domingo, 20 de dezembro de 2009
Educação em casa: estórias de 21 famílias
E se já fazes o ensino doméstico mas às vezes tens a sensação de que és a única família monoparental, afro-americana, com problemas de saúde, etc., a educar os filhos em casa então este livro também é para ti.
Diz-nos a autora na introdução: "Como eu praticava o homeschooling, imaginava que a maioria das outras famílias que fazem esta opção tivessem estilos de vida semelhantes ao meu. Mas não. Ao entrevistar famílias por todo o país, fiquei surpreendida ao descobrir a enorme variedade de estilos de vida e filosofias educacionais."
Real-Life Homeschooling não é um manual do estilo “faça você mesmo”. É uma coleção de 21 estórias que ilustram a diversidade existente em estilos de vida, de famílias, filosofia e visão de mundo, métodos de ensino e objetivos desejados. Como a autora explica: "o objetivo, ao escrever este livro, foi simplesmente demonstrar a interessante variedade de pessoas que opta pelo ensino doméstico."
O livro usa o mesmo formato para introduzir o leitor a cada família, começando com uma foto e algumas informações pessoais (idade dos filhos, local de residência, etc.). O autor de cada estória partilha a sua lista de recursos favoritos, os melhores e piores conselhos que receberam quando começaram a fazer o ensino domiciliar e as suas citações favoritas. Segue-se então a descrição detalhada da vida cotidiana em família e da estrutura do homeschooling, suas filosofias educacionais e o seu percurso.
Exemplos da diversidade representada no livro incluem: 3 famílias com filhos únicos e 2 com 11 filhos; 1 família em que a mãe, a principal encarregada de educação, é cega; 1 família com uma criança com Síndrome de Down; 1 família educando os filhos na Ilha de Kwajalein e outra no Alasca; famílias em que os pais estabelecem parcerias com o sistema de ensino e/ou cujos filhos participam em actividades na escola e famílias que decidem manter sua autonomia; 1 pai que foi preso por optar pelo homeschooling; famílias que seguem uma abordagem estruturada baseada num currículo e famílias que adoptam o unschooling, em que a aprendizagem é direcionada pela criança; famílias de várias religiões e nacionalidades; famílias monoparentais, com filhos adotivos e com netos; e assim por diante... [adaptado daqui]
Real-Life Homeschooling; The Stories of 21 Families Who Teach Their Children at Home
sábado, 19 de dezembro de 2009
Homeschooling no Brasil
Infelizmente, devido à falta de informação, conhecimento e experiência do ensino doméstico, prevalecem uma série de mitos disparatados, por exemplo, que as crianças educadas fora do sistema escolar vivem fechadas em casa, isoladas do mundo, sem oportunidades de conviver com outras crianças nem de investigar ideias e valores que não os dos pais. Isto para não falar das crenças que os pais não têm a capacidade de instruir e educar os filhos e de que a escola é o único mecanismo capaz de educar para a cidadania...
Temos portanto duas percepções muito diferentes da realidade: a das famílias que optam pela educação fora do sistema escolar e que portanto têm experiência e conhecimento sobre as vantagens desta forma de aprendizagem e a dos que representam o sistema, que conhecem apenas o sistema, que dependem do sistema para sua sobrevivência e que infelizmente detêm o poder.
Homeschooling no Brasil
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
Educação escolar e educação no lar
Às vezes fico mesmo sem palavras... mas como convém estarmos a par dos argumentos usados contra o homeschooling e a favor da escolaridade obrigatória, resolvi embutir o artigo...
Felizmente, não vivo no Brasil!
Educação escolar, educação no lar
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
Espírito natalício no ensino domiciliar

As famílias que incorporam o espírito natalício no currículo para Dezembro descobrem que reduzem o stress típico desta época. Mas como é que conseguem encaixar todas as matérias e ainda ter tempo para fazer as compras de Natal, decorar a casa e preparar o banquete?
Este post é o primeiro desta série, com exemplos de como cobrir várias disciplinas e escrever um relatório demonstrando como os vários requisitos do currículum foram cumpridos. A maior parte das actividades abrangem mais do que uma área curricular e algumas adaptam-se bem a Janeiro. Hoje começamos com português e outras línguas: isto inclui gramática e redações, ortografia, caligrafia, leitura e línguas estrangeiras. Aqui ficam algumas ideias:
Postais
Escrever uma redação sobre as aventuras passadas em família durante o ano e incluí-la nos vossos postais. Encorajar o artista da família a fazer os postais à mão [arte]. Escrever os endereços à mão [caligrafia, ortografia, português] ou criar um banco de dados com os endereços dos amigos e familiares e depois imprimir as etiquetas [TIC]. Calcular o custo da postagem [matemática]. Enviar postais electrónicos de Natal.
Ler os clássicos da época
Podem ver uma lista de livros recomendados para projectos relacionados com o Natal aqui. Ou então podem ler Canção de Natal, de Charles Dickens. Que tal reflectir sobre o verdadeiro significado da troca de prendas? Ou ler sobre o primeiro Natal na Bíblia, Lucas 2 (8:14)?
Lista de desejos de Natal
Ao fazerem a lista para o Pai Natal estão a praticar escrita e ortografia. Que tal planear outra lista do que querem comprar (ou fazer!) para dar aos outros [socialização]? Também podem escrever uma carta ao Pai Natal e enviá-la para o Pólo Norte [TIC].
Desejar a todos um Feliz Natal
Aprender a cumprimentar e a desejar um feliz Natal aos vossos amigos estrangeiros nas línguas que eles falam; ou cantar-lhes uma canção na língua deles.[Língua estrangeira].
Escrever ao pai Natal
Norad sabe exatamente onde o Pai Natal está. Eles seguem o Pai Natal através dos satélites e por isso, sabem como levar essas cartas importantes dos miúdos directamente a ele. Um e-mail já endereçado e pronto para chegar ao Pai Natal abrirá quando clicarem no link nesta página.
Lista dos Melhores Sites sobre o Dia de Natal aqui.
Adaptado daqui.
segunda-feira, 14 de dezembro de 2009
Educação domiciliar: Socialização não é um problema
Desde o ressurgimento do movimento "escola em casa" no final da década de 1970, os críticos da educação domiciliar têm perpetuado dois mitos. O primeiro diz respeito à capacidade dos pais para ensinarem os filhos em casa, o segundo é se as crianças educadas em casa se tornarão ser bem ajustadas socialmente.
Um novo estudo deve levar muitos críticos a repensar as suas posições sobre a questão da socialização. Os homeschoolers não só participam activamente na vida cívica mas também estão tendo sucesso em todas as esferas da vida. Muitos críticos acreditavam, e alguns pais temiam, que os jovens "educados em casa" não seriam capazes de competir no mercado de trabalho. Mas o estudo mostra home schoolers numa enorme variedade de profissões, demonstrando claramente que as famílias que optam pelo ensino domiciliar estão no caminho certo.
Podem ler o artigo aqui.
domingo, 13 de dezembro de 2009
Se não nós, quem? Se não agora, quando?
NO dia 16/12/2009, a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados do Brasil levará à votação o Projeto de Lei nº 3518/2008, que trata sobre a educação domiciliar no Brasil. O projeto obteve parecer desfavorável da deputada relatora. Então, peço que todos escrevam aos Deputados pedindo a aprovação do mencionado projeto. Segue abaixo o endereço de email dos deputados titulares e também dos suplentes da referida Comissão. É importante que todos enviem. É URGENTE!
TITULARES
dep.atilalira@camara.gov.br
dep.alexcanziani@camara.gov
dep.antoniocarlosbiffi@camara.gov.br
dep.belmesquita@camara.gov.br
dep.carlosabicalil@camara.gov.br
dep.fatimabezerra@camara.gov.br
dep.iranbarbosa@camara.gov.br
dep.joaomatos@camara.gov.br
dep.joaquimbeltrao@camara.gov.br
dep.josephbandeira@camara.gov.br
dep.mariadorosario@camara.gov.br
dep.neiltonmulim@camara.gov.br
dep.nilmarruiz@camara.gov.br
dep.professorsetimo@camara.gov.br
dep.raulhenry@camara.gov.br
dep.reginaldolopes@camara.gov.br
dep.clovisfecury@camara.gov.br
dep.jorginhomaluly@camara.gov.br
dep.pintoitamaraty@camara.gov.br
dep.rogeriomarinho@camara.gov.br
dep.aliceportugal@camara.gov.br
dep.ariostoholanda@camara.gov.br
dep.paulorubemsantiago@camara.gov.br
dep.wilsonpicler@camara.gov.br
dep.marcosantonio@camara.gov.br
SUPLENTES
dep.angelaportela@camara.gov.br
dep.charleslucena@camara.gov.br
dep.elismarprado@camara.gov.br
dep.emilianojose@camara.gov.br
dep.eudesxavier@camara.gov.br
dep.fernandonascimento@camara.gov.br
dep.geraldoresende@camara.gov.br
dep.jairocarneiro@camara.gov.br
dep.joselinhares@camara.gov.br
dep.professorsetimo@camara.gov.br
dep.marceloalmeida@camara.gov.br
dep.maurobenevides@camara.gov.br
dep.osmarserraglio@camara.gov.br
dep.professorsetimo@camara.gov.br
dep.pedrowilson@camara.gov.br
dep.robertoalves@camara.gov.br
dep.rodrigorochaloures@camara.gov.br
dep.severianoalves@camara.gov.br
dep.eduardobarbosa@camara.gov.br
dep.eleusespaiva@camara.gov.brv.br
dep.liramaia@camara.gov.br
dep.luizcarlossetim@camara.gov.br
dep.narciorodrigues@camara.gov.br
dep.paulomagalhaes@camara.gov.br
dep.professorruypauletti@camara.gov.br
dep.professoraraquelteixeira@camara.gov.br
dep.raimundogomesdematos@camara.gov.br
dep.dr.ubiali@camara.gov.br
dep.lidicedamata@camara.gov.br
dep.luizaerundina@camara.gov.br
dep.josefernandoaparecidodeoliveira@camara.gov.br
dep.marceloortiz@camara.gov.br
Retirado daqui.
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Outro vídeo sobre o unschooling
Unschooling: O movimento da aprendizagem direccionada pela criança.
Segue-se uma tradução parcial e livre dos 2 primeiros minutos:
Afinal o que é o unschooling?
Cunhado pelo educador John Holt, unschooling é uma forma de educação em casa em que os estudantes não têm que seguir um currículo pré-determinado. O site de Holt descreve o unschooling como aprendizagem autónoma, natural, orgânica, eclética, auto-direccionada e motivada pelos interesses intrínsecos das crianças.
Holt não acreditava que o insucesso das escolas era devido ao sistema mas que as escolas fracassavam por serem, em si mesmas, um sistema que nunca poderia ter sucesso, independentemente da forma que pudesse adoptar.
"... o animal humano é um animal aprendente; somos bons nisso; não precisamos que nos mostrem como é que se aprende nem precisamos ser forçados a aprender. O que destrói o processo são as pessoas que interferem nele, tentando regulamentá-lo ou controlá-lo." ~ John Holt
Holt escreveu vários livros, onde podemos seguir o desenvolvimento das suas ideias em relação ao sistema de ensino público. Depois de gerar controvérsia com seus títulos, criticando a escolaridade obrigatória como uma noção maluca, resolveu concentrar sua atenção nas coisas que os pais podiam fazer para proporcionar aos filhos uma experiência completamente diferente da aprendizagem.
Holt morreu em 1985, deixando incompleto seu último livro Learning All the Time. Desde a sua morte, o aumento de homeschoolers e unschoolers despoletou toda uma nova geração de títulos sobre o tema.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Paul Goodman: Des-educação Obrigatória
Compulsory Mis-Education (abre e-livro), por Paul Goodman, publicado pela primeira vez em 1962.
"Estou enfrentando uma superstição em massa. A superstição em massa em questão é que a educação só pode ser adquirida através da utilização de instituições como a escola".
Paul Goodman argumenta que, pelo contrário, sujeitar os jovens a malabarismos de aprendizagem institucionalizada apenas distorce o seu desenvolvimento intelectual natural, tornando-os hostis à ideia de educação e produzindo cidadãos competitivos e arregimentados que provavelmente conseguirão apenas agravar os problemas sociais actuais.
"É nas escolas e a partir dos mídia de massa, em vez de em casa e com seus amigos, que a massa dos nossos cidadãos de todas as classes aprendem que a vida é inevitavelmente rotina, despersonalizada, enganosamente graduada; que é melhor obedecer e calar a boca.
Treinados nas escolas, eles vão para empregos, para uma cultura e política da mesma qualidade. Esta educação é uma des-educação, moldagem, ou socialização para as normas nacionais e uma arregimentação às "necessidades" nacionais."
quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Dia histórico para a educação em casa
Ontem, 74 deputados dos 3 partidos principais apresentaram ao Parlamento mais de 120 conjuntos de petições com milhares de assinaturas opostas aos planos de introduzir o registo e monitoramento obrigatório das crianças educadas em casa.
A apresentação em massa bateu o recorde do número de petições sobre o mesmo tópico apresentado ao Parlamento no mesmo dia. O recorde anterior foi de 44 petições, apresentadas em 2006 contra o encerramento dos hospitais comunitários.
2ª parte - 3ª parte - 4ª parte
Graham Stuart, membro do Select Committee das Crianças, Escolas e Famílias, conduziu a apresentação de petições em massa na Casa dos Comuns, dizendo:
"Estas petições mostram a extensão, por todo o país, da oposição a estas propostas que dariam às autoridades locais o poder de assediar as famílias que educam os filhos em casa, mesmo na ausência de quaisquer suspeitas. Com base num estudo feito apressamente, o Governo propõe-se a gastar dezenas de milhões de libras para poder entrar nas casas das famílias que educam os filhos, sujeitá-las a inspecções e a um regime de licenciamento".
E acrescentou:
"Nos últimos anos outros países rejeitaram esta abordagem. Na Nova Zelândia, inspecções feitas durante vários anos demonstraram que 95% das crianças educadas em casa recebem uma educação que é pelo menos tão boa como a que receberiam nas escolas; consequentemente, este ano abandonaram esse projecto. "
Quanto a “receios” em relação à salvaguarda das crianças educadas em casa, Graham disse:
"A segurança das crianças é de extrema importância, mas porquê registrar e fiscalizar as crianças educadas em casa e não todas as outras? As crianças mais vulneráveis são as que têm menos de 5 anos mas ninguém acharia boa ideia enviarmos inspectores das direções regionais de educação às suas casas para se assegurarem do seu bem-estar e supervisionar as famílias. Ao contrário do que diz o Governo, não existem provas que as crianças educadas em casa estão em maior risco do que as que frequentam a escola e, sem justificativa convincente, a invasão da vida familiar proposta pelo Estado não pode ser justificada".
E acrescentou:
"Em vez de outro enorme banco de dados e mais um exército de inspectores, temos de concentrar os nossos recursos limitados na identificação e proteção dos mais vulneráveis."
Podem ver esse momento histórico aqui (começa às 7hrs 52mns!).
Tradução livre. Original aqui. Transcrição, em inglês, da apresentação das petições aqui (72 pgs).
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Documentário: Aprender em Casa
Teresa Gray e Isabel Malpica compartilharam vários dias com algumas famílias que fizeram essa opção; umas por razões religiosas, outras por verem os filhos sofrendo devido à violência escolar / bullying. O principal problema enfrentado pelos defensores da "aprendizagem em casa" é a ausência de regulamentações, criando às vezes problemas com funcionários públicos dedicados à proteção de menores. E a única maneira que os pais têm de enfrentar estas dificuldades é a de formarem uma associação."
Idioma: espanhol parte 2 - parte 3 - parte 4
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
Noam Chomsky – processo de socialização
A auto-censura começa em muito tenra idade, através de um processo de socialização que é também uma forma de doutrinação que funciona contra o pensamento independente, em favor da obediência. As escolas funcionam como um mecanismo para essa socialização. O objectivo é evitar que as pessoas façam as perguntas que interessam acerca de questões importantes que as afectam directamente, a elas e a outros.Nas escolas não se aprendem apenas conteúdos. Adicionalmente é preciso aprender como se comportar, como se vestir de um modo apropriado, que tipos de questões podem ser levantadas, como encaixar (ou seja, como se adaptar), etc. Se mostrar demasiada independência e questionar o código da sua profissão com demasiada frequência, o mais provável é ser excluído do sistema de privilégios.
Assim, rapidamente aprende que, para ter êxito, tem que servir os interesses do sistema doutrinal. Tem que ficar calado e instilar nos seus estudantes as crenças e doutrinas que servirão os interesses daqueles que detêm o verdadeiro poder. A classe empresarial e os seus interesses privados são representados pelo elo estado-empresa.
Trecho deste artigo.
sábado, 5 de dezembro de 2009
Jovem empresário educado em casa
Vocação é algo que Louis Barnett certamente não tem falta. Louis, 16, teve muitas dificuldades durante os primeiros anos na escola devido à dislexia e dispraxia não-diagnosticadas - distúrbios associados a problemas de percepção, linguagem e pensamento. Em desespero, sua mãe Maria tirou-o da escola tinha ele 11 anos: "As coisas teriam piorado se o tivesse lá deixado, ele andava incrivelmente frustrado."
Como muitas crianças que abandonam o sistema escolar para serem educadas em casa, Louis atravessou um período de ajustamento e, sendo-lhe permitido seguir os seus interesses, depressa descobriu um talento para fazer chocolates belgas. Ambição e um toque de sorte resultaram no grande momento, quando obteve um contrato com o supermercado Waitrose para as suas caixas de chocolate comestíveis.
Desde então já teve uma audiência pessoal com o primeiro-ministro Gordon Brown e dirigiu-se a uma audiência de 3000 pessoas no Lyceum em Londres sobre um tema muito importante para ele - o uso de óleo de palma em chocolate. De Setembro de 2007 a Fevereiro de 2008 a sua empresa Chokolit girou mais de £150.000 e é um sucesso tão grande que os pais e o seu ex-tutor abandonaram os empregos para trabalhar para ele.
Agora já está preparado para o mercado internacional com o lançamento da barra de chocolate Biting Back, que destaca a causa do orangotango em Bornéu, cujo habitat está sendo devastado pela demanda de óleo de palma.
Louis, como seria de prever, não vê a falta de qualificações como obstáculo ao sucesso:
"Temos de agarrar as oportunidades quando elas surgem. Eu fiz um bolo para o aniversário da minha tia e os amigos dela ficaram tão impressionados que me pediram para fazer bolos para eles. Quando vi os primeiros £20 percebi que podia fazer isso todos os dias. Mas temos que estar preparados para trabalhar. Quando saí da escola, comecei a fazer trabalho voluntário com um falcoeiro. Ele disse-me "só tens 12 anos, tens que provar o teu valor se quiseres trabalhar aqui". Deu-me os piores empregos mas eu persisti e passado uns tempos comecei a percorrer o país fazendo exposições. Essa experiência ensinou-me que temos que trabalhar a sério para conseguirmos o que queremos."
A essência da filosofia da família Barnett é a ideia de que os jovens devem seguir os seus interesses e talentos. Para o jovem empresário, a vida está cheia de oportunidades:
‘Se não encaixas no sistema, procura uma alternativa. A vida académica não é para todos e podemos descobrir os nossos potenciais mais cedo ou mais tarde.’
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
Aulas na cozinha: a situação na Alemanha
Quando Moritz começou a reagir agressivamente e a ficar doente depois de ir para a escola, os pais Dagmar e Tilman Neubronner cederam aos sintomas do filho que na altura tinha 8 anos e cancelaram a matrícula na escola. Desde essa altura Moritz aprende em casa com o irmão Thomas - apesar da lei alemã afirmar que a escolaridade é obrigatória.
Thomas frequentou a escola pública apenas durante duas semanas.
Escapar a escolaridade obrigatória
Quando as autoridades se aperceberam do que se estava a passar, impuseram aos Neubronners uma série de multas exorbitantes sob pena de outras medidas arbitrárias se não enviarem os filhos para a escola. Com medo de perder a guarda dos filhos, a família abandona a Alemanha e, até hoje, reside em outros países europeus.
Os pais continuam a lutar incansavelmente para que os filhos tenham liberdade de aprendizagem e para que a família possa voltar ter uma vida normal na cidade de Bremen, sua terra natal. Moritz e Thomas têm hoje 12 e 10 anos e estariam na 7ª e 5ª série. Em vez disso, estão a aprender em casa voluntariamente, determinando seus próprios objectivos. Os Neubronners praticam o que é muitas vezes referido como unschooling. Acreditam que as crianças aprendem melhor em liberdade, sem restrições e, portanto, sem perder o amor à aprendizagem.
Luta pela liberdade de aprender
Rosemarie e Jürgen Dudek também são contra a escolaridade obrigatória. Educam os filhos em casa como se numa escola com uma sala de aulas. O horário está em conformidade com o currículo oficial. De momento, 4 dos 7 filhos são obrigados a frequentar a escola.
Os Dudeks querem viver de acordo com as suas crenças em relação a Deus e à Bíblia. Por esta razão não querem que os filhos andem em escolas públicas, onde não encontram os seus valores.
Ao contrário de certos cristãos, os Dudeks não pertencem a nenhum grupo religioso nem tentam manter os filhos afastados do mundo. Eles têm relações sociais com os bombeiros voluntários, no clube de natação e nos escuteiros.
Como a maioria dos pais, Rosemarie e Jürgen Dudek também querem o melhor para os filhos. Para que o filho mais velho Jonathan terminasse o ano escolar com uma graduação do Estado, ele frequentou, no ano passado, uma escola secundária (Realschule) na segunda metade do 10 º ano. Ele obteve notas excelentes e acabou o ano como o melhor aluno da escola.
Pena de prisão para os pais
Entretanto, Rosemarie e Jürgen Dudek ensinam os filhos em casa há quase dez anos. Devido às mudanças de residência não foram descobertos pelas autoridades durante muito tempo. No ano passado foram condenados a três meses de prisão, e não a liberdade condicional. Os Dudeks apelaram e por enquanto ainda não foram para a prisão. Estão agora à espera do veredicto final.
Podem ver o vídeo, em alemão, aqui (30mns).
Original aqui.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
Educação Domiciliar para a Cidadania
Um novo estudo, divulgado ontem pelo Centro Canadense de Educação em Casa, revela que os adultos educados em casa sobressaem em todas as áreas da vida adulta que foram medidas. O estudo examinou os adultos cujos pais haviam respondido a um estudo sobre a educação em casa feito em 1994. Com idades variando entre os 15 e os 34, eles responderam a perguntas sobre uma variedade de tópicos com dados comparáveis ao Statistics Canada.
Os resultados foram surpreendentes.Quando comparados à média canadense, os adultos educados em casa são mais engajados socialmente, votando nas eleições federais quase duas vezes mais. O rendimento médio é maior, com mais fontes de rendimentos a partir de investimentos e de trabalho por conta própria, e sem nenhum caso de apoio do governo como principal fonte de rendimento. Eles são mais felizes no seu trabalho e sua vida em geral. Ao refletir sobre o valor da educação em casa, a maioria acha que é uma vantagem para vida adulta.
Em termos de rendimento, educação, actividade empresarial, participação na comunidade e todas as outras medidas, os adultos educados em casa não só superam como fazem também uma contribuição significativa para as suas comunidades. "Eles são o tipo de vizinho que todos nós queremos, " diz o presidente Paul Faris.
O estudo Quinze Anos Depois: Adultos Canadenses Educados em Casa está disponível online, na íntegra e como sinopse.
Para mais informações ou comentários entrem em contacto com Paul Faris, Presidente, em (519) 913-0318, info@hslda.ca, www.hslda.ca / cche
Original aqui.
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Ensino domiciliar no noticiário
Há famílias que optam pelo ensino doméstico por causa das suas convicções, outras devido à violência escolar e outras porque não acreditam que as escolas têm a capacidade para lidar com as necessidades especiais dos filhos.
Deixando de lado os motivos, o facto é que cada vez mais famílias estão optando pela educação em casa. Segundo as regras actuais estas famílias não têm que prestar informações a ninguém sobre o que estão fazendo mas essas regras podem estar prestes a mudar.
O governo britânico está a considerar impôr controlos mais restritos aos pais-educadores depois de rumores que o ensino doméstico poderia ser usado para disfarçar casos de absenteismo escolar ou, em casos extremos, esconder o abuso de menores. Muitos pais sentem-se indignados com as sugestões e prometem resistir a quaisquer regulamentações. Eis a reportagem do nosso correspondente Peter.
Peter: Segunda feira de manhã e Holly e o irmão têm a sua primeira lição, biologia. Não há desculpas para atrasos: a lição é na sala e o professor é o pai deles, Mark. Hoje, Mark, de Leicester, está ensinando, além dos filhos, outras quatro crianças que, como eles, aprendem em regime de ensino doméstico. A Holly e o irmão Daniel nunca foram à escola mas os outros miúdos foram retirados do sistema de ensino.
Holly: Acho que é muito melhor sermos ensinados por uma pessoa e termos "aulas individuais" do que fazermos parte de uma turma de trinta e tal alunos.
Peter: Tens saudades da escola?
Alex: Não.
Peter: Não tens saudades nenhumas?
Alex: Não, porque, vês, a escola é na minha vila e todos os meus amigos que andavam comigo na escola moram na mesma rua que eu.
Mark: Não é que eu não confie nos professores. É que temos de confiar numa série de adultos que estão em contacto com os nossos filhos.
Tracy: Quando ensinamos as crianças individualmente ou em pequenos grupos, como fazemos normalmente no ensino domiciliar, então a qualidade da interacção é, na minha opinião, muito maior.
Peter: No mês passado, dezenas de famílias reuniram-se em Leicester para celebrar o ensino doméstico. Eventos semelhantes ocorreram em Birmingham, Telford, Hereford e Nottinghamshire. Cada vez mais crianças estão a ser educadas em casa. Ninguém sabe ao certo quantas, mas nos Midlands são talvez umas 12 000. Rob, ex-director de uma escola em Leicestershire, supervisiona famílias que optaram pelo ensino doméstico.
Rob: Há famílias que retiram os filhos da escola para evitarem o tribunal devido ao absenteismo escolar dos filhos. Isto acontece em ocasiões.
Peter: E por esse motivo acha que o ensino domiciliar precisa ser regulamentado.
Rob: Sim. O número de crianças educadas em casa está sempre a aumentar. As crianças que nunca frequentaram a escola nem estão debaixo do nosso radar, e ninguém sabe ao certo quantas pessoas estão a praticar o ensino doméstico.
Peter: E de acordo com o Sr Badman as coisas precisam ser mais estritas. Graham Badman conduziu uma revisão do ensino doméstico para o governo e preocupa-se principalmente com a mesma coisa, a salvaguarda das crianças. Badman propõe que todas as crianças em regime de ensino doméstico devem ser registadas na autarquia local, que um plano de ensino deve ser feito anualmente e, mais polémico, que os pais têm de permitir que os inspectores entrem em suas casas (e entrevistem seus filhos na sua ausência).
Ceri: Não há necessidade para aumentar as regulamentações. Nós não vemos inspectores visitando as crianças que têm menos de 5 anos, nem vemos funcionários públicos entrando pelas casas onde moram bebés para inspecionar o seu bem estar. Isso seria uma intrusão desnecessária na vida familiar.
Peter: O DSCF não aceitou a entrevista mas disse-nos que a maior parte dos pais que educa os filhos em casa faz um trabalho excepcional mas têm que balançar os direitos dos pais com o direito preeminente das crianças a uma educação decente num ambiente seguro. Um comité está agora a investigar o modo como a revisão foi conduzida.
Paul, membro do Parlamento: Algumas das propostas talvez sejam necessárias. Temos, por enquanto, o problema de que não há uma obrigação legal de registar as crianças. Por exemplo, se forem de uma zona para outra podemos perdê-las de vista, por isso há algumas questões relativamente à protecção de menores. Mas o que estão a fazer com o ensino doméstico é desproporcionado.
Peter: Os pais dizem que só querem que lhes deixem em paz para poderem continuar a educar os filhos em sossego e há até rumores sobre uma campanha de desobediência civil se o governo interferir.
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
A corrida dos ratos
“Se você observar a vida das pessoas de instrução média, trabalhadoras, você verá uma trajetória semelhante. A criança nasce e vai para a escola. Os pais se orgulham porque o filho se destaca, tira notas boas ou altas e consegue entrar na universidade. O filho se forma, talvez faça uma pós-graduação, e então faz exatamente o que estava determinado: procura um emprego ou segue uma carreira segura e tranquila. Encontra esse emprego, quem sabe de médico ou de advogado, ou entra para as Forças Armadas ou para o serviço público. Geralmente, o filho começa a ganhar dinheiro, obtém um monte de cartões de crédito e começam as compras, se é que já não tinham começado.
Com dinheiro para torrar, o filho vai aos mesmos lugares aonde vão os jovens, conhece alguém, namora e às vezes casa. A vida é então maravilhosa porque actualmente marido e mulher trabalham. Dois salários são uma benção. Eles sentem-se bem-sucedidos, seu futuro é brilhante, e decidem comprar uma casa, um carro, uma televisão, tirar férias e ter filhos. O desejo se concretiza. A necessidade de dinheiro é imensa.
O feliz casal concluiu que suas carreiras são da maior importância e começam a trabalhar ainda mais arduamente, tornam-se funcionários melhores. Voltam a estudar para obter especialização e ganhar mais dinheiro. Talvez arrumem mais um emprego. Seus salários aumentam, mas também aumentam o imposto de renda, o imposto predial da casa, as contribuições para a Segurança Social e os outros impostos. Eles se perguntam para onde todo esse dinheiro vai. Aplicam em alguns fundos mútuos e pagam cinco ou seis anos e é necessário poupar não só para os aumentos das mensalidades escolares, mas também para a velhice.
O feliz casal, nascido há 35 anos, está agora preso na armadilha da Corrida dos Ratos pelo resto de seus dias."
Robert Kiyosaki, trecho do livro “Pai Rico Pai Pobre”.
sábado, 28 de novembro de 2009
A escola é melhor do que o homeschooling
1. A maior parte dos pais foram educados no sistema de ensino público e por isso não são suficientemente inteligentes para educar os seus próprios filhos.
2. As crianças que recebem uma educação personalizada em casa, com aulas individuais ou em pequenos grupos, aprendem muito mais do que as outras, o que lhes dá uma vantagem injusta no mercado de trabalho, e isso seria anti-democrático.
3. Como é que as crianças poderão aprender a defender-se se não lhes dermos a oportunidade de lidar diariamente com a violência escolar?
4. Ridicularização por outras crianças é importante para o processo de socialização.
5. As crianças que frequentam a escola obtêm mais experiência em "Dizer Não" às drogas, cigarros e álcool.
6. A iluminação fluorescente pode ter significativos benefícios para a saúde.
7. Ter que pedir permissão publicamente para ir à casa de banho ensina aos jovens o seu lugar na sociedade.
8. A indústria da moda depende da pressão de grupo que só as escolas podem gerar.
9. A escola é um mecanismo de transmissão cultural, mantendo importantes tradições, como por exemplo as praxes.
10. As crianças educadas em casa podem não aprender competências necessárias para as suas futuras carreiras, como por exemplo ficarem sentadas à secretária durante 6 horas por dia.
Original aqui.
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Ensino doméstico: acesso ao ensino superior
Colleges são instituições de ensino para maiores de 16 anos (embora vários já ofereçam algumas opções para jovens dos 14 aos 16) que oferecem vários cursos a vários níveis (mais ou menos do 10º/11º ano ao bacharelato), part time ou full time, que se podem fazer de dia ou de noite.
As fotos que aqui vêem são do Bristol City College. Fomos lá a semana passada fazer a matrícula para o curso de PC Servicing que vai começar em Janeiro.
Para ficarem com uma ideia, este College tem 8 departamentos e oferece mais de 1,000 cursos. Tem mais de 30.000 alunos e destes 7000 são jovens dos 16 aos 18 anos.
Em Colleges como este podemos fazer os cursos de preparação /entrada para a Universidade, úteis para quem optou pelo unschooling e quer ter acesso ao ensino superior sem ter que seguir a via tradicional do 11ºano e 12ºano. Estes cursos de acesso ao ensino superior podem ser feitos num ano full time ou em 2 anos part-time.Há, no entanto, várias pessoas educadas em casa que entram para a universidade simplesmente através do seu portfolio e da entrevista inicial. Mas isso, claro, é aqui no Reino Unido. Em Portugal e no Brasil não sei...
terça-feira, 24 de novembro de 2009
Necessidades Educativas Especiais
Badman reconhece isto e, embora não dê referências, menciona pesquisas que apontam para a grande quantidade de pais que, muitas vezes num desespero, retiram os filhos da escola quando se apercebem que esta não tem a capacidade de ir ao encontro das necessidades dos filhos.
Ben Grey, especialista em protecção de menores, é um destes pais. Ben tem dois filhos: um de 11 anos com autismo de alto funcionamento, que está actualmente a ser educado em casa, e um de 8 anos que vai para a escola.
Testemunho de Ben Grey
Eu, pessoalmente, como pai de uma criança com necessidades especiais, gostaria de chamar a atenção para a quantidade de pessoas educando os filhos em casa devido à falta de adequada provisão para as necessidades especiais, especialmente em relação ao autismo (onde o desenvolvimento das crianças não "encaixa" na provisão do ensino regular nem na do ensino especial). Embora muitos pais optem pelo ensino domiciliar por princípio, a situação que estou descrevendo não é a da educação em casa por escolha.
Informalmente, a nossa Direcção Regional de Educação diz-nos que na nossa área não existe provisão adequada para o nosso filho. As nossas opções são, portanto, colocá-lo numa escola inadequada, onde ele não irá alcançar o seu potencial, colocá-lo num internato especializado (e caro) ou irmos viver para outra área. Muitos pais educam os seus filhos especiais em casa (poupando ao Estado esse enorme custo) porque querem proteger os filhos da violência escolar e de outros desafios que estes enfrentam em escolas inadequadas. Se o governo estivesse realmente preocupado sobre a vulnerabilidade das crianças educadas em casa, então porque não corrige as deficiências do sistema de ensino que às vezes deixa os pais com tão pouca escolha?
As preocupações dos pais em relação ao bem-estar e segurança dos filhos na escola são frequentemente justificadas pois são eles que têm de cuidar deles quando ficam gravemente deprimidos ou ansiosos devido às suas experiências do sistema de ensino.
Dr John Ballam é o director do curso de Escrita Criativa da Universidade de Oxford e um autor com vários livros publicados. Tem três filhos: o mais velho está numa escola para superdotados e os outros dois são educados em casa.
Testemunho de Dr. John Ballam, Oxfordshire
Nós educámos os nossos 3 filhos em casa durante a primária. A nossa experiência é que o ensino domiciliar é positivo e benéfico. Os nossos filhos têm "excepcionalidade dupla", ou seja, são muito inteligentes mas necessitam de educação especial para compensar dificuldades de aprendizagem muito específicas. Além disso, musicalmente, são muito talentosos. O ensino público recusou-se, pura e simplesmente, a reconhecer as suas necessidades e quando finalmente aceitou que tinham necessidades muito específicas não tinha condições para satisfazê-las.
O ensino doméstico permitiu-nos dar aos nossos filhos o ambiente e os recursos que eles precisavam para florescer. Inicialmente, começou com um período de recuperação e reconstrução da sua auto-estima e auto-confiança. Quando vai ao encontro do ritmo das crianças, a aprendizagem fornece as oportunidades necessárias para a superação das dificuldades sem a humilhação de serem separadas do resto do grupo como "falhanços". Além disso, a informação pode ser transmitida em formatos que vão ao encontro do estilo de aprendizagem de cada criança, de modo que o seu empenhamento e entusiasmo pela aprendizagem é estimulado. Finalmente, a educação em casa dá às crianças o tempo que precisam para desenvolver os seus talentos específicos. O ensino domiciliar é uma forma positiva de apoiar os nossos filhos e suas necessidades pessoais específicas.
Dr Ballam escreve sob o nome de J. D. Ballam. Ele é mais conhecido pela sua autobiografia The Road to Harmony.

