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segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ensino doméstico: uma bola de neve

Mais uma tradução livre e parcial de um artigo sobre o ensino domiciliar nos EUA:

Quando a Annabelle, de 7 anos, estuda frações e a conversão de litros em decilitros, ela vai com a mãe para a cozinha e começa a cozinhar. Para a lição sobre as lagartas, as duas vão observar directamente os bichinhos no quintal. Annabelle aprende em casa; isso significa que a "escola" é em casa.

No ano passado Angela decidiu educar a filha, que se tornou numa das muitas crianças que decidiram abandonar a escola - pública e/ou privada - para aprender em casa.

No ano lectivo que passou, só na Flórida foram cerca de 4.300 as crianças que começaram a ser educadas em casa - de acordo com um relatório recente do Departamento de Educação este foi o maior aumento desde 2005, elevando o número total de homeschoolers na Flórida aos 60.913.

No Lake County, a subida foi ligeira no ano passado mas estimativas recentes mostram um grande aumento neste ano lectivo. No início deste mês, Lake tinha 1.508 alunos matriculados no ensino doméstico - em vez dos 1.245 de Janeiro passado, disse Jay, que supervisiona o departamento encarregado pelo monitoramento dos números de homeschoolers no Estado. Isso corresponde a um aumento de 21% em Lake. Porém, não se sabe bem o que está causando esta verdadeira bola de neve.

Ninguém tem estudado este fenómeno recente, que está ocorrendo em todo o lado. Líderes educacionais dizem que é provável que a economia esteja por trás disto. Com a recessão económica muitos pais já não se podem dar ao luxo de mandar os filhos para escolas particulares. Mas como não querem os filhos em escolas públicas, resolvem educá-los em casa.

Durante anos, uma das principais razões por trás do ensino doméstico foi a insatisfação com as escolas públicas - e isso não mudou, disse um funcionário da Associação de Pais Educadores da Flórida. Mas também já ninguém estranha a educação domiciliar.

Antes o homeschooling era visto como uma opção escolhida principalmente por comunidades religiosas mais conservadoras ou por hippies mais libertários. Mas hoje, dezenas de milhares de famílias de várias origens étnicas, econômicas e religiosas educam seus filhos em casa.

O acesso cada vez maior a programas educacionais na internet e grupos de apoio aos pais online tornou o ensino doméstico mais fácil e menos intimidante. E estudos provam que as crianças educadas em casa têm melhores resultados acadêmicos, devido em parte à atenção pessoal que recebem.

Esse tipo de arranjo é mais acessivel em termos financeiros para as famílias que apreciam o ambiente das escolas privadas. Alguns pais, contudo, escolhem o homeschooling porque estão descontentes com as escolas públicas.

Gary Weaver, presidente da Associação de Pais Educadores da Flórida, disse que muitas famílias estão cansadas de lidar com os problemas das escolas públicas, que estão completamente fora do seu controlo, como a indisciplina, a violência escolar e as drogas.

Podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Economia da generosidade II - Freeconomy

Hoje vou falar da visita a Eastside Roots, uma cooperativa com fins não lucrativos fundada pelo grupo de Permacultura de Bristol.

É um projecto interessante, organisado pela comunidade para a comunidade, de renovação de uma zona abandonada situada à beira de uma estação de comboios. As pessoas reuniram-se e depressa transformaram o espaço num centro de jardinagem, horticultura e várias outras coisas, aberto a todos, incluindo aos que querem partilhar aquilo que sabem, o que me leva ao motivo que levou à visita do local.

Como sabem eu sou fã da economia da generosidade. Há vários nomes para o movimento: economia alternativa, economia solidária, etc. E ontem, Mark Boyle, fundador da freeconomy community, foi ao Eastside Roots falar sobre a economia grátis, e explicar como é que ele consegue viver sem dinheiro e a filosofia por trás da decisão.

Freeconomy, ou economia grátis, é ainda mais radical do que os outros sistemas alternativos, que se baseiam em trocas, em que se dá mas com a expectativa de receber algo em troca. Aqui a ideia é dar sem expectativas, dar apenas pelo prazer de dar. É um movimento baseado no ideal de pay it forward, como no filme Favores em Cadeia (no Brasil, Corrente do Bem), em que se eu te fizer um favor e quiseres retribuir, então eu peço-te para ajudares alguém que esteja precisando de ajuda.

Marc tem um background em economia e gestão de empresas mas quando arranjou um emprego numa fazenda orgânica (agricultura biológica) a sua vida mudou. Começou a ficar consciente da devastação ecológica e humana causada pelo consumismo e pela busca do lucro. E quando se apercebeu dos malefícios do capitalismo, da globalização e do sistema monetário, resolveu seguir o exemplo de Gandhi e fazer da sua vida a sua mensagem. Há 7 meses que vive sem dinheiro, ajudando sempre que pode e confiando que as suas necessidades serão satisfeitas.

E como o tema principal deste blogue é o ensino doméstico não posso deixar de mencionar a faceta educativa, porque tanto Eastside Roots como Bristol Freeconomy Community organisam "aulas" semanais, completamente grátis, abertas a todos, dadas gratuitamente por quem as quiser dar.

E para acabar, um link: o filme La Belle Verte.

sexta-feira, 5 de junho de 2009

Economia da generosidade

Hoje não parámos. Lembram-se do vasinho com a beterraba?

Agora já estão desentrelaçadas e em vasilhas biodegradáveis individuais, prontas para o plantio.

Mas hoje quero falar um pouquinho da economia da generosidade. Passamos a vida a dar e a receber e às vezes nem estamos conscientes disso, nem nos lembramos que o universo nos dá o sol, e que o planeta nos dá o solo, o ar, a água e tudo aquilo que precisamos. E as pessoas? Quantas vezes reconhecemos a sua generosidade?

Tudo que vêem aqui foi dado. Através do freecycle, a Mandy ofereceu todas estas plantinhas. Depois de nos ter dado tantas, mandou outro email e ofereceu ainda mais!

São cenouras, couves, beterrabas, milho, couves de bruxelas, brocolos, ervilhas e outras surpresas... As bandejas também foram dadas, umas pela Mandy, outras pelo Riverside Garden Centre, que oferece as usadas a quem as quiser reutilizar.

Estes vasinhos, empilhados uns nos outros, também foram dados,

a maioria deles por um centro de jardinagem, Cleeve Nursery, que encoraja os clientes a reciclar e reutilizar os que já não precisam.

Depois destas andanças todas, na horta, uma senhora que conheci esta semana ofereceu-me uma série de revistas de jardinagem. Conversou comigo, deu-me atenção, dicas, encorajamento. Deu-me tempo, companhia, amizade, empatia. Incrivel, não é?

Talvez um dia os governos comecem a usar o exemplo do Butão, que mede a riqueza e o desenvolvimento do país usando o índice da Felicidade Interna Bruta (FIB), ou seja, a felicidade e o bem-estar dos indivíduos que, é claro, depende não só da inteligência emocional como também da inteligência ecológica.

Deixo-vos com as palavras de Leonardo Boff:

"A felicidade e a paz não são construídas pelas riquezas materiais e pelas parafernálias que nossa civilização materialista e pobre nos apresenta. No ser humano ela vê apenas o produtor e o consumidor. O resto não lhe interessa. Por isso temos tantos ricos desesperados, jovens de famílias abastadas se suicidando por não verem mais sentido na superabundância. A lei do sistema dominante é: quem não tem, quer ter; quem tem, quer ter mais; quem tem mais, diz: nunca é suficiente.

Esquecemos que o que nos traz felicidade é o relacionamento humano, a amizade, o amor, a generosidade, a compaixão e o respeito, realidades que valem, mas não têm preço. O dramático está em que esta civilização humanamente pobre está acabando com o planeta no afã de ganhar mais, quando o esforço seria o de viver em harmonia com a natureza e com os demais seres humanos."

segunda-feira, 23 de março de 2009

Ensino doméstico, economia solidária e moedas locais

Seguindo o tema da prática do ensino doméstico e seu custo financeiro, hoje quero falar do LETS porque, para pais-educadores e filhos que aprendem fora da escola, este é um óptimo sistema para se ter acesso às mais variadas formas de conhecimento sem se gastar um tostão.

Mas então
o que é o LETS? LETS é o acrónimo de Local Exchange Trading Scheme. Não sei bem como traduzir para o português: já vi traduzido como Sistemas Locais de Emprego e Comércio mas não gosto nada dessa tradução. Comércio significa troca de valores ou de produtos com o fim de obter lucro e o objectivo do LETS não é o lucro, muito pelo contrário, trata-se de uma espécie de economia gratuita baseada na generosidade e no desejo que todos temos de contribuir para o bem de todos. E emprego... essa palavra também não se enquadra nada bem aqui.

O LETS é um sistema de trocas a nível local que possibilita a partilha de talentos, produtos, serviços ou conhecimentos em determinada comunidade sem o uso de dinheiro. No Reino Unido há mais de 650 sistemas destes, cada um com a sua moeda local. Estes esquemas fortalecem o espírito comunitário pois aproximam as pessoas umas das outras.

Quando morei em Bath, fiz parte do Bath LETS, e mais tarde, quando fui para Somerset, juntei-me ao Taunton LETS e ao Wellington LETS. Agora que vim viver para Bristol estou no processo de me juntar ao Southville LETS. É muito simples: telefonei à coordenadora (encontrei o contacto dela na internet) e disse-lhe que me queria juntar ao sistema. Perguntou-me o nome e a morada e enviou-me este folheto pelo correio.

Na parte de trás, o folheto explica o que é o LETS e como funciona: depois de preenchermos e enviarmos a ficha de inscrição - nome, morada, contacto, lista de ofertas e pedidos, e seis euros (3 para os desempregados) para cobrir os custos administrativos anuais -, mandam-nos uma "caderneta de cheques" e um livrinho, uma espécie de lista telefónica, onde estão listados os vários membros, aquilo que oferecem e o que gostariam de receber. Eu, por exemplo, posso oferecer aulas de piano, educação musical e português. Em troca, receberei 5 squids por hora.

A moeda local só é obtida através de trocas: só depois de ajudar alguém é que poderei depositar squids na minha conta. Se precisar de algo, por exemplo, aulas de japonês para o meu filho, vou ao livrinho, e se alguém as estiver oferecendo, é só telefonar e negociar o "preço", em unidades locais de troca (ou moeda local) - neste caso, squids. Em Bath seriam olivers... em Somerset, tones...

A minha conta vai começar em zero, mas não preciso de ganhar squids antes de os poder gastar, pois estarei a ajudar outra pessoa a contribuir para o sistema. Quando começar a receber "cheques", terei de os enviar para a coordenadora, que anota as transações entre os membros.

Hoje fico por aqui mas estejam à vontade para fazer perguntas.

Aqui ficam uns links para quem estiver interessado:
A nova economia das redes solidárias
O renascimento de moedas regionais