... as pessoas envolvidas no movimento do unschooling e da "não-escola" afirmam que a leitura não precisa ser ensinada. Desde que as crianças cresçam numa sociedade letrada, rodeadas por pessoas que lêem, elas irão aprender a ler. Podem fazer algumas perguntas no percurso e receber algumas dicas de pessoas que já sabem ler, mas são elas que tomam a iniciativa e orquestram todo este processo sozinhas. Trata-se de uma aprendizagem individualizada que não requer imagiologia cerebral nem cientistas cognitivos e que exige pouco esforço por parte de terceiros que não a própria criança que está aprendendo. Cada criança sabe exatamente qual é o seu estilo de aprendizagem e o que está pronta para aprender, e vai aprender a ler à sua própria maneira e ao seu próprio ritmo.
Há 21 anos atrás, dois dos meus alunos universitários realizaram um estudo sobre a forma como aprendem a ler na Sudbury Valley School, onde os alunos são livres para fazer o que lhes apetece e bem entendem. Identificaram 16 alunos que tinham aprendido a ler depois de se terem matriculado na escola mas que não tinham recebido instrução sistemática de leitura. Entrevistaram os alunos, os pais e os funcionários da escola para descobrir quando, porquê e como cada um deles havia aprendido a ler. O que descobriram desafiou quaisquer tentativas de generalização: os alunos começaram a ler em idades totalmente diferentes - uns aos 4 outros aos 14!
Alguns alunos aprenderam muito depressa, um dia não sabendo ler, passando a ler fluentemente passado umas semanas, outros aprenderam muito mais lentamente. Alguns aprenderam de forma consciente, trabalhando sistematicamente na fonética e pedindo ajuda ao longo do percurso. Outros pareciam aprender sozinhos, de um dia para outro, apercebendo-se de repente que sabiam ler, mas sem terem ideia de como aprenderam. Não havia nenhuma relação sistemática entre a idade em que os alunos tinham aprendido a ler e o seu envolvimento com a leitura no momento da entrevista. Alguns dos leitores mais vorazes tinham aprendido cedo, outros muito mais tarde.
O meu filho, que faz parte do pessoal em Sudbury Valley, disse-me que esse estudo já está ultrapassado. A sua impressão é que hoje a maioria dos estudantes de Sudbury Valley estão aprendendo a ler mais cedo e com ainda menos esforço consciente do que antes porque estão imersos numa cultura em que as pessoas comunicam regularmente através da palavra escrita - em jogos de computador, e-mail, no Facebook , através de mensagens de texto nos telemóveis e assim por diante. Essencialmente, para eles, a palavra escrita não é diferente da palavra falada, e a maquinaria biológica que todos os seres humanos têm para a compreensão da língua falada é usada automaticamente na aprendizagem da leitura e da escrita (ou da datilografia).
Continua aqui.
Trecho de Children Teach Themselves to Read: unschoolers' accounts of how their children taught themselves to read, por Peter Gray, professor e pesquisador de psicologia no Boston College.
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