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sábado, 15 de agosto de 2009

Pesquisa sobre o ensino doméstico / educação domiciliar

Este post é a continuação deste. O início desta série está aqui.

O que me levou a pesquisar o ensino doméstico foi o meu interesse pelo ensino individualizado (Thomas, 1992). A minha introdução à aprendizagem informal surgiu quando fui convidado a passar uma semana "vivendo" com uma família que educa em casa.

O que mais me impressionou durante essa semana foi que, pelo menos à primeira vista, nada de especial parecia estar acontecendo, especialmente comparando com o senso de trabalho propositado que tipicamente observamos nas salas de aula. Não havia um horário nem um programa de actividades educativas programadas sequencialmente dentro de um currículo planejado. Fomos a passeios. É certo que os dois miúdos, com 11 e 13 anos de idade, liam muito e passavam algum tempo trabalhando nos seus próprios projectos. Havia várias actividades fora de casa, incluindo participação numa banda musical. Um deles estava fazendo um projecto sobre desenvolvimento infantil e ajudando uma vizinha com o seu bebé recém-nascido. Amigos vinham visitá-los depois das aulas e um deles participou num musical em uma escola [...] Estas crianças estavam certamente aprendendo, embora, obviamente, não através do tipo de ensino individualizado e organizado que eu esperava observar.

Durante a semana, o que mais me surpreendeu foram as constantes oportunidades de aprendizagem informal, muitas vezes incidental, principalmente através das conversas em grupo. Quer estivessem dando um passeio, sentados à volta da mesa da cozinha, participando em qualquer actividade, desenhando, construindo algo, trabalhando num projecto, comendo, viajando de carro ou lendo, havia uma quantidade incrível de conversas espontâneas e incidentais.

Um dia, por exemplo, estávamos todos sentados ao redor da mesa da cozinha empenhados nas nossas actividades distintas. Temas de conversa, na maioria das vezes não relacionados ao que estavamos fazendo, não paravam de surgir. Entre outras coisas, falámos sobre a escravatura, Nelson Mandela, crocodilos de água salgada e os níveis das águas subterrâneas ... e se havíamos de ir à loja comprar uns bolos. As crianças provavelmente viam isto um mero bate papo. Mas comecei a perguntar-me até onde este tipo de aprendizagem incidental poderia contribuir para a sua educação em geral. Com ou sem ela, eles estavam certamente fazendo progresso. Ambos acabaram estudando part time em escolas pós-ensino-obrigatório para adultos e tendo sucesso em exames públicos (Thomas, 1998, p.4).

Com o objectivo de estudar os processos envolvidos na aprendizagem em casa, eu fiz um estudo investigatório, baseado em entrevistas e num número limitado de observações de 100 famílias, na Austrália e no Reino Unido (Thomas, 1998). As abordagens à educação domiciliar adoptadas por estas famílias eram de uma enorme variedade, desde as do tipo “escola em casa” (uma mãe até tinha uma campainha de escola!) às completamente informais, sem qualquer estrutura que se visse (unschoolers). O que se segue é um breve resumo dessa pesquisa no que toca à aprendizagem informal.

Embora um certo número de pais embarque na aprendizagem informal desde o início, influenciados por autores como John Dewey, John Holt ou pela filosofia libertária, a grande maioria dos pais, certamente durante os primeiros tempos, usam métodos do tipo escolar, como fizeram estes:
No início sentimos a necessidade de seguir a rotina escolar, e ela também. Parecia ser a única maneira. Usámos horários (Thomas, 1998, p. 54).
No entanto, a maioria das famílias que faz no início "escola em casa" descobre que o que funciona na escola não se adapta facilmente ao lar. Por necessidade, os pais-educadores acabam desenvolvendo novas abordagens educativas, quase sempre menos formais. São estes pais, os que mudam de abordagem, que proporcionam a prova mais convincente do potencial da aprendizagem informal, pois descobrem (esse potencial) por si próprios, sem estarem ideologicamente comprometidos a tal. Longe disso:
No princípio eu era muito rigorosa e regimentada, com um horário para o período da manhã. Comprei todos os livros necessários, mas depois apercebi-me que estava sufocando as crianças. Agora sou muito mais flexivel. Aprendemos que "educação em casa" não é “escola em casa”. Tive que abandonar tantos métodos usados na escola ... (p. 55)
Convém salientar que em casa tanto a aprendizagem formal quanto a informal têm significados diferentes em comparação com a da escola. A aprendizagem formal em casa seria provavelmente considerada pela escola como bastante informal. Em contrapartida, a aprendizagem informal em casa é especificamente feita no contexto da família porque pouco ou nada é prescrito (unschooling). As crianças aprendem com a vida, com as experiências quotidianas, tal como haviam aprendido durante a infância. Este tipo de aprendizagem não existe na escola.

Para a maioria das pessoas, a ideia dos pais assumirem o papel profissional do professor e usarem em casa os métodos usados na escola já é bem difícil de aceitar. Quanto mais a ideia de que as crianças possam adquirir informalmente o que a escola ensina de maneira tão formal no ensino obrigatório!

Continua aqui.

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Coisas do dia a dia...

Tomatinhos do quintal

e ovos à moda inglesa...

Aprendizagem & crianças em idade escolar

Este post é a continuação deste. O início desta série está aqui.

Quando os miúdos atingem os 5 anos de idade vão para a escola e embarcam na aprendizagem formal “como deve ser”.

O conteúdo do que aprendem, o currículo, é planejado em detalhe e cuidadosamente sequenciado. O professor despeja este currículo e as crianças aprendem o que lhes dizem que têm de aprender. O progresso é monitorado constantemente de várias formas, desde respostas às perguntas que os professores fazem na sala de aula, à realização regular de exercícios escritos. Podem haver muitas e boas razões - a nível institucional, organizacional e prático - para que a aprendizagem estruturada seja necessária na escola. Mas isso não significa que esta seja a única forma de adquirir uma educação.

Não há nenhuma base científica para o pressuposto quase universal de que este método tradicional de educar as crianças é essencial para o seu progresso depois de atingirem a idade escolar. É simplesmente que estamos tão acostumados à aprendizagem do tipo escolar que é muito difícil imaginar qualquer alternativa.

É verdade que a educação informal, às vezes denominada educação centrada na criança, foi supostamente praticada nas décadas “permissivas” de 1960 e 1970, embora tenha pouco em comum com o tipo de aprendizagem informal aqui descrito (Entwistle, 1970; McKenzie & Kernig, 1975).

Pesquisas incluindo observação directa em salas de aula, feitas no início de 1980, demonstraram que mesmo este tipo de aprendizagem informal limitada não tinha ido muito além da retórica (Bennett et al, 1984; Galton, Simon & Kroll, 1980). A única aprendizagem informal que ocorre nas salas de aula diz respeito à forma de agir enquanto estudante e de desempenhar seu papel da forma aprovada pela instituição e pelos colegas; ao que tem sido chamado currículo oculto.

Então como é que podemos estudar a aprendizagem informal nas crianças e jovens em idade escolar se eles passam os dias na escola?

Bem, em primeiro lugar, eles não estão na escola o dia todo, embora a aprendizagem informal fora da escola ainda não tenha sido estudada em profundidade. Uma excepção fascinante é a pesquisa sobre a "aprendizagem de rua". Por exemplo, Carraher, Carraher & Schliemann, (1985) compararam o que os estudantes brasileiros aprendiam nas aulas de matemática com aquilo que aprendiam manipulando dinheiro durante seu trabalho part-time nas barraquinhas do mercado. Os pesquisadores foram ao mercado e compraram colecções de itens. As crianças não tiveram dificuldade em somar o custo dos itens e calcular o troco. Mas quando estes mesmos cálculos lhes foram apresentados nas lições de matemática, as mesmas crianças acharam-nos difíceis e fizeram muitos erros.

Uma meia dúzia de escolas, tais como Summerhill School, no Reino Unido, onde as aulas não são obrigatórias mas voluntárias, e as escolas Sudbury Valley, estabelecidas pela primeira vez nos E.U.A., onde as aulas não seguem um horário, oferecem oportunidades de aprendizagem informal, principalmente devido à sua proporção muito boa de adultos-alunos, mas até agora têm atraído pouco interesse de investigação séria sobre este aspecto das suas actividades.

É provável que a melhor fonte de conhecimento existente sobre a aprendizagem informal das crianças em idade escolar seja o ensino doméstico. Isto porque muitos pais que educam os filhos em casa descobrem que a aprendizagem informal desempenha pelo menos uma parte, em alguns casos uma grande parte, no crescimento intelectual dos seus filhos.

Continua aqui...

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Aprendizagem informal II

Este post é a continuação deste. O início desta série está aqui.

Schaffer (1996) descreve a forma como os pais facilitam essa aprendizagem sem estarem conscientes disso, através da "articulação", que Lloyd (1990) chama de "sistema de apoio comunicativo", indo ao encontro do que a criança está fazendo ou dizendo.

Schaffer propõe que "o crescimento cognitivo ... durante a primeira infância é transmitido mais eficazmente no contexto de "episódios de envolvimento mútuo' [que] implica a cooperação mútua de uma criança participante e um adulto sensível" (p239).

Ainda mais informal é o tipo de aprendizagem que ocorre apenas ao estar "na companhia de", até na aquisição de conhecimentos de matemática - "... no decorrer da vida quotidiana são dadas, às competências cognitivas de lidar com os números - ainda em desenvolvimento nas crianças -, todas as oportunidades de se interligarem com a maneira em que a sociedade utiliza a aritmética" (p. 239).

Este tipo de aprendizagem tem sido descrito como um aprendizado cultural informal, através principalmente da "participação guiada" (Rogoff, 1990), e corresponde bem com os conceitos de "aprendizagem situada" e "participação periférica legítima" aplicados na aprendizagem informal dos adultos (Lave & Wenger, op cit).

Na altura em que atingem a idade escolar, a maioria das crianças está no bom caminho para aprender a ler, tendo sido estabelecida a familiarização com as formas das letras, seus próprios nomes, outras palavras que as rodeiam na sua vida quotidiana e em livros que lhes são lidos.

Elas já têm pelo menos um entendimento básico dos conceitos essenciais da matemática, por exemplo contar, adicionar e subtrair, embora não tenham, obviamente, as habilidades computacionais que irão adquirir posteriormente. Além disso, elas estão constantemente expandindo os seus conhecimentos gerais sempre que ouvem, vêem, fazem perguntam que nunca mais acabam, brincam, participam em actividades domésticas, vão às compras, vão visitar outras pessoas e assim por diante. Essa é uma parte tão normal da vida quotidiana em família que os pais estão raramente conscientes da enorme quantidade de aprendizagem que está ocorrendo.

Um estudo muito famoso, baseado em crianças de 4 anos de idade que frequentavam a pré-primária em part-time (Tizard e Hughes, 1984), compara especificamente este tipo de aprendizagem informal em família com a aprendizagem na escola. Gravaram conversas entre as crianças e suas mães em casa e, para comparar, entre os adultos (professores e trabalhadores infantis) na escola.

Para sua surpresa descobriram que, independentemente do background sócio-econômico das crianças, o lar proporcionava um ambiente de aprendizagem informal muito rico e que ... o contexto em que a aprendizagem era mais frequente era o da vida quotidiana. Simplesmente ao estarem perto de suas mães, conversando, discutindo e fazendo perguntas sem fim, as crianças estavam recebendo uma quantidade enorme de informações relevantes para o crescimento dentro da sua cultura (p.250-251).

Pelo contrário, no infantário ou na creche, bastante informal em relação à escola:
As crianças que havíamos observado, curiosas e cheias de perguntas quando em suas casas, eram totalmente diferentes... em “conversas” com adultos, limitavam-se a responder às perguntas deles em vez de lhes fazerem perguntas e participarem em diálogos ... (p. 9)
A aprendizagem informal é, obviamente, fundamental para o desenvolvimento intelectual durante a infância e tem um papel importante na educação de adultos. Mas o que acontece nos anos intermédios, quando as crianças estão em idade escolar?

Continua aqui.

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

Estudo confirma sucesso do ensino doméstico

Abrangendo todos os 50 estados dos E.U.A. e cobrindo 11.739 crianças, jovens e suas famílias, Progress Report 2009: Homeschool Academic Achievement and Demographics é o estudo mais completo sobre o sucesso do ensino doméstico feito até hoje.

Os resultados apoiam o grande número de pesquisas já existentes sobre o sucesso acadêmico da educação domiciliar e mostram que os jovens educados em casa atingem, nos testes padronizados, uma média de 37 pontos percentuais acima dos jovens educados na escola.

Mais aqui.

Educar para a sustentabilidade

Educar para a simplicidade e para a quietude.

Nossas vidas precisam ser guiadas por novos valores: simplicidade, austeridade, quietude, paz, saber escutar, saber viver juntos, compartir, descobrir e fazer juntos. Precisamos escolher entre um mundo mais responsável frente à cultura dominante que é uma cultura de guerra, do ruído, de competitividade sem solidariedade, e passar de uma responsabilidade diluída a uma ação concreta, praticando a sustentabilidade na vida diária, na família, no trabalho, na escola, na rua.

A simplicidade não se confunde com a simploriedade e a quietude não se confunde com a cultura do silêncio. A simplicidade tem que ser voluntária como a mudança de nossos hábitos de consumo, reduzindo nossas demandas. A quietude é uma virtude, conquistada com a paz interior e não pelo silêncio imposto.

É claro, tudo isso supõe justiça e justiça supõe que todas e todos tenham acesso à qualidade de vida. Seria cínico falar de redução de demandas de consumo, atacar o consumismo, falar de consumismo aos que ainda não tiveram acesso ao consumo básico. Não existe paz sem justiça.

Diante do possível extermínio do planeta, surgem alternativas numa cultura da paz e uma cultura da sustentabilidade. Sustentabilidade não tem a ver apenas com a biologia, a economia e a ecologia. Sustentabilidade tem a ver com a relação que mantemos conosco mesmos, com os outros e com a natureza.

A pedagogia deveria começar por ensinar sobretudo a ler o mundo, como nos diz Paulo Freire, o mundo que é o próprio universo, por que é ele nosso primeiro educador. Essa primeira educação é uma educação emocional que nos coloca diante do mistério do universo, na intimidade com ele, produzindo a emoção de nos sentirmos parte desse sagrado ser vivo e em evolução permanente.

Trecho do livro Boniteza de um sonho, ensinar e aprender com sentido, de Moacir Gadotti

terça-feira, 11 de agosto de 2009

A escola não é obrigatória

Aqui está, o primeiro vídeo produzido por Education Otherwise, a associação nacional do ensino doméstico no Reino Unido.



Ainda hei-de traduzir, mas agora não tenho tempo e queria partilhar à mesma...

Aprendizagem informal

Este post é a continuação daqui.

O estudo da aprendizagem informal é geralmente limitado aos adultos e jovens que acabaram recentemente a escola. O principal foco de interesse tem-se centrado na aprendizagem informal como meio de criar atitudes positivas em relação à educação, especialmente em pessoas que foram excluídas do sistema de ensino ou que tiveram más experiências na escola (Smith, 1999).

De uma maneira paralela e não muito diferente, o interesse pela aprendizagem informal na infância, geralmente sob a égide de parentalidade, tem sido tradicionalmente focalizado na forma em que os pais socializam os bebés a adoptar comportamentos culturalmente aprovados e ter atitudes positivas em relação à escola e à comunidade em geral quando um pouco mais crescidos (Collins, Harris & Susman, 1995).

Recentemente tem havido uma mudança em direcção a uma ênfase maior nos aspectos cognitivos da aprendizagem informal tanto de adultos como crianças pré-escolares. No que diz respeito aos adultos, algumas das ideias subjacentes a esta mudança de ênfase estão incluídas em reviews da aprendizagem informal (Smith, 1999; Sommerlad, 1999). De especial interesse é o conceito de "aprendizagem situada" (Lave, 1993). A ideia é que o aluno acumula conhecimentos gradualmente através de uma espécie de aprendizagem informal ao estar com pessoas especializadas ou que simplesmente têm mais conhecimentos.

Por exemplo, Lave & Wenger (1991) descrevem a forma como principiantes adquirem gradualmente competências e conhecimentos especializados, estudando em pormenor o processo dos homens do talho, parteiras, alfaiates e quartermasters. Carraher & Schliemann (2000) descrevem como carpinteiros experientes no Brasil, com pouca escolaridade, adquirem informalmente uma melhor compreensão dos conceitos matemáticos relevantes ao seu trabalho do que os aprendizes de carpinteiro matriculados em classes planeadas e concebidas especificamente para ensinar esses conceitos.

Gear, McIntosh & Squires (1994) mostram como a aprendizagem informal desempenha um papel significativo na aquisição de conhecimentos profissionais avançados em direito, engenharia, medicina e trabalho social. Cullen et al (1999) nota como a aprendizagem informal pode ser um efeito secundário de outra actividade, por exemplo, as pessoas envolvidas em acções comunitárias desenvolvem habilidades na escrita e adquirem competências de advocacia e tecnologias de informação.

Os bebés começam a aprender informalmente desde que nascem (ou até antes), principalmente através da interacção com a mãe e outras pessoas que deles cuidam. Conforme mencionado acima, parte disto é aprender comportamentos culturalmente corretos, por exemplo, a lidar com as emoções, interagir com os outros na família e na comunidade e adquirir valores e atitudes culturais. Só isto requer uma enorme quantidade de conhecimentos e know-how" (Cole, 1992; Super & Harkness, 1997).

Ainda mais impressionante são os entendimentos e as habilidades cognitivas aprendidas informalmente, incluindo a linguagem, literacia e numeracia básicas, o despertar da compreensão c ientífica, osentido de humor, regras de jogos e o começo da compreensão da moral. Como é que tudo isto é aprendido? Com excepção à linguagem, tem havido pouco interesse nos processos através dos quais esta aprendizagem realmente ocorre. A pouca pesquisa que existe tende a comparar diferentes estilos de parentalidade a fim de descobrir quais são os mais eficazes (por exemplo, Wood, 1986).

Como Trevarthen (1995) salienta, este tipo de pesquisa é baseado no "clássico pressuposto de que as crianças aprendem porque são ensinadas" (p. 97). Contudo, é cada vez mais aceite que a maior parte da aprendizagem cognitiva na primeira infância resulta da interacção muito mais informal entre os pais (ou outros adultos) e o infante, (interacção esta) na maior parte indiferenciada do sócio - cultural, ocorrendo através de conversas e actividades no dia a dia (Gauvain, 1995, 2000, Thomas, 1994).

Um exemplo simples seria aprender o significado de "metade" através de encontros fugazes com o conceito, partilhando uma barra de chocolate e comendo metade, ouvindo "estamos quase a meio do caminho", cortando um pedaço de papel ao meio, e assim por diante. Gradualmente o significado completo do conceito torna-se enraizado na psique da criança, sem qualquer consciência da ocorrência da aprendizagem.

Primeira parte aqui.

Continua...

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Aprendizagem informal e o ensino doméstico

aprendizagem informal, ensino doméstico, educação domiciliar (home schooling)

A maioria das famílias que começam fazendo "escola" em casa descobrem que o que funciona na escola não se transfere facilmente para o lar. De necessidade, os pais-educadores tornam-se pioneiros de novas abordagens educativas, quase sempre menos formais. Eles dão-nos provas convincentes do potencial da aprendizagem informal. Alan Thomas explora alguns aspectos importantes do fenómeno do ensino doméstico ou educação domiciliar.

Sumário: introdução – ensino doméstico e educação domiciliar – aprendizagem informal - aprendizagem e as crianças em idade escolar - pesquisando o ensino doméstico ou homeschooling - adaptação da aprendizagem formal - como capturar a aprendizagem informal? - aprendizagem dialógica - uma crónica da aprendizagem informal no ensino doméstico - conclusão - outras leituras e referências - Links

introdução – ensino doméstico e educação domiciliar


O ensino doméstico (conhecido às vezes como homeschooling, especialmente nos E.U.A.) é geralmente legal na América do Norte, Australásia e maior parte da Europa. Durante as últimas duas décadas, tornou-se cada vez mais aceite como uma alternativa viável para a escola.

O número de crianças educadas em casa aumentou consideravelmente embora não existam estimativas precisas da sua prevalência por diversas razões (ver Lines, 1998; Petrie, Windrass & Thomas, 1999). Pesquisas feitas nos E.U.A. indicam que poderá haver um milhão de crianças americanas educadas em casa (Lines, 1998).

A Nova Zelândia, onde 1% da população escolar é educada em casa, tem provavelmente a estimativa mais confiável pois o sistema de registo com as autoridades habilita os pais a receberem assistência financeira (Ministério da Educação NZ, 1999).

Falando em termos gerais, os educadores domésticos dividem-se em três grandes grupos: os que são motivados por razões religiosas e morais, os que têm razões filosóficas ou pedagógicas e os que optam pelo ensino doméstico devido aos problemas que os filhos experienciaram na escola, tanto a nível académico como social ( van Galen & Pitman, 1991; Thomas, 1998).

Em relação ao sucesso acadêmico, as crianças educadas em casa encontram-se geralmente à frente das que frequentam a escola. Mas essa diferença não se deve necessariamente ao ensino doméstico - é impossível saber os resultados que essas crianças teriam tido se tivessem frequentado a escola. Com pais interessados como estes elas poderiam ter alcançado o topo na escola também. Existem outros factores que tornam difícil a comparação. Para um debate sobre esta questão, ver Rudner (1999) e a resposta de Welner & Welner (1999).

Sabemos muito pouco sobre o processo da aprendizagem em casa - à excepção dos inúmeros relatos pessoais e guias para pais que estão considerando o ensino doméstico, a maioria dos quais são escritos a partir de uma perspectiva ideológica. [Para uma vasta gama de experiências pessoais ver Dowty (2000). Lowe & Thomas (2002) tentaram escrever um guia imparcial sobre os métodos de educar as crianças em casa.]

Neste artigo, quero concentrar-me na aprendizagem informal das crianças de idade escolar, uma área de estudo que promete e quase totalmente negligenciada (Desforges, 1995). As experiências das crianças educadas em casa proporcionam um insight interessante nesta área.

Continua aqui.
Original aqui.

Regras de ser humano

1. Vais receber um corpo.
Podes gostar dele ou odiá-lo, mas ele será teu enquanto durar teu tempo por aqui.

2. Vais aprender.
Estás inscrito a tempo inteiro numa escola informal chamada Vida. Nesta escola terás a oportunidade de aprender lições todos os dias. Poderás gostar das lições ou achá-las estúpidas e irrelevantes.

3. Não existem erros, apenas lições.
Crescer é um processo de tentativa e erro: experimentação. Os experimentos "fracassados" são parte do processo, tal como os experimentos de "sucesso".

4. Uma lição será repetida até que seja aprendida.
Uma lição ser-te-á apresentada de formas variadas, até que a tenhas aprendido. Quando a tiveres aprendido, poderás passar à lição seguinte.

5. A aprendizagem nunca acaba.
Não há parte da vida que não contenha as suas lições. Enquanto estiveres vivo, haverá lições a serem aprendidas.

6. "Lá" não é melhor do que "aqui".
Quando o teu "lá" tiver se tornado um "aqui", simplesmente obterás outro "lá", que novamente parecerá melhor do que "aqui".

7. Os outros são meramente teus espelhos.
Não podes amar ou odiar algo noutra pessoa, a menos que isso reflita algo que amas ou odeias em ti mesmo.

8. O que fazes da tua vida é escolha tua.
Possuis todas as ferramentas e recursos de que precisas. O que farás com eles depende de ti. A escolha é tua.

9. As respostas estão dentro de ti.
As respostas às questões da vida estão dentro de ti. Tudo que precisas fazer é ver, ouvir e confiar.

10. Vais te esquecer de tudo isto.

Poderás lembrar-te quando quiseres.

Anônimo

Educação ou propaganda?


What did you learn in school today, dear little boy of mine?
I learned that Washington never told a lie
I learned that soldiers seldom die
I learned that everybody's free
That's what the teacher said to me
And that's what I learned in school today
That's what I learned in school

What did you learn in school today, dear little boy of mine?
I learned that policemen are my friends
I learned that justice never ends
I learned that murderers die for their crimes
Even if we make a mistake sometimes
And that's what I learned in school today
That's what I learned in school

What did you learn in school today, dear little boy of mine?
I learned that our government must be strong
It's always right and never wrong
Our leaders are the finest men
So we elect them again and again
And that's what I learned in school today
That's what I learned in school

What did you learn in school today, dear little boy of mine?
I learned that war is not so bad
I learned about the great ones we have had
We fought in Germany and in France
And someday I might get my chance
And that's what I learned in school today
That's what I learned in school

domingo, 9 de agosto de 2009

Bullying, dislexia e fobia escolar levam ao ensino doméstico

Enquanto alguns pais optam pelo ensino doméstico desde o início, outros retiram da escola os filhos devido a situações fora do seu controlo.


A escritora Roz Barber
, 45, retirou os filhos George, 16, e Charlie, 14, da escola por razões diferentes. Eis o que nos disse:
Com George foi absolutamente necessário. Quando ele foi para a escola secundária, era constantemente agredido, vítima de violência escolar dia após dia. Tirei-lhe da escola no final do ano 8, quando ele tinha 13 anos.

Mais tarde arrependi-me de não o ter tirado de lá antes, mas a verdade é que não estava a par do ensino doméstico. Tínhamo-lo deixado na escola porque receávamos retirá-lo de lá... Eramos pais muito normais, com vidas ocupadas. Mas estou convencida que o ensino doméstico salvou a vida do George. Ele estava tão deprimido. Agora já lhe ofereceram um lugar no City College Brighton and Hove num curso de arte e design, devido apenas à qualidade do seu portfolio.
Charlie, o outro filho da Sra. Barber, também teve problemas na escola devido à dislexia, que embora causasse verdadeiras dificuldades, estas não eram a um nível que pudesse ser apoiado no âmbito do ambiente escolar. A Sra. Barber, que vive em Brighton, disse:
Estavam fazendo com que ele se sentisse um fracasso, e descobrimos que estavamos passando mais tempo apoiando o filho que estava sendo educado na escola do que o que estava aprendendo em casa. A escola não era o ambiente adequado para nenhum deles.
A Sra. Barber também educa Milly, a filha de 5 anos de idade, em casa.


Tasha Middleton
, 26, também retirou o filho Toby da escola quando ele tinha 8 anos, ao vê-lo cada vez mais infeliz. Ela disse:
Ele andava cada vez mais infeliz e quando chegou ao 3º ano começou a odiar a escola. De manhã era sempre a mesma coisa; nunca queria ir para a escola e fartava-se de chorar quando lá chegávamos. Ao regressar da escola passava mais de uma hora sem falar com ninguém.

Faz agora um ano que aprende em casa; está muito mais feliz e recuperando a sua auto-confiança. Ele trabalha muito melhor ao seu próprio ritmo e não gosta de grandes grupos de pessoas. Na escola era muito popular e tinha boas notas, mas a verdade é que a escola não era o melhor sítio para ele.

Com o ensino doméstico ele recuperou a vontade de descobrir e explorar coisas. Gosta de fazer experiências científicas e adora fotografia. Tudo que lhe interessa é aproveitado para o processo de aprendizagem. É por isso que as propostas de planejamento prévio da aprendizagem são impossíveis na aprendizagem autónoma. É impossivel saber o que ele vai estar interessado na semana que vem, quanto mais no ano que vem!



Esta foi a parte final deste artigo. Primeira parte aqui.

sábado, 8 de agosto de 2009

Reportagem da BBC sobre o ensino doméstico

Deixo aqui o vídeo com uma tradução livre.
Esta história também apareceu no jornal, aqui.



As famíliam que educam os filhos em casa manifestaram-se esta tarde contra os planos do governo para uma maior regulamentação do ensino doméstico. Os ministros querem a sua participação num sistema de registro obrigatório e que demonstrem que estão proporcionando aos filhos uma educação adequada - sem essa participação, arriscam-se a ver os filhos sendo forçados a frequentar a escola.

Porém, o grupo de famílias reunido em Brighton diz que o governo devia deixar de os tratar com suspeita e concentrar-se em oferecer maior apoio.

Menino: Eu não vou à escola porque sou autodidacta.

Repórter: O que é que isso quer dizer?

Menino: Quer dizer que sou eu quem me ensina.

Autodidactas e auto-regulados: até agora têm sido as crianças e os pais a controlar o ensino doméstico e apesar do relatório apoiar a educação domiciliar, em Brighton, as ideias do governo não são consideradas necessárias e ninguém as quer.

Nic: Nós temos as nossas próprias ideias sobre o que é importante, nós temos as nossas próprias filosofias da educação e nós assumimos a responsibilidade pela educação dos nossos filhos. O relatório está a tentar forçar-nos a adoptar uma abordagem estruturada e transformar-nos em "escolas" em de casa.

E esse é o problema para estes pais. Dizem que as novas recomendações vão contra o espirito do ensino doméstico e do modo como funciona. Os pais terão que "matricular" os filhos no ensino doméstico e especificar em adiantado o que irão aprender e como irão aprender no ano seguinte. Agora as autarquias locais vão ficar encarregadas da monitorização do ensino doméstico através de visitas ao domicílio.

O governo diz que reconhece o ensino doméstico e que a maioria das famílias faz um trabalho fantástico mas que não se pode dar ao luxo de deixar nenhuma família passar despercebida. Diz que tem de fazer um balanço entre os direitos dos pais e o direito que as crianças têm à melhor educação possível.

Para Ali, a melhor educação possivel não é adquirida quando as crianças estão sentadas numa secretária ou na mesa da cozinha mas lá fora, em contacto com a comunidade onde ensina a filha Freya.

Ali: Está provado que a melhor aprendizagem possível ocorre quando as pessoas aprendem porque elas querem aprender, e esse tipo de aprendizagem é completamente diferente da aprendizagem que segue um horário. Esta é a mensagem que estamos tentando transmitir ao governo antes que estas recomendações se tornem leis.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

Famílias vêm à defesa do ensino doméstico

Os residentes de Brighton foram surpreendidos ao ver um grupo de crianças enchendo as ruas de bolhinhas de sabão.

Rapazes e raparigas de todas as idades, muitos vestindo t-shirts dizendo "O mundo é a minha sala de aulas e a vida é o meu currículo", participaram nesta campanha contra propostas do governo que podem vir a mudar a forma como aprendem.

Ali Moir, 44, ajudou a organizar o evento e disse:

Nós escolhemos bolhinhas de sabão porque parte do pretexto usado pelo Governo é que nós somos invisíveis, que vivemos escondidos da sociedade, por isso queriamos algo muito visual para mostrar que estamos aqui, bem à vista de todos, e que somos parte integral da comunidade. Além disso, as bolhinhas de sabão representam a infância e a liberdade. E é essa liberdade que os pais que educam em casa irão fazer o que podem para proteger.
As propostas do Governo poderiam dar às autarquias locais o poder de decidir a que pais dar autorização para educar os próprios filhos, de manter uma base de dados das famílias que optam pelo ensino doméstico e de entrar na casa das famílias e entrevistar as crianças à parte, sem a presença da mãe, do pai ou de um adulto de confiança.

Outra questão que preocupa muitos pais é que teriam de criar antecipadamente um plano anual para a educação dos filhos. Isso, dizem estas famílias, vai contra a maneira em que as crianças aprendem.

A Sra Moir, uma tradutora freelance que educa a filha Freya, 8, desde que ela nasceu, afirmou:

O que Freya aprende vem de dentro dela. Eu diria que 90% do que fazemos é seguir os interesses dela e apenas 10% vem de mim, dizendo "agora vamos experimentar isto". Sou orientada pelos interesses dela e o meu papel é o de organisar actividades que vão ao encontro desses interesses e fazer sugestões. Actualmente, por exemplo, Freya está lendo uma enciclopédia e gosta de estudar o atlas dela.

Estas propostas vão apenas fazer com que as pessoas pensem que o ensino doméstico é mais difícil do que é e seria uma pena se alguns miúdos continuassem a frequentar a escola ou começassem a lá ir quando seriam muito mais felizes se aprendessem em casa.
A Sra Moir acredita que é Freya que deve moldar o seu próprio futuro. E disse:
Se no futuro ela quiser fazer exames ou ir para a escola nós daremos-lhe todo o nosso apoio.

Nic Goodard, 45, bibliotecária assistente, também começou e educar os filhos - Davies, 8, e Scarlett, 6 -, depois de se aperceber que o primeiro não estava pronto para o infantário. Ela disse:
Quando começámos, pensámos, vamos ver o que acontece até à idade escolar, mas quando chegou a altura em que ele fez os 5 anos já não tinhamos dúvidas em relação à educação domiciliar. O nosso método de aprendizagem é completamente natural, não seguimos nenhum currículo nem qualquer estrutura. As crianças, se lhes deixarmos, nunca deixam de perguntar "porquê?", eu adoro isso.

Não posso ensinar-lhes tudo o que eles querem e sou muito honesta acerca disso, mas posso ajudá-los a aprender. As melhores pessoas para ensinar são as que sabem tudo sobre a matéria e são apaixonadas por ela. O Davies, por exemplo, está interessado em arqueologia, então ele juntou-se a um clube de arqueologia.
A Sra Goodard, que vive em Sompting, perto de Lancing, também está preocupada com a sugestão de planos de aprendizagem feitos um ano em adiantado. Eis que nos disse:
Estou absolutamente confiante de que posso convencer qualquer pessoa de que no ano passado proporcionei uma educação fantástica aos meus filhos e eles são prova viva disso. Mas eu não posso dizer o que eles vão estar aprendendo daqui a 9 meses ou um ano.

Lucy Milner-Gulland, 40, que também educou os filhos Ione, 13, Cory, 9 e Kit, 5, em casa desde sempre, disse:
Tomei conhecimento da possibilidade do ensino doméstico quando Ione tinha 2 anos e pareceu-me algo de muito valor. Naquela altura, a ideia dela continuar a viver e aprender como tinha feito até então pareceu-me a coisa mais natural do mundo.

Aos 4 anos de idade as crianças já estão aprendendo com os pais e com as coisas do dia a dia. Elas estão aprendendo o tempo todo e faz sentido continuarem aprendendo da mesma maneira depois dos 5 anos de idade. Nós descobrimos uma maneira óptima de aprender e gozar a vida. Penso que o ensino doméstico não é para todos, mas para funciona para nós e não é uma escolha difícil porque as crianças estão felizes.

Os pais usam vários métodos para ensinar os seus filhos e, em Brighton and Hove, existem vários grupos a que se podem juntar. Nós seguimos a abordagem da aprendizagem autónoma, ou unschooling, por isso toda a aprendizagem é centrada nas crianças e direccionada por elas.
A minha filha participa em todos os grupos. Todos os dias ela participa em várias actividades de grupo. Além de se estar preparando para fazer o exame do 11º ano em Inglês, tem aulas de Francês e toca numa banda. Ela gosta de aprender fora de casa, com outros jovens. Mas o meu filho detesta aprender em grupos e adora fazer tudo sozinho. Farta-se de ler livros, fala muito conosco e faz muitas perguntas. A coisa agradável sobre os miúdos educados em casa é que eles têm a oportunidade de conhecer pessoas de todas as idades, dão-se muito bem com adultos e vêem-nos como mentores e amigos.
Somos totalmente orientados pelos nossos filhos. Uma das propostas sugere a necessidade de um plano sobre o que vamos aprender no ano. Mas a aprendizagem autónoma não funciona assim, não segue de um currículo nem calendários e horários.
Continua aqui. Para a reportagem da BBC, cliquem aqui. Original aqui.

Por onde andámos...






Hoje depois do almoço, em Bristol.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Guerra contra as crianças

The War On Kids é um documentário sobre a opressão das crianças e como a atitude da sociedade e dos mídia, assim como as resultantes acções punitivas, se estão se tornando cada vez mais abusivas. Foi considerado o melhor filme educativo do ano pelo New York International Independent Film and Video Festival.

Deixo-vos aqui o trailer e, em baixo, uma tradução livre.



1) Sabes, quando estamos na escola nada faz sentido. No Verão sinto-me tão livre e feliz e tudo corre bem... mas depois volto para a escola e tudo deixa de fazer sentido. Sinto-me como se já não tivesse motivo para viver...

2) A escola, o sistema de ensino público, é a antítese à democracia. Nós vivemos numa sociedade democrática, construida em liberdades pessoais. No entanto, mal os nossos filhos atingem a idade de ir para a creche ou para o infantário fechamo-los numa prisão durante 13 anos das suas vidas, regimentamos todos os aspectos dos seus corpos físicos, das suas emoções, seus contactos sociais e, pior ainda, das suas mentes... regimentamos o que eles podem e não podem aprender, e até o modo como podem aprender... e depois, aos 18 anos, destrancamos a porta e libertamo-los na sociedade. De repente, é suposto saberem pensar por si próprios, serem indivíduos com iniciativa, inovativos, criativos e imaginativos, e capazes de participar no processo democrático. Impossivel! Seria como mandar os miúdos para um país fascista durante 13 anos e depois trazê-los de volta e explicar o que é a democracia! E no entanto é o que fazemos a todas as gerações desde que a escolaridade obrigatória foi instituida no século XIX.

3) John Taylor Gatto: Se quiserem saber qual é o objectivo único da escola, ele é simplesmente o de preparar as pessoas para aceitarem a sua classe social e a relação correcta com a autoridade... (as escolas) são laboratórios de indoutrinação psicológica, o resto é trivial.

4) Não há pesquisa que demonstre que o ensino obrigatório dê resultado, que mostre que colocar todos os miúdos da mesma idade na mesma sala de aula, ao mesmo tempo, e ensiná-los as mesmas coisas com o mesmo professor seja a melhor maneira de aprender. Não há pesquisa que demonstre isso, mas foi o que decidiram por volta de 1850, e depois, vivendo com esse sistema, ele se tornou a norma... Perguntam: como é que Shakespeare aprendeu? Dizem: Ah, ele foi à escola. Respondo: Pois foi, mas só foi à escola 12 semanas por ano.

5) John Taylor Gatto: Quem administra este sistema nas suas várias manifestações tem um objectivo em mente, e esse objectivo é infantilizar a mente das massas, condicioná-las, doutriná-las a obedecer ordens de maneira dócil ou, se um indíviduo se sentir rebelde, fazer com que ele ou ela não tenha a informação ou a prática necessárias para se revoltar de maneira eficaz.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Receita de migalhas de ruibarbo

Hoje fizemos rhubarb crumble. Resolvi partilhar com vocês porque de repente lembrei-me que só experimentei ruibarbo quando vim viver para a Inglaterra. Esta receita é simples e gostosa.


Ingredientes
5 talos de ruibarbo
125g açúcar
175g farinha
100g manteiga
25g passas
pitada de canela

1. Aquecer o forno.
2. Cortar os talos de ruibarbo em rodelas e colocar num pyrex. Adicionar as passas, salpicar com um bocadinho de açúcar e, se quiserem, um pouquinho de sumo de limão.


















Preparar as "migalhas" noutra tigela. Amassar a manteiga com a farinha, o resto do açúcar e a canela até a mistura ficar esfarelada. Cobrir o ruibarbo.


















Colocar no forno 45 minutos (180°C/Gas 4).

















E aqui está! Eu gosto de comer só assim, mas os ingleses gostam com natas ou creme de custarda. Não sei se já há ruibarbo à venda em Portugal ou não, mas se encontrarem, vale a pena experimentar!

Irrelevância do sucesso escolar

Trecho do livro Canja de Galinha para a Alma.

Considere isto:

• Quando Peter J. Daniel estava na quarta série, sua professora, Sra. Phillips, dizia constantemente: "Peter J. Daniel, você é imprestável, uma maçã bichada, e nunca chegará a lugar algum." Peter foi totalmente analfabeto até os 26 anos. Um amigo ficou acordado com ele a noite toda, e leu para ele uma cópia de Think and Grow Rich. Agora ele é dono das esquinas das ruas onde costumava brigar e acaba de publicar seu mais recente livro: Mrs. Phillips, You Were Wrong! (Sra. Phillips, a senhora estava errada!)

• Beethoven segurava o violino desajeitadamente e preferia tocar suas próprias composições ao invés de aperfeiçoar sua técnica. Seu professor julgava-o um compositor sem futuro.

• Os pais do famoso cantor de ópera Enrico Caruso queriam que ele fosse engenheiro. Seu professor lhe disse que ele não tinha voz e não poderia cantar.

• Charles Darwin, pai da Teoria da Evolução, abandonou a carreira médica e ouviu de seu pai: "Você não se importa com nada além de cães, caçar ratos e atirar." Em sua autobiografia, Darwin escreveu: "Fui considerado, por todos os meus professores e por meu pai, um garoto muito comum, bem abaixo do padrão intelectual normal."

• Os professores de Thomas Edison disseram que ele era burro demais para aprender alguma coisa.

• Albert Einstein não falou antes dos quatro anos de idade e não leu antes dos sete. Vivia "mergulhado em seus sonhos imbecis". Foi expulso e sua admissão na Escola Politécnica de Zurich foi recusada.

• Louis Pasteur foi apenas um aluno medíocre nos estudos de primeiro grau; ficou em décimo quinto lugar entre os 22 alunos de química.

• Isaac Newton foi muito mal na escola.

• O pai do escultor Rodin disse: "Tenho um filho idiota." Descrito como o pior aluno da escola, Rodin reprovou 3 vezes no exame de admissão da escola de artes. Seu tio chamava-o de "ineducável".

Leon Tolstoi, autor de Guerra e Paz, foi afastado da escola por incompetência. Descreveram-no como "incapaz e sem vontade de aprender".

• Winston Churchill repetiu a sexta série. Só foi Primeiro-Ministro da Inglaterra aos 62 anos e, mesmo assim, depois de uma eternidade de derrotas e retrocessos. Deu suas maiores contribuições quando se tornou um "cidadão idoso".

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Ensino doméstico na França - a lei

Ao ler este artigo fiquei com a sensação de que a lei sobre o ensino doméstico na França é muito semelhante à de Portugal.

Se não, vejam:
Embora a lei sobre a Educação especifique que "a instrução obrigatória é fornecida principalmente em instituições de ensino", é a instrução, e não a escola, que é obrigatória dos 6 aos 16 anos.

Mas a opção de educar em família (mesmo no caso da educação domiciliar que inclui cursos por correspondência) está estritamente regulamentada.

Assim que a criança faz os seis anos deve-se fazer uma declaração inicial ao Município e ao Inspectorado para a Educação; essa declaração deve ser renovada anualmente até ao 16º aniversário.

Todas as crianças, incluindo as que estão matriculadas em cursos por correspondência, sejam estes públicos ou privados, estarão desde o início (de dois em dois anos) "sob investigação pelo Município, apenas a fim de estabelecer quais as razões alegadas pelos responsáveis da educação e se a instrução que as crianças estão recebendo é compativel com o seu estado de saúde e as condições de vida da família."

O controle pedagógico, sob a autoridade do inspector, só é feito às crianças que não estão matriculadas em cursos por correspondência ou em outros cursos.

A inspecção é feita "pelo menos" anualmente, e visa "verificar que a educação oferecida está em conformidade com o direito da criança à educação."

Isto significa que os pais não são obrigados a acompanhar os programas em vigor nas salas de aula. Mas aos 16 anos a criança deve ter alcançado um nível comparável ao das crianças escolarizadas.

No entanto, porque o modo de controle é deixado ao critério do inspector, podem surgir alguns atritos, pois não há nada proibindo um inspector de fazer um ditado a uma criança de 6 anos que embora saiba ler ainda não tenha aprendido a ler.
Se estiverem interessadas neste tema aconselho-vos a ler o original porque o meu francês não é nada de especial!

Primeira parte aqui.

SCHOOLED, o Filme



SCHOOLED é um estudo do carácter de um professor em crise que, ao descobrir uma escola democrática, apercebe-se que as crianças são pessoas e aprende a relacionar-se com elas de igual para igual.

Site oficial aqui.

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Autonomia e auto-regulação na aprendizagem

As conclusões de um estudo feito pelo Centro de Investigação do Instituto de Educação da Universidade de Londres vêm confirmar a experiência das famílias que, optando pelo ensino doméstico, adoptam o método da aprendizagem autónoma, também conhecido por unschooling, em que a aprendizagem é direccionada e auto-regulada pela criança ou adolescente, a quem é dada a oportunidade de seguir a sua motivação intrínseca.

Aqui fica a tradução livre de um trecho desse estudo:
"As condições ideais para o desenvolvimento da auto-regulação ocorrem quando as crianças e os jovens têm a oportunidade de perseguir objectivos que eles próprios acham significativos, (...) seleccionar as suas próprias actividades, tomar a iniciativa, engajar em experiências de aprendizagem colaborativa e tomar as suas próprias decisões (Boekaerts e Corno, 2005; Fredricks et al., 2004).

A autonomia é uma dimensão importante da auto-regulação. Estudantes que possuem seus próprios objectivos - porque gostam da actividade ou porque ela vai ao encontro dos seus valores - dedicam mais tempo às suas tarefas, demonstram uma maior concentração, processam a informação mais profundamente e mostram maiores níveis de persistência (Ryan e Deci, 2002).

Por outro lado, quando os indivíduos se sentem forçados a atingir determinada meta têm piores resultados acadêmicos (Lemos, 2002; Nolen, 2003). Não há dúvida que a auto-regulação tem um efeito positivo no sucesso acadêmico, além de contribuir para o bom comportamento, a auto-disciplina e a auto-estima do aluno."

Embora pareça haver um certo interesse pela implementação de estratégias de promoção da aprendizagem auto-regulada pelo estudante no contexto escolar, penso que na prática isto será muito difícil num sistema que, exigindo que os professores se subordinem ao governo e os alunos aos professores, nada mais faz que condicionar todos eles ao conformismo.

domingo, 2 de agosto de 2009

Por onde andámos... coletando amoras

Fomos dar uma volta e caímos em tentação!

Sabor a chocolate, com a ponte para o País de Gales lá ao fundo.

Vimos tantas amoras

que resolvemos apanhar algumas,

tentando não perturbar os passarinhos...

Agora vamos experimentar fazer geleia de amoras!

Nunca sabemos bem quando é que está no ponto,

mas mesmo assim, não ficou nada mal!

Associação de Jovens Educados em Casa

No Reino Unido, os jovens educados em casa criaram o Home Educated Youth Council. Seu objectivo? Contestar as recentes propostas de maior interferência do Estado no ensino doméstico.

No vídeo vemos o grupo em Londres durante a recente visita ao Departamento das Crianças, Escolas e Famílias e ouvimos as suas preocupações em relação ao futuro da vertente autónoma (unschooling) do ensino doméstico.



Chloe Watson, porta voz do HEYC, disse:

"Por lei, o governo tem que ouvir as opiniões das crianças e jovens sobre os assuntos que lhes dizem respeito. Porém, durante este processo, não foi feito nenhum esforço para incluir a perspectiva dos jovens educados em casa. Os poucos que foram consultados foram na maior parte ignorados e considerados meros papagaios das opiniões dos pais."

Ler mais aqui.

O site, construido por eles, também está o máximo!

À defesa da aprendizagem autónoma

Jeremy Yallop, um pai-educador britânico, veio esta semana à defesa da abordagem autónoma (unschooling). Segue-se uma tradução bem livre de um trecho do seu artigo, que podem ler aqui.

"Alguns pais acreditam que os filhos devem ter a liberdade de seguir os seus próprios interesses ao seu próprio ritmo. Outros, pelos vistos, acham isto "esquisito" e preferem obrigá-los a aprender coisas que não lhes interessa a um ritmo fora do seu controlo.

De facto, os educadores autónomos (unschoolers) estão simplesmente praticando o que a maioria das pessoas instintivamente sabe: que a aprendizagem sem coerção é muito mais agradável e muito mais eficaz.

Qualquer professor sabe que é impossivel ensinar alunos desinteressados; qualquer pessoa que tenha um hobby sabe que a aprendizagem ocorre sem esforço e com alegria quando a motivação está engajada.

Essa aprendizagem pode envolver aulas formais, livros, conversas, experiências e quaisquer outras coisas que provem ser úteis. Extensas pesquisas por Alan Thomas e Harriet Pattison do Instituto de Educação de Londres demonstraram que a abordagem autónoma é "surpreendentemente eficaz".

Chris Ford, que está neste momento a completar um doutoramento em investigação biomédica, foi educado autonomamente desde que nasceu até aos 14 anos, quando foi à faculdade fazer os exames de entrada.

Alex Dowty, educado autonomamente desde os oito anos de idade, decidiu não fazer os exames do 11º e 12º anos e, em vez disso, inscreveu-se na Open University onde estudou Política e Humanidades, e acabou sendo convidado para estudar Direito em Oxford.

Conclusão? A educação autónoma não é um obstáculo a uma futura carreira."

sábado, 1 de agosto de 2009

Documentário sobre o Homeschooling


Inventing a Girl: An Experience in Homeschooling
é um documentário que desafia as nossas concepções sobre a educação e sobre a capacidade que as crianças têm de aprenderem por si próprias.

Lily Borenstein-Burd e o irmão Russell nunca frequentaram a escola. Nos E.U.A. 1 500 000 de crianças aprendem em casa (2007).

A cineasta Fernanda Rossi viveu com a família Borenstein-Burds e filmou-a durante mais de um ano. Guiada pelo sentido de humor e curiosidade natural de Lily, elaboraram uma lista de perguntas essenciais sobre o ensino doméstico e foram buscar as respostas nos pais.

Com Lily fazendo as entrevistas aprendemos bastante sobre a educação domiciliar, mas ainda mais sobre o esforço de uma família para manter seus laços numa época de crescente desintegração da estrutura familiar. Os talentos emergentes de Lily tornam-se óbvios ao acompanharmos a sua campanha para salvar o jardim zoológico da zona onde mora e os seus ensaios de ballet.

Podem ver o trailer aqui.

A escola dos sonhos de John Holt

Este filme, sobre a escolinha perto de Copenhaga que John Holt, o grande pedagogo, disse ser a escola dos seus sonhos, é um verdadeiro achado.

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Ensino doméstico no Canadá II

Lembrando os tempos do unschooling

Kate Cayley cresceu sem escola, aprendendo de uma forma natural e informal, sem qualquer estrutura. Hoje é escritora, professora e directora teatral. Aqui, ela reflete sobre a sua experiência de aprendizagem fora de instituições formais e sobre a importância de estimular a diferença e individualidade. A entrevista foi gravada pela Radio Free School, em Toronto, em 2007.



"No ensino doméstico há um modelo, não que seja um mau modelo, mas que tende a replicar a escola, em que há um currículo fixo e certas coisas a aprender, enquanto que nós não seguimos nenhuma estrutura.

A minha memória talvez seja romantizada mas pelo que me lembro, ensinaram-me a ler e deixaram-me em paz... não que não tivesse recebido bastante orientação, é óbvio que recebi. Os meus pais estavam muito envolvidos, mas a ideia era de que quando alguém desenvolve um grande interesse numa certa área ela vai aprender tudo que precisa aprender sobre isso.

Acho que é muito interessante refletir que a aprendizagem é um processo individual e que se nós soubermos qual é a nossa paixão, mesmo se não soubermos um bocadinho de uma série de outras coisas, talvez isso seja muito mais interessante e muito melhor para a sociedade, no sentido do desenvolvimento da individualidade através da educação.

O modelo da escola parece ser preparar as pessoas para viverem num sistema durante a vida toda e acho que isso destrói por completo qualquer tipo de pensamento independente.

Sinto que há uma grande paranoia educacional à volta da ideia de que se as pessoas não aprenderem os requesitos do currículo obrigatório elas vão perder algo essencial. Mas não, essa é a grande mentira que está a ser propagada às pessoas, que se não seguirem o sistema de ensino haverá um grande vazio nas suas vidas. Acho que todos estes modelos do Estado estão limitando a possibilidade da liberdade e que o desenvolvimento social, artístico e político está sendo espezinhado devido aos níveis cada vez maiores de padronização.

Desde os 13 anos que tenho uma paixão pelo teatro. Li imenso sobre isso e também trabalhei voluntariamente como assistente de stage management quando tinha 14, 15 anos.

Conversávamos imenso. Tinha conversas incriveis com os meus pais e outras pessoas. Ivan Illich era amigo dos meus pais e costumávamos ir aos colóquios que ele organizava. Esse foi o período entre os meus 10 e 13, 14 anos. Ficava sentada nas escadas com um livro, meio a ler, meio a ouvir, e era incrível, aquele ambiente vitoriano, de algo que parecia ser de uma época diferente.

A minha mãe tinha jeito para sugerir projetos. Dizia-me, se estás mesmo interessada nesta ou naquela área, lê tudo que encontrares sobre isso e depois escreve sobre o que leste e descobriste.

Viver na cidade foi muito interessante porque quando era um pouco mais velha explorava bastante. Os meus pais encorajavam-me e eu lá ía descobrir áreas diferentes da cidade, com os meus amigos ou sozinha.

Foi muito interessante quando entrei para a universidade porque muitas pessoas que lá conheci, embora se tivessem divertido, estavam profundamente esgotamentas por terem andado na escola há tanto tempo, alguns desde os 3 anos. Estou convencida que se as pessoas não estivessem num sistema de ensino padronizado retirariam mais, e não menos, do ensino pós-secundário."

A primeira parte, exemplificando um modelo mais estruturado do ensino doméstico, está aqui.

Ensino doméstico no Canadá

L'École à la maison: Noutros tempos, os pais ensinavam os próprios filhos. Essa prática foi abandonada com a introdução da escolaridade obrigatória na década de 1870. No entanto, nestes últimos 20 anos temos vindo a observar a sua renascença. No Canadá, estima-se que pelo menos 30,000 alunos estão no ensino doméstico. O número de crianças sendo educadas em casa aumentou mais de 15 vezes nos últimos 10 anos.

As razões que levam os pais a optar pela educação domiciliar são muitas. Cada "escola em casa" é única. Valérie, Patricia e Frederick aprendem com a mãe. Aqui, convidam-nos ao seu mundo...



Continua aqui, com uma ex-unschooler recordando a sua infância e adolescência e refletindo sobre o modo de aprendizagem autónoma e não estruturada que experienciou.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Ensino doméstico na França



Ecole à la Maison (Escola em Casa): em França cerca de 40.000 famílias praticam o ensino doméstico. A família Gazzabin optou por educar os filhos em casa: flexibilidade de horário, adeus à monotonia... A desvantagem? A educação é inteiramente financiada pelos pais.



Damien, 11, é educado em casa desde os 6 anos. Aqui, ele fala sobre a sua experiência do ensino doméstico, uma prática que se está tornando cada vez mais comum...

Links:
Les enfants d'abord
Libres d'Apprendre et d'Instruire Autrement

Continua aqui.

Porquê que eu gosto do ensino doméstico?


Porque o mundo é a minha sala de aulas!

Unschooling, O Filme

As pessoas aprendem brincando, pensando e surpreendendo-se a si mesmas. Elas aprendem quando se riem de algo que as surpreendeu e aprendem quando se questionam "O que é isto?" - Sandra Dodd

Unschooling: The Movie promete ser um documentário divertido e informativo sobre uma ideia radical - a de que a melhor educação para as crianças pode ocorrer sem qualquer aprendizagem formal. O filme apresenta extensas entrevistas com famílias (pais e filhos) que vivem o unschooling, com ênfase especial nas ideias e no trabalho inovador de Sandra Dodd, uma grande defensora do unschooling (podem ver alguns video clips aqui).

O filme proporciona uma óptima maneira de aprofundar a nossa compreensão do ensino doméstico e do unschooling, quer nunca tenhamos ouvido falar dessas alternativas quer sejamos experientes na sua prática.

Também poderá funcionar como uma excelente maneira de introduzir o tema a amigos ou familiares que não conseguem compreender porque é que os nossos filhos não frequentam a escola. Unschooling: The Movie fala sobre os problemas e conflitos que os unschoolers às vezes enfrentam e formas simples de os resolver.

Link: Unschooling: The Movie

Thoreau - a escola ou a vida?

Trecho de Walden Ou a Vida Nos Bosques (abre livro), de Henry D. Thoreau, que pelos vistos se vivesse nos dias de hoje seria um grande defensor da aprendizagem autônoma, ou unschooling.

"Digo que os estudantes não deveriam encenar a vida, ou simplesmente estudá-la, enquanto a comunidade os sustenta nessa dispendiosa brincadeira, mas seriamente vivê-la do começo ao fim. Como poderiam os jovens aprender melhor a viver senão tentando a experiência da vida de uma vez por todas? Parece-me que isso lhes exercitaria a mente tanto quanto a matemática. Se eu quisesse, por exemplo, ensinar a um garoto arte e ciências, não faria o que costumam fazer, isto é, mandá-lo à escola, onde se professa e se pratica tudo menos a arte de viver, onde o garoto vai observar o mundo através de telescópio ou microscópio e nunca a olho nu; onde vai estudar química e não aprender como é feito o pão, ou mecânica e não saber como é obtida; onde vai descobrir novos satélites de Desuno e não vai ver os cargueiros nos próprios olhos, ou de que vagabundo ele mesmo é um satélite; onde vai ser devorado por monstros que enlameiam a seu redor enquanto contempla monstros numa gota de vinagre.

Quem, ao fim de um mês, teria aprendido mais, o garoto que fez sua própria faca de bolso do minério que escavou e fundiu, lendo apenas o necessário para isso, ou o que freqüentou aulas de metalurgia no instituto e nesse meio tempo ganhou do pai um canivete Foges? Qual dos dois correria mais risco de cortar os dedos? Para perplexidade minha fui informado ao deixar a faculdade que havia estudado navegação! Ora, se eu tivesse dado uma bolinha pelo porto, conheceria melhor o assunto. Mesmo o aluno pobre estuda e lhe é ensinado apenas economia política, enquanto aquela economia de viver, sinônima da filosofia, nem sequer é professada em nossas faculdades. O resultado disso é que o aluno ao mesmo tempo em que lê Adam Smith, Ricardo e Sai, faz com que seu pai se endivide irremediavelmente.

O que ocorre com nossas faculdades, ocorre com uma centena dos "progressos de hoje em dia"; há a ilusão a respeito deles; nem sempre há um avanço positivo."

quarta-feira, 29 de julho de 2009

A perspectiva europeia do ensino doméstico


Conferência de Jennifer Fandard, coordinadora da associação francesa de pais-educadores Les Enfants d'Abord, sobre a situação do ensino doméstico na Europa, dentro da Jornada de apresentações de iniciativas de Educação Livre no marco da edição de Madrid da feira BioCultura (Novembro de 2002).

Idiomas: inglês e espanhol
Link: Clonlara

Gripe suína nas escolas? Aprendam em casa!

Na Grã-Bretanha já foram registados casos de gripe suína em mais de 1.000 escolas, e mais de 60% das infecções foram em crianças e adolescentes.

Segundo este artigo, se as escolas fecharem por causa da gripe suína, o governo pode forçar a BBC a mudar de programação a fim de incluir programas educacionais. Os ministros britânicos consideraram usar a internet mas como nem todos têm acesso à banda larga resolveram que a televisão seria o meio mais eficaz de fazer com que as aulas chegassem directamente às casas dos alunos.

É mesmo, o plano de contingência é... educação em casa!

Bem, para nós, que praticamos o ensino doméstico, o problema e a solução parece óbvia. Mas para quem precisa de ouvir da boca dos supostos "experts", Gregory Hartl, porta-voz da OMS (Organização Mundial de Saúde), confirma que as "crianças, adolescentes e jovens adultos" continuam a ser os mais atingidos pelo vírus, "provavelmente porque ele se espalha mais rapidamente em escolas e instituições". (Podem ver aqui.)

Mais uma razão para o ensino doméstico, não?

Em Portugal, se as escolas tiverem de fechar, o plano de contingência é muito semelhante, incluindo "estratégias de informação e envolvimento dos pais que lhes permitam apoiar a realização de trabalhos escolares em casa, ... o recurso ao teletrabalho e actividades via e-mail." (Ver aqui.)

O que me entristece é ler notícias como esta; de pais exigindo a substituição dos professores e dos auxiliares que vierem a ficar de quarentena, supostamente preocupados com a aprendizagem dos filhos.

Será que se estão borrifando para a saúde dos filhos? Será que não sabem que o vírus se espalha mais rapidamente em escolas? Será que a escola se tornou de tal modo a vaca sagrada da nossa cultura que a vida e saúde dos filhos vem em segundo lugar? Será que a possibilidade de terem de passar algum tempo na companhia dos filhos os repulsa? Por favor expliquem porque para mim não faz sentido!

Links:

Guia para a elaboração de Planos de Contingência (creches, jardins-de-infância, escolas e outros estabelecimentos de ensino)

Informação e recomendações para escolas e outros estabelecimentos de educação

terça-feira, 28 de julho de 2009

Pais decidem ensinar os próprios filhos

em Bradford, no Reino Unido.

Tendo-lhes sido negada a entrada para a escola de sua preferência, um grupo de pais resolveu organizar-se e educar seus próprios filhos.

Podem ver o video-clip da entrevista feita pela BBC aqui.

Quotidiano escolar


Este video clip, do documentário Democratic Schools de Jan Gabbert (2006), retrata a triste realidade da vida diária dos professores e alunos na maioria das escolas. Animação de Ellen Stein.

Vozes de uma escola democrática


Original aqui.

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Educação em família na Catalunha

Boas notícias para as famílias que praticam o ensino doméstico na Catalunha! A Educação em Família deixou de ser ilegal com a publicação da Lei de Educação da Catalunha na semana passada.

Aqui fica o texto:

Art. 55.

Educação não presencial.


55.1.

O governo, para facilitar o direito universal à educação tem de desenvolver uma oferta adequada de educação não-presencial.

55. 2.

Se podem transmitir na modalidade de educação não presencial o ensino pós-obrigatório, o ensino que não conduz a qualificações ou certificações válidas em todo o Estado, os cursos de formação preparatória para as provas de acesso ao sistema educativo, a formação nas competências básicas, a formação profissional e a aprendizagem ao longo da vida. Excepcionalmente, também se podem fornecer aulas e outras lições obrigatórias que em determinadas circunstâncias estabeleça o departamento.

55.3

A oferta de formação não-presencial há-de caracterizar-se pela diversidade, abertura e flexibilidade para escolher, especialmente, a extensão da extensão da acessibilidade desta formação, a simultaneidade com outros ensinamentos e a complementaridade com outras acções e estratégias de aprendizagem, e também a complementaridade com o trabalho.

55.4

Sem prejuízo da modalidade de educação semi-presencial e não-presencial que é... implantar nas escolas públicas comuns, a Administração há-de organizar através de um único centro para a transmissão específica da modalidade do ensino não-presencial.

55.7.

O Departamento há de estabelecer e regulamentar um registo em que constem os dados dos alunos que beneficiam da modalidade de educação não-presencial no ensino básico *.

* Esta lei considera como educação básica o ensino obrigatório primário e secundário.


Disposição adicional 17ª

Acreditação para a obtenção do certificado de graduação na educação secundária obrigatória.

Há-de se estabelecer por regulamentação o procedimento de acreditação para obter o certificado de graduação no ensino secundário obrigatório dos alunos que constem no registo a que faz referência o artigo 55.7.

Como o meu espanhol não é muito bom, o melhor é irem à fonte: aqui e aqui.

Educação domiciliar: um direito ou um desvio?


Que eu saiba, o ensino doméstico continua sendo ilegal no Brasil, e ouvindo o programa deu para entender que fazem uma ideia errada da realidade desta alternativa educacional.

Lá fora, no quintal

os tomates estão amadurecendo...

Como a escola destrói a saúde mental

Como psiquiatra e sociólogo, eu examino a sociedade como um médico examina seu paciente. Uma das doenças mais perturbantes que encontro é o nosso sistema escolar que sem se aperceber prejudica a maioria dos alunos.

Estou completamente convencido que o nosso sistema escolar é a causa principal dos problemas sociais enfrentados actualmente pela nossa sociedade. Dinheiro não seria necessário para a resolução deste problema.

Falando a partir da perspectiva da psiquiatria, os nossos atributos mentais mais importantes incluem emoções, julgamento, senso de prioridade, empatia, consciência, relacionamentos interpessoais, auto-estima, identidade, independência, capacidade de concentração e toda uma série de outras funções do cérebro difíceis de descrever. Vou agrupar todos estes atributos sob o termo plena atenção. O nível de compreensão da leitura, a habilidade matemática e os resultados de testes padronizados encontram-se muito mais abaixo na lista de prioridades.

Há um salto enorme na incidência de doenças mentais imediatamente após as crianças começarem escola, o que sugere que algo no sistema escolar está em directo conflito com a psique humana. Com a reestruturação das nossas escolas, muitas dessas doenças poderiam ser evitadas. Vou mostrar-vos como.

Primeiro, temos de ultrapassar a nossa insistência obsessiva de que a aprendizagem de certas coisas deve ser feita a determinada altura. Todos nós temos uma personalidade que é única e todos aprendemos a um ritmo diferente. Algumas pessoas estão prontas para aprender a ler aos 3 anos de idade enquanto outras podem estar mais preparadas para fazê-lo aos 10 anos de idade. Nas escolas, nós forçamos os estudantes a"comer" matérias, não nos apercebendo que eles aprendem muito mais depressa e eficazmente se estiverem receptivos e ansiosos por aprender. As crianças conseguiriam dominar as noções básicas de leitura, escrita e aritmética muito mais depressa se lhes deixassem aprender o que elas querem aprender na altura em que elas querem aprender.

Antes de 1850, a escolaridade (da forma como actualmente compreendemos a expressão) - não era considerada fundamental para o desenvolvimento das mentes dos jovens . Algumas crianças frequentavam escolas, mas só pelo tempo que queriam.

Educação em salas de aula não era obrigatória. No entanto, as crianças aprendiam a ler, escrever e fazer contas. E mais, o gabinete do senador Kennedy libertou uma vez um documento demonstrando que antes da implementação do ensino obrigatório a taxa de alfabetização era de 98% e que posteriormente nunca excedeu os 91%.

Obrigar as pessoas a aprender é extremamente prejudicial. Testes, notas, avaliações, exames, competição e trabalhos que nunca mais acabam estão no cerne dos problemas que infectam as nossas escolas. A motivação para aprender deve vir de dentro do aluno. Muitas vezes, ficamos tão preocupados em cumprir as exigências dos outros que acabamos por não saber o que sentimos e quem somos. Eu tenho trabalhado com inúmeros indivíduos que, embora intelectualmente bem desenvolvidos, perderam totalmente o contacto com o seu verdadeiro eu.

Todas as crianças são naturalmente curiosas e adoram aprender. Antes de frequentarem a escola e serem submetidas a esse processo de coerção, as crianças conseguem aprender uma linguagem complexa (em famílias bilíngues, dois idiomas) e uma quantidade enorme de coisas sobre o seu ambiente.

Não há razão para pensarmos que essa aprendizagem não continuaria, sem os efeitos negativos da rigidez institucional e das avaliações constantes que parecem constituir a base da educação actual. Em vez de dificultarmos o crescimento dos nossos filhos, deveríamos proporcionar um ambiente que os vai nutrir e facilitar a aprendizagem contínua.

Shaun Kerry, M.D. Diplomata, American Board de Psiquiatria e Neurologia 2-04-2007

Original aqui.

Ensino Doméstico na Europa de Leste

O ensino doméstico está aparecendo nos lugares mais improváveis do mundo. Em Homeschool Heartbeat, Mike Smith e Chris Klicka falam sobre a situação actual da educação domiciliar na Europa Oriental.

Mike Smith: A maioria das nações da Europa Oriental ainda não recuperou da devastação do comunismo. No entanto, apesar das dificuldades, esta região do mundo está vendo a emergência de vários movimentos de ensino doméstico. Chris, o que é que você observou nestes países?

Chris Klicka: O que eu tenho vindo a observar é muito emocionante. Nos países da Europa Oriental o sistema de ensino está de rastos e, como resposta a este problema, cada vez mais famílias estão optando pelo ensino doméstico.

Por exemplo, na Hungria conseguimos ajudar um casal a fundar a Associação Nacional do Ensino Doméstico. Agora já têm entre 30 a 40 famílias praticando o ensino doméstico como escolas privadas.

Na Roménia, estamos trabalhando com um pai, ajudando-o a fazer com que a educação domiciliar seja reconhecida - porque actualmente ainda é ilegal -; estamos trabalhando com o vice-presidente do Comité da Educação no Parlamento e temos esperança de tornar o ensino doméstico legal no ano que vem.

Na República Checa, conseguimos encorajar as famílias que praticam o ensino doméstico a entrarem em contacto com o parlamento checo, e no ano passado, conseguimos fechar o parlamento por um dia e bloquear um projecto lei horrivel, que teria tornado o ensino doméstico ilegal.

Mike Smith: São muito boas notícias, Chris. Gostaria de agradecer-te pessoalmente pelo teu importante papel na expansão da liberdade de educar em casa por todo o mundo.

Original aqui.

domingo, 26 de julho de 2009

Fins de semana na Inglaterra



Música: The Wanderer, Anois
Fotos: tiradas ontem em Ashton Court, Bristol.