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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

O que nos ensinam as crianças diagnosticadas com TEA ou síndrome de Asperger?

Ontem foi o segundo dia do curso de formação sobre o espectro autista. Infelizmente, não ouvi nada de novo, apenas o habitual papaguear de teorias, hipóteses e especulações, apresentadas na sua maioria como se fossem factos...

Fiquei a pensar
e se, em vez das velhas e cansadas apresentações sobre "o que dizem os profissionais e os especialistas", refletissemos sobre "o que as crianças, jovens e adultos diagnosticados com a síndrome do espectro autista nos podem ensinar?"
Eu, por exemplo, vejo que estas crianças e jovens podem

1. ajudar-nos a reconhecer a violência inerente na escolaridade obrigatória e nas disfunções do actual sistema de saúde;*

2. ajudar-nos a reconhecer o nosso próprio adultismo;

3. ajudar-nos a reconhecer a nossa própria insensibilidade e falta de empatia, que inconscientemente projetamos neles;

4. ajudar-nos a ver a agressividade do condicionamento e a banalidade e relatividade das regras culturais, e a violência inerente na nossa tentativa de forçá-las nos nossos filhos;

5. ajudar-nos a descobrir formas mais eficazes de comunicar, para além das palavras;

6. ajudar-nos a confrontar nossa própria falta de empatia, sensibilidade e paciência, e a respeitar o ritmo de desenvolvimento de cada criança;

7. despertar-nos para a actual 'guerra' contra os introvertidos e/ou tendência para a patologização do amor natural que sentem pela solitude e contemplação silenciosa;

8. ajudar-nos a compreender a importância da neurodiversidade - porque tal como a biodiversidade é uma das maiores riquezas do planeta e a melhor medida da saúde dos sistemas biológicos, a maior riqueza da humanidade é a nossa unicidade;

9. despertar-nos para o facto de que o seu comportamento "agressivo" é causado pelo medo e ansiedade;

10. e que esse medo e ansiedade resultam das nossas tentativas de os moldar consoante os ditames dos supostos "especialistas" e das teorias por eles actualmente preferidas e/ou disseminadas.

* Como partilhei neste post, cerca de 65 - 70% dos participantes educa os filhos fora da escola (nem eu esperava que fossem tantos!). Infelizmente, a maioria destas famílias parece ter optado pela educação em casa não por inspiração mas por desespero. Ontem, por exemplo, um dos temas foi "como ajudar crianças e jovens a recuperar a auto-estima destruida na escola?"

2 comentários:

Sara disse...

Concordo, estou a acabar a minha licenciatura em Psicologia Clinica Moçambique..E este ano todo estive a estagiar num centro com duas crianças autistas...para fazer o meu relatorio final do curso, e sinceramente acho estas crianças super especiais, e que a maior parte do tempo eu aprendo mais com elas do que elas comigo :) ainda sou muito nova nesta matéria do autismo e crianças com necessidades especiais, e tenho pesquisado bastante, o seu blog fez muito sentido para mim. Obrigada por partilhar!

Paula disse...

Oi Sara,
Obrigada pela visita e pelo comentário :-)