Este blog partilha informação sobre o homeschooling e o unschooling - ensino doméstico ou educação domiciliar. Para navegarem o site, usem os links acima e, para os posts de 2011, o botão da pesquisa na barra direita. Facebook: Aprender Sem Escola Email: aprendersemescola@gmail.com

quinta-feira, 31 de março de 2011

O Mito dos Especialistas

Trecho do artigo de Jan Fortune Wood

Recentemente, num debate de rádio, uma professora de educação da Alemanha opôs-se à ideia do ensino doméstico com o argumento de que os pais não têm conhecimentos suficientemente especializados para ensinar os seus próprios filhos. O argumento não é novo e persiste apesar da quantidade de pesquisas credíveis que demonstram bons resultados para as crianças educadas em casa independentemente do nível educacional dos pais.

Quando começámos a educar os nossos filhos fora da escola, as pessoas que nos viam nos cafés e supermercados perguntavam quase sempre sobre a legalidade do ensino doméstico. Hoje em dia praticamente todos que nos questionam já ouviram falar da educação em casa e a maioria acha que é uma óptima ideia, dizendo muitas vezes que o teriam feito se se sentissem suficientemente confiantes para "ensinar todas as disciplinas". Os pais que educam os filhos fora do sistema sabem que verdadeira educação não é ser capaz de "ensinar" tudo e que a sua suposta falta de especialização não os impede de ajudar os seus filhos a aprender o que querem, seja culinária ou física.

O mito dos especialistas é enfatizado pela educação convencional. A escolaridade obrigatória remove a aprendizagem não só do controlo do aluno, como também da esfera de influência dos pais. Ambos pais e filhos são desqualificados por um sistema que perpetua o mito de que professores especializados são vitais para a aprendizagem. O conceito de família competente é substituído pela noção de famílias que se conformam ao sistema (e são consequentemente vistas como "boas") ou não se conformam (e são consequentemente vistas como 'más' ou disfuncionais). Por sua vez, a noção de crianças autónomas e racionais é substituída pela ideia de sub-humanos dependentes, com pouca ou nenhuma consciência das suas próprias necessidades e metas de aprendizagem.

Há, sem dúvida, um papel para a especialização na vida moderna. Nós não podemos saber tudo. A especialização de competências e áreas de conhecimento e a interdependência advinda delas são a base para a prosperidade e o progresso humano. Em si, contudo, isso não justifica a falsa 'profissionalização' da aprendizagem. A aprendizagem é uma actividade da vida e a introdução da compulsão e da motivação extrínseca nesta actividade impede o crescimento intrínseco do conhecimento e dificilmente obtem os resultados que os educadores pretendem uma vez que os "produtos" não são passivos mas pessoas humanas, complexas e autónomas.

Pode ser que a escolaridade tenha sido estabelecida no "melhor interesse" das crianças. No entanto, por mais louvável que seja essa intenção, ela é derrubada pelo próprio acto de definir o que é o "melhor interesse" para outro ser humano, e desmorona completamente quando a esse erro-base segue-se o acto de forçar as crianças a frequentar a escola.

Dizer que os especialistas servem um propósito útil e devem ser ouvidos com seriedade é uma coisa; afirmar que as crianças não podem aprender sem professores é outra. A lógica desta ultima asserção simplesmente não é aparente, e esta não é a experiência de milhares de crianças educadas em casa nem a de seus pais.

A maioria dos pais, por mais inseguros que sejam, partem do princípio que (excepto em casos de deficiências insuperáveis) os seus filhos vão aprender a andar, falar, desempenhar um número cada vez maior de funções complexas e demonstrar uma enorme variedade de aprendizagem muito antes da idade escolar. No entanto, surpreendentemente, os pais receiam que estas mesmas crianças vão deixar de aprender e transformar-se em bárbaros ignorantes se não forem obrigados a ir para a escola cada vez mais novinhos para ali aprender o que os supostos especialistas decidem.

A ideia de que a escola e os seus professores são os pré-requisitos essenciais da aprendizagem é tão falsa como generalizada. Todos nós sabemos que a aprendizagem ocorre numa escala muito maior e mais imprevisível do que as escolas podem atender; no entanto a sociedade insiste no culto da especialização dos professores. Por quê?

Continua aqui.

2 comentários:

Vinicius.C disse...

Boa tarde!!

Infelizmente uma passadinha um tanto rápida pelo blog.

Estranho pensar que minha educação escolar quando criança, foi negligenciada.

Hoje tento correr atrás do tempo perdido

Deixo o desejo de uma ótima tarde!!

Se puder, venha no Alma.

Paula disse...

Oi Vinicius,

Obrigado pela visita :-)