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segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Vídeo: Armas de Instrução em Massa

Neste vídeo, John Taylor Gatto fala sobre seu livro Armas de Instrução em Massa: Viagem de um professor pelo mundo oculto da escolaridade obrigatória, um livro que explica como a escolaridade obrigatória paralisa a imaginação e desencoraja o pensamento crítico. No programa, realizado no dia 7 de Março de 2009, Gatto também responde a perguntas dos membros da audiência.

John Gatto foi professor em Nova Iorque durante quase três décadas. Foi nomeado três vezes Professor do Ano de New York City e, em 1991, Professor do Ano de New York State. Ele é o autor de Dumbing Us Down: o currículo oculto da escolaridade obrigatória; A Escola Exausta e The Underground History of American Education.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Livro: A Doença da Escolaridade Obrigatória

















A Doença da Escolaridade Obrigatória: como as crianças absorvem valores fascistas, por Chris Shute

Este livro não é um livro escrito por um perito a fim de influenciar o pensamento de outros especialistas. É um livro baseado na experiência acumulada por um professor.

Digam o que disserem, as escolas estão a inculcar hábitos de subserviência na maioria dos jovens. E há argumentos sedutores para mantermos as crianças sob um controle estrito: torna-as mais fáceis de manusear, o que agrada os pais, enquanto que a sociedade em geral sente-se mais descansada, pois parece tornar mais segura e previsível a tarefa de tomar responsabilidade pela educação das crianças. No entanto, ao crescerem, muitos estudantes tornam-se taciturnos, anti-sociais e "filisteus"[1]. O processo parece ser satisfatório, mas os resultados são deploráveis.

Depois de 25 anos como professor, Chris Shute viu que estava envolvido numa forma microcósmica de fascismo. O livro demonstra como a escolaridade obrigatória, com seu imposto aparato de disciplina e controle, é perigosa para a saúde mental e o desenvolvimento social das crianças, e é de facto a causa de muitos problemas sociais que alega curar.

Shute tem a esperança de que um dia as crianças terão a possibilidade de utilizar as escolas como acha que estas deveriam ser usadas, como lugares onde qualquer pessoa que queira ajuda nos seus estudos possa recebê-la. Até então, Shute limita-se a comentar sobre as escolas tal como são actualmente, desafiando-nos a considerar a possibilidade de que o seu regime escraviza as mentes das crianças em vez de as libertar.

Fonte: aqui e aqui

[1] Wikipedia: Filistinismo é um termo pejorativo usado para descrever uma certa atitude ou conjunto de valores. Neste sentido, filisteu é a pessoa que despreza ou desvaloriza a arte, beleza, conteúdo intelectual ou os valores espirituais. São pessoas materialistas e a favor dos valores sociais convencionais, que assimilam sem pensar.

sábado, 18 de dezembro de 2010

Documentário: Corrida para Lado Nenhum



Já nem me lembro da última vez que tive tempo para ir para o jardim brincar

A escola pressiona tanto que todos os dias acordo cheio de pavor

Receio que os nossos filhos um dia nos levarão para o tribunal por lhes termos roubado a infância e a juventude

Os nossos filhos andam numa correria louca, para serem os mais espertos

Eu perco 6 hrs todas as noites com os trabalhos para casa

Temos de entrar para as melhores escolas

Temos que fazer exames, ser entrevistados

Chegámos a um extremo e estamos todos presos nisto

Para atingir o mais possivel

Se não ganhamos montes de dinheiro é porque algo correu mal

A pressão vem das escolas, dos pais, do governo, mas tem que acabar

Agora temos de ter sucesso, temos de ter boas notas para entrarmos para uma boa escola

A competição é forte

Todos querem que sejamos super heróis

Temos medo dos pais

Porque o meu filho precisa de arranjar emprego

Como é que podemos aprender e ter sucesso quando nem sequer podemos errar?

Mas na corrida para ser o melhor, os nossos filhos estão pagando o preço

Estamos dedicando toda a nossa vida às boas notas

Temos que ser espertos e estar envolvidos nas artes

Tenho treino de futebol todos os dias

E depois, em cima disso tudo, temos que fazer os trabalhos de casa

Produzir, produzir, produzir

é impossível!

Eu não consegui aguentar

Tive episódios de depressão por sentir-me tão inundada

Tive um esgotamento nervoso

Na nossa área 6 jovens suicidaram-se

os nossos alunos estão sob pressão para produzir trabalho; mas não estão sob pressão de aprofundar conceitualmente os seus conhecimentos

Coisas que levam os alunos a pensar são postas de lado

Os miúdos chegam cheios de criatividade e sede de aprender; deixemos de destruir seu espírito

Precisamos repensar o sistema

Precisamos redefinir "sucesso" para as crianças e jovens

O mercado de trabalho precisa de pessoas com pensamento crítico e capacidade de resolver problemas

Precisamos de descobrir como produzir seres humanos felizes, motivados e criativos

Corrida para lado nenhum

Links
Race to Nowhere
Race to Nowhere on Facebook
The Overscheduled Child
Parents Embrace Documentary on Pressures of School

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Suécia prende pai-homeschooler

Ainda bem que não vivemos na Suécia!



Podem ler sobre este caso aqui e aqui.

Christer Johansson, pai de Domenic Johansson, de 9 anos de idade, e marido de Annie Johansson, foi recentemente preso pelas autoridades suecas.

Mais informação aqui.

Ruby Harrold-Claesson, famosa advogada especializada em direitos humanos internacionais e presidente do Comité Nórdico para os Direitos Humanos, disse que "nunca tinha visto durante os seus 20 anos de prática um caso tão mal tratado."

"O governo não devia raptar e aprisionar crianças simplesmente por não gostar do homeschooling. Isso é exatamente o que aconteceu aqui", disse Roger Kiska, conselheiro jurídico do Alliance Defense Fund, que é baseado na Europa. "Apesar da decisão imprudente por parte do Sr. Johansson, a única ameaça aqui é o governo bêbado com seu próprio poder. Esta triste circunstância é o que acontece quando um governo todo-poderoso leva um pai ao ponto do desespero, por isso os serviços sociais não deviam fingir estar surpreendidos. "

Continua AQUI.

Ver também:
Preso pai de menino raptado pelo governo da Suécia
Homeschooling father of state-abducted child jailed in Sweden

sábado, 4 de dezembro de 2010

O movimento anti-escola III

Primeira parte aqui.

Individualidade

O livro de Allan Bloom Closing of the American Mind (abre livro) é uma crítica à universidade contemporânea e ao modo como ela falha os seus alunos. Em grande medida, a crítica de Bloom anda à volta da sua crença que os Grandes Livros do Pensamento Ocidental têm sido desvalorizados como fonte de sabedoria. Martha Nussbaum e Harry V. Jaffa argumentaram que Bloom foi profundamente influenciado por Friedrich Nietzsche, que no século XIX escreveu:

Não há educadores. Como pensador, devíamos falar apenas sobre a auto-educação. A educação da juventude por outros é um experimento (...) ou um nivelamento (...) para fazer com que o novo caracter, seja ele qual for, se conforme aos hábitos e costumes prevalecentes.

Na década de 1940, o escritor e crítico inglês Herbert Read escreveu:

A humanidade é naturalmente diferenciada em vários tipos, e prensar todos esses tipos no mesmo molde tem inevitavelmente que levar a distorções e repressões. Deveria haver escolas de vários tipos, seguindo métodos diferentes e servindo diferentes tipos de personalidades. Pode se argumentar que até mesmo os estados totalitários deveriam reconhecer este princípio, mas a verdade é que a diferenciação é um processo orgânico, associações espontâneas de indivíduos para fins específicos. Dividir e segregar não é a mesma coisa que juntar e agregar. É precisamente o processo oposto. Toda a estrutura da educação, como este processo natural que imaginamos, cai aos pedaços se tentarmos fazer com que essa estrutura seja... artificial.

Avaliação

Em Sociedade sem escolas, Ivan Illich apela à desinstalação das escolas. Ele afirma que a escolaridade confunde o ensino com a aprendizagem, confunde as notas com a educação, os diplomas com a competência, a frequência com o sucesso e, principalmente, o processo com a substância. Diz que as escolas não recompensam o verdadeiro sucesso, apenas processos. As escolas inibem a vontade e capacidade de auto-aprendizagem que todos temos, resultando em uma impotência psicológica. Afirma que a escolaridade obrigatória perverte a inclinação natural das vítimas para o crescimento e aprendizagem, substituindo-as com a demanda de instrução. Além disso, o modelo actual de ensino, com seu sistema de credenciais, trai o valor do auto-didata. E mais, a escolaridade institucionalizada visa quantificar o inquantificável - o crescimento humano.

FIM

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

O movimento anti-escola II

Primeira parte aqui.

Excesso de educação


Excesso de educação é o fenômeno no qual os indivíduos sentem-se sobrecarregados e oprimidos pelo peso da sua educação. Uma boa educação é algo apreciado por todas as culturas, mas a educação pode ser experienciada como um obstáculo à felicidade e contribuir para problemas de saúde mental [ver aqui].

Mental illness running high among uni students

Students struck by high anxiety

Às vezes este termo refere-se ao problema de empregar pessoas com ensino superior. Por exemplo, alguns evitam contratar pessoas doutoradas porque experienciam a presença de alguém mais educado do que eles como uma potencial ameaça à sua posição. Além disso, podem não lhes dar emprego por não quererem pagar um salário maior a alguém quando não precisam de empregados com esse alto nivel de educação.

A corrupção de crianças

Rousseau escreveu, no seu livro Emílio, que todas as crianças são organismos perfeitamente desenhados, prontos a aprender a partir do ambiente em que se encontram de modo a se transformarem em adultos virtuosos, mas devido à influência maligna da sociedade corrupta normalmente não conseguem fazê-lo. Rousseau defendia um método educacional que consistia em retirar a criança da sociedade para, por exemplo, uma casa de campo, e alternadamente condicioná-la através de alterações ao meio ambiente e preparando armadilhas e desafios para ela resolver ou ultrapassar.

Rousseau era incomum porque reconheceu o potencial problema de legitimar o ensino. Defendia que os adultos deviam ser sempre honestos com as crianças e que nunca deviam esconder o facto de que a base da sua autoridade é puramente a coacção física: "sou maior que vocês". Quando as crianças atingirem a idade da razão, por volta dos 12 anos, deveriam estar engajadas, como indivíduos livres, no seu próprio processo constante.

Continua aqui.

O movimento anti-escola

Uma pergunta comumente feita aos homeschoolers é: mas então vocês são anti-escola? A maioria responde que não, que não são anti-escola, que são, sim, a favor da liberdade na aprendizagem. Alguns preocupam-se com a violência escolar. A verdade é que o movimento anti-escola existe, e embora este movimento contra a escolaridade obrigatória não esteja necessariamente relacionado com o ensino doméstico, vale a pena estarmos a par dos seus argumentos. Por isso, resolvi traduzir o artigo que encontrei aqui. Espero que gostem!

Escola como sistema de controlo político

Um método de ensino sem currículo nem instrução foi defendido por Neil Postman e Charles Weingartner no seu livro Teaching as a Subversive Activity (abre livro). Na educação através do inquérito, os estudantes são incentivados a fazer as perguntas que são significativas para eles, perguntas que muitas vezes não têm respostas fáceis; os professores são encorajados a evitar dar respostas.

O filósofo Herbert Spencer fala sobre o despotismo inerente à educação:

Que significa dizer que o governo deve educar o povo? O povo deve ser educado porquê? Qual é o objectivo dessa educação? É óbvio que é para moldar as pessoas para a vida social - para torná-las bons cidadãos. E quem é que define "bons cidadãos"? O governo: não há outro juiz. E quem é que decide como produzir estes "bons cidadãos"? O governo: não há outro juiz. Daí, a proposição é convertível ao seguinte: o governo deve moldar as crianças em bons cidadãos, utilizando a sua própria definição de "bom cidadão" e decidindo a forma de se moldar as crianças. Tendo feito isso, tem de elaborar o sistema disciplinar que melhor produzirá o tipo de cidadão que concebeu. O governo é então obrigado a cumprir este sistema de disciplina até o fim. Porque, se não o fizer, permitirá que as pessoas se tornam diferentes daquilo que, na sua opinião, se devem tornar, falhando assim na obrigação que lhe diz respeito cumprir.

[é neste sentido que a socialização das crianças educadas fora da escola é questionada - a preocupação não é se elas estão felizes, se têm amigos, oportunidades para conviver e acesso a actividades de grupo; não, o problema é a possibilidade de não se transformarem no tipo de cidadão mais conveniente ao Estado, ou no tipo de recursos humanos mais úteis para a minoria que controla o governo]

Murray N. Rothbard argumenta que a história do motivo para a escolaridade obrigatória não é orientada pelo altruísmo, mas pelo desejo de forçar a população ao molde desejado pelo Estado [ver Education: free and compulsory].

John Caldwell Holt afirma que os jovens devem ter o direito de controlar e dirigir a sua própria aprendizagem, e que o actual sistema de escolaridade obrigatória viola um direito básico e fundamental do ser humano: o direito de decidir o que meter na nossa cabeça. Ele acha que a liberdade de aprendizagem faz parte da liberdade de pensamento, um direito humano ainda mais fundamental do que a liberdade de expressão. Em especial, ele afirma que a escolaridade obrigatória é uma grave violação das liberdades civis (Holt, 1974).

Nathaniel Branden diz que o governo não devia ser autorizado a retirar as crianças de suas casas à força, com ou sem o consentimento dos pais, e sujeitá-las a métodos e técnicas de ensino que os pais podem ou não aprovar. Diz que os cidadãos não deviam ter seus bens expropriados para suportar um sistema educacional com o qual podem ou não concordar, nem pagar a educação de crianças que não as suas. Afirma que qualquer pessoa que compreende o princípio dos direitos individuais vê que isto é verdade.

Continua aqui...

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Afinal, quem não teria "fobia escolar"?

Uma psicóloga diz que é perfeitamente compreensível odiar a escola.

Deixo-vos o primeiro e o último paragráfos deste artigo escrito por Sarah Fitz-Claridge, que encontrei no site school survival.

"Fobia escolar" é um rótulo horrível para a resposta perfeitamente compreensível de algumas crianças ao facto de que são forçadas a frequentar a escola contra a sua vontade. Elas não têm fobias: tal como os objectores de consciência, que não são covardes, elas estão recusando - e, na maioria dos casos, de uma forma muito nobre. Ao longo dos anos, tenho conversado com muitos pais preocupados porque os filhos se recusam a ir para a escola. As atrocidades a que essas crianças foram submetidas em nome da "educação" mete-me nojo. E depois são rotuladas com um diagnóstico pseudo-médico com deliberadas conotações de 'doença mental' - com todo o estigma e a ameaça implícita (e não tão implícita) que acompanha o rótulo. A sua dissidência perfeitamente razoável, e a sua resistência desesperadamente corajosa a serem feridas e magoadas tem sido cinicamente redefinida como "dependência excessiva", "instabilidade psicológica" e "imaturidade."

[...]

Então eu, como adulta e psicóloga, quero dizer a todas as crianças que odeiam a escola: vocês não estão sozinhas. A maioria das pessoas também odeia a escola mas geralmente acham que não têm o direito de dizer uma coisas dessas, e muitas nem sequer têm arcaboiço para pensar nisso e por isso nem sequer sabem o que sentem sobre isso. Vocês não estão loucas - vocês não têm problemas psicológicos (embora possam vir a ter se ficarem na escola contra a vossa vontade!). E vocês não são más por quererem viver a vossa vida da maneira que acham melhor, e por fazerem o que acham correto - isso é o que toda a gente devia estar fazendo. Vocês não são o problema: a compulsão é o problema. Ser-se forçado a frequentar a escola é o problema.

domingo, 3 de outubro de 2010

Livro: Armas de instrução em massa

Já vos tinha falado deste livro aqui: agora está disponivel online! Outro verdadeiro achado! Aqui fica um "saborzinho":

"Será que precisamos realmente da escola? Não me refiro à educação, apenas à escolaridade compulsória e obrigatória: seis aulas por dia, cinco dias por semana, nove meses por ano, durante doze anos. Será que esta rotina mortal é realmente necessária?

E, se for, é necessária para quê? Não me venham com a justificativa de ensinar leitura, escrita e aritmética, porque 2 milhões de crianças educadas em casa nos EUA provam que a frequência escolar não é necessária para isso."

Weapons of Mass Instruction by John Taylor Gatto

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Ataque ao homeschooling na Bulgária

Grupos de defesa dos direitos da família dizem que o projeto-lei recomendado ao Parlamento da Bulgária, proposto pela Comissão da Educação da Bulgária em Julho, irá violar os direitos dos pais. A proposta altera a Lei da Educação Pública, baixando a idade da escolaridade obrigatória para os 5 anos e tornando obrigatória a frequência pré-escolar a tempo inteiro.

As crianças búlgaras seriam obrigadas a frequentar a escola durante 12 anos, até aos 16 anos de idade, e as crianças nascidas no final do ano civil teriam de frequentar a pré-escola aos 4 anos de idade. HSLDA lutou contra este tipo de proposta nos Estados Unidos por aumentar a intrusão do governo na família e porque pesquisas mostram que o melhor lugar para as crianças pequenas é em casa com um dos pais. Se estas propostas se tornarem lei os pais que escolhem a educação em casa correm o risco de um processo criminal.

O Ministro da Educação Sergei Ignatov avisou aos pais que a não-obediência é uma acção criminal, e que aqueles que não seguirem a lei serão severamente multados. Se os pais não forem capazes de pagar a multa serão submetidos a "trabalho socialmente útil". Ignatov afirma que reger a educação é um papel que cabe ao Estado. Como o governo búlgaro carece de fundos para financiar uma educação pública adequada, a Bulgária vai pedir ajuda financeira à UE. O Ministério dos Assuntos Sociais também obteve um empréstimo do Banco Mundial para financiar a execução do programa.

Certos cidadãos búlgaros e grupos de defesa dos direitos humanos consideram isto um passo para trás, rumo ao totalitarismo no sistema de educação da Bulgária. Duas décadas após a queda do comunismo, a Bulgária ainda não possui alternativas educacionais bem estabelecidas e continua sendo caracterizada pelo monopólio estatal da educação. No entanto, muitos pais optaram por formas de educação alternativas, como por exemplo escolas privadas ou a educação em casa, apesar destas serem consideradas fora da lei. Estas famílias estão se preparando para defender e lutar pela liberdade educacional.

Continua aqui.

domingo, 8 de agosto de 2010

Livro: Uma Questão de Consciência


Uma Questão de Consciência: Educação como Uma Liberdade Fundamental examina questões relacionadas com a educação enquanto questão de consciência e as leis sobre a frequência escolar obrigatória e a regulação da educação em casa. Escrito por Kelly Green, escritora e activista do movimento do ensino domiciliar, o livro analisa a política do governo e a cobertura destes temas nos Estados Unidos, Canadá e Reino Unido.

"Eu acho que este pode vir a ser um dos livros mais importantes sobre homeschooling nas últimas décadas." - Helen Hegener, Publisher da Revista Home Education.

quinta-feira, 10 de junho de 2010

Citações - A.S. Neill

A maior parte dos trabalhos que os adolescentes fazem na escola é pura e simplesmente um desperdício de tempo, energia e paciência. A escola rouba a juventude do seu direito de brincar e brincar e brincar, e coloca cabeças velhas sobre ombros jovens.
~ A.S. Neill

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Citação: escolarização compulsória

Onde estão as evidências — e como nós precisamos delas para fortalecer nossos argumentos — de que a escolarização compulsória na forma como ela se deu tenha, até aqui, contribuído para construir seres humanos mais humanos, extirpar as guerras, os saques neo-coloniais,
eliminar a fome, etc.?

Sabemos, isso sim, principalmente com Foucault, como a instituição escolar tem participado do movimento de disciplinamento, enquadramento, submissão, hierarquização, normatização, repressão (a lista aqui, poderia ser muito longa) da infância e da juventude na direção contrária
do suposto aperfeiçoamento da 'natureza humana'.

Geraldo Barroso, aqui.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Noam Chomsky – processo de socialização

A auto-censura começa em muito tenra idade, através de um processo de socialização que é também uma forma de doutrinação que funciona contra o pensamento independente, em favor da obediência. As escolas funcionam como um mecanismo para essa socialização. O objectivo é evitar que as pessoas façam as perguntas que interessam acerca de questões importantes que as afectam directamente, a elas e a outros.

Nas escolas não se aprendem apenas conteúdos. Adicionalmente é preciso aprender como se comportar, como se vestir de um modo apropriado, que tipos de questões podem ser levantadas, como encaixar (ou seja, como se adaptar), etc. Se mostrar demasiada independência e questionar o código da sua profissão com demasiada frequência, o mais provável é ser excluído do sistema de privilégios.

Assim, rapidamente aprende que, para ter êxito, tem que servir os interesses do sistema doutrinal. Tem que ficar calado e instilar nos seus estudantes as crenças e doutrinas que servirão os interesses daqueles que detêm o verdadeiro poder. A classe empresarial e os seus interesses privados são representados pelo elo estado-empresa.

Trecho deste artigo.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Aulas na cozinha: a situação na Alemanha

Na maioria dos países europeus o ensino doméstico - "homeschooling" - é permitido ou, pelo menos, tolerado. Não há praticamente nenhum país que se agarre tão obstinadamente à escolaridade obrigatória como a Alemanha - com todas as consequências para as pessoas em causa.

Quando Moritz começou a reagir agressivamente e a ficar doente depois de ir para a escola, os pais Dagmar e Tilman Neubronner cederam aos sintomas do filho que na altura tinha 8 anos e cancelaram a matrícula na escola. Desde essa altura Moritz aprende em casa com o irmão Thomas - apesar da lei alemã afirmar que a escolaridade é obrigatória.

Thomas frequentou a escola pública apenas durante duas semanas.

Escapar a escolaridade obrigatória
Quando as autoridades se aperceberam do que se estava a passar, impuseram aos Neubronners uma série de multas exorbitantes sob pena de outras medidas arbitrárias se não enviarem os filhos para a escola. Com medo de perder a guarda dos filhos, a família abandona a Alemanha e, até hoje, reside em outros países europeus.

Os pais continuam a lutar incansavelmente para que os filhos tenham liberdade de aprendizagem e para que a família possa voltar ter uma vida normal na cidade de Bremen, sua terra natal. Moritz e Thomas têm hoje 12 e 10 anos e estariam na 7ª e 5ª série. Em vez disso, estão a aprender em casa voluntariamente, determinando seus próprios objectivos. Os Neubronners praticam o que é muitas vezes referido como unschooling. Acreditam que as crianças aprendem melhor em liberdade, sem restrições e, portanto, sem perder o amor à aprendizagem.

Luta pela liberdade de aprender
Rosemarie e Jürgen Dudek também são contra a escolaridade obrigatória. Educam os filhos em casa como se numa escola com uma sala de aulas. O horário está em conformidade com o currículo oficial. De momento, 4 dos 7 filhos são obrigados a frequentar a escola.

Os Dudeks querem viver de acordo com as suas crenças em relação a Deus e à Bíblia. Por esta razão não querem que os filhos andem em escolas públicas, onde não encontram os seus valores.
Ao contrário de certos cristãos, os Dudeks não pertencem a nenhum grupo religioso nem tentam manter os filhos afastados do mundo. Eles têm relações sociais com os bombeiros voluntários, no clube de natação e nos escuteiros.

Como a maioria dos pais, Rosemarie e Jürgen Dudek também querem o melhor para os filhos. Para que o filho mais velho Jonathan terminasse o ano escolar com uma graduação do Estado, ele frequentou, no ano passado, uma escola secundária (Realschule) na segunda metade do 10 º ano. Ele obteve notas excelentes e acabou o ano como o melhor aluno da escola.

Pena de prisão para os pais
Entretanto, Rosemarie e Jürgen Dudek ensinam os filhos em casa há quase dez anos. Devido às mudanças de residência não foram descobertos pelas autoridades durante muito tempo. No ano passado foram condenados a três meses de prisão, e não a liberdade condicional. Os Dudeks apelaram e por enquanto ainda não foram para a prisão. Estão agora à espera do veredicto final.

Podem ver o vídeo, em alemão, aqui (30mns).
Original aqui.

sábado, 24 de outubro de 2009

Educação gratuita: direito ou obrigação?

Pelos vistos, no Brasil, o Ministério de Educação questiona a constitucionalidade da educação domiciliar. Insiste que o ensino doméstico viola o direito de todos à educação gratuita e que os pais que optam por este regime correm o risco de acusações de abandono intelectual, crime que prevê detenção de 15 dias a um mês, além de multa.


Eis a resposta
de Olavo de Carvalho:

Desde logo, um direito que, sob as penas da lei, se imponha ao seu alegado beneficiário como uma obrigação, não é de maneira alguma um direito. Direito, como bem explicava Simone Weil, é obrigação reversa: se tenho um direito, é porque alguém tem uma obrigação para comigo. Ter direito a um salário é ter um empregador que está obrigado a pagá-lo. Se, ao contrário, sou eu mesmo o titular do direito e da obrigação de satisfazê-lo, é claro que não tenho direito nenhum, apenas a obrigação.

É assim que os luminares do MEC entendem a educação gratuita: as pobres crianças brasileiras, por serem titulares desse direito, são obrigadas a engolir a cafajestada estatal inteira que se transmite nas escolas, sob pena de que seus pais sejam enviados à cadeia. Isso não é um direito: é uma imposição e um castigo. Para sofrê-lo, basta ser criança e inocente.

(...)

Qual o nexo lógico... entre a obrigação estatal de garantir isto ou aquilo e o direito de o governo mandar para a cadeia quem prescinda desse suposto benefício? Desde quando a obrigação de um se converte automaticamente em obrigação de outro, e, pior ainda, em obrigação do titular do direito correspondente? O Estado tem também a obrigação de garantir assistência médica: deveriam então ser processados e presos os cidadãos que recorram a um médico particular, poupando aos cofres públicos uma despesa desnecessária?

(...)

Quanto custa ao Estado a educação de uma criança? Se um indivíduo tem seus impostos em dia e ainda, possuindo dons de educador, dá instrução a seus filhos em casa, cabe ao Estado ser grato ao cidadão exemplar que o auxilia duplamente, com seu dinheiro e com seus serviços, sem nada pedir em troca. Punir essa conduta honrosa é inversão total da moralidade.

(...)

Em terceiro lugar, qual a oposição lógica que... crêem existir entre o homeschooling e o direito à educação gratuita? Imaginam eles que os pais cobram mensalidades dos filhos para educá-los em casa?

Vale a pena ler na íntegra: Educação ou deformação?

domingo, 11 de outubro de 2009

Para começar a pensar

Trecho do Guia Inter (p. 20)

Homeschooling, unschooling & deschooling
Escolarização em casa, não escolarização e des-escolarização...

A crise do sistema escolar provocou algumas respostas radicais que promovem uma oposição activa contra a escolarização obrigatória e a educação institucional. Não apenas a sua natureza obrigatória, mas também os benefícios da instituição escolar em si, têm sido postos em questão por alguns autores, como John Holt e Ivan Illich, promotor do movimento da “escolarização em casa” nos EUA e criador da teoria da “des-escolarização”, respectivamente.

“Consequentemente, depois dos seus próprios anos como professor da escola, ele observou que professores bem intencionados mas esgotados, que programam as crianças para dizer de cor as respostas certas e desencorajam a aprendizagem auto-orientada, atrasam frequentemente a curiosidade natural das crianças. Holt chegou a considerar as escolas como lugares que produzem cidadãos obedientes mas amorfos. Ele viu a carga diária das crianças que vão à escola como preparação para a futura carga adulta de pagar taxas fiscais e subserviência a figuras de autoridade. Holt chegou mesmo a comparar a melancolia do dia escolar à experiência de ter um emprego doloroso a tempo inteiro.”

Finalmente, Holt concluiu que a forma mais humana de educar uma criança era facultando-lhe educação em casa. (...) Holt expôs uma filosofia que poderia ser considerada uma abordagem de laisser faire à educação em casa ou, como ele a designou, “aprender vivendo”. É uma filosofia que os seguidores de Holt têm vindo a descrever como não escolarização.

Lyman, Isabel. Homeschooling: Back to the Future?

“Muitos estudantes, especialmente os que são pobres, sabem intuitivamente o que as escolas fazem por eles. Elas ensinam-nos a confundir processo e substância. Quando estes se confundem, uma lógica nova é assumida: quanto maior o tratamento maior os resultados; ou, a ascensão conduz ao sucesso. O aluno é, por isso, “escolarizado” para confundir ensino com aprendizagem, progresso nos níveis com educação, um diploma com a competência, e fluência com a habilidade de dizer algo de novo. A sua imaginação é “escolarizada” para aceitar serviço em vez de valor.”

Illich, Ivan. Deschooling Society.


Para começar a pensar

Pensa que a escolarização em casa é uma escolha possível?

E o que acha da des-escolarização?

Consegue imaginar qualquer outra alternativa à educação formal obrigatória?

Na sua opinião, quais os objectivos da educação escolar que não preenchem as expectativas das pessoas e as levam a procurar outras alternativas?

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Não ao ensino forçado, sim à liberdade de educação

COMBATE AO ENSINO FORÇADO!

Todos os anos, quantidades desconhecidas de crianças e jovens de ambos os sexos são forçados a ir para a escola contra sua vontade, muito frequentemente através do uso de violência, coersão e/ou chantagem emocional. E estes dados são apenas a ponta do iceberg. A presidente da Fundação Aprender em Liberdade (FAL), Paula Peck, considera que a extensão do problema é "enorme".

Ao contrário da escolaridade arranjada, em que tanto pais como filhos consentem de livre vontade ou, em muitos casos, se resignam à frequência escolar (apesar de frequentemente não terem liberdade de escolher a escola uma vez que esse poder é geralmente detentido pelas autarquias locais), a escolaridade forçada não dá aos pais nem aos filhos qualquer escolha.

Se suspeitarem que alguma criança ou jovem está sendo forçada a frequentar a escola contra sua vontade, aqui ou no estrangeiro, contactem a Fundação Aprender em Liberdade, que ajuda as vítimas dessa prática ilegal no país que tanto sofrem física e psicologicamente.

NÃO À ESCOLARIDADE FORÇADA!

Como exemplo, só na Inglaterra, todas as semanas 450,000 crianças são vítimas de violência escolar; e todos os anos: mais de 360,000 crianças sofrem acidentes na escola; pelo menos 16 crianças se suicidam para escapar ao ensino forçado; aproximadamente 1 milhão de crianças tentam-se proteger através do absentismo escolar; mais de 1 em cada 6 jovens deixam a escola sem saber ler, escrever ou adicionar - mas muitas vezes traumatizados para o resto de suas vidas.

NÃO AO ENSINO FORÇADO! SIM À LIBERDADE DE APRENDER!

§ Nota:
não sei quem criou o poster, mas sei que foi criado como resposta às insinuações feitas pelo governo britânico - que precisa de um pretexto para modificar a lei existente de modo a poder controlar a educação das crianças e jovens educados em casa -, de que o ensino doméstico podia ser usado por algumas famílias para esconder, entre uma série de outros abusos e atrocidades, trabalho forçado e casamentos forçados.

Entre outras coisas, o governo quer ter o direito de entrar nas casas das famílias que optam pela educação domiciliar e interrogar os filhos num quarto sem a presença dos pais os adultos de confiança. Isto apesar do artigo 12º da Declaração Universal dos Direitos do Homem afirmar que "ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação", e do artigo 26.3 afirmar que "aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos."

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Toxic Schooling - Toxicidade Escolar

Educational Heretics Press anuncia seu título mais recente:

Toxic Schooling: How Schools Became Worse, por Dr. Clive Harber, professor de Educação Internacional na Universidade de Birmingham e autor do aclamado livro Schooling as Violence.

Todas as escolas que seguem o modelo da compulsão são tóxicas, mas será que umas são mais tóxicas do que outras?

A democracia não é algo genético, é um comportamento aprendido. Não há nada nos nossos genes programando-nos como democratas ou ditadores à nascença. Assim, a educação deve ter uma ideia clara do tipo de pessoa democrática que gostaria de cultivar. Para que a educação, seja ela em escolas ou não, seja coerente com os ideais democráticos, ela precisa afastar-se das características negativas que dominam o ensino formal.

O desconforto em relação à escolaridade obrigatória não é recente. Bertrand Russell, escrevendo em 1926, observou que "estamos enfrentando o facto paradoxal de que a educação tornou-se um dos principais obstáculos à inteligência e à liberdade de pensamento".

No final do século XIX e início do século XX, várias pessoas envolvidas no campo da educação - Edmond Holmes, ASNeill, Rudolf Steiner, Margaret McMillan, Charlotte Mason, Susan Isaacs e Bertrand Russell - criticaram o sistema e sugeriram alternativas mais personalizadas, democráticas e humanas.

Nas décadas de 1960 e 1970, uma vez mais, vários escritores recomeçaram a questionar e criticar a relevância e a benevolência da escolaridade obrigatória. Este livro examina as principais ideias de uma dúzia de textos essenciais sobre o tema, a natureza do sistema de ensino actual e como este piorou devido à recusa de assimilar essas novas ideias. O livro conclui com o que precisa ser feito para reverter os efeitos tóxicos da escolaridade.

Índice
Introdução
Capítulo 1 A escola que eu queria - Edward Blishen
Capítulo 2 Pedagogia do Oprimido - Paulo Freire
Capítulo 3 Deseducação Obrigatória - Paul Goodman
Capítulo 4 Juventude Atraiçoada- James Hemming
Capítulo 5 Como as crianças fracassam – John Holt
Capítulo 6 Sociedade sem escolas – Ivan Illich
Capítulo 7 A Vida nas Salas de Aula - Philip Jackson
Capítulo 8 Educação e Êxtase - George Leonard
Capítulo 9 Livrinho vermelho da escola - Hansen e Jensen
Capítulo 10 Educação para a auto-suficiência - Julius Nyerere
Capítulo 11 Ensino Subversivo - Postman e Weingartner
Capítulo 12 A Escola está Morta - Everett Reimer
Capítulo 13 Liberdade para Aprender - Carl Rogers
Capítulo 14 Principais criticismos
Capítulo 15 A Escola de Hoje - A Mesma Coisa?
Capítulo 16 A Escola de Hoje - Piorando as coisas
Capítulo 17 O que fazer?
Referências
Leitura adicional

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Distúrbios de Aprendizagem

Uma Rosa com Outro Nome, por Jan Hunt, Psicóloga e Directora do "The Natural Child Project"

Imagine por um instante que está visitando um viveiro de plantas. Você percebe uma agitação lá fora, vai investigar e encontra um jovem assistente lutando contra uma roseira, tentado forçar as pétalas da rosa a se abrirem, e resmungando insatisfeito. Você lhe pergunta o quê está fazendo e ele explica: "meu chefe quer que todas estas rosas floresçam nesta semana, então na semana passada eu cortei todas as precoces e hoje estou abrindo as atrasadas". Você protesta dizendo que cada rosa floresce a seu tempo, que é absurdo tentar retardar ou apressar esse processo, que não importa quando a rosa vai desabrochar pois as rosas desabrocham sempre no momento mais oportuno para elas. Você olha novamente para a rosa e vê que ela está murchando, mas quando você o alerta, ele responde: "Ah, isso é mau, ela tem um problema de desabrochamento congênito. Vamos ter que chamar um especialista". Você diz: "Não, não! Foi você quem fez a rosa murchar! Você só precisaria satisfazer as exigências de água e luz da planta e deixar o resto por conta da natureza!" Você mal consegue acreditar no que está acontecendo. Por quê o chefe dele é tão mal informado e tem expectativas tão irreais em relação às rosas?

Essa cena nunca teria se passado num viveiro, é claro, mas acontece todos os dias nas nossas escolas. Professores pressionados por seus chefes seguem calendários oficiais que exigem que todas as crianças aprendam no mesmo ritmo e da mesma maneira. No entanto, as crianças não diferem das rosas em seu desenvolvimento: elas nascem com a capacidade e o desejo de aprender, e aprendem em ritmos diferentes e de modos diferentes. Se formos capazes de satisfazer suas necessidades, proporcionar um ambiente seguro e propício e evitar nos intrometer com dúvidas, ansiedades e calendários arbitrários, aí então - como as rosas - as crianças irão desabrochar cada uma a seu tempo.

Meu coração gela quando penso nas crianças diagnosticadas com 'ADHD' (sigla norte-americana para 'distúrbio de hiperactividade e falta de atenção'), o tipo mais recente de "distúrbio de aprendizagem". Muitos educadores e pesquisadores acreditam que as crianças e suas famílias têm sido cruelmente enganadas por esse diagnóstico. O Dr. Thomas Armstrong, que já foi especialista em dificuldades de aprendizagem, mudou de profissão quando começou a ver "como essa noção de distúrbios de aprendizagem estava prejudicando os nossos filhos, colocando a culpa da dificuldade de aprender em misteriosas deficiências neurológicas, em vez de apontar para as necessárias reformas no nosso sistema educacional".

O Dr. Armstrong voltou-se então para o conceito de diferenças de aprendizagem e escreveu "In Their Way" ("Do modo deles"), um guia prático e fascinante para os sete "estilos pessoais de aprendizagem" inicialmente propostos por Howard Gardner, psicólogo da Universidade de Harvard. O Dr. Armstrong nos instiga a abandonar rótulos convenientes mas nocivos tais como "dislexia" e prestar atenção ao problema real do "disensino". Ele adverte que "as nossas escolas estão desvalorizando milhões de crianças ao taxá-las de insuficientes quando na realidade elas estão sendo incapacitadas por métodos de ensino ruins". Como Armstrong explica, "as crianças são sobrecarregadas com diagnósticos tais como dislexia, disgrafia, discalculia e assim por diante, dando a impressão de que sofrem de doenças muito raras e exóticas. Embora o termo dislexia seja apenas uma expressão latina para 'dificuldade com palavras', centenas de testes e programas se propõem a identificar e tratar tais 'disfunções neurológicas'. Mas os médicos ainda não conseguiram determinar qualquer tipo de lesão cerebral detectável na maior parte das crianças com esses "sintomas". Parece evidente para mim, depois de quinze anos de pesquisa e prática no campo da educação, que as escolas são as principais culpadas pelo fracasso e pelo tédio enfrentado por milhões de crianças..."

As classificações de distúrbios de aprendizagem seriam "as novas roupas do imperador" das escolas? Os filósofos têm um recurso interessante chamado "Navalha de Occam", um expediente prático para liquidar com teorias absurdas: "para resolver um problema, deve-se escolher a teoria mais simples que explique os factos". Quais são os factos? É facto que muitos escolares, principalmente do sexo masculino, têm dificuldades de aprendizagem. Mas também é facto que existem centenas de milhares de crianças no mundo, meninos e meninas, entre os quais esse defeito "genético" está ausente: são as crianças educadas em casa. Nesse grupo, praticamente não existem dificuldades de aprendizagem.

Se os "distúrbios de aprendizagem" estão presentes apenas no ambiente escolar e ausentes em outros lugares, o problema deve estar no ambiente de aprendizagem das escolas e não em algum "distúrbio neurológico" misterioso e não-detectável das crianças, ou estariam igualmente presentes nas crianças que optam pelo ensino doméstico / educação domiciliar. Afinal não é segredo que as escolas não estão conseguindo cumprir sua tarefa: em muitas regiões, os níveis de alfabetização caíram e não chegaram a atingir os níveis prévios à existência de escolas públicas (nos Estados Unidos). Quando John Gatto, eleito Professor do Ano do Estado de Nova York, chama a escolarização obrigatória de "sentença de doze anos de prisão", percebemos que algo está muito errado e que o erro não é das crianças.

Será que as classificações de "hiperactividade", "fobia escolar" e "dificuldade de aprendizagem" são na verdade uma cortina de fumaça para a incapacidade da escola de entender e aceitar o verdadeiro processo de aprendizagem? Uma especialista do porte de Mary Poplin, ex-editora de uma revista sobre distúrbios de aprendizagem ('Learning Disabilities Quarterly'), concluiu recentemente que "apesar de toda a pesquisa quantitativa... não há provas de que os distúrbios de aprendizagem possam ser identificados objetivamente... as tentativas de se estabelecer critérios objectivos para avaliar problemas humanos são uma ilusão que serve para encobrir nossa incompetência pedagógica".

O educador John Holt relata em 'Teach Your Own' ('Ensine a Si Mesmo') que o presidente de uma importante associação para tratamento de distúrbios de aprendizagem admitiu que há "poucas provas para confirmar os diagnósticos de distúrbios de aprendizagem". John Holt alerta os pais de crianças em idade escolar para serem "extremamente cépticos em relação a qualquer coisa que as escolas e seus especialistas digam sobre a condição e as necessidades de seus filhos". Acima de tudo, eles devem compreender que é quase certo que a própria escola, com todas as suas fontes de tensão e ansiedade, esteja causando as dificuldades e que o melhor tratamento provavelmente seja tirar o filho da escola de uma vez por todas.

As famílias que fazem isso ficam aliviadas ao descobrir que seus filhos recuperam o interesse que tinham pela aprendizagem quando eram mais novos. Ao contrário dos professores escolares, que têm apenas uma visão parcial de várias crianças, os pais que educam em casa observam a aprendizagem dos filhos ao longo de vários anos, aprendendo assim a respeitar o estilo singular de aprendizagem de cada filho, a confiar no ritmo do desenvolvimento de cada filho e a reconhecer que os erros são uma componente normal e passageira do processo de aprendizagem de qualquer pessoa. (Não há pressa, de qualquer forma: muitas crianças educadas em casa que começam a ler aos 10 ou 12 anos e saíram-se muito bem na faculdade).

Essa atitude descontraida dos pais que educam em casa mantém intacto o valor próprio da criança, torna os diagnósticos e rótulos insignificantes e permite que a aprendizagem seja tão fácil quanto entre os pré-escolares: crianças educadas em casa costumam superar aquelas que frequentam a escola em termos de desempenho acadêmico, socialização, confiança e auto-estima. John Gatto afirma que "em termos da capacidade de pensar, as crianças educadas em casa parecem estar cinco a dez anos adiante daquelas que frequentam a escola".

Durante alguns anos John Holt desafiou várias escolas a "explicarem a diferença entre uma dificuldade de aprendizagem (que todos nós temos numa ou outra ocasião) e um distúrbio de aprendizagem". Perguntou aos professores como é que distinguem entre causas inerentes ao sistema nervoso do aluno e factores externos - o ambiente escolar, o modo de explicar do professor, o professor em si ou o material didático. Ele relata: "nunca recebi uma resposta coerente a essas perguntas... [apesar disso,] essa distinção é tão fundamental que não sei como podemos falar de modo construtivo sobre os problemas de aprendizagem de uma criança sem ela".

Mas como é que os professores têm tanta certeza da existência tão disseminada de distúrbios neurológicos? Talvez eles estejam apenas confundindo causa e efeito: como John Holt observa, "os professores dizem que deve ser difícil ler, ou não haveria tantas crianças com dificuldade de ler". John Holt argumenta que "as crianças têm dificuldade de ler porque partimos do pressuposto que ler é difícil... com nossa preocupação, 'simplificação' e pedagogia, tudo o que conseguimos é tornar a leitura cem vezes mais difícil para a criança do que deveria ser... quando estamos nervosos ou com medo temos dificuldade ou ficamos até impossibilitados de pensar e até de perceber... quando amedrontamos as crianças, bloqueamos totalmente a sua aprendizagem".

De facto, algumas pesquisas mostram que as expectativas do professor sobre a capacidade de aprendizagem da criança influenciam muito o seu desempenho acadêmico. Outras pesquisas mostram a relação entre a ansiedade da criança e sua dificuldade de percepção - e ainda que o alívio da ansiedade (e o tratamento de alergias alimentares, quando elas existem) reduz em muito a incidência dessas dificuldades. Mas não precisamos que especialistas e pesquisadores nos digam o que está errado. Precisamos apenas de ouvir as crianças e jovens, que estão há anos tentando expressar sua dor, frustração, confusão e raiva. Quando as crianças se voltam para as drogas, auto-mutilação e suicídio, é evidente que estão tentando comunicar algo muito importante.

Será que as dificuldades de aprendizagem são uma reacção compreensível de crianças normais obrigadas a conformar-se às condições anormais das salas de aula convencionais? Por outras palavras, será que as escolas são incapazes de perceber a diferença entre simples relatos de erros de aprendizagem passageiros, agravados pelo estresse, e uma conclusão científica? Embora as supostas anomalias neurológidas nunca tenham sido identificadas, não é difícil detectar condições anormais no ambiente escolar: competitividade feroz, inactividade física (particularmente difícil para os meninos), matérias fragmentadas que têm pouca relação com os interesses e as experiências individuais da criança, frequentes avaliações e testes do progresso da aprendizagem, falta de tempo para o convívio familiar, pouca oportunidade de conhecer pessoas de outras idades, falta de sossego para a privacidade e a reflexão, pouca oportunidade de receber a atenção exclusiva dos professores, desencorajamento de compartilhar ideias e trabalho com os colegas (uma oportunidade valiosa sendo desperdiçada), crianças frustradas caçoando das outras, o desencorajamento de atitudes de auto-valorização e acima de tudo a indignidade de ser um incapaz, uma "não-pessoa", cujas necessidades legítimas e tentativas de expressar essas necessidades são abafadas pela defensiva institucional. Todas essas dificuldades podem ser evitadas com a educação domiciliar - desde que o governo permita autonomia suficiente.

Classificações são incapacitantes, porque as crianças acreditam no que lhes dizemos. Se tivermos de classificar algo, que seja o ambiente de ensino e não o aluno: em vez de "criança hiperactiva", vamos nos preocupar com as escolas "restritivas de actividade"; em vez de alunos com "falta de atenção", deveríamos pensar nas aulas "sem inspiração"; em vez de "criança com fobia escolar" deveríamos usar palavras mais honestas como "ansiosa" e "amedrontada", e ter o cuidado de pesquisar o motivo da ansiedade.

Usando a Navalha de Occam, vamos procurar a teoria mais simples que explique os factos e não a mais complicada e obscura. Um ambiente estressante, punitivo e ameaçador é mais do que suficiente para explicar os problemas de aprendizagem. Não precisamos nos confundir com termos técnicos, teorias sem comprovação científica e bodes expiatórios para preservar uma instituição social que falhou com nossos filhos.

Como devemos agir então? Norman Henchey, professor da Universidade MacGill, recomenda "repensar totalmente a escolaridade obrigatória". Norman Henchey defende o regresso ao ensino doméstico e a "outras vias de amadurecimento... programas de formação de aprendizes, serviços de ensino formais e informais, servico público". Talvez assim possamos honrar o estilo individual de aprendizagem de cada criança e, como pede o Dr. Armstrong, "dar às crianças a motivação de que necessitam para se sentirem seres humanos competentes e bem-sucedidos".

As crianças nasceram para aprencer. Elas merecem ter um ambiente de aprendizagem seguro e estimulante, onde possam aprender numa atmosfera de paciência, respeito, delicadeza e confianca, sem ameaças, coerção ou cinismo. Como Einstein nos alertou muitos anos atrás, "é um grave erro acreditar que o prazer de observar e pesquisar possam ser incutidos pela coerção".

Todas as crianças são dotadas.