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sexta-feira, 1 de abril de 2011

Homeschooler tira as notas mais altas do país

Ontem publiquei um artigo sobre o mito de que os pais não têm conhecimentos suficientemente especializados para ensinar os filhos.

Hoje partilho notícias de mais um caso comprovando que o sucesso dos jovens educados em casa é independente do nível educacional dos pais.

***

Maria Gallagher, uma rapariga de 18 anos educada em casa, obteve as notas mais altas da Inglaterra e País de Gales nos seus 4 exames de psicologia.

A mãe, uma hipnoterapeuta de 54 anos de idade, disse estar muito orgulhosa da filha.
"Ela é a prova que o sucesso não tem nada a ver com o background ou classe social. Na nossa família ninguém tem um curso superior e não temos muito dinheiro. Somos pessoas comuns, com uma filha que adora aprender."
Maria foi educada em casa desde os 8 anos de idade. Neste momento tem uma bolsa de estudos na Universidade de Kent em Canterbury, e está a fazer uma licenciatura em Psicologia Clínica Aplicada. O seu objectivo é um doutoramento em neuropsicologia.

Original aqui.

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Advogados apoiam homeschoolers

Na Califórnia os pais são proibidos de educar os filhos em casa a não ser que tenham qualificações de pedagogia emitidas pelo Estado? Essa foi a surpreendente afirmação de um tribunal da Califórnia em Fevereiro passado.

Na sequência de expressões de choque da comunidade de homeschoolers, dezenas de milhares de famílias na Califórnia, e de funcionários públicos, jornais e políticos, o Tribunal tomou o passo incomum de reconsiderar a decisão que havia tomado.

Como não seria de surpreender, a Associação de Professores da Califórnia pediu ao tribunal para manter a decisão. A união de professores, obviamente, não aprecia a ameaça do homeschooling ao monopólio educacional da escola pública.

Em contraste, os advogados da Pacific Legal Foundation tomaram o lado dos pais, das fundamentais liberdades constitucionais e, especialmente, da liberdade de escolha no campo da educação. Citaram o precedente do Supremo Tribunal dos EUA que defendeu os direitos dos pais de orientar e supervisionar a educação dos filhos, e citaram a ex-juíza Sandra Day O'Connor:

"A cláusula do devido processo não permite que o Estado viole o direito fundamental dos pais de decidirem o modo de educar os filhos apenas porque determinado juiz entende que outra decisão seria "melhor".

Além disso, como disse o advogado Damien Schiff, "a experiência mostra que o homeschooling resulta e que as escolas públicas nem sempre proporcionam um ensino de qualidade."

Retirado daqui.

domingo, 17 de outubro de 2010

A doença dos diplomas

Diploma disease é um termo desenvolvido por Ronald Dore como parte da sua crítica à excessiva dependência quanto ao processo de seleção das instituições educacionais formais (e, portanto, das qualificações) como prova de habilidade, treino e mérito para entrada em certas profissões, carreiras ou no mercado de trabalho interno. Este fenómeno é por vezes chamado inflação de credenciais (ou qualificações) acadêmicas.

Como consequência não-intencional da crença de que as qualificações acadêmicas são essenciais para se conseguir os empregos mais bem pagos e mais seguros, os indivíduos esforçam-se continuamente por obter qualificações acadêmicas cada vez mais altas a fim de conseguirem empregos que anteriormente não exigiam estas qualificações, e para os quais a educação que adquiriram nem sequer os prepara.

A educação torna-se assim um mero processo ritualista de acumular qualificações.


Fonte: GORDON MARSHALL. "diploma disease." A Dictionary of Sociology. 1998.

Vale a pena ler:
Healing Ourselves from the Diploma Disease (abre ebook)
Healing Diploma Disease

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Educada em casa, agora na Universidade

Tradução livre de um trecho deste artigo publicado há 2 dias no Time Educational Supplement, onde Jessica Conray, que está agora na Universidade de Glasgow a tirar o curso superior para professora, fala da sua experiência do ensino domiciliar:

"Eu fui educada em casa até aos 14 anos. Foi muito bom. Geralmente as pessoas imaginam que sem ir à escola é impossivel fazermos amizades. Mas eu não vivo afastada do convívio do mundo!

Foi muito relaxante ser educada em casa. A minha mãe ensinou-nos imenso sem nos apercebermos disso. Acordava-nos e lia para nós - Shakespeare ou o que achava que íamos gostar. Aos 6 anos o meu pai já nos tinha lido A Odisseia. Eu era obcecada pelos egípcios, por isso fiz muitas actividades sobre eles. Cada um de nós seguia os seus interesses. Aprendemos matemática mas usávamos blocos e outras coisas divertidas e também cozinhávamos juntos.

Quando era pequena não sabia que era disléxica. A minha mãe dizia apenas que eu aprendia de uma forma diferente porque ficava frustrada facilmente quando não compreendia as coisas."

terça-feira, 13 de abril de 2010

Pedaços de papel...

Pedaços de papel sem valor nem significado excepto o que lhes é subjectivamente dado pela mente de cada um...

E aqui (do início até à pg.23) podem ver a arte da filha do Alan, agora em exibição na Galeria Brown.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Lara, 14 anos, conta a sua história II

Continuação (começa aqui)...

Depois de um ano em casa estou a encontrar o meu niche na comunidade do ensino doméstico. Em relação aos objectivos acadêmicos, sou eu quem os decide e quem tem a última palavra. Depois de decidir a que exames do 10 e 11º ano quero autopropor-me no final de cada ano, eu e o meu pai examinamos metódicamente os programas curriculares correspondentes, fazemos listas e um plano de acção com prazos a cumprir.

A coisa mais próxima que tenho de um horário escolar é um plano trimestral que o meu pai elabora umas semanas antes do início de cada período acadêmico. Especifica os meus objectivos para as semanas que se seguem e inclui coisas como listas de livros para ler, vídeos para ver e fontes para consultar. Mentalmente, eu divido esse plano em coisas a fazer em cada semana e em cada dia. Digamos que a minha capacidade de gestão do tempo melhorou drasticamente durante este ano!

Muitas famílias homeschoolers vêem os exames do 11º ano como um obstáculo, algo onde a sua expertise não é suficiente, mas eu não concordo. Eu estou a fazer um curso por correspondência, o que me dá a liberdade de estudar quando e como quero, mas recebo orientações quanto a prazos, leituras e preparação para os exames. Sim, temos de completar muitos trabalhos mas a flexibilidade da aprendizagem em casa dá-nos as condições ideais para isso.

Aprende-se muito mais sobre auto-motivação e disciplina do que na escola. Quando somos nós a estabelecer os nossos objectivos nada nos pode parar.

Eu vou fazer dois exames este Verão e o ensino doméstico tem sido fantástico para os meus estudos. Tenho o tempo necessário para me dedicar ao estudo, completar os trabalhos e aprofundar cada disciplina como deve ser. Na escola, quando é que podemos fazer isso?

Continua...

sábado, 5 de dezembro de 2009

Jovem empresário educado em casa

Vocação é algo que Louis Barnett certamente não tem falta. Louis, 16, teve muitas dificuldades durante os primeiros anos na escola devido à dislexia e dispraxia não-diagnosticadas - distúrbios associados a problemas de percepção, linguagem e pensamento. Em desespero, sua mãe Maria tirou-o da escola tinha ele 11 anos:

"As coisas teriam piorado se o tivesse lá deixado, ele andava incrivelmente frustrado."


Como muitas crianças que abandonam o sistema escolar para serem educadas em casa, Louis atravessou um período de ajustamento e, sendo-lhe permitido seguir os seus interesses, depressa descobriu um talento para fazer chocolates belgas. Ambição e um toque de sorte resultaram no grande momento, quando obteve um contrato com o supermercado Waitrose para as suas caixas de chocolate comestíveis.

Desde então já teve uma audiência pessoal com o primeiro-ministro Gordon Brown e dirigiu-se a uma audiência de 3000 pessoas no Lyceum em Londres sobre um tema muito importante para ele - o uso de óleo de palma em chocolate. De Setembro de 2007 a Fevereiro de 2008 a sua empresa Chokolit girou mais de £150.000 e é um sucesso tão grande que os pais e o seu ex-tutor abandonaram os empregos para trabalhar para ele.

Agora já está preparado para o mercado internacional com o lançamento da barra de chocolate Biting Back, que destaca a causa do orangotango em Bornéu, cujo habitat está sendo devastado pela demanda de óleo de palma.

Louis, como seria de prever, não vê a falta de qualificações como obstáculo ao sucesso:

"Temos de agarrar as oportunidades quando elas surgem. Eu fiz um bolo para o aniversário da minha tia e os amigos dela ficaram tão impressionados que me pediram para fazer bolos para eles. Quando vi os primeiros £20 percebi que podia fazer isso todos os dias. Mas temos que estar preparados para trabalhar. Quando saí da escola, comecei a fazer trabalho voluntário com um falcoeiro. Ele disse-me "só tens 12 anos, tens que provar o teu valor se quiseres trabalhar aqui". Deu-me os piores empregos mas eu persisti e passado uns tempos comecei a percorrer o país fazendo exposições. Essa experiência ensinou-me que temos que trabalhar a sério para conseguirmos o que queremos."


A essência da filosofia da família Barnett é a ideia de que os jovens devem seguir os seus interesses e talentos. Para o jovem empresário, a vida está cheia de oportunidades:

‘Se não encaixas no sistema, procura uma alternativa. A vida académica não é para todos e podemos descobrir os nossos potenciais mais cedo ou mais tarde.’

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ensino doméstico: acesso ao ensino superior

Uma das perguntas mais frequentes em relação ao ensino doméstico, especialmente em relação ao unschooling, é: mas, e as qualificações? se não fizerem os exames do 11º e 12º ano como é que podem entrar para a universidade? Bem, uma das opções é usar um College.

Colleges são instituições de ensino para maiores de 16 anos (embora vários já ofereçam algumas opções para jovens dos 14 aos 16) que oferecem vários cursos a vários níveis (mais ou menos do 10º/11º ano ao bacharelato), part time ou full time, que se podem fazer de dia ou de noite.

As fotos que aqui vêem são do Bristol City College. Fomos lá a semana passada fazer a matrícula para o curso de PC Servicing que vai começar em Janeiro.

Para ficarem com uma ideia, este College tem 8 departamentos e oferece mais de 1,000 cursos. Tem mais de 30.000 alunos e destes 7000 são jovens dos 16 aos 18 anos.

Em Colleges como este podemos fazer os cursos de preparação /entrada para a Universidade, úteis para quem optou pelo unschooling e quer ter acesso ao ensino superior sem ter que seguir a via tradicional do 11ºano e 12ºano. Estes cursos de acesso ao ensino superior podem ser feitos num ano full time ou em 2 anos part-time.

Há, no entanto, várias pessoas educadas em casa que entram para a universidade simplesmente através do seu portfolio e da entrevista inicial. Mas isso, claro, é aqui no Reino Unido. Em Portugal e no Brasil não sei...

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Transformando a aprendizagem em estilo de vida

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa:

A educação em casa não separa a aprendizagem da vida mas transforma-a num estilo de vida

Kerrin, 17 anos, de Hampshire
A vida é uma sala de aulas e aprender é muito mais do que livros e exames. Uma educação personalizada, relevante e contextualizada é algo que é realmente muito precioso.

Andy, 23 anos, residente na Nova Zelândia
Agora vejo que “escola em casa” é a expressão errada. A educação em casa tem a ver com a remoção da “mentalidade de escola” das nossas mentes e com o abraçar da educação como um simples aspecto da vida, integrando-a na maior parte dos aspectos da nossa vida - sem a necessidade de especificar que horas do dia estão reservadas para a "aprendizagem".

Jazmin, 15 anos, Oxfordshire
Eu adoro ser educada em casa e quero que todos compreendam como é que o unschooling funciona para que possam ver as suas vantagens e compreender como é que a interferência por parte do Estado só levaria a mudanças intrusivas e desnecessárias do nosso estilo de vida.

Chloe, 16, de West Sussex
Sou educada em casa mas este não foi sempre o caso; eu comecei a frequentar a escola aos 4 anos, como a maioria das outras crianças. Contudo, os meus pais retiraram-me de lá um pouco antes do meu 9º aniversário - eu estava muito estressada, ficando muito reclusa e dormindo mal, e os meus pais decidiram experimentar o ensino doméstico.

Para mim, aprender em casa era como se fosse um sonho maravilhoso, cheio de jogos, amigos de verdade de todas as idades que não me batiam nem gozavam comigo, e coisas diferentes para fazer todos os dias.

Eu fazia trabalhos formais - talvez 1 ou 2 horas, de manhã, quando a minha mãe pacientemente me ensinava geografia e matemática. E às vezes também aprendia com o meu pai à noite, embora de uma maneira menos formal: aconchegados no sofá, conversávamos sobre ciência e o sentido da vida.

O resto do tempo era passado lendo livros no meu quarto, ajudando a minha mãe na cozinha, apanhando bichinhos no jardim, convivendo com amigos de todas as idades e backgrounds, trepando árvores, participando nos eventos organizados pelo nosso grupo do ensino doméstico, frequentando clubes (ginástica, danças folclóricas, etc), e fazendo uma série de outras actividades. Posso sinceramente dizer que não passei um momento de tédio!

Porém, depressa voltei para a escola, a tempo parcial, para fazer o último ano da primária. Os meus pais acharam que não me podiam ensinar a nível do secundário e queriam facilitar o processo do regresso à educação institucional.

Fui falar com o director de uma escola perto da nossa casa e chegámos a um acordo em relação aos termos da minha presença - eu iria à escola 3 dias por semana, ajudaria a turma da pré-primária uma vez por semana, só faria os trabalhos de casa que achasse interessantes e usaria o uniforme da escola com a minha bandana (a que estava muito apegada naquela época).

Lembro-me do receio que senti ao pensar que se calhar não iria estar ao nível das outras crianças, pelo menos nas áreas em que não tinha estudado muito. Essas preocupações eram infundadas: eu estava no topo da classe em tudo! Pela primeira vez, também fiz algumas amizades através da escola, embora fossem muito mais inconstantes do que as amizades entre os jovens educados em casa, e um pouco previsíveis por serem todos da mesma idade...

Nos dias em que não ía à escola a minha vida manteve-se inalterada, com o mesmo fluxo de trabalho e lazer. No final do ano fiz os exames e passei com óptimas notas. Ganhei uma bolsa de estudos para uma pequena escola privada só para meninas. Escolhi essa escola porque as turmas eram pequenas - 12 alunas em cada classe.

Assim, comecei a frequentar a escola em tempo integral. Não funcionou. A classe inteira era estritamente cristã e muito mais rica do que eu. Quase todas as meninas já tinham seus grupos de amigos bem estabelecidos e embora inicialmente não tivesse sido vítima de violência escolar não me consegui relacionar com nenhuma das minhas colegas, e as meninas no ano seguinte não queriam ser vistas com meninas mais novas que elas.

Quanto ao ensino, não estava adequado ao meu calibre, nem podia estar - de todas as minhas colegas, só 2 não tinham necessidades especiais, e 3 tinham dificuldades de aprendizagem graves. Tive de suportar lições de uma simplicidade que só me entorpecia a mente: o trabalho era fácil mas, se acabasse depressa só me davam mais trabalhos do mesmo tipo. Aprendi a trabalhar devagar e a manter a minha cabeça baixa, mas não estava feliz.

No final do ano os meus pais deixaram-me pedir a transferência para uma escola diferente e no início do 8º ano entrei para uma escola secundária normal - uma escola grande para raparigas perto de um dos bairros sociais da cidade.

Foi outro desastre. Não reconheceram a minha capacidade e colocaram-me inicialmente num grupo muito fraco. Depois, com grande firmeza, ignoraram as minhas queixas sobre a violência escolar de que era vítima. Eu andava cheia de tédio, mesmo quando me mudaram para o grupo mais avançado, e não tinha amigas porque não estava interessada nas mesmas coisas que as minhas colegas, e elas não gostavam de mim porque eu não encaixava. Depois do 2º período fiquei doente devido ao estresse e a escola ainda não tinha feito nada para acabar com o bullying. Relutantes, os meus pais, uma vez mais, retiraram-me da escola.

Levei cerca de 6 meses a recuperar dessa experiência, a aprender que podia confiar nos outros e a recuperar o amor à aprendizagem. Depois decidi estudar para o exame de ciências do 11º ano e acabei fazendo o de matemática também porque por engano o meu pai inscreveu-me em ambos. Tendo estudado por menos de um ano, fiz os exames numa escola aqui perto e tive notas óptimas nos dois.

Depois decidi começar a estudar física e matemática do 12º ano. Fiz os exames 2 anos mais cedo do que o normal. Ah, e também fiz latim do 11º ano. Paralelo a tudo isso fiz outros estudos menos estruturados, aprendi alemão com uma amiga da nossa família e fui a vários eventos organisados pelo nosso grupo do ensino doméstico. O ritmo da vida era fácil, o espírito era inquisitivo e sociável.

Agora que terminei os exames com excelentes resultados podia continuar a fazer outras disciplinas do 12º ano mas duvido - estou mais interessada nos cursos de curta duração oferecidos pela Universidade Aberta. Além disso, agora tenho dois empregos – ensinando matemática e inglês, e pesquisando para um livro. E também ando muito ocupada com o meu trabalho como presidente do Home Educated Youth Council, com o movimento cidades em transição e com o curso de taquigrafia.

Adicionem a isso os meus estudos não-progressivos - eu escrevo, toco piano, desenho, faço jóias, cozinho, etc. -, os meus amigos (espalhados por todo o país mas ainda visitados regularmente) e todos os projectos para o futuro - experiência de trabalho em duas fazendas leiteiras, um curso de açougue, aprender alfaiataria e a trabalhar o couro, escrever um romance, fundar a minha própria escola e aprender carpintaria - e torna-se óbvio que realmente não tenho tempo para seguir a rota mais tradicional ou planejar o que fazer a seguir.

A minha educação pode não ser a do currículo nacional, mas isso não parece estar a prejudicar as minhas perspectivas. E não tenho que me submeter àquele tédio entorpecedor que experimentei na escola. Tenho interesses demais para seguir um caminho pré-definido e adoro ter uma interacção social variada.

Assim, para mim, a educação em casa é ideal. Permite-me adquirir uma educação excelente apesar da minha vasta gama de interesses. E as qualificações que não tenho? Bem, eu confio que o meu comportamento irá demonstrar a minha competência, e deixarei que as pessoas me julguem pelo que sou e não pelos papéis que acumulei.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Promovendo a auto-estima dos filhos...

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa:

A educação domiciliar produz, em última instância, indivíduos auto-direcionados e confiantes


Kerrin, 17 anos, de Hampshire
Quando as pessoas se sentem respeitadas e valorizadas elas desenvolvem um senso de identidade pessoal. Nós precisamos de pessoas que não baseiam o seu valor apenas na opinião alheia mas nos seus sentimentos profundos sobre o que a vida realmente é. Essas pessoas são bem sucedidas na vida; elas sabem quem são e ninguém lhes pode roubar essa confiança, mesmo que não tenham seguido o caminho mais percorrido. Estou cada vez mais convencida de que se tiverem auto-confiança e amor à vida, todas as pessoas irão fazer a sua contribuição, seja ela qual for.

No início do ano passado passei uma semana navegando à vela com o Ocean Youth Trust South. Depois disso fui convidada a trabalhar como voluntária e patrocinaram a minha formação. Desde então, já fiz cinco viagens no "John Laing" como contramestre substituto. Isso deu-me a oportunidade de obter qualificações e conhecimentos (eu terminei RYA Start Yachting, Competent Crew, e a maioria do currículo Watch Leader) e, ao mesmo tempo, ajudar e dar apoio a quem lá aparecia - indivíduos, grupos de jovens, grupos das escolas privadas e grupos de adolescentes portadores de deficiência e/ou economica e socialmente desfavorecidos. As competências de trabalho em equipe e relacionamento interpessoal que desenvolvi devido a ter crescido com 4 irmãos provaram sua utilidade ao navegar com 17 outras pessoas. Gosto de trabalhar com OYT e por isso hei-de continuar.

George, 12 anos, de Lancashire
Agora que sou educado em casa não tenho de me sentar na mesa dos miudos que dão problemas. Eu não era desobediente mas como não conseguia acompanhar o resto da classe tinha de me sentar com eles, o que tornava as coisas ainda mais difíceis para mim pois estavam sempre a distrair-me.

Agora que sou educado em casa a minha mãe ajuda-me sempre que preciso: ela explica-me as coisas que eu não entendo e tem sempre tempo disponivel para se certificar que eu entendi. Quando eu estava na escola o professor nunca tinha tempo e nem sequer ouvia quando eu dizia que não compreendia. Tinha que passar o tempo do recreio tentando recuperar.

Agora que sou educado em casa posso fazer as coisas ao meu próprio ritmo sem a preocupação de acompanhar os outros. Agora que sou educado em casa tenho muito mais confiança na minha capacidade de aprender e fazer os trabalhos. Agora que sou educado em casa eu posso finalmente ser quem sou!

Continua aqui.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Criando suas próprias oportunidades...

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa

Os jovens educados em casa são pró-activos na criação das suas próprias oportunidades de aprendizagem

Kerrin, 17 anos, de Hampshire
Há pessoas que pensam que como não frequentamos a escola estamos perdendo oportunidades. Julgam que na escola há muitas oportunidades. Isso pode ser verdade mas nós temos outras oportunidades. Como fui educada em casa, eu tive a oportunidade de aprofundar o meu interesse em cavalos e avançar a um ritmo muito mais rápido do normal porque tinha tempo disponível para tal.

Completei o 1º estágio do BHS e agora estou a estudar o nível 3 de Parelli Natural Horsemanship. Estou especialmente interessada em cavalos com problemas comportamentais: no que é que os levou a esses comportamentos e no que se pode fazer para ajudá-los a resolver essas problemas. Estive em muitas clínicas de Natural Horsemanship, como espectadora e participante. Passei inúmeras horas trabalhando (voluntária e remuneradamente) em vários estaleiros equestres. Também tive a oportunidade de trabalhar com um instrutor de equitação, o que foi muito útil. Tive os meus próprios cavalos e ajudei a treinar os cavalos de outras pessoas. Ganhei dinheiro suficiente para comprar um pequeno ponei que eu mesma treinei e apoiei desde o princípio - ele tem agora 4 anos e está pronto para ser vendido a uma casa especial. Tenho muito orgulho do trabalho que fiz com ele. Além disso, ensinei as minhas irmãs mais novas quase tudo o que sabem sobre cavalos e equitação, o que tem sido muito gratificante.

Em alguns casos raros, os jovens educados em casa podem não ter a “oportunidade” de aprender em grupo. Mas desenvolvem outras competências, como flexibilidade e concentração - sou capaz de aprender tanto com a minha irmã de 8 anos como sentada num seminário destinado a adultos. Dito isto, porém, como tive a possibilidade de concluir os exames do 11º ano com um grupo de adolescentes educados em casa que eram mais ou menos da minha idade, eu, pessoalmente, não perdi oportunidades em relação à dinâmica de grupo. Além disso, também faço parte de um grupo de teatro onde trabalhamos com pessoas de todas as idades. Estou no mesmo grupo de teatro que a minha irmã mais nova, o que é muito divertido porque todos os meus amigos acham-na um amorzinho.

Muitas famílias que praticam o ensino doméstico reúnem-se uma ou duas vezes por semana para estudarem em conjunto, criando um ambiente de aprendizagem muito cooperativo. Há sempre pais devidamente qualificados em certas matérias que ajudam as crianças nessas áreas – um pode orientar um grupo de matemática enquanto uma das mães orienta um grupo de literatura... As crianças mais velhas podem ajudar a cuidar dos pequeninos enquanto os pais trabalham com os adolescentes, ou os adolescentes podem concentrar-se nos seus projectos enquanto os mais novinhos brincam.

No entanto, como já vos disse, a aprendizagem não ocorre apenas dentro dos limites da sala de aula - ídas semanais à piscina pública podem ser igualmente educativas. As famílias que praticam o ensino domiciliar juntam-se frequentemente e vão a muitos passeios. Actividades em que já participámos incluem: cursos de orientação, visitas a museus, edifícios históricos e jardins zoológicos, actividades artísticas e artesanais, centros de aprendizagem prática, dias desportivos, viagens a grandes cidades, concertos, teatro, cinema e dias na praia. As excursões são uma das características da educação em casa; andamos sempre em viagens de um tipo ou de outro. Como estruturalmente os grupos são normalmente mais pequenos e mais informais do que na escola, estes passeios podem ser mais personalizados.

Eu tive muita sorte em ter tido a oportunidade de seguir os meus interesses sob a tutela de pessoas que são altamente qualificadas e adoram o que fazem. Os meus pais esforçaram-se por ajudar-me a ter acesso aos peritos dessas áreas.

Malchus, 19 anos, vive agora na Alemanha
A educação em casa deu-me a oportunidade de abordar matérias de forma intensa e durante o tempo necessário. Foi-me possível abordar estas disciplinas sozinho com acesso a assistência quando precisava.

Através das minhas inúmeras viagens entrei em contacto uma variedade enorme de pessoas e fui exposto a diversas culturas e estilos de vida. Aprendi várias línguas naturalmente, sem necessidade de aulas ou professores. Já terminei a minha licenciatura e agora estou a preparar-me para trabalhar por conta própria. Sou muito feliz.

Continua aqui.

domingo, 8 de novembro de 2009

Transformando sonhos em realidades...

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa

Os jovens educados em casa são capazes de concretizar suas metas e objectivos



Kerrin, 17 anos, de Hampshire
Inicialmente os pais apoiam e facultam as experiências de aprendizagem dos filhos mas à medida que eles vão crescendo, eles vão se tornando capazes de gerir a sua própria aprendizagem. Como sabem o que querem e estão motivados, têm a perseverança necessária para suceder.

Nos 17 anos em que fui educada em casa eu desenvolvi um interesse pela aprendizagem como estilo de vida, e não como algo separado da minha vida diária, e tenho em aberto várias opções de carreira.

Completei com sucesso várias cadeiras do 11º ano, exames da British Horse Society e de Parelli Natural Horsemanship, obtive certificados da Royal Yachting Association, de ballet e de sapateado. Agora estou planejando passar alguns meses com uma associação que trabalha com crianças órfãs na Tanzânia e, depois disso, estou a pensar fazer uma licenciatura com a Open University.

Peter, 13 anos, de Suffolk
Agora, a minha curiosidade sobre qualquer assunto pode ser satisfeita a qualquer hora e sem me desviar das minhas próprias ideias sobre o que eu quero aprender. Eu adoro a educação em casa, que me tem dado a liberdade de aprender ao meu próprio ritmo. É uma maravilha!

Daniel, 21 anos, de Londres
Até aos 11 anos o meu horário consistia num simples conjunto de exercícios tirados de livros didáticos: matemática, inglês, geografia, italiano, francês e educação física (correr à volta do jardim em tricículos). Quando acabava os exercícios estava livre para brincar com o meu irmão mais velho. Mas a aprendizagem não terminava na "sala de aula"... A regra de ouro era não ver televisão ou coisas desse tipo antes do almoço.

Depois dos 11 anos as coisas tornaram-se ligeiramente mais estruturadas. Das 9 às 11 horas tinhamos inglês, ciências e história da Bíblia com a minha mãe e depois eu e o meu irmão fazíamos trabalhos que eram corrigidos e avaliados pelos nossos pais. Esta foi a norma até termos acabado o 11º ano. Tive boas notas a francês e espanhol e notas razoáveis a matemática e inglês.

Jenni, 19 anos, de Hampshire
Há algo muito poderoso na liberdade de escolher os nossos próprios objectivos, em ter essa responsibilidade, essa compreensão directa do motivo específico que nos leva a decidir fazer algo. Para mim, é um factor muito importante na auto-motivação porque eu prefiro isso muito mais do que receber ordens de alguém, ou do que fazer algo apenas "porque" alguém me mandou fazer, ou porque alguém achou que era o melhor para mim, ou porque todo mundo faz...

Eu pergunto-me constantemente: "por quê"? Por que é que estou fazendo o que estou a fazer, como é que estou crescendo e a que é que isso me conduzirá? Eu prefiro avaliar o meu progresso com base em onde é eu estava e como tenho vindo a melhorar do que comparando-me aos feitos dos outros. No entanto, a vida de certas pessoas traz muita inspiração ao meu percurso pessoal e acredito que há benefícios na aprendizagem em grupo.

Na primeira parte da minha vida as minhas ferramentas de aprendizagem foram ecléticas: um texto de matemática, várias fichas de trabalho, montes de livros, viagens e experiências educativas muito práticas na vida real e na internet. Fiz e experimentei coisas que as crianças que frequentam a escola não têm a oportunidade de fazer ou experimentar.

Estudei latim durante um ano. Não gostei muito mas ainda bem que fiz. Depois de ter feito 14 anos comecei a pensar fazer algumas cadeiras do 11º ano e gostei de ter uma certa estrutura formativa na minha aprendizagem. Também fiz dois anos de formação profissional de balé (2007 e 2008) numa companhia de balé e não na escola por isso a ênfase da formação não era acadêmica.

No entanto, no 2º ano decidi fazer duas cadeiras do 12º ano por correspondência que terminei este ano. Acabo de sobreviver ao 2º dia da minha 2ª semana na Universidade de Winchester, onde estou a estudar jornalismo, coreografia e dança, e estou a dar-me bem.

Concluindo, acho que a minha jornada levou-me com sucesso ao ensino sperior, mas a jornada foi muito diversificada e interessante - o que a torna, em si mesma, valiosa. Foi-me dada a oportunidade de explorar ideias sem a distração da pressão de grupo. Como não tive de me submeter às normas da sociedade, vi o mundo a partir de uma perspectiva mais ampla. A educação em casa permitiu-me desenvolver um forte sentimento de identidade pessoal.

Continua aqui.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Aprendendo ao seu próprio ritmo...

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa

O ensino domiciliar permite que as crianças se desenvolvam ao seu próprio ritmo, de acordo com as suas aptidões e habilidades únicas.


Kerrin, 17 anos, de Hampshire
Como o currículo é personalizado, a ênfase pode ser colocada nas suas características únicas, nos seus talentos individuais, nas suas capacidades cognitivas e nos seus interesses. O ritmo a que as competências são desenvolvidas pode ser definido de acordo com cada indivíduo. Enquanto alguns têm maior inclinação para o trabalho intelectual (e em casa podem avançar mais rapidamente do que na escola), outros precisam de mais tempo para desenvolver competências acadêmicas. Entretanto, podem desenvolver outros talentos como a música, arte, dança e/ou desportos.

Por exemplo, a matemática nunca foi o meu forte. Os meus pais ficavam tão exasperados que desistiram; deixaram de tentar ensinar-me matemática quando eu tinha 9 anos.

Se eu tivesse ido para a escola teria tido problemas porque não me conseguia concentrar nos trabalhos acadêmicos por mais de 15 minutos de cada vez e tinha muita necessidade de movimento. Teriam concerteza feito com que eu me sentisse um fracasso, e é sempre difícil sentirmo-nos diferentes do resto do grupo. Mas em vez de verem a minha quantidade enorme de energia como um problema, os meus pais incentivaram-me a usar essa energia de forma construtiva - em aulas de equitação, de desportos aquáticos e natação; também andava muito de bicicleta, cozinhava e brincava muito.

Além disso, desenvolvi os meus talentos artísticos. Na época, a minha mãe tinha uma amiga que era professora de arte numa escola da nossa zona. Além de me dar aulas particulares, ela deixava-me ir às aulas que dava nessa escola. Tive bastante sucesso com a minha arte e acabei ganhando uma série de prêmios.

Quando entrei na adolescência, apercebi-me da necessidade de certas disciplinas acadêmicas. Assim, aos 14 anos, juntei-me a um grupo de 10 alunos educados em casa que se estavam a preparar para os exames do 11º ano de artes de teatro. No início achei a carga de trabalho dificil porque não estava acostumada a ter prazos para escrever redações. No entanto, o professor deu-me muito apoio e desafiou-me a superar os meus medos. Nove meses depois fizemos o exame e eu passei! Fiquei felicíssima! Para mim, passar esse exame foi importante, um triunfo, um símbolo de superação de algo que no passado havia sido problemático. Tinha sido a minha primeira prova escrita e eu estava preparada para ela, para tomar responsibilidade pelos meus estudos e pelos meus altos e baixos.

Tendo feito essa cadeira do 11º ano, fiquei confiante da minha capacidade de fazer outras. Assim, no ano seguinte, completei mais duas disciplinas com notas ainda melhores. Agora estou a estudar literatura e matemática, a minha velha inimiga... estou a preparar-me para outro exame.

No entanto, os exames do 11º ano não têm sido o foco mais importante da minha vida. Eu adoro cavalos e por isso tenho-me concentrado muito mais nos meus estudos equinos (com a British Horse Society e estudando Parelli Natural Horsemanship) e nos meus 6 cavalos.

Acho que aquela ideia de que "quando o aluno está pronto, o professor aparece" contém muita verdade. Por que é que a nossa sociedade coloca as crianças sob tanta pressão para estudar isto ou aquilo quando elas ainda não estão prontas para essas disciplinas? Não quero dizer com isto que as disciplinas são más ou que as crianças não estão interessadas nelas, mas o timing pode estar completamente errado.

Beth, 11 anos, de Leicestershire

A educação domiciliar libertou-me. Agora sou capaz de aprender de verdade, em vez de ficar para ali sentada numa sala onde não aprendo nada e depois ouví-los ralhar comigo por me ter esquecido do que disseram. Na escola eles são uns bullies: intimidam-nos para aprender e intimidam-nos se não aprendemos.

Toby Williams, de 18 anos, da Escócia

Eu fui educado em casa dos 7 aos 16 anos. A minha situação talvez seja um pouco diferente do normal porque aprendi em casa até ao 11º ano mas depois frequentei a escola para fazer apenas uma disciplina, a matemática; estudei física e história do 11º ano sozinho.

Tendo obtido bons resultados em todas as disciplinas (também me tinha candidatado a 3 exames no ano anterior) fui estudar para um college e saí de lá 2 anos depois com qualificações decentes e um lugar na Universidade de Strathclyde para fazer uma licenciatura em Engenharia Civil.

Eu diria que o ensino doméstico preparou-me muito bem para o curso que queria fazer. Devido à sua flexibilidade, deu-me a oportunidade de estudar as disciplinas que eu gostava. Olhando para trás, acho que a educação em casa resultou muito bem comigo porque me deu a liberdade e, portanto, a confiança para fazer o que eu queria realmente fazer.

Continua aqui.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Aluno universitário descreve sua educação em casa

A educação fora do comum de Alex Dowty

Fui educado em casa dos 8 aos 18 anos. Não fiz o 11º nem o 12º ano e nunca me candidatei a exames mas estou no 3º ano do curso de direito na Universidade de Oxford. Uma das universidades a que me candidatei enviou-me um e-mail dizendo: "Você não preencheu as formas correctamente."

Para quem estuda em casa, fazer os exames do 11º e 12º ano pode ser caro e complicado, especialmente quando o objectivo é fazer vários exames. Cada exame pode custar mais de £100 e as escolas não têm incentivos para ajudar os jovens que não estão matriculados nelas. No entanto, Oxford foi maravilhosa - muito aberta, muito flexivel, aceitou as minhas qualificações da Open University.

Educar em casa nunca foi o plano. Quando eu tinha 8 anos a minha escola fechou durante uma altura desfavorável do ano. Sabendo que tinham de organisar uma alternativa, os meus pais perguntaram-me se eu gostaria de experimentar o ensino doméstico. Eu concordei e gostei desde o princípio. O meu pai é advogado e é ele quem traz o dinheiro para casa. A minha mãe dirige uma organização que protege os direitos das crianças mas trabalhava a partir de casa e tinha muito tempo para nós. Ela tinha dado aulas mas não tinha formação em pedagogia.

A educação domiciliar é muito menos drástica do que as pessoas imaginam. Não ficamos em casa o dia inteiro sem ver ninguém. As outras crianças só estão na escola 6 horas por dia. A única diferença é que durante essas 6 horas não estamos na escola, mas por aqui e acolá - é um estilo de vida muito menos sedentário.

Meus pais deixaram-nos, a mim e ao meu irmão, seguir uma abordagem autónoma. A orientação que nos davam era muito irregular - éramos supervisionados, mas de uma maneira muito informal. Nunca tivemos prazos, exames, trabalhos de casa ou horários; no entanto, não tenho problemas de auto-disciplina. Podia não fazer nada na quarta-feira mas trabalhar sem parar durante o fim de semana. Tive fases em que fazia caminhadas na Snowdonia e fases em que passava 2 semanas lendo sossegadamente num cantinho. No início, passei alguns meses assistindo programas de televisão sem qualidade nenhuma e jogando no computador. Se tivesse continuado, os meus pais teriam agido mas depressa me fartei disso. A minha capacidade de ver televisão tem os seus limites.

A certa altura fiquei fascinado com a Antártica e a minha mãe convenceu-me a investigar com mais profundidade. Ela também nos levava a museus. O currículo nacional só é obrigatório nas escolas e os meus pais certamente não o seguiram, embora me tivessem estimulado a aprender matérias que iria precisar, como francês e matemática. Nós tivemos, por exemplo, um professor de francês que nos deu aulas semanalmente durante muito tempo. Educar é muito mais do que obrigar as crianças a estarem sentadas numa secretária e despejar nelas uma série de coisas. Para os meus pais, educar era observar quais eram as áreas dos meus interesses e depois ajudarem-me a encontrar livros, sites na internet ou museus.

Aprendi que as instituições acadêmicas - a British Antarctic Survey e o Museu da Ciência, por exemplo - estavam sempre dispostas a responder às perguntas de um miúdo de 10 anos. Adorei a liberdade - estou interessado em política e tive a oportunidade de estudar com muito mais profundidade do que o currículo nacional permitiria. As crianças educadas em casa nunca se sentem entediadas porque estão fazendo as coisas que mais lhes despertam o interesse. A minha falta de conhecimentos avançados em física não é algo que me entristeça.

A minha aprendizagem nunca ocorreu em completo isolamento – eu fazia parte de um grupo de 10 ou 15 jovens que se reuniam para fazer experiências científicas e visitas a museus. Estima-se que entre 50.000 e 80.000 crianças britânicas são educadas em casa e há um serviço de apoio, Education Otherwise, que organiza grupos em várias localidades e tem uma linha de aconselhamento. Depois dos 16 anos, para me facilitar a entrada na universidade, passei 2 anos fazendo cursos da Open University, que não exige quaisquer qualificações. Eu tinha escrito para várias universidades, dizendo: "Estas são as minhas qualificações. Vale a pena candidatar-me?" Algumas universidades disseram que não mas Oxford foi entusiástica. Trataram-me como a qualquer outro candidato; fiz um teste de aptidão e ofereceram-me um lugar.

As pessoas que nunca tiveram contacto com o ensino doméstico parecem pensar que não temos competências sociais. Eu nunca tive dificuldades em relação à socialização. Moro numa cidade e fiz vários amigos no meu bairro. Também frequentei uma escola de música onde fiz várias amizades. Socialmente, temos que ser mais activos; não nos servem amigos num prato, por isso a nossa vida social é mais como a dos adultos.

As pessoas ficam surpreendidas se não somos um gênio matemático ou musical, ou julgam que a opção pela educação domiciliar foi motivada pela firme postura política dos pais - que provavelmente serão uns hippies -, mas esse não foi o meu caso. O objectivo dos meus pais nunca foi o de ir contra o sistema. Como já disse, frequentei uma escola Steiner até aos 8 anos, onde nunca fiz testes nem avaliações. Aos 18 anos, o único exame que tinha feito tinha sido o do 5º ano de teoria da música - mas agora não tenho quaisquer dificuldades em passar exames. Em Oxford habituei-me bem depressa a eles porque fazemos exames todos os trimestres. Aqui, temos um tutorial e mandam-nos embora por uma semana para escrever um ensaio. Tirando o tutorial, era assim que a minha educação domiciliar funcionava. Em casa, eu fazia redações porque queria, não por me mandarem.

Há algumas desvantagens em não se ter as qualificações convencionais e algumas universidades, obviamente, não viram a minha candidatura com muito bons olhos, mas tenho muita experiência de trabalho, porque tinha a liberdade de sair e trabalhar. Eu não acho que a educação em casa seja perfeita mas é um modelo válido e eu dei-me muito bem com ele. Tive uma educação muito boa, que me levou a uma boa universidade e que não me causou sofrimento no caminho.

Original aqui.