenderam aos 7 - 8 anos, cinco aprenderam aos 9- 10 anos e um aprendeu aos 11 anos.

Mesmo dentro da mesma família, crianças diferentes aprenderam a ler em idades muito diferentes. Diane escreveu que a sua primeira filha aprendeu a ler aos 5 anos de idade enquanto que a sua segunda filha aprendeu aos 9 anos; Lisa W. relatou que um dos seus filhos aprendeu aos 4 e outro aos 7 anos e Beatriz contou que uma filha aprendeu antes dos 5 e a outra aos 8 anos.

Hoje, nenhuma dessas crianças tem dificuldades na leitura. Beatriz relata que a filha que só aprendeu a ler aos 8 anos e que agora tem 14 anos "lê centenas de livros por ano, escreveu um romance e ganhou vários prêmios de poesia." Esta filha, no entanto, havia demonstrado outros sinais de precocidade literária muito antes de ter aprendido a ler. De acordo com Beatriz, aos 15 meses de idade ela recitava de memória todos os poemas no livro Complete Mother Goose.

A mensagem mais frequentemente repetida nestas histórias de aprendizagem da leitura é que as crianças têm uma atitude positiva relativamente à leitura e à aprendizagem em geral porque não foram obrigadas a ler contra a sua vontade. Isto talvez tenha sido transmitido mais claramente por Jenny, que escreveu, em relação à filha (que tem agora 15 anos) que não leu até aos 11 anos: "Um dos melhores resultados de ter-lhe deixado aprender a ler ao seu próprio ritmo e a partir da sua iniciativa foi que ela tomou controle do processo e através dessa experiência apercebeu-se que se podia aprender a ler sozinha podia aprender qualquer coisa. Nós nunca lhe pressionamos para aprender, nunca, e por causa disso a sua capacidade de aprender manteve-se intacta. Ela é muito esperta, muito viva, curiosa e interessada no mundo que a rodeia."

Continua AQUI...

Trecho de Children Teach Themselves to Read: unschoolers' accounts of how their children taught themselves to read, por Peter Gray, professor e pesquisador de psicologia no Boston College. Parte 1 aqui.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Como é que os unschoolers aprendem a ler?

... as pessoas envolvidas no movimento do unschooling e da "não-escola" afirmam que a leitura não precisa ser ensinada. Desde que as crianças cresçam numa sociedade letrada, rodeadas por pessoas que lêem, elas irão aprender a ler. Podem fazer algumas perguntas no percurso e receber algumas dicas de pessoas que já sabem ler, mas são elas que tomam a iniciativa e orquestram todo este processo sozinhas. Trata-se de uma aprendizagem individualizada que não requer imagiologia cerebral nem cientistas cognitivos e que exige pouco esforço por parte de terceiros que não a própria criança que está aprendendo. Cada criança sabe exatamente qual é o seu estilo de aprendizagem e o que está pronta para aprender, e vai aprender a ler à sua própria maneira e ao seu próprio ritmo.

Há 21 anos atrás, dois dos meus alunos universitários realizaram um estudo sobre a forma como aprendem a ler na Sudbury Valley School, onde os alunos são livres para fazer o que lhes apetece e bem entendem. Identificaram 16 alunos que tinham aprendido a ler depois de se terem matriculado na escola mas que não tinham recebido instrução sistemática de leitura. Entrevistaram os alunos, os pais e os funcionários da escola para descobrir quando, porquê e como cada um deles havia aprendido a ler. O que descobriram desafiou quaisquer tentativas de generalização: os alunos começaram a ler em idades totalmente diferentes - uns aos 4 outros aos 14!

Alguns alunos aprenderam muito depressa, um dia não sabendo ler, passando a ler fluentemente passado umas semanas, outros aprenderam muito mais lentamente. Alguns aprenderam de forma consciente, trabalhando sistematicamente na fonética e pedindo ajuda ao longo do percurso. Outros pareciam aprender sozinhos, de um dia para outro, apercebendo-se de repente que sabiam ler, mas sem terem ideia de como aprenderam. Não havia nenhuma relação sistemática entre a idade em que os alunos tinham aprendido a ler e o seu envolvimento com a leitura no momento da entrevista. Alguns dos leitores mais vorazes tinham aprendido cedo, outros muito mais tarde.

O meu filho, que faz parte do pessoal em Sudbury Valley, disse-me que esse estudo já está ultrapassado. A sua impressão é que hoje a maioria dos estudantes de Sudbury Valley estão aprendendo a ler mais cedo e com ainda menos esforço consciente do que antes porque estão imersos numa cultura em que as pessoas comunicam regularmente através da palavra escrita - em jogos de computador, e-mail, no Facebook , através de mensagens de texto nos telemóveis e assim por diante. Essencialmente, para eles, a palavra escrita não é diferente da palavra falada, e a maquinaria biológica que todos os seres humanos têm para a compreensão da língua falada é usada automaticamente na aprendizagem da leitura e da escrita (ou da datilografia).

Continua aqui.

Trecho de Children Teach Themselves to Read: unschoolers' accounts of how their children taught themselves to read, por Peter Gray, professor e pesquisador de psicologia no Boston College.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Educação em casa: a revolução silenciosa

No Reino Unido, nos E.U.A. e em vários outros países, uma revolução silenciosa e fora do comum está ocorrendo. De que forma? Pais educando os filhos em casa. Simultaneamente aos debates ferozes sobre o ensino regular que vão ocorrendo sobre o currículo nacional, avaliações, Back to the Basics, etc, algumas famílias têm pura e simplesmente ido àvante, em silêncio, com uma abordagem à educação do tipo "faça você mesmo". Nos E.U.A. mais de um milhão de famílias são homeschoolers. No Reino Unido estima-se que mais de 10.000 famílias proporcionam aos filhos uma educação baseada em casa.

Este fenômeno é melhor descrito como educação com base em casa porque a maioria das famílias, em vez de tentar copiar o modelo da "Prisão de Dia" usado pela maioria das escolas, usa a casa como um trampolim de onde "saltam" para uma série de investigações e actividades na comunidade. As pessoas acham isto muito difícil de entender. Esta dificuldade revela-se nas perguntas que fazem sobre a socialização destas crianças, do tipo "mas elas não se tornarão socialmente inaptas? Não precisamos pensar muito para chegarmos à óbvia conclusão que as actividades de aprendizagem que ocorrem lá fora na comunidade, quando comparadas à restrita vida social em oferta na maioria das escolas, não só proporcionam às crianças mais contactos sociais e encontros mais variados como reduzem a dependência nos colegas que o adolescente típico experiencia.

Em geral, as pessoas tentam criar generalizações e estereótipos sobre as famílias que educam os filhos a partir de casa. As únicas generalizações apoiadas pela evidência são:

a) que elas exibem uma considerável diversidade quanto a motivos, métodos e objectivos;

b) que são extraordinariamente bem sucedidas no que toca ao alcance dos objectivos escolhidos.

As escolas geralmente assumem a postura que a educação baseada em casa, para ser tolerada, [deveria exigir que] as famílias deviam aprender a fazê-lo com ajuda dos "profissionais". A evidência, no entanto, é diferente e demonstra que as escolas têm frequentemente mais a aprender com a flexibilidade da prática de muitas famílias do que vice-versa.

Trecho de Alternatives for Everybody, All the Time, escrito por Roland Meighan, professor doutor em Educação na Univerdade de Birmingham e consultor sobre educação com base em casa para Personalised Education Now.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Homeschooling e Socialização

Quando eu e o meu marido começámos a pensar em educar os nossos dois filhos em casa, a reação mais comum dos nossos amigos e familiares foi: "E a socialização?" É uma pergunta legítima.

Cada família aborda a questão da socialização de forma diferente. Experiências diárias, semanais e mensais variam bastante, mesmo dentro da mesma família. Quando ouvi o termo "homeschooling" pela primeira vez, associei-o imediatamente à Casa da Pradaria - crianças vestidas em trajes tradicionais obedientemente sentadas em secretárias antigas numa sala isolada durante longas horas, replicando a experiência da escola na privacidade do lar. Alguns dos nossos dias são passados em casa, admito, mas muitos são passados lá fora, no mundo, aprendendo através de experiências muito práticas. Eu, e outros pais que educam os filhos a partir de casa, prefiro o termo "educação independente" - que dá uma imagem muito mais precisa do que fazemos.

Com as últimas estatísticas indicando que cerca de 2,5 milhões de crianças são educadas em casa nos EUA, as oportunidades sociais disponíveis para as famílias que optam pelo homeschooling estão se expandindo cada vez mais. A maioria das crianças educadas em casa participam numa enorme variedade de actividades extracurriculares - esqui, patinação artística, aulas de música, coros, desportos colectivos, equipes de debate, campanhas políticas, escuteiros ou guias, Odyssey of the Mind, teatro, dança, karatê, cooperativas, etc. No ano passado, os meus filhos fizeram natação, tiveram aulas de arco e flecha, de ciência, esqui, arte, futebol, basebol, ginástica - isto sem falar dos passeios na natureza, dos eventos do dia-a-dia e encontros com outras crianças para brincar. Todas estas actividades foram feitas na companhia de outras crianças e famílias, proporcionando uma rica variedade de interacção social e experiências.

Uma grande vantagem da educação em casa é que a socialização ocorre naturalmente entre grupos etários diferentes. Surpreendentemente, a discriminação etária entre crianças educadas em casa é muito rara - não vemos cliques, sentimentos de superioridade em relação às crianças mais novas, bullying ou exclusão. Em vez disso, vemos que os miúdos educados em casa gostam de brincar com crianças e jovens de todas as idades e aprendem uns dos outros com alegria. Interacções entre crianças da mesma idade também ocorrem mas é normal vermos um miúdo de 11 anos divertindo-se a jogar com um de 5 anos. Também já vi um grupo de meninas com idades entre os 7 e os 12 incluindo uma de 3 anos nas suas brincadeiras. É uma ocorrência comum.

Observo também que os homeschoolers vêm de todos os backgrounds. Desde que começámos a nossa jornada no mundo do ensino domiciliar, eu e os meus filhos já conhecemos e fizemos amizades com um grupo diversificado de pessoas: protestantes, católicos, ortodoxos, muçulmanos, ateus e agnósticos; africano-americanos, caucasianos, asiáticos, latino-americanos e pessoas do Oriente Médio; liberais e conservadores, democratas e republicanos. Com eles, os meus filhos já tiveram muitas oportunidades de expandir e enriquecer a sua experiência da enorme diversidade existente fora do núcleo familiar.

Comos todos os pais, os que optam pelo ensino doméstico fazem tudo o que podem para dar aos filhos todas as oportunidades para aprenderem as habilidades que irão precisar na vida adulta; entre elas, competências sociais. Recordando a minha experiência escolar, a maioria das competências sociais que adquiri foram obtidas fora das salas de aula - no recreio, durante o almoço, nos corredores e em actividades depois das aulas terem acabado. Pelo que tenho visto, o mesmo ocorre com as crianças educadas em casa. Eu reconheço que ensinar os meus filhos a promover bons relacionamentos com os outros dá trabalho. Tanto os meus filhos temos que tomar a iniciativa a diferentes alturas e de maneiras diferentes. Mas penso que a situação seria a mesma se tivesse optado por mandá-los para a escola. Por enquanto, porém, posso dizer, com alegria, que tanto o nosso calendário acadêmico como o social estão cheios.

A tradução é livre e parcial mas podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui. Kristin, a autora deste artigo, faz parte da Billerica Homeschooling Association.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Muçulmanos optam pelo ensino doméstico

Martinez e os 6 filhos, com idades entre os 2 e os 12, fazem parte de um número crescente de muçulmanos adoptando o ensino doméstico. Martinez diz-nos que nos últimos cinco anos viu o número de homeschoolers muçulmanos aumentar de uma maneira louca na área de Washington.

Segundo nos diz Brian Ray, presidente do National Home Education Research Institute, embora três quartos dos 2 milhões de homeschoolers do país se identifique como cristãos, o número de muçulmanos está expandindo "relativamente depressa" em comparação com outros grupos.

Fazem-no pelas mesmas razões que os não-muçulmanos: "nível acadêmico mais forte, mais tempo em família, orientação da interacção social, proporcionar um lugar seguro para a aprendizagem e transmitir os seus valores, crenças e visão de mundo."

Os pais dizem que é uma alternativa atraente às escolas públicas, em relação às quais nem sempre se sentem confortáveis devido às suas tradições e valores, e às escolas islâmicas, que podem ser distantes, estar fora das suas possibilidades financeiras ou deixar a desejar no que toca ao rigor acadêmico.

Se os muçulmanos têm vindo a abraçar a escola em casa mais tarde do que outros, isto deve-se em parte devido ao facto que muitos muçulmanos nos Estados Unidos são imigrantes que não estão cientes desta opção.

De facto, para muitos imigrantes, a ideia de ensinar em casa é contrária às suas razões para vir para a América, que frequentemente incluem melhores oportunidades educacionais. E a escola pública tem sido vista como um portal essencial para a assimilação.

Quando Sanober chegou do Paquistão há 13 anos e começou a educar os três filhos em casa ela era a única imigrante que conhecia praticando o ensino domiciliar. As outras pessoas de países muçulmanos "pensavam que eu era esquisita", disse ela. Uma delas disse-me: "Espero que não te vás destruir a ti mesma e que os teus filhos não vão crescer ignorantes."

Agora, cada vez mais muçulmanos estão seguindo os seus passos, muitos deles usando o muito respeitado currículo Calvert para homeschoolers.

A tradução é livre e parcial mas podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Quando disse que educava o meu filho em casa disseram que eu era maluca!

São 10 horas da manhã e Archie está sentado no chão da sala rodeado por lápis de cor. Mal pode esperar a festa de anos que depressa se aproxima e está desenhando o número sete. Mais tarde irá provavelmente passear no parque com a mãe e Calli, a irmã mais nova. Quando voltarem a casa irão provavelmente ler um livro em conjunto ou construir outro castelo de Lego.

Fazem parte do número cada vez maior de crianças que educadas em casa. Archie não terá que se submeter ao stress dos exames e quando estiver pronto irá provavelmente ignorar o 10° e 11° ano e entrar directamente para o 12° ano.

Em geral, a educação em casa tem sido vista como algo apenas para uma meia dúzia de pais super-interessados tentando transformar os filhos em gênios intelectuais enquanto os coleguinhas ainda estão a tentar compreender os fundamentos da álgebra.

No entanto, tem-se observado nestes últimos anos um aumento significativo no número de famílias normais, desiludidas com o sistema de educação tradicional, tirando os filhos da escola.

Louise, a mãe de Archie, juntou-se a este movimento de pais-educadores há dois anos. Insiste que não tem nada contra a escola e que a decisão não foi fácil:

"Quando o Archie era pequenino que nunca me passou pela cabeça que ele não iria para a escola. Sabíamos que não vivíamos na área da escola primária que queríamos mas disseram-nos que isso não seria um problema. Infelizmente, quando a altura chegou, a escola não tinha vagas e tivemos que procurar outras alternativas. Quando fui visitar a escola mais próxima da nossa casa vi pais fumando nos portões e dentro da escola as coisas não eram melhores. Nunca me sentiria feliz mandando o meu filho para lá."

Louise conseguiu arranjar um lugar para o filho noutra escola mas Archie nunca se ambientou e passado umas semanas a família decidiu educar em casa.

"As vezes pergunto-me a mim mesma se não devia tê-lo obrigado a ir. Talvez depois de alguns meses de lágrimas e birras ele teria-se resignado, mas quanto mais converso com outras pessoas mais convencida fico que tomei a decisão certa."

Os pais têm o direito de educar os filhos em casa. Na Inglaterra, não têm de acompanhar o currículo nacional e têm a liberdade de escolher o que ensinar e como ensinar. Como as autoridades locais não recebem dinheiro do governo para apoiar a educação familiar, a maioria não interfere e deixa as familias em paz e sossego.

A tradução é livre e parcial mas podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

TDAH: Vantagens do Ensino Doméstico

A abordagem tradicional ao ensino - um professor de pé em frente de 30 ou 40 crianças sentadas atrás de secretárias - não é a mais eficaz para crianças hiperactivas que se aborrecem facilmente. Se o teu filho sente-se desmoralizado por causa de más notas, dos castigos que recebe por se esquecer dos livros, do desprezo que os professores lhe demonstram ou dos abusos que sofre dos colegas, ele pode ser um candidato ideal para a educação domiciliar.

Melinda Boring, que estabeleceu a Heads Up Now!, uma empresa que fornece produtos e informações para pais, professores e terapeutas que trabalham com crianças hiperactivas, facilmente distraídas e com dificuldades sensoriais, educa a sua filha Beckie e o filho Josh em casa, ambos diagnosticados com TDAH.

"Josh raramente seguia as instruções e ficava agitado quando lhe pediam para se sentar e ficar quieto", diz Melinda. "Visões, sons e até odores que passavam despercebidos à maioria das pessoas incomodavam-lhe imenso. Não era que ele não quizesse fazer o que os professores lhe pediam; ele pura e simplesmente não conseguia."

Josh completou o ensino médio em casa em 2006 e agora está trabalhando a tempo inteiro e a estudar a nível do ensino superior. Beckie também está a dar-se muito bem com o ensino domiciliar.

Vantagens do Ensino Doméstico

Cada família tem que decidir se a educação domiciliar é para eles. Em alguns casos, deixar de trabalhar, ou conciliar o trabalho com o ensino doméstico, é mais fácil do que continuar a mandar os filhos para a escola quando esta não tem a capacidade de ir ao encontro das suas necessidades especiais.

"Vários pais disseram-me que fazem o homeschooling para reduzir o estresse diário", diz Kathy Kuhl, autora de Homeschooling Your Struggling Learner e coach de TDAH. "Conheço uma mãe que deixou o emprego, era professora-assistente, porque tentar obter apoio para o filho era tão estressante que lhe estava prejudicando a saúde."

Tradução livre e parcial deste artigo.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Citação: escolarização compulsória

Onde estão as evidências — e como nós precisamos delas para fortalecer nossos argumentos — de que a escolarização compulsória na forma como ela se deu tenha, até aqui, contribuído para construir seres humanos mais humanos, extirpar as guerras, os saques neo-coloniais,
eliminar a fome, etc.?

Sabemos, isso sim, principalmente com Foucault, como a instituição escolar tem participado do movimento de disciplinamento, enquadramento, submissão, hierarquização, normatização, repressão (a lista aqui, poderia ser muito longa) da infância e da juventude na direção contrária
do suposto aperfeiçoamento da 'natureza humana'.

Geraldo Barroso, aqui.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Homeschoolers: informívoros por natureza?

Lá andámos nós a abrir mão de mais umas posses, desta vez livros. Livros, livros e mais livros! Agarrarmo-nos aos livros que possuimos é muito comum, especialmente entre pessoas com mentes curiosas, como as famílias que se dedicam à educação dos filhos. Afinal, os livros são companheiros fiéis, sempre à mão quando precisamos deles, para nos instruir, entreter, inspirar, estimular...

Há quem diga, porém, que o agarramento aos nossos livros não nos deixa criar o espaço necessário para o fluxo de novas ideias e maneiras de pensar.

Ao oferecermos os livros que já não usamos criamos espaço para novos interesses e relacionamentos.

E assim lá andámos nós uma vez mais a libertar as prateleiras dos livros que já não usamos, que já não abrimos há anos, que nunca nos despertaram o interesse e que acabaram ficando para ali, abandonados, a acumular pó e a desperdiçar espaço. Entretanto, vão a ser úteis a outras pessoas. Os livros de xadrez, por exemplo, oferecemos ao Chessit.

O objectivo é acabar com uma coleção de livros que representa quem somos e quem queremos ser - e não quem outrora fomos. E depois vou fazer uma lista das coisas que quero fazer mas que tenho andado a adiar por uma razão ou outra... geralmente devido à "tralha" mental ou emocional!

É muito mais fácil desprendermo-nos de objectos materiais do que libertarmo-nos da "tralha" mental e emocional! Deixarmos de nos preocupar com isto ou aquilo, de criticar, fazer juízos de valor, guardar ressentimentos, enfim, libertarmo-nos de todas essas emoções que só servem para destruir a nossa paz interior é bem mais difícil!

E a tralha mental? Coleccionar informação também depressa se pode tornar um vício, principalmente para quem adora aprender. E para muitos homeschoolers, a aprendizagem é um estilo de vida.

Já ouviram falar do termo informívoro [infovore, em inglês]? É usado por neurocientistas para descrever o apetite que os seres humanos naturalmente têm em relação à informação. Eles descobriram que os mesmos neural pathways que são usados quando aprendemos novos factos que são activados quando as pessoas tomam heroína ou morfina - daí o vício ao high resultante do acúmulo de informação.

Há informívoros que passam horas e horas online buscando informação de uma maneira obsessivo-compulsiva. Se este for o teu caso, a solução passa pelo reconhecimento dos limites do conhecimento e pela criação do espaço necessário para a conexão com a sabedoria interior inata.

Vede, em primeiro lugar, como a mente acumula saber e por que o faz; vede onde o saber é necessário, e onde ele se torna um empecilho à liberdade.


Este post foi inspirado pelo livro Clear Your Clutter with Feng Shui, por Karen Kingston.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Dez factos sobre a educação domiciliar

1) Os pais que educam os filhos em casa vêm de todos os tipos de backgrounds, ocupações, níveis de rendimento, educação e estruturas familiares, incluindo avós e famílias monoparentais.

2) Cerca de 25% têm um professor na família mas como a experiência de ensino diz respeito principalmente à gestão da sala de aula é de pouco uso em casa, onde a aprendizagem é individualizada e informal.

3) Uma minoria de famílias optaram pela educação em casa desde o início e seus filhos nunca foram à escola; destas, algumas optaram pela educação domiciliar por razões filosóficas, outras por razões religiosas ou de estilo de vida.

4) As crianças educadas em casa socializam com outros, aprendem ciência em casa, têm acesso a actividades desportivas, musicais e de grupo, pertencem a várias redes do ensino doméstico, fazem e passam exames, vão para a universidade, arranjam empregos, convivem facilmente com pessoas de todas as idades e tornam-se muitas vezes excelentes na área que escolheram.

5) A maioria dos pais-educadores retiraram pelo menos um filho da escola embora às vezes mantenham outros filhos na escola.

6) Cerca de 60% das crianças retiradas da escola sofreram um bullying muito severo, levando algumas delas a risco de suicídio. A maioria precisa de tempo para recuperar e não pode iniciar de imediato um programa de educação em casa (precisam de recuperar a motivação e confiança e às vezes precisam de uma abordagem completamente diferente, podendo beneficiar da descoberta de novos interesses).

7) Cerca de 10% das crianças conhecidas pela HEAS têm necessidades educativas especiais.

8) As crianças educadas em casa não estão isoladas, fazem parte integral da comunidade em que vivem e activamente participam e são vistas regularmente por muitas pessoas.

9) Há grupos de homeschoolers espalhados por todo o país, listas de email na internet, acampamentos de verão, grupos que participam no Duke of Edinburgh's Award e grupos internacionais.

10) A natureza individualizada de educação em casa significa que é diferente da aprendizagem escolar; as crianças aprendem ao seu próprio ritmo, descobrem as coisas que lhes motivam e têm acesso a uma enorme variedade de oportunidades educacionais.

Tradução livre e parcial deste artigo.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

J. T. Gatto: Como tomar controle da tua educação

Ninguém te dá uma educação. Se queres uma tens que ser tu a obtê-la.

A única pessoa que te pode educar és tu e não podes fazê-lo memorizando isto e aquilo. Tens que descobrir quem és através da experiência, tomando riscos e, depois, perseguindo intensamente a tua própria natureza. As rotinas escolares são criadas para desencorajar o teu processo de auto-descoberta. As pessoas que sabem quem são criam problemas para as escolas.

Para te conheceres a ti próprio, tens que estar consciente das escolhas aleatórias que vais fazendo, descobrir os teus padrões e usar esse conhecimento para dominar a tua própria mente. É essa a única maneira em que o livre-arbítrio pode crescer. Se evitares este processo, outras mentes irão manipular-te e controlar-te para o resto da tua vida.

Um método que as pessoas usam para descobrir em quem é que se estão a tornar é manter um diário, onde registram o que lhes atrai a atenção juntamente com alguns comentários. Desta forma, começas a ouvir-te a ti mesmo em vez de te limitares a ouvir os outros.

Outro caminho para a auto-descoberta que parece ter atrofiado através da escolarização é encontrar um mentor. Os livros podem servir de mentores, se aprenderes a lê-los intensamente, com todos os sentidos alertados para as nuances. Os livros podem mudar a tua vida!

Tradução livre e parcial do trecho inicial deste artigo de J.T.Gatto.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

4 anos de ensino doméstico... e computadores!

Faz hoje 4 anos que ingressámos no ensino doméstico. Ensino doméstico... que expressão mais horrorosa! Não gosto nada dela; uso-a apenas por ser a que aparece na legislação portuguesa.

Não gosto por ser tão enganadora. A palavra "ensino" não é boa porque nós colocamos a ênfase na aprendizagem. E a palavra "doméstico" também dá azo a ideias muito erradas: 1) de miúdos fechados em casa quando a verdade não podia ser mais diferente - daí um dos lemas do unschooling ser "o mundo é a minha sala de aulas!"; e 2) de que a aprendizagem é algo que ocorre apenas dentro de casa quando na realidade é um processo constante que ocorre onde quer que estejamos.

Prefiro expressões como aprendizagem natural, aprendizagem informal, aprendizagem autónoma, aprendizagem centrada na criança, aprendizagem auto-direcionada, aprendizagem orgânica, aprendizagem livre, etc.

Mas mudemos de assunto! Tem sido uma aventura fascinante mas hoje quero deixar aqui um sumário da aprendizagem mais recente na área de computadores (PC Practical Training).

A semana passada andámos a aprender dígitos binários (bits, bytes e nibbles), enfim, o sistema binário.

Uma boa introdução é a parte final do documentário A História Do Número 1, que explica como o "1" se associou ao "0" para dominar o mundo digital em que hoje vivemos. E se quiserem praticar a conversão de números decimais nos seus equivalentes binários e vice versa, sugiro este jogo online.

Nas semanas anteriores: componentes de um PC (processador, placa-mãe, memória RAM, placa de vídeo, disco rígido, etc), ports & interfaces, descargas de eletricidade estática, breve história do computador, etc. E aqui ficam umas fotos da parte prática (obrigado ao Alan, que disponibilizou um dos seus computadores para estas experiências)!


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Parlamento discute educação em casa

Sr. Gibb: Chegamos agora à parte provavelmente mais controversa desta proposta: a da educação em casa, [que] implementa o relatório Badman. O relatório e estas propostas enfureceram os pais de [...] 80.000 crianças educadas em casa. Como o Subsecretário de Estado, meu querido amigo e membro do parlamento para Surrey Heath (Michael Gove) disse durante a segunda leitura:

"Estou profundamente preocupado com a adicional carga burocrática que agora poderá vir a ser imposta a milhares dos nossos concidadãos cujo único crime é quererem dedicar-se tanto quanto possível à educação dos seus filhos.

Educar os filhos de acordo com seus próprios desejos, e educá-los em casa se assim o desejarem, é um direito fundamental dos pais.


Há muitas razões que levam os pais a tomar esta decisão: podem não estar satisfeitos com as escolas disponiveis na zona onde residem, os filhos podem ter necessidades educativas específicas que os pais podem apoiar melhor em casa, ou podem ter objeções filosóficas ao estilo de ensino oferecido nas escolas.

No entanto, em última análise, este é um direito humano fundamental que todos os pais devem ter e acredito que esta proposta destrói esse direito porque, como li, permite que o Estado rescinda o direito que a família tem de educar os filhos em casa se a educação oferecida não for considerada adequada segundo a regulamentação imposta pelo Secretário de Estado."
[Official Report, 11 de Janeiro de 2010, vol. 503, c. 456.]

Podem ler o debate na íntegra aqui.
Também podem ver o vídeo aqui (começa à 1hr 29mns).

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Educar em casa? Porquê? E o currículo?



Algumas pessoas optam pelo homeschooling simplesmente porque se sentem atraídas pelo estilo de vida que lhes permite, pela qualidade dos laços familiares e pelos benefícios em termos de socialização.

Como participam na vida da comunidade, as crianças educadas fora das salas de aulas habituam-se a conviver com todo o tipo de pessoas e, sem a pressão social dos colegas da escola, sentem-se mais à vontade no desenvolvimento de amizades.

As crianças que aprendem fora da escola têm menos probabilidade de se tornarem dependentes dos colegas; em relação à vida familiar, é provável que esta seja menos estressante quando é livre das exigências das instituições de ensino.

Para essas famílias que optam pelo homeschooling, Currículo Completo dá-lhes a oportunidade de ajudar os filhos a construir uma vida melhor.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Pam Sorooshian: Princípios do Unschooling

A aprendizagem é constante. O cérebro nunca pára de funcionar e é impossível dividir o tempo em "períodos de aprendizagem" versus "períodos de não-aprendizagem." Tudo o que se passa à nossa volta, tudo o que vemos, ouvimos, tocamos, cheiramos e saboreamos resulta em aprendizagem.

A aprendizagem não requer coerção. Na verdade, a aprendizagem não pode ser forçada e nunca ocorre quando vai contra a vontade da pessoa. Coerção é desagradável e cria resistência.

Aprender sabe bem. É algo que dá prazer, algo intrinsecamente gratificante. Recompensas irrelevantes podem ter efeitos secundários indesejados que não apoiam a aprendizagem.

A aprendizagem é interrompida quando a pessoa está confusa. Toda aprendizagem deve ser construida no que já é conhecido.

A aprendizagem torna-se difícil quando estamos convencidos que aprender é difícil. Infelizmente, a maioria dos métodos de ensino parte do princípio de que a aprendizagem é difícil e que o que é realmente "ensinado" aos alunos é a lição.

A aprendizagem tem de ser significativa. Quando não entendemos o seu propósito, quando não compreendemos a sua utilidade nem percebemos como é que a informação se relaciona com o "mundo real", então a aprendizagem é superficial e temporária, e não uma "verdadeira" aprendizagem.

A aprendizagem é muitas vezes incidental. Isto significa que nós aprendemos quando estamos completamente envolvidos em actividades que gostamos, que fazemos por prazer, e que a aprendizagem acontece como uma espécie de "efeito secundário".

A aprendizagem é muitas vezes uma actividade social e não algo que acontece em isolação dos outros. Aprendemos com pessoas que têm as competências e conhecimentos em que estamos interessados e que nos deixam aprender com elas numa variedade de maneiras.

Não precisamos de fazer testes nem de ser avaliados para sabermos o que é que já aprendemos. A aprendizagem será demonstrada ao usarmos as nossas novas habilidades e ao falarmos com conhecimento sobre determinados tópicos

Os sentimentos e o intelecto não estão em oposição nem estão separados. Toda aprendizagem envolve tanto as emoções como o intelecto.

Aprender exige uma sensação de segurança. O medo bloqueia a aprendizagem. A vergonha e o constrangimento, tal como o stress e a ansiedade, bloqueiam a aprendizagem.

Original aqui.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Homeschoolers gravam single para o Haiti

Katie Elliott, pianista & compositora jazz, mãe e homeschooler (praticante do ensino doméstico), escreveu e produziu um single para angariar fundos para as vítimas do terremoto haitiano.

A inspiração veio das crianças educadas em casa que frequentam as sessões de música que regularmente orienta.

As crianças mencionadas neste artigo da BBC Gloucestershire aprendem fora do sistema escolar. Infelizmente, o facto foi omitido pelo jornalista apesar de Katie ter deliberadamente salientado esse facto durante a entrevista.

De qualquer modo, a música que ajudaram a compor vai ajudar as vítimas do Haiti e é muito popular, com muitos downloads e feedback positivo. Podem ouvir e baixar a música aqui.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Homeschooling nos Emirados Árabes Unidos

Muitos pais estão convencidos que para melhorar a educação dos seus filhos devem retirá-los da escola e ensiná-los em casa. Há cada vez mais evidência sugerindo que as crianças que aprendem em casa recebem uma educação de maior qualidade e ficam melhor preparadas para o futuro do que as que frequentam a escola.

Muitos pais estão abandonando as escolas normais para dar aos filhos o tipo de educação que querem que estes recebam. Para esses pais, o homeschooling é a melhor abordagem.

Uma pessoa que muito falou sobre as vantagens do homeschooling foi John Holt, o famoso teórico da educação e educador americano. Segundo Holt, as crianças nascem com a capacidade de aprender. Eles já dominam a língua e muitos outros processos de aprendizagem, utilizando os métodos científicos de investigação, análise e avaliação. Um "aprendente" curioso, paciente, determinado, cheio de energia e hábil chega à escola. Mas nós obrigamos-lhe a sentar-se numa secretária, e o que é que lhe ensinamos?

Bem, primeiro que a aprendizagem é algo separado da vida - "Vens à escola para aprender". Segundo, que não confiamos que é capaz de aprender. A escola torna as crianças paranóicas, com medo de cometer erros e, assim, elas aprendem a "desviar-se, fazer bluff e aldrabar." Interação é uma ofensa punível e considerada problemática. Holt afirma:

"É rara a criança que consegue acabar os seus estudos sem perder a sua curiosidade, independência, senso de dignidade, competência e amor-próprio."


A escola em casa permite que as crianças mantenham a sua curiosidade natural e torna a aprendizagem uma aventura. Tem também a vantagem de criar laços mais fortes entre pais e filhos. A maneira de melhorar as escolas seria tirar as crianças das salas de aula e dar-lhes a oportunidade de aprender sobre o mundo através de experiências directas. Por exemplo, os homeschoolers aprendem matemática quando vão às compras com a mãe.

A tradução é livre e parcial mas podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A estatização dos nossos filhos

O caso do casal de homeschoolers da Alemanha a quem foi concedido asilo político nos Estados Unidos, sobre o qual Ed West recentemente falou, torna-se ainda mais interessante ao lermos os comentários do juiz que concedeu o asilo aos Romeikes: Lawrence O. Burman, de Memphis, Tennessee.

Burman disse: "Não podemos esperar que todos os países tenham a nossa Constituição. O mundo poderia ser um lugar melhor se tivessem. No entanto, os direitos aqui violados são direitos humanos fundamentais, que nenhum país tem o direito de violar. E continuou: "Os homeschoolers são um grupo social que o governo alemão está tentando suprimir. Os receios de perseguição desta família são bem fundamentados... portanto, são elegíveis para asilo..."

Essas últimas observações poderiam ter sido proferidas em 1933. Mas será que compreendemos realmente o significado do que aconteceu? Compreendemos que nós, cidadãos da União Europeia, agora pertencemos a um Estado totalitário cujos cidadãos estão recebendo asilo político nos Estados Unidos? Vinte anos após a queda do Muro de Berlim, a tirania está de volta na Alemanha.

Burman acrescentou que a coisa mais assustadora deste caso é a motivação do governo alemão, que em vez de se preocupar com o bem-estar das crianças está tentando acabar com sociedades paralelas. Preocupado, o juiz acrescentou que embora a Alemanha seja um país democrático e aliado, a política de perseguição aos homeschoolers é "contrária a tudo que acreditamos como americanos".

Isto dá-nos uma ideia do modo como os americanos, que vivem num país livre, vêem o totalitarismo que subrepticiamente se apoderou da Europa. Por isso não é apenas uma questão alemã: somos todos fantoches sob controle estatal. Por que é que os homeschoolers alemães não pediram asilo político na Grã-Bretanha? Porque os nossos governantes seguem a mesma filosofia tirânica.

Muitos obstáculos são colocados aos pais que educam os filhos em casa na Grã-Bretanha. A mentalidade é que o Estado - e não os pais - é o controlador natural e modelador da vida e crenças das crianças.

Quando uma estudante pode fazer um aborto sem o conhecimento dos pais, sabemos que enquanto as empresas de serviço público foram privatizadas, os nossos filhos foram nacionalizados. A família que fugiu da Alemanha não aceitou a ideia dos filhos serem obrigados a seguir um currículo que era, em sua opinião, anti-cristão. O mesmo se aplicaria nas escolas britânicas, onde a educação sexual pornográfica está cada vez mais a tornar-se obrigatória.

Esta ideia não é nova. Foi implementada como política de governo pela primeira vez em 1919, na Hungria, durante a breve ditadura comunista de Bela Kun, quando Georg Lukács, vice-comissário para a "cultura", enforçou o seu sistema de Terrorismo Cultural, alimentando as crianças à força com uma educação sexual pornográfica, ensinando-as a desprezar os pais e a monogamia e a rejeitar a família e a religião.

Lukács foi um dos fundadores da Escola de Frankfurt de Marxismo, mais tarde popularizada por Herbert Marcuse, cujas noções dementes são hoje chamadas "correção política" (ou politicamente correcto) e, como tal, têm colonizado os governos ocidentais.

É preciso os comentários directos de um juiz norte-americano, num país onde a cultura de guerra ainda não se perdeu, para nos fazer ver que nós, europeus, já moramos no Gulag. O Muro de Berlim não "caiu" - apenas foi mais para o oeste.

Original

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010