Este blog partilha informação sobre o homeschooling e o unschooling - ensino doméstico ou educação domiciliar. Para navegarem o site, usem os links acima e, para os posts de 2011, o botão da pesquisa na barra direita. Facebook: Aprender Sem Escola Email: aprendersemescola@gmail.com

domingo, 27 de setembro de 2009

Ensino doméstico na Alemanha

Na Alemanha, o ensino doméstico é considerado ilegal desde os tempos de Hitler, e as famílias que optam pela educação domiciliar continuam sendo perseguidas. São ameaçadas com multas exorbitantes, remoção do direito à custódia dos filhos e até prisão.

Mal agarrou o poder, uma das primeiras coisas que Hitler fez foi criar o Ministério da Educação e dar-lhe o controle das escolas e de todas as questões relacionadas com a educação.

Em 1937, Hitler disse:

“A juventude de hoje é sempre o povo de amanhã. Por essa razão, colocamos diante de nós a tarefa de inocular a nossa juventude com o espírito da nossa comunidade em tenríssima idade, numa idade em que os seres humanos ainda não foram pervertidos nem moldados. Este Reich ergue-se sobre a sua juventude e está sendo construido para o futuro. E este novo Reich não dará suas crianças a ninguém mas ele próprio tomará conta de sua juventude e dará aos jovens a sua própria educação e formação”.

Documentário a não perder: Hitler's Children - Education

Recentemente, um juiz na Alemanha permitiu que um adolescente educado em casa permanecesse sob a custódia dos pais - por enquanto... Mas os defensores do ensino doméstico, na sua constante batalha com as autoridades sobre a legitimidade da prática da educação domiciliar, dizem que isso representa uma grande victória.

Este é o primeiro vídeo de Educating Germany, um grupo de apoio às famílias que optam pela educação em família. O grupo procura reformar a lei alemã; querem que o ensino doméstico seja reconhecido como direito humano que é. A tradução abaixo é livre.



Todos sonhamos com um mundo melhor. Para nós, primeiro foi o muro de Berlim; agora é o sistema educacional que precisa mudar. Na Alemanha, os pais querem ter a mesma liberdade de educar os filhos que as gerações passadas tiveram.

"Tudo aquilo que valorizamos na sociedade humana depende das oportunidades de desenvolvimento dadas ao indivíduo."
Albert Einstein

Para que isso aconteça precisamos de ter acesso às pessoas que fazem a lei. Elas também são humanas; são filhos e filhas, homens e mulheres. Comem e dormem, trabalham e brincam, pensam e sentem.

Cada região tem o seu Comité de Educação, cuja função é debater e chegar a uma conclusão sobre a lei. São 242 membros em 16 regiões. Estas são as suas fotos.

"Acção não surge apenas do pensamento mas de se estar disposto a assumir responsibilidade." Dietrich Bonhoeffer

Precisamos da vossa ajuda. Estamos a fazer uma campanha para educar os membros do comité sobre as vantagens do ensino doméstico através de livros, folhetos, cartas, emails e videos. Ajudem-nos a mudar a lei. Escrevam aos membros do comité e partilhem as vossas experiências da educação em família. Apreciamos a vossa ajuda, por mais pequena que seja.

"Sempre me agarrei firmemente à ideia de que cada um de nós pode fazer um pouco para acabar pelo menos com parte do sofrimento."
Albert Schweitzer

Juntos, podemos fazer toda a diferença.

sábado, 26 de setembro de 2009

Como ajudar os alunos com fobia escolar?

Informem os pais sobre a educação domiciliar!

"Sabias que te podemos obrigar a ir à escola?" Foi isso o que as autoridades educacionais me perguntaram, depois de todos os outros métodos terem falhado. Perguntei-lhes como. "Mandamos alguém vir-te buscar e levar-te à escola, ficar à tua espera fora da sala de aulas para se assegurar que ficas ali o dia inteiro e acompanhar-te no regresso a casa."

Na altura tinha 11 anos e depois de pensar um pouco sobre isso perguntei-lhes se tinham alguém disposto a lutar fisicamente comigo dia inteiro, dia após dia, durante cada passo a caminho da escola. Disse-lhes também que enquanto eu tinha a liberdade de fazer o que queria, o infeliz cujo trabalho seria arrastar-me para a escola não tinha permissão de me magoar. Eu era apenas uma criança, mas as autoridades perceberam que eu estava falando a sério. Olharam uns para os outros, pensaram sobre isso, e sugeriram que a minha mãe entrasse em contacto com a Associação Nacional do Ensino Doméstico, Education Otherwise.

A maior parte dos pais e professores supõe que a escola é obrigatória e que a única forma viável de educar as crianças e jovens é através do sistema de ensino formal. Porém, existem casos em que é óbvio que a frequência escolar não é do melhor interesse da criança. Os meus problemas na escola começaram quando a minha professora teve um grave acidente de carro. Apesar de estar tomando medicamentos e fazendo tratamentos de diálise todas as semanas, ela recomeçou a dar aulas e resolveu fazer de mim o "aluno problema". A minha primeira experiência de bullying - assédio moral - veio desta professora, que fez de mim bode expiatório. A minha mãe foi à escola protestar e o pessoal que lá trabalhava admitiu que a professora estava demonstrando uma mudança de carácter e fazendo julgamentos de valor estranhos, mas disseram que em tempos difíceis tinham de apoiar a equipe.

A única opção era mudar de escola; mas como eu era o "garoto novo", os outros miúdos depressa fizeram de mim o alvo. Como o meu avô era treinador de boxe e tinha me inscrito em aulas de artes marciais, quando os outros miúdos me agrediam fisicamente e eu tentava defender-me o resultado era eu ser rotulado de "aluno-problema" uma vez mais. Quando fui para a escola secundária, continuei sendo vítima de violência escolar. A escola nada fez excepto dizer-me que o facto de eu gostar de ler tornava-me diferente dos outros miúdos e por isso faziam de mim o alvo. Eu, naturalmente, desenvolvi uma fobia e comeceia recusar a ir à escola, preferindo estudar história, inglês, geografia, ciência e filosofia em casa.

Só quando me juntei à Associação Nacional do Ensino Doméstico, Education Otherwise, e começei a conviver com outros jovens que se recusavam a ir à escola e eram educados em casa, é que a minha experiência de educação melhorou. Candidatei-me aos exames do 11º e 12º ano, tive boas notas em inglês, direito e sociologia, e aos 17 anos tornei-me o técnico jurídico mais novo do Reino Unido.

Também obtive a faixa preta no karaté e começei a dar aulas, coisa que fiz até que o meu interesse pela escrita se transformou numa ocupação profissional por conta própria. Outras pessoas que conheci através da educação alternativa tornaram-se músicos e cineastas de sucesso; um dos miúdos que conheci tornou-se professor de línguas antigas. No entanto, a única pessoa que conheço que obteve sucesso através da educação convencional frequentou uma escola privada em Wilmslow.

A educação domiciliar não é para todos; as famílias em que ambos os pais trabalham podem não ter o tempo disponível nem os recursos necessários, e algumas crianças que têm necessidades especiais - embora não todas - podem precisar de apoio especializado que os pais, sozinhos, podem não ter a capacidade de dar. No entanto, para muitas crianças, o ensino doméstico proporciona o ambiente ideal para desenvolver os seus interesses criativos. As crianças sobredotadas, em particular, são mal servidas pela educação sistematizada que só pode acomodar os alunos medianos.

É obvio que a suposição de que a fobia escolar só pode ser tratada na escola é falaciosa; a aprendizagem e a socialização são primeiramente o domínio da família, e é no contexto familiar que as crianças aprendem as competências necessárias para prosperar na vida adulta.

Podem ler o original, por Samuel Jones, aqui.

Link: Primary school teacher who bullied pupils suspended

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Ensino doméstico nas Filipinas

Continuamos a nossa volta ao mundo da educação domiciliar.
Hoje é a vez das Filipinas, com Kids Ahoy, uma comunidade muito activa de pais, educadores, crianças e jovens filipinos.



Nos 2 vídeos que se seguem, Joanne Parsons, a fundadora de Kids Ahoy, participa num debate sobre a educação domiciliar como método alternativo à escola. O programa data de 16 Julho 2009 na QTV11/GMA. Deixo uma tradução bastante livre daquilo que consegui captar.



QTV11/GMA: Bem vindos. Participando no nosso debate de hoje está a fundadora da comunidade online para pais e educadores que seguem métodos de aprendizagem alternativos. Por favor dêem as boas vindas a Joanne Parsons.

QTV11/GMA: Olá Joanne, e bem vinda ao programa.

JP: Olá e obrigada pelo convite.

QTV11/GMA: E também Joel Yuvienco, educador que promove técnicas inovativas de ensino-aprendizagem.

JY: Obrigada.

QTV11/GMA: Em relação ao currículo académico, se compararmos o ensino doméstico ao ensino regular, o currículo é semelhante ou os que optam pela educação domiciliar acabam por aprender mais?

JP: Poderíamos dizer que é o mesmo; de facto são iguais porque as competências desenvolvidas no ensino doméstico são essencialmentes as mesmas que são desenvolvidas no sistema de ensino regular. As famílias que optam pela educação domiciliar estão a par de todas essas coisas pois fazem muita pesquisa nessa área.

QTV11/GMA: Todos os níveis ou anos são feitos em preparação para os que se seguem?

JP: Sim, exactamente.

QTV11/GMA: Então se durante o 2º ano uma estudante em regime de ensino doméstico decidir no ano seguinte fazer a transferência para o ensino regular, ela pode fazer a matrícula sem problemas e entrar directamente para o 3º ano sem precisar de repetir o 2º ano?

JP: Sim. A vantagem do ensino doméstico é que as aulas são individuais, de um a um. Temos mais tempo para aprender sobre cada tópico e por isso é mais fácil adquirir as competências requeridas. Nas aulas em casa as crianças/jovens não têm de ficar à espera que os colegas da turma aprendam a mesma coisa.

QTV11/GMA: E a socialização?



JP: A socialização é uma das coisas que os pais que estão considerando o ensino doméstico para os filhos sempre perguntam mas nós que já estamos fazendo a educação domiciliar sabemos que não é um problema. As pessoas geralmente têm uma ideia muito errada da realidade do ensino doméstico - o facto é que o mundo é a nossa sala de aulas. Nós queremos ter a liberdade de educar os nossos filhos da maneira que melhor vai ao encontro dos seus estilos de aprendizagem.

QTV11/GMA: Quem é que não seria um bom candidato ao ensino doméstico? Os que têm pais demasiado ocupados?

JY: Essa é uma pergunta muito interessante. O principal é o nível de dedicação dos pais.

QTV11/GMA: Os pais têm que fazer as coisas em colaboração com os filhos.

JY: Primeiro depende, naturalmente, da idade dos filhos. Se a criança tiver 5 anos os pais estão muito envolvidos. O ensino doméstico é muito flexível e se surgirem problemas há muito material disponível. E todas as coisas são vistas como objectos de aprendizagem. Quer seja uma ida a um museu ou até uma visita a uma escola tradicional, para ver o que as crianças acham, tudo isso também faz parte da aprendizagem. O principal é a atitude dos pais e até que ponto estão dispostos a enfrentar quaisquer dificuldades que possam surgir.

QTV11/GMA: E quando mais tarde se candidatam a um emprego numa empresa, são-lhes dadas as mesmas oportunidades que dão aos que tiveram uma educação tradicional ou será que são vistos com maus olhos?

JY: Partindo do princípio que construiram um bom portfolio e que podem demonstrar o que podem fazer não terão quaisquer problemas.

QTV11/GMA: Então não há discriminação a esse nível. É bom saber que têm as mesmas oportunidades.

Em seguida entrevistam 3 ou 4 jovens que estão a fazer o ensino doméstico mas não percebo nada do que dizem... nada excepto que a Aya Aranas está estudando com a Open University. E a entrevista acaba com uma série de agradecimentos e despedidas.

Links
Philippines Blended Homeschool
Canal YouTube de Kids Ahoy

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Ensino doméstico na India

Em Jaipur, Dr Lalit Kishore escreveu um pequeno artigo sobre o ensino doméstico e como esta modalidade pode trazer bons resultados devido à participação activa dos pais na educação dos filhos. Deixo-vos aqui uma tradução livre:

John Holt é o maior defensor da educação domiciliar e da aprendizagem autónoma (unschooling). O termo homeschooling (ensino doméstico, educação domiciliar, escola em casa) é usado para descrever todas as modalidades e métodos de aprendizagem que não são exercidos em instituições de ensino. Por outras palavras, as crianças recebem, no ambiente familiar, uma educação baseada nos seus interesses, e os pais desempenham um papel activo na promoção de actividades e experiências conducentes à aprendizagem.

Aqueles que preferem esta modalidade alternativa de educação mantêm que no ensino doméstico os pais juntam-se para dar apoio mútuo, aglomerando os seus talentos e recursos num esforço colectivo para alargar o âmbito da educação dos filhos.

Eles proporcionam um espaço onde as crianças e jovens podem aprender hands-on e em grupo, fazendo por exemplo artes cênicas, experiências científicas, projectos, aprendendo línguas estrangeiras, debatendo, etc

Na escola em casa a ênfase não é colocada em livros didáticos ou no ensino formal, preferindo-se aproveitar todas as oportunidades de aprendizagem que vão surgindo naturalmente a partir das actividades diárias.

O unschooling, termo cunhado por John Holt para um tipo de ensino doméstico, é visto por seus defensores como uma abordagem em que os pais-educadores não controlam a educação dos filhos de uma maneira autoritária, preferindo interagir com eles seguindo os interesses da própria criança, deixando-a livre para explorar e aprender guiada por seus interesses.

Os defensores do homeschooling estendem que os pais devem ver o seu papel como o de afirmar através de feedback positivo e modelar as habilidades necessárias, e o papel da criança como sendo responsável por perguntar e aprender. Holt afirmou que as crianças aprendem através das experiências de vida, e incentivou os pais a viverem as suas vidas com os seus filhos.

Nos E.U.A., devido às exigências do ensino superior e integração, são cada vez mais os jovens em regime de ensino doméstico que optam por uma matrícula dupla, obtendo créditos da faculdade através da frequência de aulas no colégio local enquanto ainda se encontram no ensino médio.

Links
Families Learning
Comfort of homeschooling
Unschooling story from Sarita and Ganesh

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Ensino doméstico na Rússia

O regresso ao ensino doméstico é um fenómeno global. Já tenho falado da educação domiciliar em vários países. Hoje é a vez da Rússia.

Encontrei, no Learning Freely Network, a seguinte informação:

Na Rússia, a aprendizagem em casa é legal desde 1992, e não há excepções a essa regra. As autoridades controlam o currículo do ensino doméstico. Na Rússia há um currículum nacional e as crianças educadas em casa devem segui-lo.

As crianças que aprendem desta forma têm que fazer exames anuais em todas as disciplinas. Mas a partir dos 15 anos de idade os jovens são autorizados a frequentar colégios para adultos, onde há menos pressão e onde podem efectivamente faltar às aulas e ser educados em casa.

As autoridades tendem às vezes ultrapassar as suas competências legislativas. Actualmente não há nenhuma iminente mudança legislativa que poderia afectar as famílias que optam pelo ensino em casa. Existe no entanto pressão para mudar a lei.

Podem ler o original, em inglês, aqui.

E neste vídeo podem ouvir Daniel Swart (16) falando sobre a sua experiência do ensino em casa - que no seu caso foi o unschooling - numa conferência em Moscovo. 200 professores foram à conferência aprender sobre esta forma de educação alternativa.


Link: Family Education

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Escola inclusiva ou abusiva?

e o poder da motivação intrínseca...

Portugal e o Brasil estão agora a adoptar o que noutros países já se chegou à conclusão que não passa de uma utopia. No Reino Unido já muitos chegaram à conclusão que o processo de dirigir os alunos especiais para o ensino regular não passa de uma forma de abuso para muitos desses alunos. Scott James, que tem a síndrome de Asperger, é um bom exemplo.

Não sei se em Portugal ou no Brasil existe o programa X Factor ou não mas esta semana Scott, agora com 22 anos, impressionou tanto os juízes que passou à 2ª fase do concurso.



Neste artigo ele partilha a sua experiência de "inclusão". Passo a traduzir um trecho:

O bullying (violência escolar) que sofreu na "escola inclusiva" devido ao seu autismo foi tão severo que passou 7 anos sem sair de casa. Na escola, os colegas davam-lhe chutos e pontapés; ser espancado e insultado era parte da rotina. Os colegas da escola transformaram sua vida num verdadeiro inferno. Scott explica:

"Chamavam-me de retardado e gozavam com o meu jeito de andar e a minha aparência física. Eu tinha peso a mais, usava óculos e andava de uma maneira fora do comum. Relatórios da escola diziam que era como se eu não existisse. Ninguém se sentava ao meu lado. Eu procurava um canto e ali ficava.

Quando o professor não estava a ver, fartavam-se de me atirar coisas para a cabeça - livros, lápis, tudo que conseguissem agarrar. Usavam tudo para me bater e davam-me pontapés. Punham pedaços de papel na boca, cuspiam neles e atiravam-nos através de canetas: eu ficava com a roupa e o cabelo coberto. Um dia resolveram atirar-me para a lagoa por trás da escola. Os professores nem sabiam - ou fingiam não saber - e mesmo se soubessem nada podiam fazer."

Depois de anos de tormento, aos 13 anos, Scott, filho único, decidiu que sua vida era insuportável.

"Já não aguentava mais e cheguei ao ponto em que já não queria viver – cheguei mesmo a esse ponto. Ficava pensando: Que fiz eu para merecer isto? Por que é que me tratam assim tão mal? Viver assim não vale a pena."

Scott começou a baldar-se às aulas e a esconder-se todos os dias no jardim de sua casa. Mais tarde descobriu o talento para o canto que iria mudar sua vida."

Scott James demonstra também a importância da motivação intrínseca e prova que quando alguém tem a oportunidade de seguir os seus verdadeiros interesses é capaz de ultrapassar todos os obstáculos - no caso dele, ultrapassar a fobia adquirida na escola que o levou a passar 7 anos sem sair de casa e cantar para uma audiência de 10 milhões de pessoas.

domingo, 20 de setembro de 2009

O direito dos pais escolherem a educação dos filhos

Trecho de um texto escrito por Mário Pinto, preparado para uma apresentação oral no painel dedicado ao tema: «liberdade de educação ou Estado educador?», incluído no 1º Encontro do Fórum para a Liberdade de Educação.

"Já vimos que a liberdade fundamental de aprender é, sem excepção, liberdade de todos e de cada um (liberdade de acesso a uma educação da livre escolha pessoal e livremente exercitada). Deve contudo notar-se que, no caso das crianças e dos jovens menores, esse seu direito pessoal de liberdade e de escolha é também exercitado pelos pais, por direito próprio e em representação dos menores. O direito de os pais criarem e educarem os seus filhos é um direito natural fundamental, reconhecido pela Declaração Universal dos Direitos do Homem (art. 26º, nº 3: «os pais têm o direito prioritário de escolher a educação para os seus filhos»); e também consagrado pela nossa Constituição (nº 5 do art. 36º: «os pais têm o direito e o dever de educação e manutenção dos filhos»). Mais uma vez se dirá que, também nesta correlação, desproteger ou ofender os direitos de educação dos pais atinge os direitos de liberdade de educação dos filhos.

A natureza prioritária do direito dos pais, constante da Declaração Universal e da Constituição, necessita de ser entre nós sublinhada, porque anda intencionalmente esquecida, e é incluso por vezes negada com base no argumento de que, em matéria de educação escolar, o Estado sabe melhor o que convém aos nossos filhos do que nós próprios.

Note-se que, na Constituição Portuguesa, aquela prioridade se revela patentemente não apenas na disposição citada, mas ainda no número 1 do art. 68º, que diz assim: «os pais e as mães têm direito à protecção da sociedade e do Estado na sua insubstituível acção em relação aos filhos, nomeadamente quanto à sua educação...». Poderá haver dúvidas de que esta prioritária e insubstituível acção dos pais inclui a escolha da educação para os filhos?"

Podem ler o texto completo aqui.

sábado, 19 de setembro de 2009

Suécia continua o ataque à liberdade de educação

Agora que a semana internacional da liberdade de educação está a terminar vou deixar-vos uma estória que demonstra a sua importância. Trata-se da estória de um menino que foi raptado pelo Estado porque os pais queriam educá-lo em casa. Isto num país onde o ensino doméstico é legal e apesar da mãe ser qualificada para dar aulas na universidade. A foto abaixo mostra a mãe e o menino antes do pesadelo ter começado.

Home School Legal Defense Association enviou um pedido formal ao director dos serviços sociais da Suécia e a vários outros funcionários públicos suecos e americanos, para que investigassem o caso de Annie e Christer Johansson.

Christer e Annie Johansson são os pais de Dominic, que foi removido à força pela polícia armada do avião, minutos antes da família levantar vôo para começar vida nova na India, terra natal de Annie.

O presidente da HSLDA expressou sua preocupação e pediu que a criança fosse devolvida à família:

“Se os factos que descrevemos correspondem à verdade, parece-nos que esta família foi sujeita a uma enorme injustiça e que os interesses de Dominic não estão sendo protegidos. Este caso é particularmente alarmante tendo em vista as recentes propostas feitas ao governo suéco relativamente à imposição de severas restrições ao ensino doméstico. (...) Pedimos respeitosamente que reconsiderem e devolvam Dominic à sua família de imediato de modo a não perpetuar o mal que já fizeram aos Johanssons.”

Mats Tunehaga, o Presidente da Swedish Evangelical Alliance, diz num artigo que escreveu para o jornal suéco Varlen Idag que a situação é mais que trágica:

“Christer telefonou-me outra vez hoje de manhã. Estava chorando baixinho, sua dor e desespero eram óbvios. Levaram sua esposa de emergência para o hospital devido à intensidade do trauma. Afinal, o Estado raptou-lhe o filho por quererem educá-lo em casa.”

Ambos pais são cristãos mas foram tratados como terroristas.

“Annie é de uma família indiana cristã e faziam planos de ir para lá viver, trabalhar e educar o filho. Adiaram a viagem devido à intimidação por parte das autoridades suécas, mas em Junho deste ano estavam a caminho, sentados no avião para a India. Foi então que de repente a polícia apareceu dentro do avião—como se fossem prender terroristas perigosos—e levaram Dominic, dizendo que o Estado passaria a cuidar dele. Conseguem imaginar isto?”

O advogado da HSLDA também esteve em contacto com a família:

“Esta total falta de consideração pela integridade da família e pela dignidade humana está se tornando comum em países como a Alemanha e agora, pelos vistos, na Suécia também. O Estado está mais interessado em forçar a uniformidade do que em proteger os direitos humanos e promover o pluralismo. Na Alemanha, os tribunais afirmaram que a educação domiciliar pode criar perigosas sociedades paralelas – uma noção absurda que distorce a noção de pluralismo de uma maneira grotesca.”

O pai, Christer, disse-nos:

“Tanto eu como a minha esposa acreditamos na importância da educação. Somos muito estudiosos. Annie tem qualificações que lhe permitem ensinar ao nível universitário e eu fui professor na comunidade. Dominic é um rapaz muito inteligente e nós fazemos questão de lhe proporcionar uma quantidade enorme de materiais que vão ao encontro dos seus interesses. Começámos a educá-lo formalmente quando ele tinha 6 anos.”

Vários têm observado que este tipo de ataque às famílias que educam os filhos em casa parece estar aumentando na Europa.

“O caso dos Johanssons pode ser a primeira tentativa de expandir este tipo de repressão a outro país europeu – em nome da uniformidade e conformismo. O monstro não está erguendo sua cabeça apenas Suécia mas também noutros sítios, including o Reino Unido, França, Bélgica e Suiça, onde existem tentativas de impôr restrições adicionais ao ensino doméstico.”

Parece que o parlamento suéco está seguindo o exemplo da Alemanha, onde a educação domiciliar é ilegal desde os tempos de Hitler.

ROHUS, a associação do ensino doméstico na Suécia, tem vindo a expressar sua preocupação em relação às propostas de lei que poderão restringir gravemente o direito que os pais têm de educar os filhos em casa.

De acordo com o site da ROHUS, a nova lei só permitirá a educação domiciliar em “circunstâncias extraordinárias”, eliminando efectivamente o ensino doméstico na Suécia e resultando em condições semelhantes às que os pais-educadores enfrentam na Alemanha."

Durante o World Congress of Families, Michael Farris, fundador da HSLDA e presidente de Parental Rights, concordou:

“Qualquer nação que limite o direito que os pais têm de escolher formas alternativas de educação - incluindo a educação em família -, em nome da criação da uniformidade nacional, não pode apresentar-se como uma nação livre. A liberdade requer necessariamente que o indivíduo tenha a liberdade de pensar de maneira diferente do que os programas instituidos pelos seus governantes. A liberdade de educação é absolutamente essencial para a liberdade de pensamento e consciência.”

O presidente de Advocates International, uma rede internacional de advogados que promovem os direitos humanos, a santidade da vida humana e a liberdade religiosa, consideram que este é um caso de rapto pelo Estado.

“Isto é um caso de vingança por parte do Estado que, com os seus “assistentes” sociais, tem o poder de violar completamente o direito mais fundamental – dos pais cuidarem dos seus filhos.”

Leiam mais aqui e aqui, porque a tradução é apenas parcial. E para acabar, este vídeo da ROHUS mostra como celebraram o dia internacional da liberdade de educação em 2008.


sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Piqueniques para festejar o não regresso às aulas

Aqui no Reino Unido a semana internacional da liberdade de educação continua. Como já vos tinha dito, aqui e aqui, as famílias que educam os filhos em casa resolveram celebrar a liberdade de aprender com uma série de piqueniques por todo o país. Hoje encontrei 3 vídeos que resolvi partilhar. O primeiro é uma reportagem. Mas antes, a introdução:

As famílias que fazem o ensino doméstico em Southampton organisaram um piquenique para festejar o não-regresso à escola. O evento, um entre aproximadamente 40 espalhados por todo o país, é parte de uma campanha para informar o público sobre a educação domiciliar, uma alternativa à escola que é legal, viável e fascinante.

A campanha surgiu como resposta ao controverso relatório escrito por Graham Badman após a sua revisão do ensino doméstico. Insinuando que as crianças educadas em casa estão escondidas e vivem à margem da sociedade, Badman recomenda que o governo deve dar às autarquias locais poderes adicionais de monitorização, controlo e inspecção das famílias que optam por esta forma alternativa de educação, incluindo o direito de entrar em suas casas e questionar as crianças na ausência dos pais - apesar da polícia e dos serviços sociais não terem esse direito sem a obtenção da autorização do tribunal e apenas quando têm suspeitas sérias e justificadas.

Os pais educadores opõem-se a estas propostas: a revisão não encontrou quaisquer provas de que o ensino doméstico possa ser um factor em casos de abuso infantil, e um estudo conduzido por Paula Rothermel em 2002 concluiu que as crianças e jovens educados em casa no Reino Unido obtêm médias significativamente mais altas em literacia e numeracia do que a média nacional e que são socialmente competentes.

SEEDS, o grupo do ensino doméstico de Southampton, existe há 5 anos e tem actualmente 44 famílias. O grupo organisa um programa de actividades educacionais e excursões / visitas de estudo. No Reino Unido, estima-se que mais de 100 000 crianças são educadas fora do sistema escolar, seja de uma forma estruturada do tipo escola em casa, ou seguindo uma abordagem mais livre e autónoma.



Repórter: Em Southampton, crianças e jovens educados em casa estão celebrando o não regresso à escola. O evento faz parte de uma campanha nacional organisada por pais-educadores, que estão preocupados com a revisão do ensino doméstico. O autor, Mr Badman, apresentou as suas "descobertas" ao governo e os pais estão preocupados com a possibilidade das autarquias locais adquirirem o direito de inspeccionar os filhos.

Rachel, mãe-educadora: As autarquias locais podem obter o direito de entrar nas nossas casas sem a nossa permissão e entrevistar os nossos filhos sem a nossa presença. Nem a polícia tem esse direito! Se existirem suspeitas de maus tratos, todos sabemos que já existem processos para o efeito de proteção de menores; e também já temos mecanismos de proteção para crianças em casos de suspeita de que elas não estão recebendo uma educação adequada.

Repórter: Pais-educadores afirmam que as crianças educadas em família têm tanta interacção social quanto as que frequentam a escola e que estão atingindo médias significativamente mais altas do que a média nacional em literacia e numeracia. Em Southampton, os pais estabeleceram o seu próprio grupo de apoio.

Andy, pai-educador: A ideia que muitas pessoas fazem do ensino doméstico é de miúdos fechados em casa sentados à secretária rodeados de livros mas a realidade é que eles passam bastante tempo fora de casa. Têm aulas de música em grupo, jogam futebol juntos, têm todos esses aspectos sociais...

Repórter: Estes pais educadores pedem ao público para apoiar a sua campanha.


E para acabar, o piquenique em Reading



e o encontro em Sheffield.


E se quiserem, podem ver fotos aqui.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Não ao ensino forçado, sim à liberdade de educação

COMBATE AO ENSINO FORÇADO!

Todos os anos, quantidades desconhecidas de crianças e jovens de ambos os sexos são forçados a ir para a escola contra sua vontade, muito frequentemente através do uso de violência, coersão e/ou chantagem emocional. E estes dados são apenas a ponta do iceberg. A presidente da Fundação Aprender em Liberdade (FAL), Paula Peck, considera que a extensão do problema é "enorme".

Ao contrário da escolaridade arranjada, em que tanto pais como filhos consentem de livre vontade ou, em muitos casos, se resignam à frequência escolar (apesar de frequentemente não terem liberdade de escolher a escola uma vez que esse poder é geralmente detentido pelas autarquias locais), a escolaridade forçada não dá aos pais nem aos filhos qualquer escolha.

Se suspeitarem que alguma criança ou jovem está sendo forçada a frequentar a escola contra sua vontade, aqui ou no estrangeiro, contactem a Fundação Aprender em Liberdade, que ajuda as vítimas dessa prática ilegal no país que tanto sofrem física e psicologicamente.

NÃO À ESCOLARIDADE FORÇADA!

Como exemplo, só na Inglaterra, todas as semanas 450,000 crianças são vítimas de violência escolar; e todos os anos: mais de 360,000 crianças sofrem acidentes na escola; pelo menos 16 crianças se suicidam para escapar ao ensino forçado; aproximadamente 1 milhão de crianças tentam-se proteger através do absentismo escolar; mais de 1 em cada 6 jovens deixam a escola sem saber ler, escrever ou adicionar - mas muitas vezes traumatizados para o resto de suas vidas.

NÃO AO ENSINO FORÇADO! SIM À LIBERDADE DE APRENDER!

§ Nota:
não sei quem criou o poster, mas sei que foi criado como resposta às insinuações feitas pelo governo britânico - que precisa de um pretexto para modificar a lei existente de modo a poder controlar a educação das crianças e jovens educados em casa -, de que o ensino doméstico podia ser usado por algumas famílias para esconder, entre uma série de outros abusos e atrocidades, trabalho forçado e casamentos forçados.

Entre outras coisas, o governo quer ter o direito de entrar nas casas das famílias que optam pela educação domiciliar e interrogar os filhos num quarto sem a presença dos pais os adultos de confiança. Isto apesar do artigo 12º da Declaração Universal dos Direitos do Homem afirmar que "ninguém sofrerá intromissões arbitrárias na sua vida privada, na sua família, no seu domicílio ou na sua correspondência, nem ataques à sua honra e reputação", e do artigo 26.3 afirmar que "aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos."

Celebração do não-regresso à escola

Aqui está o artigo que saiu hoje no jornal sobre o evento de ontem:

As famílias de Bristol que educam os filhos em casa reuniram-se ontem de manhã para um piquenique como parte de uma campanha nacional para informar o público sobre a aprendizagem em casa.

No piquenique para celebrar o não-regresso à escola, um entre vários organizados por todo o país, o objectivo era tanto passar a mensagem como o entretenimento - com as crianças correndo e soprando bolhinhas de sabão pelo parque.

Mãe de 2 filhos, Anita MacCullum, 35, disse:

"Tive inúmeras razões para optar pelo ensino doméstico; para nós foi definitivamente a escolha certa. Nós fazemos parte da comunidade, temos muito apoio e encontramo-nos frequentemente para participar em actividades de grupo. Nós vemos a educação como um processo constante de aprendizagem, e não como algo que só acontece quando estamos sentados nas aulas."

Holly Crossland, 25, estava no piquenique com a filha Isis, de 7 anos de idade. Holly, que vive sozinha com a filha, disse:

"As pessoas dizem que as crianças educadas em casa não têm a oportunidade de socializar, mas a Isis está-se divertindo imenso, brincando com todas estas crianças e pessoas de todas as idades.

As palavras “casa”, “doméstico” ou “domiciliar” são bastante enganadoras porque a casa é o lugar onde passamos menos tempo, uma vez que estamos muito com outras famílias e grupos. Quando chegou a altura em que eu podia ter enviado Isis para a escola, não me pareceu que isso fosse o melhor quando eu trabalho com crianças todos os dias."

George MacGregor, 14, foi educado em casa a maior parte da sua vida. Ele disse:

"Eu convivo com muitas pessoas de todas as idades - inclusive algumas que andam na escola. Eu gosto de aprender em casa, mas exige muita auto-motivação da minha parte e da dos meus pais."

Original aqui. Mais notícias sobre a celebração da liberdade de educação no Reino Unido aqui.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Liberdade de aprender... fora da escola

Esta semana, por todo o Reino Unido, as famílias que educam os filhos em casa resolveram celebrar o Dia Internacional da Liberdade de Educação com piqueniques, todos eles em zonas centrais de mais de 40 cidades.

Até produziram folhetos informativos, como este. As fotos que se seguem foram tiradas esta manhã, no piquenique aqui em Bristol. Infelizmente não tirei nenhuma foto que mostre a quantidade de famílias, crianças e jovens que participaram, mas podem dar uma olhada aqui, no artigo que saiu no jornal, embora o tamanho seja pequeno.

Tive a oportunidade de me encontrar com a Anita, que vêem aqui toda concentrada a ensinar a usar a máquina fotográfica. O filho dela tem a síndrome de Asperger e para ele a escola seria um verdadeiro pesadelo. Conhecia-a há uns 12 anos, quando ela estava a acabar o curso de community arts, o que me faz lembrar o bate papo de ontem, pois às tantas reparámos que a maioria entre nós estava envolvida numa forma de arte ou outra...

O resto deste post vai ser a tradução da parte de trás do folheto informativo. Aqui vai:

Um piquenique é muito diferente de uma refeição formal com seu menu limitado e toda gente sentada à mesa. Nos piqueniques, as crianças e os jovens escolhem o que querem comer e em que sequência, correndo e brincando entre mordidelas - e geralmente a comida, por ser comida ao ar livre desta maneira, parece ter um sabor muito melhor.

A educação em família é muito diferente da escola pois as crianças e os adolescentes podem aprender de uma maneira menos formal. Às vezes resolvem ir para aqui e acolá - a museus, reservas naturais, ir ler para o parque - outras vezes preferem ver um DVD e ter a oportunidade de fazer uma série de perguntas aos pais sobre o que viram. Noutras ocasiões querem aprender com as mãos na massa, fazendo algo ou participando activamente em vários projectos.

Todas estas abordagens funcionam muito bem quando as crianças têm liberdade para escolher o que querem aprender e como querem aprender. Quando têm a liberdade de aprender desta forma elas tendem a aprender depressa e com prazer.

Algumas perguntas comuns sobre o ensino doméstico:

A lei permite?
Sim. Na lei inglesa, os pais são os responsáveis por assegurar a educação dos filhos, na escola ou de outra forma.

[para a lei portuguesa cliquem aqui; para um estudo sobre o direito ao ensino em casa no Brasil cliquem aqui]

E a socialização? Muitas crianças e jovens que fazem a transferência da escola para a educação domiciliar descobrem que a sua vida social e competências sociais desenvolvem-se melhor e mais naturalmente do que quando passavam a maior parte dos dias sentados numa sala com 30 miúdos da mesma idade. As crianças e jovens educados em casa dão-se e encontram-se com pessoas de todas as idades onde quer que vão. Muitas áreas têm grupos onde se podem encontrar para brincar. Além disso, reunem-se em casa umas das outras, juntam-se para dar passeios e fazer "visitas de estudo", e participam em grupos como os escuteiros, as guias, clubes desportivos, clubes de teatro, etc.

Mas os pais têm que ser professores, não? Não, não têm. Os professores precisam de formação para educar de uma forma específica grandes grupos de crianças. Em casa, se uma criança fizer uma pergunta e os pais não souberem a resposta, os pais podem não só mostrar como é que ela pode descobrir a resposta - usando a internet, por exemplo.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Liberdade da Educação - o que diz a lei

Ao lerem os seguintes excertos, pensem no ensino doméstico...

Constituição da República Portuguesa
Artigo 9.º: São tarefas fundamentais do Estado:
b) Garantir os direitos e liberdades fundamentais;

Artigo 16.2. Os preceitos constitucionais e legais relativos aos direitos fundamentais devem ser interpretados e integrados de harmonia com a Declaração Universal dos Direitos do Homem.

[O Artigo 26.º.3 da Declaração Universal dos Direitos do Homem afirma que "aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o género de educação a dar aos filhos."]

Artigo 43.º - Liberdade de aprender e ensinar
1. É garantida a liberdade de aprender e ensinar.
2. O Estado não pode programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas.
3. O ensino público não será confessional.
4. É garantido o direito de criação de escolas particulares e cooperativas.


Lei n.º 65/79 de 4 de Outubro - Liberdade do ensino

ARTIGO 1.º A liberdade do ensino compreende a liberdade de aprender e de ensinar consagrada na Constituição, é expressão da liberdade da pessoa humana e implica que o Estado, no exercício das suas funções educativas, respeite os direitos dos pais de assegurarem a educação e o ensino dos seus filhos em conformidade com as suas convicções.

ARTIGO 2.º A liberdade do ensino exerce-se nos termos da Constituição e da lei e traduz-se, designadamente, por: a) Não poder o Estado atribuir-se o direito de programar a educação e a cultura segundo quaisquer directrizes filosóficas, estéticas, políticas, ideológicas ou religiosas


LEI N.º 9/79 de 19 de Março

ARTIGO 1.º
1 - É direito fundamental de todo o cidadão o pleno desenvolvimento da sua personalidade, aptidões e potencialidades, nomeadamente através da garantia do acesso à educação e à cultura e do exercício da liberdade de aprender e de ensinar.
2 - Ao Estado incumbe criar condições que possibilitem o acesso de todos à educação e à cultura e que permitam igualdade de oportunidades no exercício da livre escolha entre pluralidade de opções de vias educativas e de condições de ensino.
3 - É reconhecida aos pais a prioridade na escolha do processo educativo e de ensino para os seus filhos.


Decreto-Lei n.º 553/80 de 21 de Nov
Introdução: As Leis nº 9/79, de 19 de Março, e 65/79, de 4 de Outubro, reconhecem aos pais a prioridade na escolha do processo educativo e de ensino para os seus filhos, em conformidade com as suas convicções. Do mesmo passo, cometem ao Estado a obrigação de assegurar a igualdade de oportunidades no exercício da livre escolha entre pluralidade de opções de vias educativas e de condições de ensino. Deu-se, assim, plena expressão aos preceitos constitucionais que consagram a liberdade de aprender e de ensinar (artigo 43.º) e o papel essencial da família no processo educativo dos filhos (artigo 67.º) ...

1 - O Estado reconhece a liberdade de aprender e de ensinar, incluindo o direito dos pais à escolha e à orientação do processo educativo dos filhos.

Por onde andámos...

Há uns dias atrás fomos até Clevedon,

e resolvemos entrar no Heritage Centre

para ver a exibição de arte.

A foto acima foi tirada no "museu", antes de irmos para o café

beber hot chocolate com toasted teacakes...

E para acabar, uma foto que tirámos no parque,

especialmente para o Alexandre, que adora comboios!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Ensino doméstico não é absentismo escolar

Reforma educacional na Andaluzia?

A Associação para a Livre Educação (ALE), recusa a equiparação feita pela Junta Andaluza entre o absentismo escolar e o ensino doméstico, e defende a liberdade educativa e os direitos dos pais, que têm a prioridade de escolha do género de educação a dar aos filhos.

ALE demonstrou surpresa pelo facto de que apenas três dias após a aprovação da Lei da Educação Catalã (LEC), a Comunidade Autónoma da Andaluzia publicou um escrito equiparando o absentismo escolar à educação domiciliar, “quando na LEC - artigo 55.7 e disposição 17 - a educação não presencial é equiparada à presencial em todas as fases e ciclos educativos".

"Perante as directrizes desta circular do Ministério da Educação não podemos deixar de mostrar surpresa, e o mais surpreendente é que esta directriz vem da Direcção de Participação e Inovação Educativa. Que inovação é esta? Nenhuma. Andaluzia não só não está inovando, como está interpretando de maneira errada a Constituição Espanhola em seu artigo 27 nº s 1 e 3, para não falar de outros. Entendemos que a aplicação das leis do absentismo escolar na educação em casa é uma perversão do sistema legislativo e uma fraude da lei, já que se aplica a uma suposição de facto uma consequência jurídica que não havia sido prevista para tal", disse Azucena Caballero, presidente da ALE.

Nas palavras da presidente da ALE,

"O absentismo escolar pressupõe um desamparo, enquanto que a educação em família (home education e homeschooling na Europa e resto do mundo) supõe um acto responsável e consciente, em que se cuida dos filhos em todos os aspectos de sua formação, acadêmico, emocional, psicológico, físico e social. Um facto que já foi esclarecido em inúmeras ocasiões no Estado, e concretamente em Andaluzia, tanto por juízes e procuradores, é que na educação domiciliar não existe abandono, existe sim a garantia do bem-estar da criança ou educando."

É por isso que a ALE convidou a directora de Inovação Educativa para uma reunião com representantes da associação, para poder ver por si mesma que o ensino doméstico não tem nada a ver com o absentismo escolar. Neste sentido, lembram-nos que o Provedor de Justiça de Andaluzia já demonstrou publicamente o seu apoio às famílias que educam os filhos na comunidade:

"O ensino doméstico não é um caso de absentismo escolar mas sim de uma educação alternativa. Então, acho que aqui a aplicação da Lei do Menor está fora de lugar e estou convencido de que, se forem a tribunal ou houver quaisquer demandas no âmbito jurídico, o provável é que os pais ou tutores ganhem sempre. Porque o que a Constituição diz é que as crianças precisam de ser educadas. A escolaridade já se fala no que é o desenvolvimento da Constituição, que é a lei, digamos, sobre a educação. Por isso, e mesmo correndo o risco de ser cansativo, devo dizer que estas situações devem ser abordadas do ponto de vista da lei, para que os pais estejam tranquilos.

E também no seu relatório dirigido ao Parlamento Andaluz (BOPA n º 468):

"Se observarmos os países que nos rodeiam, e vislumbrarmos o futuro com uma certa perspectiva, nos daremos conta que não podemos continuar a apostar num único modelo de ensino, concebido como algo único e exclusivo que condene sem paliativos à ilegalidade ou inclusivé criminalize todo aquele que opte por modelos educativos alternativos."

Por seu lado, Juan Lopez Martinez, director-adjunto para Assuntos Acadêmicos, disse:

"Os pais e mães que optam pelo ensino doméstico manifestam uma posição favorável à lei no sentido de que eles percebem que a lei é baseada no princípio de atenção à diversidade e nós acreditamos que numa sociedade heterogênea e complexa como a actual, as leis educativas devem centrar-se na resolução destes problemas sem fórmulas rígidas, tendo em conta a diversidade própria da sociedade."

É por esta razão que o desejo da ALE é "que a directora entenda que se os países mais avançados da Europa e do mundo em geral, reconhecem este tipo de educação é porque comprovaram que ela oferece bons resultados. Nós queremos inovação na Andaluzia, mas inovação a sério, como está fazendo a Catalunha, e que na Espanha não possam haver cidadãos de primeira e de segunda em função da comunidade em que residem", concluiu Caballero.

Original aqui.

domingo, 13 de setembro de 2009

Dia Internacional da Liberdade de Educação

Esta é a 1ª vez que Portugal vai participar neste evento global. Juntem-se a nós, aqui, para um bate papo online como celebração do Dia Internacional da Liberdade na Educação, na terça feira dia 15 de Setembro às 15:00 hrs.

Em Portugal praticamente ninguém está a par do ensino doméstico e no Brasil as famílias que optam pela educação domiciliar correm o risco de ser perseguidas pela justiça.

Para demonstrar o nosso apoio à diversidade educacional e à liberdade na educação, nós criámos uma rede social para as famílias que decidem educar os filhos fora do sistema escolar e organizámos um bate papo sobre o tema.

Quer estejas pensando no ensino doméstico para a tua família, tenhas ouvido falar das ameaças à liberdade educacional ou queiras saber o que leva cada vez mais famílias a escolher alternativas à escola, serás mais que bem vindo.

Como as escolas destroem a criatividade

Era uma vez um menino pequenino e uma escola muito grande. Quando o menino descobriu que podia entrar para a sala de aulas directo da rua, ficou feliz. A escola deixou de parecer tão grande.

Uma manhã, quando o menino já andava na escola há uns tempos, a professora disse:

"Hoje vamos fazer um desenho".

"Que bom!", pensou o menino.

Ele gostava de desenhar. Sabia fazer leões e tigres, galinhas e vacas, comboios e barcos - mas a professora disse:

"Esperem! Ainda não está na hora de começar!"

O menino esperou até que todos estivessem prontos.

"Agora", disse a professora, "agora já podem fazer flores".

"Que bom!", pensou o menino, que gostava de fazer flores. Ele tirou os lápis de cera do seu estojo. Escolheu o cor de rosa, cor de laranja e o azul. E começou a desenhar.

Mas a professora disse: "Esperem! Vou mostrar-vos como".

E ela desenhou uma flor no quadro. Era vermelha, com um caule verde.

"Façam assim", disse a professora. "Agora podem começar".

O garotinho olhou para a flor da professora. Depois olhou para a flor que tinha feito. Gostava mais da sua flor do que da flor da professora, mas não disse nada. Em silêncio, virou a folha de papel e fez uma flor como a da professora, vermelha, com um caule verde.

Noutro dia, a professora disse:

"Hoje vamos trabalhar com argila".

"Que bom!", pensou o menino. Ele gostava de argila e sabia fazer muitas coisas com argila: cobras e bonecos de neve, elefantes e ratos, carros e caminhões - contente, começou a trabalhar a bola de argila.

Mas a professora disse:

"Esperem! Não está na hora de começar!"

E o menino esperou até que todos estivessem prontos.

"Agora", disse a professora, "Vamos fazer um prato".

"Que bom!", pensou o menino, que gostava de fazer pratos, e começou a fazer pratos de todas as formas e tamanhos.

Mas a professora disse:

"Esperem! Vou mostrar-vos como".

A professora mostrou como fazer um prato fundo.

"Façam assim", disse a professora, "Agora podem começar".

O menino olhou para o prato da professora. Depois olhou para os seus. Gostava mais dos seus pratos do que do prato da professora, mas não disse nada. Em silêncio, enrolou a argila numa grande bola e fez um prato como o da professora, um prato fundo.

O menino aprendeu a esperar, a prestar atenção e a fazer as coisas como a professora dizia. Depressa deixou de fazer as coisas à sua maneira.

O tempo foi passando e um dia o menino e a sua família mudaram de casa e foram viver para outra cidade. O menino teve que ir para outra escola.

Esta escola era ainda maior do que a outra, e não podia entrar da rua directamente para a sala de aulas. Tinha que subir uns degraus enormes e descer um grande corredor para chegar à sala.

No primeiro dia de aulas, a professora disse:

"Hoje vamos fazer um desenho".

"Que bom!", pensou o garotinho, e ficou à espera que a professora lhe dissesse o que fazer. Mas a professora não disse nada. Apenas caminhava à volta da sala.

Quando passou pelo menino, ela perguntou: "Não gostas de desenhar?"

"Sim", respondeu o menino. "Mas o que devo desenhar?"

"Não sei, tu é que tens que decidir que desenho queres fazer", disse a professora.

"Como devo fazê-lo?", perguntou o menino.

"Ora, como preferires', disse a professora.

"E de qualquer cor?", perguntou o menino.

"De qualquer cor", disse a professora, "Se todos fizessem o mesmo desenho e usassem as mesmas cores, como é que eu saberia quem fez o quê?"

"Eu não sei", disse o menino.

Enquanto os outros desenhavam flores cor-de-rosa, cor de laranja e azuis, o menino, em silêncio, desenhou uma flor vermelha, com um caule verde.

sábado, 12 de setembro de 2009

Entrevista sobre o ensino doméstico

Introdução: Agora que estamos na altura do regresso às aulas, o que é que se passa com os miúdos que não aprendem na escola? A nossa repórter entrevista duas famílias que optaram pelo ensino doméstico.

Mãe1: O meu filho Martin, por ser diferente - ele tem a síndrome de Asperger -, foi vítima de um bullying muito severo. Nós estávamos desesperados. Não sabíamos que a educação domiciliar existia, não fazíamos ideia que a lei permitia a escola em casa, pensávamos que as únicas pessoas que tinham aulas em casa eram os que tinham sido excluidos da escola. Mas 20 minutos depois de termos descoberto que o ensino doméstico é admitido na lei já tinhamos escrito a carta para cancelar a matrícula. A escola não estava aberta por isso tivemos de esperar 2 dias para entregar a carta. Educamos em casa desde então.

Repórter: E dá resultado?

Mãe1: Ah, sim, os resultados são óptimos! Nós somos uma das poucas pessoas que pode provar que o ensino doméstico resulta porque devido aos problemas do meu filho ele tem sido acompanhado e avaliado com regularidade ao longo dos anos e deu um pulo enorme nestes 18 meses em que aprende em casa.

Repórter: Vocês também optaram por educar as vossas 2 filhas.

Mãe2: Para nós, foi pensar em todas as oportunidades que seriam perdidas a não ser que as educássemos fora do sistema. Fazíamos vida de cidade e mudámos para o campo para praticar agricultura; pensar nelas saindo de casa às 7 hrs da manhã e regressando às 7hrs da noite, sem verem os animais a nascer... não, nós queríamos que elas tivessem a oportunidade de aprender na natureza.

Repórter: Vamos ver o que elas pensam. Andávas na escola e agora aprendes em casa. O que preferes?

Filha1: Prefiro o ensino doméstico porque na escola somos obrigados a fazer coisas em que não estamos interessados e quando aprendemos em casa podemos escolher aquilo que aprendemos e é muito mais flexível.

Repórter: E não tens que usar um uniforme. Acho que disso eu iria gostar.

Filha1: Pois é, posso vestir o que quiser, mas acho que a minha mãe não me deixaria andar de pijamas o dia inteiro...

Repórter: E não tens saudades de fofocar com as amigas?

Filha2: Na escola não me incluiam nos grupinhos porque eu sou do tipo que prefere estar sozinha, por isso prefiro o ensino doméstico muito mais. Agora o uniforme é o nosso sorriso constante.

Repórter: Lembro-me que nós falávamos mal dos professores. Em casa como é? Se os pais são os vossos professores vocês têm discussões?

Mãe2: Não. Há ocasiões em que lhes digo: "OK, meninas, vamos ler ou estudar matemática", e elas respondem "Oh mãe, mas eu quero fazer isto." Mas é só por 1 ou 2 horas. Se calculares o tempo que as crianças passam na escola sentadas numa secretária aprendendo a sério, são 2 ou 3 hrs por dia. E desse tempo, quanto é passado um-a-um? Dez minutos por dia? Se calhar nem tanto! O ensino doméstico dá-lhes tempo para aprenderem sobre a vida, a vida real, para falarem com pessoas de verdade, em vez de estarem fechadas com 30 e tal crianças da mesma idade fazendo exactamente as mesmas coisas.

Podem ouvir esta entrevista, em inglês, no programa de Nathan Turbey (BBC Hereford & Worcester) aqui - têm que andar para a frente, a entrevista está nos últimos 6 minutos do programa.

Unschooling: o mundo inteiro é a sala de aula

O unschooling, que é uma das abordagens do ensino doméstico, incorpora todas as facetas da vida no processo de aprendizagem, dando às crianças e jovens a oportunidade de seguir as suas paixões e aprender no seu próprio ritmo, durante o ano todo. E parte do princípio que um passeio no parque pode ser um recurso educativo tão valioso como estudar livros que ensinam o alfabeto.

"O interesse no unschooling escalou rapidamente", disse Pat Farenga, presidente da Holt Associates, uma organização que continua o trabalho de John Holt.

Podem ler o artigo, em inglês, aqui.

sexta-feira, 11 de setembro de 2009

Que tipo de pessoas opta pelo ensino doméstico?

Paula Rothermel, Faculdade de Educação da Universidade de Durham, Reino Unido

Os pais que educam os filhos em casa são frequentemente estereotipados por profissionais “preocupados” e por outros que fazem suas afirmações com base em crenças e não nos resultados das várias pesquisas que já foram feitas sobre o ensino doméstico. Características como excêntrico, arrogante, ignorante, de classe média e hippy são frequentemente associadas aos pais que educam os filhos em casa. Estão também, e cada vez mais, sendo representados como um potencial perigo para seus filhos, tanto a nível emocional como físico, ao ponto de ter sido sugerido que se deva vigiá-los. Isso leva à questão: que tipo de pessoas opta pelo ensino doméstico?

Este estudo explora a possibilidade de classificar os pais que escolhem a educação domiciliar consoante os seus motivos, usando categorias definidas por pesquisas anteriores. O documento conclui que, no contexto do Reino Unido, essas classificações são simplistas e enganosas. Uma abordagem diferente é proposta, a de definir os pais-educadores por estratos; primeiro, como um grupo superficialmente homogéneo, segundo, como diversos grupos, terceiro, como famílias, e quarto, como indivíduos. Esta abordagem por estratos ajuda-nos a compreender o aumento da quantidade de famílias que estão optando pelo ensino doméstico e a sua visibilidade crescente como um verdadeiro movimento. Embora possa parecer que os pais-educadores estejam beneficiando destes factores, estes poderão ser também o que está causando sua "problematização" por parte de “professionais” e do governo, com o consequente aumento de restrições e controles legislativos.

Keywords: ensino doméstico, aprendizagem centrada na criança, estilo de vida, parentalidade

Podem ler este estudo, em inglês, aqui.

Educação Democrática, em casa!

Como seria a Educação Democrática no ensino doméstico?

Pais e filhos têm igual voto nas decisões sobre a aprendizagem e vida social.

Na escola democrática em casa - escola no sentido original de ‘descanso, repouso, lazer, tempo livre; lugar de aprendizagem; ocupação de um homem com ócio, livre do trabalho servil, ocupação voluntária de quem, por ser livre, não é obrigado a’ -, as crianças e jovens têm o direito de:

decidir o que aprender, como aprender, quando aprender, onde aprender e com quem aprender

ter igual participação na tomada de decisões sobre a forma como a casa-escola é administrada e sobre a necessidade de regras e sanções e, caso estas forem consideradas necessárias, na sua escolha.

Definições:

A educação democrática é baseada no respeito, tolerância e amor.

Na educação domiciliar democrática pais e filhos trabalham juntos como iguais.

A educação democrática em família decorre de um diálogo livre e expressivo entre pais e filhos, sem regras, sem convenções, apenas honestidade e franqueza.

A educação democrática é aquela em que os filhos são participantes livres da escola em casa, tomando responsibilidade pelas suas vidas educacionais, e participando, ou podendo participar, directa ou indirectamente, na tomada de decisões que lhes afectam e a toda a família.

Adaptado daqui.

Toxic Schooling - Toxicidade Escolar

Educational Heretics Press anuncia seu título mais recente:

Toxic Schooling: How Schools Became Worse, por Dr. Clive Harber, professor de Educação Internacional na Universidade de Birmingham e autor do aclamado livro Schooling as Violence.

Todas as escolas que seguem o modelo da compulsão são tóxicas, mas será que umas são mais tóxicas do que outras?

A democracia não é algo genético, é um comportamento aprendido. Não há nada nos nossos genes programando-nos como democratas ou ditadores à nascença. Assim, a educação deve ter uma ideia clara do tipo de pessoa democrática que gostaria de cultivar. Para que a educação, seja ela em escolas ou não, seja coerente com os ideais democráticos, ela precisa afastar-se das características negativas que dominam o ensino formal.

O desconforto em relação à escolaridade obrigatória não é recente. Bertrand Russell, escrevendo em 1926, observou que "estamos enfrentando o facto paradoxal de que a educação tornou-se um dos principais obstáculos à inteligência e à liberdade de pensamento".

No final do século XIX e início do século XX, várias pessoas envolvidas no campo da educação - Edmond Holmes, ASNeill, Rudolf Steiner, Margaret McMillan, Charlotte Mason, Susan Isaacs e Bertrand Russell - criticaram o sistema e sugeriram alternativas mais personalizadas, democráticas e humanas.

Nas décadas de 1960 e 1970, uma vez mais, vários escritores recomeçaram a questionar e criticar a relevância e a benevolência da escolaridade obrigatória. Este livro examina as principais ideias de uma dúzia de textos essenciais sobre o tema, a natureza do sistema de ensino actual e como este piorou devido à recusa de assimilar essas novas ideias. O livro conclui com o que precisa ser feito para reverter os efeitos tóxicos da escolaridade.

Índice
Introdução
Capítulo 1 A escola que eu queria - Edward Blishen
Capítulo 2 Pedagogia do Oprimido - Paulo Freire
Capítulo 3 Deseducação Obrigatória - Paul Goodman
Capítulo 4 Juventude Atraiçoada- James Hemming
Capítulo 5 Como as crianças fracassam – John Holt
Capítulo 6 Sociedade sem escolas – Ivan Illich
Capítulo 7 A Vida nas Salas de Aula - Philip Jackson
Capítulo 8 Educação e Êxtase - George Leonard
Capítulo 9 Livrinho vermelho da escola - Hansen e Jensen
Capítulo 10 Educação para a auto-suficiência - Julius Nyerere
Capítulo 11 Ensino Subversivo - Postman e Weingartner
Capítulo 12 A Escola está Morta - Everett Reimer
Capítulo 13 Liberdade para Aprender - Carl Rogers
Capítulo 14 Principais criticismos
Capítulo 15 A Escola de Hoje - A Mesma Coisa?
Capítulo 16 A Escola de Hoje - Piorando as coisas
Capítulo 17 O que fazer?
Referências
Leitura adicional

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Distúrbios de Aprendizagem

Uma Rosa com Outro Nome, por Jan Hunt, Psicóloga e Directora do "The Natural Child Project"

Imagine por um instante que está visitando um viveiro de plantas. Você percebe uma agitação lá fora, vai investigar e encontra um jovem assistente lutando contra uma roseira, tentado forçar as pétalas da rosa a se abrirem, e resmungando insatisfeito. Você lhe pergunta o quê está fazendo e ele explica: "meu chefe quer que todas estas rosas floresçam nesta semana, então na semana passada eu cortei todas as precoces e hoje estou abrindo as atrasadas". Você protesta dizendo que cada rosa floresce a seu tempo, que é absurdo tentar retardar ou apressar esse processo, que não importa quando a rosa vai desabrochar pois as rosas desabrocham sempre no momento mais oportuno para elas. Você olha novamente para a rosa e vê que ela está murchando, mas quando você o alerta, ele responde: "Ah, isso é mau, ela tem um problema de desabrochamento congênito. Vamos ter que chamar um especialista". Você diz: "Não, não! Foi você quem fez a rosa murchar! Você só precisaria satisfazer as exigências de água e luz da planta e deixar o resto por conta da natureza!" Você mal consegue acreditar no que está acontecendo. Por quê o chefe dele é tão mal informado e tem expectativas tão irreais em relação às rosas?

Essa cena nunca teria se passado num viveiro, é claro, mas acontece todos os dias nas nossas escolas. Professores pressionados por seus chefes seguem calendários oficiais que exigem que todas as crianças aprendam no mesmo ritmo e da mesma maneira. No entanto, as crianças não diferem das rosas em seu desenvolvimento: elas nascem com a capacidade e o desejo de aprender, e aprendem em ritmos diferentes e de modos diferentes. Se formos capazes de satisfazer suas necessidades, proporcionar um ambiente seguro e propício e evitar nos intrometer com dúvidas, ansiedades e calendários arbitrários, aí então - como as rosas - as crianças irão desabrochar cada uma a seu tempo.

Meu coração gela quando penso nas crianças diagnosticadas com 'ADHD' (sigla norte-americana para 'distúrbio de hiperactividade e falta de atenção'), o tipo mais recente de "distúrbio de aprendizagem". Muitos educadores e pesquisadores acreditam que as crianças e suas famílias têm sido cruelmente enganadas por esse diagnóstico. O Dr. Thomas Armstrong, que já foi especialista em dificuldades de aprendizagem, mudou de profissão quando começou a ver "como essa noção de distúrbios de aprendizagem estava prejudicando os nossos filhos, colocando a culpa da dificuldade de aprender em misteriosas deficiências neurológicas, em vez de apontar para as necessárias reformas no nosso sistema educacional".

O Dr. Armstrong voltou-se então para o conceito de diferenças de aprendizagem e escreveu "In Their Way" ("Do modo deles"), um guia prático e fascinante para os sete "estilos pessoais de aprendizagem" inicialmente propostos por Howard Gardner, psicólogo da Universidade de Harvard. O Dr. Armstrong nos instiga a abandonar rótulos convenientes mas nocivos tais como "dislexia" e prestar atenção ao problema real do "disensino". Ele adverte que "as nossas escolas estão desvalorizando milhões de crianças ao taxá-las de insuficientes quando na realidade elas estão sendo incapacitadas por métodos de ensino ruins". Como Armstrong explica, "as crianças são sobrecarregadas com diagnósticos tais como dislexia, disgrafia, discalculia e assim por diante, dando a impressão de que sofrem de doenças muito raras e exóticas. Embora o termo dislexia seja apenas uma expressão latina para 'dificuldade com palavras', centenas de testes e programas se propõem a identificar e tratar tais 'disfunções neurológicas'. Mas os médicos ainda não conseguiram determinar qualquer tipo de lesão cerebral detectável na maior parte das crianças com esses "sintomas". Parece evidente para mim, depois de quinze anos de pesquisa e prática no campo da educação, que as escolas são as principais culpadas pelo fracasso e pelo tédio enfrentado por milhões de crianças..."

As classificações de distúrbios de aprendizagem seriam "as novas roupas do imperador" das escolas? Os filósofos têm um recurso interessante chamado "Navalha de Occam", um expediente prático para liquidar com teorias absurdas: "para resolver um problema, deve-se escolher a teoria mais simples que explique os factos". Quais são os factos? É facto que muitos escolares, principalmente do sexo masculino, têm dificuldades de aprendizagem. Mas também é facto que existem centenas de milhares de crianças no mundo, meninos e meninas, entre os quais esse defeito "genético" está ausente: são as crianças educadas em casa. Nesse grupo, praticamente não existem dificuldades de aprendizagem.

Se os "distúrbios de aprendizagem" estão presentes apenas no ambiente escolar e ausentes em outros lugares, o problema deve estar no ambiente de aprendizagem das escolas e não em algum "distúrbio neurológico" misterioso e não-detectável das crianças, ou estariam igualmente presentes nas crianças que optam pelo ensino doméstico / educação domiciliar. Afinal não é segredo que as escolas não estão conseguindo cumprir sua tarefa: em muitas regiões, os níveis de alfabetização caíram e não chegaram a atingir os níveis prévios à existência de escolas públicas (nos Estados Unidos). Quando John Gatto, eleito Professor do Ano do Estado de Nova York, chama a escolarização obrigatória de "sentença de doze anos de prisão", percebemos que algo está muito errado e que o erro não é das crianças.

Será que as classificações de "hiperactividade", "fobia escolar" e "dificuldade de aprendizagem" são na verdade uma cortina de fumaça para a incapacidade da escola de entender e aceitar o verdadeiro processo de aprendizagem? Uma especialista do porte de Mary Poplin, ex-editora de uma revista sobre distúrbios de aprendizagem ('Learning Disabilities Quarterly'), concluiu recentemente que "apesar de toda a pesquisa quantitativa... não há provas de que os distúrbios de aprendizagem possam ser identificados objetivamente... as tentativas de se estabelecer critérios objectivos para avaliar problemas humanos são uma ilusão que serve para encobrir nossa incompetência pedagógica".

O educador John Holt relata em 'Teach Your Own' ('Ensine a Si Mesmo') que o presidente de uma importante associação para tratamento de distúrbios de aprendizagem admitiu que há "poucas provas para confirmar os diagnósticos de distúrbios de aprendizagem". John Holt alerta os pais de crianças em idade escolar para serem "extremamente cépticos em relação a qualquer coisa que as escolas e seus especialistas digam sobre a condição e as necessidades de seus filhos". Acima de tudo, eles devem compreender que é quase certo que a própria escola, com todas as suas fontes de tensão e ansiedade, esteja causando as dificuldades e que o melhor tratamento provavelmente seja tirar o filho da escola de uma vez por todas.

As famílias que fazem isso ficam aliviadas ao descobrir que seus filhos recuperam o interesse que tinham pela aprendizagem quando eram mais novos. Ao contrário dos professores escolares, que têm apenas uma visão parcial de várias crianças, os pais que educam em casa observam a aprendizagem dos filhos ao longo de vários anos, aprendendo assim a respeitar o estilo singular de aprendizagem de cada filho, a confiar no ritmo do desenvolvimento de cada filho e a reconhecer que os erros são uma componente normal e passageira do processo de aprendizagem de qualquer pessoa. (Não há pressa, de qualquer forma: muitas crianças educadas em casa que começam a ler aos 10 ou 12 anos e saíram-se muito bem na faculdade).

Essa atitude descontraida dos pais que educam em casa mantém intacto o valor próprio da criança, torna os diagnósticos e rótulos insignificantes e permite que a aprendizagem seja tão fácil quanto entre os pré-escolares: crianças educadas em casa costumam superar aquelas que frequentam a escola em termos de desempenho acadêmico, socialização, confiança e auto-estima. John Gatto afirma que "em termos da capacidade de pensar, as crianças educadas em casa parecem estar cinco a dez anos adiante daquelas que frequentam a escola".

Durante alguns anos John Holt desafiou várias escolas a "explicarem a diferença entre uma dificuldade de aprendizagem (que todos nós temos numa ou outra ocasião) e um distúrbio de aprendizagem". Perguntou aos professores como é que distinguem entre causas inerentes ao sistema nervoso do aluno e factores externos - o ambiente escolar, o modo de explicar do professor, o professor em si ou o material didático. Ele relata: "nunca recebi uma resposta coerente a essas perguntas... [apesar disso,] essa distinção é tão fundamental que não sei como podemos falar de modo construtivo sobre os problemas de aprendizagem de uma criança sem ela".

Mas como é que os professores têm tanta certeza da existência tão disseminada de distúrbios neurológicos? Talvez eles estejam apenas confundindo causa e efeito: como John Holt observa, "os professores dizem que deve ser difícil ler, ou não haveria tantas crianças com dificuldade de ler". John Holt argumenta que "as crianças têm dificuldade de ler porque partimos do pressuposto que ler é difícil... com nossa preocupação, 'simplificação' e pedagogia, tudo o que conseguimos é tornar a leitura cem vezes mais difícil para a criança do que deveria ser... quando estamos nervosos ou com medo temos dificuldade ou ficamos até impossibilitados de pensar e até de perceber... quando amedrontamos as crianças, bloqueamos totalmente a sua aprendizagem".

De facto, algumas pesquisas mostram que as expectativas do professor sobre a capacidade de aprendizagem da criança influenciam muito o seu desempenho acadêmico. Outras pesquisas mostram a relação entre a ansiedade da criança e sua dificuldade de percepção - e ainda que o alívio da ansiedade (e o tratamento de alergias alimentares, quando elas existem) reduz em muito a incidência dessas dificuldades. Mas não precisamos que especialistas e pesquisadores nos digam o que está errado. Precisamos apenas de ouvir as crianças e jovens, que estão há anos tentando expressar sua dor, frustração, confusão e raiva. Quando as crianças se voltam para as drogas, auto-mutilação e suicídio, é evidente que estão tentando comunicar algo muito importante.

Será que as dificuldades de aprendizagem são uma reacção compreensível de crianças normais obrigadas a conformar-se às condições anormais das salas de aula convencionais? Por outras palavras, será que as escolas são incapazes de perceber a diferença entre simples relatos de erros de aprendizagem passageiros, agravados pelo estresse, e uma conclusão científica? Embora as supostas anomalias neurológidas nunca tenham sido identificadas, não é difícil detectar condições anormais no ambiente escolar: competitividade feroz, inactividade física (particularmente difícil para os meninos), matérias fragmentadas que têm pouca relação com os interesses e as experiências individuais da criança, frequentes avaliações e testes do progresso da aprendizagem, falta de tempo para o convívio familiar, pouca oportunidade de conhecer pessoas de outras idades, falta de sossego para a privacidade e a reflexão, pouca oportunidade de receber a atenção exclusiva dos professores, desencorajamento de compartilhar ideias e trabalho com os colegas (uma oportunidade valiosa sendo desperdiçada), crianças frustradas caçoando das outras, o desencorajamento de atitudes de auto-valorização e acima de tudo a indignidade de ser um incapaz, uma "não-pessoa", cujas necessidades legítimas e tentativas de expressar essas necessidades são abafadas pela defensiva institucional. Todas essas dificuldades podem ser evitadas com a educação domiciliar - desde que o governo permita autonomia suficiente.

Classificações são incapacitantes, porque as crianças acreditam no que lhes dizemos. Se tivermos de classificar algo, que seja o ambiente de ensino e não o aluno: em vez de "criança hiperactiva", vamos nos preocupar com as escolas "restritivas de actividade"; em vez de alunos com "falta de atenção", deveríamos pensar nas aulas "sem inspiração"; em vez de "criança com fobia escolar" deveríamos usar palavras mais honestas como "ansiosa" e "amedrontada", e ter o cuidado de pesquisar o motivo da ansiedade.

Usando a Navalha de Occam, vamos procurar a teoria mais simples que explique os factos e não a mais complicada e obscura. Um ambiente estressante, punitivo e ameaçador é mais do que suficiente para explicar os problemas de aprendizagem. Não precisamos nos confundir com termos técnicos, teorias sem comprovação científica e bodes expiatórios para preservar uma instituição social que falhou com nossos filhos.

Como devemos agir então? Norman Henchey, professor da Universidade MacGill, recomenda "repensar totalmente a escolaridade obrigatória". Norman Henchey defende o regresso ao ensino doméstico e a "outras vias de amadurecimento... programas de formação de aprendizes, serviços de ensino formais e informais, servico público". Talvez assim possamos honrar o estilo individual de aprendizagem de cada criança e, como pede o Dr. Armstrong, "dar às crianças a motivação de que necessitam para se sentirem seres humanos competentes e bem-sucedidos".

As crianças nasceram para aprencer. Elas merecem ter um ambiente de aprendizagem seguro e estimulante, onde possam aprender numa atmosfera de paciência, respeito, delicadeza e confianca, sem ameaças, coerção ou cinismo. Como Einstein nos alertou muitos anos atrás, "é um grave erro acreditar que o prazer de observar e pesquisar possam ser incutidos pela coerção".

Todas as crianças são dotadas.

Olena Pchilka & Educação em Família

Olena Pchilka é o pseudônimo de Olha Petrivna Dragomanova-Kosach, autora ucraniana e mãe de Lesia Ukrainka.

Esta figura notável da história da cultura ucraniana, escritora (poesia e prosa), investigadora e tradutora, versada no folclore e etnografia ucranianos, recebeu sua educação básica de seu pai.

Devido à sua experiência de "escola em casa", prestou mais tarde grande atenção à educação dos seus filhos. A família Kosach não estava satisfeita com o sistema de ensino da época, principalmente com seu viés em direcção à russificação, e por isso decidiu educar seus filhos próprios.

Olha Kosach / Pchilka assumiu a responsabilidade total pela educação elementar de seus filhos e demonstrou grande talento pedagógico, responsabilidade e competência. Assim, tal como os seus irmãos e irmãs, Lesia Ukrainka recebeu uma educação enciclopédica sem ir à escola.

Na sua autobiografia Pchilka escreveu: "Pareceu-me na altura que a escola iria imediatamente arruinar todo o meu esforço de ensinar os meus filhos usando a língua ucraniana. Seria um caminho que não levaria a lugar nenhum; mais tarde verifiquei que as crianças devidamente educadas em casa não poderiam ser arruinadas pela escola. "

Erykah Badu educou o filho em casa



Erykah Badu, uma das cantoras afro-americanas de melhor gosto estético dos últimos tempos, diz que se sentiu compelida a educar o filho em casa desde que ele nasceu até ao fim da 1ª classe.

"Eu queria dar uma atenção especial à sua educação para lhe dar uma vantagem a nível académico", disse ela.

Os resultados? Seven "aprendeu a resolver problemas de uma maneira não-tradicional", o que lhe serviu muito bem agora que está matriculado numa escola tradicional.

Fonte: aqui e aqui.