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quinta-feira, 8 de abril de 2010

Dia feliz para a "educação em casa"

O governo britânico abandonou os planos de regulamentação da educação em casa.

Aqui, lemos que a Associação Nacional do Ensino Doméstico, Education Otherwise, se congratulou com o abandono da proposta de um registo obrigatório para as crianças educadas em casa.

"A rejeição desta proposta trouxe uma enorme sensação de alívio", disse a porta-voz Ann Newstead. "Estamos gratos pelo apoio dos deputados da oposição que se deram ao trabalho de ouvir e dialogar com os pais-educadores".

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Aventuras de Laura no Ensino Doméstico

Trecho de um artigo publicado hoje em The Washington Post:

Antes de ter decidido educar a filha de 10 anos em casa, Laura Brodie era cética. No seu novo livro "Love in a Time of Homeschooling" Laura confessa que achava o ensino domiciliar esquisito e pensava que era praticado apenas por cristãos conservadores e pessoas que vivem fora do sistema. Mas em 2005 a escritora e professora de Inglês na Universidade de Washington e Lee, em Lexington, encontrou a filha mais velha, Julia, escondida no armário em vez de fazer os trabalhos de casa. "Isso, para mim, foi o sinal que tinhamos de fazer mudanças drásticas".

Julia tinha sido sempre uma sonhadora, o tipo de aluno que os professores descrevem como "fora do normal". Ela recusava estrutura e mudança e afastava-se muitas vezes das actividades de grupo. Tinha dificuldades com a ortografia e precisava de tempo extra para a matemática. Depois vieram os testes e as montanhas de deveres de casa.

"Se a mente distraida de Julia tivesse sido o nosso único desafio, eu nunca teria optado pelo ensino domiciliar. Mas, eu ficava olhando para o conteúdo fraco dos testes e trabalhos de casa de Julia e pensando, 'Oh, mas eu poderia fazer muito melhor do que isto."

Podem continuar a ler aqui, em inglês.

domingo, 4 de abril de 2010

sábado, 3 de abril de 2010

Exilados para educar os filhos em casa

é o título de um artigo publicado há 10 dias no Times sobre a família alemã exilada nos Estados Unidos:

Mal passavam as 7hrs da manhã num dia frio de Outono de 2006 quando a polícia bateu a porta. Uwe, Hannalore e os 3 filhos permaneceram em silêncio, mal ousando respirar, esperando que a polícia se fosse embora ao não ouvir resposta. Mas a polícia persistiu e ameaçou arrombar a porta. Relutantemente, Uwe, professor de piano, abriu a porta de sua casa em Bissingen, na Alemanha. Pouco tempo depois, a polícia foi-se embora levando 3 dos seus 4 filhos.

O crime deles? Educar os filhos em casa num país onde o ensino domiciliar não só é ilegal mas considerado altamente suspeito e até anti-social.


Podem ler o resto aqui (em inglês).

Entretanto, vim a saber de uma família inglesa que também anda fugida e que colocou um vídeo no YouTube sobre o caso deles - podem ver aqui.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Audiência Pública sobre Educação Domiciliar

Áudio da Audiência Pública sobre Educação Domiciliar que ocorreu no dia 15 de Outubro de 2009 no Brasil.



Podem ouvir o resto aqui.

terça-feira, 23 de março de 2010

Uma canção sem palavras para o Alan



Eu consegui ir ao funeral do Alan mas infelizmente não pude comparecer ao encontro que decorreu em seguida. Mais tarde, nesse mesmo dia, comecei a escrever uma canção - queria que fosse uma canção para o Alan mas acabou por ser mais sobre os meus sentimentos de tristeza devido a esta nossa grande perda em vez de uma celebração de todas as coisas maravilhosas que ele trouxe às nossas vidas. Isso terá de vir mais tarde. Entretanto, desculpem ser um pouco triste mas espero que gostem à mesma...

Com amor, Kit Morgan

domingo, 21 de março de 2010

A Ética do Ensino Doméstico

Será que os pais devem ter a possibilidade de educar os filhos em casa, fora do sistema de ensino regular?

Aprender em casa é algo bastante comum nos Estados Unidos mas é ilegal na Alemanha e na Suécia, onde em breve um projecto-lei vai ser apresentado ao Parlamento que tornará o ensino doméstico impossível, a menos que a criança seja incapaz de frequentar a escola.

James Coomarasamy, de Europe Today, examina estas questões em pormenor, com contribuições de:

* Michael Steininger, correspondente da BBC, que entrevista uma família que educa os filhos em casa na Alemanha

* Ostberg Bertil, Secretário de Estado da Educação da Suécia

* Graham Badman, o autor de um controverso relatório recomendando uma maior regulamentação do ensino doméstico no Reino Unido

* Peter Kowalke, dos Estados Unidos, que foi educado em casa e produziu o filme Growing Without Schooling.

* Annette Taberner, portavoz da Education Otherwise, uma instituição sem fins lucrativos que apoia as famílias que educam os filhos em casa no Reino Unido

terça-feira, 16 de março de 2010

Um funeral budista

Queridas, obrigada pelas vossas palavras de apoio. Tenho andado ocupada a organisar o ritual. Tem sido um processo transformacional incrível. O funeral vai ser na sexta-feira. Podem dar uma olhada aqui. Entretanto, deixo-vos uma tradução feita à pressa de um poema que me inspirou.



Contemplação sobre o Não-Vir e o Não-Ir
Por Thich Nhat Hanh

Este corpo não sou eu
Eu sou vida sem limites
Nunca nasci
E nunca morri

Olhem para o oceano e para o céu cheio de estrelas
Manifestações da minha maravilhosa mente
Desde antes do tempo existir, que sou livre

O nascimento e a morte são meras portas por onde passamos
Limiares sagrados na nossa jornada
Nascer e morrer é como brincar às escondidas

sábado, 6 de março de 2010

A dança da vida e da morte

Disse o Buda:

Esta nossa existência é transitória como as nuvens de outono.
Ver o nascimento e a morte dos seres
é como olhar os movimentos de uma dança.
Uma vida é como um clarão de um relâmpago no céu,
rápida como uma torrente que se precipita montanha abaixo.

Sogyal Rinpoche, em "O Livro Tibetano do Viver e do Morrer"

O Alan faleceu na passada quarta feira.

Um Funeral Budista

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Por onde andámos: País de Gales





Aprender a Ler Sem Escola II

Trecho de Children Teach Themselves to Read: unschoolers' accounts of how their children taught themselves to read, por Peter Gray, professor e pesquisador de psicologia no Boston College. Começa aqui.

2. Crianças motivadas passam muito rapidamente da não-leitura à leitura fluente.

Em alguns casos, as crianças que aprendem fora da escola parecem aprender a ler de um dia para o outro. Por exemplo, Lisa W. escreveu: "O nosso segundo filho, que pensa em imagens, só aprendeu a ler aos 7 anos. Durante anos, ou conseguia compreender o que precisava saber a partir de pistas pictóricas ou, quando não conseguia, pedia ao irmão mais velho para ler. Lembro-me do dia em que começou a ler. Tinha pedido ao irmão mais velho para ler algo no computador e o irmão respondeu: "Tenho mais que fazer do que ler para ti", e virou-lhe as costas. Passado uns dias já estava a ler bastante bem."

Diane, escreveu: "A minha primeira filha não sabia ler quando fez os 5 anos em Março mas no final desse ano já sabia ler fluentemente em voz alta, sem pausas nem hesitações." E Kate relata que aos 9 anos o seu filho "aprendeu sozinho a ler" num mês. Nesse intervalo de tempo ele trabalhou deliberadamente na leitura por sua iniciativa própria e progrediu imenso, deixando de ser um leitor fraco e hesitante ele passou a ler com muita fluência, muito para além do que seria esperado numa escola normal."

Tais progressões graduais na habilidade de leitura pode ocorrer, pelo menos em parte, porque fases de aprendizagem menos óbvias tinham passado despercebido pelo observador. Karen atribui o rápido desabrochar que observou no filho a um ganho repentino de auto-confiança. Ela escreveu: "Durante o Verão passado, filho A [agora com 7 anos] deixou de esconder a sua capacidade e passou a ler capítulos de livros. Num verão! Agora, seis meses depois, ele sente-se suficientemente confiante na sua capacidade de leitura. Frequentemente dou com ele lendo em voz alta para a irmã quando me levanto de manhã. Ele até se oferece para ler para mim e para o pai. Que bom que nunca o pressionámos! "

sábado, 27 de fevereiro de 2010

Ensino doméstico a bordo de um barco

Já conhecem a história de Heloísa Schürmann? A professora e proprietária de uma escola de inglês que circunavegou o mundo num veleiro com a família, educando os 3 filhos no barco? Ela agora faz parte da nossa rede do Ning e gostaria de partilhar as suas experiências conosco. Há pouco tempo fez uma entrevista, que podem ler aqui na íntegra. Entretanto, deixo aqui um trecho.

Heloísa Schürmann: “A disciplina foi o fator fundamental para que desse certo. Eles tinham um horário para as aulas, para o lazer e para fazer deveres. Eles tinham aulas todos dias, podia ser de manhã ou a tarde. O que ajudou muito para o aprendizado deles foi o fato de que, desde cedo, as crianças gostavam de ler. Fazíamos muita pesquisa de campo, trabalhos em bibliotecas e contamos com ajuda de velejadores que nos ajudavam nas matérias que tínhamos dificuldades. As crianças se tornaram autodidatas, pesquisaram e aprenderam diversos assuntos que eles tinham interesse e não estavam em nenhum currículo escolar”.

O que dizem os filhos?

Wilhelm Schurmann (agora com 33 anos): “Eu passei 10 anos no mar e minha mãe foi minha professora. No início, eu tinha 7 anos, foi bem difícil, pois eu queria ir nadar, brincar na praia e com um dia bonito eu tinha que ficar no barco estudando. Mas aos poucos fui vendo que todos meus amigos também tinham que estudar nos seus veleiros e, então, combinámos todos de ter aulas de manhã e sair à tarde. Aprendi que se eu adiantasse meus deveres, os que eu podia fazer sozinho, as redações, geografia, história, ciências, e alguns de matemática, me sobrava mais tempo para fazer windsurf. Eu aproveitava os dias de chuva, ou quando estávamos navegando, para adiantá-los. Funcionava bem. Eu estudei o segundo grau pela escola de correspondência da Nova Zelandia e me formei em Desenho Técnico. Às vezes, eu ficava várias noites tentando resolver um problema. Fazia desenho, fazia a miniatura e resolvia a questão. Pra mim, estudar a bordo foi melhor do que ir na escola, pois eu aprendi muito mais do que se eu estivesse na escola.

Pierre Scchurmann (agora com 41 anos): “Eu tinha 15 anos quando a viagem começou e naveguei com a família por três anos. Aos 18, fui para os Estados Unidos para ingressar numa universidade, onde cursei administração de empresas. A vida no barco, viajando, me trouxe duas experiências distintas. Uma delas foi o contato com as diferentes culturas de outros povos e a importância de se relacionar com eles para sobreviver. A outra foi a do relacionamento interno, dentro do próprio barco, com a família.

David Schurmann (agora com 35 anos): "Eu tinha 10 anos quando comecei a viajar com minha família e aos 16 anos fiquei na Nova Zelândia, onde estudei Cinema e Televisão, na Universidade de Auckland. Aprendi cedo a não tentar entender a cultura com meus olhos, porque do meu binóculo eu vou achar tudo sempre estranho. Quando você viaja e fica um bom tempo em cada lugar, começa a compreender por que as pessoas são de um jeito e pensam de uma maneira.

O grande problema da humanidade é que as pessoas querem impor as suas maneiras de viver e dizem que o resto está errado.

O preconceito acaba quando você compreende o outro. Eu mudei a minha visão do mundo. As pessoas gostam de ver a vida como um túnel. Gostam de estar num trilho de trem que tem um caminho certo, porque acham que é mais fácil e seguro, não querem enxergar outras paisagens. Enquanto eu acho que o mais belo na vida é exatamente deixar meu barco ser guiado pela correnteza, pelo coração”.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Aprender a Ler Sem Escola: 7 Princípios

Há umas semanas atrás convidei os leitores do meu blogue que praticam o unschooling ou seguem o modelo da escola Sudbury a partilharem as suas histórias sobre a aprendizagem da leitura sem instrução formal. Dezoito pessoas - a maioria das quais se identificaram como pais de unschoolers - gentilmente compartilharam suas histórias comigo. Cada história é única. Tal como os meus alunos descobriram em suas pesquisas em Sudbury Valley, parece não haver um padrão no modo como as crianças que actualmente não frequentam a escola aprendem a ler.

No entanto, ao listar e organizar os temas principais de cada história, consegui extrair o que me parecem ser 7 princípios que talvez nos possam ajudar a compreender, de uma forma geral, o processo de aprender a ler sem escola. Optei por organizar o resto deste artigo em redor destes princípios e exemplificar cada um deles com citações das histórias que me enviaram. Algumas das pessoas que me enviaram histórias pediram-me para usar apenas os seus nomes e não os nomes dos seus filhos, por isso resolvi usar essa convenção.

Aprender a Ler Sem Escola: 7 Princípios


1) Para as crianças que não frequentam a escola, não existe um período crítico ou uma idade ideal para aprender a ler.

Para as crianças nas escolas normais é muito importante aprender a ler na altura ditada pela escola. Se não aprenderem nessa altura, acompanhar o resto do currículo torna-se mais difícil e poderão vir a ser rotuladas como "fracassos", como alguém que tem de repetir o ano ou que tem alguma deficiência mental. Nas escolas, aprender a ler é a chave para o resto da aprendizagem. Primeiro você "aprende a ler" e depois você "lê para aprender." Sem saber ler você não pode aprender a maior parte do resto do currículo, porque grande parte dele é apresentado através da palavra escrita. [...]

Mas a história é completamente diferente para as crianças sem escola. Elas podem aprender a ler a qualquer altura, sem aparentes consequências negativas. As histórias que me enviaram incluem 21 casos diferentes de crianças aprendendo a ler. [...] Destes, dois aprenderam aos 4 anos, sete aprenderam aos 5 - 6 anos, seis aprenderam aos 7 - 8 anos, cinco aprenderam aos 9- 10 anos e um aprendeu aos 11 anos.

Mesmo dentro da mesma família, crianças diferentes aprenderam a ler em idades muito diferentes. Diane escreveu que a sua primeira filha aprendeu a ler aos 5 anos de idade enquanto que a sua segunda filha aprendeu aos 9 anos; Lisa W. relatou que um dos seus filhos aprendeu aos 4 e outro aos 7 anos e Beatriz contou que uma filha aprendeu antes dos 5 e a outra aos 8 anos.

Hoje, nenhuma dessas crianças tem dificuldades na leitura. Beatriz relata que a filha que só aprendeu a ler aos 8 anos e que agora tem 14 anos "lê centenas de livros por ano, escreveu um romance e ganhou vários prêmios de poesia." Esta filha, no entanto, havia demonstrado outros sinais de precocidade literária muito antes de ter aprendido a ler. De acordo com Beatriz, aos 15 meses de idade ela recitava de memória todos os poemas no livro Complete Mother Goose.

A mensagem mais frequentemente repetida nestas histórias de aprendizagem da leitura é que as crianças têm uma atitude positiva relativamente à leitura e à aprendizagem em geral porque não foram obrigadas a ler contra a sua vontade. Isto talvez tenha sido transmitido mais claramente por Jenny, que escreveu, em relação à filha (que tem agora 15 anos) que não leu até aos 11 anos: "Um dos melhores resultados de ter-lhe deixado aprender a ler ao seu próprio ritmo e a partir da sua iniciativa foi que ela tomou controle do processo e através dessa experiência apercebeu-se que se podia aprender a ler sozinha podia aprender qualquer coisa. Nós nunca lhe pressionamos para aprender, nunca, e por causa disso a sua capacidade de aprender manteve-se intacta. Ela é muito esperta, muito viva, curiosa e interessada no mundo que a rodeia."

Continua AQUI...

Trecho de Children Teach Themselves to Read: unschoolers' accounts of how their children taught themselves to read, por Peter Gray, professor e pesquisador de psicologia no Boston College. Parte 1 aqui.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Como é que os unschoolers aprendem a ler?

... as pessoas envolvidas no movimento do unschooling e da "não-escola" afirmam que a leitura não precisa ser ensinada. Desde que as crianças cresçam numa sociedade letrada, rodeadas por pessoas que lêem, elas irão aprender a ler. Podem fazer algumas perguntas no percurso e receber algumas dicas de pessoas que já sabem ler, mas são elas que tomam a iniciativa e orquestram todo este processo sozinhas. Trata-se de uma aprendizagem individualizada que não requer imagiologia cerebral nem cientistas cognitivos e que exige pouco esforço por parte de terceiros que não a própria criança que está aprendendo. Cada criança sabe exatamente qual é o seu estilo de aprendizagem e o que está pronta para aprender, e vai aprender a ler à sua própria maneira e ao seu próprio ritmo.

Há 21 anos atrás, dois dos meus alunos universitários realizaram um estudo sobre a forma como aprendem a ler na Sudbury Valley School, onde os alunos são livres para fazer o que lhes apetece e bem entendem. Identificaram 16 alunos que tinham aprendido a ler depois de se terem matriculado na escola mas que não tinham recebido instrução sistemática de leitura. Entrevistaram os alunos, os pais e os funcionários da escola para descobrir quando, porquê e como cada um deles havia aprendido a ler. O que descobriram desafiou quaisquer tentativas de generalização: os alunos começaram a ler em idades totalmente diferentes - uns aos 4 outros aos 14!

Alguns alunos aprenderam muito depressa, um dia não sabendo ler, passando a ler fluentemente passado umas semanas, outros aprenderam muito mais lentamente. Alguns aprenderam de forma consciente, trabalhando sistematicamente na fonética e pedindo ajuda ao longo do percurso. Outros pareciam aprender sozinhos, de um dia para outro, apercebendo-se de repente que sabiam ler, mas sem terem ideia de como aprenderam. Não havia nenhuma relação sistemática entre a idade em que os alunos tinham aprendido a ler e o seu envolvimento com a leitura no momento da entrevista. Alguns dos leitores mais vorazes tinham aprendido cedo, outros muito mais tarde.

O meu filho, que faz parte do pessoal em Sudbury Valley, disse-me que esse estudo já está ultrapassado. A sua impressão é que hoje a maioria dos estudantes de Sudbury Valley estão aprendendo a ler mais cedo e com ainda menos esforço consciente do que antes porque estão imersos numa cultura em que as pessoas comunicam regularmente através da palavra escrita - em jogos de computador, e-mail, no Facebook , através de mensagens de texto nos telemóveis e assim por diante. Essencialmente, para eles, a palavra escrita não é diferente da palavra falada, e a maquinaria biológica que todos os seres humanos têm para a compreensão da língua falada é usada automaticamente na aprendizagem da leitura e da escrita (ou da datilografia).

Continua aqui.

Trecho de Children Teach Themselves to Read: unschoolers' accounts of how their children taught themselves to read, por Peter Gray, professor e pesquisador de psicologia no Boston College.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Educação em casa: a revolução silenciosa

No Reino Unido, nos E.U.A. e em vários outros países, uma revolução silenciosa e fora do comum está ocorrendo. De que forma? Pais educando os filhos em casa. Simultaneamente aos debates ferozes sobre o ensino regular que vão ocorrendo sobre o currículo nacional, avaliações, Back to the Basics, etc, algumas famílias têm pura e simplesmente ido àvante, em silêncio, com uma abordagem à educação do tipo "faça você mesmo". Nos E.U.A. mais de um milhão de famílias são homeschoolers. No Reino Unido estima-se que mais de 10.000 famílias proporcionam aos filhos uma educação baseada em casa.

Este fenômeno é melhor descrito como educação com base em casa porque a maioria das famílias, em vez de tentar copiar o modelo da "Prisão de Dia" usado pela maioria das escolas, usa a casa como um trampolim de onde "saltam" para uma série de investigações e actividades na comunidade. As pessoas acham isto muito difícil de entender. Esta dificuldade revela-se nas perguntas que fazem sobre a socialização destas crianças, do tipo "mas elas não se tornarão socialmente inaptas? Não precisamos pensar muito para chegarmos à óbvia conclusão que as actividades de aprendizagem que ocorrem lá fora na comunidade, quando comparadas à restrita vida social em oferta na maioria das escolas, não só proporcionam às crianças mais contactos sociais e encontros mais variados como reduzem a dependência nos colegas que o adolescente típico experiencia.

Em geral, as pessoas tentam criar generalizações e estereótipos sobre as famílias que educam os filhos a partir de casa. As únicas generalizações apoiadas pela evidência são:

a) que elas exibem uma considerável diversidade quanto a motivos, métodos e objectivos;

b) que são extraordinariamente bem sucedidas no que toca ao alcance dos objectivos escolhidos.

As escolas geralmente assumem a postura que a educação baseada em casa, para ser tolerada, [deveria exigir que] as famílias deviam aprender a fazê-lo com ajuda dos "profissionais". A evidência, no entanto, é diferente e demonstra que as escolas têm frequentemente mais a aprender com a flexibilidade da prática de muitas famílias do que vice-versa.

Trecho de Alternatives for Everybody, All the Time, escrito por Roland Meighan, professor doutor em Educação na Univerdade de Birmingham e consultor sobre educação com base em casa para Personalised Education Now.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Homeschooling e Socialização

Quando eu e o meu marido começámos a pensar em educar os nossos dois filhos em casa, a reação mais comum dos nossos amigos e familiares foi: "E a socialização?" É uma pergunta legítima.

Cada família aborda a questão da socialização de forma diferente. Experiências diárias, semanais e mensais variam bastante, mesmo dentro da mesma família. Quando ouvi o termo "homeschooling" pela primeira vez, associei-o imediatamente à Casa da Pradaria - crianças vestidas em trajes tradicionais obedientemente sentadas em secretárias antigas numa sala isolada durante longas horas, replicando a experiência da escola na privacidade do lar. Alguns dos nossos dias são passados em casa, admito, mas muitos são passados lá fora, no mundo, aprendendo através de experiências muito práticas. Eu, e outros pais que educam os filhos a partir de casa, prefiro o termo "educação independente" - que dá uma imagem muito mais precisa do que fazemos.

Com as últimas estatísticas indicando que cerca de 2,5 milhões de crianças são educadas em casa nos EUA, as oportunidades sociais disponíveis para as famílias que optam pelo homeschooling estão se expandindo cada vez mais. A maioria das crianças educadas em casa participam numa enorme variedade de actividades extracurriculares - esqui, patinação artística, aulas de música, coros, desportos colectivos, equipes de debate, campanhas políticas, escuteiros ou guias, Odyssey of the Mind, teatro, dança, karatê, cooperativas, etc. No ano passado, os meus filhos fizeram natação, tiveram aulas de arco e flecha, de ciência, esqui, arte, futebol, basebol, ginástica - isto sem falar dos passeios na natureza, dos eventos do dia-a-dia e encontros com outras crianças para brincar. Todas estas actividades foram feitas na companhia de outras crianças e famílias, proporcionando uma rica variedade de interacção social e experiências.

Uma grande vantagem da educação em casa é que a socialização ocorre naturalmente entre grupos etários diferentes. Surpreendentemente, a discriminação etária entre crianças educadas em casa é muito rara - não vemos cliques, sentimentos de superioridade em relação às crianças mais novas, bullying ou exclusão. Em vez disso, vemos que os miúdos educados em casa gostam de brincar com crianças e jovens de todas as idades e aprendem uns dos outros com alegria. Interacções entre crianças da mesma idade também ocorrem mas é normal vermos um miúdo de 11 anos divertindo-se a jogar com um de 5 anos. Também já vi um grupo de meninas com idades entre os 7 e os 12 incluindo uma de 3 anos nas suas brincadeiras. É uma ocorrência comum.

Observo também que os homeschoolers vêm de todos os backgrounds. Desde que começámos a nossa jornada no mundo do ensino domiciliar, eu e os meus filhos já conhecemos e fizemos amizades com um grupo diversificado de pessoas: protestantes, católicos, ortodoxos, muçulmanos, ateus e agnósticos; africano-americanos, caucasianos, asiáticos, latino-americanos e pessoas do Oriente Médio; liberais e conservadores, democratas e republicanos. Com eles, os meus filhos já tiveram muitas oportunidades de expandir e enriquecer a sua experiência da enorme diversidade existente fora do núcleo familiar.

Comos todos os pais, os que optam pelo ensino doméstico fazem tudo o que podem para dar aos filhos todas as oportunidades para aprenderem as habilidades que irão precisar na vida adulta; entre elas, competências sociais. Recordando a minha experiência escolar, a maioria das competências sociais que adquiri foram obtidas fora das salas de aula - no recreio, durante o almoço, nos corredores e em actividades depois das aulas terem acabado. Pelo que tenho visto, o mesmo ocorre com as crianças educadas em casa. Eu reconheço que ensinar os meus filhos a promover bons relacionamentos com os outros dá trabalho. Tanto os meus filhos temos que tomar a iniciativa a diferentes alturas e de maneiras diferentes. Mas penso que a situação seria a mesma se tivesse optado por mandá-los para a escola. Por enquanto, porém, posso dizer, com alegria, que tanto o nosso calendário acadêmico como o social estão cheios.

A tradução é livre e parcial mas podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui. Kristin, a autora deste artigo, faz parte da Billerica Homeschooling Association.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Muçulmanos optam pelo ensino doméstico

Martinez e os 6 filhos, com idades entre os 2 e os 12, fazem parte de um número crescente de muçulmanos adoptando o ensino doméstico. Martinez diz-nos que nos últimos cinco anos viu o número de homeschoolers muçulmanos aumentar de uma maneira louca na área de Washington.

Segundo nos diz Brian Ray, presidente do National Home Education Research Institute, embora três quartos dos 2 milhões de homeschoolers do país se identifique como cristãos, o número de muçulmanos está expandindo "relativamente depressa" em comparação com outros grupos.

Fazem-no pelas mesmas razões que os não-muçulmanos: "nível acadêmico mais forte, mais tempo em família, orientação da interacção social, proporcionar um lugar seguro para a aprendizagem e transmitir os seus valores, crenças e visão de mundo."

Os pais dizem que é uma alternativa atraente às escolas públicas, em relação às quais nem sempre se sentem confortáveis devido às suas tradições e valores, e às escolas islâmicas, que podem ser distantes, estar fora das suas possibilidades financeiras ou deixar a desejar no que toca ao rigor acadêmico.

Se os muçulmanos têm vindo a abraçar a escola em casa mais tarde do que outros, isto deve-se em parte devido ao facto que muitos muçulmanos nos Estados Unidos são imigrantes que não estão cientes desta opção.

De facto, para muitos imigrantes, a ideia de ensinar em casa é contrária às suas razões para vir para a América, que frequentemente incluem melhores oportunidades educacionais. E a escola pública tem sido vista como um portal essencial para a assimilação.

Quando Sanober chegou do Paquistão há 13 anos e começou a educar os três filhos em casa ela era a única imigrante que conhecia praticando o ensino domiciliar. As outras pessoas de países muçulmanos "pensavam que eu era esquisita", disse ela. Uma delas disse-me: "Espero que não te vás destruir a ti mesma e que os teus filhos não vão crescer ignorantes."

Agora, cada vez mais muçulmanos estão seguindo os seus passos, muitos deles usando o muito respeitado currículo Calvert para homeschoolers.

A tradução é livre e parcial mas podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Quando disse que educava o meu filho em casa disseram que eu era maluca!

São 10 horas da manhã e Archie está sentado no chão da sala rodeado por lápis de cor. Mal pode esperar a festa de anos que depressa se aproxima e está desenhando o número sete. Mais tarde irá provavelmente passear no parque com a mãe e Calli, a irmã mais nova. Quando voltarem a casa irão provavelmente ler um livro em conjunto ou construir outro castelo de Lego.

Fazem parte do número cada vez maior de crianças que educadas em casa. Archie não terá que se submeter ao stress dos exames e quando estiver pronto irá provavelmente ignorar o 10° e 11° ano e entrar directamente para o 12° ano.

Em geral, a educação em casa tem sido vista como algo apenas para uma meia dúzia de pais super-interessados tentando transformar os filhos em gênios intelectuais enquanto os coleguinhas ainda estão a tentar compreender os fundamentos da álgebra.

No entanto, tem-se observado nestes últimos anos um aumento significativo no número de famílias normais, desiludidas com o sistema de educação tradicional, tirando os filhos da escola.

Louise, a mãe de Archie, juntou-se a este movimento de pais-educadores há dois anos. Insiste que não tem nada contra a escola e que a decisão não foi fácil:

"Quando o Archie era pequenino que nunca me passou pela cabeça que ele não iria para a escola. Sabíamos que não vivíamos na área da escola primária que queríamos mas disseram-nos que isso não seria um problema. Infelizmente, quando a altura chegou, a escola não tinha vagas e tivemos que procurar outras alternativas. Quando fui visitar a escola mais próxima da nossa casa vi pais fumando nos portões e dentro da escola as coisas não eram melhores. Nunca me sentiria feliz mandando o meu filho para lá."

Louise conseguiu arranjar um lugar para o filho noutra escola mas Archie nunca se ambientou e passado umas semanas a família decidiu educar em casa.

"As vezes pergunto-me a mim mesma se não devia tê-lo obrigado a ir. Talvez depois de alguns meses de lágrimas e birras ele teria-se resignado, mas quanto mais converso com outras pessoas mais convencida fico que tomei a decisão certa."

Os pais têm o direito de educar os filhos em casa. Na Inglaterra, não têm de acompanhar o currículo nacional e têm a liberdade de escolher o que ensinar e como ensinar. Como as autoridades locais não recebem dinheiro do governo para apoiar a educação familiar, a maioria não interfere e deixa as familias em paz e sossego.

A tradução é livre e parcial mas podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

TDAH: Vantagens do Ensino Doméstico

A abordagem tradicional ao ensino - um professor de pé em frente de 30 ou 40 crianças sentadas atrás de secretárias - não é a mais eficaz para crianças hiperactivas que se aborrecem facilmente. Se o teu filho sente-se desmoralizado por causa de más notas, dos castigos que recebe por se esquecer dos livros, do desprezo que os professores lhe demonstram ou dos abusos que sofre dos colegas, ele pode ser um candidato ideal para a educação domiciliar.

Melinda Boring, que estabeleceu a Heads Up Now!, uma empresa que fornece produtos e informações para pais, professores e terapeutas que trabalham com crianças hiperactivas, facilmente distraídas e com dificuldades sensoriais, educa a sua filha Beckie e o filho Josh em casa, ambos diagnosticados com TDAH.

"Josh raramente seguia as instruções e ficava agitado quando lhe pediam para se sentar e ficar quieto", diz Melinda. "Visões, sons e até odores que passavam despercebidos à maioria das pessoas incomodavam-lhe imenso. Não era que ele não quizesse fazer o que os professores lhe pediam; ele pura e simplesmente não conseguia."

Josh completou o ensino médio em casa em 2006 e agora está trabalhando a tempo inteiro e a estudar a nível do ensino superior. Beckie também está a dar-se muito bem com o ensino domiciliar.

Vantagens do Ensino Doméstico

Cada família tem que decidir se a educação domiciliar é para eles. Em alguns casos, deixar de trabalhar, ou conciliar o trabalho com o ensino doméstico, é mais fácil do que continuar a mandar os filhos para a escola quando esta não tem a capacidade de ir ao encontro das suas necessidades especiais.

"Vários pais disseram-me que fazem o homeschooling para reduzir o estresse diário", diz Kathy Kuhl, autora de Homeschooling Your Struggling Learner e coach de TDAH. "Conheço uma mãe que deixou o emprego, era professora-assistente, porque tentar obter apoio para o filho era tão estressante que lhe estava prejudicando a saúde."

Tradução livre e parcial deste artigo.