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sábado, 12 de novembro de 2011

Um dos comentários no facebook fez-me pensar

"Eu estou vendo que a missão de vocês é "informação sobre o ensino doméstico ou educação domicilar", mas todos os posts estão sobre negatividades nas escolas "drogas, violência, abuso..."

A observação foi correcta: a grande maioria dos primeiros posts foram na verdade citações e notícias recentes sobre o aspecto destrutivo do actual sistema escolar. Porquê focalizar nas negatividades das escolas "drogas, violência, abuso..."? Boa pergunta.

Infelizmente, este é um dos motivos que leva muitos pais a considerar o ensino domiciliar (falei sobre este tipo de motivação extrínseca aqui).

Há quem diga que existem dois tipos de pessoas: 1) pessoas mais conscientes da negatividade, que são motivadas a agir pelo desejo de escapar situações negativas; e 2) pessoas atraidas por uma visão positiva, que sabem o que querem e concentram todas as suas energias em transformar essa visão em realidade. Eu devo estar algures no meio pois vejo sempre os dois lados.

Geralmente, quando leio as notícias sobre a violência escolar, primeiro sinto-me indignada, porque adorava viver numa sociedade em que todas as crianças tivessem a oportunidade de aprender num ambiente seguro, em paz, harmonia e liberdade. Depois, sinto uma tristeza enorme, porque sinto o sofrimento dessas crianças e famílias, desesperadas, sem saber o que fazer - "afinal, a escolaridade não é obrigatória? E se não mandar o meu filho para esse inferno escolar não vou acabar sendo denunciado, processado, multado, criminalizado?"

Sei também que muitas dessas crianças estão completamente sozinhas no seu sofrimento porque ainda existem pais que pensam que a escola é como era, e não fazem a menor ideia do que os filhos lá passam. Aí sinto necessidade de fazer algo, de contribuir para o seu bem estar. Por isso tento conscientizar as pessoas para a realidade da violência escolar e para possiveis alternativas, como o ensino domiciliar.

Para as pessoas mais esclarecidas, que sabem da existência desta forma alternativa de educar os filhos e têm a coragem e confiança necessárias para tomar responsabilidade pela educacão dos filhos em países em que o ensino doméstico é praticamente desconhecido, tento apoiá-las traduzindo e partilhando notícias de todo o mundo para que, nos momentos em que se sentem verdadeiras "minorias", se lembrem de que não estão sós, que fazem parte de um movimento global - por isso tento partilhar notícias de todo o mundo, e não apenas a minha experiência pessoal. Seguir uma visão positiva apresenta os seus desafios numa sociedade que tanto nos pressiona a encaixar num só modelo: o modelo por ela sugerido. Somos, afinal, todos iguais, e até os mais corajosos e positivos têm dias dificeis!

A comunidade do ensino domiciliar precisa de apoio. Parte deste apoio é prático: planejar encontros, actividades, e congressos em várias regiões. Mas temos que ser nós, todos nós, a dar esse apoio uns aos outros; cada um dentro da medida que lhe for possivel, claro, mas temos que ser todos nós. Obrigado :-)

1 comentário:

Ana Paula disse...

Excelente post, faz-nos refletir. A princípio ao lado da negatividade, que infelizmente existe e muitas vezes é maior do que imaginamos. Mas há escolhas focadas em situações positivas. Cheguei a pouco no blog. Quero conhecer histórias, as boas também!
Abraço

abindoclareiras.blogspot.com