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quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Mais umas fotos

do fim de semana passado...



Aluno universitário descreve sua educação em casa

A educação fora do comum de Alex Dowty

Fui educado em casa dos 8 aos 18 anos. Não fiz o 11º nem o 12º ano e nunca me candidatei a exames mas estou no 3º ano do curso de direito na Universidade de Oxford. Uma das universidades a que me candidatei enviou-me um e-mail dizendo: "Você não preencheu as formas correctamente."

Para quem estuda em casa, fazer os exames do 11º e 12º ano pode ser caro e complicado, especialmente quando o objectivo é fazer vários exames. Cada exame pode custar mais de £100 e as escolas não têm incentivos para ajudar os jovens que não estão matriculados nelas. No entanto, Oxford foi maravilhosa - muito aberta, muito flexivel, aceitou as minhas qualificações da Open University.

Educar em casa nunca foi o plano. Quando eu tinha 8 anos a minha escola fechou durante uma altura desfavorável do ano. Sabendo que tinham de organisar uma alternativa, os meus pais perguntaram-me se eu gostaria de experimentar o ensino doméstico. Eu concordei e gostei desde o princípio. O meu pai é advogado e é ele quem traz o dinheiro para casa. A minha mãe dirige uma organização que protege os direitos das crianças mas trabalhava a partir de casa e tinha muito tempo para nós. Ela tinha dado aulas mas não tinha formação em pedagogia.

A educação domiciliar é muito menos drástica do que as pessoas imaginam. Não ficamos em casa o dia inteiro sem ver ninguém. As outras crianças só estão na escola 6 horas por dia. A única diferença é que durante essas 6 horas não estamos na escola, mas por aqui e acolá - é um estilo de vida muito menos sedentário.

Meus pais deixaram-nos, a mim e ao meu irmão, seguir uma abordagem autónoma. A orientação que nos davam era muito irregular - éramos supervisionados, mas de uma maneira muito informal. Nunca tivemos prazos, exames, trabalhos de casa ou horários; no entanto, não tenho problemas de auto-disciplina. Podia não fazer nada na quarta-feira mas trabalhar sem parar durante o fim de semana. Tive fases em que fazia caminhadas na Snowdonia e fases em que passava 2 semanas lendo sossegadamente num cantinho. No início, passei alguns meses assistindo programas de televisão sem qualidade nenhuma e jogando no computador. Se tivesse continuado, os meus pais teriam agido mas depressa me fartei disso. A minha capacidade de ver televisão tem os seus limites.

A certa altura fiquei fascinado com a Antártica e a minha mãe convenceu-me a investigar com mais profundidade. Ela também nos levava a museus. O currículo nacional só é obrigatório nas escolas e os meus pais certamente não o seguiram, embora me tivessem estimulado a aprender matérias que iria precisar, como francês e matemática. Nós tivemos, por exemplo, um professor de francês que nos deu aulas semanalmente durante muito tempo. Educar é muito mais do que obrigar as crianças a estarem sentadas numa secretária e despejar nelas uma série de coisas. Para os meus pais, educar era observar quais eram as áreas dos meus interesses e depois ajudarem-me a encontrar livros, sites na internet ou museus.

Aprendi que as instituições acadêmicas - a British Antarctic Survey e o Museu da Ciência, por exemplo - estavam sempre dispostas a responder às perguntas de um miúdo de 10 anos. Adorei a liberdade - estou interessado em política e tive a oportunidade de estudar com muito mais profundidade do que o currículo nacional permitiria. As crianças educadas em casa nunca se sentem entediadas porque estão fazendo as coisas que mais lhes despertam o interesse. A minha falta de conhecimentos avançados em física não é algo que me entristeça.

A minha aprendizagem nunca ocorreu em completo isolamento – eu fazia parte de um grupo de 10 ou 15 jovens que se reuniam para fazer experiências científicas e visitas a museus. Estima-se que entre 50.000 e 80.000 crianças britânicas são educadas em casa e há um serviço de apoio, Education Otherwise, que organiza grupos em várias localidades e tem uma linha de aconselhamento. Depois dos 16 anos, para me facilitar a entrada na universidade, passei 2 anos fazendo cursos da Open University, que não exige quaisquer qualificações. Eu tinha escrito para várias universidades, dizendo: "Estas são as minhas qualificações. Vale a pena candidatar-me?" Algumas universidades disseram que não mas Oxford foi entusiástica. Trataram-me como a qualquer outro candidato; fiz um teste de aptidão e ofereceram-me um lugar.

As pessoas que nunca tiveram contacto com o ensino doméstico parecem pensar que não temos competências sociais. Eu nunca tive dificuldades em relação à socialização. Moro numa cidade e fiz vários amigos no meu bairro. Também frequentei uma escola de música onde fiz várias amizades. Socialmente, temos que ser mais activos; não nos servem amigos num prato, por isso a nossa vida social é mais como a dos adultos.

As pessoas ficam surpreendidas se não somos um gênio matemático ou musical, ou julgam que a opção pela educação domiciliar foi motivada pela firme postura política dos pais - que provavelmente serão uns hippies -, mas esse não foi o meu caso. O objectivo dos meus pais nunca foi o de ir contra o sistema. Como já disse, frequentei uma escola Steiner até aos 8 anos, onde nunca fiz testes nem avaliações. Aos 18 anos, o único exame que tinha feito tinha sido o do 5º ano de teoria da música - mas agora não tenho quaisquer dificuldades em passar exames. Em Oxford habituei-me bem depressa a eles porque fazemos exames todos os trimestres. Aqui, temos um tutorial e mandam-nos embora por uma semana para escrever um ensaio. Tirando o tutorial, era assim que a minha educação domiciliar funcionava. Em casa, eu fazia redações porque queria, não por me mandarem.

Há algumas desvantagens em não se ter as qualificações convencionais e algumas universidades, obviamente, não viram a minha candidatura com muito bons olhos, mas tenho muita experiência de trabalho, porque tinha a liberdade de sair e trabalhar. Eu não acho que a educação em casa seja perfeita mas é um modelo válido e eu dei-me muito bem com ele. Tive uma educação muito boa, que me levou a uma boa universidade e que não me causou sofrimento no caminho.

Original aqui.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Por onde andámos: de catedral a escola waldorf

A semana passada, fomos até ao centro de Bristol

e estacionámos o carro ao lado da Pro-Cathedral of the Holy Apostles, construida pela Igreja Católica Romana entre 1834-48.

O edifício deixou de funcionar como igreja e em 1973 transformou-se numa Escola Waldorf (ler sobre o método waldorf aqui).

Há uns anos atrás Bristol Steiner School "mudou de casa" e agora o espaço está a ser transformado em apartamentos de luxo.

Uma das portas do edifício... e mais umas fotos...

para verem o tipo de casas ali à volta,

o "parque de estacionamento",

e ficarem com uma ideia desta zona da cidade...

A obsessão com a socialização

No livro Educação, Cidadania e Ministério Público, Eduardo Martines Júnior, Doutorado em Direito, menciona o ensino domiciliar apenas de passagem (na página 123) deixando no entanto bem clara a sua posição, que parece semelhante à posição oficial do governo brasileiro: o "problema" do ensino doméstico não é tanto a educação em si, no sentido de transmissão de conhecimentos, mas assegurar a devida socialização dos futuros cidadãos.

Enfim, aqui fica, como curiosidade, o tal parágrafo:

Embora se reconheça que o ordenamento jurídico de alguns países permite a educação exclusivamente no lar [158], ressaltamos que a freqüência da criança e do adolescente à escola não significa apenas acesso à educação e ao ensino. Na realidade, sobretudo a criança, mas também o adolescente, precisam estar em contato com outros de sua idade, pois a convivência estimula o conhecimento e aperfeiçoamento da vida em sociedade, capacidade de liderar, de atuar em grupo e de respeitar os direitos de outrem, fazendo respeitar os seus. Portanto, a freqüência à escola não se limita a permitir o conhecimento dos saberes, mas também visa a completa socialização.

158 Conforme admite implicitamente António Pedro Barbas Homem: “Quanto à educação obrigatória, de acordo com o estabelecido no art. 2º, os Estados podem impor a escolaridade obrigatória, pública ou privada, e a verificação do cumprimento dessa exigência é uma parte desse dever. Conseqüentemente, mesmo nas situações em que é admitido o ensino doméstico, o Estado deve ser o responsável por verificar a qualidade da educação e instrução ministrada em casa (Family H. v. Reino Unido).” (Direito da educação na União Européia. Revista CEJ, Brasília, Conselho da Justiça Federal, Centro de Estudos Judiciários, v. 1, n. 31, p. 10, 1997).

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Chamam-lhe "o homem dos dinossáurios"


Ele diz que não se importa. É hoje o actual director do Museu Nacional de História Natural e o seu nome não passa despercebido: Professor Galopim de Carvalho.

"Eu nunca fui um bom aluno no liceu. Fui mesmo um péssimo aluno e nos anos em que havia exames finais nunca tinha médias para ir a exame. Saía então do liceu, ficava no
ensino doméstico e só então me apresentava a exame. E assim fui passando."

Retirado daqui.

Ensino doméstico: Estado contra o Indivíduo

No site da Associação Portuguesa de Antropologia vim a saber que durante o IV Congresso da APA Virgínia Henriques Calado (ICS, Universidade de Lisboa) falou sobre o ensino doméstico no contexto da tensão entre a autonomia individual e o poder do Estado.

Eis a informação que encontrei no site:

«Os meus filhos já vão à escola»!

Dissensão e ordem jurídica, ou de como o Estado se impõe ao Indivíduo.

Pelas implicações profundas que acarreta, é legítimo esperar que a decisão judicial de retirar filhos menores a seus pais decorra de uma particular ponderação por parte das autoridades envolvidas. No caso concreto que aqui tomaremos para análise, essa deliberação teve na base um conjunto de factores muito específicos que nos pareceu merecedor de análise.

A opção por um modo de vida alternativo - quer dizer, por um conjunto de escolhas que se afastam do entendimento mais comum da ordem social e da visão do mundo dominante - constituiu a razão fundamental para a abertura do processo judicial que analisámos. As opções de vida desta família não pareciam conter, por si só, nada de particularmente ameaçador para a comunidade. Incluíam não querer vacinar os filhos, optar por um ensino doméstico em detrimento da escola e adoptar um regime alimentar macrobiótico. Todavia, ainda que estas escolhas sejam enquadráveis na legislação portuguesa, as mesmas foram associadas a um quadro de negligência que conduziu à alteração da guarda parental.

Pelo conflito gerado, este processo reenviou-nos inevitavelmente para a complexa relação entre Indivíduo e Estado, entre autonomia individual e responsabilidade colectiva. Veremos como neste conflito a capacidade de produzir discurso e o tornar reconhecível condicionou a decisão judicial e como as escolhas individuais referidas foram evocadas para reforçar a convicção de um quadro de negligência no cuidado de menores.

Ensino domiciliar, direito ou desvio?

É o título de um dossier publicado na Revista Educação em Junho 2008 (Ed. 134). Deixo-vos aqui o parágrafo inicial e um link para a página onde poderão ler na íntegra.

"A educação domiciliar, até hoje aceita e relativamente corrente nos EUA, tornou-se novamente objeto de controvérsia no Brasil a partir de uma ação jurídica visando a possibilidade de seu reconhecimento legal. Não se trata, como pode parecer, de uma novidade. Era prática corrente no seio da elite brasileira até final do século 19.

As controvérsias sobre suas supostas vantagens ou desvantagens remontam pelo menos ao século primeiro da era Cristã. Quintiliano, pedagogo e orador romano, já tomava partido nos debates que opunham o 'ensino coletivo' ao 'tutorial', preferindo o primeiro em função da pluralidade de exemplos com os quais a criança conviveria. A elite colonial e imperial justificava a escolha da educação domiciliar pela necessidade de distinção. Hoje se evocam razões de formação ético-religiosa, receios quanto à exposição de seus filhos à violência urbana ou alega-se uma suposta e generalizada má qualidade da educação pública. Mas a oposição fundamental continua a mesma: Como se concebe a educação?"

Continuar aqui ou aqui (12 páginas).

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Reportagem sobre o ensino doméstico

Esta reportagem sobre a educação domiciliar apareceu na televisão no início deste ano lectivo. Duas famílias, duas abordagens: a primeira parece seguir uma abordagem estruturada apoiando-se em materiais curriculares e didácticos fornecidos por empresas privadas, enquanto que a segunda prefere o modelo da aprendizagem natural centrada na criança - unschooling.
Eis o vídeo e uma tradução livre.



Esta semana marca o começo do novo ano acadêmico. Por todo o país jovens regressam à escola, ou começam a frequentá-la. Porém, para um número cada vez maior de crianças e jovens a escola é em casa. São cada vez mais as famílias voltando-se para o ensino doméstico. Hoje Colin foi entrevistar 2 famílias, uma no centro de Newcastle, outra na zona rural de Northumberland.

O 1º dia do 1º período. Livros novos para um currículo novo. Quantas vezes ouviram alguém dizendo: mas afinal o que é que lhes ensinam nas escolas hoje em dia? Talvez vocês já tenham feito essa mesma pergunta. A maioria de nós fica-se por aí. Rosemary, que tem 2 filhos, não.

Rosemary: Mandamos os nossos filhos para a escola porque é o que toda a gente faz. Eu só decidi seguir avante com a educação domiciliar quando o meu filho Michael começou a demonstrar sinais de estar não só infeliz mas seriamente estressado. A sensação é de se estar à beira de um precipício e saltar [sem nada saber sobre o que está lá embaixo]. Como sabes, a escola representa o caminho mais percorrido, um caminho que todos nós conhecemos e que por isso nos dá uma sensação de segurança. Quando de repente damos um passo em direcção ao desconhecido o medo vem ao de cima.

Rosemary não é contra a escola, ela é professora de profissão. Ambos os filhos, Sarah e Michael, andaram na escola. Michael, depois de uns anos no ensino doméstico, regressou à escola para fazer o 12º ano e pode ser que Sarah regresse um dia à escola.

Michael: Eu acho que o ensino domiciliar me fez mais aberto a coisas diferentes. Sou muito mais independente do que era; pode ser que essa seja a progressão natural.

Sarah: Em casa tenho mais tempo para pensar no que estou a fazer. Uma das coisas que na escola achava dificil era o nível de barulho, a poluição sonora. Em casa posso pôr música baixinho e fazer os meus trabalhos num ambiente tranquilo, e isso ajuda-me a concentrar melhor.

Eles não são os únicos. Os filhos de Catherine ainda não têm 5 anos mas ela já se decidiu.

Catherine: Eles podem aprender o que querem, onde querem, durante o tempo que quiserem. São livres. Podem passear e experienciar as coisas em vez de serem passarem o tempo sentados na mesma sala aprendendo coisas que não lhes despertam o interesse.

Educação não se limita a livros e factos, também é algo social. E se forem educados em casa? O ensino domiciliar não se tornará um obstáculo para o desenvolvimento de amizades?

Catherine: Não, eles não perdem essas oportunidades. Frequentamos vários grupos para crianças da idade deles. O William vai agora começar a ter aulas de natação e à medida que forem crescendo vão fazer todas as coisas que em geral os miúdos fazem fora da escola, como os escuteiros, a natação, as aulas de ginástica e de música, e assim or diante.

Michael: Saí da escola sem auto-confiança nem auto-estima. Com o ensino doméstico tive a oportunidade de aprender a interagir com as pessoas. Quando regressei à escola fiz muitas amizades relativamente depressa e ainda hoje tenhos esses amigos.

Rosemary: Tem sido uma experiência fantástica e a relação pais-filhos melhorou imenso. Como disse, acho que tive o enorme privilégio de poder acompanhá-los durante estes anos.

Colin, BBC Look North.

RTP notícias menciona o ensino doméstico

muito de passagem, num pequeno artigo sobre a Casa do Futuro em Évora, um projecto que proporciona aos mais pequenos uma série de actividades, desde filosofia e meditação a ateliers de matemática, passando pela culinária e pelos jogos cooperativos.

O ensino doméstico é mencionado porque Sandra Gonçalves, uma das fundadoras, fez esta escolha para a filha. Visualizar aqui.


UPDATE

O Jornal de Notícias publicou, sobre esta mesma estória, o seguinte artigo, intitulado Casal educa filha em casa por opção.

A "ditadura" dos horários escolares já regressou à rotina de quase todas as famílias com filhos, mas não entra na de Vítor e Sandra, um casal de Évora que optou por educar Ísis em casa. A escolha é pouco vulgar em Portugal.

Apesar de pouco vulgar, esta opção é legal desde que cumpridos requisitos prévios, como a adoptada para Ísis, de oito anos, pelos seus pais, o psicoterapeuta Vítor Rodrigues e a psicóloga Sandra Gonçalves, depois de "muita ponderação".

A morarem numa quinta na periferia de Évora, habitada também por um cão e dois gatos, os pais procuraram um ensino adequado "à inteligência, necessidades e assuntos que realmente motivam" a filha, aluna do terceiro ano do primeiro ciclo do ensino básico.

O casal, empenhado em acompanhar de perto o percurso de Ísis e apologista de uma educação personalizada e multifacetada, com horários flexíveis e interacção com o "mundo natural", admite ser privilegiado: "Nem todos os pais têm a nossa disponibilidade e preparação."

"Queremos aproveitar a hipótese que temos e a investigação mostra que, quando a educação doméstica é bem gerida, não há problemas de socialização", diz o pai, apoiado pela mulher: "Não queremos fechar a filha sobre nós, mas não abdicamos de participar e prepará-la para estar aberta ao mundo."

Porém, os pais reconhecem também que os seus percursos escolares, com alguma desadaptação, influenciaram a opção pelo regime de ensino doméstico.

Sentada, com a mãe, num tapete colorido no chão da biblioteca familiar que é o palco das aulas, Ísis monta figuras geométricas de papel, embalada pelo som de fundo de Vivaldi, compositor que acompanha os trabalhos de matemática.

Os pais solicitaram o ensino doméstico à Direcção Regional de Educação do Alentejo, que o aprovou, atestando as suas competências pedagógicas. Ísis foi inscrita na turma de uma das escolas da cidade, mas foi Sandra que assumiu o papel de professora.

Ísis "tem consciência" de que o seu processo educativo é "diferente", mas visita várias vezes a escola, para interagir com os "colegas" e até para que "ela própria valide as suas competências e o que aprende".

"Não são dois mundos à parte", frisa Sandra, afirmando que, em casa, há momentos para tudo.

Esta aposta parental recusa que Ísis fique "hipnotizada por cada vírgula do livro de texto" ou "mais interessada em mostrar que sabe do que verdadeiramente saber", e não a torna, no essencial, diferente das outras crianças.

RITA RANHOLA

domingo, 18 de outubro de 2009

Feliz Aniversário!

Este bebé fez hoje 16 anos!

Por onde andámos: Corsham





Fotos tiradas ontem à tarde. Mais fotos de Corsham aqui e aqui.

sábado, 17 de outubro de 2009

Brasil discute projeto que permite ensino domiciliar


Anteontem, "a Comissão de Educação e Cultura realizou uma audiência pública sobre o ensino domiciliar, previsto no Projeto de Lei 3518/08, que permite aos pais ministrar a educação básica (antigos 1º e 2º graus) dos filhos em casa."
Continua aqui.

Para ouvirem a audiência cliquem aqui.

Visualizar também:
Fazer a educação básica em casa?
Projeto de lei permite a educação domiciliar
Ministério da Educação questiona constitucionalidade da educação domiciliar

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Educação domiciliar: Perguntas e Respostas

Estas foram as minhas respostas às perguntas de uma estudante do curso de Pedagogia. Resolvi publicá-las aqui pensando que talvez possam ser úteis a mais alguém...

Como é que este movimento se iniciou?


Esse movimento sempre existiu. A escolarização em massa é que é um fenómeno recente - 150 anos na história da humanidade é um abrir e fechar de olhos. Este artigo fala um pouco sobre este tema.
Antes da criação da escolaridade obrigatória e subsequente criação de instituições públicas de ensino, a maioria da educação em todo o mundo decorria no seio da família ou comunidade, e apenas uma pequena proporção da população se deslocava a escolas ou empregava tutores.

[Em Portugal,] por exemplo, no ano de 1900, já após a Reforma de João Franco e Jaime Moniz (Decretos de 22/12/1894 e 14/8/1895), o "ensino liceal" português contava ainda 247 dos 4606 alunos (5%) em ensino doméstico.

Em relação ao Brasil, estas 2 páginas mostram o número de pessoas matriculadas no ensino doméstico entre 1933 e 1944.

Quais os verdadeiros objectivos da educação em casa?


Isso depende de cada família, mas diria que comum a todas elas está a convicção da importância da liberdade de educação e de que "aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos." (artigo 26° da Declaração Universal dos Direitos Humanos).

Há várias abordagens ao ensino doméstico, desde a "escola em casa" ao unschooling passando pelo eclético. Cada família tem a sua filosofia de educação.

Falando em termos gerais, os educadores domésticos dividem-se em três grandes grupos: os que são motivados por razões religiosas e morais, os que têm razões filosóficas ou pedagógicas e os que optam pelo ensino doméstico devido aos problemas que os filhos experienciaram na escola, tanto a nível académico como social ( van Galen & Pitman, 1991; Thomas, 1998).

As motivações são muitas: várias famílias acreditam que os filhos podem adquirir uma educação de muito maior qualidade em casa do que na escola. Outras viram-se para o ensino doméstico ao verem os filhos sendo destruidos pela escola e agressividade do meio social escolar devido a uma série de problemas como o bullying / violência escolar, a resultante fobia escolar, escolas sem capacidade de lidar com as suas necessidades educativas especiais, alunos dotados passando o tempo entediados na escola, etc. Enfim, as razões são inúmeras...

Há famílias que querem colocar a ênfase no desenvolvimento moral e ético dos filhos, outras que trabalham no estrangeiro em países onde a qualidade de ensino é fraca, e assim por diante. As razões que levam os pais a optar pelo ensino doméstico são tantas quantas as famílias. Embora às vezes as pessoas pensem que a educação domiciliar seja apenas para cristãos evangélicos, essa não é a realidade.

Estão fundamentados em quê?

Depende da filosofia de educação e do método que seguem. Para os unschoolers, por exemplo, a inspiração vem do trabalho de John Holt, Ivan Illich, Raimond e Dorothy Moore.

Os métodos usados pelas famílias revelam seus fundamentos. Esses métodos incluem, entre outros, "escola em casa", educação clássica (trivium e quadrivium), o método Montessori, método de Charlotte Mason, método Waldorf, unschooling, eclético, ensino à distância, etc, etc.

Como é que os pais que não têm um bom nível de instrução podem aderir a essa modalidade educativa?

Como dizia Ivan Illich
, somos frequentemente “escolarizados” a confundir ensino com aprendizagem, progresso nos níveis com educação, e diplomas com competência. Há pessoas sem instrução formal que têm muito mais conhecimentos do que pessoas com cursos superiores. Não há melhor escola que a vida.

Já várias pesquisas demonstraram que, ao contrário do que se passa no sistema de ensino tradicional, no âmbito da educação domiciliar o nível de instrução dos pais não afecta os resultados académicos dos filhos. Traduzi algumas pesquisas neste blogue...

Futuramente essas crianças não se sentirão segregadas? Diferentes?

Geralmente tornam-se adultos capazes de trabalho independente, de espírito crítico e com capacidade de inovação. Pessoas com capacidade de liderança e que trabalham por vocação, capazes de criar - e não apenas encaixar - no mundo em que vivem.

Há um livro interessante que entrevista mais de vinte adultos educados em casa nas décadas de 1970 e 80, quando o movimento do ensino doméstico ainda era pequeno e pouco conhecido no Reino Unido: Those unschooled minds - Home-educated Children Grow Up, por Julie Webb, demonstra que as crianças educadas em casa tornam-se adultos bem ajustados, flexiveis, interessados na educação contínua e capazes de desempenhar uma vasta gama de papéis no mundo do trabalho. Kate Cayley é um exemplo - visualizar aqui.

Há muita informação na internet. Podem visualizar, por exemplo, o National Home Education Research Institute.

Como poderei contactar com famílias que praticam o ensino doméstico?

Associem-se a estes 2 grupos

http://ensinodomestico.ning.com/

http://groups.yahoo.com/group/ensinodomestico/

Na barra direita deste blogue também encontrarão uma lista de blogues em português sobre o ensino doméstico / educação domiciliar.

Dia Mundial da Alimentação

Sabiam que hoje é o Dia Mundial da Alimentação?
Aqui ficam umas fotos, para partilhar o dia com vocês...

Farinha integral para fazer pão pitta com sésamo.

São pãezinhos achatados bem gostosos. Comemos acompanhados com agriões (boa fonte de cálcio, quercetina e betacaroteno) e pesto, um molho de origem italiana feito com folhas de manjericão, queijo parmesão ralado, azeite, pinhões, alho, pimenta e sal. No Brasil parece que fazem com castanha do pará em vez de pinhões. Nós comprámos já feito mas é fácil de fazer em casa, como podem visualizar aqui.

O meu filho preferiu "bolachas" de arroz integral com manteiga de amendoím e maçãs cortadas às rodelas com fatias de queijo.

E para acabar, alguns dos livros que andam por aqui...

Que bom que seria se, assim como temos a liberdade de escolher o que comer e que tipo de dieta seguir, as crianças tivessem a liberdade de escolher o que aprender, onde aprender, quando aprender e com quem aprender!

Link: Receitas culinárias para crianças com alergia alimentar

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Campanha de Proteção à Educação Domiciliar

Mais de 450 famílias que praticam o ensino doméstico manifestaram-se anteontem em frente ao parlamento britânico contra as recentes propostas de alterar a lei sobre a educação domiciliar. Este é o vídeo da reportagem que apareceu ontem no noticiário, com a tradução em baixo.



Os pais que optam por educar os filhos em casa levaram a sua campanha contra os planos governamentais de maior regulamentação e controlo do ensino doméstico ao parlamento. Dizem que a sua capacidade de proporcionar aos filhos uma boa educação está sendo tratada com suspeita por pessoas que simplesmente não percebem nada do assunto. Sara traz-nos as últimas novidades sobre os desafios enfrentados pelos pais que procuram dar a melhor educação possível aos filhos.

Sara: À medida em que se foram reunindo em frente ao parlamento eles transformaram a campanha numa espécie de festa mas a sua mensagem era muito séria - Não interfiram na educação dos nossos filhos!

Dani, de Brighton, já educa os filhos há 5 anos. As regulamentações, segundo ela diz, não vão ao encontro da maneira em que os filhos aprendem.

Dani: Quem deve impôr os objectivos da aprendizagem dos meus filhos não sou eu. Isso é algo que eles próprios devem decidir. E também não está certo que o governo venha para aqui com ditames sobre o método que devo usar na educação dos meus filhos.

Pearl (filha de Dani): A maneira como eu aprendo é muito diferente. Não tenho um horário, como na escola, por isso não começo a aprender a horas marcadas. Eu aprendo à medida em que vou vivendo a minha vida.

Sara: Depois de um relatório ter recomendado que todas as crianças educadas em casa devem ser obrigadas a um registo anual, a ter um plano educativo e a receber visitas em casa para que o governo possa verificar que estão bem e seguras, está decorrendo agora uma consultoria ao público. Muitos dizem que as propostas não passam de interferência desnecessária.

Lord Lucas, que apoia a campanha: Todos nós temos o direito, que na verdade é um dever, de educar os nossos filhos. A maioria delega essa responsibilidade para o Estado mas estas são pessoas exercendo esse direito. Nós deixámo-las fazê-lo durante anos e anos, e agora, de repente, estamos a tratá-las como se estivessem fazendo algo suspeito, algo horrível, e insistindo que precisam de ser controladas e vigiadas.

Mas o governo diz que está comprometido a balançar os direitos dos pais com a necessidade de assegurar que, em casa, as crianças estão a aprender e que estão seguras.

Lucy acredita que há uma grande falta de compreensão em relação à abordagem que famílias como a dela seguem em relação à educação dos filhos.

Lucy: A tendência é de seguir os interesses dos nossos filhos. Damos sugestões, vamos a passeios, fazemos actividades de grupo e assim por diante. Além disso, eles também aprendem sozinhos. Eu faço questão de seguir os seus interesses porque as crianças aprendem muito melhor quando adoram e sentem vocação pelo que fazem.

Sara: A esperança é convencer o governo que as coisas estão bem como estão e que a lei não precisa de ser modificada. BBC, Westminster.

Visualizar mais um slide-show aqui.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Proteger o direito de educar os nossos filhos

Ontem à tarde, em Westminster, Londres

Uma educação adequada aos nossos filhos, e não ao Estado!

em frente ao parlamento britânico

mais de 450 famílias que praticam o ensino doméstico protestando contra as propostas de mudar a lei sobre a educação domiciliar...

Amanhã publicarei a reportagem que apareceu no noticiário - ainda não fiz a tradução... Estas 3 fotos foram retiradas daqui mas podem ver um slide show mais completo aqui.

E para acabar, uma citação do Pe. João Mónica:

"Primeiro a Liberdade a ser usufruída pelos educandos. Sem liberdade não pode haver, sequer, responsabilidade. Não há pessoa. A Liberdade é, antes de mais, um direito fundamental da pessoa. Depois, é a liberdade dos pais. Quem cria tem o dever e o direito de educar. Sem a liberdade de escolherem a educação para os filhos, os pais são espoliados de um direito que é também um dever. A escolha de um projecto educativo exprime a efectiva liberdade educadora dos pais."

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Testemunho de uma adolescente educada em casa

Este testemunho deve ser lido no contexto da actual tentativa por parte do governo britânico de mudar a lei no sentido de limitar a autonomia do ensino doméstico usando toda uma série de pretextos disputados pela grande maioria das famílias que praticam a educação domiciliar no Reino Unido. Aqui vai:

Olá, eu sou a Mirna, tenho 14 anos e aprendo em casa. A minha mãe é tradutora e o meu pai é quem fica em casa tomando conta de nós. Quando eu tinha 7 anos viémos viver para a Inglaterra porque na Holanda é muito difícil educar os filhos em casa.

A escola nunca foi a opção certa para mim. Para o meu irmão mais velho, que tem a síndrome de Asperger, era uma opção ainda pior. Devido a essa forma ligeira de autismo, ele era ignorado ou ameaçado pelos outros alunos e tornou-se o bode expiatório dos professores, que nunca tentaram conhecê-lo nem compreendê-lo. A minha mãe retirou-nos da escola principalmente por essa razão.

Continuámos a viver na Holanda durante uns tempos mas a nossa situação tornou-se difícil. A maior parte das pessoas não concordava com a nossa opção e assim resolvemos vir viver para a Inglaterra, a terra natal do meu pai.

Nos 5 anos que morámos em Penton a minha irmã mais velha começou a trabalhar num hotel aqui perto. Eu e o meu irmão praticámos tiro com arco. O meu irmão praticou judo e juntou-se aos cadetes. Eu comecei a ter aulas de música e a fazer teatro. Através destas actividades e das reuniões semanais das famílias que educam os filhos em casa conhecemos um monte de pessoas incríveis - algumas delas tornaram-se os meus melhores amigos - e através delas vim a conhecer ainda mais pessoas, todas elas maravilhosas.

Depois, há 2 anos, fomos viver para Carlisle, mais perto dos nossos amigos e de várias actividades, e mais fácil para a minha irmã arranjar um bom emprego. Ela já acabou a faculdade e agora trabalha para a Mencap e já tem casa própria.

O meu irmão está estudando Jujitsu com o meu pai. Passou os exames do 11ºano com muito boas notas (com a ajuda de explicações de ciência, biologia e matemática) e vai-se juntar ao exército. Eu já canto (música clássica) há 5 anos e estou a preparar-me para fazer o exame de canto (grau 7) e de educação musical (5º ano). Além disso, também toco flauta e violão. Cantei num casamento e sou frequentemente convidada para cantar em concertos. Os meus dias são passados com aulas de música, canto coral, arte, convivendo com amigos e o meu namorado. Quero começar a estudar japonês e fazer jiujítsu com o meu pai e o meu irmão, e também quero fazer os exames do 11ºano quando me sentir preparada.

Como vêem, somos uma família normalíssima. Não podia ter desejado melhor família, amigos e namorado. Claro que também temos períodos difíceis e que eu também tive experiências desagradáveis na vida, mas quem é que não as tem? A vida não pode ser vivida sem arrependimentos, só quem é muito ignorante e arrogante é que poderia dizer que nunca se arrependeu de nada.

Portanto, ó funcionários públicos, antes de virem para aqui, com os vossos preconceitos sobre a aprendizagem autónoma, invadir a privacidade das pessoas nas suas casas, interrogar as crianças para saber se elas querem realmente ser educadas em casa, por que não pensam nos motivos que vos levam a fazer isso? Porque não vão para as escolas perguntar aos miúdos se eles querem realmente lá estar? Eu tenho montes de amigos que frequentam a escola e não me dizem nada de positivo sobre o ambiente escolar. O que eu ouço sobre a escola é que os professores não têm gosto pelo que fazem, os alunos estão cheios de tédio, não aprendem nada e tornam-se rebeldes e agressivos, agredindo e estereotipando os outros, dividindo-se em grupos fechados a todos que não adoptam as suas maneiras.

E isso tem um efeito no modo como se comportam fora da escola. Alguns dos meus amigos são vistos como "emos" ou "goths" e por causa disso são insultados e agredidos - apenas por se vestirem de certa maneira e gostarem de certo tipo de música. Às vezes até eu sou agredida por ser cantora clássica.

E é isso que o governo está fazendo em relação aos educadores-domésticos, fazendo deles o bode expiatório, tratando-os como se houvesse algo de errado com eles, apenas por terem decidido educar os filhos fora da escola, e apesar dessa decisão ter sido tomada devido à violência escolar que os filhos sofreram na escola, como no caso do meu irmão. E, assim, somos tratados de forma diferente e... muito mal. O governo está esteriotipando as famílias que optam pelo ensino doméstico porque têm o poder; em vez de usarem o poder que têm para intimidar as famílias que se dedicam à educação dos filhos poderiam usá-lo para coisas muito mais construtivas, como ajudar os sem-abrigo, os doentes e as crianças que estão sendo realmente maltratadas?

Nós continuaremos a lutar pelos nossos direitos, como qualquer outra pessoa faria. Lutaremos para manter as coisas como estão. Não há necessidade de mudar a lei porque já existem leis que protegem aqueles que realmente precisam de protecção. E vamos proteger as leis que protegem o nosso direito de aprender em casa e de aprender de forma autónoma.

Governo, gastem o vosso dinheiro em coisas que que mudam as coisas para o melhor, em coisas construtivas, em vez de destrutivas.

Tradução livre e parcial. Original aqui.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Por onde andámos...

Igreja de St. André

Parque de Avonmouth

Rua em frente ao parque
A estação de combóios, para o Alexandre ;-)

E uma turbina eólica lá ao fundo,
captando e transformando a força do vento em energia eléctrica...

domingo, 11 de outubro de 2009

Para começar a pensar

Trecho do Guia Inter (p. 20)

Homeschooling, unschooling & deschooling
Escolarização em casa, não escolarização e des-escolarização...

A crise do sistema escolar provocou algumas respostas radicais que promovem uma oposição activa contra a escolarização obrigatória e a educação institucional. Não apenas a sua natureza obrigatória, mas também os benefícios da instituição escolar em si, têm sido postos em questão por alguns autores, como John Holt e Ivan Illich, promotor do movimento da “escolarização em casa” nos EUA e criador da teoria da “des-escolarização”, respectivamente.

“Consequentemente, depois dos seus próprios anos como professor da escola, ele observou que professores bem intencionados mas esgotados, que programam as crianças para dizer de cor as respostas certas e desencorajam a aprendizagem auto-orientada, atrasam frequentemente a curiosidade natural das crianças. Holt chegou a considerar as escolas como lugares que produzem cidadãos obedientes mas amorfos. Ele viu a carga diária das crianças que vão à escola como preparação para a futura carga adulta de pagar taxas fiscais e subserviência a figuras de autoridade. Holt chegou mesmo a comparar a melancolia do dia escolar à experiência de ter um emprego doloroso a tempo inteiro.”

Finalmente, Holt concluiu que a forma mais humana de educar uma criança era facultando-lhe educação em casa. (...) Holt expôs uma filosofia que poderia ser considerada uma abordagem de laisser faire à educação em casa ou, como ele a designou, “aprender vivendo”. É uma filosofia que os seguidores de Holt têm vindo a descrever como não escolarização.

Lyman, Isabel. Homeschooling: Back to the Future?

“Muitos estudantes, especialmente os que são pobres, sabem intuitivamente o que as escolas fazem por eles. Elas ensinam-nos a confundir processo e substância. Quando estes se confundem, uma lógica nova é assumida: quanto maior o tratamento maior os resultados; ou, a ascensão conduz ao sucesso. O aluno é, por isso, “escolarizado” para confundir ensino com aprendizagem, progresso nos níveis com educação, um diploma com a competência, e fluência com a habilidade de dizer algo de novo. A sua imaginação é “escolarizada” para aceitar serviço em vez de valor.”

Illich, Ivan. Deschooling Society.


Para começar a pensar

Pensa que a escolarização em casa é uma escolha possível?

E o que acha da des-escolarização?

Consegue imaginar qualquer outra alternativa à educação formal obrigatória?

Na sua opinião, quais os objectivos da educação escolar que não preenchem as expectativas das pessoas e as levam a procurar outras alternativas?

sábado, 10 de outubro de 2009

Deixar ir, largar, descartar, abrir mão de...

entre outras coisas, centenas e centenas de livros de quadradinhos! Aqui a expressão é "declutter", em português não sei; é o contrário de atulhamento, aferramento...

Quando praticamos o ensino doméstico (educação domiciliar no Brasil), é muito fácil acumular uma série de recursos educativos. Mas em vez de amontoar e acervar nós damos as coisas que já não usamos, e graças a sistemas como o Freecycle encontramos sempre alguém interessado nas coisas que já não nos fazem falta.

As lojas de caridade também dão muito jeito, mas não sei se em Portugal ou no Brasil já existem ou não - já ouvi falar das Coisas do Vizinho, mas não é bem a mesma coisa... Ainda a semana passada levámos sacos cheios de livros, CDs, cortinas, tecidos, roupas, candeeiros, etc., a uma loja de caridade aqui perto e já temos mais coisas para levar. São coisas que já não usamos regularmente e se não as dermos a alguém acabam por ficar para aqui a atafulhar a casa.

Eu gosto de dar aquilo que já não uso ou já não preciso mas há quem tenha uma enorme dificuldade de se desprender dos objectos e acabe acumulando objectos e "tralha" de uma forma excessiva. Levado ao seu extremo transforma-se em colecionismo ou armazenamento compulsivo e é um dos sintomas do transtorno obsessivo compulsivo.