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segunda-feira, 14 de março de 2011

Entrevista com uma unschooler agora adulta II

Parte I aqui.

Mais tarde, sem licenciatura ou estudos nessa área, abri o meu próprio negócio e depressa cheguei à conclusão de que o tempo e dinheiro que se perde para tirar um curso superior teriam sido um desperdício, pois podia aprender sozinha tudo que me ensinariam na universidade, especialmente nesta época em que temos acesso a infindáveis ​​recursos!

Isso não quer dizer que um dia não decida tirar um curso. Mas não sinto a necessidade de uma licenciatura para fazer as coisas que quero fazer na minha vida. Não vejo, e nunca vi, a necessidade de alguém aprovar o que sei ou posso fazer e, a não ser que um dia decida ser médica, não vejo isso mudando.

Estás ganhando dinheiro?
Sim, claro!

Que trabalhos (ou maneiras de ganhar dinheiro) tens ou tiveste?
Durante a minha adolescência tive vários cargos simples, como empregada de loja ou auxiliar de escritório. Nunca duravam muito porque eu não gostava do trabalho ou do dinheiro que estava ganhando e queria algo mais. Quando me apercebi que não precisava de qualificações para arranjar um emprego, depressa percebi que também não preciso de nada que não funcione para mim.

Agora trabalho por conta própria: sou escritora e blogueira, fotógrafa, coach de unschooling, massagista e freelancer. Faço aquilo que adoro e não sinto que preciso ou que deva escolher apenas uma área. O mundo é demasiado grande e há muitas coisas a fazer para me limitar a apenas um dos meus interesses.

Arranjaste trabalho gratificante e agradável?
Claro! Adoro o que faço e tenho certeza que aquilo que faço vai mudar e evoluir, tal como eu.

Achas que o unschooling teve um impacto na facilidade ou dificuldade de arranjar emprego ou ganhar dinheiro?
Nem por isso, não do modo como vejo o unschooling. Eu não acho que o "unschooling" me tenha criado ou dado uma habilidade. Acho que me deu simplesmente a liberdade para eu me criar a mim mesma e que apoiou as minhas habilidades inatas. Enquanto a escolaridade e as mentalidades limitadas entravaram o meu progresso, o unschooling não obstruiu o meu percurso.


Achas que o unschooling teve um impacto nos métodos de ganhar dinheiro ou nos empregos a que te atraiem?
Sim. Eu não acredito que "tenho de" estar presa a algo que não gosto. Não acredito que me devo conformar ou "me sentir grata" a algo que não me preenche. E desejo muita liberdade criativa. Já não trabalho por conta de outrém há pelo menos 10 anos e teria dificuldade em fazê-lo novamente se não tivesse essa liberdade criativa e autonomia.

Que impacto teve o unschooling na tua vida?
Um impacto enorme. Influenciou todas as facetas da minha vida, desde o meu relacionamento com o meu esposo, a minha abordagem à parentalidade, à minha vocação, às minhas perspectivas sobre a política, saúde e questões sociais. Baseio tudo na liberdade, apoio à pessoa inteira e em viver sem condições ou medos.

Se pudesses voltar atrás, mudarias algo na tua aprendizagem ou jornada educacional?
Acho que não, embora me pergunte o que teria sido diferente se tivesse deixado a escola mais cedo ou se me tivesse conectado mais com o mundo depois de ter deixado a escola. Penso que as minhas experiências me influenciaram e que o contraste entre elas me ajudou a crescer.

Praticas o unschooling com o teu filho?
Sim, embora não desde o princípio. O meu filho, que agora tem 11 anos, andou numa escola privada durante 2 anos, e não foi uma experiência saudável para ele. Embora eu tivesse deixado a escola em adolescente, ainda tinha uma visão limitada relativamente a quando uma pessoa podia deixar o sistema, pensando, por exemplo, "claro, a escola não é para todos, mas primeiro temos que aprender as bases." Ainda tinha que desescolarizar a minha mente! :)

Mas a minha experiência ajudou-me a depressa optar pelo unschooling. Depois de o tirarmos da escola, comecei a confiar não só na minha intuição sobre a aprendizagem (escolas livres sempre me atrairam), como também nos interesses e instintos naturais do meu filho.

Que conselhos darias aos jovens que querem deixar o ensino médio?
Confiem nos vossos instintos. Experimentem coisas novas. Conectem-se com pessoas diferentes. Abram-se para o mundo. Relaxem. Apressem-se. A vida é cheia de tantas oportunidades, a maioria delas escondida e exigindo uma busca apaixonada por elas.

Que conselhos darias a quem quer deixar, ou não frequentar, a universidade?
O mesmo conselho que daria a qualquer pessoa tomando qualquer decisão. A universidade é um percurso. Não nega nem garante qualquer outro percurso. Confiem nos vossos instintos. Caminhem em direção aos vossos sonhos. E não caiam na armadilha de ouvir os medos das outras pessoas. Ou, lá por isso, de ouvir os vossos próprios medos!

Que conselho darias aos pais que seguem o unschooling (ou gostariam de o fazer)?
Desacelerem e passem muito mais tempo construindo um bom relacionamento com os vossos filhos e confiando neles do que em qualquer outra coisa. Depois, comecem a a seguir os interesses deles, convidando coisas e pessoas novas nas vossas vidas, e criando um ambiente rico em que toda a família possa prosperar. Não fiquem enredados nos medos dos outros e não projetem os vossos próprios medos, crenças ou desejos nos vossos filhos.


Queres adicionar algo?
Não deixem que um rótulo vos defina. O rótulo do unschooling pode libertar... ou limitar. Em vez de abraçarem um rótulo, abracem a maneira como se querem sentir - felizes, conectados, aventureiros? Focalizem nessas coisas e deixem a confiança, liberdade e compaixão ser os vossos guias.

Original aqui.

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