Este blog partilha informação sobre o homeschooling e o unschooling - ensino doméstico ou educação domiciliar. Para navegarem o site, usem os links acima e, para os posts de 2011, o botão da pesquisa na barra direita. Facebook: Aprender Sem Escola Email: aprendersemescola@gmail.com

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Lara, 14 anos, conta a sua história II

Continuação (começa aqui)...

Depois de um ano em casa estou a encontrar o meu niche na comunidade do ensino doméstico. Em relação aos objectivos acadêmicos, sou eu quem os decide e quem tem a última palavra. Depois de decidir a que exames do 10 e 11º ano quero autopropor-me no final de cada ano, eu e o meu pai examinamos metódicamente os programas curriculares correspondentes, fazemos listas e um plano de acção com prazos a cumprir.

A coisa mais próxima que tenho de um horário escolar é um plano trimestral que o meu pai elabora umas semanas antes do início de cada período acadêmico. Especifica os meus objectivos para as semanas que se seguem e inclui coisas como listas de livros para ler, vídeos para ver e fontes para consultar. Mentalmente, eu divido esse plano em coisas a fazer em cada semana e em cada dia. Digamos que a minha capacidade de gestão do tempo melhorou drasticamente durante este ano!

Muitas famílias homeschoolers vêem os exames do 11º ano como um obstáculo, algo onde a sua expertise não é suficiente, mas eu não concordo. Eu estou a fazer um curso por correspondência, o que me dá a liberdade de estudar quando e como quero, mas recebo orientações quanto a prazos, leituras e preparação para os exames. Sim, temos de completar muitos trabalhos mas a flexibilidade da aprendizagem em casa dá-nos as condições ideais para isso.

Aprende-se muito mais sobre auto-motivação e disciplina do que na escola. Quando somos nós a estabelecer os nossos objectivos nada nos pode parar.

Eu vou fazer dois exames este Verão e o ensino doméstico tem sido fantástico para os meus estudos. Tenho o tempo necessário para me dedicar ao estudo, completar os trabalhos e aprofundar cada disciplina como deve ser. Na escola, quando é que podemos fazer isso?

Continua...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ataque ao ensino domiciliar em New Hampshire

Home educators nos E.U.A. protestaram ontem contra as propostas do governo que fariam de New Hampshire o pior Estado para a prática do ensino domiciliar. O vídeo mostra uma fascinante mistura de pessoas com as mais diversas perspectivas politicas, sociais e religiosas reunidas para fazer uma frente unida contra os seus supostos representativos.



1. Estou aqui hoje para manifestar-me contra esta proposta que, se for implementada, vai transformar N.H. no Estado em que o ensino doméstico é mais regulamentado.

2. Eu sou Denise, de Strafford, e estou aqui para dar o meu apoio ao ensino doméstico porque o governo não tem nada que se meter na educação domiciliar. É isto que está em causa neste "país da liberdade". O ensino doméstico não precisa ser regulamentado e esse direito não deveria ser retirado aos pais. Esta lei vai restringir severamente o ensino domiciliar e impor mais regulamentações legais à educação em casa. Não é necessária, não precisamos dela, o ensino doméstico funciona, os homeschoolers estão a sair-se muitíssimo bem em todo o lado, não precisamos disto para nada.

3. As crianças com necessidades especiais é que vão sofrer com isto mais que ninguém; os miúdos que não tiverem bons resultados nos testes não vão ter chances nenhumas! E tirar o controlo das mãos dos pais, dizer-lhes "isto é o que vocês têm que ensinar, isto é quando têm que ensinar", isso é fazer "escola em casa" [transformar o lar numa escola em miniatura], em vez de ajudar os miúdos que precisam de ajuda e que não deveriam frequentar as escolas públicas.

4. O meu nome é Laurie (...) Acho que é absolutamente imperativo que as crianças e jovens tenham o direito de aprender e viver em liberdade. Ninguém pode ensinar o meu filho melhor do que eu; além disso, é anticonstitucional o Estado controlar a educação dos meus filhos. Quem melhor conhece o meu filho sou eu, quem sabe quais são as suas necessidades sou eu. O meu filho está a escrever 2 livros, aliás, já acabou de escrever o primeiro, e tem o seu negócio desde os 12 anos anos (tem agora os 16). É um activista, músico, canta no coro juvenil de N.H. e protege os direitos dos menores. Ele não poderia fazer tudo que faz se estivesse encurralado numa sala de aulas. A escola, como diz o poster ali daquela Sra., prejudicou o meu filho. Destruiu completamente o amor que tinha pela aprendizagem e foi preciso vários anos de "detox" antes dele recomeçar a escrever. O ensino doméstico tem constantemente demonstrado que produz estudantes excepcionais, de inteligência e criatividade excepcionais, enquanto que a escola pública demonstra continuamente que só os emburrece e faz com que os miúdos comecem a desprezar a aprendizagem. Sei porque trabalhei com escolas públicas, fazendo consultoria e assessoria pedagógica durante vários anos. Não só os professores são abusivos mas os alunos tornam-se abusivos uns com os outros nesse ambiente opressivo.

5. Eu pratico a educação em casa aqui em N.H. há 23 anos e durante estas 2 últimas décadas o movimento do ensino domiciliar funcionou muito bem sob as leis que temos. As opções no final do ano, enviar um relatório, o portfólio, fazer testes padronizados ou um outro método de avaliação do ano, concordado mutuamente, com a pessoa com quem decidimos lidar... se esta proposta for implementada o Estado vai passar a controlar o que fazemos no final do ano e exigir um portfólio e exames padronizados. O funcionamento do ensino doméstico pode vir a mudar, tudo por causa destas familias, imaginárias e não substanciadas, que estão supostamente a ficar para trás, colocando um enorme fardo nos ombros daqueles que fazem um bom trabalho. É legislar demais e é contra isto que lutamos.

Ler mais aqui. UPDATE: A proposta foi rejeitada com 324 votos contra (34 a favor das) alterações da lei actual. Mais uma victória para a educação em casa!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Lara, 14 anos, conta a sua história

Hoje deixo-vos a tradução livre de um trecho do livro Free Range Education: How Home Education Works. Se quiserem podem encomendar o livro aqui. Espero que gostem. Aqui vai:

Há um ano que aprendo em casa e posso dizer, com toda a honestidade, que nunca mais olhei para trás. Quando saí da escola estava estressada, infeliz e completamente exausta. Porém, agora, a minha situação é totalmente diferente.

A minha jornada em direcção à liberdade começou há vários anos, quando adoeci com febre glandular (mononucleose infecciosa). Durante meses fui alvo de todas as constipações e gripes que íam aparecendo e os meus professores e colegas habituaram-se às minhas ausências frequentes da escola. Estava sempre cansada, deprimida e cheia de ansiedade.

Naquela altura o ensino doméstico soava-me a algo para prodígios ou não-conformistas. Como não encaixava em nenhum desses grupos pensava que a educação domiciliar não era para mim. Mas algo dentro de mim fez com que eu não perdesse a esperança. Algures, no fundo do meu coração, sabia que tinha de haver outra alternativa. Afinal, a educação deveria ser uma benção. Eu sabia que não devia ser algo que apenas tornava a minha vida num inferno.

À medida que as semanas foram passando o meu desespero foi aumentando mas graças à internet e à comunidade global online comecei a aprender cada vez mais sobre a realidade do ensino doméstico. A comunidade era muito maior do que tinha antecipado - fiquei abismada com a quantidade de pessoas que, tal como eu, não frequentam a escola! Armei-me com informação, troquei inúmeros emails com homeschoolers de todo o mundo e pensei bastante. A escola certamente não estava a melhorar, nem a minha saúde. Mas como poderia uma miúda de 12 anos convencer os pais a deixá-la não frequentar a escola?

Tive muita sorte porque os meus pais têm mentes abertas. Com um certo cepticismo concordaram investigar o assunto. Estavam convencidos que iriam dizer não mas como queriam ser justos resolveram pesquisar esta alternativa educacional. A pesquisa dominou a maior parte das férias do Verão. Consultámos livros, sites na internet e entrámos em contacto com várias organizações. Quase todas as manhãs o carteiro trazia-nos material de organizações (como a EO e a HEAS) e pouco a pouco a atitude dos meus pais começou a mudar. Tal como eu, ficaram surpreendidos com tudo que o ensino doméstico tinha para oferecer e quando chegou a hora da decisão deixaram-me dizer adeus à escola. Com o apoio dos meus pais, estava felicíssima da vida!

Contudo, os meus pais deixaram a decisão final ser minha. Enquanto o meu coração estava desesperado por se libertar da escola, a minha cabeça contemplava as enormes mudanças que o ensino doméstico iria trazer; mas, armada com tantos conhecimentos sobre o mundo fora da escola, acho que não poderia ter voltado para a escola para sempre. Optei pela educação em casa e frequentei a escola durante mais um período antes da despedida final, no Natal.

Adeus escola, olá liberdade!

Continua aqui.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Manual de Libertação dos Adolescentes

Em muitos países os jovens sentem-se encurralados e impotentes nas escolas que são obrigados a frequentar. Infelizmente, a maioria parece não estar ciente da possibilidade de aprender fora do sistema de ensino. Apesar de odiarem a rotina escolar acreditam no que lhes foi dito, que sem escola e sem diplomas as suas vidas serão arruinadas. Esta crença, baseada no medo, vem de tempos antigos.

Os pais, em geral, ao ouvirem as queixas dos filhos respondem algo do gênero: "Pois, eu compreendo, também detestava a escola mas infelizmente é o que temos de fazer. Temos de aceitar as coisas como elas são".

Teenage Liberation Handbook, escrito por Grace Llewellyn para adolescentes, tem sido muito eficaz em alterar estas crenças negativas e destrutivas. A intenção do livro é ajudar a consciencializar as pessoas sobre as vantagens da aprendizagem natural (aprendizagem autónoma e unschooling).

Original aqui. E, aqui (abre video em inglês), Taliesin, um rapaz de 13 anos que leu o livro, encoraja outros jovens a descobrirem o que mais lhes inspira e entusiasma.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Carta aberta no Guardian

No Reino Unido, os esforços para manter a indepêndencia do ensino doméstico, proteger a diversidade educacional e defender os direitos das crianças e famílias continuam.

Mais de 1000 assinaturas acompanharam esta carta aberta sobre as alterações que o governo britânico propõe na área do ensino domiciliar. São assinaturas não só de pais que educam os filhos fora do sistema escolar mas de psicólogos, cientistas, escritores, representantes de várias organisações, membros do parlamento britânico, professores universitários especializados nas áreas da sociologia, educação, psicoterapia /acompanhamento psicológico e assim por diante (ver a lista completa aqui).



Todos eles acreditam que o schedule 1 da children, schools and families bill representa uma inaceitável imposição de controlo Estatal sobre a família. Embora o alvo sejam as crianças educadas fora do sistema escolar, a lei, se implementada, teria implicações para todas as famílias.

Apesar da maioria dos pais não pensar no ensino doméstico para os filhos - muitos nem sequer sabem da existência desta alternativa e, mesmo se soubessem, não teriam disposição para isso nem as condições necessárias -, qualquer família pode vir a precisar desta opção: todos sabemos que, infelizmente, por uma série de razões (como o bullying / violência escolar, a resultante fobia escolar, escolas sem capacidade de lidar com necessidades educativas especiais, alunos dotados passando o tempo entediados na escola, etc.), a severidade do impacto negativo que a escola pode ter nos nossos filhos é algo que não podemos ignorar. Por enquanto, no Reino Unido, esta opção está disponível a todos os pais. Se esta proposta for ávante, a lei iria pela primeira vez transferir a responsabilidade pela educação das crianças dos pais para o Estado. Esta é uma questão que nos deveria preocupar a todos.

A carta aberta explica que não há necessidade de mudar a lei uma vez que actualmente ela já exige que os pais dêem uma educação adequada à idade, aptitudes, capacidades e quaisquer necessidades especiais que os filhos possam ter. Além disso, as autoridades locais já têm o poder de interferir caso os pais não cumpram as suas obrigações.

Os especialistas, profissionais e praticantes chamam a nossa atenção para as várias pesquisas que já demonstraram o sucesso do ensino doméstico e dos diversos métodos educacionais usados. São métodos geralmente centrados na criança e fora dos paradigmas educacionais prevalentes nas escolas.

Lembram-nos também que a diversidade na educação é absolutamente essencial para a sustentabilidade de qualquer democracia e que precisamos de leis que protejam esta diversidade e os interesses das crianças enquanto indivíduos.

Alertam-nos também para o facto de que os interesses das crianças estão completamente ausentes desta proposta, cujo objectivo é o estabelecimento de um sistema burocrático administrado pelas autoridades locais que obteriam o poder de, a qualquer momento, negar aos pais autorização para educar os filhos a não ser que se conformem aos ditames e currículos estabelecidos pelo Estado.

E, claro, se esta proposta de lei for implementada, os residentes do Reino Unido poderão acabar em situações como esta, em que um casal americano de homeschoolers foi preso por não ter preenchido a devida papelada!

domingo, 10 de janeiro de 2010

sábado, 9 de janeiro de 2010

Em Vez da Escola, a Casa

Aprender em casa. Com as novas tecnologias, com a Internet e com a impaciência com que os pais olham para as escolas porque não devolver à família a tarefa do ensino? Este é só um cenário, polémico, para a "escola de amanhã".

Uma vez que o conhecimento está tão disponível através dos novos meios tecnológicos e de informação como a Internet, por exemplo, as famílias mais educadas poderão começar a desprezar as escolas. O especialista [David Hargreaves, da Universidade de Cambridge, Inglaterra] dá o exemplo do "home schooling", o ensino em casa, modelo preferido pelos pais que perderam a réstia de fé nos estabelecimentos de ensino e se atemorizam perante o perigo da violência e das drogas nas escolas. Sem essas más influências, estudar em casa teria ainda a vantagem de estreitar os laços familiares e a passagem de valores.

É que o tempo em que os professores das escolas eram essenciais- quando tinham acesso ao conhecimento e ao material negado à maioria dos pais - já passou. As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) permite o acesso a um volume inimaginável de informação. Muitos dos pais que optam por ter os filhos a estudar em casa são utilizadores das TIC: "Porque é que hão-de enviar as crianças para a escola onde os professores têm medo das TIC?" Para além do mais, poderia haver sempre o recurso a professores, escolhidos pelos pais, que educariam os filhos nos aspectos concretos e com as orientações precisas determinadas por quem os contratava.

Mas mais importante (...) é que as crianças educadas em casa têm mais probabilidades de desenvolver as capacidades, atitudes e posturas de auto-confiança, sendo capazes de se adaptarem a novas realidades e de trabalhar em rede. Tudo características indispensáveis num mercado de trabalho flexível, de auto-emprego, do próximo século e que "apesar da retórica oficial são muito difíceis de alimentar nas escolas e classes convencionais".

Trecho deste artigo por Dulce Neto, 1998

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Universidade de Cambridge oferece lugar a jovem de 14 anos educado em casa

Um prodígio da matemática está para bater o recorde de 237 anos tornando-se o estudante mais novo da Universidade de Cambridge desde William Pitt, primeiro ministro da Grã-Bretanha durante a era napoleónica.

Arran Fernandez, de Surrey, Inglaterra, recebeu a oferta de um lugar depois de passar os exames de entrada para a universidade. Arran tem 14 anos, é educado em casa e já fez os exames do 12º ano de matemática:

"Desde que me lembro, a matemática tem sido a minha disciplina preferida. Gosto do ensino domiciliar porque estou muito mais envolvido e ajudo o meu pai a decidir o currículo."

Tornou-se famoso em 2001 quando, aos 5 anos, obteve as melhores notas nos exames de matemática. Arran diz que a sua ambição é encontrar a solução para a hipótese de Riemann - teoria ainda por resolver sobre padrões de números primos que tem deixado os matemáticos intrigados há 150 anos . Fonte: Aqui (Guardian); mais aqui.

Faz-me lembrar a estória de Ruth Lawrence que, aos 13 anos, obteve uma licenciatura da Universidade de Oxford e um prémio por ter completado a licenciatura em 2 anos. E, ainda mais interessante, pelos menos para nós, defensores do ensino doméstico, é que a adolescente também nunca tinha frequentado a escola: em vez disso, tinha aprendido em casa com o pai (ver aqui).

Outro link:
El alumno más joven de Cambridge

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Citações... e imagens desta manhã

Em uma sociedade livre, não podemos ficar enfiando conteúdos na cabeça dos outros para cumprir os papéis que desejamos que eles cumpram. ~ Augusto de Franco

A tua vida, o teu tempo e o teu cérebro deviam pertencer a ti e não a uma instituição. ~ Grace Lwellyn, dirigindo-se aos jovens.

As crianças não são propriedade de ninguém: não são propriedade de seus pais nem tão pouco da sociedade. Pertencem apenas à sua própria futura liberdade. ~ Mikhail Bakunin

As crianças, afinal, não são apenas adultos "in-the-making". São pessoas cujos direitos, experiências e necessidades actuais devem ser levados a sério. ~ Alfie Kohn

É uma perda de tempo falar sobre liberdades civis [ou direitos infantis] com adultos que, na sua adolescência, foram sistematicamente ensinados que não as tinham; e uma hipocrisia total chamar tais pessoas defensores da liberdade. ~ Edgar Friedenberg

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Ivan Illich: Depois do deschooling, o quê?

After Deschooling What - Ivan Illich

E não pára de nevar!

Está um frio danado! Lá fora, tudo coberto de neve!

E dizem que esta noite a temperatura vai atingir os -7°C!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Introdução ao Freeskilling

Freeskilling? O que é isso? Mmmm, como começar a explicar? Talvez pela necessidade que todos temos de contribuir para um mundo melhor, de conectar com os outros, de partilhar os nossos interesses e talentos. Uma espécie de casamento entre as ideias da economia gratuita e alguns aspectos das redes educacionais de que já falava Ivan Illich.

Na prática é um servico gratuito de troca de conhecimentos: alguém encarrega-se de encontrar um grupo de pessoas que gostariam de partilhar os seus conhecimentos, encontrar um local adequado para esse efeito e arranjar maneira de fazer com que as pessoas interessadas saibam dos eventos. Com a internet - redes sociais, grupos yahoo e coisas desse tipo - esta tarefa fica bem mais fácil!

Aqui em Bristol o Freeskilling está de volta depois das férias de Natal. Todas as terças feiras às 19hrs no The Better Food Company, que disponibiliza o espaço. É gratuito e para todas as idades, como sempre!

Resolvi partilhar por várias razões: porque uma destas "aulas" é sobre o ensino doméstico, para inspirar quem queira organisar algo semelhante, e porque este modelo de troca de conhecimentos é frequentemente usado por grupos de familias que optam pela educação domiciliar. Eis o programa para as próximas 8 semanas:
Frees Killing Poster Jan Feb 2010

Espero que isto vos inspire a criar um projecto semelhante e que estejam ansiosos por mais um ano de aprendizagem!

sábado, 2 de janeiro de 2010

Caminhando ao ar livre

Esta tarde, em Ashton Court...





quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

O ano que passou

Tirando a parte final, o resto deste post é uma espécie de resumo do ano. Embora só tenha incluido alguns eventos e aspectos da nossa vida, dá para ficarem com uma ideia do que andámos a fazer. Se têm seguido o blogue, então as únicas "novidades", mais íntimas, estão na parte do mês de Dezembro.

Janeiro 2009

Começámos um novo capítulo da nossa vida em Bristol. Uma das primeiras coisas que fizemos foi entrar em contacto com o grupo do ensino doméstico de Bristol onde conhecemos várias famílias que educam os filhos fora do sistema escolar. Aqui, podem ver como o Daniel andou entretido com animê, mangá, japonês, kick boxing, ki aikido enquanto que eu... descobri a biodanza! Além disso, andámos a conhecer a zona: fomos até Portishead e andámos a passear em Blaise Castle.

Fevereiro 2009

Daniel continua interessado no japonês (andou a aprender kanji e a experimentar comida japonesa), a cozinhar receitas simples, a praticar generosidade, a aprender sobre o dinheiro e a divertir-se com o microscópio (ver aqui). Foi um mês muito frio mas apesar da neve, os passeios continuaram: Portishead, Bristol, Kings Weston, etc.

Março 2009

Março foi um mês bem cheio, por isso deixo apenas umas quantas palavras-chave: céu e as nuvens, bowling, amizades e japonês, (hiragana e katakana). História e religiões do mundo (islão, diálogo inter-religioso, criacionismo e ateísmo). Biologia (fomos até à reserva natural de Horseshoe Bend, no rio Avon), educação alimentar (pão integral e nutrição: importância das vitaminas e minerais). Economia solidária e moedas locais; oportunidades de aprender música, etc.

Que mais? Vários passeios (geografia): fomos até ao parque do castelo, kings weston, à ponte suspensa, Portishead e Clevedon (mais fotos aqui). E eu? Continuei com a biodanza!

Abril 2009

Em Abril fomos passar 2 semanas de férias a Portugal. Passámos a maior parte do tempo em Alvor e Portimão, mas démos um pulinho a Lisboa, Oeiras, Cascais, Guincho e aproveitámos para ir ao centro de arte moderna da Fundação Calouste Gulbenkian. E como o tema principal deste blog é o ensino doméstico, não posso deixar de mencionar o Encontro sobre a Educação Intuitiva, onde conheci a Isabel do blogue A Escola é Bela e a Rute, que acabou de escrever este post sobre o ensino doméstico.

De regresso a casa tivemos que dar um jeito no jardim e os passeios continuaram (Ashton Court e Bristol). Que mais? Ah! O Dia Mundial da Consciencialização do Autismo!

Maio 2009

Maio foi o mês em que o nosso processo de reconectar com a terra começou. É claro, as coisas do dia a dia continuaram: cozinhar, tratar do lixo e reciclagem, observar as libelinhas, etc.

O que mudou foi o nível de apreciação do prazer que vem de uma vida simples... A visita ao riverside garden centre e às hortas biológicas urbanas deram-nos a inspiração que precisávamos para começar a preparar o solo na horta que arrendámos e a cultivar legumes em casa. Pela primeira vez na vida comprámos sementes e plantámos morangos no quintal. E que prazer nos deu ver as alfaces, o tomate e o feijão verde a crescer...

Como era de esperar, os passeios continuaram: fomos ao Museu da Cidade de Bristol, descobrir as lojas e a arquitectura e história de Easton, adorámos Coombe Dingle (mais fotos aqui) e lá fomos, uma vez mais, até Kings Weston. Que mais? Comecei a orientar sessões de meditação num centro aqui em Bristol.

Junho 2009

O tema de Junho parece ter sido aprofundar a conexão com a terra, a natureza e os animais, observando a metamorfose das libelinhas, os escaravelhos, as lesmas e outros bichinhos no quintal; aprendendo a identificar flores (mais aqui e aqui) e árvores, a transplantar plantinhas, a preparar o solo para o cultivo e a fazer adubo orgânico (compostagem). E, claro, adorando ver o tomate, feijão verde, alface e morangos crescendo no quintal.

Refletimos sobre a aprendizagem não planejada, a economia da generosidade e resolvemos aprender mais sobre o movimento da economia grátis directamente daqueles que a praticam.

Os passeios, ou "visitas de estudo à la unschooling", continuaram: fomos aos mercados de S. Nicolau e do Tobacco Factory, visitámos uma quinta pedagógica aqui perto, fomos à floresta de Leigh Woods e visitámos a Tintern Abbey no País de Gales onde, passeando e brincando, aprendemos sobre história, geografia, religião, arquitectura, fotografia, música e novas tecnologias de informação e comunicação! Sem planos de aula, sem currículos, sem escola!

A não perder: a lista de ebooks sobre perspectivas educacionais alternativas incluindo, claro, vários livros sobre a educação em casa.

Julho 2009

Em Julho foram muitos os dias na horta. Os nossos "vizinhos" ajudaram-nos a trabalhar o solo enquanto as ervilhas, beterrabas e couves íam crescendo e, no quintal, o tomate ía amadurecendo. Divertimo-nos também a identificar e coletar plantas silvestres comestíveis no estuário do Rio Avon.

Os passeios continuaram: fomos até Corsham, ao País de Gales e ao parque dos veados. Andámos pela beira do rio no centro da cidade e fomos até Ashton Court (mais aqui), apreciando sempre o contacto com a natureza.

E como cuidar do nosso mundo interior, desenvolvendo a nossa inteligência emocional e espiritual, também é essencial, partilhámos com vocês algumas das nossas experiências: meditação a andar, budismo, taichi, etc.

Agosto 2009

Participámos, pela primeira vez, no Carnaval de blogs Educando en Família organizado pelos pais-educadores de língua espanhola e entrámos em contacto com o pessoal francês que organisa o Dia Internacional da Liberdade de Educação. Para demonstrar o nosso apoio à diversidade de projectos educacionais criámos uma rede social dedicada ao ensino doméstico para todos os pais-educadores à busca de novos paradigmas. A rede tem, neste momento, 88 membros.

Que mais? Talvez valha a pena mencionar a tradução que fiz do estudo sobre a aprendizagem informal e o ensino doméstico conduzido por Alan Thomas e publicado com a sua autorização.

Ah! Andámos também a apanhar amoras silvestres para fazer geleia e partilhámos uma receita de migalhas de ruibarbo. Outros passeios incluiram Kings Weston e Bristol.

Setembro 2009

Cabe-nos a nós também cuidar da sociedade e, através do nosso exemplo, ensinar que ser cidadão não significa acomodarmo-nos à sociedade em que vivemos mas ajudarmos a criar a sociedade que queremos. Esse foi o tema de Setembro: a relação entre a lei e a liberdade, a defesa dos direitos humanos, a lei como mecanismo usado pelo Estado para controlo do indivíduo, e assim por diante...

O principal evento do mês talvez tenha sido o Dia Internacional da Liberdade de Educação. Esta foi a 1ª vez que Portugal participou, com uma "conferência online", neste evento global cujo objectivo é promover a importância da liberdade de escolha do tipo de educação que os pais querem dar aos filhos. Aprendemos imenso sobre o direito à educação em casa em Portugal, no Brasil, e por este mundo fora...

Aqui na Inglaterra, celebrámos o dia com várias famílias que optaram pela educação domiciliar num not back to school picnic. Os passeios parecem não ter sido tantos, mas ainda tivemos tempo para ir até Coombe Dingle e a Clevedon, à exibição de arte no Heritage Centre.

Outubro 2009


E como não basta cuidar da sociedade, do planeta e do nosso interior porque, afinal, sem o corpo que temos nada poderíamos fazer, dedicámos um post ao Dia Mundial da Alimentação.

Mas voltando ao ensino doméstico, que é o tema principal deste blogue, os posts mais importantes do mês talvez tenham sido este (respostas a uma série de perguntas colocadas por uma estudante de pedagogia) e a tradução dos argumentos a favor do ensino domiciliar, dados não só pelos pais mas também pelas crianças e jovens educados em casa.

Que mais? Andámos a destralhar a casa e... o Daniel fez 16 anos!!! Como sempre, conseguimos arranjar tempo para mais umas caminhadas: fomos até Corsham (mais aqui) e andámos a passear em Avonmouth, no parque dos veados e perto da antiga escola waldorf.

Novembro 2009

Agora que o Daniel tem 16 anos já pode frequentar o college; lá nos fomos inscrever num curso de PC Servicing (que há-de começar daqui a umas 3 semanas), o que me levou a escrever sobre o acesso ao ensino superior no caso dos jovens educados em casa. Fiz também uma tradução sobre os argumentos dos académicos a favor do ensino domiciliar e outra sobre necessidades educativas especiais.

Em Novembro tivémos o Dia Mundial da Gentileza, andámos a passear pelos campos, vilas e aldeias de Somerset (Winscombe e Cheddar), e fomos ver uma exibição de arte por um amigo do Alan.

Dezembro 2009

Dezembro tem sido um mês de milagres e coincidências significativas. Vocês que seguem este blogue já se devem ter apercebido que eu evito falar da nossa vida privada, tentando limitar-me à disseminação de informação sobre a educação domiciliar.

Nunca vos disse, por exemplo, que o Daniel foi diagnosticado com um tumor no joelho esquerdo (mais ou menos do tamanho de uma ameixa) e que a médica que me fez o teste de Papanicolau também me assustou com a palavra "cancro". Apesar dos especialistas terem recomendado, em ambos os casos, imediata intervenção cirúrgica, resolvemos esperar e dar tempo ao corpo para se curar a si mesmo, com ajuda de certas práticas meditativas.

E foi o melhor que fizemos! Fomos recentemente ao hospital ver o "progresso" do tumor do Daniel e, acreditem ou não, a verdade é que desapareceu. Completamente! E o meu "possivel cancro"? Esse, em 3 meses já tinha ido à vida! Por isso não se admirem se eu me começar a dedicar mais seriamente à investigação do nosso poder de cura... especialmente depois destas e de outras sincronicidades interessantes que já não tenho tempo para contar.

Keywords: Healing, Biodanza, Reiki, Green Tara Retreat From Afar

Que mais? Lá fora nevou, comemos muitas mince pies, o Natal foi tranquilo, tal como o Boxing Day e o aniversário do nosso casamento. E fui visitar o novo Blue Reef Aquarium em Bristol com a Manuela (do grupo da permacultura) e as filhas.


Relacionado a este post: Memórias de 2008

terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O mundo marinho e os seus habitantes

Esta tarde, no Blue Reef Aquarium, em Bristol.






domingo, 27 de dezembro de 2009

Aniversário de casamento


Lembram-se? Hoje renovámos os votos que fizemos há um ano (ver aqui) . Estes que vou em seguida partilhar com vocês vieram de Thich Nhat Han:

Conscientes de que a vida só está disponível no momento presente e que a felicidade só é possível no aqui e agora, prometemos viver intensamente cada momento da nossa vida diária. Vamos tentar não nos perder em dispersões, arrependimentos sobre o passado, preocupações acerca do futuro ou ânsia, raiva e ciúmes no presente.

Conscientes de que a falta de comunicação leva sempre à separação e ao sofrimento, decidimos habituar-nos a falar com amor e a escutar com compaixão. Vamos aprender a ouvir profundamente, sem julgar nem reagir e a não proferir palavras que possam causar discórdia ou destruir o nosso relacionamento. Vamos esforçar-nos por manter a comunicação aberta e resolver todos os conflitos, incluindo os mais pequenos.

Conscientes de que a raiva bloqueia a comunicação e cria sofrimento, prometemos cuidar dessa energia assim que ela surja e reconhecer e transformar as sementes da raiva escondidas no nosso subconsciente. Sempre que a raiva surgir vamos praticar paciência e reconhecer, abraçar e investigar a nossa raiva a fundo. Vamos aprender a olhar com olhos de compaixão para o outro e para aqueles que acreditamos ser a causa da nossa raiva.

sábado, 26 de dezembro de 2009

Boxing Day na Inglaterra

Aqui na Inglaterra, o dia a seguir ao Natal é feriado; chamam-lhe Boxing Day. Quando o dia 26 calha no fim de semana, como hoje, o feriado é adiado para 2ªfeira.

Boxing Day não tem nada a ver com boxe mas com caixas. A tradição começou na Inglaterra em meados do século XIX, sob a Rainha Vitória. Boxing Day, também conhecido como Dia de Santo Estêvão, era o dia em que os ricos davam presentes aos pobres.

Há 2 teorias sobre a origem do Boxing Day. Uma é que séculos atrás, no dia depois do Natal, os burgueses davam caixas com alimentos, frutos, roupas e/ou dinheiro aos empregados. Neste caso os presentes seriam uma expressão de gratidão por um trabalho bem feito. Estas caixas de presentes deram o nome ao feriado.

A outra é que o Boxing Day vem da tradição de abrir as caixas de esmolas colocadas nas igrejas durante a época do Natal. O clero distribuia o conteúdo das caixas entre os pobres no dia depois do Natal.

Hoje o Boxing Day é passado com familiares e amigos, muita comida, amizade e amor. Embora muitos prefiram passar o dia a aproveitar o melhor dos saldos!

As fotos são das decorações das casas dos vizinhos. Nós não temos este hábito mas gostamos de ver os enfeites, especialmente à noite...