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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Educação em casa: a revolução silenciosa

No Reino Unido, nos E.U.A. e em vários outros países, uma revolução silenciosa e fora do comum está ocorrendo. De que forma? Pais educando os filhos em casa. Simultaneamente aos debates ferozes sobre o ensino regular que vão ocorrendo sobre o currículo nacional, avaliações, Back to the Basics, etc, algumas famílias têm pura e simplesmente ido àvante, em silêncio, com uma abordagem à educação do tipo "faça você mesmo". Nos E.U.A. mais de um milhão de famílias são homeschoolers. No Reino Unido estima-se que mais de 10.000 famílias proporcionam aos filhos uma educação baseada em casa.

Este fenômeno é melhor descrito como educação com base em casa porque a maioria das famílias, em vez de tentar copiar o modelo da "Prisão de Dia" usado pela maioria das escolas, usa a casa como um trampolim de onde "saltam" para uma série de investigações e actividades na comunidade. As pessoas acham isto muito difícil de entender. Esta dificuldade revela-se nas perguntas que fazem sobre a socialização destas crianças, do tipo "mas elas não se tornarão socialmente inaptas? Não precisamos pensar muito para chegarmos à óbvia conclusão que as actividades de aprendizagem que ocorrem lá fora na comunidade, quando comparadas à restrita vida social em oferta na maioria das escolas, não só proporcionam às crianças mais contactos sociais e encontros mais variados como reduzem a dependência nos colegas que o adolescente típico experiencia.

Em geral, as pessoas tentam criar generalizações e estereótipos sobre as famílias que educam os filhos a partir de casa. As únicas generalizações apoiadas pela evidência são:

a) que elas exibem uma considerável diversidade quanto a motivos, métodos e objectivos;

b) que são extraordinariamente bem sucedidas no que toca ao alcance dos objectivos escolhidos.

As escolas geralmente assumem a postura que a educação baseada em casa, para ser tolerada, [deveria exigir que] as famílias deviam aprender a fazê-lo com ajuda dos "profissionais". A evidência, no entanto, é diferente e demonstra que as escolas têm frequentemente mais a aprender com a flexibilidade da prática de muitas famílias do que vice-versa.

Trecho de Alternatives for Everybody, All the Time, escrito por Roland Meighan, professor doutor em Educação na Univerdade de Birmingham e consultor sobre educação com base em casa para Personalised Education Now.

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Homeschooling e Socialização

Quando eu e o meu marido começámos a pensar em educar os nossos dois filhos em casa, a reação mais comum dos nossos amigos e familiares foi: "E a socialização?" É uma pergunta legítima.

Cada família aborda a questão da socialização de forma diferente. Experiências diárias, semanais e mensais variam bastante, mesmo dentro da mesma família. Quando ouvi o termo "homeschooling" pela primeira vez, associei-o imediatamente à Casa da Pradaria - crianças vestidas em trajes tradicionais obedientemente sentadas em secretárias antigas numa sala isolada durante longas horas, replicando a experiência da escola na privacidade do lar. Alguns dos nossos dias são passados em casa, admito, mas muitos são passados lá fora, no mundo, aprendendo através de experiências muito práticas. Eu, e outros pais que educam os filhos a partir de casa, prefiro o termo "educação independente" - que dá uma imagem muito mais precisa do que fazemos.

Com as últimas estatísticas indicando que cerca de 2,5 milhões de crianças são educadas em casa nos EUA, as oportunidades sociais disponíveis para as famílias que optam pelo homeschooling estão se expandindo cada vez mais. A maioria das crianças educadas em casa participam numa enorme variedade de actividades extracurriculares - esqui, patinação artística, aulas de música, coros, desportos colectivos, equipes de debate, campanhas políticas, escuteiros ou guias, Odyssey of the Mind, teatro, dança, karatê, cooperativas, etc. No ano passado, os meus filhos fizeram natação, tiveram aulas de arco e flecha, de ciência, esqui, arte, futebol, basebol, ginástica - isto sem falar dos passeios na natureza, dos eventos do dia-a-dia e encontros com outras crianças para brincar. Todas estas actividades foram feitas na companhia de outras crianças e famílias, proporcionando uma rica variedade de interacção social e experiências.

Uma grande vantagem da educação em casa é que a socialização ocorre naturalmente entre grupos etários diferentes. Surpreendentemente, a discriminação etária entre crianças educadas em casa é muito rara - não vemos cliques, sentimentos de superioridade em relação às crianças mais novas, bullying ou exclusão. Em vez disso, vemos que os miúdos educados em casa gostam de brincar com crianças e jovens de todas as idades e aprendem uns dos outros com alegria. Interacções entre crianças da mesma idade também ocorrem mas é normal vermos um miúdo de 11 anos divertindo-se a jogar com um de 5 anos. Também já vi um grupo de meninas com idades entre os 7 e os 12 incluindo uma de 3 anos nas suas brincadeiras. É uma ocorrência comum.

Observo também que os homeschoolers vêm de todos os backgrounds. Desde que começámos a nossa jornada no mundo do ensino domiciliar, eu e os meus filhos já conhecemos e fizemos amizades com um grupo diversificado de pessoas: protestantes, católicos, ortodoxos, muçulmanos, ateus e agnósticos; africano-americanos, caucasianos, asiáticos, latino-americanos e pessoas do Oriente Médio; liberais e conservadores, democratas e republicanos. Com eles, os meus filhos já tiveram muitas oportunidades de expandir e enriquecer a sua experiência da enorme diversidade existente fora do núcleo familiar.

Comos todos os pais, os que optam pelo ensino doméstico fazem tudo o que podem para dar aos filhos todas as oportunidades para aprenderem as habilidades que irão precisar na vida adulta; entre elas, competências sociais. Recordando a minha experiência escolar, a maioria das competências sociais que adquiri foram obtidas fora das salas de aula - no recreio, durante o almoço, nos corredores e em actividades depois das aulas terem acabado. Pelo que tenho visto, o mesmo ocorre com as crianças educadas em casa. Eu reconheço que ensinar os meus filhos a promover bons relacionamentos com os outros dá trabalho. Tanto os meus filhos temos que tomar a iniciativa a diferentes alturas e de maneiras diferentes. Mas penso que a situação seria a mesma se tivesse optado por mandá-los para a escola. Por enquanto, porém, posso dizer, com alegria, que tanto o nosso calendário acadêmico como o social estão cheios.

A tradução é livre e parcial mas podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui. Kristin, a autora deste artigo, faz parte da Billerica Homeschooling Association.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Muçulmanos optam pelo ensino doméstico

Martinez e os 6 filhos, com idades entre os 2 e os 12, fazem parte de um número crescente de muçulmanos adoptando o ensino doméstico. Martinez diz-nos que nos últimos cinco anos viu o número de homeschoolers muçulmanos aumentar de uma maneira louca na área de Washington.

Segundo nos diz Brian Ray, presidente do National Home Education Research Institute, embora três quartos dos 2 milhões de homeschoolers do país se identifique como cristãos, o número de muçulmanos está expandindo "relativamente depressa" em comparação com outros grupos.

Fazem-no pelas mesmas razões que os não-muçulmanos: "nível acadêmico mais forte, mais tempo em família, orientação da interacção social, proporcionar um lugar seguro para a aprendizagem e transmitir os seus valores, crenças e visão de mundo."

Os pais dizem que é uma alternativa atraente às escolas públicas, em relação às quais nem sempre se sentem confortáveis devido às suas tradições e valores, e às escolas islâmicas, que podem ser distantes, estar fora das suas possibilidades financeiras ou deixar a desejar no que toca ao rigor acadêmico.

Se os muçulmanos têm vindo a abraçar a escola em casa mais tarde do que outros, isto deve-se em parte devido ao facto que muitos muçulmanos nos Estados Unidos são imigrantes que não estão cientes desta opção.

De facto, para muitos imigrantes, a ideia de ensinar em casa é contrária às suas razões para vir para a América, que frequentemente incluem melhores oportunidades educacionais. E a escola pública tem sido vista como um portal essencial para a assimilação.

Quando Sanober chegou do Paquistão há 13 anos e começou a educar os três filhos em casa ela era a única imigrante que conhecia praticando o ensino domiciliar. As outras pessoas de países muçulmanos "pensavam que eu era esquisita", disse ela. Uma delas disse-me: "Espero que não te vás destruir a ti mesma e que os teus filhos não vão crescer ignorantes."

Agora, cada vez mais muçulmanos estão seguindo os seus passos, muitos deles usando o muito respeitado currículo Calvert para homeschoolers.

A tradução é livre e parcial mas podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Quando disse que educava o meu filho em casa disseram que eu era maluca!

São 10 horas da manhã e Archie está sentado no chão da sala rodeado por lápis de cor. Mal pode esperar a festa de anos que depressa se aproxima e está desenhando o número sete. Mais tarde irá provavelmente passear no parque com a mãe e Calli, a irmã mais nova. Quando voltarem a casa irão provavelmente ler um livro em conjunto ou construir outro castelo de Lego.

Fazem parte do número cada vez maior de crianças que educadas em casa. Archie não terá que se submeter ao stress dos exames e quando estiver pronto irá provavelmente ignorar o 10° e 11° ano e entrar directamente para o 12° ano.

Em geral, a educação em casa tem sido vista como algo apenas para uma meia dúzia de pais super-interessados tentando transformar os filhos em gênios intelectuais enquanto os coleguinhas ainda estão a tentar compreender os fundamentos da álgebra.

No entanto, tem-se observado nestes últimos anos um aumento significativo no número de famílias normais, desiludidas com o sistema de educação tradicional, tirando os filhos da escola.

Louise, a mãe de Archie, juntou-se a este movimento de pais-educadores há dois anos. Insiste que não tem nada contra a escola e que a decisão não foi fácil:

"Quando o Archie era pequenino que nunca me passou pela cabeça que ele não iria para a escola. Sabíamos que não vivíamos na área da escola primária que queríamos mas disseram-nos que isso não seria um problema. Infelizmente, quando a altura chegou, a escola não tinha vagas e tivemos que procurar outras alternativas. Quando fui visitar a escola mais próxima da nossa casa vi pais fumando nos portões e dentro da escola as coisas não eram melhores. Nunca me sentiria feliz mandando o meu filho para lá."

Louise conseguiu arranjar um lugar para o filho noutra escola mas Archie nunca se ambientou e passado umas semanas a família decidiu educar em casa.

"As vezes pergunto-me a mim mesma se não devia tê-lo obrigado a ir. Talvez depois de alguns meses de lágrimas e birras ele teria-se resignado, mas quanto mais converso com outras pessoas mais convencida fico que tomei a decisão certa."

Os pais têm o direito de educar os filhos em casa. Na Inglaterra, não têm de acompanhar o currículo nacional e têm a liberdade de escolher o que ensinar e como ensinar. Como as autoridades locais não recebem dinheiro do governo para apoiar a educação familiar, a maioria não interfere e deixa as familias em paz e sossego.

A tradução é livre e parcial mas podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

TDAH: Vantagens do Ensino Doméstico

A abordagem tradicional ao ensino - um professor de pé em frente de 30 ou 40 crianças sentadas atrás de secretárias - não é a mais eficaz para crianças hiperactivas que se aborrecem facilmente. Se o teu filho sente-se desmoralizado por causa de más notas, dos castigos que recebe por se esquecer dos livros, do desprezo que os professores lhe demonstram ou dos abusos que sofre dos colegas, ele pode ser um candidato ideal para a educação domiciliar.

Melinda Boring, que estabeleceu a Heads Up Now!, uma empresa que fornece produtos e informações para pais, professores e terapeutas que trabalham com crianças hiperactivas, facilmente distraídas e com dificuldades sensoriais, educa a sua filha Beckie e o filho Josh em casa, ambos diagnosticados com TDAH.

"Josh raramente seguia as instruções e ficava agitado quando lhe pediam para se sentar e ficar quieto", diz Melinda. "Visões, sons e até odores que passavam despercebidos à maioria das pessoas incomodavam-lhe imenso. Não era que ele não quizesse fazer o que os professores lhe pediam; ele pura e simplesmente não conseguia."

Josh completou o ensino médio em casa em 2006 e agora está trabalhando a tempo inteiro e a estudar a nível do ensino superior. Beckie também está a dar-se muito bem com o ensino domiciliar.

Vantagens do Ensino Doméstico

Cada família tem que decidir se a educação domiciliar é para eles. Em alguns casos, deixar de trabalhar, ou conciliar o trabalho com o ensino doméstico, é mais fácil do que continuar a mandar os filhos para a escola quando esta não tem a capacidade de ir ao encontro das suas necessidades especiais.

"Vários pais disseram-me que fazem o homeschooling para reduzir o estresse diário", diz Kathy Kuhl, autora de Homeschooling Your Struggling Learner e coach de TDAH. "Conheço uma mãe que deixou o emprego, era professora-assistente, porque tentar obter apoio para o filho era tão estressante que lhe estava prejudicando a saúde."

Tradução livre e parcial deste artigo.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Citação: escolarização compulsória

Onde estão as evidências — e como nós precisamos delas para fortalecer nossos argumentos — de que a escolarização compulsória na forma como ela se deu tenha, até aqui, contribuído para construir seres humanos mais humanos, extirpar as guerras, os saques neo-coloniais,
eliminar a fome, etc.?

Sabemos, isso sim, principalmente com Foucault, como a instituição escolar tem participado do movimento de disciplinamento, enquadramento, submissão, hierarquização, normatização, repressão (a lista aqui, poderia ser muito longa) da infância e da juventude na direção contrária
do suposto aperfeiçoamento da 'natureza humana'.

Geraldo Barroso, aqui.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Homeschoolers: informívoros por natureza?

Lá andámos nós a abrir mão de mais umas posses, desta vez livros. Livros, livros e mais livros! Agarrarmo-nos aos livros que possuimos é muito comum, especialmente entre pessoas com mentes curiosas, como as famílias que se dedicam à educação dos filhos. Afinal, os livros são companheiros fiéis, sempre à mão quando precisamos deles, para nos instruir, entreter, inspirar, estimular...

Há quem diga, porém, que o agarramento aos nossos livros não nos deixa criar o espaço necessário para o fluxo de novas ideias e maneiras de pensar.

Ao oferecermos os livros que já não usamos criamos espaço para novos interesses e relacionamentos.

E assim lá andámos nós uma vez mais a libertar as prateleiras dos livros que já não usamos, que já não abrimos há anos, que nunca nos despertaram o interesse e que acabaram ficando para ali, abandonados, a acumular pó e a desperdiçar espaço. Entretanto, vão a ser úteis a outras pessoas. Os livros de xadrez, por exemplo, oferecemos ao Chessit.

O objectivo é acabar com uma coleção de livros que representa quem somos e quem queremos ser - e não quem outrora fomos. E depois vou fazer uma lista das coisas que quero fazer mas que tenho andado a adiar por uma razão ou outra... geralmente devido à "tralha" mental ou emocional!

É muito mais fácil desprendermo-nos de objectos materiais do que libertarmo-nos da "tralha" mental e emocional! Deixarmos de nos preocupar com isto ou aquilo, de criticar, fazer juízos de valor, guardar ressentimentos, enfim, libertarmo-nos de todas essas emoções que só servem para destruir a nossa paz interior é bem mais difícil!

E a tralha mental? Coleccionar informação também depressa se pode tornar um vício, principalmente para quem adora aprender. E para muitos homeschoolers, a aprendizagem é um estilo de vida.

Já ouviram falar do termo informívoro [infovore, em inglês]? É usado por neurocientistas para descrever o apetite que os seres humanos naturalmente têm em relação à informação. Eles descobriram que os mesmos neural pathways que são usados quando aprendemos novos factos que são activados quando as pessoas tomam heroína ou morfina - daí o vício ao high resultante do acúmulo de informação.

Há informívoros que passam horas e horas online buscando informação de uma maneira obsessivo-compulsiva. Se este for o teu caso, a solução passa pelo reconhecimento dos limites do conhecimento e pela criação do espaço necessário para a conexão com a sabedoria interior inata.

Vede, em primeiro lugar, como a mente acumula saber e por que o faz; vede onde o saber é necessário, e onde ele se torna um empecilho à liberdade.


Este post foi inspirado pelo livro Clear Your Clutter with Feng Shui, por Karen Kingston.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Dez factos sobre a educação domiciliar

1) Os pais que educam os filhos em casa vêm de todos os tipos de backgrounds, ocupações, níveis de rendimento, educação e estruturas familiares, incluindo avós e famílias monoparentais.

2) Cerca de 25% têm um professor na família mas como a experiência de ensino diz respeito principalmente à gestão da sala de aula é de pouco uso em casa, onde a aprendizagem é individualizada e informal.

3) Uma minoria de famílias optaram pela educação em casa desde o início e seus filhos nunca foram à escola; destas, algumas optaram pela educação domiciliar por razões filosóficas, outras por razões religiosas ou de estilo de vida.

4) As crianças educadas em casa socializam com outros, aprendem ciência em casa, têm acesso a actividades desportivas, musicais e de grupo, pertencem a várias redes do ensino doméstico, fazem e passam exames, vão para a universidade, arranjam empregos, convivem facilmente com pessoas de todas as idades e tornam-se muitas vezes excelentes na área que escolheram.

5) A maioria dos pais-educadores retiraram pelo menos um filho da escola embora às vezes mantenham outros filhos na escola.

6) Cerca de 60% das crianças retiradas da escola sofreram um bullying muito severo, levando algumas delas a risco de suicídio. A maioria precisa de tempo para recuperar e não pode iniciar de imediato um programa de educação em casa (precisam de recuperar a motivação e confiança e às vezes precisam de uma abordagem completamente diferente, podendo beneficiar da descoberta de novos interesses).

7) Cerca de 10% das crianças conhecidas pela HEAS têm necessidades educativas especiais.

8) As crianças educadas em casa não estão isoladas, fazem parte integral da comunidade em que vivem e activamente participam e são vistas regularmente por muitas pessoas.

9) Há grupos de homeschoolers espalhados por todo o país, listas de email na internet, acampamentos de verão, grupos que participam no Duke of Edinburgh's Award e grupos internacionais.

10) A natureza individualizada de educação em casa significa que é diferente da aprendizagem escolar; as crianças aprendem ao seu próprio ritmo, descobrem as coisas que lhes motivam e têm acesso a uma enorme variedade de oportunidades educacionais.

Tradução livre e parcial deste artigo.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

J. T. Gatto: Como tomar controle da tua educação

Ninguém te dá uma educação. Se queres uma tens que ser tu a obtê-la.

A única pessoa que te pode educar és tu e não podes fazê-lo memorizando isto e aquilo. Tens que descobrir quem és através da experiência, tomando riscos e, depois, perseguindo intensamente a tua própria natureza. As rotinas escolares são criadas para desencorajar o teu processo de auto-descoberta. As pessoas que sabem quem são criam problemas para as escolas.

Para te conheceres a ti próprio, tens que estar consciente das escolhas aleatórias que vais fazendo, descobrir os teus padrões e usar esse conhecimento para dominar a tua própria mente. É essa a única maneira em que o livre-arbítrio pode crescer. Se evitares este processo, outras mentes irão manipular-te e controlar-te para o resto da tua vida.

Um método que as pessoas usam para descobrir em quem é que se estão a tornar é manter um diário, onde registram o que lhes atrai a atenção juntamente com alguns comentários. Desta forma, começas a ouvir-te a ti mesmo em vez de te limitares a ouvir os outros.

Outro caminho para a auto-descoberta que parece ter atrofiado através da escolarização é encontrar um mentor. Os livros podem servir de mentores, se aprenderes a lê-los intensamente, com todos os sentidos alertados para as nuances. Os livros podem mudar a tua vida!

Tradução livre e parcial do trecho inicial deste artigo de J.T.Gatto.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

4 anos de ensino doméstico... e computadores!

Faz hoje 4 anos que ingressámos no ensino doméstico. Ensino doméstico... que expressão mais horrorosa! Não gosto nada dela; uso-a apenas por ser a que aparece na legislação portuguesa.

Não gosto por ser tão enganadora. A palavra "ensino" não é boa porque nós colocamos a ênfase na aprendizagem. E a palavra "doméstico" também dá azo a ideias muito erradas: 1) de miúdos fechados em casa quando a verdade não podia ser mais diferente - daí um dos lemas do unschooling ser "o mundo é a minha sala de aulas!"; e 2) de que a aprendizagem é algo que ocorre apenas dentro de casa quando na realidade é um processo constante que ocorre onde quer que estejamos.

Prefiro expressões como aprendizagem natural, aprendizagem informal, aprendizagem autónoma, aprendizagem centrada na criança, aprendizagem auto-direcionada, aprendizagem orgânica, aprendizagem livre, etc.

Mas mudemos de assunto! Tem sido uma aventura fascinante mas hoje quero deixar aqui um sumário da aprendizagem mais recente na área de computadores (PC Practical Training).

A semana passada andámos a aprender dígitos binários (bits, bytes e nibbles), enfim, o sistema binário.

Uma boa introdução é a parte final do documentário A História Do Número 1, que explica como o "1" se associou ao "0" para dominar o mundo digital em que hoje vivemos. E se quiserem praticar a conversão de números decimais nos seus equivalentes binários e vice versa, sugiro este jogo online.

Nas semanas anteriores: componentes de um PC (processador, placa-mãe, memória RAM, placa de vídeo, disco rígido, etc), ports & interfaces, descargas de eletricidade estática, breve história do computador, etc. E aqui ficam umas fotos da parte prática (obrigado ao Alan, que disponibilizou um dos seus computadores para estas experiências)!


segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Parlamento discute educação em casa

Sr. Gibb: Chegamos agora à parte provavelmente mais controversa desta proposta: a da educação em casa, [que] implementa o relatório Badman. O relatório e estas propostas enfureceram os pais de [...] 80.000 crianças educadas em casa. Como o Subsecretário de Estado, meu querido amigo e membro do parlamento para Surrey Heath (Michael Gove) disse durante a segunda leitura:

"Estou profundamente preocupado com a adicional carga burocrática que agora poderá vir a ser imposta a milhares dos nossos concidadãos cujo único crime é quererem dedicar-se tanto quanto possível à educação dos seus filhos.

Educar os filhos de acordo com seus próprios desejos, e educá-los em casa se assim o desejarem, é um direito fundamental dos pais.


Há muitas razões que levam os pais a tomar esta decisão: podem não estar satisfeitos com as escolas disponiveis na zona onde residem, os filhos podem ter necessidades educativas específicas que os pais podem apoiar melhor em casa, ou podem ter objeções filosóficas ao estilo de ensino oferecido nas escolas.

No entanto, em última análise, este é um direito humano fundamental que todos os pais devem ter e acredito que esta proposta destrói esse direito porque, como li, permite que o Estado rescinda o direito que a família tem de educar os filhos em casa se a educação oferecida não for considerada adequada segundo a regulamentação imposta pelo Secretário de Estado."
[Official Report, 11 de Janeiro de 2010, vol. 503, c. 456.]

Podem ler o debate na íntegra aqui.
Também podem ver o vídeo aqui (começa à 1hr 29mns).

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Educar em casa? Porquê? E o currículo?



Algumas pessoas optam pelo homeschooling simplesmente porque se sentem atraídas pelo estilo de vida que lhes permite, pela qualidade dos laços familiares e pelos benefícios em termos de socialização.

Como participam na vida da comunidade, as crianças educadas fora das salas de aulas habituam-se a conviver com todo o tipo de pessoas e, sem a pressão social dos colegas da escola, sentem-se mais à vontade no desenvolvimento de amizades.

As crianças que aprendem fora da escola têm menos probabilidade de se tornarem dependentes dos colegas; em relação à vida familiar, é provável que esta seja menos estressante quando é livre das exigências das instituições de ensino.

Para essas famílias que optam pelo homeschooling, Currículo Completo dá-lhes a oportunidade de ajudar os filhos a construir uma vida melhor.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Pam Sorooshian: Princípios do Unschooling

A aprendizagem é constante. O cérebro nunca pára de funcionar e é impossível dividir o tempo em "períodos de aprendizagem" versus "períodos de não-aprendizagem." Tudo o que se passa à nossa volta, tudo o que vemos, ouvimos, tocamos, cheiramos e saboreamos resulta em aprendizagem.

A aprendizagem não requer coerção. Na verdade, a aprendizagem não pode ser forçada e nunca ocorre quando vai contra a vontade da pessoa. Coerção é desagradável e cria resistência.

Aprender sabe bem. É algo que dá prazer, algo intrinsecamente gratificante. Recompensas irrelevantes podem ter efeitos secundários indesejados que não apoiam a aprendizagem.

A aprendizagem é interrompida quando a pessoa está confusa. Toda aprendizagem deve ser construida no que já é conhecido.

A aprendizagem torna-se difícil quando estamos convencidos que aprender é difícil. Infelizmente, a maioria dos métodos de ensino parte do princípio de que a aprendizagem é difícil e que o que é realmente "ensinado" aos alunos é a lição.

A aprendizagem tem de ser significativa. Quando não entendemos o seu propósito, quando não compreendemos a sua utilidade nem percebemos como é que a informação se relaciona com o "mundo real", então a aprendizagem é superficial e temporária, e não uma "verdadeira" aprendizagem.

A aprendizagem é muitas vezes incidental. Isto significa que nós aprendemos quando estamos completamente envolvidos em actividades que gostamos, que fazemos por prazer, e que a aprendizagem acontece como uma espécie de "efeito secundário".

A aprendizagem é muitas vezes uma actividade social e não algo que acontece em isolação dos outros. Aprendemos com pessoas que têm as competências e conhecimentos em que estamos interessados e que nos deixam aprender com elas numa variedade de maneiras.

Não precisamos de fazer testes nem de ser avaliados para sabermos o que é que já aprendemos. A aprendizagem será demonstrada ao usarmos as nossas novas habilidades e ao falarmos com conhecimento sobre determinados tópicos

Os sentimentos e o intelecto não estão em oposição nem estão separados. Toda aprendizagem envolve tanto as emoções como o intelecto.

Aprender exige uma sensação de segurança. O medo bloqueia a aprendizagem. A vergonha e o constrangimento, tal como o stress e a ansiedade, bloqueiam a aprendizagem.

Original aqui.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Homeschoolers gravam single para o Haiti

Katie Elliott, pianista & compositora jazz, mãe e homeschooler (praticante do ensino doméstico), escreveu e produziu um single para angariar fundos para as vítimas do terremoto haitiano.

A inspiração veio das crianças educadas em casa que frequentam as sessões de música que regularmente orienta.

As crianças mencionadas neste artigo da BBC Gloucestershire aprendem fora do sistema escolar. Infelizmente, o facto foi omitido pelo jornalista apesar de Katie ter deliberadamente salientado esse facto durante a entrevista.

De qualquer modo, a música que ajudaram a compor vai ajudar as vítimas do Haiti e é muito popular, com muitos downloads e feedback positivo. Podem ouvir e baixar a música aqui.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Homeschooling nos Emirados Árabes Unidos

Muitos pais estão convencidos que para melhorar a educação dos seus filhos devem retirá-los da escola e ensiná-los em casa. Há cada vez mais evidência sugerindo que as crianças que aprendem em casa recebem uma educação de maior qualidade e ficam melhor preparadas para o futuro do que as que frequentam a escola.

Muitos pais estão abandonando as escolas normais para dar aos filhos o tipo de educação que querem que estes recebam. Para esses pais, o homeschooling é a melhor abordagem.

Uma pessoa que muito falou sobre as vantagens do homeschooling foi John Holt, o famoso teórico da educação e educador americano. Segundo Holt, as crianças nascem com a capacidade de aprender. Eles já dominam a língua e muitos outros processos de aprendizagem, utilizando os métodos científicos de investigação, análise e avaliação. Um "aprendente" curioso, paciente, determinado, cheio de energia e hábil chega à escola. Mas nós obrigamos-lhe a sentar-se numa secretária, e o que é que lhe ensinamos?

Bem, primeiro que a aprendizagem é algo separado da vida - "Vens à escola para aprender". Segundo, que não confiamos que é capaz de aprender. A escola torna as crianças paranóicas, com medo de cometer erros e, assim, elas aprendem a "desviar-se, fazer bluff e aldrabar." Interação é uma ofensa punível e considerada problemática. Holt afirma:

"É rara a criança que consegue acabar os seus estudos sem perder a sua curiosidade, independência, senso de dignidade, competência e amor-próprio."


A escola em casa permite que as crianças mantenham a sua curiosidade natural e torna a aprendizagem uma aventura. Tem também a vantagem de criar laços mais fortes entre pais e filhos. A maneira de melhorar as escolas seria tirar as crianças das salas de aula e dar-lhes a oportunidade de aprender sobre o mundo através de experiências directas. Por exemplo, os homeschoolers aprendem matemática quando vão às compras com a mãe.

A tradução é livre e parcial mas podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

A estatização dos nossos filhos

O caso do casal de homeschoolers da Alemanha a quem foi concedido asilo político nos Estados Unidos, sobre o qual Ed West recentemente falou, torna-se ainda mais interessante ao lermos os comentários do juiz que concedeu o asilo aos Romeikes: Lawrence O. Burman, de Memphis, Tennessee.

Burman disse: "Não podemos esperar que todos os países tenham a nossa Constituição. O mundo poderia ser um lugar melhor se tivessem. No entanto, os direitos aqui violados são direitos humanos fundamentais, que nenhum país tem o direito de violar. E continuou: "Os homeschoolers são um grupo social que o governo alemão está tentando suprimir. Os receios de perseguição desta família são bem fundamentados... portanto, são elegíveis para asilo..."

Essas últimas observações poderiam ter sido proferidas em 1933. Mas será que compreendemos realmente o significado do que aconteceu? Compreendemos que nós, cidadãos da União Europeia, agora pertencemos a um Estado totalitário cujos cidadãos estão recebendo asilo político nos Estados Unidos? Vinte anos após a queda do Muro de Berlim, a tirania está de volta na Alemanha.

Burman acrescentou que a coisa mais assustadora deste caso é a motivação do governo alemão, que em vez de se preocupar com o bem-estar das crianças está tentando acabar com sociedades paralelas. Preocupado, o juiz acrescentou que embora a Alemanha seja um país democrático e aliado, a política de perseguição aos homeschoolers é "contrária a tudo que acreditamos como americanos".

Isto dá-nos uma ideia do modo como os americanos, que vivem num país livre, vêem o totalitarismo que subrepticiamente se apoderou da Europa. Por isso não é apenas uma questão alemã: somos todos fantoches sob controle estatal. Por que é que os homeschoolers alemães não pediram asilo político na Grã-Bretanha? Porque os nossos governantes seguem a mesma filosofia tirânica.

Muitos obstáculos são colocados aos pais que educam os filhos em casa na Grã-Bretanha. A mentalidade é que o Estado - e não os pais - é o controlador natural e modelador da vida e crenças das crianças.

Quando uma estudante pode fazer um aborto sem o conhecimento dos pais, sabemos que enquanto as empresas de serviço público foram privatizadas, os nossos filhos foram nacionalizados. A família que fugiu da Alemanha não aceitou a ideia dos filhos serem obrigados a seguir um currículo que era, em sua opinião, anti-cristão. O mesmo se aplicaria nas escolas britânicas, onde a educação sexual pornográfica está cada vez mais a tornar-se obrigatória.

Esta ideia não é nova. Foi implementada como política de governo pela primeira vez em 1919, na Hungria, durante a breve ditadura comunista de Bela Kun, quando Georg Lukács, vice-comissário para a "cultura", enforçou o seu sistema de Terrorismo Cultural, alimentando as crianças à força com uma educação sexual pornográfica, ensinando-as a desprezar os pais e a monogamia e a rejeitar a família e a religião.

Lukács foi um dos fundadores da Escola de Frankfurt de Marxismo, mais tarde popularizada por Herbert Marcuse, cujas noções dementes são hoje chamadas "correção política" (ou politicamente correcto) e, como tal, têm colonizado os governos ocidentais.

É preciso os comentários directos de um juiz norte-americano, num país onde a cultura de guerra ainda não se perdeu, para nos fazer ver que nós, europeus, já moramos no Gulag. O Muro de Berlim não "caiu" - apenas foi mais para o oeste.

Original

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

domingo, 31 de janeiro de 2010

11 anos, educado em casa, nas telas do cinema

Para muitos actores, aparecer nas telas do cinema é uma luta enorme. Para Tendal Mann, rapaz de 11 anos que aprende em casa, o percurso foi muito mais fácil e rápido: apareceu no seu primeiro filme depois de apenas 4 anos de trabalho nos palcos de Atlanta.

A família, os amigos e fãs de Tendal reuniram-se no domingo passado para a primeira exibição nos EUA de "Who Do You Love", um filme biográfico sobre o pioneiro da indústria musical Leonard Chess. Tendall aparece em nove cenas, como filho de Leonard.

Esta não foi a primeira vez que Tendall se viu na tela do cinema. "O filme estreou no Festival de Filme de Toronto há um ano e fomos à estreia", disse Tendal. "Foi uma grande gala. Eu entrei pelo tapete vermelho e assinei autógrafos. Diverti-me imenso!"

Tendal obteve o papel depois da sua primeira audição, devido aos diversos papéis que o haviam tornado confortável à frente do público.

Entre shows, Tendal faz parte do movimento de desescolarização - unschooling -, que é diferente da tradicional escola-em-casa. Ele tem várias aulas dadas por especialistas. Este ano está a aprender chinês mandarim, mas as suas disciplinas preferidas são a história e ciências.

O horário flexível proporciona-lhe o tempo necessário para actuar. "Se temos de sair da cidade é muito mais fácil. Posso levar os livros comigo."

Quando não está a estudar ou a actuar, toca bateria num grupo com dois amigos. Mas passa a maior parte do tempo livre aperfeiçoando a sua arte.

"Actuar dá montes de trabalho mas eu gosto", disse ele. "Mantém-me ocupado e até ganho dinheiro para gastar."

Adaptado daqui.

sábado, 30 de janeiro de 2010

É possivel uma nova liberdade educativa?

Há dois anos, quando ouvimos falar do incrível caso de Natascha Kampush, a jovem alemã que viveu mais de 8 anos presa sem sair nesse tempo da casa de seu raptor, a mídia salientou um facto que, para muitos, talvez tivesse passado despercebido: refiro-me a que Natasha, apesar de não ter frequentado a escola durante todo esse tempo, demonstrou uma maturidade e nível de vocabulário e expressão bem acima dos de qualquer adolescente da sua idade. Teria algo a ver com o facto de não ter frequentado a escola?

Continua aqui, em espanhol.

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

EUA dá asilo a refugiados educacionais

O casal de alemães Uwe e Hannelore Romeike, com cinco filhos, fugiram para os Estados Unidos no Verão de 2008. Pouco tempo depois pediam asilo para se manterem no país. O motivo: discriminação contra o facto de quererem ensinar os seus cinco filhos em casa, na Alemanha-natal. Um juiz do Tennessee acabou por lhes dar razão. É o primeiro caso de asilo por razões educativas nos EUA [...], onde cerca de 1,5 milhões de crianças americanas são ensinadas a partir de casa.

“Este juiz olhou para as provas, ouviu os testemunhos e sentiu que a maneira como a Alemanha está a tratar as pessoas que optam por ensinar os seus filhos em casa está errada. Os direitos que estavam a ser violados eram direitos humanos básicos”, disse [Mike Connelly, HSLD].

Em Portugal é possível ensinar os filhos a partir de casa e estima-se que haja actualmente várias dezenas de crianças e jovens a estudar em regime de ensino doméstico. As autoridades educativas nacionais estimam ainda que esta modalidade está a ganhar cada vez mais adeptos.

Leiam o artigo na íntegra aqui.
Já tinha chamado a atenção para este caso aqui.

Homeschoolers trocam de casas para férias

Já ouviram falar deste sistema alternativo de férias?
Segundo este artigo, Ruaridh, que tem 11 anos e é educado em casa, adora a experiência. As férias que faz com os pais, em vez alguns dias, duram por vezes meses:

"Bem, se vocês pensam que é difícil, estão errados", disse ele. "A educação em casa ensina-nos realmente que podemos tomar as nossas próprias decisões sobre isso; só precisamos de pensar no que queremes fazer, [porque o ensino doméstico] dá-nos a oportunidade de fazer tudo que queremos. "

Links
Intervac
Troca Casa
A melhor alternativa de férias (video)

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Educação em casa: a família De Pree

Se quiserem provas que a educação em casa resulta basta lerem a história da família De Pree.

As três irmãs foram educadas em casa desde o jardim de infância até a graduação do ensino secundário (Br: ensino médio). Agora, uma é professora universitária, outra é advogada, e outra é violinista e professora de música.

Erin, a professora universitária de 28 anos, orgulha-se do facto das três carreiras serem tão diferentes:

"Que bom sermos tão diferentes! Significa que os nossos pais ajudaram-nos realmente a descobrir os nossos pontos fortes e a dar o nosso melhor sem perdermos a nossa individualidade."

Essa é uma das vantagens da escola em casa - o currículo pode ser adaptado ao aluno. Erin teve a oportunidade de dedicar-se à ciência, uma disciplina em que se destacava, e teve o tempo que precisava para dominar a escrita, que não era o seu forte.

Joanna, 27 anos, diz que o ensino doméstico preparou-a muito bem para a faculdade, a carreira e a vida:

"Acho que o que realmente aprendi foi a pensar e a processar informação e não apenas a regurgitá-la. Uma das grandes vantagens da educação domiciliar é que aprendemos a pensar e não apenas a fazer, produzir, executar. A grande maioria nunca aprende a pensar."

Heather, 25 anos, disse-nos que quando era pequena teve dificuldades em aprender a ler mas que com o violino era completamente diferente, aprendia com uma facilidade enorme. E a aprendizagem em família foi essencial:

"É muito provável que se tivesse ido para uma escola regular eu teria sido rotulada, colocada numa classe especial e nunca ter tido a oportunidade de desenvolver as minhas potencialidades."

Começou a aprender a tocar violino aos 7 anos de idade e agora é violinista, professora de música e toca numa Orquestra.

Kathy, a mãe, decidiu educar as filhas em casa depois de ler o livro "Home Grown Kids", de Raymond e Dorothy Moore. Publicado em 1981, o livro defende o ensino doméstico.

"Eu queria ter tempo com as minhas filhas, queria ser a principal influência na vida delas, criar esse vínculo especial... e foi muito bom para a nossa família".

Estudos sugerem que os De Prees são a regra e não a excepção. Em 2003, uma pesquisa feita pelo National Home Education Research Institute estudou cerca de 7.300 adultos que haviam sido educados em casa.

O estudo descobriu que mais de 74% de adultos de 18-24 anos que haviam aprendido em casa tinham cursos universitários, em comparação com 46% da população em geral. Cerca de 71% dos inquiridos participavam activamente nas suas comunidades, passando o tempo livre fazendo trabalho voluntário, em comparação com 37% da população em geral.

A tradução é livre e parcial mas podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

O meu filho não vai à escola: aprende em casa

Mandas os teus filhos para a escola? Muitas famílias não, educam-nos em casa. Algumas delas foram denunciadas às Comissões de Menores por "negligência". É legal? E se não tivesses frequentado a escola?

OIÇAM O DEBATE (em espanhol) aqui.

Participaram do debate:

- Carlos Cabo (autor de uma tese sobre homeschooling):
"54% dos pais que educam em casa têm cursos universitários"

- Madalen Goiria (Professora de Direito da UPV): "Os juízes dão razão às famílias, porque vêem que não são casos de negligência"

- Sorina Oprean (mãe que educa os filhos em casa):
"É uma maneira de aprender em família"

- Ketty Sánchez (mãe que educa seus filhos em casa): “Superprotegidos? Em vez de estarem fechados numa sala de aulas eles observam o mundo directamente!"

Traduzido daqui.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Prêmio de robótica para homeschoolers


Equipe de jovens educados em casa ganha prêmio de design num campeonato de robótica no Reino Unido. Foi a esta equipe que o Alan ofereceu o seu adorado kit de robótica, por isso ficou todo satisfeito ao ouvir as boas notícias.

Os Tech HEds ganharam o prêmio de Design Técnico nas finais, decorridas na Universidade de Loughborough em 23 de Janeiro de 2010; e agora foram convidados para a competição internacional, em Istambul, 22-24 Abril de 2010!

Mais uma história de sucesso para o ensino doméstico!
Podem ler mais e ver fotografias aqui.

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

Ensino doméstico: uma bola de neve

Mais uma tradução livre e parcial de um artigo sobre o ensino domiciliar nos EUA:

Quando a Annabelle, de 7 anos, estuda frações e a conversão de litros em decilitros, ela vai com a mãe para a cozinha e começa a cozinhar. Para a lição sobre as lagartas, as duas vão observar directamente os bichinhos no quintal. Annabelle aprende em casa; isso significa que a "escola" é em casa.

No ano passado Angela decidiu educar a filha, que se tornou numa das muitas crianças que decidiram abandonar a escola - pública e/ou privada - para aprender em casa.

No ano lectivo que passou, só na Flórida foram cerca de 4.300 as crianças que começaram a ser educadas em casa - de acordo com um relatório recente do Departamento de Educação este foi o maior aumento desde 2005, elevando o número total de homeschoolers na Flórida aos 60.913.

No Lake County, a subida foi ligeira no ano passado mas estimativas recentes mostram um grande aumento neste ano lectivo. No início deste mês, Lake tinha 1.508 alunos matriculados no ensino doméstico - em vez dos 1.245 de Janeiro passado, disse Jay, que supervisiona o departamento encarregado pelo monitoramento dos números de homeschoolers no Estado. Isso corresponde a um aumento de 21% em Lake. Porém, não se sabe bem o que está causando esta verdadeira bola de neve.

Ninguém tem estudado este fenómeno recente, que está ocorrendo em todo o lado. Líderes educacionais dizem que é provável que a economia esteja por trás disto. Com a recessão económica muitos pais já não se podem dar ao luxo de mandar os filhos para escolas particulares. Mas como não querem os filhos em escolas públicas, resolvem educá-los em casa.

Durante anos, uma das principais razões por trás do ensino doméstico foi a insatisfação com as escolas públicas - e isso não mudou, disse um funcionário da Associação de Pais Educadores da Flórida. Mas também já ninguém estranha a educação domiciliar.

Antes o homeschooling era visto como uma opção escolhida principalmente por comunidades religiosas mais conservadoras ou por hippies mais libertários. Mas hoje, dezenas de milhares de famílias de várias origens étnicas, econômicas e religiosas educam seus filhos em casa.

O acesso cada vez maior a programas educacionais na internet e grupos de apoio aos pais online tornou o ensino doméstico mais fácil e menos intimidante. E estudos provam que as crianças educadas em casa têm melhores resultados acadêmicos, devido em parte à atenção pessoal que recebem.

Esse tipo de arranjo é mais acessivel em termos financeiros para as famílias que apreciam o ambiente das escolas privadas. Alguns pais, contudo, escolhem o homeschooling porque estão descontentes com as escolas públicas.

Gary Weaver, presidente da Associação de Pais Educadores da Flórida, disse que muitas famílias estão cansadas de lidar com os problemas das escolas públicas, que estão completamente fora do seu controlo, como a indisciplina, a violência escolar e as drogas.

Podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

domingo, 24 de janeiro de 2010

Sucesso do jovem inventor educado em casa

Este inventor foi educado em casa, sem nunca ter posto os pés numa escola. Tem apenas 15 anos mas já se pode orgulhar de ter imaginado um sistema à base de algas cuja finalidade é nada menos do que satisfazer todas as necessidades humanas, desde as energéticas às alimentares, em zonas do planeta que ainda estão à espera que o progresso chegue.

"Adoro inventar coisas", diz o rapaz americano Javier Fernandez-Han, vencedor do concurso Invente your world. O prêmio foi concedido pela Fundação Lemelson.

A mãe, de origem mexicana, e o pai, de Taiwan, conheceram-se na prestigiada Universidade de Brown (Rhode Island). Optaram pela educação em casa, convencidos de que a escola iria limitar as potencialidades dos filhos. Os pais explicam que a educação domiciliar permite que os jovens se concentrem nas suas paixões.

Javier: "Eu fui educado de uma maneira diferente mas faço o que gosto e tenho muitos amigos envolvidos no projecto Inventors Without Borders. As pessoas da minha idade poderiam fazer mais, mas não sabem quais são as suas paixões.

Podem ler o artigo na íntegra, em espanhol, aqui.

sábado, 23 de janeiro de 2010

Educação domiciliar no parlamento britânico

Podem ver o vídeo (3hrs, em inglês) do inquérito sobre a educação em casa no parlamento britânico, com a Comissão de Crianças, Escolas e Famílias e representantes de organizações de apoio ao ensino doméstico, que decorreu na passada terça feira dia 19 de Janeiro de 2010, aqui.

Se preferirem ler, a transcrição está aqui (usem os botões previous e continue, o documento é longo!)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Legumes, vegetais e frutos biológicos à porta

Olhem só, não são bonitas, as caixas da Riverford [videos aqui e aqui] cheias de legumes e fruta que chegaram esta manhã?

Além das 2 caixas, encomendámos mais uns items extras: cherovias, leite, iogurte e ovos. Tudo biológico! E a entrega é gratuita.

Estas caixas, distribuidas uma vez por semana, incluem sempre folhetos com receitas, o que dá sempre jeito,

especialmente para os ingredientes a que não estamos muito habituados, como o celeriac (não sei bem como se diz em português: aipo-rábano? aipo nabo? aipo-de-raíz? em latim é apium graveolens rapaceum), que podem ver na foto acima entre as bananas e a couve.


Em Portugal, o supermercado biológico Brio também faz entregas ao domicilio. Em Aveiro, têm o Al Cabaz e, caso estejam interessadas, o site da Agrobio tem uma lista de mercados biológicos.

Jovem educada em casa vai ao parlamento defender a inviolabilidade de domicílio

Um dos argumentos que o governo britânico está a usar na tentativa de justificar a intrusão na vida familiar dos praticantes do ensino doméstico é que há sempre a possibilidade, por muito rara que seja, que alguma família de uma minoria étnica possa vir a usar a educação em casa para esconder o casamento forçado das filhas. E, sem o direito de invadir o domicílio sem necessidade de mandado judicial e interrogar as crianças na ausência dos pais, como poderia o Estado protegê-las desses possiveis casamentos?

Felizmente a educação domiciliar produz jovens capazes de irem ao parlamento defender os direitos dos pais e as nossas liberdades civis, como a inviolabilidade de domicílio.

Já vos tinha falado da Chloe Watson aqui. Chloe é uma jovem educada em casa, presidente da Associação de Jovens Educados em Casa e pesquisadora educacional. Com 17 anos acabadinhos de fazer, Chloe foi ao parlamento como representante da HEYC, que não apoia a proposta-lei e decidiu optar pela desobediência civil caso seja implementada.

Segue-se um trecho do debate que ocorreu há 3 dias:

Mrs. Cryer: Gostaria de sugerir ao painel que há questões importantes que não estão necessariamente relacionadas com a educação em casa. Temos de saber onde as crianças estão. Em certas zonas, como em Bradford, há crianças que são retiradas da escola e enviadas de volta ao Paquistão ou a Bangladesh durante períodos muito longos. [Resumo: Na pior das hipóteses, estas jovens podem ser sujeitas a casamentos forçados. Como vivem no Reino Unido deveriam receber o mesmo tipo de apoio que os outros sectores da comunidade.] Alguém gostaria de comentar sobre isso?

Chloe Watson: Há um problema com o facto de que como os filhos estão, com efeito, sob a jurisdição dos pais, é óbvio que se são educados em casa a autoridade local não tem nada a ver com isso. Eles estão com seus pais e isso é suficiente. Se os pais decidem levá-los a dar a volta ao mundo por três anos, visitar seja onde for e fazer seja lá o que for, essa é uma decisão que pertence aos pais. Claro, seria bom que consultassem os filhos e que estes tivessem concordado, mas não é ilegal nem algo com que nos deveríamos preocupar.

Caroline Flint: Não, não é ilegal. Se a criança tiver idade escolar e os pais dizem: "Queremos dar uma volta ao mundo", eu não tenho necessariamente qualquer objeção - pelo menos sabemos qual é a situação. Noutras circunstâncias, poderia não ser uma experiência educativa mas possivelmente forçar uma jovem mulher ou rapariga a um casamento que ela não quer. Sabendo onde as crianças estão, pelo menos haveria uma conversa. Não concordarias com isso?

Chloe Watson: Quando perguntamos aos pais para onde estão levando os filhos, eles podem dizer uma coisa e fazer outra. Como não podemos forçar as pessoas a dizerem a verdade sobre onde os filhos estão, perguntar-lhes não seria produtivo, seria apenas um peso desnecessário sobre as autoridades e os pais. E revela que [o Estado] não confia nos pais.

Fonte

quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

A escola está fora de questão

Mais uma tradução livre e parcial de um artigo sobre o ensino domiciliar publicado ontem no Reino Unido.

Preocupações sobre o bullying, um atendimento deficiente a crianças com necessidades especiais e um currículo limitado e irrelevante são apenas algumas das razões por trás do número crescente de famílias a educar os filhos em casa.

Contudo, novas propostas do Governo para a regulamentação da educação em casa podem vir a tornar a saída da escola difícil para as crianças. Em Essex, os pais-educadores estão furiosos com estas propostas, que estão neste momento a ser debatidas no Parlamento. Eles querem explicar porque é que o ensino domiciliar é tão importante e acabar com as ideias erradas que as pessoas têm em relação aos pais que educam os filhos fora do sistema escolar.

Michelle Cook, 32 anos, é mãe e ensina a filha Kate, de 6 anos, em casa. Para as duas não há dois dias iguais pois combinam a aprendizagem com visitas regulares à biblioteca, passeios em vários parques e reservas naturais, e encontros com outras crianças educadas em casa para actividades lúdicas. Para Michelle, manter a filha em casa é a coisa mais natural do mundo:

"Eu ensinei Kate desde que ela nasceu, por isso pareceu-me natural continuar a fazê-lo. Desta forma, ela pode aprender aquilo que ela quer ao seu próprio ritmo. Em geral, investigamos as coisas que lhe despertam o interesse. O ano passado andou fascinada pelo espaço. Escrevemos histórias sobre o espaço mas também aprendemos matemática. Até aprendemos geografia, pesquisando a localização das estações espaciais como as da NASA. Eu ensino-lhe a ler e escrever mas não acho que haja mais nada que ela tenha categoricamente de saber. Se ela estiver interessada, então investigamos juntas."

Michelle, que também tem um filho de 2 anos de idade, diz que um dos principais equívocos sobre a educação em casa é a ideia de que os jovens que não frequentam a escola não têm uma vida social:

"Kate tem aulas de balé todas as semanas, vai aos Rainbows e faz parte de um clube de exploradores de animais selvagens. Ela tem muitos amigos e também temos outras famílias que educam os filhos em casa com quem nos reunimos regularmente. Ela interage constantemente com adultos e outras crianças. A minha filha é uma criança muito feliz e sociável."

No entanto, se as propostas do Governo forem implementadas, a educação em casa teria que mudar. Segundo as novas regras os pais terão que registrar os filhos anualmente com a autarquia local e entregar uma declaração especificando o que pretendem ensinar aos filhos durante o próximo ano e como pretendem fazê-lo. Os inspectores iriam então fazer uma visita anual para certificar-se que esse plano está a ser seguido e interrogar individualmente as crianças sem os pais estarem presentes.

Michelle acrescentou: "Estas propostas são tão extremas! Querer interrogar as crianças na ausência dos pais é ridículo. O que vão conseguir com isso? Se são vítimas de maltratos não é a um desconhecido que vão dizer. Se estão tão preocupados com a possibilidade das crianças serem maltratadas fora da escola, então também têm de começar a entrevistar todas as crianças em idade escolar durante as férias."

Ann Newstead, 39, porta-voz da Education Otherwise, uma organização beneficente criada para apoiar os home educators, disse:

"Obviamente, abuso infantil é algo que pode acontecer mas isso são coisas que geralmente acontecem em famílias com distúrbios, que já são conhecidas pelos serviços sociais. A educação em casa está a aumentar em parte porque as pessoas estão a ficar cada vez mais cientes de que é uma opção legal. A maioria das pessoas pensa que tem que enviar os filhos à escola, mas não é verdade."

Ann disse que muitos pais optam pelo ensino doméstico porque os filhos têm necessidades educativas especiais. Ela começou a educar em casa depois de um dos seus 4 filhos ter sido tão maltratado na escola que começou a se automutilar.

Se quiserem, podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

"Escola em Casa" no Médio Oriente

Mais uma tradução, livre e parcial, de um artigo sobre a "escola em casa" publicado ontem no Arab News.

Natalie Komitsky vive na Arábia Saudita há 6 anos. Dos E.U.A., foi viver para Riade com o marido, nascido em Meca, e mais tarde mudaram-se para Jidá. Além de educar os 3 filhos, com idades entre os 4 e os 11, Natalie é escritora, revisora de textos e coach de aprendizagem.

Querendo proporcionar-lhes uma das melhores opções possíveis em termos de uma educação que possa ser adquirida em qualquer parte do mundo, ela, tal como outros, optou pela "escola em casa" - regime em que os pais ou tutores ensinam currículos credenciados aos filhos em vez de enviá-los para a escola. Ela tomou esta decisão quando vivia ainda nos E.U.A. para poder incluir estudos islâmicos no currículo mas decidiu continuar neste regime depois de ter ido viver para a Arábia Saudita.

Em muitos países existem opções credenciadas de ensino domiciliar que oferecem aos pais a liberdade de explorar interesses individuais e áreas de estudo específicas, e a oportunidade de dar atenção individual aos filhos e transmitir os valores da família durante todo o processo de aprendizagem. Outra vantagem é o fortalecimento dos laços familiares e o acompanhamento da educação dos filhos. Mas na Arábia Saudita os pais têm dificuldade de encontrar este tipo de recursos porque esta forma de ensino ainda não é reconhecida.

"Os expatriados sentem-se muito frustrados", disse Natalie. "Eles gostariam de educar em casa mas sentem-se frustrados com a falta de recursos e oportunidades educacionais e acabam por ter que pesquisar bastante para preencher essa lacuna".

Natalie tomou esta difícil decisão por um número de razões. A primeira é que é a situação ideal. Há um professor por aluno (ou por 2 ou 3 alunos, dependendo do tamanho da família). Além disso, outra vantagem é que quando o professor conhece muito bem os alunos, sabe se compreendem determinados conceitos suficientemente bem ou se é preciso recuar e/ou tentar novamente numa data posterior.

"Se necessário, podemos utilizar um tutor para certas disciplinas. É assim que as pessoas foram educadas durante a maior parte da história da humanidade", diz Natalie.

Além disso, a "escola em casa" é considerada a melhor opção pelas famílias muçulmanas dos E.U.A. que querem dar aos filhos uma boa base em inglês e árabe e, mais importante, uma aplicação prática do Islão - especialmente em partes dos Estados Unidos onde o número de muçulmanos que querem ter essa oportunidade não é suficiente para sustentar um sistema ensino primário islâmico, privado e credenciado. Outras razões que levam os pais a optar pela "escola em casa" é quando os filhos têm necessidades especiais ou quando não ganham o suficiente para poderem pagar os custos do ensino privado.

Quando Natalie e o marido retornaram à Arábia Saudita ela continuou a educar os filhos em casa e incentivou outros a fazerem o mesmo. Começou a organizar reuniões semanais com outras crianças que também aprendem em casa para proporcionar actividades de grupo.

"Eu criei uma conta de e-mail chamado KSA home-schoolers e outra chamada Muslim home-schoolers worldwide. A dada altura tinha uma livraria em casa que incluía livros infantis de ficção e não-ficção."

Michael Smith, presidente da Home School Legal Defense Association dos E.U.A., relatou recentemente no Washington Times que os alunos que estudam em casa superam os que frequentam a escola pública.

"O estudo mais recente, Home-school Progress Report 2009 [abre pdf], realizado por Brian Ray do National Home Education Research Institute, examinou mais de 11.000 alunos que aprendem em casa e demonstrou que a média dos home-schoolers em testes padronizados é 37 pontos percentuais superior à média da escola pública", escreveu Smith.

Com base em estudos, Smith afirma que os estudantes educados em casa, além do sucesso académico alcançam também sucesso como membros da sociedade.

"As famílias que praticam a educação domiciliar estão liderando o caminho na educação canadense e americana, e este novo estudo demonstra claramente que os pais que educam os filhos em casa estão no caminho certo", escreveu ele.

Mas na Arábia Saudita este caminho pode levar a um beco sem saída. Uma mãe de três filhos, que pediu para permanecer anônima, retirou os 2 filhos da escola durante um ano quando eles manifestaram interesse no ensino doméstico. Após um ano de escola em casa ela decidiu matriculá-los de novo na escola mas a escola recusou-se a aceitá-los.

"Não os queriam aceitar porque o nosso ano em regime de ensino domiciliar não estava registrado oficialmente em lugar nenhum. Tivemos de ir ao Ministério de Educação buscar uma carta que autoriza os meus filhos a regressar à escola. O ministério nem sequer sabe o que o ensino doméstico é, quanto mais reconhecê-lo! Foi extremamente difícil", disse esta mãe.

Natalie diz que a disponibilidade de materiais educativos para educação em casa é outro dos desafios enfrentados na Arábia Saudita.

"Muitas famílias vêm para a Arábia Saudita com a intenção de viver sob um governo islâmico, onde as crianças possam aprender árabe e observar a aplicação diária do Alcorão e Sunnah pelo povo. Infelizmente, juntam-se a outros na sua frustração depois de tentativas falhadas de encontrar escolas que se adaptem às suas necessidades".

Para que a escola em casa seja reconhecida na Arábia Saudita e para que o processo se torne mais suave para os pais, Natalie sugere a criação de um posto cuja função seria a de supervisionar o ensino domiciliar.

"Eles podiam administrar testes padronizados para avaliar o nivel acadêmico dos estudantes, dar uma prova certificada do seu progresso ao Ministério da Educação e facilitar a vida das famílias que optam por educar os filhos de forma independente".

Isto, acrescenta Natalie, levaria provavelmente ao desenvolvimento de empresas locais cujo objectivo seria o fornecimento de recursos educacionais para as famílias e o estabelecimento de centros de actividades educativas, onde as famílias poderiam aprender de uma maneira divertida e com entusiasmo.

"Com a situação extrema que o Ministério está enfrentando por causa do aumento populacional, estou confiante que soluções alternativas quanto à educação terão de ser consideradas e que estas irão beneficiar todos os estudantes da Arábia Saudita, elevando-a aos mais altos niveis, assegurando a prosperidade económica da nação ", conclui Natalie.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Sydney, 4 anos, aprende em casa

Mais uma tradução livre e parcial de um artigo sobre o ensino domiciliar nos E.U.A.:

Sydney, 4 anos, é como a maior parte das meninas da sua idade. É simpática, carinhosa, gosta dos pais e adora aprender coisas novas. A diferença é que Sydney não é abandonada na escolinha pelos pais a caminho do trabalho todas as manhãs. Ela aprende em casa, a professora é a mãe e a lição do dia é exposta num quadro fixado numa das paredes.

Tal como outras crianças em Sandwich, Sydney aprende em casa. Courtney, a mãe, está sempre a pensar em maneiras de estimular os interesses da filha. A letra do dia está exposta no meio da mesa da cozinha e todos os aparelhos rotulados em espanhol. Além dos números, cores e padrões, Sydney está a aprender espanhol e linguagem gestual. Courtney diz que também faz planos de educar a filha mais nova em casa.

“Tantas pessoas na Europa sabem falar mais que um idioma; penso que as minhas filhas seriam prejudicadas se não aprendessem outras línguas. E todas as pesquisas dizem que é melhor começar desde cedo."

Courtney diz que o ensino domiciliar tem sido uma experiência positiva para as filhas e já faz planos de continuar a ensiná-las quando chegar a altura do ensino secundário. Embora não seja professora de profissão, os seus pais ensinaram em escolas públicas e privadas. O pai, inclusivé, era director.

Courtney, que tem um blogue sobre a sua experiência do ensino doméstico, elabora seu próprio currículo com base em pesquisas que faz e orientações que recebe através do grupo-yahoo do ensino domiciliar de Cape Cod. A rede da apoio aos home-schoolers de Cape Cod, Plymouth e Wareham organiza classes, clubes, visitas de estudo e outras actividades.

A Associação da Aprendizagem em Casa em Massachusetts também oferece informação aos pais. Bill Heuer, membro da associação, diz que o ensino doméstico ajuda as crianças a tornarem-se individual learners.

“Penso que a maior vantagem do ensino doméstico é que ajuda cada indivíduo a tornar-se auto-motivado e a aperceber-se que é responsável pela sua educação para o resto das suas vidas."

Diz que o criticismo comum de que os jovens educados em casa não socializam é falso, e que a maior parte dos home-schoolers tendem a “socializar através de grupos etários” incluindo crianças mais novas e adultos porque trabalham com eles voluntariamente.

Se quiserem, podem ler o artigo na íntegra, em inglês, aqui.

domingo, 17 de janeiro de 2010

A justiça volta a dar razão aos "homeschoolers"

Outro passo a favor da liberdade de aprendizagem e do direito dos pais a optar pela educação em casa: o processo contra uma família de San Sebastian foi arquivado.

* Homeschooling: uma opção legítima
* ALE agradece a contribuição cívica das HO à liberdade educacional

Segundo Ketty Sanchez nos informa no seu blogue Mariposas Multicolores, Arantza Sestayo, residente em San Sebastián (Guipúzcoa), uma mãe que optou pela educação em casa (homeschooling) para o filho de 7 anos, começou o ano com a boa notícia de que o seu caso foi arquivado.

O caso contra esta mãe começou quando o Departamento de Educação de San Sebastian entrou em contacto com ela dizendo-lhe que não podia educar o filho em casa e que tinha de o mandar para a escola. Mas ela manteve-se firme na sua decisão e o processo foi remetido ao Tribunal de Menores em San Sebastian, onde teve de ir prestar declarações no passado 16 de Dezembro.

Desta vez podemos também de celebrar o facto de que o processo não foi demorado: esta semana Arantza recebeu a resolução final do Ministério Público: ARQUIVADO. Outra família de homeschoolers que agora pode dormir mais tranquila.

Original aqui.

sábado, 16 de janeiro de 2010

Livro: Vantagens Sociais do Homeschooling

Mais um livro sobre o ensino doméstico e as suas vantagens, especialmente em relação à socialização das crianças:

Well-Adjusted Child: The Social Benefits of Homeschooling por Rachel Gathercole.

Actualmente, a socialização é, muito provavelmente, um dos aspectos mais importantes da educação. Com altas taxas de divórcio (e constantemente a aumentar!), abuso de drogas, violência juvenil, alcoolismo, promiscuidade entre os adolescentes e assim por diante, não nos podemos dar ao luxo de ignorar esta questão.

Agarrarmo-nos à ideia de que o que hoje nós fazemos é o melhor para todas as crianças apenas porque é aquilo a que estamos acostumados é fechar os olhos a outras possibilidades que poderão trazer muito mais felicidade, sucesso, paz e segurança aos nossos filhos.

Numa altura em que as pessoas sentem-se mais desconectadas do que nunca, não nos podemos dar ao luxo de ignorar ou fechar os olhos a uma opção que oferece enormes benefícios, incluindo uma vida social rica, gratificante e saudável, que os nossos filhos bem poderão precisar no futuro. A educação domiciliar oferece enormes vantagens sociais para as crianças, os jovens e os pais. E quando nos apercebermos disto quem irá beneficiar vão ser os nossos filhos.

Link: site da autora

India: Homeschooling cada vez mais popular

Mais uma tradução livre e parcial de um artigo publicado ontem:

Os teus filhos odeiam a escola? Andam estressados, sobrecarregados, sob uma enorme pressão? Estás farta do sistema de ensino convencional? Simples, não lhes mandes para a escola. Experimenta o homeschooling - é o que os pais em Bangalore estão a fazer cada vez mais.

Em cidades como Mumbai e Pune muitos pais deixaram de mandar os filhos para a escola. Em vez disso, aprendem sozinhos em casa ou são ensinados pelos pais e/ou tutores. Em Bangalore há mais de 50 crianças no ensino domiciliar e até há um fórum online onde os pais interagem e apoiam-se uns com os outros. Todos eles têm razões diferentes para optar por este sistema.

Para o agricultor Vivek Kariappa, foi ter-se apercebido que o ensino convencional é preconceituoso em relação ao sistema rural. Os filhos não seguem livros didáticos mas um currículo orientado para a agricultura. São encorajados a ler, a buscar informações, a enfrentar problemas e a encontrar soluções.

Há um ano, quando o filho, que estava interessado em esportes, queixou-se que não tinha tempo para dedicar-se à sua paixão, Sunil Ruthnaswamy decidiu retirá-lo da escola. "Agora tenho tempo para tudo. Estudo 3 horas por dia, e isso equivale a um dia na escola. Dedico-me ao críquete e remo 6 horas por dia (3 horas cada) e estou bem feliz!", disse Joshua Ruthnaswamy, 14.

No entanto, para muitos, o que os leva a optar pelo homeschooling é a aversão ao sistema convencional. Amit Mathur, um profissional de software, diz: "Nem eu nem a minha esposa estávamos satisfeitos com a educação que recebemos. Não confiamos no actual sistema de ensino, e eu não quero ver os meus filhos crescer sem pensar."

Há também crianças com distúrbios de aprendizagem para quem o homeschooling é uma opção melhor.

COMO FUNCIONA

Não existe um currículo separado para crianças que aprendem em casa. A maioria dos pais com quem falámos segue livros didáticos. No entanto, nem todos fazem isso, pois há quem crie o seu próprio currículo.

Em geral não inundam os filhos com livros. "Quando o meu filho estava na primeira classe eu costumava levá-lo às lojas e fazê-lo compreender adição e subtração. Mais tarde usei livros de exercícios. Foi assim que lhe ensinei matemática", disse Chetana Keni. As crianças são encorajadas a descobrir as coisas por si mesmas e a apreciar o prazer de aprender coisas novas.

Embora a maioria dos pais oriente os filhos quando eles estão na primária, também usam tutores quando sentem que não podem lidar com certas matérias. "Nós temos um fórum. Cada pai é bom em determinadas matérias. Eu, por exemplo, adoro matemática. Assim, quando uma criança precisa de ajuda com a matemática, eu ajudo", disse Amit Mathur, programador de software.

Quando chegam ao ano 10, os jovens podem fazer exames inscrevendo-se no National Institute of Open Schooling ou International General Certificate of Secondary Education. O diploma é reconhecido em todo o mundo.

DE NOVO EM CASA

A maioria das crianças tem um horário que não é regimentado. Estudam durante determinado número de horas (entre 2 a 6 horas), ocupam o tempo dedicando-se às suas áreas de interesse, com amigos e sozinhos.

"A maior vantagem é que o horário é flexível. As crianças podem aprender o que querem, quando querem. Podem aprofundar os conhecimentos tanto quanto quiserem. Aprendem ao seu ritmo e à sua maneira. Tomam responsibilidade pela sua aprendizagem. Vivem e aprenderm sem estresse", disse Aditi Mathur, um forte adepto de métodos de ensino alternativos.

[...]

O que dizem os psicólogos:

Considerando o sistema que as nossas escolas estão a seguir, o homeschooling é uma boa opção. As escolas estão a abarrotar - quer nas actividades curriculares quer nas extra-curriculares. Em família, o ambiente é mais relaxado e, portanto, mais propício para a aprendizagem. Há quem diga que a pressão a que as crianças estão submetidas na escola é boa. Mas, em 90% dos casos, essa pressão não faz bem nenhum.

- MS Thimmappa, psicólogo clínico e ex-vice-reitor da Universidade de Bangalore University

sexta-feira, 15 de janeiro de 2010

Ataque à Educação Domiciliar no Reino Unido

Hoje deixo-vos aqui uma tradução livre e parcial deste artigo, publicado ontem no Guardian. Mas antes, gostaria de chamar a vossa atenção para o artigo XII da Declaração Universal dos Direitos Humanos:

Ninguém será sujeito a interferências na sua vida privada, na sua família, no seu lar ou na sua correspondência, nem a ataques à sua honra e reputação. Toda pessoa tem direito à proteção da lei contra tais interferências ou ataques.

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As propostas do governo britânico para licenciar, regular e fiscalizar as famílias que educam os filhos em casa têm provocado uma furiosa oposição. O governo bem se tem esforçado por ignorar o criticismo de que a proposta legislação irá violar as liberdades civis dessas famílias, em particular o seu direito à vida privada e familiar. À medida que os detalhes dos planos do governo vão surgindo, estas tentativas de retratar o esquema como "light touch" vão-se tornando cada vez menos credíveis.

Se aprovada, a lei irá obrigar os funcionários municipais a fazerem visitas anuais ao lugar onde a educação é fornecida (normalmente a casa da família). Os funcionários, se assim o entenderem, terão o poder de entrevistar as crianças sozinhas, sem a presença dos pais. Os pais podem recusar mas essa recusa formará uma das 7 razões que a autoridade local pode usar para revogar a sua aprovação e impor uma ordem de frequência escolar.

Esta semana o Tribunal Europeu dos Direitos Humanos considerou que a falta de garantias adequadas contra os abusos de poder no uso do stop-and-search é uma violação do Estado de Direito e, portanto, do artigo 8. Nas propostas do governo em relação à educação em casa, os funcionários do Estado, para inspecionarem as casas das famílias ou interrogarem os filhos na ausência dos pais, nem sequer precisam demonstrar que tal procedimento seja de facto "necessário". E os funcionários do Estado, antes de "pedirem" para inspeccionar as casas de família, também nem sequer vão precisar demonstrar que existem suspeitas razoáveis (ou mesmo subjectivas!) quanto ao bem-estar ou à educação das crianças que aprendem em casa. O regime aplicado às "famílias-problema" e às crianças com um histórico de absentismo escolar será igualmente imposto àqueles onde não existem suspeitas senão a de estarem fazendo um bom trabalho.

Os sinais por enquanto não são animadores. Em vez de estabelecer limites contra a interferência arbitrária por parte dos funcionários do Estado, os dados publicados pelo governo indicam que os inspectores das autoridades locais terão de se certificar que os lares estão livres de "quaisquer" factores que possam interferir no processo educativo.

Annabel Wynne estava certa ao descrever as propostas do governo para a educação em casa como uma solução para um "não-problema". Nos últimos anos, a Nova Zelândia e Ontário concluíram que as inspecções obrigatórias para todas as crianças educadas em casa eram desnecessárias e substituiram-nas por regimes de notificação verdadeiramente "leve". Infelizmente, parece que Mr Balls está determinado a seguir outro caminho e gastar centenas de milhões de libras para submeter as famílias à interferência arbitrária do Estado, não por serem suspeitas de quaisquer irregularidades mas simplesmente porque decidiram educar os próprios filhos.