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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Ensino doméstico no wikispaces

Que dizem a isto?
Questões suscitadas pelo ensino doméstico

Perigo do desenvolvimento de sociedades paralelas, através da formação de redes (blogs, associações, etc.) entre os encarregados de educação e outros defensores desta modalidade de ensino, que não se coadunam com os valores de cidadania da comunidade


Todas as famílias homeschoolers que conheci estão completamente integradas na comunidade em que vivem e a sua participação activa contribui de forma positiva para a sociedade. No entanto, muitas são perseguidas por um aparato que não tolera a diversidade, muito menos a liberdade de educação! Afirmar que os encarregados de educação e outros defensores do ensino doméstico não se coadunam com os valores de cidadania da comunidade é falso, difamatório e ofensivo.

E se fosse outra minoria? Por exemplo

Questões suscitadas pelo vegetarianismo

Perigo do desenvolvimento de sociedades paralelas, através da formação de redes (blogs, associações, etc.) entre os vegetarianos e outros defensores desta modalidade alimentar, que não se coadunam com os valores de cidadania da comunidade

ou...

Questões suscitadas pela homossexualidade

Perigo do desenvolvimento de sociedades paralelas, através da formação de redes (blogs, associações, etc.) entre os homossexuais e outros defensores desta modalidade sexual, que não se coadunam com os valores de cidadania da comunidade

ou...?

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Imaginem um mundo onde ...

todos os vegetarianos são obrigados a se registrar com as direcções regionais de alimentação e informá-las sempre que mudarem de casa; um mundo em que os vegetarianos são sujeitos a uma visita anual por parte de um inspector da indústria da carne cujo objectivo é avaliar os seus planos alimentares e verificar se estão em conformidade com as demandas do governo; um mundo em que os inspectores têm o direito de interrogar os filhos das famílias vegetarianas na ausência dos pais para saber se estão felizes com a sua dieta vegetariana.

Não precisam usar a vossa imaginação - esta é a realidade. Estas medidas foram propostas pelo governo britânico há dois anos, não para os vegetarianos mas para as pessoas que fizeram a escolha legítima de educar os filhos fora do sistema escolar. Felizmente, os vegetarianos do Reino Unido uniram-se e as propostas não foram avante. Mas os vegetarianos sabem muito bem que a indústria da carne não desiste facilmente, por isso continuam unidos e atentos a possiveis ataques.Agora imaginem um país em que o vegetarianismo é considerado crime, um país em que as crianças são obrigadas a comer apenas a dieta imposta pelo governo, e apenas em cantinas públicas ou aprovadas pelo governo; um país em que os pais vivem com receio de serem denunciados por não obrigarem os filhos a comer a dieta do Estado nas cantinas públicas.

Não precisam usar a vossa imaginação - a situação no Brasil, não para os vegetarianos mas para as pessoas que optam pelo ensino domiciliar, faz com que muitos pais tenham receio de educar os filhos fora do sistema escolar. Não é de admirar; na Suécia, por exemplo, chegam ao cúmulo de mandar os serviços sociais tirar os filhos dos pais e submetê-los a avaliações psicológicas!

Adaptado daqui.

A união faz a força.
Chegou a hora de apoiar a liberdade de educação!

sábado, 7 de maio de 2011

HSLDA defende o ensino doméstico para crianças com problemas de saúde

Para as crianças que sofrem de problemas crônicos de saúde, o ensino doméstico oferece muitas vantagens. No entanto, às vezes, a doença pode ter consequências para além do centro de saúde. A filha dos Dowds (nome alterado para proteger a privacidade) estava matriculada numa escola pública mas, por causa da mononucleose, não podia comparecer.

Um sinal característico da mononucleose é o aumento do baço, chamado de esplenomegalia. Quando este ocorre, é necessário manter repouso, devido ao risco de ruptura esplênica.

A pediatra recomendou o ensino doméstico devido à sua flexibilidade e por não obrigar a menina a sair de casa. Quando foram encaminhados para o Departamento de Crianças e Famílias por causa do absentismo escolar, a família viu que precisava de fazer algumas mudanças. Decidiram educar a filha em casa e juntaram-se à HSLDA.

O distrito escolar tinha referido os Dowds para o Departamento de Crianças e Famílias devido às ausências da filha por motivo de doença. No entanto, os assistentes sociais devidamente determinaram que a filha estava doente e que não se tratava de uma situação de negligência. No entanto, quando o distrito escolar se apercebeu que a intenção da família era praticar o ensino doméstico, exigiu requisitos adicionais. A família pediu então ajuda à HSLDA.

O advogado Michael Donnelly contactou o distrito escolar e informou-os que a documentação que os Dowds haviam enviado era suficiente perante a lei. A família depressa recebeu uma carta aprovando o programa que haviam escolhido para o ensino doméstico.

***

Outro membro da HSLDA tinha uma filha com a doença de Lyme. A família havia sido investigada várias vezes por causa de familiares que não concordavam com o ensino doméstico. Contudo, a "denuncia" mais recente foi feita por um funcionário dos serviços médicos que queria que a menina fosse para a escola por "razões sociais", e acusando a mãe de "patologizar" a filha com demasiadas visitas ao médico. Apesar da menina estar a ser tratada por um especialista de Lyme e ter sido diagnosticada com Lyme, os assistentes sociais continuavam o seu processo de "avaliação da família", estressando a família.

A doença de Lyme é uma condição perniciosa e pouco conhecida. A HSLDA contactou o Departamento de Crianças e Famílias e ajudou a acelerar o encerramento da investigação, aliviando assim a família.

Essas histórias mostram que o ensino doméstico é uma opção válida para as crianças que sofrem de doenças crônicas. O apoio da HSLDA ajudou estas famílias a manter a confiança para começar e continuar a educar os filhos a partir de casa face aos problemas causados por pessoas mal informadas ou hostis.

Original

quarta-feira, 23 de março de 2011

O Adultismo

Publiquei recentemente este post sobre Teresa Graham Brett, unschooler e autora. Estive a dar uma olhada no site dela e resolvi traduzir o artigo sobre o adultismo.

Fiquei a pensar que o unschooling, especialmente o unschooling radical, é provavelmente uma das poucas formas de educação não-adultista! Aqui vai então o artigo, espero que gostem.

***


O adultismo é um produto do sistema de opressão. Como o relacionamento pai-filho e adulto-criança define a nossa existência e o nosso mundo desde o nascimento, eu diria que o adultismo permite a perpetuação de todas as outras formas de opressão (sexismo, racismo, heterossexismo, etc).

Em seu artigo Adultos como aliados, Barry Checkoway define o adultismo como "... todos os comportamentos e atitudes que partem do pressuposto de que os adultos são melhores do que as crianças e têm o direito de agir de várias formas sobre elas sem obterem o seu consentimento."

Ele continua, dizendo que,

Excepto os prisioneiros e uns quantos grupos institucionalizados, a vida das crianças e dos jovens é mais controlada do que a de qualquer outro grupo da sociedade.

Além disso, os adultos acham-se no direito de punir, ameaçar, bater, retirar 'privilégios' e ostracizar as crianças e os jovens a fim de os controlar ou "disciplinar".

Se esta fosse a descrição da forma como um grupo de adultos é tratado, a sociedade depressa reconheceria este tipo de comportamento como uma forma de opressão. No entanto, os adultos geralmente não consideram o adultismo como opressivo porque esta foi a maneira como foram tratados durante a sua infância; o processo foi internalizado.

A essência do adultismo é que as crianças e os jovens não são respeitados. Em vez disso, são consideradas menos importantes e, de certa forma, inferiores aos adultos. Os adultos não confiam nas suas capacidades de se desenvolverem corretamente e por isso acham que as crianças devem ser ensinadas, disciplinadas, castigadas, orientadas e preparadas para o mundo dos adultos.

A libertação das crianças e jovens requer a participação activa dos adultos. Um bom ponto de partida é analisar e compreender como nós - os adultos de hoje - fomos maltratados e desvalorizados quando éramos crianças e jovens, e como isso agora nos faz agir de uma maneira adultista.

Geralmente não se escreve muito sobre o adultismo no contexto da parentalidade. Quando o conceito é debatido, o termo adultismo é frequentemente utilizado em artigos que descrevem formas de empoderar adolescentes e jovens adultos. Raramente é usado em relação às crianças mais novas. Quando as crianças atingem a adolescência geralmente já passaram por uma década ou mais de dominação e controle por parte dos pais, professores e dos sistemas sociais que reforçam esse paradigma autoritário.

A natureza da relação entre as crianças e os pais (ou adultos) requer muitos cuidados por parte dos adultos. Muitas vezes, esta função de cuidar obscurece as formas em que nós, pais, perpetuamos o adultismo. Desde tenra idade vemos o nosso papel como o de assegurar a segurança e a saúde dos nossos filhos. Para sobreviver e crescer, as crianças precisam de nós. O facto de que elas podem não ser verbalmente hábeis pode interferir com a nossa capacidade de ver os nossos filhos como sendo plenamente humanos e fazer-nos pensar que precisamos de os controlar para seu próprio bem.

As formas em que perpetuei o adultismo foram (e às vezes ainda são) variadas e geralmente subtis. Eu certamente não as reconheci como tal durante os primeiros 5 anos da vida do meu filho e mesmo agora, quando sou opressiva, nem sempre vejo que isso está acontecendo. Rotular esta relação de controlo em termos que nos desafiam a ultrapassar as nossas suposições de que os adultos são melhores ou superiores às crianças pode ajudar-nos a entender a forma como usamos o nosso poder para controlar e, ultimamente, magoar as crianças.

Original
Ver também: A Opressão da Infância
Publicado com permissão da autora

***

Para refletir


O que é o adultismo?

Quais são as consequências do adultismo para os indivíduos e para a sociedade?

Em que tipo de situações te achas no direito de punir, ameaçar, bater, retirar 'privilégios' e ostracizar os teus filhos a fim de os controlar ou "disciplinar"?

De que formas foste maltratada e desvaloriza quando eras criança?

De que forma perpetuas esse tipo de tratamento?

Se és professor/a, ou educas os teus filhos fora da escola, de que forma perpetuas o adultismo no campo do ensino-aprendizagem?