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terça-feira, 29 de março de 2011

O significado de unschooling para nós

Traduzido daqui.

O ensino doméstico é diferente para cada família. Temos amigos que seguem um currículo pré-definido durante todas as manhãs, das segundas às sexta-feiras durante o período lectivo e não fazem nada deliberadamente educacional durante o resto do tempo. Outros insistem em fazer pelo menos uma hora de "aprendizagem", e depois fazem outras coisas com o resto do seu tempo. Também é muito comum vermos famílias fazendo a maior parte da "educação em casa" fora de casa, com vários grupos, participando em actividades temáticas que planejam uns com os outros. Aqui na Inglaterra, em West Yorkshire, há pelo menos um evento destes todos os dias da semana - alguns regulares, outros não. Normalmente todos os pais-educadores são bem-vindos.


Nós fizemos tudo isso, mas ultimamente estamos mais centrados no lar e na família. Descobri, ao longo dos anos, que os meus filhos aprendem melhor quando os deixo assumir a liderança. Por isso ontem fomos ao Royal Armouries. Uma das minhas filhas pediu-me para ir, e então fomos. Quando lá chegámos, dividimo-nos em dois grupos: um adulto para cada criança. Depois seguimos as crianças pelo museu, e não ao contrário. Eu estava com a de 4 anos e, surpreendentemente, ela não se limitou a entrar por um lado e sair pelo outro: ela queria respostas para as suas perguntas, queria saber de onde eram as coisas, e o que estava acontecendo aqui:


Ele está matando o tigre.

Ir ao seu ritmo não é facil - a tentação é ver as coisas que acho que talvez lhe interessem e chamar-lhe a atenção para essas coisas, mas se fizer isso ela deixa de fazer perguntas, e eu sei que as perguntas são vitais para a sua aprendizagem. Assim:


Uau, espadas. Para que servem?

Fez-me baixar para ler a placa, antes de continuar. E só quer uma ou duas palavras: ainda só tem 4 anos. Se ela quiser podemos voltar quando for mais velha. Talvez quando conseguir ler as placas sozinha. Em casa, o método ou estilo de vida é semelhante. Há muitas coisas para fazer. Ao longo dos anos acumulámos uma enorme coleção de coisas, muito bem organizadas e armazenadas de uma maneira visível e acessível. Eu sempre gostei da ideia de Montessori, de preparar o ambiente (embora o nosso não seja estruturado rigidamente), e também, suponho, daquilo que os unschoolers chamam strewing.

Ontem à noite, por exemplo, a velha caixa de livrinhos saiu do armário:


Fiquei surpreendida quando ela quis fazer esta página de acordo com as instruções.

E às vezes apenas querem fazer um bolo:


e colocar a cereja no topo do bolo :-)

Ou fazer desenhos:


Neste momento adoram desenhar casas

Ou pesquisar qualquer coisa no Wikipedia:


enquanto comem uma pizza...

Ou trabalhar nos manuais


ajoelhadas em cima da mesa de jantar.

Ou muitas outras coisas, como ver amigos, conversar com amigos ao telefone, construir / fazer coisas, ler coisas, desmontar coisas para ver como funcionam, fazer perguntas intermináveis, brincar no campo:


O novo baloiço para as "crianças".

A lista de possibilidades é interminável. O principal é que eu nunca pergunto: "O que é que vocês querem fazer agora?" Porque não preciso. Eles mesmos decidem, tirando ideias de livros, amigos, família, TV, internet, jogos ou simplesmente do ambiente e dos seus próprios pensamentos. E eu não proibo nem limito nada: se quisessem, poderiam jogar no computador o dia inteiro, mas nunca querem. E tento não sugerir actividades porque quando sugiro eles deixam de ser criativos e donos da sua aprendizagem.

Isso não significa que eu não faço nada. Eu possibilito tudo o que querem fazer, tentando nunca dizer "não". Mantenho a casa relativamente limpa e arrumada, para que possam estar protegidos e terem o espaço livre que necessitam. Eu organizo o meu tempo e dinheiro para que eles possam obter o que querem, ir onde querem e fazer o que querem quando querem. Eu respondo todas as perguntas que fazem ou ajudo-os a encontrar a resposta (e as perguntas nunca param, graças a Deus!) E leio muito com eles. Ajudo-os a aprender e até os ensino quando me pedem, embora com moderação.

4 comentários:

orvalho do ceu disse...

Olá, querida Paula
Estive na roça por 7 dias e esse balanço faria um sucesso por lá...
Hoje, estávamos conversando por cel com o netinho que não gosta de ir à escola... prefere o lar e lá aprender muita coisa... vmaos reforçando um meio termo (ele só tem 3 anos e meio)...
Bjs de paz e excelente semana.

Paula disse...

Olá, Orvalho,
Que bom, passar 7 dias na roça... e que bom que o teu netinho exprime o que sente :-)

noemi hiraishi disse...

Paula, Unschooling, Ensino sem Escola. É a melhor tradução que encontrei desde que abracei o John Holt em 1998. A minha filha tinha 5 anos. Ela, hoje com 16, decidiu frequentar a escola com 14 anos.

John Holt, meu mentor pedagógico. Não poderia ter escolhido melhor!

Que mais pais abracem John Holt!

Parabéns pelo blog.
noemi de Sao Paulo, BR.
http://www.proz.com/pro/125411

Paula disse...

Oi Noemi,
Prazer em conhecer :-)

Aqui na Inglaterra, em vez de unschooling, gostam de usar o termo "aprendizado autónomo"...

Quem traduz apercebe-se de todas estas nuances e conotações, não é?