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sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Por onde andámos...

Desta vez, umas paisagens mais industriais! Um destes dias tentámos ir às docas, sem sucesso! O polícia de guarda não nos deixou entrar; disse-nos que as docas são propriedade privada e mandou-nos ir embora.


As docas de Avonmouth fazem parte do porto de Bristol, na Inglaterra. Estão situadas na parte norte da foz do rio Avon, onde o rio se une ao estuário Severn, em Avonmouth.


São um dos portos principais do Reino Unido para os alimentos refrigerados, especialmente frutas e legumes.


Estão situadas perto da auto-estrada (M5) e da estação ferroviária de Avonmouth, na linha das praias do Severn.


As primeiras docas foram inauguradas em 1877.


Até 1991, foram operadas pela Câmara Municipal de Bristol, mas agora pertencem à Companhia do Porto de Bristol.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Aprender japonês em casa

Hoje fizémos a lição nº2,

aprendemos os nomes de alguns animais - cão, gato, cavalo, vaca, peixe, etc.

e, usando um vídeo de introdução ao japonês, aprendemos que o japonês é falado por 130 milhões de pessoas, começou há cerca de 2000 anos atrás, tem 3 sistemas de escrita (hiragana, katakana e kangi), e que o sistema que usa o alfabeto chama-se romani. O idioma é baseado em 5 vogais. Vimos um diagrama de hiragana, ficámos a saber a ordem das palavras (sujeito, substantivo, verbo) e aprendemos 20 palavras-frases úteis!

Pedrito do Bié: Professora

Segundo o relatório da campanha Aprender sem medo, a violência contra crianças nas escolas é um problema global. Ela tem um efeito devastador na vida de milhões de crianças a cada ano.



Professora bate muito, quando eu reclamo ela diz que eu não estudo, eu agora vou estudando para ser o melhor da sala, mesmo assim eu estudando as dia que nos bate demais.(2x) wawé

Por onde andámos...

Henbury, subúrbio de Bristol, Inglaterra, situado 5 milhas a noroeste do centro da cidade.


A Igreja da Virgem Maria foi construida por volta de 1200.


A parte norte da capela foi construída em 1836 e restaurada em 1875-7.


A torre é do início do século XIII.


O adro contém o túmulo de Cipião Africano (1702-20), um escravo nascido na África Ocidental, nomeado segundo Públio Cornélio Cipião Africano, o general romano do século III a.C., famoso por ter derrotado Aníbal, o líder militar dos cartagineses.


Cipião Africano foi servo de Charles William Howard, o 7º Conde de Suffolk.


No século XVIII havia cerca de 10.000 escravos e servos negros na Grã-Bretanha, mas este é um dos poucos monumentos existentes. O seu enterro não se encontra registrado na igreja.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Japonês e Comunicação

Hoje começámos o curso de japonês, com a lição nº1.

Também praticámos formular pedidos usando o método da CNV. A ideia é a de sermos claros e específicos, e de pedirmos o que precisamos estando preparados a receber um "não". Afinal, um pedido não é uma exigência!

Por onde andámos...


Com as minhas botas novas (não são giras?),


fomos dar um passeio


em Blaise Castle, nas proximidades de Henbury, em Bristol.


A propriedade tem 2,6 km² de parque abertos ao público


e instalações modernas para as crianças e os visitantes.

Memórias...

... de sítios por onde passei...



"Mudar de casa e de zona envolve muitas vezes mudanças de papel e de estatuto. Qualquer mudança exige ajustamentos pessoais e psicológicos. A perda da nossa casa pode ser equiparada a um luto. Compreender tudo isto ajuda-nos a adaptar à nova realidade."

Hoje vou partilhar este vídeo, e mais umas dicas, adaptadas daqui, para quem, como nós, está atravessando um período de transição:

"A separação de sítios familiares pode ser sentida como uma forma de perda e ter efeitos devastadores. Há quem diga que todos nós sentimos emoções semelhantes no processo de adaptação a novas situações. As etapas deste processo são:

Primeiro, sentimo-nos oprimidos, incapazes de agir. Expectativas negativas tendem a intensificar esse estágio. Podemos até negar o que está acontecendo; muito comum em crises e situações difíceis de se enfrentar. Mas a certa altura ficamos deprimidos, ao vermos as implicações da mudança. Só depois é que deixamos o passado para trás e a começamos a aceitar a realidade do que está acontecendo. Com esta aceitação, começamos a testar novas maneiras de lidar com a nova situação. Atravessamos então uma fase reflectiva em que tentamos compreender como é que as coisas são diferentes e porquê. Por fim, internalizamos uma nova perspectiva e interpretação da nossa situação. A nossa energia está agora liberta e pronta a ser canalizada para a criação de uma nova realidade.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Mudanças e transições

Mudar de casa traz muitas memórias para quem, como eu, já passou por essa experiência vezes sem conta...


Para apoiar o meu filho durante este processo, resolvi pesquisar o assunto, e encontrei aqui um cursinho da Open University sobre este tema. Eis a introdução:

"Compreender por que razão certos lugares se tornam importantes ajuda-nos a entender o que acontece quando as pessoas mudam de zona ou de casa, uma situação que se vai tornando cada vez mais comum. A nossa casa, o sítio onde moramos, é o lugar central para a maioria de nós, e já há muita pesquisa sobre o significado que lhe damos.

Passamos muito tempo em casa e investimos nela, tanto financeira como emocionalmente, parte de nós próprios. A nossa casa é onde a nossa família vive, um lugar seguro, privado, familiar, onde nos cercamos das nossas posses. Quando nos dá uma sensação de segurança, permanência, e de pertencer, ficamos apegados. Mas para muitas pessoas esse não é o caso...
"


O que o curso não aborda é o facto de que as dificuldades não são causadas pelas mudanças mas pelo apego; apego aos edifícios, à zona onde moramos, aos objectos, ao estatuto e, principalmente, à nossa identidade.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Religiões do mundo: Confucionismo e taoísmo

Aprender naturalmente

Animação como recurso educacional: Hoje vou partilhar dois exemplos de como a animação pode levar a uma análise de valores éticos.


O meu filho adora anime, especialmente Bleach. Recentemente vi um episódio com ele que abordava o tema da equanimidade, ou seja, da imparcialidade ao ajudarmos os outros. A mensagem era a de que devemos contrariar a tendência de ajudarmos apenas algumas pessoas, ignorarmos outras e odiarmos as restantes. Equanimidade é o desenvolvimento de uma atitude altruista dirigida a todos, sem excepções. Outro episódio salientava a não-violência, com um dos personagens fazendo questão de nunca retaliar ao ser atacado.


Ele também gosta muito de Naruto, uma série de mangá criada por Masashi Kishimoto, e adaptada para anime em 2002. Um dos episódios que vi com ele salientava as vantagens do trabalho de equipa e da cooperação e as desvantagens do egoismo e da competição.

Estes são os dois exemplos que prometi, mas para além da questão dos valores, no caso do meu filho, a animação japonesa despertou-lhe o interesse pelo estudo da língua japonesa!

Conversas à mesa:


Ontem à hora do almoço, reparei como Marcel Duchamp veio naturalmente à conversa, e com ele toda a questão da arte no século XX.

Marcel Duchamp, Fountain, 1917.

Conversámos sobre o urinol de Duchamp, considerado uma das obras mais influentes do século XX. Para ele, o urinol tornou-se uma obra de arte por ter sido apresentado como tal pelo artista. Mas a verdade é que o urinol obteve esse estatuto ao ser exposto numa galeria de arte, o que sugere que o poder das galerias e museus é tão grande quanto o da criatividade artística.

Depois partilhámos uma série de ideias, incluindo mãos agarrando o rato do computador em várias posições...

domingo, 30 de novembro de 2008

Obrigatoriedade ou liberdade?


"Da perspectiva dos direitos humanos, a educação em si é um fim e não um simples meio para atingir outros fins. Quando os economistas definem a educação como produção eficiente de capital humano e classificam todas as suas dimensões de direitos humanos como externalidades, a imagem resultante de pessoas como capital humano obviamente contraria a de pessoas como detentoras de direitos.

O objectivo de colocar nas escolas todas as crianças de idade escolar e de as forçar a lá ficar até terem atingido o mínimo definido pelo ensino obrigatório é utilizado rotineiramente no sector da educação, mas este objectivo não obedece necessariamente aos requisitos dos direitos humanos.

Os padrões essenciais dos direitos humanos na educação incluem o respeito pela liberdade. Respeitar a liberdade dos pais "para educarem os seus filhos de acordo com a sua visão do que a educação deve ser tem sido parte dos padrões internacionais dos direitos humanos desde a sua origem."

Katarina Tomasevski, em O direito à educação

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Por onde andámos...

Casa de Kings Weston, nos arredores de Bristol.


A versão actual da casa, desenhada por Sir John Vanbrugh para Edward Southwell (I), data de 1710.


O parque que rodeia a mansão é enorme, com 28 hectares!


Um sítio óptimo para passeios, especialmente para quem não gosta de muitas subidas pois a maioria do terreno é plano...



Alugam salões para casamentos, conferências ou outras ocasiões.


Os terrenos à sua volta estão abertos ao público.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Educação alimentar: tofu


Depois de um dia de trabalho, nada melhor que uma boa refeição!


Tofu com vegetais cozidos a vapor e arroz basmati integral. Todos os ingredientes são de origem biológica.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Platão e a educação

O que diria Platão sobre o actual uso da compulsão na aprendizagem? Encontramos a resposta em A República:


"E, por conseguinte, o cálculo e a geometria, assim como todos os outros elementos da instrução, que são uma preparação para a dialética, deverão ser apresentados à mente durante a infância; não, porém, com quaisquer ideias de forçar o nosso sistema de ensino nas crianças.

Por que não?

Porque o homem livre não deve ser um escravo na aquisição de conhecimentos, sejam de que tipo forem. O exercício físico, quando obrigatório, não prejudica o corpo, mas o conhecimento adquirido sob compulsão nunca é retido pela mente.

É verdade.

Então, meu bom amigo, como já disse, não usem a compulsão, mas deixem que a educação seja uma espécie de brincadeira; então será mais fácil descobrir a inclinação natural das crianças.

Essa noção é muito racional, disse ele."

[excerpto do Livro VII]

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Aprender o alfabeto em inglês

Videos para crianças:

O alfabeto



Vamos cantar o alfabeto 2
Vamos cantar o alfabeto 3
Vamos cantar o alfabeto 4
Vamos cantar o alfabeto 5
Vamos cantar o alfabeto 6
Vamos cantar o alfabeto 7
Vamos cantar o alfabeto 8
Vamos cantar o alfabeto 9
Vamos cantar o alfabeto 10

John Holt disse...

"Ninguém nasce estúpido. Temos apenas de prestar atenção aos bebés e às crianças para vermos que demonstram um desejo e uma capacidade de aprender que, se demonstrada por qualquer adulto, diriamos ser genial. Mas o que acontece a esta capacidade extraordinária para a aprendizagem e ao crescimento intelectual quando começamos a crescer?

O que acontece é que ela é destruída pelo processo a que erradamente chamamos de educação - um processo que acontece em casa e nas escolas. Nós, os adultos, destruímos a maior parte da capacidade criativa e intelectual das crianças através das coisas que lhes fazemos ou das coisas que as forçamos fazer. Destruímos esta capacidade sobretudo ao torná-las receosas, com medo de não fazerem o que outras pessoas querem, de não as satisfazerem, de errarem, de falharem, de se enganarem. Desde modo, criamos nelas o medo de experimentar, de tentar o difícil e o desconhecido.

Destruímos o amor desinteressado (não quero com isto dizer a falta de interesse) que as crianças têm pela aprendizagem - fortíssimo quando são pequenas -, quando as encorajamos a trabalhar para obterem recompensas triviais e desprezíveis - estrelinhas de papel dourado ou testes marcados com 100% que depois penduramos na parede… - ou seja, pela ignóbil satisfação de se sentirem superiores aos outros.

Incentivamo-las a sentir que o objectivo e o propósito de tudo que fazem na escola não é mais do que terem boas notas nos testes ou impressionarem os outros com o que parecem saber. Destruimos não só a curiosidade delas mas o senso de que a curiosidade é algo bom e admirável, de modo que, quando chegam aos dez anos de idade, a maior parte delas já não faz perguntas e demonstra desprezo aos poucos que ainda as fazem."

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Aprendizagem autónoma no ensino doméstico

Ensino doméstico? Aprendizagem autónoma? Confuso?

Gosto muito desta explicação e por isso resolvi traduzí-la para partilhar com vocês. Como Gill Kilner explica, quando se pratica o ensino doméstico segundo o método da aprendizagem autónoma:

"Há pelo menos um adulto, o pai ou a mãe, sempre disponível para ajudar as crianças a aprender, quando estas pedem ajuda;

A aprendizagem é totalmente liderada pela criança e o adulto responde aos interesses da criança sem exigir determinados resultados;

As necessidades educacionais que a criança expressa são satisfeitas. Isso significa acesso a livros, internet, software, equipamento, bibliotecas, museus, cursos, tutores, etc., sempre que a criança manifesta desejo por tal;

Tanto quanto possível, a criança está consciente dos pontos e opções acima referidos;

A aprendizagem pode ocorrer a qualquer hora, em qualquer lugar, de inúmeras maneiras, e não está restrita a uma área, sala, casa ou edifício. Ocorre em todos os momentos que a criança passa acordada, por isso é verdadeiramente a ‘tempo inteiro’;

Assim, a educação é diferenciada e personalizada, indo de encontro à individualidade única de cada criança;

A criança aprende apenas em função dos seus interesses e por isso ela está sempre totalmente engajada e dando o seu máximo;

O desejo de aprender da criança pode ser prejudicado pela exigência de trabalhos e de demonstrações de progresso;

Normalmente a aprendizagem não é dividida em disciplinas e competências, pois estas desenvolvem naturalmente à medida que a criança sente necessidade delas;

A aprendizagem flui naturalmente, com períodos de descanso e reflexão passiva, ou seja, períodos de processamento de conceitos e ideas geralmente ocorrendo após períodos de maior actividade;

Graças ao constante e próximo acompanhamento por um familiar, 'trabalhos' por escrito (ou em qualquer outro formato) não são necessários no processo de avaliação. Por esta razão a ausência de 'trabalhos' escritos não significa ausência de aprendizagem;

O processo de aprendizagem pertence completamente à criança e, como tal, quaisquer trabalhos (caso existam) pertencem à criança e não aos pais;

Em geral, o progresso não é tão previsível ou regular como no ensino escolar. Às vezes pode ser muito rápido, outras vezes muito lento, dependendo da criança e da fase do processo;

A criança tem oportunidades para socializar e é livre de escolher como e quando isso acontece."

Mestrado da Vida

Mais uma curta metragem da ERD Filmes.



"O Estado usa os aparelhos ideológicos, dentre eles a escola, para manter a dominação sobre as classes menos favorecidas. Para Bourdieu, a escola é, de certa forma, uma maneira de perpetuar as relações de força de uma sociedade classista."

Por onde andámos...

Esta manhã: Keynsham, uma vila a 9 kms de Bath,

onde, numa das salas da Igreja Baptista,

a Jan e eu

lideramos um grupo de auto ajuda para famílias com crianças que têm a síndrome de Asperger.

O site deste nosso projecto encontra-se aqui.

domingo, 23 de novembro de 2008

Educação alimentar

Hoje vou partilhar umas fotos do nosso jantar, feito com quorn picado. Aqui, vendem o quorn em pacotinhos de 300grs, como na foto abaixo à esquerda.



Quorn é feito de proteína de cogumelos e cada 100gr contém 23 gr de proteína!


Come-se bem com puré de batata e com massa chinesa.


Para os vegetarianos, e para quem deseje reduzir o consumo de carne, é um ingrediente óptimo. Para os veganos não, porque o produto contém clara de ovo.

Por onde andámos...

A caminho da Casa de Hungerford, em Corsham, a 19 km de Bath.


Antigamente, a Casa de Hungerford era uma escola, mas agora é um complexo com um museu e almhouses.


Almhouses são casas para os pobres de uma localidade ou para pessoas que tiveram determinadas profissões. Dentro do complexo há uma sala de aulas com as mobílias originais do século 17, e uma sala de exposições.


Há também uma sala usada por um grupo budista que oferece sessões de meditação e, aos sábados, a oportunidade de se ouvir ensinamentos dados por um monge tibetano.

sábado, 22 de novembro de 2008

Vídeo: A criança e seu mundo


Palestra por Mário Sérgio Cortella.

Brioches com história

A Casa da Sally Lunn é a casa mais antiga da cidade de Bath.


Sally Lunn foi uma refugiada francesa que chegou à Inglaterra há mais de 300 anos. Arranjou trabalho nesta casa, onde ficou famosa pelos seus pãezinhos. A receita original, mantida em segredo, continua a ser feita à mão.


A história do edifício começa muito antes da chegada de Sally Lunn em 1680. Há lá dentro um museu onde podemos ver as fundações romanas e medievais da casa e objectos descobertos durante escavações.


Também podemos ver a cozinha original usada por Sally Lunn.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

A criação do ensino obrigatório

O que se segue é uma tradução livre de um texto por Thom Hartman, cuja versão original podem ler aqui.

Nos finais do século XIX Napoleão começou a avançar pela Europa, alcançando finalmente a Prússia, onde o seu exército voluntário de agricultores conseguiu derrotar os soldados profissionais do rei da Prússia. Esta humilhante derrota levou o rei da Prússia a criar, em 1819, pela primeira vez na história, o ensino obrigatório a nível nacional - e a fazer com que ele permanecesse.

A teoria dele, atribuída ao filósofo alemão Fichte, era que forçar as crianças a irem à escola desde pequeninas as tornariam mais leais, e receosas, ao poder do Estado do que à autoridade dos pais. Se não fossem à escola, pessoas armadas viriam-nas buscar; se elas, ou os pais, tentassem resistir, a polícia podia aprisioná-las ou matar os rebeldes pais. Os miúdos não eram parvos: sabiam que os pais não tinham outra escolha senão mandá-los para a escola e que, consequentemente, o Estado era mais poderoso que as suas próprias famílias. Fichte e o rei raciocinaram que estas crianças se iriam tornar bons soldados, respeitando o poder estatal.

Além disso, o rei queria soldados que não questionassem as suas ordens mas que imediatamente fizessem o que lhes era dito. Assim, o sistema escolar prussiano instituiu um sistema de “proibição de interrupções”. As crianças nem sequer podiam fazer uma pergunta sobre o tópico que estavam aprendendo a não ser que antes perguntassem, “posso fazer uma pergunta?”, pondo o dedo no ar e esperando autorização. Deste modo ficavam “correctamente socializadas”, ou seja, aprendiam a respeitar e a não questionar os detentores da autoridade.

O sistema foi criado para eliminar ou remover as ervas daninhas que hoje chamaríamos de comportamentos e perspectivas alternativas do cidadão comum. E, como resultado, todas as crianças - os produtos deste sistema escolar - teriam as mesmas opiniões sobre as “matérias consideradas importantes pelo Estado”. Isto agradou muito ao rei, que deste modo poderia decidir que matérias eram essas, e que opiniões deveriam as crianças formar.

Contudo, o rei não queria que os seus filhos, os futuros governantes do país, fossem sujeitos a esse tratamento. Eles iriam liderar e precisavam de adquirir competências como a liderança, a criatividade e a independência, e não a cega obediência. O rei também se apercebeu que os filhos dos comerciantes e dos funcionários públicos precisariam dessas capacidades, e que seriam menos eficazes se fossem processados pelo sistema do ensino público que ele tinha criado.

Assim, mandou criar um segundo sistema, um sistema paralelo ao ensino público. Ao primeiro sistema chamou “a escola do povo” (Volkshochschule), enquanto que ao segundo, onde a verdadeira instrução ocorreria, chamou simplesmente de "a verdadeira escola" (Realschule). Noventa e três por cento dos estudantes atenderiam a escola do povo, e os sete por cento que representavam a elite da nação e os futuros líderes atenderiam a verdadeira escola.

A Realschule foi originalmente criada de um modo que seria provavelmente muito simpático. Havia uma ênfase na interacção, na participação, na expressão de opiniões e ideias, no pensamento crítico e no treino para a liderança. Assemelhava-se em muitas maneiras a algumas das mais progressivas escolas “experimentais” que existem nos Estados Unidos e noutros locais.

Hoje em dia, o sistema da escola do povo e da verdadeira escola ainda existe na Alemanha.

No início, muitas comunidades americanas se juntavam, empregavam um professor e abriam uma escola. Contudo, não eram nem obrigatórias nem do Estado. Os pais pagavam o salário do professor e essas escolas seriam actualmente consideradas escolas privadas.

Com o crescimento e a industrialização da América, e com a partida de muitos trabalhadores para os campos de batalha da guerra civil, foram precisos trabalhadores obedientes para as fábricas. Horace Mann foi à Prússia para ali observar o funcionamento das escolas (que tinham sido tão eficazes que o rei da Prússia lutou contra os franceses e retomou o seu país), e foi-lhe concedido um “doutoramento”, outra invenção prussiana.

Mann achava que o sistema prussiano do ensino público era a solução ideal para o aumento dos problemas sociais na América: pensava que através dele conseguiria criar uma população mais homogênea, de trabalhadores obedientes com opiniões e valores semelhantes. Começou a fazer uma campanha para a criação de um sistema de ensino público obrigatório, especialmente entre os líderes industriais, sugerindo que se eles pudessem usar a sua influência política poderiam ajudar a resolver os problemas sociais e, ao mesmo tempo, obter trabalhadores melhores para as suas fábricas.

Contudo, o primeiro grupo a aceitar a ideia de Mann não estava interessado em fazer obras de caridade. Era uma organização protestante que andava muito alarmada pelo influxo de católicos irlandeses em Boston. Algo tinha de ser feito para introduzir o Estado nessas comunidades, ou um dia poderiam vir a adquirir bastante poder político para ameaçar a matriz protestante do poder político e econômico. Assim, a cidade de Boston adoptou o primeiro sistema de ensino público obrigatório nos Estados Unidos.

Ao trazer o sistema de ensino prussiano para os Estados Unidos, Horace Mann prestou um grande serviço ao governo e à indústria. Negligenciou, contudo, o sistema da verdadeira escola. Era suposto que as famílias com poder e posição teriam dinheiro para mandar os filhos para as escolas privadas, e por isso não havia necessidade de um sistema público de verdadeira escola. Também não queriam correr o risco das crianças espertas “das classes mais baixas” virem a ser educadas como colegas dos filhos da elite.

E assim temos hoje um sistema de ensino público cujo objectivo principal é a socialização dos nossos filhos. A obediência, a conformidade do rebanho, a submissão à autoridade do sistema e do professor são mais importantes do que a inteligência, a curiosidade ou a criatividade. Os que se deixam moldar são recompensados com boas notas. Aqueles que não submetem a sua vontade aos detentores do poder, os professores, são frequentemente esmagados.

Esta é uma área onde - conscientes da história do sistema escolar - podemos começar a mudar as coisas. Hoje, muitos pais mandam os filhos para escolas privadas; mas nos Estados Unidos, mais de um milhão de famílias escolhem o ensino doméstico. A aprendizagem está disponível na internet. Com a proliferação destas alternativas seguir outro caminho é possível.

Copyright o © 1999, 2000, 2001 por Thom Hartmann, todos os direitos reservados.

Vídeo: A história de todos nós

Documentário sobre a evolução humana, em português.



"Nós somos incríveis – e não apenas pelo que fizemos, mas pelo que somos. Após quatro bilhões de anos de evolução, nosso corpo emergiu como um conjunto único. Veja do que você é feito: 100 trilhões de células, 640 músculos, 200 ossos, um coração que realiza 2,5 bilhões de batimentos ao longo da vida, um esqueleto que se regenera cinco vezes e um cérebro capaz de realizar bilhões de conexões diferentes. A maneira como essas peças se encaixaram é a nossa incrível história, a história de todos nós."

John Taylor Gatto

O segredo da instituição escolar actual é que ela é indiferente à forma como as crianças melhor aprendem e hostil às suas esperanças e sonhos. Desde o seu início ela foi propositadamente constituída tal e qual ela agora é, para servir a economia de produção em massa e para estabilizar a ordem social existente, apesar da sua injustiça. Por este motivo tornaram a escolarização obrigatória.


As escolas ensinam-nos a que classe pertencemos, como no sistema de castas. Elas ensinam às crianças que elas devem permanecer na classe que lhes foi atribuída, seja ela adequada ou não. Esta é uma visão que nega o gênio natural das crianças.

Através de campaínhas, ordens e outros mecanismos, as escolas ensinam que nada vale a pena acabar. Será então de estranhar que, depois de passarem por esse processo vezes sem conta, muitas crianças concluam que nada vale a pena começar?

Através do uso de recompensas e castigos, as escolas tornaram-se enormes laboratórios de psicologia comportamental, ensinando que o livre arbítrio, mesmo em questões tão básicas como a necessidade de urinar, deve ser subordinado aos caprichos de quem tém o poder.

Na escola, as crianças aprendem que os professores lhes dizem o que pensar e durante quanto tempo, e que valores devem ser dados às várias ideias e formas de as gerir.

Ao separar as crianças das suas famílias, culturas, religiões e visinhança - ou seja, de tudo que lhes dá força - as escolas ensinam as crianças a se traírem a si próprias, a esperar que os professores lhes digam o que fazer e se o que fazem é bom ou mau. William Torrey Harris, comissário da educação dos E.U.A. entre 1889 e 1906, recomendou que as escolas ensinassem deliberadamente a auto-alienação como a via necessária para o êxito pedagógico.

As escolas ensinam que ninguém pode escapar a fiscalização do Estado e seus agentes. Cada acção produz um relatório codificado numericamente, e a soma desses números, juntamente com uma série de opiniões alheias, resulta num perfil que para sempre dirá ao mundo quem o estudante realmente é.

www.johntaylorgatto.com

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Sincronicidade, transdisciplinaridade e o ensino doméstico

Engraçado o que se passou ontem. Estava jantando e reflectindo em como o processo da aprendizagem autónoma (é assim que traduzo o termo unschooling) leva naturalmente à compreensão da interligação entre todas as coisas.

Em particular, estava olhando para a sopa e pensando: "hmm, que sopa tão gostosa e saudável!" Aí comecei a abservar o funcionamento da mente, saltando rapida e naturalmente de uma perspectiva para outra, em associação livre de ideias, do estilo: sopa, sabe bem, papilas gustativas, 5 sentidos, ciência, corpo humano, processo digestivo, biologia, nutrição, saúde, produtos alimentares naturais, biodiversidade, sustentabilidade, ecologia, geografia, agricultura, pesticidas, toxinas, influências na escolha da alimentação, poder de compra, economia, política, sociologia, ética... e assim por diante!

E pensei: "Não é incrível como uma troca de pensamentos durante uma refeição depressa se transforma numa sessão de exploração do mundo em que vivemos? De um mundo em que a parte não está separada do todo, em que a parte contém o todo, em que o todo é muito mais do que a soma das partes?"

Depois, com certa tristeza, pensei em como nas escolas o conhecimento é compartimentalizado em disciplinas diferentes. Como as mentes dos alunos se tornam escolarizadas e perdem a visão do dinamismo das interrelações que existem entre as coisas. E pior ainda, como perdem a visão de si mesmos enquanto seres humanos.

Lembrei-me do professor e autor John Taylor Gatto, que diz: "A primeira lição que ensino é a confusão. Ensino que tudo está fora de contexto ... Ensino a não-relação entre tudo. Ensino a não-conexão. Ensino em demasia: a órbita dos planetas, a matemática, a escravatura, adjetivos, dança, ginástica, canto coral, computadores, línguas, programas de orientação com estranhos que você nunca mais verá, avaliações, segregação etária como nunca é vista no mundo lá fora... o que tem qualquer destas coisas a ver com as outras?"

Ter a liberdade para aprender de uma maneira natural, orgânica, holística, transdisciplinar, para além da separação entre sujeito e objecto, entre mente e coração... que maravilha! Ando entusiasmada com esta ideia da transdisciplinaridade.

Video: O que é a transdisciplinaridade?

Da separação artificial do conhecimento em disciplinas todos nós sabemos. Essa foi a nossa experiência escolar. Mesmo no ensino superior, quando finalmente obtemos o direito de estudar aquilo que melhor se adequa à nossa motivação intrínseca, essa compartimentalização continua. Eu, por exemplo, que passei 9 ou 10 anos estudando várias disciplinas da música clássica, não me lembro de nenhuma tentativa de convergência desses saberes por parte dos professores. O que aprendia em história da música era uma coisa, o que aprendia em composição era outra, e assim por diante.

Mais tarde, quando fiz uma licenciatura combinada aqui na Inglaterra, em Música e Gestão, as duas áreas estavam completamente separadas, e eu passava metade do tempo no departamento de música e metade no departamento de gestão de negócios. Embora essa combinação, essa multidisciplinaridade de estudos fosse permitida, ainda deixava muito a desejar...

A transdisciplinaridade vai além dessa separação; ela é "a busca do sentido da vida através de relações entre os diversos saberes numa democracia cognitiva. Nenhum saber é mais importante que outro."

E a transdisciplinaridade não se limita à noção de que a matemática não é mais importante do que a música. Ela vai além, abraçando a ideia de que o conhecimento adquirido pela razão ou intelecto não é mais importante do que o conhecimento adquirido através das multiplas dimensões humanas, como as emoções e a espiritualidade.

E nós, que praticamos o ensino doméstico, estamos na posição ideal para a pôr em prática, permitindo que os nossos filhos sejam seres humanos na sua inteireza. Como já dizia Ricardo Reis,

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.


O mais engraçado, e é aqui que a sincronicidade entra, é que logo a seguir a estas reflexões, cliquei no blogue Pés na Relva e li Ensino Doméstico é como as Cerejas. Fascinante!

Vídeo: Trans o quê?

A escola serve para quê ?



"Bill é um jovem que mora na periferia de Teresina e conta sobre os traumas que a escola deixou."

Vídeo da serie "A escola serve para quê?" da ERD filmes.