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sexta-feira, 24 de junho de 2011

Educação compassiva, baseada em valores éticos

Os nossos filhos aprendem com o nosso exemplo, e acabam por fazer o que fazemos, e não o que lhes dizemos. Se queremos proporcionar aos nossos filhos uma educação compassiva, baseada em valores éticos, temos que demonstrar o que isso significa na prática. Por isso tento "ser a mudança que quero ver no mundo", como dizia Gandhi. Embora falhe tantas vezes, continuo a tentar, e isso é outra lição importante!

Se quiserem, agora podem-se juntar a mim e ajudar as crianças tibetanas refugiadas na India. Deixo aqui um convite a todos para contribuirem com uma doação que irá directamente para a Aldeia SOS em Bylakuppe, na India. Se quiserem saber mais sobre este meu projecto e/ou se estiverem interessadas em colaborar, cliquem por favor neste link.

Obrigada :-)

terça-feira, 15 de março de 2011

Blogagem colectiva : As fases da vida

Convidada pela Rute, estou participando na blogagem colectiva sobre as fases da vida, começando hoje com o Nascimento.

***

Dizem-me que nasci há 44 anos. Digo-vos que nasço todos os dias, que renasço a cada momento. Recentemente, num grupo de prática da comunicação não violenta, alguém desabafou: como gostaria de viver numa sociedade com um maior nível de literacia emocional!

Numa sociedade em que, em vez de juízos de valor, aprendemos a comunicar o que observamos; em vez de darmos opiniões, exprimimos os nossos sentimentos; em vez de esperarmos que os outros concordem as nossas estratégias, estamos conscientes das necessidades subjacentes, e em vez de fazermos exigências e ameaças, arriscamos fazer pedidos, mesmo sabendo que a resposta pode ser um "não".

Na escola nada aprendemos sobre o nosso mundo interior. Ninguém nos ensina a conectar com "o reino de Deus" que está dentro de nós. Ninguém nos alerta para este mundo de sensações, pensamentos, sonhos, fantasias, emoções e necessidades. O resultado é que vamos crescendo desconectados e alienados de nós mesmos.

A conclusão a que eu cheguei é que se eu não estiver consciente das minhas necessidades como poderei satisfazê-las? As crianças aprendem com o exemplo; fazem o que fazemos, e não o que dizemos. Por isso, se queremos que os nossos filhos aprendam a cuidar de si emocionalmente, temos que dar o exemplo.

O processo começa por estarmos conscientes dos nossos sentimentos, porque são eles que nos indicam o que estamos precisando. Sabendo aquilo que precisamos, podemos então pensar em várias maneiras de satisfazer essas nossas necessidades humanas. E quando nos familiarizamos com este processo, quando vivemos conectados com aquilo que está vivo em nós, desenvolvemos a nossa capacidade de empatia e tornamo-nos capazes de ajudar os nossos filhos a desenvolver sua inteligência emocional.

Quando fazem uma birra, em vez de berrarmos "cala a boca!", ou "pára lá com isso, que já me estás a irritar!", podemos dizer "estás triste porque precisas de brincar?", ou "estás zangada porque precisas de atenção e carinho e eu ando sempre ocupada?", e assim por diante...

Com este tipo de intervenção ajudamos os nossos filhos a identificar as suas emoções, a compreender a ligação entre os sentimentos e as necessidades que revelam, e a comunicar de uma maneira muito carinhosa. E como todos nós adultos vivemos com a nossa criança interior, podemos aprender a ouvi-la e amá-la como deve ser!



Deixo-vos um vídeo - espero que vos inspire a conectar com todas as vossas necessidades, e com as dos vossos filhos, pois nem só de pão vive o homem. Também precisamos cuidar da alma, do espirito, do coração!

Lembrem-se: a gente nasce todos os dias, amanhã é um novo dia, para vocês, e para os vossos filhos. O passado já passou, não passa de uma memória. Não percam tempo com auto-censuras. Ninguém é perfeito.

Em vez disso, tornemos realidade os nossos sonhos. A gente faz-se e refaz-se. Dia novo, vida nova! É só querer renascer! E com o renascer de cada uma de nós contribuimos também para o nascimento de uma nova sociedade :-)

domingo, 27 de dezembro de 2009

Aniversário de casamento


Lembram-se? Hoje renovámos os votos que fizemos há um ano (ver aqui) . Estes que vou em seguida partilhar com vocês vieram de Thich Nhat Han:

Conscientes de que a vida só está disponível no momento presente e que a felicidade só é possível no aqui e agora, prometemos viver intensamente cada momento da nossa vida diária. Vamos tentar não nos perder em dispersões, arrependimentos sobre o passado, preocupações acerca do futuro ou ânsia, raiva e ciúmes no presente.

Conscientes de que a falta de comunicação leva sempre à separação e ao sofrimento, decidimos habituar-nos a falar com amor e a escutar com compaixão. Vamos aprender a ouvir profundamente, sem julgar nem reagir e a não proferir palavras que possam causar discórdia ou destruir o nosso relacionamento. Vamos esforçar-nos por manter a comunicação aberta e resolver todos os conflitos, incluindo os mais pequenos.

Conscientes de que a raiva bloqueia a comunicação e cria sofrimento, prometemos cuidar dessa energia assim que ela surja e reconhecer e transformar as sementes da raiva escondidas no nosso subconsciente. Sempre que a raiva surgir vamos praticar paciência e reconhecer, abraçar e investigar a nossa raiva a fundo. Vamos aprender a olhar com olhos de compaixão para o outro e para aqueles que acreditamos ser a causa da nossa raiva.

terça-feira, 7 de julho de 2009

Por onde andámos: budismo, meditação e tai chi

Este fim de semana fomos até Corsham,

uma pequena cidade no noroeste de Wiltshire, a uns 30 Kms daqui.

Foi um domingo bem passado neste edifício histórico, ouvindo um monge tibetano falar sobre meditação, altruismo, amor e compaixão.

À hora do almoço, um piquenique nesta relva: sopa de abobrinha, chapatis (pãezinhos achatados à moda indiana), salada, queijos, morangos com natas e flapjacks. Delícia!

E ontem à tarde fomos até ao Centro de Saúde Holística

filmar uma aula de Tai Chi, uma forma de meditação em movimento muito boa para a saude (se quiserem podem dar uma espreitadinha aqui).

domingo, 16 de novembro de 2008

Parentalidade à CNV

Neste artigo, Marshall b. Rosenberg partilha as suas ideias sobre a comunicação não-violenta e como educar os filhos de um modo compassivo. Aqui fica um excerpto:


"Tendo sido treinado, como fui, para pensar sobre a parentalidade, julgava que o trabalho dos pais era fazer com que os seus filhos se comportassem. Na cultura em que fui educado, assim que nos definimos como uma autoridade, seja um professor, um pai ou uma mãe, então julgamos que a nossa responsabilidade é a de fazer com que as pessoas que rotulamos como "alunos" ou "filhos" se comportem de uma certa maneira.

Agora vejo que esse objectivo leva necessariamente à derrota, pois aprendi que sempre que o nosso objectivo é o de fazer com que alguém se comporte de certa maneira, o mais provável é encontrarmos resistência, independentemente do que estivermos pedindo. Isso acontece quer a outra pessoa tenha 2 ou 92 anos de idade.

Este objectivo, de obter dos outros o que queremos, ou seja, de os levar a fazer aquilo que queremos que façam, ameaça a sua autonomia, o seu direito de decidir o que querem fazer. E quando as pessoas sentem que não são livres de escolher o que querem fazer o mais provável é resistirem, mesmo que compreendam o motivo por trás do nosso pedido e mesmo que o quizessem fazer.

Tão forte é a nossa necessidade de proteger a nossa autonomia que, se virmos que alguém tem esse objectivo, e que está agindo como se pensasse que sabe o que é melhor para nós, sem nos dar o espaço para escolhermos o que queremos fazer e como nos queremos comportar, isso estimula a nossa resistência.

Vou ser eternamente grato aos meus filhos por me terem ensinado as limitações do objectivo de fazer com que os outros façam o que eu quero. Primeiro, ensinaram-me que não posso levá-los a fazer o que quero que eles façam. Eu não conseguia levá-los a fazer nada. Não conseguia fazê-los guardar os brinquedos, fazer a cama ou fazê-los comer.

Agora, como pai, ao me tornar consciente desta falta de poder sobre os meus filhos, essa foi uma lição que aumentou a minha humildade, pois tinha metido na cabeça que o trabalho de pai era controlar o comportamento dos filhos. E ali estavam eles, dando-me esta lição de humildade, que eu não conseguia levá-los a fazer nada. Tudo que podia fazer era fazê-los desejar que tivessem feito o que eu queria que eles fizessem.

E sempre que fui suficientemente tolo para fazer isso, ou seja, para os fazer desejar que me tivessem feito a vontade, eles davam-me outra valiosa lição sobre a educação e o poder. E essa lição foi a de que sempre que os fiz desejar que me tivessem feito a vontade, eles fizeram-me arrepender de o ter feito: a violência gera a violência.

Ensinaram-me que qualquer uso de coerção da minha parte invariavelmente criava neles resistência, e que isso dava à nossa conexão uma qualidade adversária. E eu não quero ter esse tipo de conexão com nenhum ser humano, muito menos com os meus filhos, que são os seres humanos de quem estou mais próximo. Por isso não quero entrar nesse tipo de jogos de coacção - dos quais os castigos fazem parte - com os meus filhos.

Agora, este conceito de castigo é muito defendido pela maioria dos pais. Estudos indicam que cerca de 80% de pais americanos acreditam firmemente em castigar as crianças. Aproximadamente a mesma percentagem da população acredita na pena de morte para os criminosos."

© 2000 Dr. Marshall B. Rosenberg & Center for Nonviolent Communication