Este blog partilha informação sobre o homeschooling e o unschooling - ensino doméstico ou educação domiciliar. Para navegarem o site, usem os links acima e, para os posts de 2011, o botão da pesquisa na barra direita. Facebook: Aprender Sem Escola Email: aprendersemescola@gmail.com

segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

O futuro das crianças educadas em casa

Uma das perguntas frequentes sobre as crianças educadas em regime de ensino doméstico é: mas que tipo de adulto é que se vão tornar? Sem escola, o que será deles no futuro?

Bem, primeiro, uma coisa é escola, outra coisa é educação. Lá porque não frequentaram o sistema de ensino público isso não significa que não tenham recebido uma boa educação e não sejam cultos. Muito pelo contrário, como vão confirmando os vários estudos já existentes nesta área.

Nós, pais-educadores, sabemos muito bem qual é a opinião prevalente em Portugal e no Brasil acerca do ensino domiciliar e compreendemos que se deve, pelo menos em parte, à generalizada falta de informação sobre esta área. Todos temos, é claro, direito às nossas opiniões, mas às vezes damos os nossos pareceres sem nos darmos ao trabalho de verificar se eles estão realmente baseados nos factos ou se não passam de juízos infundados que formámos sem saber bem como ou porquê...

Por isso, e porque é pelos frutos que se conhece a árvore, aqui fica mais um estudo comprovando o sucesso da educação domiciliar.

Home educated adults

domingo, 20 de dezembro de 2009

Educação em casa: estórias de 21 famílias

Se queres saber porquê que certas famílias decidem educar os filhos em casa e como é que o homeschooling funciona na prática então irás gostar de ler este livro. Em Real Life Homeschooling, a autora Rhonda Barfield apresenta 21 estórias que revelam a diversidade fascinante e actual da educação em casa.

E se já fazes o ensino doméstico mas às vezes tens a sensação de que és a única família monoparental, afro-americana, com problemas de saúde, etc., a educar os filhos em casa então este livro também é para ti.

Diz-nos a autora na introdução: "Como eu praticava o homeschooling, imaginava que a maioria das outras famílias que fazem esta opção tivessem estilos de vida semelhantes ao meu. Mas não. Ao entrevistar famílias por todo o país, fiquei surpreendida ao descobrir a enorme variedade de estilos de vida e filosofias educacionais."

Real-Life Homeschooling não é um manual do estilo “faça você mesmo”. É uma coleção de 21 estórias que ilustram a diversidade existente em estilos de vida, de famílias, filosofia e visão de mundo, métodos de ensino e objetivos desejados. Como a autora explica: "o objetivo, ao escrever este livro, foi simplesmente demonstrar a interessante variedade de pessoas que opta pelo ensino doméstico."

O livro usa o mesmo formato para introduzir o leitor a cada família, começando com uma foto e algumas informações pessoais (idade dos filhos, local de residência, etc.). O autor de cada estória partilha a sua lista de recursos favoritos, os melhores e piores conselhos que receberam quando começaram a fazer o ensino domiciliar e as suas citações favoritas. Segue-se então a descrição detalhada da vida cotidiana em família e da estrutura do homeschooling, suas filosofias educacionais e o seu percurso.

Exemplos da diversidade representada no livro incluem: 3 famílias com filhos únicos e 2 com 11 filhos; 1 família em que a mãe, a principal encarregada de educação, é cega; 1 família com uma criança com Síndrome de Down; 1 família educando os filhos na Ilha de Kwajalein e outra no Alasca; famílias em que os pais estabelecem parcerias com o sistema de ensino e/ou cujos filhos participam em actividades na escola e famílias que decidem manter sua autonomia; 1 pai que foi preso por optar pelo homeschooling; famílias que seguem uma abordagem estruturada baseada num currículo e famílias que adoptam o unschooling, em que a aprendizagem é direcionada pela criança; famílias de várias religiões e nacionalidades; famílias monoparentais, com filhos adotivos e com netos; e assim por diante... [adaptado daqui]
Real-Life Homeschooling; The Stories of 21 Families Who Teach Their Children at Home

sábado, 19 de dezembro de 2009

Homeschooling no Brasil

Encontrei este estudo feito em 2001 por Emile Bouden, um consultor legislativo, e resolvi embutir aqui. Achei interessante ler que em 1994 o Deputado Carlos Lupi afirmou que no Brasil não existe qualquer impedimento constitucional ao ensino em casa uma vez que "o ensino é livre à iniciativa privada (além de ser dever do poder público), não havendo por que torná-lo monopólio do sistema escolar" - e que rejeitaram o Projeto de Lei que criava o ensino domiciliar apenas por acharem ser desnecessária uma nova lei.

Infelizmente, devido à falta de informação, conhecimento e experiência do ensino doméstico, prevalecem uma série de mitos disparatados, por exemplo, que as crianças educadas fora do sistema escolar vivem fechadas em casa, isoladas do mundo, sem oportunidades de conviver com outras crianças nem de investigar ideias e valores que não os dos pais. Isto para não falar das crenças que os pais não têm a capacidade de instruir e educar os filhos e de que a escola é o único mecanismo capaz de educar para a cidadania...

Temos portanto duas percepções muito diferentes da realidade: a das famílias que optam pela educação fora do sistema escolar e que portanto têm experiência e conhecimento sobre as vantagens desta forma de aprendizagem e a dos que representam o sistema, que conhecem apenas o sistema, que dependem do sistema para sua sobrevivência e que infelizmente detêm o poder.

Homeschooling no Brasil

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Educação escolar e educação no lar

"Os filhos não são dos pais... Aos pais cabem, sim, as obrigações de manter e educar os filhos consoante a Constituição e as Leis do país..."

Às vezes fico mesmo sem palavras... mas como convém estarmos a par dos argumentos usados contra o homeschooling e a favor da escolaridade obrigatória, resolvi embutir o artigo...
Felizmente, não vivo no Brasil!
Educação escolar, educação no lar

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Espírito natalício no ensino domiciliar


As famílias que incorporam o espírito natalício no currículo para Dezembro descobrem que reduzem o stress típico desta época. Mas como é que conseguem encaixar todas as matérias e ainda ter tempo para fazer as compras de Natal, decorar a casa e preparar o banquete?

Este post é o primeiro desta série, com exemplos de como cobrir várias disciplinas e escrever um relatório demonstrando como os vários requisitos do currículum foram cumpridos. A maior parte das actividades abrangem mais do que uma área curricular e algumas adaptam-se bem a Janeiro. Hoje começamos com português e outras línguas: isto inclui gramática e redações, ortografia, caligrafia, leitura e línguas estrangeiras. Aqui ficam algumas ideias:

Postais
Escrever uma redação sobre as aventuras passadas em família durante o ano e incluí-la nos vossos postais. Encorajar o artista da família a fazer os postais à mão [arte]. Escrever os endereços à mão [caligrafia, ortografia, português] ou criar um banco de dados com os endereços dos amigos e familiares e depois imprimir as etiquetas [TIC]. Calcular o custo da postagem [matemática]. Enviar postais electrónicos de Natal.

Ler os clássicos da época
Podem ver uma lista de livros recomendados para projectos relacionados com o Natal aqui. Ou então podem ler Canção de Natal, de Charles Dickens. Que tal reflectir sobre o verdadeiro significado da troca de prendas? Ou ler sobre o primeiro Natal na Bíblia, Lucas 2 (8:14)?

Lista de desejos de Natal
Ao fazerem a lista para o Pai Natal estão a praticar escrita e ortografia. Que tal planear outra lista do que querem comprar (ou fazer!) para dar aos outros [socialização]? Também podem escrever uma carta ao Pai Natal e enviá-la para o Pólo Norte [TIC].

Desejar a todos um Feliz Natal
Aprender a cumprimentar e a desejar um feliz Natal aos vossos amigos estrangeiros nas línguas que eles falam; ou cantar-lhes uma canção na língua deles.[Língua estrangeira].

Escrever ao pai Natal
Norad sabe exatamente onde o Pai Natal está. Eles seguem o Pai Natal através dos satélites e por isso, sabem como levar essas cartas importantes dos miúdos directamente a ele. Um e-mail já endereçado e pronto para chegar ao Pai Natal abrirá quando clicarem no link nesta página.

Lista dos Melhores Sites sobre o Dia de Natal aqui.

Adaptado daqui.

segunda-feira, 14 de dezembro de 2009

Educação domiciliar: Socialização não é um problema

é o título de um artigo publicado esta semana no Washington Times. Aqui ficam 2 parágrafos:

Desde o ressurgimento do movimento "escola em casa" no final da década de 1970, os críticos da educação domiciliar têm perpetuado dois mitos. O primeiro diz respeito à capacidade dos pais para ensinarem os filhos em casa, o segundo é se as crianças educadas em casa se tornarão ser bem ajustadas socialmente.

Um novo estudo deve levar muitos críticos a repensar as suas posições sobre a questão da socialização. Os homeschoolers não só participam activamente na vida cívica mas também estão tendo sucesso em todas as esferas da vida. Muitos críticos acreditavam, e alguns pais temiam, que os jovens "educados em casa" não seriam capazes de competir no mercado de trabalho. Mas o estudo mostra home schoolers numa enorme variedade de profissões, demonstrando claramente que as famílias que optam pelo ensino domiciliar estão no caminho certo.

Podem ler o artigo aqui.

domingo, 13 de dezembro de 2009

Se não nós, quem? Se não agora, quando?

URGENTE: EM PAUTA VOTAÇÃO DO PROJETO DE ENSINO DOMÉSTICO NO BRASIL: ESCREVA EMAIL AOS DEPUTADOS

NO dia 16/12/2009, a Comissão de Educação e Cultura da Câmara dos Deputados do Brasil levará à votação o Projeto de Lei nº 3518/2008, que trata sobre a educação domiciliar no Brasil. O projeto obteve parecer desfavorável da deputada relatora. Então, peço que todos escrevam aos Deputados pedindo a aprovação do mencionado projeto. Segue abaixo o endereço de email dos deputados titulares e também dos suplentes da referida Comissão. É importante que todos enviem. É URGENTE!

TITULARES

dep.atilalira@camara.gov.br
dep.alexcanziani@camara.gov
dep.antoniocarlosbiffi@camara.gov.br
dep.belmesquita@camara.gov.br
dep.carlosabicalil@camara.gov.br
dep.fatimabezerra@camara.gov.br
dep.iranbarbosa@camara.gov.br
dep.joaomatos@camara.gov.br
dep.joaquimbeltrao@camara.gov.br
dep.josephbandeira@camara.gov.br
dep.mariadorosario@camara.gov.br
dep.neiltonmulim@camara.gov.br
dep.nilmarruiz@camara.gov.br
dep.professorsetimo@camara.gov.br
dep.raulhenry@camara.gov.br
dep.reginaldolopes@camara.gov.br
dep.clovisfecury@camara.gov.br
dep.jorginhomaluly@camara.gov.br
dep.pintoitamaraty@camara.gov.br
dep.rogeriomarinho@camara.gov.br
dep.aliceportugal@camara.gov.br
dep.ariostoholanda@camara.gov.br
dep.paulorubemsantiago@camara.gov.br
dep.wilsonpicler@camara.gov.br
dep.marcosantonio@camara.gov.br

SUPLENTES

dep.angelaportela@camara.gov.br
dep.charleslucena@camara.gov.br
dep.elismarprado@camara.gov.br
dep.emilianojose@camara.gov.br
dep.eudesxavier@camara.gov.br
dep.fernandonascimento@camara.gov.br
dep.geraldoresende@camara.gov.br
dep.jairocarneiro@camara.gov.br
dep.joselinhares@camara.gov.br
dep.professorsetimo@camara.gov.br
dep.marceloalmeida@camara.gov.br
dep.maurobenevides@camara.gov.br
dep.osmarserraglio@camara.gov.br
dep.professorsetimo@camara.gov.br
dep.pedrowilson@camara.gov.br
dep.robertoalves@camara.gov.br
dep.rodrigorochaloures@camara.gov.br
dep.severianoalves@camara.gov.br
dep.eduardobarbosa@camara.gov.br
dep.eleusespaiva@camara.gov.brv.br
dep.liramaia@camara.gov.br
dep.luizcarlossetim@camara.gov.br
dep.narciorodrigues@camara.gov.br
dep.paulomagalhaes@camara.gov.br
dep.professorruypauletti@camara.gov.br
dep.professoraraquelteixeira@camara.gov.br
dep.raimundogomesdematos@camara.gov.br
dep.dr.ubiali@camara.gov.br
dep.lidicedamata@camara.gov.br
dep.luizaerundina@camara.gov.br
dep.josefernandoaparecidodeoliveira@camara.gov.br
dep.marceloortiz@camara.gov.br

Retirado daqui.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Outro vídeo sobre o unschooling

O título deste vídeo, feito por Nicole Campbell-Robinson, é
Unschooling: O movimento da aprendizagem direccionada pela criança.



Segue-se uma tradução parcial e livre dos 2 primeiros minutos:

Afinal o que é o unschooling?

Cunhado pelo educador John Holt, unschooling é uma forma de educação em casa em que os estudantes não têm que seguir um currículo pré-determinado. O site de Holt descreve o unschooling como aprendizagem autónoma, natural, orgânica, eclética, auto-direccionada e motivada pelos interesses intrínsecos das crianças.

Holt não acreditava que o insucesso das escolas era devido ao sistema mas que as escolas fracassavam por serem, em si mesmas, um sistema que nunca poderia ter sucesso, independentemente da forma que pudesse adoptar.

"... o animal humano é um animal aprendente; somos bons nisso; não precisamos que nos mostrem como é que se aprende nem precisamos ser forçados a aprender. O que destrói o processo são as pessoas que interferem nele, tentando regulamentá-lo ou controlá-lo." ~ John Holt

Holt escreveu vários livros, onde podemos seguir o desenvolvimento das suas ideias em relação ao sistema de ensino público. Depois de gerar controvérsia com seus títulos, criticando a escolaridade obrigatória como uma noção maluca, resolveu concentrar sua atenção nas coisas que os pais podiam fazer para proporcionar aos filhos uma experiência completamente diferente da aprendizagem.

Holt morreu em 1985, deixando incompleto seu último livro Learning All the Time. Desde a sua morte, o aumento de homeschoolers e unschoolers despoletou toda uma nova geração de títulos sobre o tema.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Paul Goodman: Des-educação Obrigatória


Compulsory Mis-Education (abre e-livro), por Paul Goodman, publicado pela primeira vez em 1962.

"Estou enfrentando uma superstição em massa. A superstição em massa em questão é que a educação só pode ser adquirida através da utilização de instituições como a escola".

Paul Goodman argumenta que, pelo contrário, sujeitar os jovens a malabarismos de aprendizagem institucionalizada apenas distorce o seu desenvolvimento intelectual natural, tornando-os hostis à ideia de educação e produzindo cidadãos competitivos e arregimentados que provavelmente conseguirão apenas agravar os problemas sociais actuais.

"É nas escolas e a partir dos mídia de massa, em vez de em casa e com seus amigos, que a massa dos nossos cidadãos de todas as classes aprendem que a vida é inevitavelmente rotina, despersonalizada, enganosamente graduada; que é melhor obedecer e calar a boca.

Treinados nas escolas, eles vão para empregos, para uma cultura e política da mesma qualidade. Esta educação é uma des-educação, moldagem, ou socialização para as normas nacionais e uma arregimentação às "necessidades" nacionais."

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Dia histórico para a educação em casa

Petições em massa contra a repressão do ensino doméstico bate recorde no Parlamento Britânico

Ontem, 74 deputados dos 3 partidos principais apresentaram ao Parlamento mais de 120 conjuntos de petições com milhares de assinaturas opostas aos planos de introduzir o registo e monitoramento obrigatório das crianças educadas em casa.

A apresentação em massa bateu o recorde do número de petições sobre o mesmo tópico apresentado ao Parlamento no mesmo dia. O recorde anterior foi de 44 petições, apresentadas em 2006 contra o encerramento dos hospitais comunitários.


2ª parte - 3ª parte - 4ª parte

Graham Stuart, membro do Select Committee das Crianças, Escolas e Famílias, conduziu a apresentação de petições em massa na Casa dos Comuns, dizendo:

"Estas petições mostram a extensão, por todo o país, da oposição a estas propostas que dariam às autoridades locais o poder de assediar as famílias que educam os filhos em casa, mesmo na ausência de quaisquer suspeitas. Com base num estudo feito apressamente, o Governo propõe-se a gastar dezenas de milhões de libras para poder entrar nas casas das famílias que educam os filhos, sujeitá-las a inspecções e a um regime de licenciamento".

E acrescentou:

"Nos últimos anos outros países rejeitaram esta abordagem. Na Nova Zelândia, inspecções feitas durante vários anos demonstraram que 95% das crianças educadas em casa recebem uma educação que é pelo menos tão boa como a que receberiam nas escolas; consequentemente, este ano abandonaram esse projecto. "

Quanto a “receios” em relação à salvaguarda das crianças educadas em casa, Graham disse:

"A segurança das crianças é de extrema importância, mas porquê registrar e fiscalizar as crianças educadas em casa e não todas as outras? As crianças mais vulneráveis são as que têm menos de 5 anos mas ninguém acharia boa ideia enviarmos inspectores das direções regionais de educação às suas casas para se assegurarem do seu bem-estar e supervisionar as famílias. Ao contrário do que diz o Governo, não existem provas que as crianças educadas em casa estão em maior risco do que as que frequentam a escola e, sem justificativa convincente, a invasão da vida familiar proposta pelo Estado não pode ser justificada".

E acrescentou:

"Em vez de outro enorme banco de dados e mais um exército de inspectores, temos de concentrar os nossos recursos limitados na identificação e proteção dos mais vulneráveis."

Podem ver esse momento histórico aqui (começa às 7hrs 52mns!).

Tradução livre. Original aqui. Transcrição, em inglês, da apresentação das petições aqui (72 pgs).

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Documentário: Aprender em Casa

"São cada vez mais os pais a tomar a decisão de educar os filhos em casa em vez de os mandar para a escola. Isto apesar da decisão não ser fácil uma vez que significa assumirem a responsibilidade total pela educação dos filhos. São sobretudo as mães que renunciam o mundo do trabalho para ficar em casa desempenhando uma função dupla: educar e cuidar dos filhos 24 horas por dia.

Teresa Gray e Isabel Malpica compartilharam vários dias com algumas famílias que fizeram essa opção; umas por razões religiosas, outras por verem os filhos sofrendo devido à violência escolar / bullying. O principal problema enfrentado pelos defensores da "aprendizagem em casa" é a ausência de regulamentações, criando às vezes problemas com funcionários públicos dedicados à proteção de menores. E a única maneira que os pais têm de enfrentar estas dificuldades é a de formarem uma associação."


Idioma: espanhol parte 2 - parte 3 - parte 4

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Noam Chomsky – processo de socialização

A auto-censura começa em muito tenra idade, através de um processo de socialização que é também uma forma de doutrinação que funciona contra o pensamento independente, em favor da obediência. As escolas funcionam como um mecanismo para essa socialização. O objectivo é evitar que as pessoas façam as perguntas que interessam acerca de questões importantes que as afectam directamente, a elas e a outros.

Nas escolas não se aprendem apenas conteúdos. Adicionalmente é preciso aprender como se comportar, como se vestir de um modo apropriado, que tipos de questões podem ser levantadas, como encaixar (ou seja, como se adaptar), etc. Se mostrar demasiada independência e questionar o código da sua profissão com demasiada frequência, o mais provável é ser excluído do sistema de privilégios.

Assim, rapidamente aprende que, para ter êxito, tem que servir os interesses do sistema doutrinal. Tem que ficar calado e instilar nos seus estudantes as crenças e doutrinas que servirão os interesses daqueles que detêm o verdadeiro poder. A classe empresarial e os seus interesses privados são representados pelo elo estado-empresa.

Trecho deste artigo.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Jovem empresário educado em casa

Vocação é algo que Louis Barnett certamente não tem falta. Louis, 16, teve muitas dificuldades durante os primeiros anos na escola devido à dislexia e dispraxia não-diagnosticadas - distúrbios associados a problemas de percepção, linguagem e pensamento. Em desespero, sua mãe Maria tirou-o da escola tinha ele 11 anos:

"As coisas teriam piorado se o tivesse lá deixado, ele andava incrivelmente frustrado."


Como muitas crianças que abandonam o sistema escolar para serem educadas em casa, Louis atravessou um período de ajustamento e, sendo-lhe permitido seguir os seus interesses, depressa descobriu um talento para fazer chocolates belgas. Ambição e um toque de sorte resultaram no grande momento, quando obteve um contrato com o supermercado Waitrose para as suas caixas de chocolate comestíveis.

Desde então já teve uma audiência pessoal com o primeiro-ministro Gordon Brown e dirigiu-se a uma audiência de 3000 pessoas no Lyceum em Londres sobre um tema muito importante para ele - o uso de óleo de palma em chocolate. De Setembro de 2007 a Fevereiro de 2008 a sua empresa Chokolit girou mais de £150.000 e é um sucesso tão grande que os pais e o seu ex-tutor abandonaram os empregos para trabalhar para ele.

Agora já está preparado para o mercado internacional com o lançamento da barra de chocolate Biting Back, que destaca a causa do orangotango em Bornéu, cujo habitat está sendo devastado pela demanda de óleo de palma.

Louis, como seria de prever, não vê a falta de qualificações como obstáculo ao sucesso:

"Temos de agarrar as oportunidades quando elas surgem. Eu fiz um bolo para o aniversário da minha tia e os amigos dela ficaram tão impressionados que me pediram para fazer bolos para eles. Quando vi os primeiros £20 percebi que podia fazer isso todos os dias. Mas temos que estar preparados para trabalhar. Quando saí da escola, comecei a fazer trabalho voluntário com um falcoeiro. Ele disse-me "só tens 12 anos, tens que provar o teu valor se quiseres trabalhar aqui". Deu-me os piores empregos mas eu persisti e passado uns tempos comecei a percorrer o país fazendo exposições. Essa experiência ensinou-me que temos que trabalhar a sério para conseguirmos o que queremos."


A essência da filosofia da família Barnett é a ideia de que os jovens devem seguir os seus interesses e talentos. Para o jovem empresário, a vida está cheia de oportunidades:

‘Se não encaixas no sistema, procura uma alternativa. A vida académica não é para todos e podemos descobrir os nossos potenciais mais cedo ou mais tarde.’

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Aulas na cozinha: a situação na Alemanha

Na maioria dos países europeus o ensino doméstico - "homeschooling" - é permitido ou, pelo menos, tolerado. Não há praticamente nenhum país que se agarre tão obstinadamente à escolaridade obrigatória como a Alemanha - com todas as consequências para as pessoas em causa.

Quando Moritz começou a reagir agressivamente e a ficar doente depois de ir para a escola, os pais Dagmar e Tilman Neubronner cederam aos sintomas do filho que na altura tinha 8 anos e cancelaram a matrícula na escola. Desde essa altura Moritz aprende em casa com o irmão Thomas - apesar da lei alemã afirmar que a escolaridade é obrigatória.

Thomas frequentou a escola pública apenas durante duas semanas.

Escapar a escolaridade obrigatória
Quando as autoridades se aperceberam do que se estava a passar, impuseram aos Neubronners uma série de multas exorbitantes sob pena de outras medidas arbitrárias se não enviarem os filhos para a escola. Com medo de perder a guarda dos filhos, a família abandona a Alemanha e, até hoje, reside em outros países europeus.

Os pais continuam a lutar incansavelmente para que os filhos tenham liberdade de aprendizagem e para que a família possa voltar ter uma vida normal na cidade de Bremen, sua terra natal. Moritz e Thomas têm hoje 12 e 10 anos e estariam na 7ª e 5ª série. Em vez disso, estão a aprender em casa voluntariamente, determinando seus próprios objectivos. Os Neubronners praticam o que é muitas vezes referido como unschooling. Acreditam que as crianças aprendem melhor em liberdade, sem restrições e, portanto, sem perder o amor à aprendizagem.

Luta pela liberdade de aprender
Rosemarie e Jürgen Dudek também são contra a escolaridade obrigatória. Educam os filhos em casa como se numa escola com uma sala de aulas. O horário está em conformidade com o currículo oficial. De momento, 4 dos 7 filhos são obrigados a frequentar a escola.

Os Dudeks querem viver de acordo com as suas crenças em relação a Deus e à Bíblia. Por esta razão não querem que os filhos andem em escolas públicas, onde não encontram os seus valores.
Ao contrário de certos cristãos, os Dudeks não pertencem a nenhum grupo religioso nem tentam manter os filhos afastados do mundo. Eles têm relações sociais com os bombeiros voluntários, no clube de natação e nos escuteiros.

Como a maioria dos pais, Rosemarie e Jürgen Dudek também querem o melhor para os filhos. Para que o filho mais velho Jonathan terminasse o ano escolar com uma graduação do Estado, ele frequentou, no ano passado, uma escola secundária (Realschule) na segunda metade do 10 º ano. Ele obteve notas excelentes e acabou o ano como o melhor aluno da escola.

Pena de prisão para os pais
Entretanto, Rosemarie e Jürgen Dudek ensinam os filhos em casa há quase dez anos. Devido às mudanças de residência não foram descobertos pelas autoridades durante muito tempo. No ano passado foram condenados a três meses de prisão, e não a liberdade condicional. Os Dudeks apelaram e por enquanto ainda não foram para a prisão. Estão agora à espera do veredicto final.

Podem ver o vídeo, em alemão, aqui (30mns).
Original aqui.

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

Educação Domiciliar para a Cidadania

Estudo mostra que crianças e jovens educados em casa tornam-se cidadãos exemplares

Um novo estudo, divulgado ontem pelo Centro Canadense de Educação em Casa, revela que os adultos educados em casa sobressaem em todas as áreas da vida adulta que foram medidas. O estudo examinou os adultos cujos pais haviam respondido a um estudo sobre a educação em casa feito em 1994. Com idades variando entre os 15 e os 34, eles responderam a perguntas sobre uma variedade de tópicos com dados comparáveis ao Statistics Canada.

Os resultados foram surpreendentes.Quando comparados à média canadense, os adultos educados em casa são mais engajados socialmente, votando nas eleições federais quase duas vezes mais. O rendimento médio é maior, com mais fontes de rendimentos a partir de investimentos e de trabalho por conta própria, e sem nenhum caso de apoio do governo como principal fonte de rendimento. Eles são mais felizes no seu trabalho e sua vida em geral. Ao refletir sobre o valor da educação em casa, a maioria acha que é uma vantagem para vida adulta.

Em termos de rendimento, educação, actividade empresarial, participação na comunidade e todas as outras medidas, os adultos educados em casa não só superam como fazem também uma contribuição significativa para as suas comunidades. "Eles são o tipo de vizinho que todos nós queremos, " diz o presidente Paul Faris.

O estudo Quinze Anos Depois: Adultos Canadenses Educados em Casa está disponível online, na íntegra e como sinopse.

Para mais informações ou comentários entrem em contacto com Paul Faris, Presidente, em (519) 913-0318, info@hslda.ca, www.hslda.ca / cche

Original aqui.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Ensino domiciliar no noticiário



Há famílias que optam pelo ensino doméstico por causa das suas convicções, outras devido à violência escolar e outras porque não acreditam que as escolas têm a capacidade para lidar com as necessidades especiais dos filhos.

Deixando de lado os motivos, o facto é que cada vez mais famílias estão optando pela educação em casa. Segundo as regras actuais estas famílias não têm que prestar informações a ninguém sobre o que estão fazendo mas essas regras podem estar prestes a mudar.

O governo britânico está a considerar impôr controlos mais restritos aos pais-educadores depois de rumores que o ensino doméstico poderia ser usado para disfarçar casos de absenteismo escolar ou, em casos extremos, esconder o abuso de menores. Muitos pais sentem-se indignados com as sugestões e prometem resistir a quaisquer regulamentações. Eis a reportagem do nosso correspondente Peter.

Peter: Segunda feira de manhã e Holly e o irmão têm a sua primeira lição, biologia. Não há desculpas para atrasos: a lição é na sala e o professor é o pai deles, Mark. Hoje, Mark, de Leicester, está ensinando, além dos filhos, outras quatro crianças que, como eles, aprendem em regime de ensino doméstico. A Holly e o irmão Daniel nunca foram à escola mas os outros miúdos foram retirados do sistema de ensino.

Holly: Acho que é muito melhor sermos ensinados por uma pessoa e termos "aulas individuais" do que fazermos parte de uma turma de trinta e tal alunos.

Peter: Tens saudades da escola?

Alex: Não.

Peter: Não tens saudades nenhumas?

Alex: Não, porque, vês, a escola é na minha vila e todos os meus amigos que andavam comigo na escola moram na mesma rua que eu.

Mark: Não é que eu não confie nos professores. É que temos de confiar numa série de adultos que estão em contacto com os nossos filhos.

Tracy: Quando ensinamos as crianças individualmente ou em pequenos grupos, como fazemos normalmente no ensino domiciliar, então a qualidade da interacção é, na minha opinião, muito maior.

Peter: No mês passado, dezenas de famílias reuniram-se em Leicester para celebrar o ensino doméstico. Eventos semelhantes ocorreram em Birmingham, Telford, Hereford e Nottinghamshire. Cada vez mais crianças estão a ser educadas em casa. Ninguém sabe ao certo quantas, mas nos Midlands são talvez umas 12 000. Rob, ex-director de uma escola em Leicestershire, supervisiona famílias que optaram pelo ensino doméstico.

Rob: Há famílias que retiram os filhos da escola para evitarem o tribunal devido ao absenteismo escolar dos filhos. Isto acontece em ocasiões.

Peter: E por esse motivo acha que o ensino domiciliar precisa ser regulamentado.

Rob: Sim. O número de crianças educadas em casa está sempre a aumentar. As crianças que nunca frequentaram a escola nem estão debaixo do nosso radar, e ninguém sabe ao certo quantas pessoas estão a praticar o ensino doméstico.

Peter: E de acordo com o Sr Badman as coisas precisam ser mais estritas. Graham Badman conduziu uma revisão do ensino doméstico para o governo e preocupa-se principalmente com a mesma coisa, a salvaguarda das crianças. Badman propõe que todas as crianças em regime de ensino doméstico devem ser registadas na autarquia local, que um plano de ensino deve ser feito anualmente e, mais polémico, que os pais têm de permitir que os inspectores entrem em suas casas (e entrevistem seus filhos na sua ausência).

Ceri: Não há necessidade para aumentar as regulamentações. Nós não vemos inspectores visitando as crianças que têm menos de 5 anos, nem vemos funcionários públicos entrando pelas casas onde moram bebés para inspecionar o seu bem estar. Isso seria uma intrusão desnecessária na vida familiar.

Peter: O DSCF não aceitou a entrevista mas disse-nos que a maior parte dos pais que educa os filhos em casa faz um trabalho excepcional mas têm que balançar os direitos dos pais com o direito preeminente das crianças a uma educação decente num ambiente seguro. Um comité está agora a investigar o modo como a revisão foi conduzida.

Paul, membro do Parlamento: Algumas das propostas talvez sejam necessárias. Temos, por enquanto, o problema de que não há uma obrigação legal de registar as crianças. Por exemplo, se forem de uma zona para outra podemos perdê-las de vista, por isso há algumas questões relativamente à protecção de menores. Mas o que estão a fazer com o ensino doméstico é desproporcionado.

Peter: Os pais dizem que só querem que lhes deixem em paz para poderem continuar a educar os filhos em sossego e há até rumores sobre uma campanha de desobediência civil se o governo interferir.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

domingo, 29 de novembro de 2009

A corrida dos ratos

O termo “Corrida dos Ratos” refere-se à gaiola onde os ratos correm dentro dela até ficarem estoirados mas sem nunca chegarem a lugar nenhum.



“Se você observar a vida das pessoas de instrução média, trabalhadoras, você verá uma trajetória semelhante. A criança nasce e vai para a escola. Os pais se orgulham porque o filho se destaca, tira notas boas ou altas e consegue entrar na universidade. O filho se forma, talvez faça uma pós-graduação, e então faz exatamente o que estava determinado: procura um emprego ou segue uma carreira segura e tranquila. Encontra esse emprego, quem sabe de médico ou de advogado, ou entra para as Forças Armadas ou para o serviço público. Geralmente, o filho começa a ganhar dinheiro, obtém um monte de cartões de crédito e começam as compras, se é que já não tinham começado.

Com dinheiro para torrar, o filho vai aos mesmos lugares aonde vão os jovens, conhece alguém, namora e às vezes casa. A vida é então maravilhosa porque actualmente marido e mulher trabalham. Dois salários são uma benção. Eles sentem-se bem-sucedidos, seu futuro é brilhante, e decidem comprar uma casa, um carro, uma televisão, tirar férias e ter filhos. O desejo se concretiza. A necessidade de dinheiro é imensa.

O feliz casal concluiu que suas carreiras são da maior importância e começam a trabalhar ainda mais arduamente, tornam-se funcionários melhores. Voltam a estudar para obter especialização e ganhar mais dinheiro. Talvez arrumem mais um emprego. Seus salários aumentam, mas também aumentam o imposto de renda, o imposto predial da casa, as contribuições para a Segurança Social e os outros impostos. Eles se perguntam para onde todo esse dinheiro vai. Aplicam em alguns fundos mútuos e pagam cinco ou seis anos e é necessário poupar não só para os aumentos das mensalidades escolares, mas também para a velhice.

O feliz casal, nascido há 35 anos, está agora preso na armadilha da Corrida dos Ratos pelo resto de seus dias."

Robert Kiyosaki, trecho do livro “Pai Rico Pai Pobre”.

sábado, 28 de novembro de 2009

A escola é melhor do que o homeschooling

10 razões

1. A maior parte dos pais foram educados no sistema de ensino público e por isso não são suficientemente inteligentes para educar os seus próprios filhos.

2. As crianças que recebem uma educação personalizada em casa, com aulas individuais ou em pequenos grupos, aprendem muito mais do que as outras, o que lhes dá uma vantagem injusta no mercado de trabalho, e isso seria anti-democrático.

3. Como é que as crianças poderão aprender a defender-se se não lhes dermos a oportunidade de lidar diariamente com a violência escolar?

4. Ridicularização por outras crianças é importante para o processo de socialização.

5. As crianças que frequentam a escola obtêm mais experiência em "Dizer Não" às drogas, cigarros e álcool.

6. A iluminação fluorescente pode ter significativos benefícios para a saúde.

7. Ter que pedir permissão publicamente para ir à casa de banho ensina aos jovens o seu lugar na sociedade.

8. A indústria da moda depende da pressão de grupo que só as escolas podem gerar.

9. A escola é um mecanismo de transmissão cultural, mantendo importantes tradições, como por exemplo as praxes.

10. As crianças educadas em casa podem não aprender competências necessárias para as suas futuras carreiras, como por exemplo ficarem sentadas à secretária durante 6 horas por dia.

Original aqui.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

Ensino doméstico: acesso ao ensino superior

Uma das perguntas mais frequentes em relação ao ensino doméstico, especialmente em relação ao unschooling, é: mas, e as qualificações? se não fizerem os exames do 11º e 12º ano como é que podem entrar para a universidade? Bem, uma das opções é usar um College.

Colleges são instituições de ensino para maiores de 16 anos (embora vários já ofereçam algumas opções para jovens dos 14 aos 16) que oferecem vários cursos a vários níveis (mais ou menos do 10º/11º ano ao bacharelato), part time ou full time, que se podem fazer de dia ou de noite.

As fotos que aqui vêem são do Bristol City College. Fomos lá a semana passada fazer a matrícula para o curso de PC Servicing que vai começar em Janeiro.

Para ficarem com uma ideia, este College tem 8 departamentos e oferece mais de 1,000 cursos. Tem mais de 30.000 alunos e destes 7000 são jovens dos 16 aos 18 anos.

Em Colleges como este podemos fazer os cursos de preparação /entrada para a Universidade, úteis para quem optou pelo unschooling e quer ter acesso ao ensino superior sem ter que seguir a via tradicional do 11ºano e 12ºano. Estes cursos de acesso ao ensino superior podem ser feitos num ano full time ou em 2 anos part-time.

Há, no entanto, várias pessoas educadas em casa que entram para a universidade simplesmente através do seu portfolio e da entrevista inicial. Mas isso, claro, é aqui no Reino Unido. Em Portugal e no Brasil não sei...

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Necessidades Educativas Especiais

Por todo o Reino Unido há vários exemplos de escolas com instalações excelentes para crianças com necessidades educativas especiais. No entanto, muitas destas crianças, que entram para a escola na pré-primária cheias de esperança quanto ao futuro, vêem as suas expectativas arrasadas porque as escolas que frequentam não têm a capacidade de lidar com os seus problemas específicos, sejam eles a dislexia, dispraxia, a síndrome de Asperger, TDAH ou deficiências físicas.

Badman reconhece isto e, embora não dê referências, menciona pesquisas que apontam para a grande quantidade de pais que, muitas vezes num desespero, retiram os filhos da escola quando se apercebem que esta não tem a capacidade de ir ao encontro das necessidades dos filhos.

Ben Grey, especialista em protecção de menores, é um destes pais. Ben tem dois filhos: um de 11 anos com autismo de alto funcionamento, que está actualmente a ser educado em casa, e um de 8 anos que vai para a escola.

Testemunho de Ben Grey

Eu, pessoalmente, como pai de uma criança com necessidades especiais, gostaria de chamar a atenção para a quantidade de pessoas educando os filhos em casa devido à falta de adequada provisão para as necessidades especiais, especialmente em relação ao autismo (onde o desenvolvimento das crianças não "encaixa" na provisão do ensino regular nem na do ensino especial). Embora muitos pais optem pelo ensino domiciliar por princípio, a situação que estou descrevendo não é a da educação em casa por escolha.

Informalmente, a nossa Direcção Regional de Educação diz-nos que na nossa área não existe provisão adequada para o nosso filho. As nossas opções são, portanto, colocá-lo numa escola inadequada, onde ele não irá alcançar o seu potencial, colocá-lo num internato especializado (e caro) ou irmos viver para outra área. Muitos pais educam os seus filhos especiais em casa (poupando ao Estado esse enorme custo) porque querem proteger os filhos da violência escolar e de outros desafios que estes enfrentam em escolas inadequadas. Se o governo estivesse realmente preocupado sobre a vulnerabilidade das crianças educadas em casa, então porque não corrige as deficiências do sistema de ensino que às vezes deixa os pais com tão pouca escolha?

As preocupações dos pais em relação ao bem-estar e segurança dos filhos na escola são frequentemente justificadas pois são eles que têm de cuidar deles quando ficam gravemente deprimidos ou ansiosos devido às suas experiências do sistema de ensino.


Dr John Ballam é o director do curso de Escrita Criativa da Universidade de Oxford e um autor com vários livros publicados. Tem três filhos: o mais velho está numa escola para superdotados e os outros dois são educados em casa.

Testemunho de Dr. John Ballam, Oxfordshire

Nós educámos os nossos 3 filhos em casa durante a primária. A nossa experiência é que o ensino domiciliar é positivo e benéfico. Os nossos filhos têm "excepcionalidade dupla", ou seja, são muito inteligentes mas necessitam de educação especial para compensar dificuldades de aprendizagem muito específicas. Além disso, musicalmente, são muito talentosos. O ensino público recusou-se, pura e simplesmente, a reconhecer as suas necessidades e quando finalmente aceitou que tinham necessidades muito específicas não tinha condições para satisfazê-las.

O ensino doméstico permitiu-nos dar aos nossos filhos o ambiente e os recursos que eles precisavam para florescer. Inicialmente, começou com um período de recuperação e reconstrução da sua auto-estima e auto-confiança. Quando vai ao encontro do ritmo das crianças, a aprendizagem fornece as oportunidades necessárias para a superação das dificuldades sem a humilhação de serem separadas do resto do grupo como "falhanços". Além disso, a informação pode ser transmitida em formatos que vão ao encontro do estilo de aprendizagem de cada criança, de modo que o seu empenhamento e entusiasmo pela aprendizagem é estimulado. Finalmente, a educação em casa dá às crianças o tempo que precisam para desenvolver os seus talentos específicos. O ensino domiciliar é uma forma positiva de apoiar os nossos filhos e suas necessidades pessoais específicas.

Dr Ballam escreve sob o nome de J. D. Ballam. Ele é mais conhecido pela sua autobiografia The Road to Harmony.

sábado, 21 de novembro de 2009

Por onde andámos...

Winscombe, uma vila em Somerset, na Inglaterra




sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Pesquisa sobre o ensino domiciliar

Os argumentos a favor do ensino domiciliar IV

Os argumentos dos acadêmicos: Conclusão (1ª parte aqui)

Pesquisa sobre o ensino domiciliar no Reino Unido

Pesquisas acadêmicas e independentes, baseadas no Reino Unido, foram realizadas por Blacker (1981), Webb (1990, 1999); Lowden (1993), Paterson (1995), Brunton (1996), Bates (1996), Page (1997), Thomas (1998 ), Petrie, Windrass, e Thomas (1999), Taylor e Petrie (2000) Rothermel (2002), Arora (2002), Gabb (2004), Kendall e Atkinson (2006), Hopwood, O'Neill, Castro e Hodgson ( 2007), Thomas e Pattison (2008), Yusof (2009) Eddis (2009) e Barson (2009).

Thomas (1997, 1998) descreveu um estudo sobre os processos de aprendizagem informal das crianças. A pesquisa utilizou a educação em casa como o veículo sobre o qual basear teorias da aprendizagem informal das crianças que obviamente não poderiam ser tão bem testadas em alunos das escolas. Thomas desafiou a ideia de que as crianças em idade escolar, para aprender, precisam de ser ensinadas. Foram realizadas uma centena de entrevistas com home educators (pais que educam os filhos em casa) da Austrália e do Reino Unido nas quais os pais descreveram como ensinavam os filhos e como estes aprendiam.

Thomas descobriu que com o passar do tempo a maior parte das famílias que praticam o ensino domiciliar começava a adoptar padrões de aprendizagem menos formais do que os que haviam estabelecido no início. Ele atribuiu essa mudança a uma manobra das crianças, possivelmente sem intenção consciente, a fim de orquestrar um programa de aprendizagem que fosse ao encontro das suas necessidades: assim como os pais respondem aos sinais de seus bebês, observou que os pais que educam os filhos em casa respondem aos sinais dos filhos já em idade escolar e em situações de aprendizagem mais avançadas, evitando a necessidade de ensino formal. Thomas colocou a hipótese de que, ao entrarem para a escola, as crianças perdem a arte da aprendizagem informal, pelo menos ao nível experienciado pelas crianças que nunca frequentaram a escola.

O tipo de aprendizagem que ocorre naturalmente é muito diferente do que ocorre na escola; em casa, as crianças têm liberdade para seguir correntes de pensamento ligadas à vida quotidiana e embora este estilo de aprendizagem possa ser lento e nem sempre aparente, conexões são feitas progressivamente que se revelam em datas posteriores.

Thomas observou que mesmo quando a aprendizagem em casa é formal, temas de interesse não necessariamente relacionados com a lição a ser abordada no momento vêm à superfície e são debatidos. Desta forma, as crianças desenvolvem uma motivação para a aprendizagem independente. Thomas não negou que na escola os alunos também aprendem desta maneira, mas propõe que se calhar as crianças não precisam de submeter-se ao estilo de aprendizagem normalmente associado às escolas. Thomas concluiu que, principalmente durante os primeiros anos, o desenvolvimento intelectual pode ocorrer de maneira natural e incidental sem nenhuma aprendizagem formal e que se esse tipo de educação não é melhor do que a aprendizagem escolar é pelo menos do mesmo nível.

As descobertas de Thomas parecem expor as teorias construtivistas de Bruner e Vygotsky. Thomas acredita que a aprendizagem natural que observou não ocorria de forma isolada mas que era o resultado de interacções, sendo necessário algum nível de intervenção pelo menos para facultar a aprendizagem que, por sua vez, permitia o desabrochar e a maturação do desenvolvimento. Este ponto de vista é ecoado, por exemplo, em Thomas (1998 pp 71, 129) e trabalhos mais tardios de Thomas e Pattison (2008).

Webb (1999) entrevistou 20 adultos que haviam sido educados em casa, com o objectivo de determinar como o seu desenvolvimento havia ocorrido. Nenhum dos jovens adultos estava desempregado e 3 tinham obtido licenciaturas da Universidade de Oxford. Apenas cerca de 30% contemplavam a ideia de educar seus filhos em casa. Este achado contrasta com o de Knowles (1991), que constatou que dos 10 adultos (educados em casa em crianças) por ele entrevistados os que já eram pais (n = 7) tinham escolhido educar os filhos em casa [7 dos adultos educavam em casa cerca de 20 crianças].

Os netos de um participante estavam sendo educados em casa, criando uma terceira geração de homeschoolers. Webb, porém, explicou que muitos acreditavam que os pais tinham feito «sacrifícios» que eles não gostariam fazer. Foram positivos sobre a educação em casa, acreditando terem beneficiado da experiência. Socialmente, Webb, tal como Knowles (1991), descobriu que os educados em casa estavam à vontade com uma vasta secção da comunidade e descreveu suas competências sociais como "em geral altamente excepcionais" e que, além disso, eram pensadores independentes.

A pesquisa mais extensa do Reino Unido é a de Rothermel (2002). Este estudo envolveu a disseminação de cerca de 5.000 questionários através da internet, organizações de apoio e autarquias locais. Os destinatários foram convidados a fornecer os seus pormenores para que pudessem ser contactados mais tarde mas não receberam informações sobre o que lhes poderia ser solicitado. Assim, embora houvesse um elemento de auto-seleção, como acontece com qualquer pesquisa sobre um grupo desta natureza, as famílias não se auto-selecionaram sabendo que iriam ser convidadas para um programa de avaliação. Com efeito, os inquiridos não faziam ideia deste aspecto da investigação. Mais de 1.000 respostas foram recebidas e destas 419 foram analisadas, sem nenhuma ordem em particular.

A intenção era analisar todas as respostas mas limitações de tempo e os custos envolvidos limitaram a amostra a 419 famílias e 1099 crianças. Rothermel analisou as respostas ao inquérito e, após esta fase, implementou um programa de avaliação envolvendo 238 avaliações de 196 crianças. Para cada avaliação, todas as crianças que caíram na categoria da idade apropriada foram convidadas a participar e, de todas estas, apenas uma família se recusou a continuar a participar.

Os resultados quantitativos mostraram que 64% das crianças educadas em casa com idade escolar para a pré-primária (n = 35 testadas duas vezes) obtiveram mais de 75% em seus PIPS Baseline Assessments (obtido por 5,1% das crianças a nível nacional). Os resultados das avaliações do Projecto de Alfabetização Nacional revelaram que 80,4% das crianças educadas em casa estavam ao nível dos 16% do topo (de uma curva bell de distribuição normal) (n = 49), e que 77,4% das crianças educadas em casa avaliadas com o PIPS Year 2 alcançaram esse nível (n = 19).

Resultados dos instrumentos psicossociais confirmaram que as crianças educadas em casa são competentes a nível social e não apresentam problemas de comportamento significativamente acima do normal (n = 136).

No todo, a amostra demonstrou níveis elevados de sucesso e boas competências sociais. Comum a todas as famílias envolvidas era a sua abordagem flexível e Rothermel concluiu que as crianças beneficiam da atenção dos pais e da liberdade de desenvolver as suas capacidades ao seu próprio ritmo. Ela observou que estas famílias têm laços fortes e que os pais estavam empenhados em proporcionar um ambiente de carinho aos filhos.

A análise dos dados do questionário não revelou nenhum 'tipo' específico de home-educator, com famílias provenientes de diversos backgrounds sócio-econômicos.

Independentemente da motivação inicial (havia mais ou menos uma divisão igual entre as crianças que haviam sido retiradas da escola e as que nunca tinham frequentado a escola), a educação em casa tendia a transformar-se numa opção de estilo de vida, em vez de uma posição sobre o ensino público. Rothermel descobriu que as crianças de grupos sócio-econômicos mais baixos superavam suas contrapartes mais ricas, enquanto que as diferenças de desempenho entre meninos e meninas eram insignificantes.

Ela colocou a hipótese de que as famílias mais pobres tendem a sucumbir às pressões da família e que por isso estavam mais propensas a seguir o currículo nacional, em contraste com as famílias em melhor situação, que tendiam a não se preocupar se os filhos atingiam "a tempo" objectivos relacionados a certas idades. Contudo, Rothermel conclui com isto que diferenças onde é esperado que as crianças mais pobres tenham um aproveitamento mais fraco e que as meninas superem os meninos são, muito mais provavelmente, o resultado da escolarização.

Outras pesquisas (por exemplo, Hanna e Quinn 2004; Sylva, Melhuish, Sammons, Siraj-Blatchford e Taggart, 2003) descobriram que o nível de escolaridade dos pais e seu estatuto sócio-económico são dois dos principais indicadores dos resultados dos alunos. No entanto, na pesquisa sobre a educação domiciliar, nenhum destes factores desempenham um papel tão central no sucesso. Assim, parece que o estatuto sócio-económico e as qualificações dos pais são indicadores de sucesso apenas para as crianças que frequentam a escola e que a importância do seu papel, por si só, na aprendizagem das crianças, não deve ser presumido.

Dos resultados mais elevados do que o normal alcançados pelas crianças em idade da pré-primária, Rothermel conclui que nesta altura a aprendizagem pode ser maturacional e que a escola pode até deprimir o desejo natural de adquirir novas informações. Isto, argumenta ela, prova os benefícios de começar a escola mais tarde, como fazem em algumas partes dos E.U.A. e na Suíça.

Pesquisa Internacional
A nível internacional, o interesse e actividade na pesquisa sobre o ensino domiciliar é grande. O International Home Education Research Network reúne acadêmicos de todo o mundo que utilizam o fórum de discussão on-line para compartilhar e divulgar suas pesquisas. Acadêmicos envolvidos vêm da Colômbia, Espanha, México, África do Sul, Afeganistão, Índia, França, Estónia, China, Austrália, Suécia, Noruega, Dinamarca, Alemanha, Suíça, para citar apenas alguns exemplos.

Conclusão
Alguns críticos estão prontos a rejeitar imediatamente o considerável corpus de pesquisa acadêmica com crianças educadas em casa e suas famílias no Reino Unido. No entanto, os resultados dessas pesquisas não são especialmente surpreendentes e, em geral, encaixam bem com os resultados de pesquisas com crianças que frequentam a escola. Que as crianças que frequentam a escola beneficiam do tempo passado com os pais é geralmente um dado adquirido, que as pessoas aceitam facilmente. No entanto, quando exactamente a mesma conclusão é obtida a partir de pesquisas sobre a educação em casa, ela carrega consigo um elemento de desconfiança para o qual não existe justificação óbvia.

Da mesma forma, quando as crianças aprendem ao seu próprio ritmo e com os pais a seu lado durante os anos pré escolares, poucos questionariam a sua capacidade e motivação para aprender. No entanto, quando pesquisadores como Thomas e Rothermel descobrem que as crianças continuam a aprender produtivamente depois desta altura, dúvidas são lançadas sobre a qualidade do seu trabalho apesar de muitos outros acadêmicos e cientistas em vários campos de conhecimento por todo o mundo apoiarem o valor da aprendizagem motivacional, maturacional e informal.

Continua aqui.

quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Os argumentos a favor do ensino domiciliar IV

Os argumentos dos acadêmicos

Dra Paula Rothermel contribuiu este capítulo. Ela é psicóloga educacional na Universidade de Durham e tem escrito, publicado e falado muito sobre o tema da educação em casa. Ela, sozinha e juntamente com outros, tem escrito relatórios e avaliações para tribunais relativamente a casos envolvendo crianças educadas em casa e suas famílias, assim como para famílias e autoridades locais. A bibliografia estará disponível após o seu retorno da Suíça. Ela não esteve envolvida na produção do resto deste documento e as opiniões aqui expressas não são necessariamente as suas.

A importância do envolvimento dos pais na aprendizagem dos filhos

Investigação centrada na aprendizagem das crianças fora da escola mostra que o valor do envolvimento dos pais não deve ser subestimado (Rothermel, 2002). O que realmente motiva as crianças é o amor, que pode ser interpretado em termos do envolvimento dos pais (Rothermel 2008). Investigação científica tem demonstrado que o desenvolvimento do cérebro está inseparavelmente ligado ao amor (Gerhardht 1994). Em termos da promoção da aprendizagem, o envolvimento dos pais pode consistir na sua presença na vida vida dos filhos, respondendo ou ajudando a responder as perguntas à medida que estas vão surgindo e facultando recursos e actividades (Thomas 1999, Rothermel 2002, Thomas e Pattison 2008).

Tizard e Hughes (1984), no seu estudo sobre diálogos nas salas de aulas, constataram que os pais tinham a vantagem de compreender o contexto da vida dos filhos de uma maneira que os professores nunca seriam capazes, e concluiram que está realmente na altura de mudar a ênfase: em vez do que os pais podem aprender com os profissionais, a ênfase deveria ser colocada no que os profissionais poderiam aprender se observassem pais e filhos aprendendo em casa (p 267). As conclusões de Tizard e Hughes apoiam a ideia de que o envolvimento dos pais não é apenas uma útil ferramenta de apoio mas sim uma poderosa fonte do potencial de aprendizagem das crianças.

Em um estudo posterior, Tizard, Blatchford, Burke, Farquhar e Plewis (1988) concluiram que os professores respondem melhor às crianças cuja companhia mais gostam, e muitos pais sabem como é importante para os filhos terem um professor de quem realmente gostam. Em termos do que os pais, professores e educadores podem oferecer, é evidente que quem tem mais investimento no desenvolvimento dos filhos são os pais. Em geral, os pais respondem bem aos filhos e estes provavelmente retribuem essa delicadeza. Outra pesquisa (Georgiou 1999) descreveu este fenómeno como um ciclo de atribuição positiva.

Embora uma das críticas recentemente formuladas contra os resultados favoráveis da educação domiciliar argumente que as crianças educadas em casa superam as da escola porque os pais estão fortemente dedicados ao desenvolvimento dos filhos (Badman 2009), muitos pesquisadores de educação (escolar e domiciliar) argumentariam que esta é uma vantagem fundamental para todas as crianças, sejam elas educadas em casa ou na escola.

A pesquisa sobre a educação domiciliar descobriu que o envolvimento e dedicação dos pais é uma característica importante. Podemos portanto afirmar que se as crianças educadas em casa têm resultados pelo menos tão bons como as crianças educadas na escola e muitas vezes melhores do que elas (Blok 2004), então este alto nível de dedicação é um dos principais factores contribuintes.

O que talvez seja particularmente interessante sobre a pesquisa de Rothermel sobre a educação em casa no Reino Unido (2002) é que demonstrou que um bom nível sócio-econômico não significa necessariamente um elevado nível de dedicação por parte dos pais. Ou seja, os pais menos abastados, motivados pelo desejo de incentivar a aprendizagem dos filhos, tornam-se pais motivados e envolvidos, e o resultado é que os filhos beneficiam em termos do seu desenvolvimento acadêmico, social e psicológico. Ignorar os seus bons resultados dizendo que têm pais motivados e dedicados é uma crítica fora do comum.

O professor Peter Hannon (Hannon, 1994) também apoiou a ideia de que a aprendizagem em casa desempenha um papel essencial no desenvolvimento das crianças mais pequenas. Citando a sua pesquisa anterior ele descreve os aspectos da aprendizagem em casa como sendo respostas ao interesse e à necessidade, sem esforço, espontâneos e flexíveis, e contrasta-os à aprendizagem escolar, moldada por objectivos curriculares, esforçada, com horários definidos e fixos. Descreve também a importância dos relacionamentos na aprendizagem: em casa a proporção adulto-criança é alta, e os relacionamentos são próximos e contínuos. Em forte contraste, na aprendizagem escolar há uma baixa proporção de adultos em relação a crianças, as relações são distantes, descontínuas, e com muitos adultos diferentes.

Alan Thomas (1998), falando sobre o amor pela literatura que observou durante os seus estudos das crianças educadas em casa, atribuiu-o à exposição das crianças ao "diálogo" e ao modo em que os pais respondem aos filhos como individuos que são. Ele escreveu: "O melhor suporte para a proposta de que as crianças de idade escolar continuam a aprender tal como aprenderam durante a infância vem daqueles pais que quando os filhos atingem a idade escolar continuam simplesmente a fazer o que já estavam fazendo. [...] Esses pais estão simplesmente continuando a preparar os filhos para a cultura em que vivem." (pp. 67-68).

Mais recentemente, a professora de psicologia Marueen Callanan argumentou que "as conversas entre pais e filhos são muito mais que periféricas para o desenvolvimento" porque são "uma componente essencial do mecanismo da mudança no desenvolvimento" (Jipson e Callanan 2003).

A professora Annette Karmiloff-Smith descreveu o modo em que as crianças assimilam as informações do mundo externo, reorganizando-as internamente e combinando-as através do conflito e/ou acordo com conhecimentos previamente internalizados até alcançarem o domínio sobre a situação. Ela descreveu este processo como "redescrição representacional" (RR) e é este processo que se encaixa tão bem com a ideia de que os pais estão numa posição óptima para apoiar a aprendizagem personalizada dos filhos, como concluiu Rothermel (2002). Mais especificamente, esta ideia defende os benefícios que podem ser derivados da aprendizagem autónoma, como propostos por Thomas (1998). Em relação à aprendizagem informal, Rothermel (2002) e Thomas e Patterson (2008) concluem que no contexto da educação domiciliar as crianças absorvem os seus conhecimentos gradualmente, através da repetição informal, e a assimilação ocorre através da aprendizagem quotidiana, envolvendo o processo natural do diálogo e da descoberta. Outros pesquisadores também chegaram à conclusão de que este estilo de aquisição de informação é benéfico (Edmondson 2006).

Numa meta-análise de 14 estudos realizada por Desforges e Abouchaar (2003), os pesquisadores concluíram que "o envolvimento dos pais através de uma boa parentalidade em casa" tem um efeito positivo significativo no ajuste e sucesso dos filhos mesmo depois de todos os outros factores que moldam o sucesso terem sido retirados da equação"(p. 4).

O Family and Parenting Institute, financiado pelo DCSF, suporta esta conclusão, afirmando: "Agora está bem evidenciado que o ambiente de aprendizagem em casa é mais influente na determinação do resultado das crianças do que a ocupação, o nível monetário e o nível educacional dos pais" (FPI 2009).

As conclusões alcançadas pela pesquisa descrita acima servem para salientar a verdadeira importância, para as crianças, da aprendizagem informal e auto-motivada. Além disso, as famílias envolvidas na pesquisa de Rothermel (2002) descrevem a "alegria" e "divertimento" resultantes da decisão de educar em casa. O valor da felicidade tem sido abordado pelo famoso economista Professor Layard, que descobriu que a felicidade traduz-se em ganhos financeiros positivos. Assim, através da participação dos pais na aprendizagem informal dos filhos, estes ficam não só mais motivados e capazes mas também mais felizes, o que por sua vez lhes trará mais benefícios em termos de prosperidade (Layard 2003).

Continua aqui.

Por onde andámos - Cheddar

Cheddar é uma vila inglesa do distrito de Sedgemoor, em Somerset, situada na margem sul dos Mendip Hills.

Hoje é um local muito turístico, com vários espaços culturais,

várias lojas, restaurantes, cafés e casas de chá,

como esta "tea room", na foto acima...

É famosa por ter o maior desfiladeiro do Reino Unido, com suas grutas magníficas (podem ver fotos aqui),

e pelo queijo Cheddar, o tipo de queijo mais popular no Reino Unido. Agora feito no mundo inteiro, só permanece na vila um produtor.

Que mais? Esta zona tem sido ocupada desde tempos neolíticos

e pelos vistos é um dos principais centros de cultivo de morango.

Para nós, um sítio bem lindo e relativamente perto; fica a uns 40 kms de distância (45 mns de carro)!

quarta-feira, 18 de novembro de 2009

Apresentação sobre a educação em casa

Este trabalho universitário foi feito pelas alunas da Madalen

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Por esses campos fora...

Vamos lá saindo, por estes campos fora

que a manhã vem vindo, dos lados da aurora.
Lembram-se dessa canção? Só que não estamos no Alentejo mas em Somerset. Hoje deixo-vos umas fotos da paisagem desta zona e dos animais que fomos vendo pelo caminho...

Ovelhas, carneiros e cordeirinhos...

Não sei se conseguem ver a cabra ou não, mas ela está lá...

Os peixinhos são mais fáceis de ver...

"O que é o homem sem os animais? Se todos se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais também afeta o homem. Tudo está relacionado entre si." - Chefe indígena da tribo Seattle, 1854

Educar em casa dia a dia

Mais um livro sobre o ensino domiciliar, desta vez em espanhol!

O livro da ALE (Asociacion para la Libre Educacion), é um compêndio de experiências de famílias espanholas e do resto da Europa, compilado a partir da tradução do livro Learning Unlimited, coordenado por Leslie Barson, que recolheu experiências do Reino Unido, Suíça, França e Alemanha.

O livro também inclui o valioso contributo dos estudos realizados por Paula Rothermel, referência obrigatória no campo do homeschooling europeu, e a contribuição de Madalen Goiria, Professora de Direito Civil na Universidade do País Basco.

Conteúdo: A aprendizagem em casa; Depoimentos de famílias que educam em casa; Exemplos diários de homeschooling; Aprendizagem autónoma no ensino domiciliar; Estudos sobre o ensino doméstico.

Se estiverem interessados, podem encomendar o livro aqui.
Tradução daqui.

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Transformando a aprendizagem em estilo de vida

Os argumentos a favor do ensino domiciliar III

Os argumentos das crianças e jovens educados em casa:

A educação em casa não separa a aprendizagem da vida mas transforma-a num estilo de vida

Kerrin, 17 anos, de Hampshire
A vida é uma sala de aulas e aprender é muito mais do que livros e exames. Uma educação personalizada, relevante e contextualizada é algo que é realmente muito precioso.

Andy, 23 anos, residente na Nova Zelândia
Agora vejo que “escola em casa” é a expressão errada. A educação em casa tem a ver com a remoção da “mentalidade de escola” das nossas mentes e com o abraçar da educação como um simples aspecto da vida, integrando-a na maior parte dos aspectos da nossa vida - sem a necessidade de especificar que horas do dia estão reservadas para a "aprendizagem".

Jazmin, 15 anos, Oxfordshire
Eu adoro ser educada em casa e quero que todos compreendam como é que o unschooling funciona para que possam ver as suas vantagens e compreender como é que a interferência por parte do Estado só levaria a mudanças intrusivas e desnecessárias do nosso estilo de vida.

Chloe, 16, de West Sussex
Sou educada em casa mas este não foi sempre o caso; eu comecei a frequentar a escola aos 4 anos, como a maioria das outras crianças. Contudo, os meus pais retiraram-me de lá um pouco antes do meu 9º aniversário - eu estava muito estressada, ficando muito reclusa e dormindo mal, e os meus pais decidiram experimentar o ensino doméstico.

Para mim, aprender em casa era como se fosse um sonho maravilhoso, cheio de jogos, amigos de verdade de todas as idades que não me batiam nem gozavam comigo, e coisas diferentes para fazer todos os dias.

Eu fazia trabalhos formais - talvez 1 ou 2 horas, de manhã, quando a minha mãe pacientemente me ensinava geografia e matemática. E às vezes também aprendia com o meu pai à noite, embora de uma maneira menos formal: aconchegados no sofá, conversávamos sobre ciência e o sentido da vida.

O resto do tempo era passado lendo livros no meu quarto, ajudando a minha mãe na cozinha, apanhando bichinhos no jardim, convivendo com amigos de todas as idades e backgrounds, trepando árvores, participando nos eventos organizados pelo nosso grupo do ensino doméstico, frequentando clubes (ginástica, danças folclóricas, etc), e fazendo uma série de outras actividades. Posso sinceramente dizer que não passei um momento de tédio!

Porém, depressa voltei para a escola, a tempo parcial, para fazer o último ano da primária. Os meus pais acharam que não me podiam ensinar a nível do secundário e queriam facilitar o processo do regresso à educação institucional.

Fui falar com o director de uma escola perto da nossa casa e chegámos a um acordo em relação aos termos da minha presença - eu iria à escola 3 dias por semana, ajudaria a turma da pré-primária uma vez por semana, só faria os trabalhos de casa que achasse interessantes e usaria o uniforme da escola com a minha bandana (a que estava muito apegada naquela época).

Lembro-me do receio que senti ao pensar que se calhar não iria estar ao nível das outras crianças, pelo menos nas áreas em que não tinha estudado muito. Essas preocupações eram infundadas: eu estava no topo da classe em tudo! Pela primeira vez, também fiz algumas amizades através da escola, embora fossem muito mais inconstantes do que as amizades entre os jovens educados em casa, e um pouco previsíveis por serem todos da mesma idade...

Nos dias em que não ía à escola a minha vida manteve-se inalterada, com o mesmo fluxo de trabalho e lazer. No final do ano fiz os exames e passei com óptimas notas. Ganhei uma bolsa de estudos para uma pequena escola privada só para meninas. Escolhi essa escola porque as turmas eram pequenas - 12 alunas em cada classe.

Assim, comecei a frequentar a escola em tempo integral. Não funcionou. A classe inteira era estritamente cristã e muito mais rica do que eu. Quase todas as meninas já tinham seus grupos de amigos bem estabelecidos e embora inicialmente não tivesse sido vítima de violência escolar não me consegui relacionar com nenhuma das minhas colegas, e as meninas no ano seguinte não queriam ser vistas com meninas mais novas que elas.

Quanto ao ensino, não estava adequado ao meu calibre, nem podia estar - de todas as minhas colegas, só 2 não tinham necessidades especiais, e 3 tinham dificuldades de aprendizagem graves. Tive de suportar lições de uma simplicidade que só me entorpecia a mente: o trabalho era fácil mas, se acabasse depressa só me davam mais trabalhos do mesmo tipo. Aprendi a trabalhar devagar e a manter a minha cabeça baixa, mas não estava feliz.

No final do ano os meus pais deixaram-me pedir a transferência para uma escola diferente e no início do 8º ano entrei para uma escola secundária normal - uma escola grande para raparigas perto de um dos bairros sociais da cidade.

Foi outro desastre. Não reconheceram a minha capacidade e colocaram-me inicialmente num grupo muito fraco. Depois, com grande firmeza, ignoraram as minhas queixas sobre a violência escolar de que era vítima. Eu andava cheia de tédio, mesmo quando me mudaram para o grupo mais avançado, e não tinha amigas porque não estava interessada nas mesmas coisas que as minhas colegas, e elas não gostavam de mim porque eu não encaixava. Depois do 2º período fiquei doente devido ao estresse e a escola ainda não tinha feito nada para acabar com o bullying. Relutantes, os meus pais, uma vez mais, retiraram-me da escola.

Levei cerca de 6 meses a recuperar dessa experiência, a aprender que podia confiar nos outros e a recuperar o amor à aprendizagem. Depois decidi estudar para o exame de ciências do 11º ano e acabei fazendo o de matemática também porque por engano o meu pai inscreveu-me em ambos. Tendo estudado por menos de um ano, fiz os exames numa escola aqui perto e tive notas óptimas nos dois.

Depois decidi começar a estudar física e matemática do 12º ano. Fiz os exames 2 anos mais cedo do que o normal. Ah, e também fiz latim do 11º ano. Paralelo a tudo isso fiz outros estudos menos estruturados, aprendi alemão com uma amiga da nossa família e fui a vários eventos organisados pelo nosso grupo do ensino doméstico. O ritmo da vida era fácil, o espírito era inquisitivo e sociável.

Agora que terminei os exames com excelentes resultados podia continuar a fazer outras disciplinas do 12º ano mas duvido - estou mais interessada nos cursos de curta duração oferecidos pela Universidade Aberta. Além disso, agora tenho dois empregos – ensinando matemática e inglês, e pesquisando para um livro. E também ando muito ocupada com o meu trabalho como presidente do Home Educated Youth Council, com o movimento cidades em transição e com o curso de taquigrafia.

Adicionem a isso os meus estudos não-progressivos - eu escrevo, toco piano, desenho, faço jóias, cozinho, etc. -, os meus amigos (espalhados por todo o país mas ainda visitados regularmente) e todos os projectos para o futuro - experiência de trabalho em duas fazendas leiteiras, um curso de açougue, aprender alfaiataria e a trabalhar o couro, escrever um romance, fundar a minha própria escola e aprender carpintaria - e torna-se óbvio que realmente não tenho tempo para seguir a rota mais tradicional ou planejar o que fazer a seguir.

A minha educação pode não ser a do currículo nacional, mas isso não parece estar a prejudicar as minhas perspectivas. E não tenho que me submeter àquele tédio entorpecedor que experimentei na escola. Tenho interesses demais para seguir um caminho pré-definido e adoro ter uma interacção social variada.

Assim, para mim, a educação em casa é ideal. Permite-me adquirir uma educação excelente apesar da minha vasta gama de interesses. E as qualificações que não tenho? Bem, eu confio que o meu comportamento irá demonstrar a minha competência, e deixarei que as pessoas me julguem pelo que sou e não pelos papéis que acumulei.