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terça-feira, 28 de julho de 2009

Pais decidem ensinar os próprios filhos

em Bradford, no Reino Unido.

Tendo-lhes sido negada a entrada para a escola de sua preferência, um grupo de pais resolveu organizar-se e educar seus próprios filhos.

Podem ver o video-clip da entrevista feita pela BBC aqui.

Quotidiano escolar


Este video clip, do documentário Democratic Schools de Jan Gabbert (2006), retrata a triste realidade da vida diária dos professores e alunos na maioria das escolas. Animação de Ellen Stein.

Vozes de uma escola democrática


Original aqui.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Educação em família na Catalunha

Boas notícias para as famílias que praticam o ensino doméstico na Catalunha! A Educação em Família deixou de ser ilegal com a publicação da Lei de Educação da Catalunha na semana passada.

Aqui fica o texto:

Art. 55.

Educação não presencial.


55.1.

O governo, para facilitar o direito universal à educação tem de desenvolver uma oferta adequada de educação não-presencial.

55. 2.

Se podem transmitir na modalidade de educação não presencial o ensino pós-obrigatório, o ensino que não conduz a qualificações ou certificações válidas em todo o Estado, os cursos de formação preparatória para as provas de acesso ao sistema educativo, a formação nas competências básicas, a formação profissional e a aprendizagem ao longo da vida. Excepcionalmente, também se podem fornecer aulas e outras lições obrigatórias que em determinadas circunstâncias estabeleça o departamento.

55.3

A oferta de formação não-presencial há-de caracterizar-se pela diversidade, abertura e flexibilidade para escolher, especialmente, a extensão da extensão da acessibilidade desta formação, a simultaneidade com outros ensinamentos e a complementaridade com outras acções e estratégias de aprendizagem, e também a complementaridade com o trabalho.

55.4

Sem prejuízo da modalidade de educação semi-presencial e não-presencial que é... implantar nas escolas públicas comuns, a Administração há-de organizar através de um único centro para a transmissão específica da modalidade do ensino não-presencial.

55.7.

O Departamento há de estabelecer e regulamentar um registo em que constem os dados dos alunos que beneficiam da modalidade de educação não-presencial no ensino básico *.

* Esta lei considera como educação básica o ensino obrigatório primário e secundário.


Disposição adicional 17ª

Acreditação para a obtenção do certificado de graduação na educação secundária obrigatória.

Há-de se estabelecer por regulamentação o procedimento de acreditação para obter o certificado de graduação no ensino secundário obrigatório dos alunos que constem no registo a que faz referência o artigo 55.7.

Como o meu espanhol não é muito bom, o melhor é irem à fonte: aqui e aqui.

Educação domiciliar: um direito ou um desvio?


Que eu saiba, o ensino doméstico continua sendo ilegal no Brasil, e ouvindo o programa deu para entender que fazem uma ideia errada da realidade desta alternativa educacional.

Lá fora, no quintal

os tomates estão amadurecendo...

Como a escola destrói a saúde mental

Como psiquiatra e sociólogo, eu examino a sociedade como um médico examina seu paciente. Uma das doenças mais perturbantes que encontro é o nosso sistema escolar que sem se aperceber prejudica a maioria dos alunos.

Estou completamente convencido que o nosso sistema escolar é a causa principal dos problemas sociais enfrentados actualmente pela nossa sociedade. Dinheiro não seria necessário para a resolução deste problema.

Falando a partir da perspectiva da psiquiatria, os nossos atributos mentais mais importantes incluem emoções, julgamento, senso de prioridade, empatia, consciência, relacionamentos interpessoais, auto-estima, identidade, independência, capacidade de concentração e toda uma série de outras funções do cérebro difíceis de descrever. Vou agrupar todos estes atributos sob o termo plena atenção. O nível de compreensão da leitura, a habilidade matemática e os resultados de testes padronizados encontram-se muito mais abaixo na lista de prioridades.

Há um salto enorme na incidência de doenças mentais imediatamente após as crianças começarem escola, o que sugere que algo no sistema escolar está em directo conflito com a psique humana. Com a reestruturação das nossas escolas, muitas dessas doenças poderiam ser evitadas. Vou mostrar-vos como.

Primeiro, temos de ultrapassar a nossa insistência obsessiva de que a aprendizagem de certas coisas deve ser feita a determinada altura. Todos nós temos uma personalidade que é única e todos aprendemos a um ritmo diferente. Algumas pessoas estão prontas para aprender a ler aos 3 anos de idade enquanto outras podem estar mais preparadas para fazê-lo aos 10 anos de idade. Nas escolas, nós forçamos os estudantes a"comer" matérias, não nos apercebendo que eles aprendem muito mais depressa e eficazmente se estiverem receptivos e ansiosos por aprender. As crianças conseguiriam dominar as noções básicas de leitura, escrita e aritmética muito mais depressa se lhes deixassem aprender o que elas querem aprender na altura em que elas querem aprender.

Antes de 1850, a escolaridade (da forma como actualmente compreendemos a expressão) - não era considerada fundamental para o desenvolvimento das mentes dos jovens . Algumas crianças frequentavam escolas, mas só pelo tempo que queriam.

Educação em salas de aula não era obrigatória. No entanto, as crianças aprendiam a ler, escrever e fazer contas. E mais, o gabinete do senador Kennedy libertou uma vez um documento demonstrando que antes da implementação do ensino obrigatório a taxa de alfabetização era de 98% e que posteriormente nunca excedeu os 91%.

Obrigar as pessoas a aprender é extremamente prejudicial. Testes, notas, avaliações, exames, competição e trabalhos que nunca mais acabam estão no cerne dos problemas que infectam as nossas escolas. A motivação para aprender deve vir de dentro do aluno. Muitas vezes, ficamos tão preocupados em cumprir as exigências dos outros que acabamos por não saber o que sentimos e quem somos. Eu tenho trabalhado com inúmeros indivíduos que, embora intelectualmente bem desenvolvidos, perderam totalmente o contacto com o seu verdadeiro eu.

Todas as crianças são naturalmente curiosas e adoram aprender. Antes de frequentarem a escola e serem submetidas a esse processo de coerção, as crianças conseguem aprender uma linguagem complexa (em famílias bilíngues, dois idiomas) e uma quantidade enorme de coisas sobre o seu ambiente.

Não há razão para pensarmos que essa aprendizagem não continuaria, sem os efeitos negativos da rigidez institucional e das avaliações constantes que parecem constituir a base da educação actual. Em vez de dificultarmos o crescimento dos nossos filhos, deveríamos proporcionar um ambiente que os vai nutrir e facilitar a aprendizagem contínua.

Shaun Kerry, M.D. Diplomata, American Board de Psiquiatria e Neurologia 2-04-2007

Original aqui.

Ensino Doméstico na Europa de Leste

O ensino doméstico está aparecendo nos lugares mais improváveis do mundo. Em Homeschool Heartbeat, Mike Smith e Chris Klicka falam sobre a situação actual da educação domiciliar na Europa Oriental.

Mike Smith: A maioria das nações da Europa Oriental ainda não recuperou da devastação do comunismo. No entanto, apesar das dificuldades, esta região do mundo está vendo a emergência de vários movimentos de ensino doméstico. Chris, o que é que você observou nestes países?

Chris Klicka: O que eu tenho vindo a observar é muito emocionante. Nos países da Europa Oriental o sistema de ensino está de rastos e, como resposta a este problema, cada vez mais famílias estão optando pelo ensino doméstico.

Por exemplo, na Hungria conseguimos ajudar um casal a fundar a Associação Nacional do Ensino Doméstico. Agora já têm entre 30 a 40 famílias praticando o ensino doméstico como escolas privadas.

Na Roménia, estamos trabalhando com um pai, ajudando-o a fazer com que a educação domiciliar seja reconhecida - porque actualmente ainda é ilegal -; estamos trabalhando com o vice-presidente do Comité da Educação no Parlamento e temos esperança de tornar o ensino doméstico legal no ano que vem.

Na República Checa, conseguimos encorajar as famílias que praticam o ensino doméstico a entrarem em contacto com o parlamento checo, e no ano passado, conseguimos fechar o parlamento por um dia e bloquear um projecto lei horrivel, que teria tornado o ensino doméstico ilegal.

Mike Smith: São muito boas notícias, Chris. Gostaria de agradecer-te pessoalmente pelo teu importante papel na expansão da liberdade de educar em casa por todo o mundo.

Original aqui.

domingo, 26 de julho de 2009

Fins de semana na Inglaterra



Música: The Wanderer, Anois
Fotos: tiradas ontem em Ashton Court, Bristol.

Progresso do ensino doméstico na Africa do Sul

Tradução livre de um artigo (abre original), escrito por Kate Tsubata, uma mãe-educadora e escritora freelance que vive em Maryland.

"A África do Sul sempre me fascinou. Na década de 1990, este país corajosamente descartou uma estrutura política racista de apartheid e criou uma nova democracia universal que incluiu todos os povos da nação. Depois, para ultrapassar inúmeras injustiças e mágoas, criou um verdadeiro processo de reconciliação que é agora um modelo para todo o mundo.

A história do estabelecimento da liberdade para educar em casa neste país não é bem conhecida. Leendert Van Oostrom disse-nos que ele e a esposa optaram pela educação domiciliar durante os anos de declínio do antigo sistema, "quando o ensino doméstico era estritamente proibido e as famílias que optavam por essa alternativa eram perseguidas e postas na cadeia."

Em 1994, a lei sobre a escolaridade obrigatória (para as crianças brancas, de raça mista e asiáticas - mas não para as negras) foi declarada anti-constitucional. Em 1996, quando foi proposta a lei do ensino universal e obrigatório, Van Oostrom, juntamente com outros pais-educadores, pressionou o parlamento para que o direito ao ensino doméstico fosse reconhecido como um direito humano, e o ensino doméstico tornnou-se uma opção legal na África do Sul.

Apesar disso, as autarquias locais fazem várias exigências não-constitucionais às famílias que se matriculam no ensino doméstico. Numa entrevista recente, Van Oostrom explicou que precisamente por causa "dessas demandas sem fundamento na lei cerca de 90% dos educadores-domésticos não se registram".

Em 1998, inspirado pela Home School Legal Defense Association nos E.U.A., Van Oostrom criou a Pestalozzi Trust, (Johann Pestalozzi, suíço, foi um pioneiro da reforma educacional no século XVIII) para promover o direito ao ensino doméstico e defender as famílias que optaram por esta via de tentativas de incursões sobre esse direito.

"Espero que um dia conseguiremos demostrar que o ensino doméstico realmente é, como Pestalozzi dizia, um poderoso método de desenvolvimento de comunidades inteiras entre pessoas desfavorecidas. Acho que a África do Sul tem o tipo de população em que isso pode ser feito", explicou Van Oostrom. "A ideia de Pestalozzi é que a educação domiciliar eleva a mãe, que por sua vez eleva a família, que por sua vez eleva a comunidade."

O objectivo de "cada um, ensina um" é necessário, onde todos partilham conhecimentos, independentemente de terem ou não recebido formação profissional no campo da educação.

Embora a mudança social possa ser uma meta viável a longo prazo, o objectivo da maior parte dos pais-educadores na África do Sul é que os filhos recebam uma boa educação.

Em 2000, na pesquisa feita para o seu doutoramento, Esther De Waal descobriu que na África do Sul a razão nº1 para optar pelo ensino doméstico é a de dar aos filhos uma educação melhor do que a disponível nas escolas. Em segundo lugar estava o desejo de educar os filhos num ambiente compatível com a religião ou filosofia da família. Em terceiro, o desejo de proteger os filhos da cultura escolar, uma cultura de violência, drogas, sexo e obscenidade".

Tal como nos E.U.A., os jovens que seguem o ensino doméstico na África do Sul são o melhor argumento a favor do ensino doméstico.

"A minha filha, 21, toca violino desde os 3 anos de idade, conduz uma orquestra numa das melhores escolas da área e, além de conduzir outras 2 orquestras, compõe arranjos musicais para que músicos de níveis diferentes possam tocar uns com os outros", disse Van Oostrom.

"Ela está no 3º ano do curso de música na Universidade da África do Sul. ... O primeiro exame que fez foi o do 12º ano... e saiu-se melhor do que a maioria dos alunos que tinham passado os últimos 12 anos estudando para passar esse exame.

A minha outra filha, 15, combina a sua paixão de andar a cavalo com o seu interesse em detectives, e quer ser mountain ranger ou piloto. Ela toca viola na National Youth Orchestra e faz ballet.

A minha filha de 11 anos é concertmaster na orquestra juvenil que a irmã mais velha fundou, e além de tocar violino estuda ballet, anda a cavalo e atingiu recentemente o seu próprio objectivo de ler 33.000 páginas de literatura em dois meses."

Van Oostrom deu aulas sobre legislação de educação na Universidade da África do Sul mas actualmente o seu principal trabalho é com a Pestalozzi Trust, apoiando os direitos das famílias que assumem responsibilidade pela educação dos filhos.

Copyright 2009 The Washington Times, LLC

sábado, 25 de julho de 2009

Papagaios? Ou kites?

Algumas fotos desta tarde...




Ataque ao ensino doméstico nos E.U.A.

A perseguição ao ensino doméstico parece ser global. Propostas para aumentar a monitorização das crianças educadas em casa e a intervenção estatal na vida privada das famílias estão aparecendo simultaneamente em vários paises.

Em New Hampshire a lei é pura e simplesmente injusta, ignorando o princípio da presunção de inocência ou não-culpabilidade e considerando as famílias que praticam o ensino doméstico culpadas à partida, indo contra a própria Constituição americana, que garante a todos tratamento igual perante a lei. O ensino doméstico faz parte do ensino privado e os pais que educam os filhos deveriam ser tratados da mesma forma que os educadores do ensino particular e escolas privadas.

As famílias residentes em New Hampshire estão neste momento a pedir aos representativos no House Education Committee que, ao estudarem a lei sobre o ensino doméstico, façam uma revisão cuidada da história da forte tradição dos direitos dos pais. Muitas das exigências feitas pela actual lei do ensino doméstico RSA 193-A não têm fundamento na constituição e são discriminatórias.

O princípio de presunção de inocência não pode ser abandonado. Ninguém deve ser considerado culpado até que se prove realmente a culpa. Os pais que educam os filhos em casa não deveriam ser considerados culpados de negligência educacional até que a sua inocência seja provada. Os educadores que operam fora do sistema público não são obrigados a produzir provas do progresso acadêmico dos seus alunos e a continuação dos seus programas não depende dos resultados obtidos pelos alunos. Os educadores-domésticos têm o direito de ser tratados de igual modo.

Os pais têm o direito e a responsibilidade de educar os seus filhos e a opção de transferir essa responsibilidade para uma escola pública. A lei não deveria interferir desnecessariamente com os direitos dos pais.

Fonte: aqui e aqui.

Abuso de crianças no Colégio Militar

Mandaram-me a notícia por email, podem ler aqui e aqui.

Em defesa do ensino doméstico

Helen Jane Burten, uma mãe horrorizada com o estado actual do sistema de ensino público, veio à defesa do ensino doméstico numa carta aberta.

"... O meu filho tem 16 anos e acabou de completar o ensino secundário. ...Em literatura inglesa... não leu nem sequer um romance. Teve aulas de alemão mas no ano passado, ao visitar a Alemanha, não conseguiu pedir o que queria na padaria ...

Completou o 11º ano mas não conhece nem uma obra de música clássica, não sabe cozinhar uma refeição decente, não visitou nenhum museu ou lugar de interesse histórico e tem dificuldades em encontrar cidades no mapa do Reino Unido"

Em vez de atacarem as famílias que optam pelo ensino doméstico e exigirem que justifiquem a sua decisão, se calhar deviam era perguntar aos pais que mandam os filhos para a escola sem questionar a educação e as influências que lá recebem, como é que os vão ajudar a recuperar o tempo perdido."

Original aqui.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Ensino doméstico na Austrália II

Tradução livre e parcial deste artigo sobre o ensino doméstico.

schooling
Kristy Bennett com William, 2, ao colo, ensinando seu filho Karl, 5, em casa. - Foto de Tait Schmaal

Kristy Bennett decidiu que o ensino doméstico é a melhor opção para a família. Acredita ser capaz de proporcionar oportunidades educacionais aos filhos que vão ao encontro dos seus estilos individuais de aprendizagem.

"Nós adoramos passar tempo com nossos filhos", disse ela. "O ensino doméstico proporciona a flexibilidade necessária para os nossos filhos poderem conhecer e partilhar experiências com pessoas das mais diversas faixas etárias e dos mais variados backgrounds culturais e religiosos. Isto é algo que seria impossivel no ambiente tradicional da escola.

Como sou uma mãe que trabalha em casa e educa seus próprios filhos, tenho a liberdade de viajar com eles sempre que a oportunidade surge, o que lhes permite experienciar a diversidade da Austrália."

Beverley Paine, a grande defensora australiana do Ensino Doméstico que educou os três filhos em casa e escreveu vários livros sobre o assunto - disse que os pais optam pela educação domiciliar por várias razões:

"Têm a convicção de que podem satisfazer as necessidades educacionais dos filhos melhor do que as escolas... E há aqueles que se sentem frustrados ao ver os filhos perderem o interesse pela aprendizagem e começarem a ficar para trás, ou ao vê-los num nível que consideram baixo para a idade que têm", disse ela.

"O ensino doméstico adapta-se rapida e fácilmente aos estilos e necessidades individuais de aprendizagem e por essa razão se torna muito eficiente para a aprendizagem. Além disso, deixa mais tempo livre para as crianças aprenderem brincando e explorando o seu meio-ambiente através dos seus interesses e hobbies."

quarta-feira, 22 de julho de 2009

Ensino doméstico e diferenças na aprendizagem

Beth tem 14 anos e é educada em casa.
Eis, aqui, o que nos diz sobre a sua experiência:

"Como os jovens educados em casa não vivem em stress eles conseguem alcançar aquilo que realmente querem. Aprendem o que querem ao ritmo que querem sem serem obrigados a ouvir coisas que lhes entram por um ouvido e saem pelo outro. Na escola temos que pôr de lado as matérias que queremos estudar e acabamos por não seguir a carreira que queremos. Quando as crianças são educadas em casa elas podem concentrar-se a 100% nas áreas que lhes interessam e não naquilo que os professores querem.

Os jovens educados em casa podem escolher a carreira que realmente querem. Não desejam apenas ganhar dinheiro; querem gostar do seu trabalho, estar envolvidos nele e dar o seu melhor. Não querem ser grandes homens de negócios mas infelizes. Querem estar envolvidos no seu trabalho, em vez de passarem os dias sentados num escritório datilografando palavra após palavra sonhando com outra carreira completamente diferente.

Agora que não frequento a escola sou muito menos tímida e converso com as pessoas que quero, em vez de me esconder e esperar que os outros tomem a iniciativa. Agora tenho muito mais amigos; na escola só tinha 3 e dois deles agrediam-me.

As escolas podem ser mentalmente abusivas. Depois de 2 anos no ensino doméstico ainda não consegui ultrapassar o facto da escola me ter tratado como uma burra por não conseguir ler e escrever corretamente, apesar de saberem que era devido às minhas diferenças de aprendizagem. Como não me conseguiam entender decidiram que eu é que era estúpida. Porquê? Porque não tinham formação suficiente para entender pessoas ligeiramente diferentes.

O ensino doméstico libertou-me. Agora eu tenho a oportunidade de aprender em vez de estar fechada numa sala de aulas sem nada aprender, só para depois os ouvir ralhar comigo por me esquecer do que tinham dito. Na escola somos intimidados a aprender e intimidados se não aprendermos."

terça-feira, 21 de julho de 2009

Quem tiver olhos para ver, que veja

O mestre disse: Por natureza, os homens são próximos; a educação é que os afasta. - Confúcio

A natureza é o único livro que oferece um conteúdo valioso em todas as suas folhas. - Johann Goethe

Nunca imites ninguém. Que a tua produção seja como um novo fenómeno da natureza. - Leonardo da Vinci

Quem tentar possuir uma flor, verá sua beleza murchando. Mas quem apenas olhar uma flor num campo, permanecerá para sempre com ela. - Paulo Coelho

O segredo não é correr atrás das borboletas... É cuidar do jardim para que elas venham até você. - Mário Quintana

Trabalho Social e Ensino Doméstico

Nós, assistentes sociais britânicos, devemos responder aos apelos crescentes a uma maior regulamentação do ensino doméstico. Nós estamos sendo pressionados a exercer um controlo maior sobre as famílias que rejeitam o ensino público e a manter as crianças educadas em casa sob maior vigilância. Porque esta proposta é autoritária e incompatível com os valores subjacentes ao trabalho social, ela deve ser fortemente resistida.

Uma das propostas do Relatório Badman, aceite pelo Governo britânico, é que as autarquias devem poder impedir os pais de educar os filhos em casa se o bem-estar das crianças for posto em causa. Este tipo draconiano de poder é completamente desnecessário e representa um enorme passo em direcção a uma maior intervenção estatal na vida familiar. As crianças consideradas em "risco" poderiam ser forçadas a frequentar a escola, o que supostamente tornaria a sua monitorização mais fácil. Mas essas mudanças colocariam as autarquias locais numa posição de conflito com as famílias que praticam o ensino doméstico, colocando-as desnecessariamente sob um enorme estresse. Tudo isso seria feito sob pretexto de uma suposta melhoria na protecção infantil. Na realidade, as novas propostas não produziriam esse resultado e causariam mais mal que bem.

Uma questão fundamental anda à volta do significado da expressão "em risco" e da necessidade do envolvimento dos serviços sociais. No Reino Unido, os trabalhadores sociais exercem uma responsabilidade dupla - bem-estar e protecção. Em relação ao bem-estar, o foco está no sentido mais lato da promoção do desenvolvimento da criança e na prestação de serviços adequados. O apoio dos assistentes sociais é fornecido apenas com o acordo voluntário dos pais. Em relação à protecção infantil, o assistente social tem poderes e deveres definidos pela lei, Children Act 1989, incluindo o poder para investigar suspeitas de abuso e negligência e, se necessário, retirar a criança da família se esta estiver em risco significativo. Neste papel, os assistentes sociais podem usar a sua autoridade e adoptar um estilo de trabalho mais firme e persuasivo a fim de reduzir os riscos e evitar a necessidade da criança ser retirada da família.

Quando o assistente social lida com famílias cujos filhos são educados em casa, acaba geralmente questionando se não seria melhor a frequência escolar. Porém, o assistente social não é especializado em educação e, por essa razão, deve evitar fazer juizos "educativos". O assistente social deve estar consciente do facto de que muitas crianças são prejudicadas pelo sistema de ensino e deve considerar o impacto emocional da imposição da frequência escolar no relacionamento entre pais e filhos.

Legislação recente destruiu o princípio de não-intervenção no ensino doméstico e agora os assistentes sociais estão sendo pressionados a tomar um maior interesse pela educação e bem-estar dessas crianças. Além disso, as orientações governamentais estão deliberadamente esbatendo a fronteira entre o bem estar e a protecção de menores, complicando o papel dos trabalhadores sociais e provocando confusão em relação aos seus poderes legais.

Por vezes os assistentes sociais exercem o poder de protecção de menores inadequadamente, em situações onde apenas existem preocupações sobre o bem-estar, e há dúvidas se essas competências são juridicamente vinculativas. Os assistentes sociais devem assegurar-se que os seus poderes de compulsão sejam usados apenas em situações onde as crianças estejam em risco de «maltratos significativos» - e a jurisprudência demonstra que as provas de abuso ou negligência têm de ser fundamentadas.

Muitos problemas surgiram no âmbito da protecção das crianças, porque a função de promoção do seu bem-estar alargou o âmbito do trabalho. No campo da educação, criou uma enorme confusão relativamente ao significado concreto do termo. A percepção é que por vezes as famílias são tratadas injustamente e que os profissionais dão à expressão bem-estar o significado que bem entendem. Não é surpreendente que as famílias que optam pelo ensino doméstico fiquem alarmadas com a ideia de serem visitadas por assistentes sociais cujo poder está aumentando cada vez mais.

O actual sistema de protecção das crianças contra abusos e negligência está bem estabelecido e não há provas de que adicionais poderes legais sejam necessários. Embora recentes escândalos tenham demonstrado que casos de alto risco não são às vezes reconhecidos, isso deve-se ao facto dos serviços sociais estarem sobrecarregados. O problema é muitas vezes a relutância das autarquias locais de usarem o poder jurídico que possuem em casos de alto risco.

Além da ameaça às liberdades civis, existem questões muito sérias que devem ser postas em causa, como por exemplo o das autarquias locais assumirem responsabilidades adicionais numa época de cortes financeiros. O número de pessoas trabalhando no campo da protecção de menores não é suficiente nem para lidar com os casos existentes. Ampliar o papel dos serviços sociais para incluir a área do ensino doméstico não pode ser considerado como prioridade quando tantos casos de alto risco continuam não sendo detectados.

© Copyright Hilary Searing 2009. Todos os direitos reservados.

A publicação desta tradução foi autorizada pela autora.
Podem ler o original aqui.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Ensino doméstico na Austrália

Segundo este artigo, o número de australianos conscientes das vantagens do ensino doméstico está a aumentar. Enquanto os políticos continuam debatendo o sistema de ensino, são cada vez mais as famílias que optam por educar os filhos em casa.

Em 4 anos o número de crianças registadas no ensino doméstico duplicou. No ano passado houve um aumento de 17,5% e há quem diga que as estatísticas oficiais são baixas pois nem todas as famílias informam o Departamento de Educação.

Apesar do ensino doméstico não ser remunerado, as vantagens são tantas que o sacrifício de um ordenado vale a pena. Eis o comentário da Sra Hadges, uma mãe que optou por esta alternativa:

"A decisão nem sempre é fácil. Vivemos só com um salário durante 20 anos, numa casa velha que não foi renovada, mas há coisas mais importantes na vida."

Quando o seu primeiro filho fez 3 anos sentiu-se pressionada "para escolher uma escolinha e decidir se a escolinha era boa ou não. Mal tinha tido o meu filho e já estava sob pressão de dá-lo a alguém". Foi então começou a pensar no ensino doméstico: "Nenhum dos meus filhos andou na escola mas o mais velho já entrou para a universidade."

É claro, o acesso à internet de banda larga facilita o acesso a materiais didáticos, o que pode ser um factor no crescimento da educação domiciliar.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Por onde andámos...



Imagens de Bristol, no centro, à beira do rio...