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sexta-feira, 15 de abril de 2011

Blogagem colectiva: a infância

Convidada pela Rute, estou participando na blogagem colectiva sobre as fases da vida, que começou com o nascimento e continua hoje com a infância.

***

O tema deste post é o sofrimento das crianças, ou o sofrimento da infância.

A mensagem é simples


[clicar por favor em cada uma das 3 frases acima]

Os adultos recusam-se a ver. Muitos, sofrendo sem saber de adultismo, nem se apercebem do modo como perpetuam a opressão das crianças, pois fazem-no, claro, "para o seu bem".

O recente massacre escolar no Brasil talvez nos ajude a abrir os olhos e começar ver a escolarização como violência, ou talvez não. Fomos doutrinados e não vemos o que está na cara, por isso ninguém pensa na protecção de menores em risco na escola.

Preferem continuar a perseguição aos homeschoolers (devido em parte ao mito dos especialistas, apesar das provas do contrário que, como sempre, preferem ignorar) com acusações de desamparo e/ou absentismo escolar, ou concentrar suas energias na transformação das escolas em verdadeiras prisões de alta segurança (mais aqui).

Há uns tempos atrás deu-me para pesquisar a realidade escolar. Como na canção Amazing Grace, I was blind but now I see. E agora convido-vos a ver. Para esse fim, deixo alguns exemplos do sofrimento diário das crianças. Se quiserem mais, cliquem nos 3 primeiros links que iniciam este post.

Vila Real: Aluno de 6 anos alvo de bullying
Agredido desde o início da escola - Uma criança de 6 anos tem sido alvo de várias agressões por parte dos colegas, sido atingido na cabeça e nas pernas, a soco e a pontapé. O pai não esconde a revolta: "Isto é uma vergonha. O meu filho anda a ser agredido há meio ano. Tem chegado a casa com hematomas nas pernas, feridas na barriga, ferimentos na cabeça e os professores não dizem nada".

Criança de 10 anos encontrada na escola com sinais de tortura
Ele estava desacordado e com corte na orelha direita, trauma na região lombar e queimadura leve no tórax. Também há a suspeita de que tenha sofrido abuso sexual.

Menino de 9 anos agredido por diretora de escola particular.
A educadora e proprietária do Colégio riscou o rosto, braços e costas da criança. O aluno teria sido colocado de castigo minutos antes da agressão. Ele deveria ficar isolado, olhando para uma parede durante a aula, e foi flagrado pela professora riscando o concreto.

Menina 12 anos agredida na escola por 19 colegas

Aluno agredido teve de ser hospitalizado
Escolas recusam matrícula de menino em cadeira de rodas
Professor-assistente em actos sexuais com crianca de 2 anos
Criança de 8 anos presa por agredir professora

Acordem, por favor, e lembrem-se que o sofrimento nem sempre é visível...

21 comentários:

RUTE disse...

Nem sei o que dizer...
É muito triste essa realidade mas felizmente não é assim em todas as escolas. O caminho, a solução, não pode ser, retirar as crianças das escolas...

Há que fazer algo sim, mas os perigos não estão só nas escolas e não podemos isolarmo-nos da sociedade.

Talvez o que haja a fazer é uma cidadania mais ativa. Os pais participarem mais na escola, obrigarem a mais vigilância...não sei...mas algo tem de ser feito.

A escola tanto tem de bom como tem de mau. É uma pequena sociedade, dentro doutra sociedade. E assim vamos passando de pequenas amostras em pequenas amostras até que chegamos à Sociedade global.

Ganhando defesas e resistências pelo caminho.
Beijinhos,
Rute

Flora Maria disse...

Confesso que estou perplexa com a agressividade reinante, dentro e fora da escola !

O que sei é que os filmes mostram esse mundo de violência e isso é o que todos querem ver atualmente. Até os desenhos infantis apresentam lutas, competições, um mundo feio e triste.

A sociedade atual está assim, só não me pergunte por que. Logicamente as crianças e as escolas fazem parte desse mundo conturbado. Qual a solução ?
Não sei !
Rezar talvez...

orvalho do ceu disse...

Olá, querida

"Então ficaram todas as crianças a sua INFÂNCIA a passar seus anéis azuis de orvalho".

Moro em frente a uma esola... barulho gigantesco até 17h (dia todo) e à noite é um pouco melhor...
Tomar ciência dessas coisas já me é terrível... fico a imaginar se tivesse que vivê-las "na pele"...
Fiquei tão desolada com o que houve aqui no RJ na semana que passou e as notícias do mundo todo de tanta violência na infância... Fico "aterada" em meu emocional...
Relaciono-a a uma nova Paixão...

Hoje, o meu desejo de paz e alegria é para vcs que:

"...estendem o seu conceito
de vida,
e a veem na gota de orvalho".
(Lice)


Obrigada pela sua linda e atual participação...

Orvalho do Céu é uma “Chuva de Néctar da Verdade”... ou Palavras de Deus...

É isso que lhe desejo nesse tempo que estamos entrando...
Uma Abençoada Semana Santa e uma Páscoa extremamente feliz!!!
Bjs de paz e achocolatados

Gina disse...

Infelizmente, após alguns atos tão cruéis como você citou, as pessoas começam a discutir mais sobre a violência e o que fazer para minimizar. Digo infelizmente, porque foi preciso chegar a esse ponto, mas precisamos sim ficar atentos com relação a tudo que nossos filhos/netos contam sobre a escola.
Grata por levantar essa questão tão importante.
Gostaríamos que a infância só gerasse bons momentos para se recordar no futuro, mas essa não é a realidade.
Bjs.

Isabel de Matos disse...

Bom dia, Paula!

Sim, as crianças estão a toda a hora a ser desrespeitadas, violentadas, nas mais ínfimas coisas. Em todo o lado, em casa, em todo o lado. E especialmente, claro, neste inventado sistema prisional chamado escola. Não é uma opinião radical, verfiquemos bem, em tudo a escola é semelhante a uma prisão, também nos átrios das prisões se dão estes actos violentos de uns contra os outros que mostram estas "experiências" que relatas e as outras entre professores e alunos as mesmas que o abuso da autoridade; com a agravante que as crianças não cometeram crime algum para as atirarem para as escolas; o Mundo está cheio de boas intenções, mesmo que tenha sido com a melhor das intenções que eu tenha colocado as minhas filhas mais velhas na escola, a cada dia hoje as vejo debater-se com todas as limitações que isso lhes traz a toda a hora para a sua vida...
Este teu post hoje é uma "terapia de choque"...
Beijinhos
Isabel

Luísa disse...

É verdade o sofrimento nem sempre é visível. A minha filha sofreu em silêncio, até que começou a demonstrar sinais claros de stress profundos durante o sono e em brincadeira com bonecos demonstrou a violência de que estava a ser alvo. Só então nós acordámos!

Nina disse...

sim, sim, vc tem toda razao, crianca sofre e mt!
e precisa de mt amor, atencao e cuidado.

Paula disse...

Queridas, obrigado pelas vossas respostas.

Retirar as crianças das escolas não implica isolarmo-nos da sociedade. Sinto necessidade de dizer isto porque infelizmente muitas pessoas ainda têm esta ideia errada do ensino doméstico.

A expressão "ensino doméstico" ou "educação em casa" deveria ser modificada para algo como "aprendizagem livre", pois não reflete a prática desta modalidade de aprendizagem que liberta as crianças das escolas e as insere no mundo.

Luisa, no teu post descreves isto muito bem: bebés nas creches, crianças nas escolas, velhos em instituições esperando a morte, etc.

Isolarmo-nos da sociedade não é possível, pois vivemos nela. Penso que obrigarem a mais vigilância contribuiria apenas para acostumarem as crianças desde tenra idade a verem o Estado Policial como algo normal.

Será que se fossemos frangos diríamos que a solução não pode ser retirar os pintainhos dos aviários? Somos uma geração de frangos de aviário que se esqueceu do que significa ser livre no campo. Claro, alguns aviários devem ser melhores que outros...

A minha intenção não é criticar quem manda os filhos para a escola, é simplesmente fazer algo para que o sofrimento das crianças nas escolas seja reconhecido.

Como a Gina diz, gostamos de pensar que a infância é a época mais feliz da vida mas infelizmente essa não é a realidade.

Ena, tenho de ir que ainda chego atrasada a uma reunião!

Paula disse...

Acabei de voltar!

Flora: Qual a solução? Eu também não sei! Penso que o principal é ajudar a conscientizar as pessoas e defender os direitos humanos, os direitos da família, a liberdade de educação, e a liberdade em geral, para que alternativas positivas sejam possiveis.

Orvalho, obrigada pelos desejos de paz e alegria. Como tu, também fico desolada com as notícias de tanta violência na infância...

Isabel, quem me dera ver apenas o lado positivo! Ver tanto sofrimento dói, acordar dói! Andar em negação é bem mais fácil!

Pois é, Nina, o que as crianças precisam é muito amor e carinho :-)

Por isso é que os homeschoolers optam por educar os filhos fora da escola tradicional.

Rachel disse...

Concordo com quem diz que nossas crianças estão precisando de mais atenção em casa e na família como um todo... pois aquele que pratica o bullying é tão vítima quanto o que foi agredido.
Só não sei o que se pode fazer, já que sem escola, convívio com os demais ou simples passeios não podem sem postos de lado!
Muito esclarecedor seu post, gostei muito de tudo que li!
Bjuss!!!

Bel Rech disse...

É essa infãncia que nossas crianças estão tendo por aí, mas tem muito dos pais não perceberem isso..Muitos trabalham fora o dia todo e sequer querem saber o que o filho está fazendo..Quinze minutos para ficar com um filho é muito.Penso que esses pais é que precisam urgentemente uma reciclagem total, pois é muito fácil colocar filho no mundo para que uma professora seja sua educadora(tem suas excessões como comentado anteriormente)Quando eu decidi ter filhos, deixei um turno para eles, acompanhar no estudo, na escola, na sua vida.E eles querem atenção, meu marido viaja e dá para perceber quando eles querem chamar a atenção do pai...Complicado!!!Sim, mas com tantas leis protegendo é mais complicado ainda..Filhos sem limites, pois esses que praticam o bullying, certamente são os que não tem limite, amor e atenção.Paz e bem

Paula disse...

Mais uma a optar pelo ensino domiciliar devido ao bullying e violência escolar, desta vez na Nova Zelândia

http://www.hawkesbaytoday.co.nz/local/news/rebuilding-a-life-after-years-of-verbal-abuse/3948421/

Paula disse...

Claro, Rachel, convívio com os demais e simples passeios não podem sem postos de lado!

Como dizes, Bel, muitos pais não se aperceberem dos problemas dos filhos porque trabalham fora o dia todo e chegam a casa estoirados, ainda com muito por fazer, e sem paciência.

Paz e bem :-)

soniaconslt disse...

A escola ensina não educa. Educação se recebe em casa.
E como tem pessoas que não sabem ou ignoram esta tarefa.
Criança não conhece o bem e o mal, elas adquirem o primeiro conhecimento em casa.
E o que aprendem?

Denise disse...

A criança sofre em vários lugares, em casa tb. Já vi muitos casos de mães q não sabiam como lidar com seus filhos. Isso pq a sociedade em q vivemos está doente. São ações inacreditáveis q a pouco tempo atrás não imaginaríamos viver. Muita paz!

Lucinhashomeandgarden disse...

Paula,

A coisa tá feia. Esse é o termo real.
Temos que divulgar essas coisas, fazer apelos desse tipo, para que essa situação possa mudar.
Criança tem que ser amada e respeitada.
Onde já se viu, criança não ter paz dentro de uma escola.
Na minha época, a escola era nossa segunda casa. Um lugar onde aprendiamos, não um lugar que nos trazia medo.
Estou muito preocupada com essa situação que o mundo está passando, e por ser brasileira, meu coração doi demais, em saber que nossas crianças estão a merce dessas coisas.
Linda participação.
beijos

Paula disse...

Sonia,
É complicado. Quando pai e mãe precisam de trabalhar a tempo inteiro para sobreviver às vezes nem têm tempo para se coçar! E se tentam educar os filhos, tendem a reproduzir o relacionamento autoritário que assimilaram em criança, ajudando assim a perpetuar este sistema disfuncional.


Denise,
Sim, é verdade, a sociedade em que vivemos está doente. Por que insistimos tanto em manter o status quo quando vemos que o resultado é este?


Lucinha
Na minha época, a escola também era a minha segunda casa, e embora já existissem casos de bullying e jovens a consumir e vender drogas, o ambiente não era tão perigoso como hoje. E os casos que aparecem nas notícias são apenas a ponta do iceberg!

Zilda Santiago disse...

Este exemplo da criança da criança de 9 anos riscada no rosto foi em minha cidade,a que moro,Carpina-Pe,eu vi as fotos com a vó do garoto e o próprio que mandaram pro Centro pra fazer tratamento espiritual como se a culpa fosse dele,e eu disse a vó que quem tinha de ir fazer tratamento era a professora.Estou com o nome de uma garota aqui também sofrendo agressões na escola,e qdo disse que ia falar com a prof. ela não quis e começou a chorar com medo,pq esta a culparia,mas eu irei sim.Parabéns pelo texto.Espero-a em meu blog que está fazendo dois anos e com uma promoção para os amigos!!!Bjssssssss

Maria Luiza disse...

Como professora no tempo em que a escola era nosso segundo lar, dói-me profundamente saber que hoje, alunos matam professores, espancam professores, xingam professores, pais que enfrentam professores e por aí vai. Na escola infelizmente tudo tem acontecido. Que transformação, meu Deus!! Qual será a solução? Bjbj!!

Luma Rosa disse...

Nossa, juntando todas as negativas notícias sobre as escolas, fica bastante assustador!
Não sei se tirar as crianças da escola seria a solução, se a violência vem da própria casa. Uma pessoa não nasce violenta ou pacífica - o ambiente faz sobressair uma característica ou outra. As crianças chegam nas escolas com uma bagagem de suas casas, então, penso que não devemos botar a culpa somente nas escolas.
Boa blogagem! Beijus,

Virginia Jesus Fassarella disse...

Estou te enviando este comentário chorando... Você foi no amâgo da questão, o que fazermos para impedirmos tanta atrocidade contra as crianças? Quando Jesus disse venha a mim as criancinhas, era sobre o amor que Ele falava, mas, nós com a nossa grande ignorância, não entendemos. O que nos resta agora é fazermos a nossa parte, tratarmos cada criança do nosso convívio ou não com amor, apenas com amor. Você tem toda razão de estar indignada, acho que o mundo todo está. Beijos.