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terça-feira, 26 de julho de 2011

Mundos à Parte


A Zona do Aprendizado, fundada por um grupo de famílias que pratica a educação domiciliar na Ilha de Wight, Reino Unido, produziu este excelente documentário, Worlds Apart, comparando as diferentes leis e perspectivas sobre o ensino doméstico na Inglaterra e na Alemanha.

Anna Ouston: Olá! Tenho 12 anos e o meu estilo de vida poderia ser considerado diferente. Para mim, é normal. Aprendo em regime de ensino doméstico - isso significa que não frequento a escola. Aprendo com os meus amigos e a minha família. Tenho voto naquilo que aprendo, por isso sinto-me entusiasmada durante as aulas, que são geralmente sobre algo que quero aprender.

Rebekah Gibson: Acho que a educação domiciliar é simplesmente ter a liberdade de descobrir os nossos próprios interesses e de decidir como é que queremos aprender essas coisas que nos interessam. E é uma forma de vida e de aprendizagem maravilhosa e completamente diferente.

Anna Ouston: O ensino doméstico dá-nos a capacidade de tomar decisões informadas sobre o nosso futuro e a confiança para atingirmos os nossos objectivos. Os nossos predecessores são a prova que a educação domiciliar funciona.

Infelizmente, a minha vida teria sido muito diferente se eu vivesse num país que não me deixasse aprender desta maneira :(

segunda-feira, 21 de março de 2011

Venham conhecer os unschoolers

Parentalidade para mudar o mundo



Quem são vocês?

Teresa, Rob e Martel (9) e Greyson (4). Praticamos o unschooling radical e vivemos em Tucson, Arizona.

A grande paixão de Teresa é o impacto que o estilo de parentalidade que respeita e apoia as crianças pode ter no mundo, especialmente no âmbito da mudança e justiça social.

Rod adora história e adora viajar. Com outras famílias de unschoolers, está planeando uma viagem a Inglaterra para ver a Batalha de Hastings.

O Martel adora jogos de vídeo e coloca seus clipes no seu canal youtube. Greyson adora dinossauros e dragões.
Todos nós adoramos estar juntos em família.

Como defines o unschooling?
Uma vida baseada na busca e investigação de quem somos, na conexão constante com a nossa autoridade e voz interior, combinada com o respeito mútuo, amor e sentido de humor.

Há quanto tempo praticam o unschooling?
Os nossos filhos nunca frequentaram a escola. Começámos a praticar o unschooling radical quando o Martel tinha 5 anos.

Porque optaram pelo unschooling?
Seguimos esta abordagem porque é a que melhor se enquadra na nossa maneira de ser e a que melhor reflete os nossos valores e o modo como queremos viver as nossas vidas.

Quais são as vantagens do unschooling?
O aprofundamento do nosso relacionamento em família, e a oportunidade de des-aprender em adultos as mensagens prejudiciais que aprendemos em criança sobre o que significa ser criança na nossa sociedade.

Como conseguem suster o vosso estilo de vida?
Teresa faz consultoria de ensino superior concentrando-se no diálogo inter-grupo, no planejamento estratégico baseado em valores, e na área da diversidade. Rob é o homem dos sete oficios: arqueologia, construção, carpintaria, etc. Temos a nossa própria empresa.

Se pudesses dar um conselho aos que estão considerando o unschooling, que dirias?
Como pais, o nosso papel é ir além do nosso condicionamento e da nossa socialização. Precisamos de fazer todo um trabalho interior a fim de não obstruirmos o percurso dos nossos filhos. Tomamos decisões em conjunto, gostamos de viajar juntos, mas cada um de nós está seguindo seu próprio percurso.

Link
Parenting for social change

Publicado com permissão da autora.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Unschooling: para pessoas como eu?

Kate Fridkis, ao comentar este artigo sobre o homeschooling publicado recentemente no The New York Times Style Magazine, partilha as suas memórias dos seus dias de unschooling:

Até hoje (tenho 24 anos), as pessoas ainda me perguntam como eram passados os meus dias de unschooling. O que é que eu fazia? Como é que aprendia? E a verdade é que eu não tenho a certeza. Porque os dias quase nunca eram iguais. Tive alguns livros didáticos ao longo do percurso. Talvez dois. A ideia era que todas as semanas eu completasse certa quantidade de "aulas" contidas nesses livros. E, quando me lembrava, completava uma série delas às sextas-feiras. Lembro-me de ler o tempo todo. E de escrever constantemente. Lembro-me de pintura e de tocar música. E de fazer essas coisas porque me davam prazer.

Adorava aprender de tal maneira que às vezes acho que as pessoas esqueceram-se de que as crianças e os jovens podem gostar de aprender. Porque essas actividades não eram escola, nem trabalho, nem trabalhos de casa, nem exigências. Eram parte de mim. E quando gostamos de algo o suficiente para estarmos sempre a fazê-lo, isso leva sempre a outras coisas, e tornamo-nos muito bons nisso. Soa tão simples! E as pessoas parecem querer uma resposta mais complexa. Querem saber quem eram os meus professores, que tipo de educação a minha mãe tinha. Nenhum dos meus pais frequentou a universidade. Em vez disso, os dois começaram um negócio quando eram adolescentes.

Os meus pais são muito, muito inteligentes. São muito bons em estabelecer contactos. Ambos são criativos. Mas mais importante, em termos da minha educação, foi que ambos foram capazes de concordar que eu ia sair-me bem, mesmo que nunca me sentasse numa sala de aulas. Eles acreditavam que as crianças aprendem constantemente desde que sejam incentivadas.

Continua aqui.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Educação em casa: a família De Pree

Se quiserem provas que a educação em casa resulta basta lerem a história da família De Pree.

As três irmãs foram educadas em casa desde o jardim de infância até a graduação do ensino secundário (Br: ensino médio). Agora, uma é professora universitária, outra é advogada, e outra é violinista e professora de música.

Erin, a professora universitária de 28 anos, orgulha-se do facto das três carreiras serem tão diferentes:

"Que bom sermos tão diferentes! Significa que os nossos pais ajudaram-nos realmente a descobrir os nossos pontos fortes e a dar o nosso melhor sem perdermos a nossa individualidade."

Essa é uma das vantagens da escola em casa - o currículo pode ser adaptado ao aluno. Erin teve a oportunidade de dedicar-se à ciência, uma disciplina em que se destacava, e teve o tempo que precisava para dominar a escrita, que não era o seu forte.

Joanna, 27 anos, diz que o ensino doméstico preparou-a muito bem para a faculdade, a carreira e a vida:

"Acho que o que realmente aprendi foi a pensar e a processar informação e não apenas a regurgitá-la. Uma das grandes vantagens da educação domiciliar é que aprendemos a pensar e não apenas a fazer, produzir, executar. A grande maioria nunca aprende a pensar."

Heather, 25 anos, disse-nos que quando era pequena teve dificuldades em aprender a ler mas que com o violino era completamente diferente, aprendia com uma facilidade enorme. E a aprendizagem em família foi essencial:

"É muito provável que se tivesse ido para uma escola regular eu teria sido rotulada, colocada numa classe especial e nunca ter tido a oportunidade de desenvolver as minhas potencialidades."

Começou a aprender a tocar violino aos 7 anos de idade e agora é violinista, professora de música e toca numa Orquestra.

Kathy, a mãe, decidiu educar as filhas em casa depois de ler o livro "Home Grown Kids", de Raymond e Dorothy Moore. Publicado em 1981, o livro defende o ensino doméstico.

"Eu queria ter tempo com as minhas filhas, queria ser a principal influência na vida delas, criar esse vínculo especial... e foi muito bom para a nossa família".

Estudos sugerem que os De Prees são a regra e não a excepção. Em 2003, uma pesquisa feita pelo National Home Education Research Institute estudou cerca de 7.300 adultos que haviam sido educados em casa.

O estudo descobriu que mais de 74% de adultos de 18-24 anos que haviam aprendido em casa tinham cursos universitários, em comparação com 46% da população em geral. Cerca de 71% dos inquiridos participavam activamente nas suas comunidades, passando o tempo livre fazendo trabalho voluntário, em comparação com 37% da população em geral.

A tradução é livre e parcial mas podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A escola está fora de questão

Mais uma tradução livre e parcial de um artigo sobre o ensino domiciliar publicado ontem no Reino Unido.

Preocupações sobre o bullying, um atendimento deficiente a crianças com necessidades especiais e um currículo limitado e irrelevante são apenas algumas das razões por trás do número crescente de famílias a educar os filhos em casa.

Contudo, novas propostas do Governo para a regulamentação da educação em casa podem vir a tornar a saída da escola difícil para as crianças. Em Essex, os pais-educadores estão furiosos com estas propostas, que estão neste momento a ser debatidas no Parlamento. Eles querem explicar porque é que o ensino domiciliar é tão importante e acabar com as ideias erradas que as pessoas têm em relação aos pais que educam os filhos fora do sistema escolar.

Michelle Cook, 32 anos, é mãe e ensina a filha Kate, de 6 anos, em casa. Para as duas não há dois dias iguais pois combinam a aprendizagem com visitas regulares à biblioteca, passeios em vários parques e reservas naturais, e encontros com outras crianças educadas em casa para actividades lúdicas. Para Michelle, manter a filha em casa é a coisa mais natural do mundo:

"Eu ensinei Kate desde que ela nasceu, por isso pareceu-me natural continuar a fazê-lo. Desta forma, ela pode aprender aquilo que ela quer ao seu próprio ritmo. Em geral, investigamos as coisas que lhe despertam o interesse. O ano passado andou fascinada pelo espaço. Escrevemos histórias sobre o espaço mas também aprendemos matemática. Até aprendemos geografia, pesquisando a localização das estações espaciais como as da NASA. Eu ensino-lhe a ler e escrever mas não acho que haja mais nada que ela tenha categoricamente de saber. Se ela estiver interessada, então investigamos juntas."

Michelle, que também tem um filho de 2 anos de idade, diz que um dos principais equívocos sobre a educação em casa é a ideia de que os jovens que não frequentam a escola não têm uma vida social:

"Kate tem aulas de balé todas as semanas, vai aos Rainbows e faz parte de um clube de exploradores de animais selvagens. Ela tem muitos amigos e também temos outras famílias que educam os filhos em casa com quem nos reunimos regularmente. Ela interage constantemente com adultos e outras crianças. A minha filha é uma criança muito feliz e sociável."

No entanto, se as propostas do Governo forem implementadas, a educação em casa teria que mudar. Segundo as novas regras os pais terão que registrar os filhos anualmente com a autarquia local e entregar uma declaração especificando o que pretendem ensinar aos filhos durante o próximo ano e como pretendem fazê-lo. Os inspectores iriam então fazer uma visita anual para certificar-se que esse plano está a ser seguido e interrogar individualmente as crianças sem os pais estarem presentes.

Michelle acrescentou: "Estas propostas são tão extremas! Querer interrogar as crianças na ausência dos pais é ridículo. O que vão conseguir com isso? Se são vítimas de maltratos não é a um desconhecido que vão dizer. Se estão tão preocupados com a possibilidade das crianças serem maltratadas fora da escola, então também têm de começar a entrevistar todas as crianças em idade escolar durante as férias."

Ann Newstead, 39, porta-voz da Education Otherwise, uma organização beneficente criada para apoiar os home educators, disse:

"Obviamente, abuso infantil é algo que pode acontecer mas isso são coisas que geralmente acontecem em famílias com distúrbios, que já são conhecidas pelos serviços sociais. A educação em casa está a aumentar em parte porque as pessoas estão a ficar cada vez mais cientes de que é uma opção legal. A maioria das pessoas pensa que tem que enviar os filhos à escola, mas não é verdade."

Ann disse que muitos pais optam pelo ensino doméstico porque os filhos têm necessidades educativas especiais. Ela começou a educar em casa depois de um dos seus 4 filhos ter sido tão maltratado na escola que começou a se automutilar.

Se quiserem, podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Lara, 14 anos, conta a sua história II

Continuação (começa aqui)...

Depois de um ano em casa estou a encontrar o meu niche na comunidade do ensino doméstico. Em relação aos objectivos acadêmicos, sou eu quem os decide e quem tem a última palavra. Depois de decidir a que exames do 10 e 11º ano quero autopropor-me no final de cada ano, eu e o meu pai examinamos metódicamente os programas curriculares correspondentes, fazemos listas e um plano de acção com prazos a cumprir.

A coisa mais próxima que tenho de um horário escolar é um plano trimestral que o meu pai elabora umas semanas antes do início de cada período acadêmico. Especifica os meus objectivos para as semanas que se seguem e inclui coisas como listas de livros para ler, vídeos para ver e fontes para consultar. Mentalmente, eu divido esse plano em coisas a fazer em cada semana e em cada dia. Digamos que a minha capacidade de gestão do tempo melhorou drasticamente durante este ano!

Muitas famílias homeschoolers vêem os exames do 11º ano como um obstáculo, algo onde a sua expertise não é suficiente, mas eu não concordo. Eu estou a fazer um curso por correspondência, o que me dá a liberdade de estudar quando e como quero, mas recebo orientações quanto a prazos, leituras e preparação para os exames. Sim, temos de completar muitos trabalhos mas a flexibilidade da aprendizagem em casa dá-nos as condições ideais para isso.

Aprende-se muito mais sobre auto-motivação e disciplina do que na escola. Quando somos nós a estabelecer os nossos objectivos nada nos pode parar.

Eu vou fazer dois exames este Verão e o ensino doméstico tem sido fantástico para os meus estudos. Tenho o tempo necessário para me dedicar ao estudo, completar os trabalhos e aprofundar cada disciplina como deve ser. Na escola, quando é que podemos fazer isso?

Continua...

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Lara, 14 anos, conta a sua história

Hoje deixo-vos a tradução livre de um trecho do livro Free Range Education: How Home Education Works. Se quiserem podem encomendar o livro aqui. Espero que gostem. Aqui vai:

Há um ano que aprendo em casa e posso dizer, com toda a honestidade, que nunca mais olhei para trás. Quando saí da escola estava estressada, infeliz e completamente exausta. Porém, agora, a minha situação é totalmente diferente.

A minha jornada em direcção à liberdade começou há vários anos, quando adoeci com febre glandular (mononucleose infecciosa). Durante meses fui alvo de todas as constipações e gripes que íam aparecendo e os meus professores e colegas habituaram-se às minhas ausências frequentes da escola. Estava sempre cansada, deprimida e cheia de ansiedade.

Naquela altura o ensino doméstico soava-me a algo para prodígios ou não-conformistas. Como não encaixava em nenhum desses grupos pensava que a educação domiciliar não era para mim. Mas algo dentro de mim fez com que eu não perdesse a esperança. Algures, no fundo do meu coração, sabia que tinha de haver outra alternativa. Afinal, a educação deveria ser uma benção. Eu sabia que não devia ser algo que apenas tornava a minha vida num inferno.

À medida que as semanas foram passando o meu desespero foi aumentando mas graças à internet e à comunidade global online comecei a aprender cada vez mais sobre a realidade do ensino doméstico. A comunidade era muito maior do que tinha antecipado - fiquei abismada com a quantidade de pessoas que, tal como eu, não frequentam a escola! Armei-me com informação, troquei inúmeros emails com homeschoolers de todo o mundo e pensei bastante. A escola certamente não estava a melhorar, nem a minha saúde. Mas como poderia uma miúda de 12 anos convencer os pais a deixá-la não frequentar a escola?

Tive muita sorte porque os meus pais têm mentes abertas. Com um certo cepticismo concordaram investigar o assunto. Estavam convencidos que iriam dizer não mas como queriam ser justos resolveram pesquisar esta alternativa educacional. A pesquisa dominou a maior parte das férias do Verão. Consultámos livros, sites na internet e entrámos em contacto com várias organizações. Quase todas as manhãs o carteiro trazia-nos material de organizações (como a EO e a HEAS) e pouco a pouco a atitude dos meus pais começou a mudar. Tal como eu, ficaram surpreendidos com tudo que o ensino doméstico tinha para oferecer e quando chegou a hora da decisão deixaram-me dizer adeus à escola. Com o apoio dos meus pais, estava felicíssima da vida!

Contudo, os meus pais deixaram a decisão final ser minha. Enquanto o meu coração estava desesperado por se libertar da escola, a minha cabeça contemplava as enormes mudanças que o ensino doméstico iria trazer; mas, armada com tantos conhecimentos sobre o mundo fora da escola, acho que não poderia ter voltado para a escola para sempre. Optei pela educação em casa e frequentei a escola durante mais um período antes da despedida final, no Natal.

Adeus escola, olá liberdade!

Continua aqui.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Necessidades Educativas Especiais

Por todo o Reino Unido há vários exemplos de escolas com instalações excelentes para crianças com necessidades educativas especiais. No entanto, muitas destas crianças, que entram para a escola na pré-primária cheias de esperança quanto ao futuro, vêem as suas expectativas arrasadas porque as escolas que frequentam não têm a capacidade de lidar com os seus problemas específicos, sejam eles a dislexia, dispraxia, a síndrome de Asperger, TDAH ou deficiências físicas.

Badman reconhece isto e, embora não dê referências, menciona pesquisas que apontam para a grande quantidade de pais que, muitas vezes num desespero, retiram os filhos da escola quando se apercebem que esta não tem a capacidade de ir ao encontro das necessidades dos filhos.

Ben Grey, especialista em protecção de menores, é um destes pais. Ben tem dois filhos: um de 11 anos com autismo de alto funcionamento, que está actualmente a ser educado em casa, e um de 8 anos que vai para a escola.

Testemunho de Ben Grey

Eu, pessoalmente, como pai de uma criança com necessidades especiais, gostaria de chamar a atenção para a quantidade de pessoas educando os filhos em casa devido à falta de adequada provisão para as necessidades especiais, especialmente em relação ao autismo (onde o desenvolvimento das crianças não "encaixa" na provisão do ensino regular nem na do ensino especial). Embora muitos pais optem pelo ensino domiciliar por princípio, a situação que estou descrevendo não é a da educação em casa por escolha.

Informalmente, a nossa Direcção Regional de Educação diz-nos que na nossa área não existe provisão adequada para o nosso filho. As nossas opções são, portanto, colocá-lo numa escola inadequada, onde ele não irá alcançar o seu potencial, colocá-lo num internato especializado (e caro) ou irmos viver para outra área. Muitos pais educam os seus filhos especiais em casa (poupando ao Estado esse enorme custo) porque querem proteger os filhos da violência escolar e de outros desafios que estes enfrentam em escolas inadequadas. Se o governo estivesse realmente preocupado sobre a vulnerabilidade das crianças educadas em casa, então porque não corrige as deficiências do sistema de ensino que às vezes deixa os pais com tão pouca escolha?

As preocupações dos pais em relação ao bem-estar e segurança dos filhos na escola são frequentemente justificadas pois são eles que têm de cuidar deles quando ficam gravemente deprimidos ou ansiosos devido às suas experiências do sistema de ensino.


Dr John Ballam é o director do curso de Escrita Criativa da Universidade de Oxford e um autor com vários livros publicados. Tem três filhos: o mais velho está numa escola para superdotados e os outros dois são educados em casa.

Testemunho de Dr. John Ballam, Oxfordshire

Nós educámos os nossos 3 filhos em casa durante a primária. A nossa experiência é que o ensino domiciliar é positivo e benéfico. Os nossos filhos têm "excepcionalidade dupla", ou seja, são muito inteligentes mas necessitam de educação especial para compensar dificuldades de aprendizagem muito específicas. Além disso, musicalmente, são muito talentosos. O ensino público recusou-se, pura e simplesmente, a reconhecer as suas necessidades e quando finalmente aceitou que tinham necessidades muito específicas não tinha condições para satisfazê-las.

O ensino doméstico permitiu-nos dar aos nossos filhos o ambiente e os recursos que eles precisavam para florescer. Inicialmente, começou com um período de recuperação e reconstrução da sua auto-estima e auto-confiança. Quando vai ao encontro do ritmo das crianças, a aprendizagem fornece as oportunidades necessárias para a superação das dificuldades sem a humilhação de serem separadas do resto do grupo como "falhanços". Além disso, a informação pode ser transmitida em formatos que vão ao encontro do estilo de aprendizagem de cada criança, de modo que o seu empenhamento e entusiasmo pela aprendizagem é estimulado. Finalmente, a educação em casa dá às crianças o tempo que precisam para desenvolver os seus talentos específicos. O ensino domiciliar é uma forma positiva de apoiar os nossos filhos e suas necessidades pessoais específicas.

Dr Ballam escreve sob o nome de J. D. Ballam. Ele é mais conhecido pela sua autobiografia The Road to Harmony.

sábado, 14 de novembro de 2009

Preservando o prazer de aprender...

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa:

Aprender em casa é agradável


Kerrin, 17 anos, de Hampshire
A infância que recebi foi uma oferta inapreciável de meus pais; é um período que nunca mais viverei. Lembro-me dessa época como um tempo despreocupado, em que tive a liberdade de descobrir a vida ao meu próprio ritmo. Infelizmente, na nossa sociedade, muitas crianças nunca experienciam uma verdadeira infância e nem sabem o que é brincar...

George, 7 anos, de Hampshire
A coisa mais agradável é que aprendemos muitas coisas e aprendemos matemática fazendo coisas. E não temos que parar durante as férias de Verão! Ser educado em casa é muito mais divertido: podemos ir de férias na época mais calma quando os museus e espaços abertos não estão cheios de gente.

Arthur, 8 anos, Hampshire
Eu gosto de ser educado em casa porque posso aprender de uma maneira divertida e, até certo ponto, escolher o que quero aprender. Também desperdiçamos muito menos tempo e podemos cuidar do jardim, cozinhar e aprender no mundo real. Podemos fazer montes de coisas que os miúdos da escola não podem fazer, especialmente à noite, porque não nos temos de levantar tão cedo como eles.

Daisy, 12 anos, de Suffolk
Eu gosto da educação em casa porque não existem limites nem fronteiras. É agradável e divertida porque não tenho que esperar para fazer os projectos que quero fazer. Acabei agora de fazer um curso profissional de Revisão de Textos. Demorei 9 meses a completá-lo, trabalhando ao meu próprio ritmo, e obtive um diploma para o meu futuro. Se toda a gente frequentasse a escola e aprendesse as mesmas coisas o mundo seria um lugar muito chato.

Continua aqui.

quinta-feira, 12 de novembro de 2009

Um meio social mais amplo e diversificado...

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa:

O ensino doméstico dá acesso a um contexto social mais amplo e diversificado


Kerrin, 17 anos, de Hampshire
Como não estão apenas (ou predominantemente) na companhia de pessoas da sua idade, as crianças educadas em casa aprendem a relacionar-se confortavelmente com pessoas de todas as faixas etárias. Tenho um bom amigo que tem 47 anos e uma menina de 9 anos considera-me uma das suas melhores amigas - até já fui convidada a passar a noite na casa dela! Tenho amigos que andam na escola, amigos que estão na universidade e amigos que são educados em casa. Tenho amigos em vários países, amigos cristãos e amigos sikhs, e amigos que não seguem nenhuma religião.

Hannah, 15 anos, de Cambridgeshire
Pensa-se frequentemente que as crianças educadas em casa são privadas de uma boa vida social, mas a minha experiência é completamente o oposto. Eu tenho uma óptima vida social, tal como a da maioria, ou até de todos, os meus amigos educados em casa. Todas as semanas participo no grupo do ensino domiciliar, no grupo de jovens, na igreja e geralmente em várias outras coisas, como grupos de encontro e assim por diante. Tenho muita facilidade de falar com pessoas que não estão na mesma faixa etária que eu.

Jo, 20 anos, de Hampshire
Eu fui educada em casa durante o ensino secundário mas frequentei um colégio part-time para fazer algumas cadeiras do 11º ano. Agora estou na universidade. Em retrospecto, acho que certas disciplinas são mais dificeis de fazer em casa, por exemplo, educação física e química. Por outro lado, temos a oportunidade de focalizar nas áreas que mais nos interessam e fazer projectos nessas áreas. De certa forma, podemos acabar "vivendo numa bolha", da qual um dia temos que sair. Mas a verdade é que quando fui para a universida não tive quaisquer problemas de socialização. Pode ser que seja devido ao facto de eu ser, por natureza, uma pessoa razoavelmente social, mas a educação em casa não me afetou de forma negativa. E pode até ter-me ajudado porque estou sempre disposta a falar com qualquer pessoa!

Continua aqui.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Fortalecendo os laços familiares ...

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa:

A educação em casa fortalece os relacionamentos familiares


Kerrin, 17 anos, de Hampshire
Um dos resultados do ensino domiciliar é que pais e filhos têm a oportunidade de partilhar suas vidas e por essa razão têm um melhor entendimento entre si. Os pais estão mais envolvidos na vida dos filhos adolescentes, tornando-se seus guias e mentores durante esse período crucial. E os irmãos têm a oportunidade de aprender a serem bons amigos apesar das diferenças de personalidade entre si. Os irmãos mais velhos tendem a envolver-se na educação dos irmãos mais novos. Eu tenho ajudado a tomar conta e a educar as minhas irmãs e, como resultado, tenho uma relação muito próxima com elas.

Jack, de 4 anos, de Londres
Eu acho que a educação em casa é muito legal porque gosto de estar com minha mãe. E gosto das coisas que fazemos fora de casa.

Toby, 18 anos, da Escócia
Como gostava de física, li muitos livros e resolvi estudar a matéria do 11º ano sozinho. Se tivesse frequentado a escola teria tido dificuldades devido à natureza estruturada do curso. Este ano resolvi não me candidatar a exames mas quando tenho tempo livre sento-me muitas vezes com o meu irmão de 10 anos conversando sobre física. Ele está a começar a ficar interessado: quer saber como é que as coisas funcionam e compreender o mundo que lhe rodeia. Na idade dele isto não seria viável na escola.

Continua aqui.

Desenvolvendo habilidades essenciais à vida...

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa:

A educação domiciliar reforça o desenvolvimento de habilidades essenciais à vida

Kerrin, 17 anos, de Hampshire
Como o ensino doméstico é centrado no lar e na vida de família, as crianças aprendem as competências necessárias à vida de uma forma natural e relevante, vendo que os pratos têm que ser lavados, que os irmãos mais novos precisam de assistência e que o jardim precisa de ser cuidado. Eu e os meus irmãos somos muito eficientes em todas as tarefas domésticas, o que vai ser muito útil quando um dia tivermos a nossa própria casa.

Hannah, 15 anos, de Cambridgeshire
Eu tenho aprendido muito e não só em termos acadêmicos. Tenho desenvolvido também competências essenciais à vida, como por exemplo cozinhar, limpar, cuidar de bebês e dos mais pequeninos (dois dos meus irmãos nasceram depois de eu ter começado o ensino domiciliar), e assim por diante.

Aprendi que educação não é uma tarefa mas um estilo de vida. Agora gosto muito mais de aprender do que quando andava na escola. Eu aprendo não só a partir de livros mas também com as situações que ocorrem e as pessoas à minha volta. Às vezes um passeio no parque pode ser tão educativo como a leitura de um livro didático. No ano passado, porém, candidatei-me aos exames de matemática e literatura inglesa do 11º ano e tirei muito boas notas em ambos. A educação em casa é, na minha experiência, uma maneira magnífica de aprender e estou muito grata aos meus pais por se terem disponibilizado a ensinar-me em casa.

Daniel, 21 anos, de Londres
Sendo de uma família numerosa, diria que aprendi as habilidades referidas frequentemente como necessárias à vida. Lavar os pratos, ajudar na limpeza da casa e a cuidar do jardim, tudo isso eram coisas que faziam parte da nossa rotina diária. Se estivesse fora de casa das 8 às 15 horas dia após dia, como a maioria das crianças, não teria tido tempo nem a energia necessária para o desenvolvimento dessas competências.

Continua aqui.