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sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Autonomia Como Objetivo Na Educação

Autonomia Como Objetivo Na Educação, por Ana Paula Salvador Werri e Adriano Rodrigues Ruiz Vale - vale a pena ler, por isso deixo aqui um trecho.

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A escola, com toda sua autoridade consegue transformar seus “subordinados” (alunos) em sujeitos passivos. Ela consegue impor suas idéias sem contestações, ensinando às crianças desde o principio a absorver e repetir suas lições, tão bem que se tornam incapazes de pensar coisas diferentes. Tornam-se ecos das receitas ensinadas e aprendidas. Tornam-se incapazes de dizer o diferente (Rubem Alves: 1994, 27).

As crianças são educadas para servir a sociedade, para mais tarde exercerem uma profissão que promete preencher suas vidas e realizá-las como seres humanos. Na realidade, o que acontece é bem diferente, essas crianças educadas com técnicas para formar técnicos nas mais diversas áreas, tornam-se frustradas, sofrendo com seus conflitos ou então sendo tão ocupadas que esquecem delas próprias. Os homens sabem construir grandes máquinas, avançam na medicina, descobrem segredos da natureza e do universo, mas são incapazes de se compreender e compreender o outro. Pois para isso não existem receitas e tais coisas nunca foram ensinadas na escola.

O que a escola faz, segundo Nitzesche “é um treinamento brutal, com o propósito de preparar vastos números de jovens, no menor espaço e tempo possível, para se tornarem usáveis e abusáveis, a serviço do governo”, mas Rubem Alves modificaria sua última afirmação dizendo que ao invés de “usáveis a serviço do governo”, diria “usáveis e abusáveis a serviço da economia” (ALVES: 1994, p.21).

A educação formal limita as possibilidades de fantasia e de liberdade criativa. Dá respostas certas, anulando a experimentação e a formulação de hipóteses pelas próprias crianças. Ignorando o fato de que as crianças pensam e que devem ser estimuladas a isso, talvez pela falta de tempo, pelas exigências curriculares, ou pelo despreparo dos professores. Não importa o motivo, o que constatamos que a escola segue padrões, ignora as diferenças individuais, as diferenças regionais e o histórico de vida de cada aluno, sendo extremamente autoritária. Como verificamos nesta afirmação de Reimer:

As escolas são obviamente, planejadas para evitar que as crianças aprendam o que realmente as interessa, assim como servem para ensinar-lhes o que devem saber. Daí resulta que a maioria delas aprende a ler mas não aprecia a leitura, aprende seus algarismos e detesta a matemática, se tranca nas salas de aula e aprende o que bem entende nos saguões, pátios e lavatórios (1979: p. 151).

Devido a esse tipo de educação encontramos jovens e adultos sem iniciativa, meros reprodutores, pessoas com dificuldade de integração e cooperação.

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