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quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A história da educação em casa

Acabei agora de ouvir um programa muito interessante da BBC Radio 4, intitulado Educação na Casa Moral.

Eis o que diz a introdução:

Até o final do século 19, a casa era a única sala de aulas para a maior parte das crianças britânicas, especialmente se fossem raparigas. Mas será que a educação domiciliar era realmente inferior à escolaridade formal?

Na prática, o ensino domiciliar podia ser incrivelmente impressionante. Liberto da aprendizagem tipo repetição-memorização e das restrições do currículo escolar, a educação em casa podia ser muito mais abrangente em matérias, métodos imaginativos e alegre em espírito.

Baseando-se nos diários que descobriu, a historiadora Amanda Vickery investiga a educação domiciliar segundo a perspectiva da mãe e das crianças.

Parte da série História da vida privada, o programa está disponível, em inglês, até à próxima segunda-feira dia 9 de Novembro aqui. Oiçam que vale a pena. Ou então podem ler uma tradução parcial e livre aqui.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Aprendendo ao seu próprio ritmo...

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa

O ensino domiciliar permite que as crianças se desenvolvam ao seu próprio ritmo, de acordo com as suas aptidões e habilidades únicas.


Kerrin, 17 anos, de Hampshire
Como o currículo é personalizado, a ênfase pode ser colocada nas suas características únicas, nos seus talentos individuais, nas suas capacidades cognitivas e nos seus interesses. O ritmo a que as competências são desenvolvidas pode ser definido de acordo com cada indivíduo. Enquanto alguns têm maior inclinação para o trabalho intelectual (e em casa podem avançar mais rapidamente do que na escola), outros precisam de mais tempo para desenvolver competências acadêmicas. Entretanto, podem desenvolver outros talentos como a música, arte, dança e/ou desportos.

Por exemplo, a matemática nunca foi o meu forte. Os meus pais ficavam tão exasperados que desistiram; deixaram de tentar ensinar-me matemática quando eu tinha 9 anos.

Se eu tivesse ido para a escola teria tido problemas porque não me conseguia concentrar nos trabalhos acadêmicos por mais de 15 minutos de cada vez e tinha muita necessidade de movimento. Teriam concerteza feito com que eu me sentisse um fracasso, e é sempre difícil sentirmo-nos diferentes do resto do grupo. Mas em vez de verem a minha quantidade enorme de energia como um problema, os meus pais incentivaram-me a usar essa energia de forma construtiva - em aulas de equitação, de desportos aquáticos e natação; também andava muito de bicicleta, cozinhava e brincava muito.

Além disso, desenvolvi os meus talentos artísticos. Na época, a minha mãe tinha uma amiga que era professora de arte numa escola da nossa zona. Além de me dar aulas particulares, ela deixava-me ir às aulas que dava nessa escola. Tive bastante sucesso com a minha arte e acabei ganhando uma série de prêmios.

Quando entrei na adolescência, apercebi-me da necessidade de certas disciplinas acadêmicas. Assim, aos 14 anos, juntei-me a um grupo de 10 alunos educados em casa que se estavam a preparar para os exames do 11º ano de artes de teatro. No início achei a carga de trabalho dificil porque não estava acostumada a ter prazos para escrever redações. No entanto, o professor deu-me muito apoio e desafiou-me a superar os meus medos. Nove meses depois fizemos o exame e eu passei! Fiquei felicíssima! Para mim, passar esse exame foi importante, um triunfo, um símbolo de superação de algo que no passado havia sido problemático. Tinha sido a minha primeira prova escrita e eu estava preparada para ela, para tomar responsibilidade pelos meus estudos e pelos meus altos e baixos.

Tendo feito essa cadeira do 11º ano, fiquei confiante da minha capacidade de fazer outras. Assim, no ano seguinte, completei mais duas disciplinas com notas ainda melhores. Agora estou a estudar literatura e matemática, a minha velha inimiga... estou a preparar-me para outro exame.

No entanto, os exames do 11º ano não têm sido o foco mais importante da minha vida. Eu adoro cavalos e por isso tenho-me concentrado muito mais nos meus estudos equinos (com a British Horse Society e estudando Parelli Natural Horsemanship) e nos meus 6 cavalos.

Acho que aquela ideia de que "quando o aluno está pronto, o professor aparece" contém muita verdade. Por que é que a nossa sociedade coloca as crianças sob tanta pressão para estudar isto ou aquilo quando elas ainda não estão prontas para essas disciplinas? Não quero dizer com isto que as disciplinas são más ou que as crianças não estão interessadas nelas, mas o timing pode estar completamente errado.

Beth, 11 anos, de Leicestershire

A educação domiciliar libertou-me. Agora sou capaz de aprender de verdade, em vez de ficar para ali sentada numa sala onde não aprendo nada e depois ouví-los ralhar comigo por me ter esquecido do que disseram. Na escola eles são uns bullies: intimidam-nos para aprender e intimidam-nos se não aprendemos.

Toby Williams, de 18 anos, da Escócia

Eu fui educado em casa dos 7 aos 16 anos. A minha situação talvez seja um pouco diferente do normal porque aprendi em casa até ao 11º ano mas depois frequentei a escola para fazer apenas uma disciplina, a matemática; estudei física e história do 11º ano sozinho.

Tendo obtido bons resultados em todas as disciplinas (também me tinha candidatado a 3 exames no ano anterior) fui estudar para um college e saí de lá 2 anos depois com qualificações decentes e um lugar na Universidade de Strathclyde para fazer uma licenciatura em Engenharia Civil.

Eu diria que o ensino doméstico preparou-me muito bem para o curso que queria fazer. Devido à sua flexibilidade, deu-me a oportunidade de estudar as disciplinas que eu gostava. Olhando para trás, acho que a educação em casa resultou muito bem comigo porque me deu a liberdade e, portanto, a confiança para fazer o que eu queria realmente fazer.

Continua aqui.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Asperger, Autismo, Bullying e Ensino Doméstico

Estava hoje navegando na internet quando dei com o artigo Asperger e bullying: associação perigosa, em que Adriana Campos fala sobre as dificuldades que as crianças com a síndrome de Asperger enfrentam na escola. Apesar de terem capacidades cognitivas médias ou acima da média, elas são frequentemente vítimas de bullying e violência escolar e acabam por fazer o possivel por passarem despercebidas numa tentativa desesperada de sobreviverem nesse ambiente tão hostil.

Muitas vezes o pessoal da escola nem se apercebe do que se está a passar. Pior ainda é quando fingem não saber - ou colaboram na agressão - e dizem aos pais que os meninos vão muito bem. Mas, digam lá o que disserem os "profissionais" e supostos especialistas, os pais não são parvos. Vêem e sentem o sofrimento dos filhos e por causa disso retiram-lhes das escolas e decidem educá-los em casa. Afinal, se continuassem a mandá-los para um sítio onde são vítimas de maus tratos e violência, seriam, em última instância, responsáveis pelas resultantes crises de pânico, ocorrências de estresse pós-traumático ou tentativas de suicídio.

No entanto, estas famílias, que ao ver os filhos em risco na escola optam pelo ensino doméstico, em vez de receberem o devido apoio, são muitas vezes perseguidas. Ou, na melhor das hipóteses, criticadas...

Ainda há 2 dias foi publicado mais um testemunho de uma mãe que sentiu necessidade de responder ao seguinte comentário:

Eu não acredito que a educação domiciliar seja a melhor opção para as crianças autistas, já que necessitam para o seu desenvolvimento da interação com outras crianças.
O argumento é sempre o mesmo. Faz-me lembrar aquela frase: Onde todos pensam do mesmo jeito, ninguém pensa muito.
Mas esse é outro assunto. Vamos lá à resposta de Lisa Jo Rudy:

"Nós, que educamos os nossos filhos em casa, tenham eles autismo ou não, estamos acostumados a ouvir os outros opinar que o ensino doméstico leva ao isolamento e, por conseguinte, só os vai prejudicar. Mas nós sabemos que o ambiente típico da escola isola as crianças muito mais do que o ambiente da educação domiciliar.

É claro que, na escola, os jovens com autismo podem estar fisicamente próximos de vários colegas. Mas tirando esta proximidade física, é raro existirem formas de interação genuina. É certo, o meu filho "falava" com outras crianças - quando o faziam dizer qualquer coisa. E os outros miudos respondiam - quando os faziam responder. Essas interações artificiais e encenadas eram, em sua essência, vazias de significado para ambos os participantes. Sempre que podia, porém, ele desligava-se do caos e do barulho abandonando-se ao seu próprio mundo. Mesmo com uma turma pequena e com uma assistente pessoal, a experiência escolar causava-lhe tanta ansiedade que ele, naturalmente, tentava proteger-se evitando desafios e confrontações, e sendo tão invisivel quanto possivel.

Para ele, essa estratégia dava resultado: ninguém esperava que ele interagisse, aprendesse, falasse por iniciativa própria, assumisse novas tarefas ou excedesse as expectativas. Os professores diziam que as coisas estavam a correr muito bem. Traduzido, isso significava que as coisas andavam calmas e que ele não andava a arranjar problemas.

Agora que é educado em casa, Tom é desafiado a exceder suas próprias expectativas quase todos os dias - e excede-as. Além disso, ele agora interage com uma enorme variedade de pessoas em vários tipos de ambientes, fazendo conexões reais na comunidade. Ele não está sozinho nem isolado do mundo em que vive.

Por exemplo:

Num centro educacional para crianças e jovens educados em casa, ele tem aulas com umas quantas crianças mais ou menos do mesmo grupo etário. A maior parte do trabalho é prático e segue os seus verdadeiros interesses. Ele fala, brinca e até apresenta trabalhos aos colegas e à pessoa encarregada de dar as aulas: uma ex-professora que se converteu à educação domiciliar.

Tem aulas de clarinete, ensaia e toca numa banda de jazz. Faz parte de uma equipe de boliche e estão ganhando o campeonato.

Todas as semanas ele tem aulas de ginástica. Corre, salta e brinca com os outros miudos que também seguem o regime de ensino doméstico. E tem aulas de matemática com um especialista em discalculia que, para além de todas as expectativas, fez com que o Tom conseguisse compreender a teoria dos números.

Está em contacto com a natureza, vai à biblioteca, vai às compras, cozinha, constrói e vai a excursões e visitas de estudo. Ele lê, escreve, estuda espanhol e está a aprender a datilografar, a pesquisar na internet, a tomar apontamentos e a fazer experiências científicas.

É possível que talvez, no passado, o ensino domiciliar significasse "ficar todos os dias sozinho em casa." Hoje, não. Para nós, e para muitas famílias com filhos autistas, é de longe a forma mais eficaz de proporcionar aos nossos filhos a educação que merecem!"

Tradução livre. Original aqui.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Digital unschooling: novo modelo de aprendizagem

Encontrei, por acaso, o trabalho de Rute F. Silva Araújo e Sónia Sofia S. Rodrigues sobre a Geração Net. Um dos capítulos é intitulado Um Novo Modelo de Aprendizagem; espero que elas me perdoem mas não resisti brincar com ele, alterando-o aqui e ali.

Por quê? Porque os novos media são, na grande maioria dos casos, parte integral da educação em casa! Quem sabe, poderão até ser um dos factores principais por trás da explosão e transformação da educação domiciliar no verdadeiro fenómeno global que hoje observamos. E também porque, no ensino doméstico, a abordagem autónoma - ou unschooling - é um modelo de aprendizagem baseado na descoberta e na participação que já é praticado, com muito sucesso, por muitas famílias. Em casa, o acesso ilimitado ao computador, à internet e aos sistemas multimédia é uma das coisas que possibilita a individualização do processo de aprendizagem e é precisamente esta individualização que permite aos nossos filhos progredir de acordo com o seu ritmo.

Don Tapscott, no livro Growing up Digital, traçou 8 mudanças que prevê na educação. Estas descrevem perfeitamente as características actuais da aprendizagem autónoma (unschooling):

1. Da aprendizagem linear à hipermediática. As abordagens tradicionais são lineares. Para nós, unschoolers digitais, o acesso à informação é interactivo e não sequencial.

2. Da instrução à construção e descoberta. O entusiasmo das crianças e jovens é muito maior quando descobrem algum facto ou conceito por si próprios, do que quando esse facto é transmitido pelos "pais-professores". Por essa razão no unschooling a ênfase não está no ensino mas na aprendizagem natural e auto-direcionada.

3. Da educação centrada nos pais-professores à centrada nas crianças. Esta é uma mudança de atitude que não depende dos novos media. No entanto, a verdade é que estes possibilitam uma aprendizagem mais centrada no indivíduo do que no transmissor. A educação centrada na criança, como todos os unschoolers sabem, aumenta a motivação para a aprendizagem.

4. De uma geração que absorve e analisa a uma que navega e sintetiza. As crianças educadas em casa com acesso ilimitado à internet têm à sua disposição um vasto conjunto de fontes de informação e de pessoas. Isso permite-lhes construir e desenvolver sistemas de conhecimento mais complexos. Na internet, desde cedo, elas são levadas a verificar, analisar e sintetizar factos e informações.

5. Da escola à aprendizagem permanente. Em casa, o acesso ilimitado à internet ajuda a transformar a aprendizagem num processo contínuo e permanente.

6. Da aprendizagem "uma medida para todos" à aprendizagem personalizada. Este é um dos argumentos mais comuns a favor do ensino domiciliar, que possibilita às crianças e jovens uma aprendizagem personalizada baseada nas suas características únicas, nos seus talentos individuais, nas suas capacidades cognitivas e nos seus interesses. Através dos media digitais as crianças e jovens educados em casa têm acesso imediato à informação que procuram.

7. Da 'aprendizagem tortura' ao divertimento. O divertimento sempre foi uma parte fundamental do processo de aprendizagem. O prazer de aprender só é destruido quando a aprendizagem é forçada e os métodos utilizados são coercitivos e repressivos. O acesso aos novos media pode facilitar a tarefa de motivar e proporcionar aos filhos uma maneira divertida de aprender.

8. De pais-transmissores a pais-assistentes. Abandonando os monólogos a favor do diálogo, a aprendizagem transforma-se numa actividade social. Os pais deixam de ser os transmissores de conhecimentos e transformam-se em assistentes da aprendizagem, cabendo aos filhos o papel principal na construção do seu próprio conhecimento.

Links: Sites para crianças

domingo, 1 de novembro de 2009

Citações - Rubem Alves


O estudo da gramática não faz poetas. O estudo da harmonia não faz compositores. O estudo da psicologia não faz pessoas equilibradas. O estudo das "ciências da educação" não faz educadores.

Educadores não podem ser produzidos. Educadores nascem.

Ensino Domiciliar = Aprendizagem Personalizada

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa

1. O ensino doméstico possibilita uma aprendizagem personalizada


Em casa, os currículos podem ser adaptados às crianças, que os usam de uma maneira que não seria possível no ambiente escolar. A educação é baseada nos interesses pessoais e os próprios jovens tomam responsabilidade pela sua aprendizagem. Como resultado, a motivação é alta e a aprendizagem é interessante e gratificante.

Artur, 8 anos, de Hampshire
"Com a educação em casa, podemos aprender à nossa maneira e por isso aprendemos melhor."

Sara, 10 anos, de Tyne
"Estar em casa deu-me mais tempo para refletir sobre o que estava fazendo."

Katherine, 14 anos, de Hampshire
"Sou educada em casa há cerca de três anos, desde que saí da escola no final do 6º ano. O meu irmão também foi educado em casa e agora está a gostar de estudar música e francês na Universidade de Bristol. Eu adoro a educação domiciliar porque posso estudar as coisas que realmente quero aprender. Por exemplo, eu estou estudando grego e hebraico bíblico, dois idiomas que, se tivesse ido para a escola secundária, nunca teria tido a oportunidade de aprender. Adoro a liberdade de tomar as minhas próprias decisões - escolher os cursos que quero fazer, as disciplinas que quero estudar, como organisar os meus estudos, e assim por diante."

Hannah, 15 anos, de Cambridgeshire
"Com o ensino doméstico, a minha vida melhorou bastante, em várias maneiras. Eu andei numa escola pública até o final do 7º ano. Nós somos cristãos, por isso o cristianismo é uma parte muito importante das nossas vidas. Os meus pais acharam que o ensino da Bíblia era muito importante, além das disciplinas acadêmicas. Naquela época éramos 4 irmãos, com mais um a caminho. Os meus irmãos mais novos estavam muito entusiasmados com a perspectiva de serem educados em casa. Mas os meus pais deram-me a opção de permanecer na escola ou não. Depois de muita reflexão e oração, eu decidi ser educada em casa. Devo dizer que foi provavelmente uma das melhores decisões que fiz na minha vida até agora."

Continua aqui.

sábado, 31 de outubro de 2009

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa

Kerrin tem 17 anos e vive em Hampshire. Ela e os 4 irmãos foram educados em casa desde que nasceram, segundo o método da aprendizagem autónoma. Kerrin resolveu participar na campanha em defesa da actual lei inglesa sobre o ensino domiciliar fazendo um estudo sobre o ponto de vista das pessoas mais afectadas pelas recentes propostas de maior interferência por parte do Estado no ensino doméstico: as crianças e jovens educados em casa.

Segue-se a tradução do seu trabalho, que foi enviado para o parlamento britânico como parte do Right to Reply:

Pedi a várias pessoas que foram educadas em casa para partilharem as suas experiências. Algumas falaram comigo pessoalmente, outras enviaram a suas contribuições por e-mail. Embora algumas já sejam adultas, outras ainda estão na sua adolescência. Algumas crianças também responderam. Todos os que responderam foram educados em casa durante parte ou todo o período da educação obrigatória.

Dos adultos, Daniel Bright, de 21 anos, está actualmente a estudar na Open University; Jo Risbridger, de 20 anos, também está na universidade; Toby Williams, de 18 anos, está a fazer um gap-year antes de começar a estudar engenharia e Andy Moore, 23 anos, é empresário na Nova Zelândia. Malchus Kern, 19 anos, foi educado em casa na Inglaterra mas depois foi para a Alemanha fazer uma licenciatura.

Estes são os pontos principais que sairam das nossas discussões:

O Ensino Domiciliar


1. permite uma aprendizagem personalizada;

2. permite que as crianças se desenvolvam ao seu próprio ritmo, de acordo com as suas aptidões e habilidades únicas;

3. aumenta a consciência de si e o sentimento de individualidade;

4. constrói pessoas capazes de concretizar as suas metas e objectivos;

5. permite que os jovens demonstrem a sua criatividade na obtenção de acesso às mais variadas oportunidades de aprendizagem;

6. produz, em última instância, indivíduos auto-confiantes e auto-direccionados;

7. promove o desenvolvimento de competências de vida;

8. constrói relacionamentos familiares mais fortes;

9. abre as portas a um contexto social mais amplo e diversificado;

10. é agradável - aprender é um prazer;

11. não separa a aprendizagem da vida mas transforma-a num estilo de vida.

[Para uma explicação mais detalhada, com testemunhos demonstrando cada argumento, cliquem em cada um deles. Alternativamente, continua aqui...]

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Diversidade religiosa no ensino domiciliar

As famílias que optam pela educação em casa seguem diferentes religiões. Apesar das suas crenças serem muito diferentes, estão dispostas a trabalhar juntas para defender o direito à educação domiciliar sem restrições por parte do Governo ou funcionários das autarquias locais.


3 famílias, 3 religiões

Tânia, uma mãe judia de Somerset, Inglaterra

A minha filha Eialh tem 10 anos e frequentou uma escola pública da Igreja Anglicana durante 2 anos. Geralmente, nas áreas rurais, não temos outra opção senão ir para a escola mais próxima. Participar em festivais e reuniões de família é muito importante para nós. Os feriados judaicos caem invariavelmente durante o horário escolar. Embora não tivéssemos tido quaisquer problemas em obter permissão para faltar à escola por motivos religiosos, eu sentia que a ênfase no cristianismo, particularmente durante a época da Páscoa e do Natal, estava destruindo o sentido da religião judaica da minha filha. Havia um monte de actividades relacionadas com o cristianismo e como ela não tinha a oportunidade de participar activamente na comunidade judaica eu sentia que essas actividades estavam se tornando as "memórias de infância" dela.

Agora com a educação em casa temos muito mais tempo para investigar questões da história, cultura, língua e até da alimentação judaica. Antes, tentar encaixar todas essas coisas no fim de semana e conciliá-las com a escola (e as 2 horas de viagem por dia) era muito estressante.

Como a escola era pequena e rural, havia apenas uma outra criança que seguia uma religião diferente e não havia crianças de outras raças que não a branca. A minha filha pediu para ser retirada das aulas de religião e das assembleias: não se sentia à vontade por ser "diferente". Agora que não está na escola temos tempo para ir até à cidade mais próxima participar nas actividades judaicas e frequentar a escola dominical. Além disso, ela também está a fazer um curso de hebraico on-line.

O nosso grupo de educação domiciliar tem algumas crianças negras e de raça mista mas infelizmente nenhuma criança muçulmana. Mesmo assim, o ensino doméstico dá-nos mais acesso à diversidade cultural. Os pais de outras crianças mencionam razões semelhantes por trás da educação em casa, embora concordem comigo que a religião e a raça não são as únicas razões que nos levaram a considerar o ensino domiciliar.

Links
League of Observant Jewish Homeschoolers
Kosherhomeschool
Chinuch at home
A Jewish Vegetarian Homeschool


S Gething, um cristão de Hampshire

Ao longo dos anos ajustámos o nosso horário várias vezes. Esforçamo-nos constantemente por encontrar o método de aprendizagem mais produtivo e usamos uma abordagem tradicional em relação ao ensino. O nosso dia começa às 8:00 hrs com um período de oração, memorização e leitura da Bíblia. Esta é a parte mais importante, recordar o nosso Criador e as bênçãos que temos. Todas as semanas as crianças aprendem um verso novo e o nosso filho de 3 anos já se vai juntando a nós.

Segue-se meia hora de francês. Eles concentram-se melhor se as aulas forem relativamente curtas, por isso cada lição é de meia hora, excepto a de matemática, que dura 1 hora. Depois vem a prática musical - piano ou flauta - e havemos de aprender violino no futuro. Achamos que alternar aulas que desafiam a mente com aulas mais práticas traz um certo equilíbrio e prazer ao dia. A seguir vem a matemática, com exercícios diários e aprendizagem de princípios fundamentais.

As crianças estão trabalhando a um nível 1-2 anos acima da sua idade, usando um currículo americano que seguem praticamente sozinhas. Isso dá-me tempo para prestar mais atenção ao mais novinho. Se terminarem a lição a horas, então têm tempo para a leitura, arte ou exercício.

Depois da matemática fazemos exercícios físicos, geralmente dança irlandêsa, excepto às terças-feiras. A manhã de trabalho acaba com inglês e depois 10 minutos de chinês (que a nossa filha está tentando aprender sozinha usando um livro e dois sites na internet) e latim para o nosso filho de 8 anos de idade. Agora estamos prontos para uma bem merecida pausa de 2 horas para o almoço.

A tarde começa com ciências. Depois fazemos mais trabalhos de inglês: escrita criativa, ortografia, poesia, jogos de palavras e assim por diante. Continuamos com história e geografia; neste momento estamos investigando a África. Segue-se arte ou teoria da música / canto e terminamos o dia com leitura. As crianças têm alguma escolha sobre o que lêem mas fazemos com que elas cubram uma ampla seleção de tópicos e autores modernos e clássicos.

Como eu também fui educada em casa, faço questão de proporcionar aos meus filhos oportunidades de conviverem com os amigos e fazerem excursões. Espero que esta descrição ajude a dissipar alguns dos mitos à volta das crianças educadas em casa e a demonstrar a flexibilidade e eficácia da educação orientada pelos pais e centrada na excelência acadêmica, no desenvolvimento social e em princípios cristãos.

Links
Christian Home Education
TEACH (The European Academy for Christian Homeschooling)
Homeschool Christian
Christian Homeschooling


Imran Shah, um muçulmano de East Sussex

Por que é que eu educo os meus filhos em casa? Se me tivessem perguntado há 4 anos eu teria falado sobre os resultados superiores obtidos pelas crianças educadas em casa. Nos E.U.A., onde são obrigadas a fazer os exames nacionais, elas obtêm, em todas as disciplinas, uma média entre 20 a 30% mais alta que as crianças educadas na escola. Agora, com 2 filhos pequenos que nunca foram à creche nem ao jardim de infância, eu diria que a maior vantagem é vê-los tão felizes. Eles são incrivelmente felizes e passam os dias alegres, brincando na companhia de pessoas que eles amam e que lhes amam.

Os meus amigos dizem-me frequentemente que os filhos deles resistem à escola e que frequentemente não querem ir às aulas. Os nossos filhos não acordam cheios de ansiedade, sabendo que têm de ir para onde não querem ir, estar com pessoas com quem não querem estar e fazer coisas que não querem fazer. Não são apenas os nossos filhos que estão felizes; a minha esposa e eu também estamos felizes vendo que eles estão crescendo em alegria e liberdade. Quando estão felizes as crianças gostam de aprender e aprendem com muita facilidade.

Outra razão que nos leva a educar em casa é a socialização. O ambiente escolar não é conducente a um processo de socialização saudável. Se fosse, as interacções sociais no recreio seriam caracterizadas pela generosidade, humildade e respeito mútuo em vez da mesquinhez, agressividade e pressão do grupo típicas da interacção social escolar. Os meus filhos brincam com os filhos dos nossos amigos. Não há bullying na nossa comunidade. A segregação etária imposta pela escola não prepara os jovens para a interacção entre adultos. Em vez disso, a expectativa das escolas é que as crianças suportem o tipo de comportamento hostil que nenhum adulto suportaria.

Os nossos filhos não vivem num mundo dividido entre "nós" (as crianças) e “eles" (os professores). Vivem num meio em que a interacção social é saudável, numa comunidade multi-geracional que é típica da vida pós-escolar. O que eles não vêem são pessoas sendo intimidadas por serem diferentes, por causa da cor da sua pele, da sua religião ou por terem alguma deficiência. Na nossa esfera social todas as pessoas são valorizadas.

O Sagrado Alcorão ordena aos muçulmanos que não dêem instrução acadêmica aos filhos antes dos 7 anos. Avanços em neurologia já confirmaram a sabedoria deste édito. Os cérebros das crianças ainda não estão suficientemente desenvolvidos para serem capazes de lidar com o trabalho acadêmico sem correrem o risco de alguma forma de futuro atrofiamento. Embora não sigamos um estilo de educação domiciliar explicitamente religioso, há temas que são centrais ao islão, temas que são comuns a outras religiões. O mais importante é proporcionarmos um ambiente seguro, cheio de amor e carinho, em que os nossos filhos possam crescer e ir prosperando.

Links
Islamic Home Education
Muslim Home Education Network Australia
Mission Islam - Home Education
Muslims and Home Education
The Muslim Homeschool
Muslim Homeschooling Resources

Tradução livre. Original aqui.
Continua aqui.

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Os argumentos a favor do ensino domiciliar II

Os argumentos dos pais (continuação - 1ª parte aqui)

Algumas famílias que educam em casa optam pelo unschooling, uma abordagem centrada na criança em que a aprendizagem é autónoma e auto-direcionada. Este modelo, fora do paradigma educacional vigente, é raramente compreendido.

Stewart e Alison, East Yorkshire

Temos dois filhos, um com 9 anos, outro com 15. Nunca foram à escola. Quando seguem os seus próprios interesses, fazem-no por si mesmos. Não estão tentando provar o seu valor aos outros nem sentem necessidade de tentar transmitir o que aprenderam "fazendo um projecto", colocando rótulos num diagrama, etc. Não estão tentando atingir uma meta pré-determinada a nível de compreensão ou competências a partir de um esquema de trabalho.

Por exemplo, o meu filho compreende como é que o Império Romano foi capaz de conquistar certas tribos celtas devido ao seu interesse em armas e técnicas de combate antigas. Mas não tinha como objectivo aprender isso. Não ficou imediatamente interessado noutras comparações entre as culturas romana e celta nem resolveu escrever redações sobre este tema. Sabemos o que ele sabe através das conversas que temos mas nunca pensaríamos gravar as conversas que temos para provar a sua aprendizagem.

Queremos que ele aprenda para si mesmo e não para outros porque sabemos que ele é muito mais feliz assim e porque vemos a aprendizagem intrinsecamente motivada como sendo de maior valor do que a aprendizagem motivada extrinsecamente. Não quero que ele sinta a obrigação de demonstrar o que sabe para provar que a sua formação é adequada.

Continua aqui...

Tradução livre. Original aqui.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Os argumentos a favor do ensino domiciliar

Os argumentos dos pais

Os motivos que levam os pais a optar pelo ensino doméstico são muitos e as maneiras de educar em casa são muitas. Alguns, por razões filosóficas ou religiosas, nunca mandam os filhos à escola; outros enviam-nos inicialmente para a escola mas decidem retirá-los de lá quando se apercebem que os filhos estão sendo vítimas de violência escolar ou que a escola é incapaz de lidar com as necessidades educativas especiais dos filhos, sejam elas devido à dislexia, síndrome de Asperger, autismo, déficit de atenção e hiperactividade ou deficiências fisicas.

Há pais que combinam a educação domiciliar com a escola:
1) optando pela flexi-escola, onde as crianças frequentam a escola part-time;
2) educando os filhos em casa durante a primária mas matriculando os filhos na escola secundária (ou vice versa);
3) enviando alguns para a escola enquanto que outros estudam em casa.

Cada família é diferente. Seguem-se agora diversos testemunhos de famílias que educam os filhos em casa. Primeiro, três gerações da mesma família falam sobre sua experiência:

A avó:

Há um ano atrás, quando a minha filha me disse que tinha a intenção de educar os meus netos em casa, eu tive as minhas dúvidas sobre alguns aspectos deste plano, em grande parte porque a educação domiciliar era algo que desconhecia completamente. Mas as minhas reservas desapareceram totalmente.

Os meus netos adoram as lições. Estão felizes, cheios de auto-confiança, curiosidade e motivação. As suas competências linguísticas estão muito avançadas para a idade que têm. Eles seguem todos os fundamentos do Currículo Nacional e investigam uma série de tópicos extra-curriculares de uma forma que seria impossível se o ensino não fosse individual.

Todas as famílias que conheci durante este ano que educam os filhos em casa têm me impressionado muito pelo seu óbvio compromisso, entusiasmo pelo trabalho e pela forma imaginativa em que abordam o ensino doméstico. Espero que estes pais - e todos os outros que optam por educar os filhos na maneira que melhor entendem -, sejam sempre autorizados a fazê-lo sem a imposição de níveis inaceitáveis de controlo e interferência por parte do Estado.

A mãe:

A minha filha era simplesmente novinha demais para começar a frequentar a escola. Para ela, a educação a tempo integral era desgastante, tanto a nível emocional como físico, e começou a sofrer de enxaquecas. Um amigo meu, a minha cunhada e os seus três irmãos foram educados em casa e todos eles são indivíduos muito felizes, equilibrados, satisfeitos, trabalhadores e com óptimas competências sociais. Eles deram-me coragem para experimentar o ensino domiciliar e – vendo como eles se tornaram - nós decidimos ir àvante.

Somos uma família que pratica o ensino domiciliar estruturado. Todos os dias os 2 meus filhos passam meia hora no computador melhorando as suas competências nas TIC e meia hora assistindo a programas da TV-Escola. A seguir fazemos uma hora de matemática e depois uma hora de inglês.

Além disso, fazemos projectos de ciência, história, TIC, arte ou geografia. Eles estão fazendo muito progresso. Têm um vocabulário excelente e estão gostando muito de aprender. A pergunta que todos me fazem é sobre a socialização. A ideia que têm, completamente disparatada, é de que as crianças educadas em casa estão isoladas do mundo em que vivem.

Os meus filhos assistem a três aulas por semana, duas delas numa escola montessoriana aqui perto, e têm amigos que vêm brincar com eles. A educação domiciliar foi a melhor coisa que fiz para eles.

Os filhos:

Hannah, 6 anos
Aprender em casa é bom porque podemos estar com a mamã e acho que aprendemos mais em casa do que na escola porque quando fui à escola não senti que estava aprendendo.

Sam, 5 anos
Eu gosto de aprender em casa porque é divertido e eu aprendo muito. É óptimo. A melhor coisa da educação em casa é fazer os trabalhos.

Continua amanhã...

Tradução livre. Original aqui.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Beatrix Potter foi educada em casa

Sabiam que Beatrix Potter (1866-1943), a famosa autora e ilustradora inglesa, foi educada em casa?

Beatrix, que nunca foi à escola, escreveu mais tarde num artigo: "Thank goodness, my education was neglected!"

Foi precisamente devido ao que hoje seria provavelmente considerado como "abandono e negligência educacional" por parte dos pais que Beatrix teve a liberdade e o tempo livre necessários para desenvolver os seus interesses e dar asas à imaginação.


Os livros infantis de Beatrix Potter são muito conhecidos; na Inglaterra, pelo menos, não há criança que não conheça a história do Pedro Coelho. Além de escritora e ilustradora foi também micologista e conservacionista.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Educação domiciliar monoparental - é possível?

Quando o casamento se desfez e ela ficou sozinha com o filho, Mary Jo Tate, que praticava o ensino doméstico em Tupelo, Mississipi, enfrentou um dilema fora do comum. Deveria continuar a educar os 4 filhos em casa? A maioria respondia que não, mas esta mãe, que faz consultoria editorial e literária, resolveu imediatamente que sim.

"Nunca me passou pela cabeça desistir", diz Tate. "Confiei em Deus e continuei educando os meus filhos em casa."

Parece impossível? Embora as palavras monoparental e educação domiciliar parecem incompatíveis, um pequeno mas crescente segmento da população de pais-educadores americanos encontra-se precisamente nesta situação. Brian D. Ray, presidente do Instituto Nacional de Pesquisa sobre o Ensino Domiciliar, estima que existem actualmente na América cerca de 185.000 famílias monoparentais educando em casa.

É factível?

As famílias monoparentais educam os filhos em casa pelos mesmos motivos que as outras, diz Ray.

"Educando em casa, os pais podem oferecer melhores opções acadêmicas, relações pais-filhos mais fortes e planos educativos individualizados. Estas vantagens aplicam-se também a famílias monoparentais."

Manter os filhos em casa depois de um divórcio ou da morte de um dos pais tem outras vantagens, Ray acrescenta. O ensino doméstico proporciona a continuidade que outras opções educativas muitas vezes não dão. Andrea La-Rosa, web-developer em Miami e criadora de Single Parent Homeschool, concorda que a necessidade de continuidade após grandes mudanças é uma das razões mais importantes para a educação domiciliar monoparental.

"Uma mãe-sozinha que educa em casa pode estar presente para os filhos de uma maneira que a maioria das outras mães não podem", diz ela. "É uma maneira de manter a família intacta, minimizar os danos de um lar desfeito e recuperar a posição de guarda principal dos filhos - coisas que muitos pais-sozinhos geralmente consideram como perdas."

Mas, e as famílias monoparentais que trabalham?

Algumas, como Tate e La-Rosa, trabalham a partir de casa. Outras recebem apoios financeiros suficientes mas a maior parte das mães e pais sozinhos têm empregos fora de casa e trabalham a tempo integral para fazer face às despesas. Uma mãe-sozinha que trabalha das 9 às 5 pode ensinar os filhos em casa?

Não desistam da ideia, diz La-Rosa. Muitos pais-sozinhos que optam pelo ensino doméstico têm amigos e/ou família dispostos a ajudar a cuidar dos filhos e a dar-lhes apoio acadêmico. Outros organizam "trocas de aulas" com outras famílias na sua "comunidade do ensino doméstico" ou deixam “trabalhos de casa” para serem feitos durante o dia de trabalho e dão as aulas à noite.

"É importante lembrar que o modo como vocês organizam a vossa educação domiciliar não tem que ser igual à de mais ninguém. Às vezes temos ideias fixas sobre o que funciona. Mas essas ideias muitas vezes não passam disso... de ideias... O que importa é o que, na prática, traz bons resultados."

É ideal para você?

A maioria das famílias monoparentais acarreta dúvidas sobre as suas capacidades parentais. Educar em casa não vai ser mais uma preocupação? Brian D. Ray oferece garantias aos que duvidam da validade desta via educativa.

"Quando as crianças são educadas em casa, vivam elas com um ou com os dois pais, elas têm os mesmos resultados acadêmicos, sociais, emocionais e psicológicos que os outros estudantes", diz Ray. "Estudo após estudo demonstra que os alunos em regime de ensino doméstico superam os da escola pública e têm resultados iguais ou melhores que os que frequentam escolas particulares. Este facto permanece o mesmo, sejam de famílias mono ou duo parentais".

No entanto, se uma mãe-sozinha achar a educação em casa demasiado exigente, pode sempre experimentar certas opções antes de desistir da ideia. La Rosa aconselha o seguinte:

"Para o sucesso da educação domiciliar monoparental é crucial saber quando e como pedir a ajuda necessária", diz ela. "Se já não queres educar os teus filhos em casa, podes sempre matriculá-los na escola. Mas se queres continuar mas pensas que talvez seja demasiado para ti, pede ajuda aos teus familiares, vizinhos, a outras famílias que praticam o ensino doméstico e que conheces da igreja."

Tate e La-Rosa estão convencidas que a aceitação da educação domiciliar monoparental irá crescer com o passar do tempo. Porém, o que as motiva não é a aprovação cultural mas saberem que as suas escolhas têm um impacto eterno nos filhos - e que o ensino domiciliar é uma das melhores opções possiveis.

Embora muitos tenham tido grande sucesso como educadores-monoparentais, a decisão de ensinar os filhos em casa continua difícil. O ensino doméstico monoparental não é para todos, mas as mães e pais sozinhos não devem excluir a educação em casa simplesmente por causa do seu estado civil.

Copyright © 2008 Crystal Kupper. Crystal foi educada em casa.
Tradução livre e parcial. Original aqui.

domingo, 25 de outubro de 2009

sábado, 24 de outubro de 2009

Educação gratuita: direito ou obrigação?

Pelos vistos, no Brasil, o Ministério de Educação questiona a constitucionalidade da educação domiciliar. Insiste que o ensino doméstico viola o direito de todos à educação gratuita e que os pais que optam por este regime correm o risco de acusações de abandono intelectual, crime que prevê detenção de 15 dias a um mês, além de multa.


Eis a resposta
de Olavo de Carvalho:

Desde logo, um direito que, sob as penas da lei, se imponha ao seu alegado beneficiário como uma obrigação, não é de maneira alguma um direito. Direito, como bem explicava Simone Weil, é obrigação reversa: se tenho um direito, é porque alguém tem uma obrigação para comigo. Ter direito a um salário é ter um empregador que está obrigado a pagá-lo. Se, ao contrário, sou eu mesmo o titular do direito e da obrigação de satisfazê-lo, é claro que não tenho direito nenhum, apenas a obrigação.

É assim que os luminares do MEC entendem a educação gratuita: as pobres crianças brasileiras, por serem titulares desse direito, são obrigadas a engolir a cafajestada estatal inteira que se transmite nas escolas, sob pena de que seus pais sejam enviados à cadeia. Isso não é um direito: é uma imposição e um castigo. Para sofrê-lo, basta ser criança e inocente.

(...)

Qual o nexo lógico... entre a obrigação estatal de garantir isto ou aquilo e o direito de o governo mandar para a cadeia quem prescinda desse suposto benefício? Desde quando a obrigação de um se converte automaticamente em obrigação de outro, e, pior ainda, em obrigação do titular do direito correspondente? O Estado tem também a obrigação de garantir assistência médica: deveriam então ser processados e presos os cidadãos que recorram a um médico particular, poupando aos cofres públicos uma despesa desnecessária?

(...)

Quanto custa ao Estado a educação de uma criança? Se um indivíduo tem seus impostos em dia e ainda, possuindo dons de educador, dá instrução a seus filhos em casa, cabe ao Estado ser grato ao cidadão exemplar que o auxilia duplamente, com seu dinheiro e com seus serviços, sem nada pedir em troca. Punir essa conduta honrosa é inversão total da moralidade.

(...)

Em terceiro lugar, qual a oposição lógica que... crêem existir entre o homeschooling e o direito à educação gratuita? Imaginam eles que os pais cobram mensalidades dos filhos para educá-los em casa?

Vale a pena ler na íntegra: Educação ou deformação?

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

Vencedor do Prémio Nobel da Física 2009 foi educado em casa

Este ano o Prémio Nobel da Física foi atribuído a um trio de investigadores; entre eles, Willard Boyle (EUA / Canadá).

Boyle foi premiado, juntamente com George Smith, pela invenção de um circuito semicondutor de imagens, o sensor CCD (Charge-Coupled Device ou dispositivo de carga acoplada), utilizado em inúmeras aplicações, desde máquinas fotográficas a telescópios.

Sabiam que a sua excelente educação começou em casa? Boyle aprendeu com a mãe até ter idade de entrar para o 10ºano. Nascido em Amherst Nova Scotia a 19 de Agosto de 1924, foi educado em casa até ao final do 9º ano e hoje diz-nos que o seu sucesso escolar deve-se em parte aos livros que a mãe o encorajou a ler.

Entrou depois para o Lower Canada College em Montreal e continuou seus estudos na McGill University onde completou seu doutoramento em física.

Fonte: aqui e aqui

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Mais umas fotos

do fim de semana passado...



Aluno universitário descreve sua educação em casa

A educação fora do comum de Alex Dowty

Fui educado em casa dos 8 aos 18 anos. Não fiz o 11º nem o 12º ano e nunca me candidatei a exames mas estou no 3º ano do curso de direito na Universidade de Oxford. Uma das universidades a que me candidatei enviou-me um e-mail dizendo: "Você não preencheu as formas correctamente."

Para quem estuda em casa, fazer os exames do 11º e 12º ano pode ser caro e complicado, especialmente quando o objectivo é fazer vários exames. Cada exame pode custar mais de £100 e as escolas não têm incentivos para ajudar os jovens que não estão matriculados nelas. No entanto, Oxford foi maravilhosa - muito aberta, muito flexivel, aceitou as minhas qualificações da Open University.

Educar em casa nunca foi o plano. Quando eu tinha 8 anos a minha escola fechou durante uma altura desfavorável do ano. Sabendo que tinham de organisar uma alternativa, os meus pais perguntaram-me se eu gostaria de experimentar o ensino doméstico. Eu concordei e gostei desde o princípio. O meu pai é advogado e é ele quem traz o dinheiro para casa. A minha mãe dirige uma organização que protege os direitos das crianças mas trabalhava a partir de casa e tinha muito tempo para nós. Ela tinha dado aulas mas não tinha formação em pedagogia.

A educação domiciliar é muito menos drástica do que as pessoas imaginam. Não ficamos em casa o dia inteiro sem ver ninguém. As outras crianças só estão na escola 6 horas por dia. A única diferença é que durante essas 6 horas não estamos na escola, mas por aqui e acolá - é um estilo de vida muito menos sedentário.

Meus pais deixaram-nos, a mim e ao meu irmão, seguir uma abordagem autónoma. A orientação que nos davam era muito irregular - éramos supervisionados, mas de uma maneira muito informal. Nunca tivemos prazos, exames, trabalhos de casa ou horários; no entanto, não tenho problemas de auto-disciplina. Podia não fazer nada na quarta-feira mas trabalhar sem parar durante o fim de semana. Tive fases em que fazia caminhadas na Snowdonia e fases em que passava 2 semanas lendo sossegadamente num cantinho. No início, passei alguns meses assistindo programas de televisão sem qualidade nenhuma e jogando no computador. Se tivesse continuado, os meus pais teriam agido mas depressa me fartei disso. A minha capacidade de ver televisão tem os seus limites.

A certa altura fiquei fascinado com a Antártica e a minha mãe convenceu-me a investigar com mais profundidade. Ela também nos levava a museus. O currículo nacional só é obrigatório nas escolas e os meus pais certamente não o seguiram, embora me tivessem estimulado a aprender matérias que iria precisar, como francês e matemática. Nós tivemos, por exemplo, um professor de francês que nos deu aulas semanalmente durante muito tempo. Educar é muito mais do que obrigar as crianças a estarem sentadas numa secretária e despejar nelas uma série de coisas. Para os meus pais, educar era observar quais eram as áreas dos meus interesses e depois ajudarem-me a encontrar livros, sites na internet ou museus.

Aprendi que as instituições acadêmicas - a British Antarctic Survey e o Museu da Ciência, por exemplo - estavam sempre dispostas a responder às perguntas de um miúdo de 10 anos. Adorei a liberdade - estou interessado em política e tive a oportunidade de estudar com muito mais profundidade do que o currículo nacional permitiria. As crianças educadas em casa nunca se sentem entediadas porque estão fazendo as coisas que mais lhes despertam o interesse. A minha falta de conhecimentos avançados em física não é algo que me entristeça.

A minha aprendizagem nunca ocorreu em completo isolamento – eu fazia parte de um grupo de 10 ou 15 jovens que se reuniam para fazer experiências científicas e visitas a museus. Estima-se que entre 50.000 e 80.000 crianças britânicas são educadas em casa e há um serviço de apoio, Education Otherwise, que organiza grupos em várias localidades e tem uma linha de aconselhamento. Depois dos 16 anos, para me facilitar a entrada na universidade, passei 2 anos fazendo cursos da Open University, que não exige quaisquer qualificações. Eu tinha escrito para várias universidades, dizendo: "Estas são as minhas qualificações. Vale a pena candidatar-me?" Algumas universidades disseram que não mas Oxford foi entusiástica. Trataram-me como a qualquer outro candidato; fiz um teste de aptidão e ofereceram-me um lugar.

As pessoas que nunca tiveram contacto com o ensino doméstico parecem pensar que não temos competências sociais. Eu nunca tive dificuldades em relação à socialização. Moro numa cidade e fiz vários amigos no meu bairro. Também frequentei uma escola de música onde fiz várias amizades. Socialmente, temos que ser mais activos; não nos servem amigos num prato, por isso a nossa vida social é mais como a dos adultos.

As pessoas ficam surpreendidas se não somos um gênio matemático ou musical, ou julgam que a opção pela educação domiciliar foi motivada pela firme postura política dos pais - que provavelmente serão uns hippies -, mas esse não foi o meu caso. O objectivo dos meus pais nunca foi o de ir contra o sistema. Como já disse, frequentei uma escola Steiner até aos 8 anos, onde nunca fiz testes nem avaliações. Aos 18 anos, o único exame que tinha feito tinha sido o do 5º ano de teoria da música - mas agora não tenho quaisquer dificuldades em passar exames. Em Oxford habituei-me bem depressa a eles porque fazemos exames todos os trimestres. Aqui, temos um tutorial e mandam-nos embora por uma semana para escrever um ensaio. Tirando o tutorial, era assim que a minha educação domiciliar funcionava. Em casa, eu fazia redações porque queria, não por me mandarem.

Há algumas desvantagens em não se ter as qualificações convencionais e algumas universidades, obviamente, não viram a minha candidatura com muito bons olhos, mas tenho muita experiência de trabalho, porque tinha a liberdade de sair e trabalhar. Eu não acho que a educação em casa seja perfeita mas é um modelo válido e eu dei-me muito bem com ele. Tive uma educação muito boa, que me levou a uma boa universidade e que não me causou sofrimento no caminho.

Original aqui.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Por onde andámos: de catedral a escola waldorf

A semana passada, fomos até ao centro de Bristol

e estacionámos o carro ao lado da Pro-Cathedral of the Holy Apostles, construida pela Igreja Católica Romana entre 1834-48.

O edifício deixou de funcionar como igreja e em 1973 transformou-se numa Escola Waldorf (ler sobre o método waldorf aqui).

Há uns anos atrás Bristol Steiner School "mudou de casa" e agora o espaço está a ser transformado em apartamentos de luxo.

Uma das portas do edifício... e mais umas fotos...

para verem o tipo de casas ali à volta,

o "parque de estacionamento",

e ficarem com uma ideia desta zona da cidade...

A obsessão com a socialização

No livro Educação, Cidadania e Ministério Público, Eduardo Martines Júnior, Doutorado em Direito, menciona o ensino domiciliar apenas de passagem (na página 123) deixando no entanto bem clara a sua posição, que parece semelhante à posição oficial do governo brasileiro: o "problema" do ensino doméstico não é tanto a educação em si, no sentido de transmissão de conhecimentos, mas assegurar a devida socialização dos futuros cidadãos.

Enfim, aqui fica, como curiosidade, o tal parágrafo:

Embora se reconheça que o ordenamento jurídico de alguns países permite a educação exclusivamente no lar [158], ressaltamos que a freqüência da criança e do adolescente à escola não significa apenas acesso à educação e ao ensino. Na realidade, sobretudo a criança, mas também o adolescente, precisam estar em contato com outros de sua idade, pois a convivência estimula o conhecimento e aperfeiçoamento da vida em sociedade, capacidade de liderar, de atuar em grupo e de respeitar os direitos de outrem, fazendo respeitar os seus. Portanto, a freqüência à escola não se limita a permitir o conhecimento dos saberes, mas também visa a completa socialização.

158 Conforme admite implicitamente António Pedro Barbas Homem: “Quanto à educação obrigatória, de acordo com o estabelecido no art. 2º, os Estados podem impor a escolaridade obrigatória, pública ou privada, e a verificação do cumprimento dessa exigência é uma parte desse dever. Conseqüentemente, mesmo nas situações em que é admitido o ensino doméstico, o Estado deve ser o responsável por verificar a qualidade da educação e instrução ministrada em casa (Family H. v. Reino Unido).” (Direito da educação na União Européia. Revista CEJ, Brasília, Conselho da Justiça Federal, Centro de Estudos Judiciários, v. 1, n. 31, p. 10, 1997).

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Chamam-lhe "o homem dos dinossáurios"


Ele diz que não se importa. É hoje o actual director do Museu Nacional de História Natural e o seu nome não passa despercebido: Professor Galopim de Carvalho.

"Eu nunca fui um bom aluno no liceu. Fui mesmo um péssimo aluno e nos anos em que havia exames finais nunca tinha médias para ir a exame. Saía então do liceu, ficava no
ensino doméstico e só então me apresentava a exame. E assim fui passando."

Retirado daqui.