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quarta-feira, 23 de março de 2011

O Adultismo

Publiquei recentemente este post sobre Teresa Graham Brett, unschooler e autora. Estive a dar uma olhada no site dela e resolvi traduzir o artigo sobre o adultismo.

Fiquei a pensar que o unschooling, especialmente o unschooling radical, é provavelmente uma das poucas formas de educação não-adultista! Aqui vai então o artigo, espero que gostem.

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O adultismo é um produto do sistema de opressão. Como o relacionamento pai-filho e adulto-criança define a nossa existência e o nosso mundo desde o nascimento, eu diria que o adultismo permite a perpetuação de todas as outras formas de opressão (sexismo, racismo, heterossexismo, etc).

Em seu artigo Adultos como aliados, Barry Checkoway define o adultismo como "... todos os comportamentos e atitudes que partem do pressuposto de que os adultos são melhores do que as crianças e têm o direito de agir de várias formas sobre elas sem obterem o seu consentimento."

Ele continua, dizendo que,

Excepto os prisioneiros e uns quantos grupos institucionalizados, a vida das crianças e dos jovens é mais controlada do que a de qualquer outro grupo da sociedade.

Além disso, os adultos acham-se no direito de punir, ameaçar, bater, retirar 'privilégios' e ostracizar as crianças e os jovens a fim de os controlar ou "disciplinar".

Se esta fosse a descrição da forma como um grupo de adultos é tratado, a sociedade depressa reconheceria este tipo de comportamento como uma forma de opressão. No entanto, os adultos geralmente não consideram o adultismo como opressivo porque esta foi a maneira como foram tratados durante a sua infância; o processo foi internalizado.

A essência do adultismo é que as crianças e os jovens não são respeitados. Em vez disso, são consideradas menos importantes e, de certa forma, inferiores aos adultos. Os adultos não confiam nas suas capacidades de se desenvolverem corretamente e por isso acham que as crianças devem ser ensinadas, disciplinadas, castigadas, orientadas e preparadas para o mundo dos adultos.

A libertação das crianças e jovens requer a participação activa dos adultos. Um bom ponto de partida é analisar e compreender como nós - os adultos de hoje - fomos maltratados e desvalorizados quando éramos crianças e jovens, e como isso agora nos faz agir de uma maneira adultista.

Geralmente não se escreve muito sobre o adultismo no contexto da parentalidade. Quando o conceito é debatido, o termo adultismo é frequentemente utilizado em artigos que descrevem formas de empoderar adolescentes e jovens adultos. Raramente é usado em relação às crianças mais novas. Quando as crianças atingem a adolescência geralmente já passaram por uma década ou mais de dominação e controle por parte dos pais, professores e dos sistemas sociais que reforçam esse paradigma autoritário.

A natureza da relação entre as crianças e os pais (ou adultos) requer muitos cuidados por parte dos adultos. Muitas vezes, esta função de cuidar obscurece as formas em que nós, pais, perpetuamos o adultismo. Desde tenra idade vemos o nosso papel como o de assegurar a segurança e a saúde dos nossos filhos. Para sobreviver e crescer, as crianças precisam de nós. O facto de que elas podem não ser verbalmente hábeis pode interferir com a nossa capacidade de ver os nossos filhos como sendo plenamente humanos e fazer-nos pensar que precisamos de os controlar para seu próprio bem.

As formas em que perpetuei o adultismo foram (e às vezes ainda são) variadas e geralmente subtis. Eu certamente não as reconheci como tal durante os primeiros 5 anos da vida do meu filho e mesmo agora, quando sou opressiva, nem sempre vejo que isso está acontecendo. Rotular esta relação de controlo em termos que nos desafiam a ultrapassar as nossas suposições de que os adultos são melhores ou superiores às crianças pode ajudar-nos a entender a forma como usamos o nosso poder para controlar e, ultimamente, magoar as crianças.

Original
Ver também: A Opressão da Infância
Publicado com permissão da autora

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Para refletir


O que é o adultismo?

Quais são as consequências do adultismo para os indivíduos e para a sociedade?

Em que tipo de situações te achas no direito de punir, ameaçar, bater, retirar 'privilégios' e ostracizar os teus filhos a fim de os controlar ou "disciplinar"?

De que formas foste maltratada e desvaloriza quando eras criança?

De que forma perpetuas esse tipo de tratamento?

Se és professor/a, ou educas os teus filhos fora da escola, de que forma perpetuas o adultismo no campo do ensino-aprendizagem?

domingo, 31 de janeiro de 2010

11 anos, educado em casa, nas telas do cinema

Para muitos actores, aparecer nas telas do cinema é uma luta enorme. Para Tendal Mann, rapaz de 11 anos que aprende em casa, o percurso foi muito mais fácil e rápido: apareceu no seu primeiro filme depois de apenas 4 anos de trabalho nos palcos de Atlanta.

A família, os amigos e fãs de Tendal reuniram-se no domingo passado para a primeira exibição nos EUA de "Who Do You Love", um filme biográfico sobre o pioneiro da indústria musical Leonard Chess. Tendall aparece em nove cenas, como filho de Leonard.

Esta não foi a primeira vez que Tendall se viu na tela do cinema. "O filme estreou no Festival de Filme de Toronto há um ano e fomos à estreia", disse Tendal. "Foi uma grande gala. Eu entrei pelo tapete vermelho e assinei autógrafos. Diverti-me imenso!"

Tendal obteve o papel depois da sua primeira audição, devido aos diversos papéis que o haviam tornado confortável à frente do público.

Entre shows, Tendal faz parte do movimento de desescolarização - unschooling -, que é diferente da tradicional escola-em-casa. Ele tem várias aulas dadas por especialistas. Este ano está a aprender chinês mandarim, mas as suas disciplinas preferidas são a história e ciências.

O horário flexível proporciona-lhe o tempo necessário para actuar. "Se temos de sair da cidade é muito mais fácil. Posso levar os livros comigo."

Quando não está a estudar ou a actuar, toca bateria num grupo com dois amigos. Mas passa a maior parte do tempo livre aperfeiçoando a sua arte.

"Actuar dá montes de trabalho mas eu gosto", disse ele. "Mantém-me ocupado e até ganho dinheiro para gastar."

Adaptado daqui.