E se nós não "educássemos"? Será que acabávamos por ser uma população mais educada?
Imaginem o seguinte: um mundo onde nunca se fala sobre a educação. Em vez disso, as pessoas simplesmente aprendem. Um mundo sem currículos, sem a ideia que todos nós 'temos que aprender' e 'temos que saber' determinadas coisas a determinada idade. Um mundo onde as pessoas têm a liberdade de desabrochar naturalmente. Um mundo com muitos mais caminhos a tomar, muitas mais maneiras de ser. Será que seria muito diferente do nosso mundo actual? Será que as pessoas seriam mais felizes?
Quer dizer, imaginem se andássemos preocupados com a possibilidade dos nossos filhos não conseguirem aprender a andar. E se eles tivessem que passar um exame para demonstrar que eram realmente capazes de andar corretamente? Estou certo de que muitos reprovariam.
A ideia da "educação como algo desagradável e fundamentalmente errado" não é recente e tem sido sugerida por grandes pensadores, como Ivan Illich, John Holt e, mais recentemente, Aaron Falbel.
Em 1976, Holt definiu a educação como "algo que algumas pessoas fazem a outras para seu bem, moldando-as, formando-as e tentando fazê-las aprender o que acham que deveriam saber."
Influenciado por Illich, Holt escreveu:
"Agora, a educação ... parece-me, talvez, a mais autoritária e perigosa de todas as invenções sociais da humanidade. É o alicerce mais profundo do Estado dos escravos modernos, em que a maioria das pessoas sente que não passam de meros produtores, consumidores, espectadores e "fãs", impulsionados cada vez mais, em todas as facetas das suas vidas, pela ganância, inveja e medo. A minha preocupação não é a de melhorar a "educação" mas acabar com ela, acabar com este negócio muito feio e anti-humano de moldar as pessoas, e permitir e ajudar as pessoas a moldarem-se a si mesmas." Instead of EducationJohn Holt produziu uma revista chamada "Crescer sem Escola"; Falbel sugeriu que deveria ser chamada "Crescer sem Educação".
Falbel escreve, em seu artigo "Crescer sem educação":
"Eu poderia falar sobre a ideia de Holt de ajudar as pessoas a moldarem-se a si mesmas mas vou deixar isso para outra altura. O que eu quero aqui enfatizar é que as críticas que Illich e Holt fazem sobre a educação estão ligadas a uma crítica mais abrangente da sociedade moderna em geral."Ou seja, a sua oposição à educação faz parte de uma perspectiva política que os
homeschoolers podem ou não partilhar. O meu objectivo ao escrever este artigo não é o de convencer os leitores a adotarem essa visão política; mas se os leitores se preocupam sobre o destino da sociedade moderna, eu gostaria de convidá-los a explorar a maneira pela qual a educação é um componente chave do problema que enfrentamos.
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