Este blog partilha informação sobre o homeschooling e o unschooling - ensino doméstico ou educação domiciliar. Para navegarem o site, usem os links acima e, para os posts de 2011, o botão da pesquisa na barra direita. Facebook: Aprender Sem Escola Email: aprendersemescola@gmail.com

sábado, 23 de maio de 2009

Por onde andámos...

Fotos tiradas em Coombe Dingle; poema de Thich Nhat Hanh.

A mente pode ir em mil direções.

Mas neste belo caminho eu ando em paz.

A cada passo sopra uma brisa fresca.

A cada passo desabrocha uma flor

Beija a Terra com os teus pés.

Traz à Terra o teu amor e felicidade.
A Terra estará segura
quando nos sentirmos seguros em nós mesmos.

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Lixo e reciclagem no Reino Unido

Hoje é o dia de pôr o lixo lá fora e aqui em casa quem trata disso é o mais novo. Na Inglaterra a recolha do lixo não é feita diariamente, como em Portugal. O lixo reciclável, por exemplo, é recolhido uma vez por semana; o não reciclável, de quinze em quinze dias. Geralmente cada casa tem 3 contentores:

um para os restos de comida, em sacos 100% biodegradáveis ou em papel de jornal;

outro para materiais recicláveis como o vidro, o papel e o metal;

e um terceiro contentor para o lixo não reciclável.

O plástico tem de ser levado aos "bancos da reciclagem" e quem for apanhado a colocar qualquer coisa no contentor errado apanha logo uma multa de £75 a £110 (a libra está praticamente igual ao euro).

Com tantos sistemas de vídeo-vigilância - no Reino Unido existem 4.2 milhões de CCTV (cameras de circuito fechado), ou seja, uma para cada 14 habitantes - é coisa fácil.

O lixo não reciclável é normalmente recolhido quinzenalmente, mas como ouvi dizer que hoje é capaz de haver greve, se calhar vamos ficar 4 semanas sem recolha de lixo!

Felizmente aqui em casa não produzimos muito lixo e o nosso contentor ainda tem bastante espaço, porque se o lixo não couber no contentor não é recolhido, e se estiver a abarrotar, por exemplo, se a tampa não estiver devidamente fechada, é logo uma multa.

Os contentores devem ser postos no passeio às 7hrs da manhã do dia da coleta. Quem puzer mais cedo arrisca-se a mais uma multa.

Sabiam que até há "polícia do lixo"?

quinta-feira, 21 de maio de 2009

Aprendizagem centrada nas crianças

Muitas famílias que optam pelo ensino doméstico - educação domiciliar no Brasil -, especialmente as que seguem o método da aprendizagem autónoma, ou unschooling, mesmo que nunca tenham ouvido falar de Carl Rogers e da aprendizagem centrada na pessoa, colocam muitos dos seus fundamentos em prática.

Ao folhear um dos seus livros, O Jeito de Ser, encontrei uma passagem (pg. 133) que penso adaptar-se perfeitamente à prática mais radical do ensino doméstico, o unschooling, uma vez que uma das características principais da metodologia rogeriana é precisamente a não-directividade. Depois de umas pequenas alterações, eis o resultado.

Leiam e digam o que acham:


Fundamentos da aprendizagem centrada nas crianças / jovens


1. Pré-condição. Nós, os pais, sermos suficientemente seguros interiormente e nos nossos relacionamentos pessoais, de modo a confiarmos na capacidade dos nossos filhos de pensar, sentir e aprender por si próprios. Quando esta pré-condição existe, os aspectos seguintes tornam-se possíveis e tendem a ser efetivados.

2. Nós, os pais, partilhamos com os nossos filhos - e se possível também com outros membros da comunidade - a responsabilidade pelo processo de aprendizagem.

3. Nós, os pais, oferecemos recursos de aprendizagem — de dentro de nós próprios, das nossas próprias experiências, de livros, de outros materiais ou de experiências da comunidade. Os nossos filhos são encorajados a acrescentar recursos de que tenham conhecimento ou com os quais tenham experiência. Nós, os pais, abrimos as portas para recursos externos à experiência dos nossos filhos.

4. Os nossos filhos desenvolvem os seus próprios programas de aprendizagem, individualmente ou em cooperação. Explorando os seus próprios interesses, defrontando-se com essa riqueza de recursos, eles escolhem os caminhos que desejam percorrer no processo de aprendizagem e assumem a responsabilidade pelas consequências dessas escolhas.

5. Em casa cria-se um clima facilitador da aprendizagem, uma atmosfera de autenticidade, interesse e atenção. Esse clima pode provir inicialmente dos pais. À medida que o processo de aprendizagem continua, passa a ser cada vez mais criado pelos nossos filhos. Aprender uns com os outros torna-se tão importante quanto aprender a partir de livros e filmes ou das experiências da comunidade.

6. O foco da aprendizagem é, primordialmente, a promoção da continuidade do processo de aprendizagem. O conteúdo da aprendizagem, embora significativo, fica num plano secundário. Assim, sucesso não é quando os nossos filhos “aprenderam tudo o que precisam saber”, mas quando fizeram um progresso significativo na aprendizagem de como aprender o que querem saber.

7. A disciplina necessária à consecução das metas dos nossos filhos é a autodisciplina, e é reconhecida e aceita por eles como sua responsabilidade. A autodisciplina substitui a disciplina externa.

8. A avaliação da extensão e do significado da aprendizagem dos nossos filhos é feita primordialmente por eles, embora as auto-avaliações possam ser influenciadas e enriquecidas por um feedback cuidadoso de outras pessoas, incluindo o dos pais.

9. Neste clima de promoção do crescimento, a aprendizagem tende a ser mais profunda, a processar-se mais rapidamente e ser mais penetrante na vida e no comportamento dos nossos filhos do que a aprendizagem realizada na sala de aula tradicional. Isto porque a direcção é auto-escolhida, a aprendizagem é auto-iniciada e os nossos filhos estão empenhados no processo de uma forma global, com sentimentos e paixões tanto quanto com o intelecto.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Por onde andámos...

Fomos até Coombe Dingle, onde as flores selvagens captaram a nossa atenção...





terça-feira, 19 de maio de 2009

Competição na educação

Mais uma citação de Bertrand Russell, desta vez sobre os efeitos nocivos do espírito competitivo.

"No domínio educacional, um dos piores defeitos desta crença de concorrência foi levar a uma grande dose de sobreeducação, especialmente entre os melhores alunos.

No momento presente verifica-se uma tendência perigosissima ... para impingir aos jovens tanta educação que chega a ser nociva para a sua imaginação e intelecto, e até para a sua saúde física. Infelizmente, são precisamente os jovens mais inteligentes os que mais sofrem com esta tendência; assim, geração após geração, os melhores cérebros e as melhores imaginações vão sendo imolados no altar do Grande Deus da Concorrência."

"Estudar sem deixar de amar o estudo é extremamente difícil e os educadores europeus não encontram solução para esta dificuldade."

segunda-feira, 18 de maio de 2009

A escola ou o lar?

Citação de Bertrand Russell, do livro Educação e Sociedade:


"A grande maioria dos pais sente afeição pelos filhos, e este factor estabelece um limite ao mal que lhes podem causar. Mas as autoridades educacionais não sentem qualquer afecto pelas crianças; na melhor das hipóteses são motivadas por um espírito cívico que se dirige à comunidade no seu conjunto e não apenas às crianças; na pior das hipóteses, trata-se de políticos empenhados a lutar por votos.

Na actualidade, o lar desempenha um papel importante na formação da mentalidade dos jovens... O lar oferece à criança experiência afectiva e de vida numa pequena comunidade em que ela, a criança, é importante; e oferece também experiência de relação com pessoas de ambos os sexos e de idades diferentes, assim como dos aspectos multifacetados da vida adulta. Desta maneira, é útil como correctivo às simplificações artificiais da vida escolar.

Outro mérito do lar é o facto de conservar a diversidade entre indivíduos. Se todos nós fôssemos iguais, isso seria, talvez, muito conveniente para os burocratas e para os estatísticos, mas seria muito sensaborrão e levaria a um tipo de sociedade muito pouco progressivo.

Uma orquestra precisa de homens de talentos diversificados e, dentro de certos limites, com gostos diferentes; se todos os homens insistissem em tocar trombone, a música orquestral tornar-se-ia impossível.

A cooperação social, de igual modo, exige diferenças de gosto e de aptidão, cuja existência será mais duvidosa se todas as crianças forem submetidas exactamente às mesmas influências, do que se as diferenças paternais puderem afectá-las."

domingo, 17 de maio de 2009

Verduras e legumes em casa

Já andávamos a pensar nisto há que tempos!
E hoje foi o dia: fomos ao Riverside Garden Centre,

e lá começámos a dar os nossos primeiros passos,

com feijão verde e 3 espécies de tomate... agora é só plantar!

Um começo humilde mas, como já dizia Lao Tsé,
uma viagem de mil milhas começa com o primeiro passo....

Como sempre, o passeio abriu-me o apetite.

Ontem deram-me um jarro de doce de toranja vermelha e oxicoco; que delícia com torradas de pão de soja e linhaça!

sábado, 16 de maio de 2009

Por onde andámos...

Quando fomos a Easton vimos a Igreja de S. Marcos (1848 -1984).

O estilo é normando. Só que já não funciona como igreja;

foi convertida num complexo habitacional com apoio aos residentes.

Ao chegar a casa reparámos nas flores do jardinzinho da frente.

Estão bem bonitas, não estão? E a abelha? Não é linda?

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Por onde andámos...

Hoje fomos até Easton, um subúrbio densamente povoado de Bristol.

Já andávamos com ideias de ir ao Sweet Mart há bastante tempo;

é uma loja que vende alimentos e especiarias de todo o mundo,

celebrando a diversidade cultural da comunidade.

Comprámos uma série de coisas interessantes para experimentar

e chegámos a casa cheios de apetite para o almoço:

quiche de alho francês com salada!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Coisas do dia a dia...

Depois de visitar uma amiga que também pratica o ensino doméstico,

ainda houve tempo para dar pulinho ao Wild Oats Natural Foods

e comprar pão, arroz basmati integral de cultivo biológico e lentilhas

para fazer uma das nossas receitas preferidas:
lentilhas verdes com espinafres e cominhos!

E já agora, ontem fizemos estes choc chip cookies...

Escola? Nem pensar! Nós aprendemos em casa!

Nos últimos seis anos Matthew visitou a Suécia, a Dinamarca e a Nova Zelândia. Como se isso não chegasse, este ano vai passar quatro semanas ao Texas.

Matthew, que agora tem 18 anos, toca oboé, está aprendendo cerâmica e joga hóquei. Fez 6 disciplinas do 11ºano e está a estudar 3 disciplinas do 12ºano: inglês, química e física. No entanto não vai à escola desde os 12 anos.

Matthew não é o único. Embora no Reino Unido o número oficial de alunos educados em casa não seja conhecido, estima-se que são pelo menos cerca de 50.000 (outros dizem 150,000). Os pais que optaram pelo ensino doméstico dizem que ter retirado os filhos da escola foi o melhor que fizeram.

Liz, mãe de Matthew, diz que devido à dislexia o filho sofreu muito durante a escola primária: era vítima de bullying e os professores só lhe desencorajavam. Como não estava aprendendo a escrever tão depressa como eles queriam, estava constantemente a ouvir comentários negativos dos professores.

"Quando tinha cinco anos perguntei-lhe se tinha aprendido alguma coisa. Ele disse-me que não queria ir mais para a escola. Não havia nada de positivo no tempo que lá passava."

Matthew foi transferido para uma escola particular mas, passado uns tempos, a família chegou à conclusão de que a melhor opção para ele seria o ensino doméstico:

"Matthew é pessoa de estar ao ar livre, é alguém que aprende geografia melhor visitando o Lake District ou navegando o Rio Meon da nascente até ao mar, é alguém que aprende escrita descritiva muito melhor passando o dia em Bath. Ele aprende muito mais facilmente com as mãos na massa, vendo e tocando as coisas, em vez de estar preso numa sala de aula. Ele fez muito mais, viu muito mais e aprendeu muito mais por estar fora da escola."

Matthew completou 6 disciplinas do 11º ano estudando on-line e parece estar destinado a obter bons resultados no 12º ano, o que lhe irá facilitar a entrada para a universidade, onde se quer preparar para um a carreira em investigação forênsica ou na polícia.

A história de Yvonne, David e Charlie

Yvonne e David retiraram o filho Charlie da escola quando tinha 11 anos, mas por razões muito diferentes. Desde muito novinho o filho tinha demonstrado um talento natural para o inglês, especialmente para a escrita criativa e para os pais o currículo escolar não era suficientemente flexível ou estimulante.

"Quando Charlie estava na escola a professora andava sempre doente. A classe ficou para trás e na altura em que a professora voltou eles não tiveram o tempo necessário para recuperar - o currículo nacional tem um horário rígido. Ele queria escrever mais mas não estava a ser motivado nem incentivado a melhorar. Andava muito frustrado com o sistema."

O seu talento para a escrita foi recentemente reconhecido no The News, ao vencer uma competição para um conto de Natal. Mas ao contrário de Matthew e de muitos outros, Charlie, que tem agora 17 anos, não tem qualificações.

Yvonne diz: "No ano que vem ele fai fazer 2 disciplinas do 11ºano, inglês e matemática, no Colégio de Fareham. O facto de não ter frequentado a escola e não ter qualificações não é um problema. Charlie tem o talento e habilidade para arranjar um bom trabalho com o que escreve. Agora só precisa obter qualificações para isso."

Geralmente, outra preocupação em relação ao ensino doméstico é que as crianças poderão perder a capacidade de socializar com outras pessoas. Charlie não concorda: "Eu tenho, e sempre tive muitos amigos, pessoas que conheci através dos meus passatempos, como o Doctor Who e Warhammer."

Yvonne também não se preocupa com a socialização: "Em vez de conviver apenas com pessoas do mesmo ano lectivo, Matthew tem amigos de todas as idades, amigos que fez através de coisas como actividades para jovens educados em casa e o clube de hóquei. Ele foi visto por um psicólogo educacional que me disse que ele tinha muita auto-confiança e que era bastante equilibrado."

Podem ler o original, em inglês, aqui.
Publiquei apenas um trecho, e a tradução é livre.

Por onde andámos...


Fotos tiradas no mês passado, quando fomos a Portugal.
A música é de Kit Morgan: All for love, do álbum Glidepath.

terça-feira, 12 de maio de 2009

Ensino doméstico para crianças com deficiências

Mais um exemplo de tentativas de indevida interferência por parte de funcionários ignorantes do facto de que a prioridade do direito da escolha do género de educação a dar aos filhos pertence aos pais. A tradução é livre e o original está aqui.

"Trabalhadores sociais britânicos, através de uma lei que abranje negligência e abuso infantil, estão tentando proibir uma mãe de ensinar a sua filha deficiente em casa.

Grace Robertson tirou a filha Elysha, que tem uma doença tão rara que nem tem nome, da escola porque a filha não estava fazendo progresso.

O departamento dos serviços sociais, apoiado pela escola, diz que se Elysha for educada em casa ela poderá ficar isolada e sentir a falta da companhia das outras crianças. Agora, usando uma lei relativa ao abuso e negligência infantil, vão fazer uma conferência sobre este caso para investigar o futuro da educação de Elisha.

Aos 2 anos Elysha ficou doente com um problema semelhante à doença do neurônio motor, mas tão rara que nenhum médico do mundo conseguiu identificar. Embora a sua capacidade mental seja igual à de qualquer outra criança da sua idade, nestes últimos anos a doença tem-lhe roubado do uso da metade superior do seu corpo. Ela agora comunica com os pés e alimenta-se através de um tubo em seu estômago, e respira através de uma máscara especial à noite.

Os pais, que têm outra filha, Shannah, 11, foram avisados que têm de participar da conferência, ao abrigo da secção 47 da Children's Act 1989, que abrange as crianças que estão sofrendo ou em risco de vir a sofrer «danos significativos».

A mãe de Elysha disse: "Eu daria a minha vida pela minha filha e estou profundamente ressentida com a sugestão de que não estou fazendo o melhor para Elysha. E o uso desta lei, que parece estar a acusar-nos de maltratar e negligenciar a nossa filha, é insultuoso e ofensivo. Quero ensinar a minha filha em casa porque ela faz muito mais progresso em casa do que na escola onde andava."

A porta-voz da câmara de Rotherham disse que não podia comentar sobre casos individuais, mas que "geralmente a recomendação que sempre fazemos é que as crianças frequentem a escola pois a nossa posição é a de que a escola proporciona a melhor experiência educativa."

Mas os pais não se deixaram intimidar e não desistiram. Se quiserem ver o vídeo da entrevista que deram à BBC, onde dizem que estão sendo discriminados devido às deficiências da filha, cliquem aqui.

domingo, 10 de maio de 2009

Ensino doméstico e necessidades educativas especiais

Luz no fim do túnel escuro da escola

Karen voltou-se para o ensino doméstico como último recurso depois da filha, que tem profundas necessidades especiais, ter sido de tal modo agredida na escola que a levou à auto-mutilação e a pensar no suicídio. Mas depressa transformaram este severo problema num passo positivo para toda a família:

Aos 9 anos de idade, a minha filha já se recusava frequentemente a ir para a escola; a intensidade do bullying era tal que incluia agressões físicas durante o recreio. Incrivel como nunca foram observadas pelo pessoal que lá trabalhava! Enfim... Ela tinha, e continua a ter, profundas necessidades especiais e dificuldades de aprendizagem mas, apesar das manifestações psicológicas e físicas, até em forma de contusões, a escola nada fez e as queixas que fiz à autarquia foram ignoradas sem a devida investigação. Quando ela começou a se auto-mutilar e a considerar o suicídio, eu, é claro, tive de tomar medidas drásticas pois era óbvio que mais ninguém a iria proteger.

Ser mãe de uma criança deficiente é sempre difícil, e como se isso não chegasse ainda tive de ultrapassar uma série de obstáculos que foram colocados no meu caminho quando decidi que a única opção possivel era o ensino doméstico. Não me achavam suficientemente inteligente, estava sozinha (família mono parental), sem familia por perto para me poder ajudar, estava a receber subsídios... como é que, além de cuidar de uma criança com necessidades especiais, poderia educá-la também?

Felizmente, encontrei um grupo na internet que me deu todo o apoio que precisava e que me ajudou a compreender as questões jurídicas! Prometi à minha filha que em breve se iria ver livre dos bullies. Como vivemos na Escócia, os membros escoceses do grupo passaram-me todas as informações necessárias e apoiaram-me muito durante o período em que estava a tratar do processo de remover a minha filha da escola. Armada com toda a informação, eu liguei para a escola e a DRE exigindo que me explicassem por que motivo me tinham informado incorrectamente sobre a lei, e finalmente consegui retirar a minha filha, de uma vez por todas, do seu sistema putrefacto. Só estou arrependida de ter pedido emprestado centenas de libras para comprar os livros e materiais que insistiram que tinhamos de obter antes de me darem 'permissão' para o ensino doméstico. Estes quase nunca foram usados pois usamos recursos gratis disponíveis na internet e outros materiais compartilhados por várias famílias que conhecemos que também praticam o ensino doméstico.

Como muitos principiantes nervosos, começámos por dar uma certa estrutura aos nossos dias e concentrámo-nos nas competências básicas de literacia e numeracia. Embora saiba que a minha filha nunca será capaz de viver uma vida totalmente independente, eu estava determinada a preparar-lhe o melhor possível para uma vida semi-independente. Também nos concentrámos nos seus interesses, frequentando o Grupo de Equitação para Deficientes e aprendendo espanhol (o pai leva-a muitas vezes de férias a Espanha, onde ela tem a oportunidade de praticar o idioma). Como temos um futebolista famoso na família, raramente faltámos a um jogo dos Rangers e a minha filha teve a oportunidade de conhecer a equipa; os jogadores de futebol sabem quem ela é e muitas vezes acenam para ela no meio da multidão. No espaço de poucos meses ela voltou a ser a criança alegre que costumava ser e fez várias amizades com crianças que também aprendem fora da escola.

O nosso relacionamento com a DRE também melhorou graças à nomeação de uma funcionária cuja atitude era a de ajudar e encorajar em vez de querer dizer-nos o que fazer. Ela nunca tentou visitar-nos em casa mas depois de a termos conhecido melhor e de termos começádo a confiar nela, nós mesmos a convidámos: a minha filha, com grande orgulho, ensinou-lhe a tomar conta de coelhos - tinha andado a aprender a cuidar de animais de estimação... Essa funcionária já se aposentou e agora as famílias que praticam o ensino doméstico têm de lidar com outro funcionário que aterrou neste emprego sem ter nenhuma experiência ou conhecimento sobre o ensino doméstico. Pelo menos o governo escocês já publicou informação sobre a legalidade do ensino doméstico e as DRE (direcções regionais de educação) e o pessoal que lida conosco têm de prestar atenção a essa informação; além disso há por todo o país cada vez mais famílias a optar pelo ensino doméstico e temos uma associação nacional que nos dá bastante apoio, a Schoolhouse. No Reino Unido há imensas redes de apoio criadas pelas próprias famílias.

Agora que acabei a faculdade estou a trabalhar a tempo inteiro e a minha filha está a ganhar experiência de trabalho; está a ter apoio para isto e a gostar do que está a fazer. No entanto, quando olho para trás, continuo magoada pelo modo como fui deliberadamente enganada pela escola e pela DRE acerca da lei. Ainda me sinto insultada pela insinuação de que pessoas como eu não são capazes de educar os próprios filhos e que não têm os seus melhores interesses no coração - especialmente quando eles falharam abismalmente na proteção da minha filha. Ela ainda se lembra dos bullies da escola e insiste que o ensino doméstico lhe salvou a vida; eu levo-a suficientemente a sério para acreditar no que ela diz.

Fiquei muito feliz por ter sido convidada a escrever um pouco sobre a nossa experiência para o novo site do Fórum do Ensino Doméstico e espero encorajar outras famílias, especialmente aquelas com crianças com necessidades especiais estão sendo vítimas de bullying na escola e já não sabem o que fazer. Há luz no fim desse túnel escuro da escola, por isso não se distraiam e sigam em direcção à luz. Não desistam porque os vossos filhos precisam de vocês!

sábado, 9 de maio de 2009

Por onde andámos...


Fotos tiradas o mês passado em Alvor e Portimão,
no Algarve, em Portugal.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Meditação... em casa, é claro!

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James Conroy e o ensino doméstico

No Primary Review report [abre pdf] sobre o futuro do currículo da primária, há um capítulo sobre o ensino doméstico (começa na página 10) onde James Conroy, um professor de educação na Universidade de Glasgow que tem pesquisado extensivamente o ensino doméstico, diz:
"Um grupo substancial e cada vez maior é formado por aqueles que abandonaram o ensino formal devido à crença de que este, como resultado dos imperativos da performatividade e das imposições feitas pelo currículo, é demasiado limitado no que toca ao cultivo da imaginação.

Neste grupo encontram-se pais que desejam ver maior ênfase nas actividades estéticas e culturais, assim como aqueles que querem que a aprendizagem ocorra de uma forma natural."
Em poucas palavras, esta passagem explica a abordagem da aprendizagem autónoma (unschooling). Outro trecho do mesmo relatório revela que o Prof. Conroy estudou as pesquisas feitas nos E.U.A. sobre esta questão:
"Apesar das mais variadas diferenças de filosofia, perspectiva e prática (que encontramos nas famílias que assumem total responsibilidade pela educação e instrução dos filhos), desde as que seguem o currículo nacional rigorosamente àquelas cuja abordagem faz Summerhill parecer um modelo tradicional de retidão pedagógica, o ensino doméstico parece oferecer consistentemente às crianças uma experiência educacional mais eficaz, mesmo quando medida pelos padrões da performatividade normativa. Uma constante no meio de tanta complexidade é o desempenho muito superior à média das crianças educadas em casa quando comparado ao de outras crianças da mesma idade na população em geral.

O estudo de Rudner (1999) mostra que as crianças educadas em casa que estão nos anos 1-4 desempenham em média um ano mais elevado do que as que frequentam os mesmos anos em escolas públicas e privadas.
E para que não pensem que isto é um efeito do afecto que recebem da família durante esta tenra idade e que irá dissipar numa fase mais tardia do desenvolvimento educacional da criança, é notório que a diferença no desempenho aumenta à medida que os alunos avançam, e aumenta de tal modo que no 8º ano essas crianças estão 4 anos acima da média nacional dos E.U.A."

A conclusão começa deste modo:

"Ao considerarmos a elaboração do currículo para o futuro,
existem várias características marcantes do paradigma do ensino doméstico que são de interesse."


Para terminar deixo-vos as palavras do Prof. Conroy neste artigo sobre a actual revisão do ensino doméstico no Reino Unido:
"Vocês estão começando com a premissa de que alguns pais podem estar a usar o ensino doméstico como cobertura de abuso e exploração. Mas poderiam afirmar o mesmo em relação a todas as escolas residenciais (internatos) no país. Há uma série de abusos que acontecem nos estabelecimentos de ensino. Quererá isto dizer que devemos acabar com as escolas residenciais? Absolutamente não."
E:
"O perigo de minar os pais através de uma cultura de desconfiança é politica e socialmente prejudicial. É bizarro patologizar os outros apenas por serem outros."

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Protegendo o ensino doméstico

Face às tentativas do governo britânico de interferir com a prioridade do direito que os pais têm de escolher o género de educação a dar aos filhos - arranjando pretextos para tentar interferir na maneira como o ensino doméstico é posto em prática -, os pais que optaram por esta via alternativa não se deixaram intimidar; uniram-se e fizeram a seguinte declaração:

DECLARAÇÃO DOS PAIS

NÓS DECLARAMOS a nossa independência e afirmamos ser os únicos responsáveis pela educação e instrução dos nossos filhos, de acordo com os nossos direitos estabelecidos pela lei e justiça natural.


NÓS AFIRMAMOS o nosso direito de escolher o local, a forma e o conteúdo da provisão educativa dos nossos filhos, de acordo com o seguinte:

Os pais de todas as crianças de idade escolar obrigatória devem fazer com que elas recebam, a tempo inteiro, uma educação eficiente e adequada


(a) às suas idades, capacidades e aptidões, e

(b) a quaisquer necessidades educativas especiais que possam ter,

pela frequência regular na escola ou de outra forma.

(Secção 7 do Education Act 1996)

Lei portuguesa aqui e aqui.

No exercício de quaisquer funções que assume em relação à educação e ao ensino, o Estado deve respeitar o direito que os pais têm de garantir que essa educação e ensino estejam em conformidade com as suas convicções religiosas e filosóficas.


(Protocolo n º 2 do Artigo 1 da Convenção Europeia dos Direitos do Homem)


NÓS IREMOS proteger os direitos dos nossos filhos a serem donos das suas próprias vidas, e o direito à privacidade e à liberdade de indevida interferência oficial em conformidade com os seguintes direitos:

O direito ao respeito pela vida privada e de familia, pelo lar e pela correspondência

(Human Rights Act 1998)

O direito de ser livre de "intromissões arbitrárias ou ilegais na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou correspondência, nem a ofensas ilegais à sua honra e reputação."

(Artigo 16 º da Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos da Criança)


NÓS EXIGIMOS que os funcionários públicos, nas suas relações connosco, o povo, se mantenham dentro dos limites dos poderes que já lhes foram atribuídos pela lei actual.

NÓS VAMOS PROTEGER E DEFENDER os princípios acima referidos sem medo ou favor sempre que o Estado se esquecer da sua legítima função, sempre que exceder os seus limites e sempre que tentar exercer indevida influência ou poder sobre as nossas vidas e as vidas dos nossos filhos contra as nossas liberdades tradicionais e justiça natural.

1 de Maio de 2009

Podem ler o original, em inglês, aqui ou aqui. E um comentário, também em inglês, levantando questões bem interessantes aqui.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

As vantagens do ensino doméstico

Notícias do Ensino doméstico na Indonésia

Tradução livre deste artigo que apareceu recentemento no jornal.

Os olhos de Byoma estão fixados no ecrã do televisor. Ao contrário de muitas crianças da sua idade na Indonésia, Byoma não tem permissão para ver telenovelas ou certos outros programas na televisão.

Em vez disso, os pais do menino de 4 anos pagam para que ele possa ver Playhouse Disney diariamente. O programa ensina-lhe sobre sonhos, por exemplo, o que ele quer ser quando for grande.

"Eu quero ser quem sou, quero ser eu mesmo", disse Byoma quando acabou de ver o programa. Noutro dia, depois de uma visita aos Bombeiros, Byoma disse que queria ser um detetive, "para descobrir onde estão os carros dos bombeiros quando são precisos."

Anis Ardianti, mãe de Byoma e licenciada em engenharia industrial pelo Instituto de Tecnologia de Bandung, disse que estava espantada com as respostas do filho mais velho. "O cérebro das crianças é como uma esponja. Absorve tudo com muita facilidade".

E como quer ter cuidado sobre as coisas que ele absorve, Anis não quer que ele vá para a escola. Por isso, durante os últimos quatro meses, dedicou-se a descobrir mais sobre o ensino doméstico. A sua busca levou-a a contactar outras famílias que praticam esta alternativa à escola, grupos do ensino doméstico na internet e outros clubes de pais.

"Consegui entrar em contacto com outras pessoas que já praticavam o ensino doméstico, sugeri um encontro e, há mais ou menos um ano, fundámos a Comunidade do Ensino Doméstico."

Agora Anis já não se sente sozinha no seu desejo de educar Byoma e a filha, Arane, que tem 2 anos e meio, no ambiente terno do lar. "Cada criança tem a sua personalidade única. Não devemos tratá-las da mesma forma, muito menos reprimir o seu desenvolvimento cognitivo. O desenvolvimento das crianças deve ser feliz e estar de acordo com a sua natureza".

Asah Pena, a Associação do Ensino Doméstico e Educação Alternativa, tem cerca de 8.000 membros em 17 províncias e a sua estimativa é que existem pelo menos outras 30.000 famílias praticando o ensino doméstico na Indonésia.

Seto Mulyadi, presidente da associação, disse que o interesse pelo ensino doméstico cresceu significativamente nos últimos três anos e que durante este período o número de membros mais que triplicou.

Christina Siti Rukmini foi uma das pessoas que responderam às perguntas de Anis sobre o ensino doméstico. Christina educa os 3 filhos em casa desde 2002. "Esti, a minha filha que está no 8º ano, prefere estudar na escola. Eu não a forcei a seguir o ensino doméstico".

Os seus 2 filhos, Gregorius, 9, e Herman, 7, aprendem em casa, embora Herman também frequente uma escola experimental onde todas as idades aprendem em conjunto e não seguem o currículo nacional.

"Nós fazemos todas as nossas ajudas visuais em casa. Estamos todos activamente envolvidos neste processo, desde a criação dos materiais didácticos à sua aprendizagem."

Dos jornais, por exemplo, ela recorta uma fotografia interessante que depois cola num pedaço de cartão. Em seguida, ela e os filhos discutem as legendas. "É um método fácil e divertido."

Antes de ter começado a educar os filhos em casa Christina havia ensinado numa escola primária e num jardim de infância. Ela também faz parte de um grupo de pais com filhos com autismo - Gregorius tem a síndrome de Asperger - e faz trabalho voluntário.

"Como um projecto-piloto na educação dos meus filhos, fundei um grupo da brincadeira. Desta forma os meus filhos podem aprender em casa e nós podemos escolher as crianças com quem eles convivem."

O dia dos filhos começa com exercícios para ensiná-los a ser independentes: tomam banho e vestem-se sozinhos. Depois vem a prática de piano, o exercício físico e as visitas de estudo. "Quando saimos não precisamos de ir a sítios especiais ou longínquos. Por exemplo, a garagem aqui do bairro. Lá, eles podem encontrar respostas a perguntas sobre coisas que eu não sei".

Em relação às disciplinas académicas, Christina diz que está a par do currículo nacional, mas que é muito flexivel. Cada disciplina é organizada à volta de determinado tema. Se, por exemplo, os filhos estiverem interessados em casas, então as disciplinas (como a matemática, estudos sociais, ciência e religião) são relacionadas a esse tema. "Em matemática, por exemplo, aprendemos a calcular a área de uma casa, e a contar quantas janelas tem. Em estudos sociais, aprendemos a nos dar bem com os nossos vizinhos."

Para manter uma atmosfera de brincadeira, Christina usa cartões flash e jogos de Serpentes e Escadas e Monopólio para transmitir o material.

Veronica Hanny, licenciada em Inglês, é outra defensora do ensino doméstico. Disse-nos que não quer matricular o filho Engelbertus, 4, numa escola que iria roubá-lo da felicidade da sua infância e que se está a preparar para o educar em casa.

Veronica considera importante ter um grupo do ensino doméstico na sua área, pois preocupa-se que inconsistências nos métodos de ensino possam, a longo prazo, prejudicar o filho. "Espero que o grupo possa ajudar a estabelecer um currículo e a legitimidade do ensino doméstico."

Abu Bakar, um clérigo, deixou a filha Aisha, 16, decidir se queria continuar na escola ou não. A filha resolveu deixar a escola e ele apoiou a decisão. No entanto, quer que a filha desenvolva os seus interesses. "O meu background é em arquitetura. Posso ensinar-lhe ciência. Quanto às outras disciplinas, posso encontrar pessoas competentes". A filha estuda matemática e inglês fora de casa.

Abu Bakar também comprou um laptop e uma máquina fotográfica digital para incentivar o interesse da filha pela fotografia. Agora que ela está envolvida num grupo de fotografia, ela parece feliz e inteligente.

"Agora que não está na escola Aisha agora gosta de ler e ver filmes de qualidade", disse Abu Bakar.

Aisha disse que adora estar livre do horário escolar. "Mas isso não significa que me juntei a um grupo problemático. Eu continuo a escolher os meus amigos. " Ela passa o tempo com os colegas da fotografia e adora navegar na internet.

Muitos pais preocupam-se que, devido ao ensino doméstico, os filhos possam ficar para trás e em desvantagem quanto à entrada para a universidade. Mas Seto, de Asah Pena, diz que aprender o currículo nacional em casa e fazer os exames para um diploma do Ministério da Educação não é difícil.

"Não temos preocupações sobre a aceitabilidade do diploma. Muitos dos nossos membros entraram com facilidade para proeminentes universidades públicas, como a Universidade da Indonésia e o Instituto de Tecnologia de Bandung".

Ariko disse que entrou em pânico quando o filho mais velho, Dega, então 10 e no 5º ano, começou a recusar ir à escola. "Isso foi no início. Depois descobri que o ambiente escolar não era adequado para Dega".

No ano passado, depois de uma reunião familiar, Ariko e o marido decidiram retirar Dega da escola. "Dega aprende em casa desde Janeiro. O irmão, Daffa, 7, aprende em casa desde os 5 anos. Tem muita sorte por nunca ter ido à escola."

terça-feira, 5 de maio de 2009

Coisas do quotidiano

Continuamos a arranjar o jardim que, como vêem, está cheio de "ervas daninhas" (enchemos 4 ou 5 sacos!),

a fazer coisas do dia-a-dia (como esta sopinha de agrião),

e a oferecer, através do freecycle, as coisas que não usamos, como esta cadeira, o congelador e um monitor de computador (deram-me um flat-screen!).

A cultura escolar

1) Rotula, separa e categoriza os seres humanos. Com base no nível de sucesso escolar, cria uma rígida hierarquia social consistindo numa pequena elite de "doutores" e uma grande maioria de "falhanços" e “iliterados”.

2) Impõe a uniformidade e padronização, propagando a perspectiva de que a diversidade é um obstáculo que deve ser eliminado a fim de salvaguardar o progresso da sociedade.

3) Espalha o medo, a insegurança, a violência e o silêncio através da imposição da sua disciplina quase militar.

4) Força os seres humanos a competirem violentamente uns contra os outros a fim de conseguirem obter escassos recursos em situações vencer ou perder.


5) Com o objectivo de passar exames, obter diplomas e certificados e arranjar empregos, destrói o amor pela aprendizagem, suprime a motivação de aprender fora da escola e destrói a capacidade crítica e de auto-avaliação. Centralizando o controlo do processo da aprendizagem no nexus Estado-Mercado, retira o poder dos indivíduos e das comunidades.

6) Comodifica todos os seres humanos, a natureza, o conhecimento e as relações sociais, que se tornam algo a ser extraído, explorado, comprado e vendido.

7) Fragmenta e compartimentaliza o conhecimento, o ser humano e o mundo natural. Além disso, separa o conhecimento da sabedoria, experiência prática e contextos específicos.

8) Separa, de uma forma artificial, a racionalidade humana das emoções e espírito humanos. Impõe uma única perspectiva de racionalidade e lógica a todas as pessoas, desvalorizando assim muitos outros sistemas de conhecimento.

9) Priviligia a literacia (em alguns idiomas-elite) sobre todas as outras formas de expressão e criação humana. Leva as pessoas a não respeitarem as suas línguas locais, priorizando jornais, livros, televisão como as únicas fontes confiáveis de informação.

10) Reduz os espaços e oportunidades para 'válida' aprendizagem humana, ao exigir que todos eles sejam processados por uma instituição controlada centralmente. Cria divisões artificiais entre a aprendizagem e o lar, o trabalho, a brincadeira e a espiritualidade.

11) Ao desvalorizar a aprendizagem que ocorre através do trabalho manual, destrói a dignidade do trabalho.

12) Destrói os laços familiares e comunitários entre-gerações e aumenta a dependência do povo ao Estado-nação e Governo, à ciência, à tecnologia e ao mercado global.

Tradução livre. Podem ler o original, em inglês, aqui.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Sistemas destrutivos

Um trecho de O Futuro do Trabalho por Charles Handy, professor na London Business School, escritor e professor:

"Ser aluno numa grande escola é uma experiência bem estranha. Se fossemos convidados a organizar o nosso local de trabalho, quantos de nós organizariam as coisas de modo a que as pessoas trabalhassem para 8 ou 9 chefes por semana, talvez em 5 grupos de trabalho diferentes, em 7 salas diferentes, sem uma secretária ou cadeira onde possam deixar as suas coisas, e fossem desencorajadas ou proibidas de falar umas com as outras durante o trabalho? Além disso, quem, entre nós, faria com que interrompessem cada tarefa de meia em meia hora para trabalhar numa outra? Embora ligeiramente caricaturada, esta é a experiência dos alunos nas grande escolas secundárias.

A verdade é que, em termos de organização, a escola secundária não está organizada à volta do aluno como trabalhador, mas como produto. Matéria-prima é passada de estação de trabalho a estação de trabalho e depois carimbada, trabalhada e rotulada por especialistas diferentes, para no final ser classificada em categorias adequadas para distribuição. O ensino secundário é o mecanismo definitivo de triagem e deixa uma impressão indelével. [Muitos] tornam-se alienados por esta instituição opressora, irrelevante e ignorante da sua possível contribuição para o mundo. A verdade é que, para eles, a escola é um sistema destrutivo."

sábado, 2 de maio de 2009

Unschooling Media, a tese de Vanessa Bertozzi

Cliquem no quadradinho de cima mais à direita e o livro ficará do tamanho do monitor. Para voltarem ao blogue cliquem outra vez no mesmo sítio.

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Educação e suas inconsistências

Segundo este artigo sobre o inquérito que o governo britânico está a fazer sobre a segurança e o bem-estar dos jovens que seguem o ensino doméstico, trabalhadores sociais estão pedindo às autarquias locais que aumentem a vigilância das crianças educadas em casa. O artigo descreve o ensino doméstico como uma prática controversa.

Eis o comentário de uma mãe britânica que optou pelo ensino doméstico:

OK, defensores da escola, abram as vossas mentes apenas por um momento. Das 2 opções seguintes, qual diriam ser mais controversa, A ou B?

(foto: encontro do ensino doméstico no Reino Unido)

1A.
Educar para a democracia obrigando os alunos a viver numa autocracia.

1B. Ajudar os nossos filhos a compreender as vantagens de viver numa democracia dando o exemplo, ou seja, tomando em consideração as suas opiniões e participando em debates com eles, permitindo o desenvolvimento natural das ideias.

2A. Dizer aos alunos que o bullying não é aceitável mas, na prática, intimidá-los frequentemente.

2B. Partilhar a opinião de que o bullying não é o melhor tipo de comportamento e dar o exemplo, fazendo questão de nunca agir como um bully e explicando os motivos por que o bullying não é eficiente: porque inibe a criatividade e a racionalidade.

3A. Pregar as vantagens da co-operação mas encorajar os alunos a competir.

3B. Explicar as vantagens da co-operação demonstrando como agir cooperativamente no dia a dia.

4A. Pregar os benefícios da auto-motivação e iniciativa, mas dizer aos alunos o que fazer.

4B. Permitir e proporcionar aos nossos filhos o espaço necessário para o desenvolvimento da auto-motivação e iniciativa própria.

5A. Pregar os benefícios da liberdade de expressão e de pensamento, mas dizer-lhes exactamente o que pensar.

5B. Criar o espaço que permite aos nossos filhos a liberdade de expressão e de pensamento.

6A. Pregar a ideia de que as crianças devem ter todas as condições para seguir seus interesses, mas mandá-las deixar de fazer aquilo em que estão interessadas por estar na hora do próximo exercício, actividade, aula, etc.

6B. Criar um espaço para nossos filhos seguirem os seus interesses em paz e sossego.

7A. Compreender que existem inúmeras coisas a aprender mas, na prática, definir uma área restricta de conhecimento e impor a sua aprendizagem aos alunos.

7B. Compreender que os nossos filhos têm os seus interesses e deixá-los aprender as coisas que querem aprender, quando as querem aprender, da forma como as querem aprender, porque as querem aprender.

8A. Achar que as crianças e jovens devem aprender a relacionar-se com pessoas de todas as idades mas, na prática, segregar os alunos etáriamente.

8B. Dar aos nossos filhos a oportunidade de se relacionarem com pessoas de todas as idades e a liberdade de escolherem as pessoas com quem querem conviver.

9A. Propagar a ideia da igualdade entre as pessoas mas, na prática, classificá-las, dar-lhes notas diferentes e diferenciá-las.

9B. Compreender que as pessoas são diferentes, que têm interesses diferentes e criar um mundo onde cada um pode ser quem é.

10A. Perceber que errar é uma parte importante da aprendizagem mas, na prática, penalizar os alunos quando estes erram.

10B. Criar um espaço onde toda a família compreende que errar é importante na aprendizagem.

Estas são apenas algumas das questões mas com base nestes poucos exemplos quais deles diriam ser controversos?

(a tradução é livre, o original está aqui, em inglês, e inclui vários outros comentários)

quinta-feira, 30 de abril de 2009

O acto de aprender

Paulo Freire, reflectindo sobre o acto de aprender:

Aprender não é acumular certezas
Nem estar fechado em respostas
Aprender é incorporar a dúvida
e estar aberto a múltiplos encontros

Aprender não é dar por consumida uma busca
Aprender não é ter aprendido
Aprender não é nunca um verbo do passado
Aprender não é um acto findo
Aprender é um exercício constante de renovação















Aprender é sentir-se humildemente sabedor de seus limites,
mas com coragem de não recuar diante dos desafios
Aprender é debruçar-se com curiosidade sobre a realidade
É reinventá-la com soltura dentro de si

Aprender é conceder lugar a tudo e a todos
e recriar o próprio espaço















Aprender é reconhecer em si e nos outros o direito de ser,
dentro de inevitáveis repetições
porque aprender é caminhar com seus pés um caminho já traçado

É descobrir de repente uma pequena flor inesperada
É aprender também novos rumos onde parecia morrer a esperança

Aprender é construir e reconstruir pacientemente
uma obra que não será definitiva
porque o humano é transitório
















Aprender não é conquistar, nem apoderar-se mas peregrinar
Aprender é estar sempre caminhando
não é reter, mas comungar

Tem que ser um acto de amor
para não ser um acto vazio.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Por onde andámos...

O jardim de trás está cheio de "ervas daninhas" e a precisar de uma arrumadela. Vou ter que arregaçar as mangas e aprender a jardinar!

Nem sei o nome das flores que aqui estão mas, na aprendizagem, não saber é o importante, pois é daí que vem a vontade de saber.

Gosto muito destas compridinhas e violetas.

Tenho mesmo muito que aprender! Sei que vou fazer muita "asneira" e isso também é importante. Thomas Edison salientava a importância dos erros. Aprender o que não resulta é parte essencial do processo de descobrir o que resulta. Experimentando é que a gente aprende!