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domingo, 17 de janeiro de 2010

A justiça volta a dar razão aos "homeschoolers"

Outro passo a favor da liberdade de aprendizagem e do direito dos pais a optar pela educação em casa: o processo contra uma família de San Sebastian foi arquivado.

* Homeschooling: uma opção legítima
* ALE agradece a contribuição cívica das HO à liberdade educacional

Segundo Ketty Sanchez nos informa no seu blogue Mariposas Multicolores, Arantza Sestayo, residente em San Sebastián (Guipúzcoa), uma mãe que optou pela educação em casa (homeschooling) para o filho de 7 anos, começou o ano com a boa notícia de que o seu caso foi arquivado.

O caso contra esta mãe começou quando o Departamento de Educação de San Sebastian entrou em contacto com ela dizendo-lhe que não podia educar o filho em casa e que tinha de o mandar para a escola. Mas ela manteve-se firme na sua decisão e o processo foi remetido ao Tribunal de Menores em San Sebastian, onde teve de ir prestar declarações no passado 16 de Dezembro.

Desta vez podemos também de celebrar o facto de que o processo não foi demorado: esta semana Arantza recebeu a resolução final do Ministério Público: ARQUIVADO. Outra família de homeschoolers que agora pode dormir mais tranquila.

Original aqui.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Livro: Vantagens Sociais do Homeschooling

Mais um livro sobre o ensino doméstico e as suas vantagens, especialmente em relação à socialização das crianças:

Well-Adjusted Child: The Social Benefits of Homeschooling por Rachel Gathercole.

Actualmente, a socialização é, muito provavelmente, um dos aspectos mais importantes da educação. Com altas taxas de divórcio (e constantemente a aumentar!), abuso de drogas, violência juvenil, alcoolismo, promiscuidade entre os adolescentes e assim por diante, não nos podemos dar ao luxo de ignorar esta questão.

Agarrarmo-nos à ideia de que o que hoje nós fazemos é o melhor para todas as crianças apenas porque é aquilo a que estamos acostumados é fechar os olhos a outras possibilidades que poderão trazer muito mais felicidade, sucesso, paz e segurança aos nossos filhos.

Numa altura em que as pessoas sentem-se mais desconectadas do que nunca, não nos podemos dar ao luxo de ignorar ou fechar os olhos a uma opção que oferece enormes benefícios, incluindo uma vida social rica, gratificante e saudável, que os nossos filhos bem poderão precisar no futuro. A educação domiciliar oferece enormes vantagens sociais para as crianças, os jovens e os pais. E quando nos apercebermos disto quem irá beneficiar vão ser os nossos filhos.

Link: site da autora

India: Homeschooling cada vez mais popular

Mais uma tradução livre e parcial de um artigo publicado ontem:

Os teus filhos odeiam a escola? Andam estressados, sobrecarregados, sob uma enorme pressão? Estás farta do sistema de ensino convencional? Simples, não lhes mandes para a escola. Experimenta o homeschooling - é o que os pais em Bangalore estão a fazer cada vez mais.

Em cidades como Mumbai e Pune muitos pais deixaram de mandar os filhos para a escola. Em vez disso, aprendem sozinhos em casa ou são ensinados pelos pais e/ou tutores. Em Bangalore há mais de 50 crianças no ensino domiciliar e até há um fórum online onde os pais interagem e apoiam-se uns com os outros. Todos eles têm razões diferentes para optar por este sistema.

Para o agricultor Vivek Kariappa, foi ter-se apercebido que o ensino convencional é preconceituoso em relação ao sistema rural. Os filhos não seguem livros didáticos mas um currículo orientado para a agricultura. São encorajados a ler, a buscar informações, a enfrentar problemas e a encontrar soluções.

Há um ano, quando o filho, que estava interessado em esportes, queixou-se que não tinha tempo para dedicar-se à sua paixão, Sunil Ruthnaswamy decidiu retirá-lo da escola. "Agora tenho tempo para tudo. Estudo 3 horas por dia, e isso equivale a um dia na escola. Dedico-me ao críquete e remo 6 horas por dia (3 horas cada) e estou bem feliz!", disse Joshua Ruthnaswamy, 14.

No entanto, para muitos, o que os leva a optar pelo homeschooling é a aversão ao sistema convencional. Amit Mathur, um profissional de software, diz: "Nem eu nem a minha esposa estávamos satisfeitos com a educação que recebemos. Não confiamos no actual sistema de ensino, e eu não quero ver os meus filhos crescer sem pensar."

Há também crianças com distúrbios de aprendizagem para quem o homeschooling é uma opção melhor.

COMO FUNCIONA

Não existe um currículo separado para crianças que aprendem em casa. A maioria dos pais com quem falámos segue livros didáticos. No entanto, nem todos fazem isso, pois há quem crie o seu próprio currículo.

Em geral não inundam os filhos com livros. "Quando o meu filho estava na primeira classe eu costumava levá-lo às lojas e fazê-lo compreender adição e subtração. Mais tarde usei livros de exercícios. Foi assim que lhe ensinei matemática", disse Chetana Keni. As crianças são encorajadas a descobrir as coisas por si mesmas e a apreciar o prazer de aprender coisas novas.

Embora a maioria dos pais oriente os filhos quando eles estão na primária, também usam tutores quando sentem que não podem lidar com certas matérias. "Nós temos um fórum. Cada pai é bom em determinadas matérias. Eu, por exemplo, adoro matemática. Assim, quando uma criança precisa de ajuda com a matemática, eu ajudo", disse Amit Mathur, programador de software.

Quando chegam ao ano 10, os jovens podem fazer exames inscrevendo-se no National Institute of Open Schooling ou International General Certificate of Secondary Education. O diploma é reconhecido em todo o mundo.

DE NOVO EM CASA

A maioria das crianças tem um horário que não é regimentado. Estudam durante determinado número de horas (entre 2 a 6 horas), ocupam o tempo dedicando-se às suas áreas de interesse, com amigos e sozinhos.

"A maior vantagem é que o horário é flexível. As crianças podem aprender o que querem, quando querem. Podem aprofundar os conhecimentos tanto quanto quiserem. Aprendem ao seu ritmo e à sua maneira. Tomam responsibilidade pela sua aprendizagem. Vivem e aprenderm sem estresse", disse Aditi Mathur, um forte adepto de métodos de ensino alternativos.

[...]

O que dizem os psicólogos:

Considerando o sistema que as nossas escolas estão a seguir, o homeschooling é uma boa opção. As escolas estão a abarrotar - quer nas actividades curriculares quer nas extra-curriculares. Em família, o ambiente é mais relaxado e, portanto, mais propício para a aprendizagem. Há quem diga que a pressão a que as crianças estão submetidas na escola é boa. Mas, em 90% dos casos, essa pressão não faz bem nenhum.

- MS Thimmappa, psicólogo clínico e ex-vice-reitor da Universidade de Bangalore University

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ataque à Educação Domiciliar no Reino Unido

Hoje deixo-vos aqui uma tradução livre e parcial deste artigo, publicado ontem no Guardian. Mas antes, gostaria de chamar a vossa atenção para o artigo XII da Declaração Universal dos Direitos Humanos:

Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

***
As propostas do governo britânico para licenciar, regular e fiscalizar as famílias que educam os filhos em casa têm provocado uma furiosa oposição. O governo bem se tem esforçado por ignorar o criticismo de que a proposta legislação irá violar as liberdades civis dessas famílias, em particular o seu direito à vida privada e familiar. À medida que os detalhes dos planos do governo vão surgindo, estas tentativas de retratar o esquema como "light touch" vão-se tornando cada vez menos credíveis.

Se aprovada, a lei irá obrigar os funcionários municipais a fazerem visitas anuais ao lugar onde a educação é fornecida (normalmente a casa da família). Os funcionários, se assim o entenderem, terão o poder de entrevistar as crianças sozinhas, sem a presença dos pais. Os pais podem recusar mas essa recusa formará uma das 7 razões que a autoridade local pode usar para revogar a sua aprovação e impor uma ordem de frequência escolar.

Esta semana o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos considerou que a falta de garantias adequadas contra os abusos de poder no uso do stop-and-search é uma violação do Estado de Direito e, portanto, do artigo 8. Nas propostas do governo em relação à educação em casa, os funcionários do Estado, para inspecionarem as casas das famílias ou interrogarem os filhos na ausência dos pais, nem sequer precisam demonstrar que tal procedimento seja de facto "necessário". E os funcionários do Estado, antes de "pedirem" para inspeccionar as casas de família, também nem sequer vão precisar demonstrar que existem suspeitas razoáveis (ou mesmo subjectivas!) quanto ao bem-estar ou à educação das crianças que aprendem em casa. O regime aplicado às "famílias-problema" e às crianças com um histórico de absentismo escolar será igualmente imposto àqueles onde não existem suspeitas senão a de estarem fazendo um bom trabalho.

Os sinais por enquanto não são animadores. Em vez de estabelecer limites contra a interferência arbitrária por parte dos funcionários do Estado, os dados publicados pelo governo indicam que os inspectores das autoridades locais terão de se certificar que os lares estão livres de "quaisquer" factores que possam interferir no processo educativo.

Annabel Wynne estava certa ao descrever as propostas do governo para a educação em casa como uma solução para um "não-problema". Nos últimos anos, a Nova Zelândia e Ontário concluíram que as inspecções obrigatórias para todas as crianças educadas em casa eram desnecessárias e substituiram-nas por regimes de notificação verdadeiramente "leve". Infelizmente, parece que Mr Balls está determinado a seguir outro caminho e gastar centenas de milhões de libras para submeter as famílias à interferência arbitrária do Estado, não por serem suspeitas de quaisquer irregularidades mas simplesmente porque decidiram educar os próprios filhos.

Lara, 14 anos, conta a sua história II

Continuação (começa aqui)...

Depois de um ano em casa estou a encontrar o meu niche na comunidade do ensino doméstico. Em relação aos objectivos acadêmicos, sou eu quem os decide e quem tem a última palavra. Depois de decidir a que exames do 10 e 11º ano quero autopropor-me no final de cada ano, eu e o meu pai examinamos metódicamente os programas curriculares correspondentes, fazemos listas e um plano de acção com prazos a cumprir.

A coisa mais próxima que tenho de um horário escolar é um plano trimestral que o meu pai elabora umas semanas antes do início de cada período acadêmico. Especifica os meus objectivos para as semanas que se seguem e inclui coisas como listas de livros para ler, vídeos para ver e fontes para consultar. Mentalmente, eu divido esse plano em coisas a fazer em cada semana e em cada dia. Digamos que a minha capacidade de gestão do tempo melhorou drasticamente durante este ano!

Muitas famílias homeschoolers vêem os exames do 11º ano como um obstáculo, algo onde a sua expertise não é suficiente, mas eu não concordo. Eu estou a fazer um curso por correspondência, o que me dá a liberdade de estudar quando e como quero, mas recebo orientações quanto a prazos, leituras e preparação para os exames. Sim, temos de completar muitos trabalhos mas a flexibilidade da aprendizagem em casa dá-nos as condições ideais para isso.

Aprende-se muito mais sobre auto-motivação e disciplina do que na escola. Quando somos nós a estabelecer os nossos objectivos nada nos pode parar.

Eu vou fazer dois exames este Verão e o ensino doméstico tem sido fantástico para os meus estudos. Tenho o tempo necessário para me dedicar ao estudo, completar os trabalhos e aprofundar cada disciplina como deve ser. Na escola, quando é que podemos fazer isso?

Continua...

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

Ataque ao ensino domiciliar em New Hampshire

Home educators nos E.U.A. protestaram ontem contra as propostas do governo que fariam de New Hampshire o pior Estado para a prática do ensino domiciliar. O vídeo mostra uma fascinante mistura de pessoas com as mais diversas perspectivas politicas, sociais e religiosas reunidas para fazer uma frente unida contra os seus supostos representativos.



1. Estou aqui hoje para manifestar-me contra esta proposta que, se for implementada, vai transformar N.H. no Estado em que o ensino doméstico é mais regulamentado.

2. Eu sou Denise, de Strafford, e estou aqui para dar o meu apoio ao ensino doméstico porque o governo não tem nada que se meter na educação domiciliar. É isto que está em causa neste "país da liberdade". O ensino doméstico não precisa ser regulamentado e esse direito não deveria ser retirado aos pais. Esta lei vai restringir severamente o ensino domiciliar e impor mais regulamentações legais à educação em casa. Não é necessária, não precisamos dela, o ensino doméstico funciona, os homeschoolers estão a sair-se muitíssimo bem em todo o lado, não precisamos disto para nada.

3. As crianças com necessidades especiais é que vão sofrer com isto mais que ninguém; os miúdos que não tiverem bons resultados nos testes não vão ter chances nenhumas! E tirar o controlo das mãos dos pais, dizer-lhes "isto é o que vocês têm que ensinar, isto é quando têm que ensinar", isso é fazer "escola em casa" [transformar o lar numa escola em miniatura], em vez de ajudar os miúdos que precisam de ajuda e que não deveriam frequentar as escolas públicas.

4. O meu nome é Laurie (...) Acho que é absolutamente imperativo que as crianças e jovens tenham o direito de aprender e viver em liberdade. Ninguém pode ensinar o meu filho melhor do que eu; além disso, é anticonstitucional o Estado controlar a educação dos meus filhos. Quem melhor conhece o meu filho sou eu, quem sabe quais são as suas necessidades sou eu. O meu filho está a escrever 2 livros, aliás, já acabou de escrever o primeiro, e tem o seu negócio desde os 12 anos anos (tem agora os 16). É um activista, músico, canta no coro juvenil de N.H. e protege os direitos dos menores. Ele não poderia fazer tudo que faz se estivesse encurralado numa sala de aulas. A escola, como diz o poster ali daquela Sra., prejudicou o meu filho. Destruiu completamente o amor que tinha pela aprendizagem e foi preciso vários anos de "detox" antes dele recomeçar a escrever. O ensino doméstico tem constantemente demonstrado que produz estudantes excepcionais, de inteligência e criatividade excepcionais, enquanto que a escola pública demonstra continuamente que só os emburrece e faz com que os miúdos comecem a desprezar a aprendizagem. Sei porque trabalhei com escolas públicas, fazendo consultoria e assessoria pedagógica durante vários anos. Não só os professores são abusivos mas os alunos tornam-se abusivos uns com os outros nesse ambiente opressivo.

5. Eu pratico a educação em casa aqui em N.H. há 23 anos e durante estas 2 últimas décadas o movimento do ensino domiciliar funcionou muito bem sob as leis que temos. As opções no final do ano, enviar um relatório, o portfólio, fazer testes padronizados ou um outro método de avaliação do ano, concordado mutuamente, com a pessoa com quem decidimos lidar... se esta proposta for implementada o Estado vai passar a controlar o que fazemos no final do ano e exigir um portfólio e exames padronizados. O funcionamento do ensino doméstico pode vir a mudar, tudo por causa destas familias, imaginárias e não substanciadas, que estão supostamente a ficar para trás, colocando um enorme fardo nos ombros daqueles que fazem um bom trabalho. É legislar demais e é contra isto que lutamos.

Ler mais aqui. UPDATE: A proposta foi rejeitada com 324 votos contra (34 a favor das) alterações da lei actual. Mais uma victória para a educação em casa!

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Lara, 14 anos, conta a sua história

Hoje deixo-vos a tradução livre de um trecho do livro Free Range Education: How Home Education Works. Se quiserem podem encomendar o livro aqui. Espero que gostem. Aqui vai:

Há um ano que aprendo em casa e posso dizer, com toda a honestidade, que nunca mais olhei para trás. Quando saí da escola estava estressada, infeliz e completamente exausta. Porém, agora, a minha situação é totalmente diferente.

A minha jornada em direcção à liberdade começou há vários anos, quando adoeci com febre glandular (mononucleose infecciosa). Durante meses fui alvo de todas as constipações e gripes que íam aparecendo e os meus professores e colegas habituaram-se às minhas ausências frequentes da escola. Estava sempre cansada, deprimida e cheia de ansiedade.

Naquela altura o ensino doméstico soava-me a algo para prodígios ou não-conformistas. Como não encaixava em nenhum desses grupos pensava que a educação domiciliar não era para mim. Mas algo dentro de mim fez com que eu não perdesse a esperança. Algures, no fundo do meu coração, sabia que tinha de haver outra alternativa. Afinal, a educação deveria ser uma benção. Eu sabia que não devia ser algo que apenas tornava a minha vida num inferno.

À medida que as semanas foram passando o meu desespero foi aumentando mas graças à internet e à comunidade global online comecei a aprender cada vez mais sobre a realidade do ensino doméstico. A comunidade era muito maior do que tinha antecipado - fiquei abismada com a quantidade de pessoas que, tal como eu, não frequentam a escola! Armei-me com informação, troquei inúmeros emails com homeschoolers de todo o mundo e pensei bastante. A escola certamente não estava a melhorar, nem a minha saúde. Mas como poderia uma miúda de 12 anos convencer os pais a deixá-la não frequentar a escola?

Tive muita sorte porque os meus pais têm mentes abertas. Com um certo cepticismo concordaram investigar o assunto. Estavam convencidos que iriam dizer não mas como queriam ser justos resolveram pesquisar esta alternativa educacional. A pesquisa dominou a maior parte das férias do Verão. Consultámos livros, sites na internet e entrámos em contacto com várias organizações. Quase todas as manhãs o carteiro trazia-nos material de organizações (como a EO e a HEAS) e pouco a pouco a atitude dos meus pais começou a mudar. Tal como eu, ficaram surpreendidos com tudo que o ensino doméstico tinha para oferecer e quando chegou a hora da decisão deixaram-me dizer adeus à escola. Com o apoio dos meus pais, estava felicíssima da vida!

Contudo, os meus pais deixaram a decisão final ser minha. Enquanto o meu coração estava desesperado por se libertar da escola, a minha cabeça contemplava as enormes mudanças que o ensino doméstico iria trazer; mas, armada com tantos conhecimentos sobre o mundo fora da escola, acho que não poderia ter voltado para a escola para sempre. Optei pela educação em casa e frequentei a escola durante mais um período antes da despedida final, no Natal.

Adeus escola, olá liberdade!

Continua aqui.

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Manual de Libertação dos Adolescentes

Em muitos países os jovens sentem-se encurralados e impotentes nas escolas que são obrigados a frequentar. Infelizmente, a maioria parece não estar ciente da possibilidade de aprender fora do sistema de ensino. Apesar de odiarem a rotina escolar acreditam no que lhes foi dito, que sem escola e sem diplomas as suas vidas serão arruinadas. Esta crença, baseada no medo, vem de tempos antigos.

Os pais, em geral, ao ouvirem as queixas dos filhos respondem algo do gênero: "Pois, eu compreendo, também detestava a escola mas infelizmente é o que temos de fazer. Temos de aceitar as coisas como elas são".

Teenage Liberation Handbook, escrito por Grace Llewellyn para adolescentes, tem sido muito eficaz em alterar estas crenças negativas e destrutivas. A intenção do livro é ajudar a consciencializar as pessoas sobre as vantagens da aprendizagem natural (aprendizagem autónoma e unschooling).

Original aqui. E, aqui (abre video em inglês), Taliesin, um rapaz de 13 anos que leu o livro, encoraja outros jovens a descobrirem o que mais lhes inspira e entusiasma.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

Carta aberta no Guardian

No Reino Unido, os esforços para manter a indepêndencia do ensino doméstico, proteger a diversidade educacional e defender os direitos das crianças e famílias continuam.

Mais de 1000 assinaturas acompanharam esta carta aberta sobre as alterações que o governo britânico propõe na área do ensino domiciliar. São assinaturas não só de pais que educam os filhos fora do sistema escolar mas de psicólogos, cientistas, escritores, representantes de várias organisações, membros do parlamento britânico, professores universitários especializados nas áreas da sociologia, educação, psicoterapia /acompanhamento psicológico e assim por diante (ver a lista completa aqui).



Todos eles acreditam que o schedule 1 da children, schools and families bill representa uma inaceitável imposição de controlo Estatal sobre a família. Embora o alvo sejam as crianças educadas fora do sistema escolar, a lei, se implementada, teria implicações para todas as famílias.

Apesar da maioria dos pais não pensar no ensino doméstico para os filhos - muitos nem sequer sabem da existência desta alternativa e, mesmo se soubessem, não teriam disposição para isso nem as condições necessárias -, qualquer família pode vir a precisar desta opção: todos sabemos que, infelizmente, por uma série de razões (como o bullying / violência escolar, a resultante fobia escolar, escolas sem capacidade de lidar com necessidades educativas especiais, alunos dotados passando o tempo entediados na escola, etc.), a severidade do impacto negativo que a escola pode ter nos nossos filhos é algo que não podemos ignorar. Por enquanto, no Reino Unido, esta opção está disponível a todos os pais. Se esta proposta for ávante, a lei iria pela primeira vez transferir a responsabilidade pela educação das crianças dos pais para o Estado. Esta é uma questão que nos deveria preocupar a todos.

A carta aberta explica que não há necessidade de mudar a lei uma vez que actualmente ela já exige que os pais dêem uma educação adequada à idade, aptitudes, capacidades e quaisquer necessidades especiais que os filhos possam ter. Além disso, as autoridades locais já têm o poder de interferir caso os pais não cumpram as suas obrigações.

Os especialistas, profissionais e praticantes chamam a nossa atenção para as várias pesquisas que já demonstraram o sucesso do ensino doméstico e dos diversos métodos educacionais usados. São métodos geralmente centrados na criança e fora dos paradigmas educacionais prevalentes nas escolas.

Lembram-nos também que a diversidade na educação é absolutamente essencial para a sustentabilidade de qualquer democracia e que precisamos de leis que protejam esta diversidade e os interesses das crianças enquanto indivíduos.

Alertam-nos também para o facto de que os interesses das crianças estão completamente ausentes desta proposta, cujo objectivo é o estabelecimento de um sistema burocrático administrado pelas autoridades locais que obteriam o poder de, a qualquer momento, negar aos pais autorização para educar os filhos a não ser que se conformem aos ditames e currículos estabelecidos pelo Estado.

E, claro, se esta proposta de lei for implementada, os residentes do Reino Unido poderão acabar em situações como esta, em que um casal americano de homeschoolers foi preso por não ter preenchido a devida papelada!

domingo, 10 de janeiro de 2010

sábado, 9 de janeiro de 2010

Em Vez da Escola, a Casa

Aprender em casa. Com as novas tecnologias, com a Internet e com a impaciência com que os pais olham para as escolas porque não devolver à família a tarefa do ensino? Este é só um cenário, polémico, para a "escola de amanhã".

Uma vez que o conhecimento está tão disponível através dos novos meios tecnológicos e de informação como a Internet, por exemplo, as famílias mais educadas poderão começar a desprezar as escolas. O especialista [David Hargreaves, da Universidade de Cambridge, Inglaterra] dá o exemplo do "home schooling", o ensino em casa, modelo preferido pelos pais que perderam a réstia de fé nos estabelecimentos de ensino e se atemorizam perante o perigo da violência e das drogas nas escolas. Sem essas más influências, estudar em casa teria ainda a vantagem de estreitar os laços familiares e a passagem de valores.

É que o tempo em que os professores das escolas eram essenciais- quando tinham acesso ao conhecimento e ao material negado à maioria dos pais - já passou. As Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) permite o acesso a um volume inimaginável de informação. Muitos dos pais que optam por ter os filhos a estudar em casa são utilizadores das TIC: "Porque é que hão-de enviar as crianças para a escola onde os professores têm medo das TIC?" Para além do mais, poderia haver sempre o recurso a professores, escolhidos pelos pais, que educariam os filhos nos aspectos concretos e com as orientações precisas determinadas por quem os contratava.

Mas mais importante (...) é que as crianças educadas em casa têm mais probabilidades de desenvolver as capacidades, atitudes e posturas de auto-confiança, sendo capazes de se adaptarem a novas realidades e de trabalhar em rede. Tudo características indispensáveis num mercado de trabalho flexível, de auto-emprego, do próximo século e que "apesar da retórica oficial são muito difíceis de alimentar nas escolas e classes convencionais".

Trecho deste artigo por Dulce Neto, 1998

sexta-feira, 8 de janeiro de 2010

Universidade de Cambridge oferece lugar a jovem de 14 anos educado em casa

Um prodígio da matemática está para bater o recorde de 237 anos tornando-se o estudante mais novo da Universidade de Cambridge desde William Pitt, primeiro ministro da Grã-Bretanha durante a era napoleónica.

Arran Fernandez, de Surrey, Inglaterra, recebeu a oferta de um lugar depois de passar os exames de entrada para a universidade. Arran tem 14 anos, é educado em casa e já fez os exames do 12º ano de matemática:

"Desde que me lembro, a matemática tem sido a minha disciplina preferida. Gosto do ensino domiciliar porque estou muito mais envolvido e ajudo o meu pai a decidir o currículo."

Tornou-se famoso em 2001 quando, aos 5 anos, obteve as melhores notas nos exames de matemática. Arran diz que a sua ambição é encontrar a solução para a hipótese de Riemann - teoria ainda por resolver sobre padrões de números primos que tem deixado os matemáticos intrigados há 150 anos . Fonte: Aqui (Guardian); mais aqui.

Faz-me lembrar a estória de Ruth Lawrence que, aos 13 anos, obteve uma licenciatura da Universidade de Oxford e um prémio por ter completado a licenciatura em 2 anos. E, ainda mais interessante, pelos menos para nós, defensores do ensino doméstico, é que a adolescente também nunca tinha frequentado a escola: em vez disso, tinha aprendido em casa com o pai (ver aqui).

Outro link:
El alumno más joven de Cambridge

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Citações... e imagens desta manhã

Em uma sociedade livre, não podemos ficar enfiando conteúdos na cabeça dos outros para cumprir os papéis que desejamos que eles cumpram. ~ Augusto de Franco

A tua vida, o teu tempo e o teu cérebro deviam pertencer a ti e não a uma instituição. ~ Grace Lwellyn, dirigindo-se aos jovens.

As crianças não são propriedade de ninguém: não são propriedade de seus pais nem tão pouco da sociedade. Pertencem apenas à sua própria futura liberdade. ~ Mikhail Bakunin

As crianças, afinal, não são apenas adultos "in-the-making". São pessoas cujos direitos, experiências e necessidades actuais devem ser levados a sério. ~ Alfie Kohn

É uma perda de tempo falar sobre liberdades civis [ou direitos infantis] com adultos que, na sua adolescência, foram sistematicamente ensinados que não as tinham; e uma hipocrisia total chamar tais pessoas defensores da liberdade. ~ Edgar Friedenberg

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Ivan Illich: Depois do deschooling, o quê?

After Deschooling What - Ivan Illich

E não pára de nevar!

Está um frio danado! Lá fora, tudo coberto de neve!

E dizem que esta noite a temperatura vai atingir os -7°C!

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

Introdução ao Freeskilling

Freeskilling? O que é isso? Mmmm, como começar a explicar? Talvez pela necessidade que todos temos de contribuir para um mundo melhor, de conectar com os outros, de partilhar os nossos interesses e talentos. Uma espécie de casamento entre as ideias da economia gratuita e alguns aspectos das redes educacionais de que já falava Ivan Illich.

Na prática é um servico gratuito de troca de conhecimentos: alguém encarrega-se de encontrar um grupo de pessoas que gostariam de partilhar os seus conhecimentos, encontrar um local adequado para esse efeito e arranjar maneira de fazer com que as pessoas interessadas saibam dos eventos. Com a internet - redes sociais, grupos yahoo e coisas desse tipo - esta tarefa fica bem mais fácil!

Aqui em Bristol o Freeskilling está de volta depois das férias de Natal. Todas as terças feiras às 19hrs no The Better Food Company, que disponibiliza o espaço. É gratuito e para todas as idades, como sempre!

Resolvi partilhar por várias razões: porque uma destas "aulas" é sobre o ensino doméstico, para inspirar quem queira organisar algo semelhante, e porque este modelo de troca de conhecimentos é frequentemente usado por grupos de familias que optam pela educação domiciliar. Eis o programa para as próximas 8 semanas:
Frees Killing Poster Jan Feb 2010

Espero que isto vos inspire a criar um projecto semelhante e que estejam ansiosos por mais um ano de aprendizagem!

sábado, 2 de janeiro de 2010

Caminhando ao ar livre

Esta tarde, em Ashton Court...