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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

4 anos de ensino doméstico... e computadores!

Faz hoje 4 anos que ingressámos no ensino doméstico. Ensino doméstico... que expressão mais horrorosa! Não gosto nada dela; uso-a apenas por ser a que aparece na legislação portuguesa.

Não gosto por ser tão enganadora. A palavra "ensino" não é boa porque nós colocamos a ênfase na aprendizagem. E a palavra "doméstico" também dá azo a ideias muito erradas: 1) de miúdos fechados em casa quando a verdade não podia ser mais diferente - daí um dos lemas do unschooling ser "o mundo é a minha sala de aulas!"; e 2) de que a aprendizagem é algo que ocorre apenas dentro de casa quando na realidade é um processo constante que ocorre onde quer que estejamos.

Prefiro expressões como aprendizagem natural, aprendizagem informal, aprendizagem autónoma, aprendizagem centrada na criança, aprendizagem auto-direcionada, aprendizagem orgânica, aprendizagem livre, etc.

Mas mudemos de assunto! Tem sido uma aventura fascinante mas hoje quero deixar aqui um sumário da aprendizagem mais recente na área de computadores (PC Practical Training).

A semana passada andámos a aprender dígitos binários (bits, bytes e nibbles), enfim, o sistema binário.

Uma boa introdução é a parte final do documentário A História Do Número 1, que explica como o "1" se associou ao "0" para dominar o mundo digital em que hoje vivemos. E se quiserem praticar a conversão de números decimais nos seus equivalentes binários e vice versa, sugiro este jogo online.

Nas semanas anteriores: componentes de um PC (processador, placa-mãe, memória RAM, placa de vídeo, disco rígido, etc), ports & interfaces, descargas de eletricidade estática, breve história do computador, etc. E aqui ficam umas fotos da parte prática (obrigado ao Alan, que disponibilizou um dos seus computadores para estas experiências)!


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Parlamento discute educação em casa

Sr. Gibb: Chegamos agora à parte provavelmente mais controversa desta proposta: a da educação em casa, [que] implementa o relatório Badman. O relatório e estas propostas enfureceram os pais de [...] 80.000 crianças educadas em casa. Como o Subsecretário de Estado, meu querido amigo e membro do parlamento para Surrey Heath (Michael Gove) disse durante a segunda leitura:

"Estou profundamente preocupado com a adicional carga burocrática que agora poderá vir a ser imposta a milhares dos nossos concidadãos cujo único crime é quererem dedicar-se tanto quanto possível à educação dos seus filhos.

Educar os filhos de acordo com seus próprios desejos, e educá-los em casa se assim o desejarem, é um direito fundamental dos pais.


Há muitas razões que levam os pais a tomar esta decisão: podem não estar satisfeitos com as escolas disponiveis na zona onde residem, os filhos podem ter necessidades educativas específicas que os pais podem apoiar melhor em casa, ou podem ter objeções filosóficas ao estilo de ensino oferecido nas escolas.

No entanto, em última análise, este é um direito humano fundamental que todos os pais devem ter e acredito que esta proposta destrói esse direito porque, como li, permite que o Estado rescinda o direito que a família tem de educar os filhos em casa se a educação oferecida não for considerada adequada segundo a regulamentação imposta pelo Secretário de Estado."
[Official Report, 11 de Janeiro de 2010, vol. 503, c. 456.]

Podem ler o debate na íntegra aqui.
Também podem ver o vídeo aqui (começa à 1hr 29mns).

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Educar em casa? Porquê? E o currículo?



Algumas pessoas optam pelo homeschooling simplesmente porque se sentem atraídas pelo estilo de vida que lhes permite, pela qualidade dos laços familiares e pelos benefícios em termos de socialização.

Como participam na vida da comunidade, as crianças educadas fora das salas de aulas habituam-se a conviver com todo o tipo de pessoas e, sem a pressão social dos colegas da escola, sentem-se mais à vontade no desenvolvimento de amizades.

As crianças que aprendem fora da escola têm menos probabilidade de se tornarem dependentes dos colegas; em relação à vida familiar, é provável que esta seja menos estressante quando é livre das exigências das instituições de ensino.

Para essas famílias que optam pelo homeschooling, Currículo Completo dá-lhes a oportunidade de ajudar os filhos a construir uma vida melhor.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Pam Sorooshian: Princípios do Unschooling

A aprendizagem é constante. O cérebro nunca pára de funcionar e é impossível dividir o tempo em "períodos de aprendizagem" versus "períodos de não-aprendizagem." Tudo o que se passa à nossa volta, tudo o que vemos, ouvimos, tocamos, cheiramos e saboreamos resulta em aprendizagem.

A aprendizagem não requer coerção. Na verdade, a aprendizagem não pode ser forçada e nunca ocorre quando vai contra a vontade da pessoa. Coerção é desagradável e cria resistência.

Aprender sabe bem. É algo que dá prazer, algo intrinsecamente gratificante. Recompensas irrelevantes podem ter efeitos secundários indesejados que não apoiam a aprendizagem.

A aprendizagem é interrompida quando a pessoa está confusa. Toda aprendizagem deve ser construida no que já é conhecido.

A aprendizagem torna-se difícil quando estamos convencidos que aprender é difícil. Infelizmente, a maioria dos métodos de ensino parte do princípio de que a aprendizagem é difícil e que o que é realmente "ensinado" aos alunos é a lição.

A aprendizagem tem de ser significativa. Quando não entendemos o seu propósito, quando não compreendemos a sua utilidade nem percebemos como é que a informação se relaciona com o "mundo real", então a aprendizagem é superficial e temporária, e não uma "verdadeira" aprendizagem.

A aprendizagem é muitas vezes incidental. Isto significa que nós aprendemos quando estamos completamente envolvidos em actividades que gostamos, que fazemos por prazer, e que a aprendizagem acontece como uma espécie de "efeito secundário".

A aprendizagem é muitas vezes uma actividade social e não algo que acontece em isolação dos outros. Aprendemos com pessoas que têm as competências e conhecimentos em que estamos interessados e que nos deixam aprender com elas numa variedade de maneiras.

Não precisamos de fazer testes nem de ser avaliados para sabermos o que é que já aprendemos. A aprendizagem será demonstrada ao usarmos as nossas novas habilidades e ao falarmos com conhecimento sobre determinados tópicos

Os sentimentos e o intelecto não estão em oposição nem estão separados. Toda aprendizagem envolve tanto as emoções como o intelecto.

Aprender exige uma sensação de segurança. O medo bloqueia a aprendizagem. A vergonha e o constrangimento, tal como o stress e a ansiedade, bloqueiam a aprendizagem.

Original aqui.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Homeschoolers gravam single para o Haiti

Katie Elliott, pianista & compositora jazz, mãe e homeschooler (praticante do ensino doméstico), escreveu e produziu um single para angariar fundos para as vítimas do terremoto haitiano.

A inspiração veio das crianças educadas em casa que frequentam as sessões de música que regularmente orienta.

As crianças mencionadas neste artigo da BBC Gloucestershire aprendem fora do sistema escolar. Infelizmente, o facto foi omitido pelo jornalista apesar de Katie ter deliberadamente salientado esse facto durante a entrevista.

De qualquer modo, a música que ajudaram a compor vai ajudar as vítimas do Haiti e é muito popular, com muitos downloads e feedback positivo. Podem ouvir e baixar a música aqui.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Homeschooling nos Emirados Árabes Unidos

Muitos pais estão convencidos que para melhorar a educação dos seus filhos devem retirá-los da escola e ensiná-los em casa. Há cada vez mais evidência sugerindo que as crianças que aprendem em casa recebem uma educação de maior qualidade e ficam melhor preparadas para o futuro do que as que frequentam a escola.

Muitos pais estão abandonando as escolas normais para dar aos filhos o tipo de educação que querem que estes recebam. Para esses pais, o homeschooling é a melhor abordagem.

Uma pessoa que muito falou sobre as vantagens do homeschooling foi John Holt, o famoso teórico da educação e educador americano. Segundo Holt, as crianças nascem com a capacidade de aprender. Eles já dominam a língua e muitos outros processos de aprendizagem, utilizando os métodos científicos de investigação, análise e avaliação. Um "aprendente" curioso, paciente, determinado, cheio de energia e hábil chega à escola. Mas nós obrigamos-lhe a sentar-se numa secretária, e o que é que lhe ensinamos?

Bem, primeiro que a aprendizagem é algo separado da vida - "Vens à escola para aprender". Segundo, que não confiamos que é capaz de aprender. A escola torna as crianças paranóicas, com medo de cometer erros e, assim, elas aprendem a "desviar-se, fazer bluff e aldrabar." Interação é uma ofensa punível e considerada problemática. Holt afirma:

"É rara a criança que consegue acabar os seus estudos sem perder a sua curiosidade, independência, senso de dignidade, competência e amor-próprio."


A escola em casa permite que as crianças mantenham a sua curiosidade natural e torna a aprendizagem uma aventura. Tem também a vantagem de criar laços mais fortes entre pais e filhos. A maneira de melhorar as escolas seria tirar as crianças das salas de aula e dar-lhes a oportunidade de aprender sobre o mundo através de experiências directas. Por exemplo, os homeschoolers aprendem matemática quando vão às compras com a mãe.

A tradução é livre e parcial mas podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A estatização dos nossos filhos

O caso do casal de homeschoolers da Alemanha a quem foi concedido asilo político nos Estados Unidos, sobre o qual Ed West recentemente falou, torna-se ainda mais interessante ao lermos os comentários do juiz que concedeu o asilo aos Romeikes: Lawrence O. Burman, de Memphis, Tennessee.

Burman disse: "Não podemos esperar que todos os países tenham a nossa Constituição. O mundo poderia ser um lugar melhor se tivessem. No entanto, os direitos aqui violados são direitos humanos fundamentais, que nenhum país tem o direito de violar. E continuou: "Os homeschoolers são um grupo social que o governo alemão está tentando suprimir. Os receios de perseguição desta família são bem fundamentados... portanto, são elegíveis para asilo..."

Essas últimas observações poderiam ter sido proferidas em 1933. Mas será que compreendemos realmente o significado do que aconteceu? Compreendemos que nós, cidadãos da União Europeia, agora pertencemos a um Estado totalitário cujos cidadãos estão recebendo asilo político nos Estados Unidos? Vinte anos após a queda do Muro de Berlim, a tirania está de volta na Alemanha.

Burman acrescentou que a coisa mais assustadora deste caso é a motivação do governo alemão, que em vez de se preocupar com o bem-estar das crianças está tentando acabar com sociedades paralelas. Preocupado, o juiz acrescentou que embora a Alemanha seja um país democrático e aliado, a política de perseguição aos homeschoolers é "contrária a tudo que acreditamos como americanos".

Isto dá-nos uma ideia do modo como os americanos, que vivem num país livre, vêem o totalitarismo que subrepticiamente se apoderou da Europa. Por isso não é apenas uma questão alemã: somos todos fantoches sob controle estatal. Por que é que os homeschoolers alemães não pediram asilo político na Grã-Bretanha? Porque os nossos governantes seguem a mesma filosofia tirânica.

Muitos obstáculos são colocados aos pais que educam os filhos em casa na Grã-Bretanha. A mentalidade é que o Estado - e não os pais - é o controlador natural e modelador da vida e crenças das crianças.

Quando uma estudante pode fazer um aborto sem o conhecimento dos pais, sabemos que enquanto as empresas de serviço público foram privatizadas, os nossos filhos foram nacionalizados. A família que fugiu da Alemanha não aceitou a ideia dos filhos serem obrigados a seguir um currículo que era, em sua opinião, anti-cristão. O mesmo se aplicaria nas escolas britânicas, onde a educação sexual pornográfica está cada vez mais a tornar-se obrigatória.

Esta ideia não é nova. Foi implementada como política de governo pela primeira vez em 1919, na Hungria, durante a breve ditadura comunista de Bela Kun, quando Georg Lukács, vice-comissário para a "cultura", enforçou o seu sistema de Terrorismo Cultural, alimentando as crianças à força com uma educação sexual pornográfica, ensinando-as a desprezar os pais e a monogamia e a rejeitar a família e a religião.

Lukács foi um dos fundadores da Escola de Frankfurt de Marxismo, mais tarde popularizada por Herbert Marcuse, cujas noções dementes são hoje chamadas "correção política" (ou politicamente correcto) e, como tal, têm colonizado os governos ocidentais.

É preciso os comentários directos de um juiz norte-americano, num país onde a cultura de guerra ainda não se perdeu, para nos fazer ver que nós, europeus, já moramos no Gulag. O Muro de Berlim não "caiu" - apenas foi mais para o oeste.

Original

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

domingo, 31 de janeiro de 2010

11 anos, educado em casa, nas telas do cinema

Para muitos actores, aparecer nas telas do cinema é uma luta enorme. Para Tendal Mann, rapaz de 11 anos que aprende em casa, o percurso foi muito mais fácil e rápido: apareceu no seu primeiro filme depois de apenas 4 anos de trabalho nos palcos de Atlanta.

A família, os amigos e fãs de Tendal reuniram-se no domingo passado para a primeira exibição nos EUA de "Who Do You Love", um filme biográfico sobre o pioneiro da indústria musical Leonard Chess. Tendall aparece em nove cenas, como filho de Leonard.

Esta não foi a primeira vez que Tendall se viu na tela do cinema. "O filme estreou no Festival de Filme de Toronto há um ano e fomos à estreia", disse Tendal. "Foi uma grande gala. Eu entrei pelo tapete vermelho e assinei autógrafos. Diverti-me imenso!"

Tendal obteve o papel depois da sua primeira audição, devido aos diversos papéis que o haviam tornado confortável à frente do público.

Entre shows, Tendal faz parte do movimento de desescolarização - unschooling -, que é diferente da tradicional escola-em-casa. Ele tem várias aulas dadas por especialistas. Este ano está a aprender chinês mandarim, mas as suas disciplinas preferidas são a história e ciências.

O horário flexível proporciona-lhe o tempo necessário para actuar. "Se temos de sair da cidade é muito mais fácil. Posso levar os livros comigo."

Quando não está a estudar ou a actuar, toca bateria num grupo com dois amigos. Mas passa a maior parte do tempo livre aperfeiçoando a sua arte.

"Actuar dá montes de trabalho mas eu gosto", disse ele. "Mantém-me ocupado e até ganho dinheiro para gastar."

Adaptado daqui.

sábado, 30 de janeiro de 2010

É possivel uma nova liberdade educativa?

Há dois anos, quando ouvimos falar do incrível caso de Natascha Kampush, a jovem alemã que viveu mais de 8 anos presa sem sair nesse tempo da casa de seu raptor, a mídia salientou um facto que, para muitos, talvez tivesse passado despercebido: refiro-me a que Natasha, apesar de não ter frequentado a escola durante todo esse tempo, demonstrou uma maturidade e nível de vocabulário e expressão bem acima dos de qualquer adolescente da sua idade. Teria algo a ver com o facto de não ter frequentado a escola?

Continua aqui, em espanhol.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

EUA dá asilo a refugiados educacionais

O casal de alemães Uwe e Hannelore Romeike, com cinco filhos, fugiram para os Estados Unidos no Verão de 2008. Pouco tempo depois pediam asilo para se manterem no país. O motivo: discriminação contra o facto de quererem ensinar os seus cinco filhos em casa, na Alemanha-natal. Um juiz do Tennessee acabou por lhes dar razão. É o primeiro caso de asilo por razões educativas nos EUA [...], onde cerca de 1,5 milhões de crianças americanas são ensinadas a partir de casa.

“Este juiz olhou para as provas, ouviu os testemunhos e sentiu que a maneira como a Alemanha está a tratar as pessoas que optam por ensinar os seus filhos em casa está errada. Os direitos que estavam a ser violados eram direitos humanos básicos”, disse [Mike Connelly, HSLD].

Em Portugal é possível ensinar os filhos a partir de casa e estima-se que haja actualmente várias dezenas de crianças e jovens a estudar em regime de ensino doméstico. As autoridades educativas nacionais estimam ainda que esta modalidade está a ganhar cada vez mais adeptos.

Leiam o artigo na íntegra aqui.
Já tinha chamado a atenção para este caso aqui.

Homeschoolers trocam de casas para férias

Já ouviram falar deste sistema alternativo de férias?
Segundo este artigo, Ruaridh, que tem 11 anos e é educado em casa, adora a experiência. As férias que faz com os pais, em vez alguns dias, duram por vezes meses:

"Bem, se vocês pensam que é difícil, estão errados", disse ele. "A educação em casa ensina-nos realmente que podemos tomar as nossas próprias decisões sobre isso; só precisamos de pensar no que queremes fazer, [porque o ensino doméstico] dá-nos a oportunidade de fazer tudo que queremos. "

Links
Intervac
Troca Casa
A melhor alternativa de férias (video)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Educação em casa: a família De Pree

Se quiserem provas que a educação em casa resulta basta lerem a história da família De Pree.

As três irmãs foram educadas em casa desde o jardim de infância até a graduação do ensino secundário (Br: ensino médio). Agora, uma é professora universitária, outra é advogada, e outra é violinista e professora de música.

Erin, a professora universitária de 28 anos, orgulha-se do facto das três carreiras serem tão diferentes:

"Que bom sermos tão diferentes! Significa que os nossos pais ajudaram-nos realmente a descobrir os nossos pontos fortes e a dar o nosso melhor sem perdermos a nossa individualidade."

Essa é uma das vantagens da escola em casa - o currículo pode ser adaptado ao aluno. Erin teve a oportunidade de dedicar-se à ciência, uma disciplina em que se destacava, e teve o tempo que precisava para dominar a escrita, que não era o seu forte.

Joanna, 27 anos, diz que o ensino doméstico preparou-a muito bem para a faculdade, a carreira e a vida:

"Acho que o que realmente aprendi foi a pensar e a processar informação e não apenas a regurgitá-la. Uma das grandes vantagens da educação domiciliar é que aprendemos a pensar e não apenas a fazer, produzir, executar. A grande maioria nunca aprende a pensar."

Heather, 25 anos, disse-nos que quando era pequena teve dificuldades em aprender a ler mas que com o violino era completamente diferente, aprendia com uma facilidade enorme. E a aprendizagem em família foi essencial:

"É muito provável que se tivesse ido para uma escola regular eu teria sido rotulada, colocada numa classe especial e nunca ter tido a oportunidade de desenvolver as minhas potencialidades."

Começou a aprender a tocar violino aos 7 anos de idade e agora é violinista, professora de música e toca numa Orquestra.

Kathy, a mãe, decidiu educar as filhas em casa depois de ler o livro "Home Grown Kids", de Raymond e Dorothy Moore. Publicado em 1981, o livro defende o ensino doméstico.

"Eu queria ter tempo com as minhas filhas, queria ser a principal influência na vida delas, criar esse vínculo especial... e foi muito bom para a nossa família".

Estudos sugerem que os De Prees são a regra e não a excepção. Em 2003, uma pesquisa feita pelo National Home Education Research Institute estudou cerca de 7.300 adultos que haviam sido educados em casa.

O estudo descobriu que mais de 74% de adultos de 18-24 anos que haviam aprendido em casa tinham cursos universitários, em comparação com 46% da população em geral. Cerca de 71% dos inquiridos participavam activamente nas suas comunidades, passando o tempo livre fazendo trabalho voluntário, em comparação com 37% da população em geral.

A tradução é livre e parcial mas podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O meu filho não vai à escola: aprende em casa

Mandas os teus filhos para a escola? Muitas famílias não, educam-nos em casa. Algumas delas foram denunciadas às Comissões de Menores por "negligência". É legal? E se não tivesses frequentado a escola?

OIÇAM O DEBATE (em espanhol) aqui.

Participaram do debate:

- Carlos Cabo (autor de uma tese sobre homeschooling):
"54% dos pais que educam em casa têm cursos universitários"

- Madalen Goiria (Professora de Direito da UPV): "Os juízes dão razão às famílias, porque vêem que não são casos de negligência"

- Sorina Oprean (mãe que educa os filhos em casa):
"É uma maneira de aprender em família"

- Ketty Sánchez (mãe que educa seus filhos em casa): “Superprotegidos? Em vez de estarem fechados numa sala de aulas eles observam o mundo directamente!"

Traduzido daqui.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Prêmio de robótica para homeschoolers


Equipe de jovens educados em casa ganha prêmio de design num campeonato de robótica no Reino Unido. Foi a esta equipe que o Alan ofereceu o seu adorado kit de robótica, por isso ficou todo satisfeito ao ouvir as boas notícias.

Os Tech HEds ganharam o prêmio de Design Técnico nas finais, decorridas na Universidade de Loughborough em 23 de Janeiro de 2010; e agora foram convidados para a competição internacional, em Istambul, 22-24 Abril de 2010!

Mais uma história de sucesso para o ensino doméstico!
Podem ler mais e ver fotografias aqui.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ensino doméstico: uma bola de neve

Mais uma tradução livre e parcial de um artigo sobre o ensino domiciliar nos EUA:

Quando a Annabelle, de 7 anos, estuda frações e a conversão de litros em decilitros, ela vai com a mãe para a cozinha e começa a cozinhar. Para a lição sobre as lagartas, as duas vão observar directamente os bichinhos no quintal. Annabelle aprende em casa; isso significa que a "escola" é em casa.

No ano passado Angela decidiu educar a filha, que se tornou numa das muitas crianças que decidiram abandonar a escola - pública e/ou privada - para aprender em casa.

No ano lectivo que passou, só na Flórida foram cerca de 4.300 as crianças que começaram a ser educadas em casa - de acordo com um relatório recente do Departamento de Educação este foi o maior aumento desde 2005, elevando o número total de homeschoolers na Flórida aos 60.913.

No Lake County, a subida foi ligeira no ano passado mas estimativas recentes mostram um grande aumento neste ano lectivo. No início deste mês, Lake tinha 1.508 alunos matriculados no ensino doméstico - em vez dos 1.245 de Janeiro passado, disse Jay, que supervisiona o departamento encarregado pelo monitoramento dos números de homeschoolers no Estado. Isso corresponde a um aumento de 21% em Lake. Porém, não se sabe bem o que está causando esta verdadeira bola de neve.

Ninguém tem estudado este fenómeno recente, que está ocorrendo em todo o lado. Líderes educacionais dizem que é provável que a economia esteja por trás disto. Com a recessão económica muitos pais já não se podem dar ao luxo de mandar os filhos para escolas particulares. Mas como não querem os filhos em escolas públicas, resolvem educá-los em casa.

Durante anos, uma das principais razões por trás do ensino doméstico foi a insatisfação com as escolas públicas - e isso não mudou, disse um funcionário da Associação de Pais Educadores da Flórida. Mas também já ninguém estranha a educação domiciliar.

Antes o homeschooling era visto como uma opção escolhida principalmente por comunidades religiosas mais conservadoras ou por hippies mais libertários. Mas hoje, dezenas de milhares de famílias de várias origens étnicas, econômicas e religiosas educam seus filhos em casa.

O acesso cada vez maior a programas educacionais na internet e grupos de apoio aos pais online tornou o ensino doméstico mais fácil e menos intimidante. E estudos provam que as crianças educadas em casa têm melhores resultados acadêmicos, devido em parte à atenção pessoal que recebem.

Esse tipo de arranjo é mais acessivel em termos financeiros para as famílias que apreciam o ambiente das escolas privadas. Alguns pais, contudo, escolhem o homeschooling porque estão descontentes com as escolas públicas.

Gary Weaver, presidente da Associação de Pais Educadores da Flórida, disse que muitas famílias estão cansadas de lidar com os problemas das escolas públicas, que estão completamente fora do seu controlo, como a indisciplina, a violência escolar e as drogas.

Podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Sucesso do jovem inventor educado em casa

Este inventor foi educado em casa, sem nunca ter posto os pés numa escola. Tem apenas 15 anos mas já se pode orgulhar de ter imaginado um sistema à base de algas cuja finalidade é nada menos do que satisfazer todas as necessidades humanas, desde as energéticas às alimentares, em zonas do planeta que ainda estão à espera que o progresso chegue.

"Adoro inventar coisas", diz o rapaz americano Javier Fernandez-Han, vencedor do concurso Invente your world. O prêmio foi concedido pela Fundação Lemelson.

A mãe, de origem mexicana, e o pai, de Taiwan, conheceram-se na prestigiada Universidade de Brown (Rhode Island). Optaram pela educação em casa, convencidos de que a escola iria limitar as potencialidades dos filhos. Os pais explicam que a educação domiciliar permite que os jovens se concentrem nas suas paixões.

Javier: "Eu fui educado de uma maneira diferente mas faço o que gosto e tenho muitos amigos envolvidos no projecto Inventors Without Borders. As pessoas da minha idade poderiam fazer mais, mas não sabem quais são as suas paixões.

Podem ler o artigo na íntegra, em espanhol, aqui.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Educação domiciliar no parlamento britânico

Podem ver o vídeo (3hrs, em inglês) do inquérito sobre a educação em casa no parlamento britânico, com a Comissão de Crianças, Escolas e Famílias e representantes de organizações de apoio ao ensino doméstico, que decorreu na passada terça feira dia 19 de Janeiro de 2010, aqui.

Se preferirem ler, a transcrição está aqui (usem os botões previous e continue, o documento é longo!)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Legumes, vegetais e frutos biológicos à porta

Olhem só, não são bonitas, as caixas da Riverford [videos aqui e aqui] cheias de legumes e fruta que chegaram esta manhã?

Além das 2 caixas, encomendámos mais uns items extras: cherovias, leite, iogurte e ovos. Tudo biológico! E a entrega é gratuita.

Estas caixas, distribuidas uma vez por semana, incluem sempre folhetos com receitas, o que dá sempre jeito,

especialmente para os ingredientes a que não estamos muito habituados, como o celeriac (não sei bem como se diz em português: aipo-rábano? aipo nabo? aipo-de-raíz? em latim é apium graveolens rapaceum), que podem ver na foto acima entre as bananas e a couve.


Em Portugal, o supermercado biológico Brio também faz entregas ao domicilio. Em Aveiro, têm o Al Cabaz e, caso estejam interessadas, o site da Agrobio tem uma lista de mercados biológicos.

Jovem educada em casa vai ao parlamento defender a inviolabilidade de domicílio

Um dos argumentos que o governo britânico está a usar na tentativa de justificar a intrusão na vida familiar dos praticantes do ensino doméstico é que há sempre a possibilidade, por muito rara que seja, que alguma família de uma minoria étnica possa vir a usar a educação em casa para esconder o casamento forçado das filhas. E, sem o direito de invadir o domicílio sem necessidade de mandado judicial e interrogar as crianças na ausência dos pais, como poderia o Estado protegê-las desses possiveis casamentos?

Felizmente a educação domiciliar produz jovens capazes de irem ao parlamento defender os direitos dos pais e as nossas liberdades civis, como a inviolabilidade de domicílio.

Já vos tinha falado da Chloe Watson aqui. Chloe é uma jovem educada em casa, presidente da Associação de Jovens Educados em Casa e pesquisadora educacional. Com 17 anos acabadinhos de fazer, Chloe foi ao parlamento como representante da HEYC, que não apoia a proposta-lei e decidiu optar pela desobediência civil caso seja implementada.

Segue-se um trecho do debate que ocorreu há 3 dias:

Mrs. Cryer: Gostaria de sugerir ao painel que há questões importantes que não estão necessariamente relacionadas com a educação em casa. Temos de saber onde as crianças estão. Em certas zonas, como em Bradford, há crianças que são retiradas da escola e enviadas de volta ao Paquistão ou a Bangladesh durante períodos muito longos. [Resumo: Na pior das hipóteses, estas jovens podem ser sujeitas a casamentos forçados. Como vivem no Reino Unido deveriam receber o mesmo tipo de apoio que os outros sectores da comunidade.] Alguém gostaria de comentar sobre isso?

Chloe Watson: Há um problema com o facto de que como os filhos estão, com efeito, sob a jurisdição dos pais, é óbvio que se são educados em casa a autoridade local não tem nada a ver com isso. Eles estão com seus pais e isso é suficiente. Se os pais decidem levá-los a dar a volta ao mundo por três anos, visitar seja onde for e fazer seja lá o que for, essa é uma decisão que pertence aos pais. Claro, seria bom que consultassem os filhos e que estes tivessem concordado, mas não é ilegal nem algo com que nos deveríamos preocupar.

Caroline Flint: Não, não é ilegal. Se a criança tiver idade escolar e os pais dizem: "Queremos dar uma volta ao mundo", eu não tenho necessariamente qualquer objeção - pelo menos sabemos qual é a situação. Noutras circunstâncias, poderia não ser uma experiência educativa mas possivelmente forçar uma jovem mulher ou rapariga a um casamento que ela não quer. Sabendo onde as crianças estão, pelo menos haveria uma conversa. Não concordarias com isso?

Chloe Watson: Quando perguntamos aos pais para onde estão levando os filhos, eles podem dizer uma coisa e fazer outra. Como não podemos forçar as pessoas a dizerem a verdade sobre onde os filhos estão, perguntar-lhes não seria produtivo, seria apenas um peso desnecessário sobre as autoridades e os pais. E revela que [o Estado] não confia nos pais.

Fonte