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Quinta-feira, 24 de Março de 2011

A Opressão da Infância

Depois de publicar este post sobre Teresa Graham Brett, unschooler e autora, resolvi traduzir outro artigo dela sobre a opressão da infância. O apelo parece ser o seguinte

tratem os vossos filhos
como gostariam de ser tratados


***

À medida que comecei a investigar as dimensões da nossa experiência como crianças num mundo dominado por adultos, comecei também a perceber a semelhança das nossas experiências de infância.

Podemos vir de diferentes backgrounds e vivências sociais mas, no entanto, a esmagadora maioria de nós, agora adultos, teve experiências comuns durante a infância.

É esta nossa experiência em comum que cria a base para a desigualdade e dominação na nossa sociedade. À medida que fomos crescendo e sendo socializados por indivíduos e instituições, o impacto dos outros factores sociais, tais como o status sócio-econômico, raça, etnia, gênero, orientação sexual, status de habilidade e/ou religião foram se tornando muito mais acentuados.

Podemos ter tido pais e professores amorosos. No entanto, na nossa cultura e sociedade, o paradigma dominante é um em que os adultos controlam as vidas das crianças. Mesmo feito "por amor", esse controle e dominação fundamentalmente destrói o poder das crianças.

Nosso paradigma ensina as crianças a duvidarem de si mesmas e a aceitar que as "autoridades" tomem decisões por elas e lhes digam o que é certo/correto. A necessidade de autonomia e auto-determinação é sacrificada à necessidade de ordem e produtividade. Doutrinação para este tipo de perspetiva é mais fácil se o poder das crianças for negado e ignorado.

A perda da nossa voz e do nosso sentido de autoridade interior durante a infância cria um terreno fértil para as nossas instituições nos ensinarem que o uso do poder sobre os outros é a única forma em que a nossa sociedade pode florescer, ser produtiva e ter sucesso.

Nas margens da nossa sociedade sempre houveram indivíduos e movimentos sociais que desafiaram o paradigma dominante. Isso também está ocorrendo relativamente ao adultismo e ao tratamento das crianças.

As crianças têm um poder pessoal tremendo. Quando elas se mantêm conectadas a esse poder e essa conexão é honrada pelos adultos, elas são capazes de criar vidas autênticas e saudáveis sem sentirem necessidade de usar o seu poder sobre os outros.

Isto não significa que as crianças que estão conectadas à sua autoridade e poder pessoal não vão ficar zangadas, tristes, bater no irmão ou gritar. Mas a necessidade de readquirir a sua voz e autonomia não será satisfeita à custa dos outros à medida que vão crescendo e tornando-se adultas.

Se estamos dedicados a melhorar o mundo é importante contestarmos as injustiças que vemos ao nosso redor. Se fizermos isso mas continuarmos a ignorar a discriminação da infância perderemos a melhor oportunidade para criar uma verdadeira mudança social.

Como mãe, sei que desperdicei essa oportunidade nos quatro primeiros anos de vida do meu filho Martel. Minha vida profissional era dedicada a tentar resolver a desigualdade; no entanto continuava (e por vezes ainda continuo) a perpetuá-la em casa com os meus próprios filhos.

A um nível muito fundamental, se nós criarmos um mundo onde as crianças são empoderadas desde o nascimento, iniciaremos uma revolução em cada criança que irá mudar a sociedade.

Original

Não faças às crianças e aos jovens
o que não gostarias que te fizessem a ti!


Ver também: O Adultismo

Publicado com permissão da autora

1 comentários:

Arca Noe Sec XXI disse...

Concordo totalmente!Grata, Cavalinha =0)