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segunda-feira, 7 de março de 2011

Ensino doméstico: o medo do desconhecido II

Infelizmente, em Portugal e no Brasil, o acesso à informação sobre o ensino doméstico é difícil, especialmente em relação à legislação e às potenciais consequências de não a seguirmos tin tin por tin tin! E se há coisas que "desengatilham" o medo, a ausência de informação, ou a informação incorrecta, é uma delas. Qualquer modo distorcido de ver as coisas tem o potencial de deflagar o medo.

Pensarmos que deveríamos ser capazes de controlar tudo, por exemplo, de fazer com que os nossos filhos sejam excelentes estudantes e venham a ter excelentes resultados, revela um modo distorcido de ver as coisas. Também seria um disparate pensarmos que se os nossos filhos não se tornarem aquilo que imaginamos ser o melhor para eles, isso se deve a uma falha pessoal da nossa parte. As coisas não são assim tão simples como isso! Não são o resultado de uma "causa única" mas da conjunção de uma rede de diversas causas e circunstâncias que interagem entre si.

Quando temos medo de não sermos capazes de proporcionar a melhor educação possível aos nossos filhos, isso significa que não estamos conscientes que, tal como qualquer professor em escolas públicas ou privadas, não somos perfeitos e, naturalmente, iremos cometer erros e às vezes falhar...

O medo de sermos incapazes de educar os nossos filhos fora do sistema escolar pode ser um medo de não conseguirmos fazê-lo sozinhos. Muitas vezes, especialmente no inicio, queremos encontrar alguém que possa aliviar a situação. Por vezes, isso pode significar que, no fundo, vemo-nos como incompetentes, inadequados e sem a capacidade de aprender; imaginamos que existe “alguém” melhor do que nós que nos pode salvar.

Podemos estar corretos ao pensar que neste momento não temos conhecimentos suficientes para lidar com algo, por exemplo, não sabemos como transferir os nossos filhos para o ensino domiciliar, e outra pessoa pode ter esse conhecimento e ser capaz de nos ajudar. No entanto, isso não significa que nós não possamos aprender.

Outro medo: o medo de ser denunciado, enfrentar a justiça e ver os nossos filhos raptados pelo Estado... o medo de não conseguirmos controlar as nossas emoções ou a perda dos nossos filhos... mas quais são as probabilidades de isso vir a acontecer? Sim, é algo que aconteceu na Suécia e na Alemanha mas, como diz o Fábio, o Governo não anda por aí à procura de pais que ensinam os filhos em casa!

Quando temos medo de alguém, por exemplo, das autoridades, é porque não os vemos tal como eles são. Os funcionários das escolas, das direcções regionais de educação e dos serviços sociais são seres humanos, tal como nós. Querem ser felizes e não querem problemas, querem ser apreciados e não querem críticas alheias. Têm vidas fora do escritório que afetam o que sentem. Se conseguirmos nos relacionar com eles em termos humanos, mantendo-nos cientes das nossas respectivas posições, teremos menos medo.

Continua...

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